Ana Barros Pinto
Perto de completar sete meses da retomada das suas terras ancestrais em Maquiné, no Litoral Norte gaúcho, as 27 famílias Mbya Guarani já plantam milho e mantêm boas expectativas para permanecer no local, uma parte da área da extinta Fepagro. O processo de reintegração de posse já foi suspenso por três vezes enquanto se tenta negociar uma composição com a permanência dos indígenas e a continuidade da pesquisa.
A Associação dos Servidores da Fepagro (Assep) considerava impossível a convivência da pesquisa com os Mbya na área e está debatendo essa possibilidade com seus associados. Pesquisadores antigos – a maioria dos diretores estava na criação da Fepagro -, eles consideram legítimos os movimentos sociais e não são contrários aos indígenas em Maquiné, apenas se preocupam com o compartilhamento da área por conta de problemas anteriores em outros locais, disseram na última reunião da Comissão de Direitos Humanos, da Assembleia Legislativa.
Participaram da reunião técnicos do Estado (Sema e SDR), professores da Ufrgs e Uergs, os caciques André Benites e Joel Pereira, pelo Conselho Estadual dos Povos Indígenas (CEPI), Merong Santos e representantes da Raiz Movimento Cidadanista que defenderam a possibilidade de uma gestão compartilhada da área, que leve em consideração a manutenção da pesquisa científica associada ao conhecimento tradicional dos índígenas.
Esse processo já iniciou em meados de julho, em reunião técnica na aldeia Mbya, quando se debateu a possibilidade de pesquisa que integre a ciência não indígena com o conhecimento tradicional indígena. Foi ressaltado o conhecimento milenar dos Mbyá Guarani na conservação e propagação de sementes tradicionais. Só de milho há uma infinidade de variedades. E como diz um pesquisador da Embrapa – Clima Temperado: “Os guaranis são os guardiões de sementes”.
Técnicos e pesquisadores da Ufrgs, Uergs, IFRS, Embrapa, Emater, Sema, CTI, Aepim e Anama, apoiam os indígenas e que se propõem, junto com os Mbya e pesquisadores da Secretaria da Agricultura, a realizar pesquisas, incentivando a geração de saberes intercientíficos. O grupo avalia que uma pesquisa assim inovadora possui grandes chances de obter apoios financeiros de institutos nacionais e internacionais.
“A Ufrgs realiza projetos de ensino, pesquisa e de extensão com a participação indígena”, disse o professor de Antropologia José Otavio Catafesto.
No Litoral Norte, professores e pesquisadores têm trabalhado com diversas comunidades Mbyá-Guarani.
“O vale do Rio Maquiné é uma área de atuação por décadas no desenvolvimento de projetos de pesquisa e de experimentação na produção de alternativas de insumos necessários ao sustento destas comunidades originárias”.
Especificamente na área da antiga Fepagro, pesquisadores e alunos têm realizado pesquisas e intervenção com a participação dos Mbyá-Guarani nos últimos anos.
O cacique André Benites conhece a área como a palma da mão e participou de várias projetos com a equipe da Fepagro e Ufrgs. Mas prefere falar da alegria que a comunidade experimenta ao viver na terra ancestral.
“Ali tem água limpa, pássaros, plantas medicinais, argila para fazer as casas tradicionais. Tudo o que é necessário para o Mbya viver de acordo com a sua cultura. Por isso é a retomada guiada por Nhanderú (Deus)”, disse
Merong Santos complementou: “Estamos do mesmo lado, queremos que a pesquisa continue e que o povo Guarani mantenha as sementes sagradas”.
Ao final, a diretoria da Associação dos Servidores da Fepagro informou que debaterá com os associados a proposta de composição, em reunião no dia 23 de agosto, e anunciará a posição dos técnicos.
Reintegração de posse suspensa
Representante da Procuradoria Geral do Estado (PGE) no Conselho Estadual dos Povos Indígenas (CEPI), o procurador Sílvio Jardim lembrou aos servidores da ex-Fepagro o quanto todos ali presentes lutaram contra a extinção das fundações no Estado. Os deputados Jeferson Fernandes (PT) e Pedro Ruas (PSol) também manifestaram essa posição e defenderam a solução combinada com a presença indígena no local.
Jardim informou ainda que o processo de reintegração de posse vem sendo suspenso justamente para se buscar essa composição. Foram feitos três pedidos de suspensão do processo de reintegração de posse. O último, com o prazo de 10 dias úteis, deve expirar no final do mês.
Enquanto isso, o secretário da Agricultura, Ernani Polo, tem recebido relatórios e cartas dos apoiadores sustentando a importância de conciliar a pesquisa com a presença Mbyá na área. O Comitê Estadual da Reserva da Biosfera Mata Atlântica reconhece também a pertinência do uso e manejo dos indígenas para a conservação da mata, “como um novo paradigma sócio ambiental’.
