Dois fortes terremotos consecutivos de magnitude 7,2 e 7,5 e intervalo de 39 segundos atingiram a região centro-norte da Venezuela no início da noite desta quarta-feira, 24 de junho de 2026.
Por terem sido superficiais (entre 10 km e 22 km de profundidade), causaram destruição severa e pânico generalizado. Foram descritos por um sismólogo como “devastadores”. São os maiores desde 1812, quando um grande terremoto destruir parcialmente Caracas.
O epicentro foi no estado de Yaracuy (próximo a Yumare e San Felipe), mas o impacto foi sentido com força em vários estados e em países vizinhos.
Localizada a quase 300 km do epicentro, a capital Caracas sofreu graves impactos estruturais. Vários edifícios e casas desabaram por completo, especialmente nos bairros de Altamira, Chacao e Los Palos Grandes.
Prédios comerciais (incluindo um banco) vieram abaixo, fachadas ruíram e nuvens de poeira cobriram bairros inteiros.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) emitiu um alerta projetando que o número de mortes pode ser extremamente alto (com probabilidade significativa de ficar em mais de dez mil mortes e os prejuízos econômicos podem ultrapassar 10 bilhões de dólares.
Até o momento, equipes de resgate buscam sobreviventes presos sob os escombros.
O Aeroporto Internacional Simón Bolívar em Caracas foi danificado e teve todos os voos suspensos. O governo ordenou o corte emergencial do fornecimento de gás encanado em Caracas para evitar explosões e incêndios nos prédios colapsados.
Os tremores foram tão fortes que balançaram prédios em Bogotá (Colômbia) e foram nitidamente sentidos no norte do Brasil, com relatos de moradores em Manaus e Belém.
A Venezuela está posicionada sobre a complexa zona de fronteira entre a Placa Tectônica do Caribe e a Placa Sul-Americana.
Cerca de 80% da população do país vive em áreas de alto risco sísmico. Históricamente, o país já enfrentou outros grandes desastres:
O Terremoto de Caracas (1967): De magnitude 6.6, atingiu exatamente as mesmas áreas (Altamira e Los Palos Grandes), deixando cerca de 300 mortos e mais de 1.500 feridos.
Idosos que testemunharam o terremoto de 1967, relataram que que este agora foi consideravelmente pior.
Em 1997, outro forte abalo que causou graves destruições no nordeste do país. Em 2018, o Terremoto de Sucre (2018) teve magnitude de 7,3. Na ocasião, embora tenha assustado e sido sentido em dez países (incluindo o Brasil), seu foco foi muito mais profundo, o que evitou colapsos de prédios e mortes em grande escala.
O mais antigo registrado é de 1812, que destruiu grande parte de Caracas e outras cidades importantes, sendo um dos mais letais da história do país.
O especialistas descartam relação dos terremotos com o fenômeno do El Niño ou as mudanças climáticas. Os terremotos, explicam, são fenômenos puramente geológicos que ocorrem a quilômetros de profundidade na crosta terrestre, movidos pelo calor interno da Terra, enquanto o clima e o El Niño operam na atmosfera e na superfície dos oceanos.