Na reunião da Comissão que participou, na semana passada, Polo disse que o objetivo da Secretaria é preservar a pesquisa. Mas que vai conversar os servidores da extinta Fepagro e da Funai para buscar construir um caminho. E deixou uma porta aberta para negociação: “se há como compatibilizar, meu esforço será nessa direção”.
Autor: da Redação
Técnicos de universidades e empresas públicas manifestam apoio às famílias Mbyá Guarani, em Maquiné
Foto: Ana Barros / JÁ Foto: Ana Barros / JÁ EPTC debate com a comunidade sobre a ciclovia da Barros Cassal
Técnicos da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e moradores da rua Dr. Barros Cassal, bairro Bom Fim, realizam nova reunião sobre o processo de implantação da ciclovia naquela área, que tem um novo trecho projetado de 571 metros de extensão entre as vias Irmão José Otão e Voluntários da Pátria. O encontro, aberto também a todas as pessoas interessadas, acontece às 10h desta quinta-feira, 24, na av. João Pessoa nº 1.110.
Com um traçado alternativo ao Túnel da Conceição, a ciclovia interligará a área do bairro Bom Fim com a da Estação Rodoviária e a futura ciclovia da av. Voluntários da Pátria. Estão previstas travessias semaforizadas, com tempo específico para pedestres e ciclistas, inclusive na Independência e Osvaldo Aranha.Oficial de Justiça diz em reunião com deputados que desocupação da “Lanceiros” seguirá a lei
Em reunião da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do RS, ocorrida hoje (23/08), na sala professor Salzano Vieira da Cunha, o presidente da Associação dos Oficiais de Justiça do Rio Grande do Sul (Abojeris), Jean Gonçalves, afirmou que zelará pelo cumprimento de todos os critérios do mandado judicial expedido pela juíza Luciane Marcon Tomazelli, que determina que as famílias desalojadas que fazem parte da Ocupação Lanceiros tenham algum local, mesmo que provisório, para acolhimento após o despejo.
O presidente da Comissão, deputado Jeferson Fernandes (PT), durante o período de assuntos gerais da reunião informou ter enviado pedido de informações à juíza da 1ª Vara Cível de Porto Alegre, Fernanda Ajnhorn, a respeito do cumprimento de ordem judicial para desocupação nesta quinta-feira (24), às 7h, do prédio na Rua dos Andradas ocupado pelo movimento. O parlamentar manifestou preocupação especial quanto à definição de local para instalar as crianças, grávidas, pessoas com deficiência, idosos e indígenas lá alojados. O descumprimento das exigências para a desocupação, alertou o deputado “aumenta o perigo de conflito desnecessário”.
Além disso, o mandado também determina que os órgãos competentes, como conselho tutelar, por exemplo, estejam presentes na desocupação. Em reunião convocada pela Brigada Militar, ocorrida na manhã de ontem (22), o coronel Jefferson de Barros Jacques, comandante geral do policiamento da Capital, afirmou que o protocolo seguido pela BM já prevê a presença desses órgãos estatais e que todas essas normativas serão cumpridas.
Conforme o presidente da Abojeris, Jean Gonçalves, a primeira desocupação do movimento Lanceiros Negros, ocorrida em 14 de junho, não saiu do controle, apesar da detenção do deputado estadual Jefferson Fernandes, que, segundo afirma o magistrado, não foi determinada por nenhum dos cinco oficiais de justiça presentes na ocasião.
"Greve é questão de tempo", afirmam servidores em assembleia contra pacote de Marchezan
Já era começo da noite de terça-feira, 22, quando cerca de mil servidores municipais de Porto Alegre reuniram-se na Casa do Gaúcho, no Parque da Harmonia, para assembleia organizada pelo Simpa (Sindicato dos Municipários). Em pauta, os próximos passos da categoria contra os projetos do prefeito Nelson Marchezan Júnior, enviados à Câmara Municipal no segundo semestre de 2017.
No pacote, estão previstas alterações nos salários do funcionalismo. Somente neste mes de agosto, duas manifestações já ocorreram em frente ao Paço Municipal. Outros pequenos atos ocorreram durante toda a semana passada. Uma comissão especial deve ser criada no parlamento para envolver os os vereadores nas discussões.
Antes da decisão da assembleia, representantes dos Cores (Conselhos de Representantes Sindicais) se alternavam no microfone, expondo seus pontos de vista e as ações planejadas por cada conselho.
“Precisamos chegar com a deflagração da greve encaminhada na próxima assembleia se nada for alterado”, disparou um servidor. A ideia de greve está muito forte na categoria. “Estamos agindo com cautela, mas, podemos fazer uma greve que derrote de vez esses projetos”, explicou o coordenador do Simpa, Alberto Terres.
Uma paralisação só deve ser anunciada com apoio maciço do funcionalismo. Nova assembleia está marcada para o dia 5 de setembro.
Nova assembleia da categoria está marcada para o dia 5 de setembro
Agenda definida nesta terça:
:23/8 – quarta-feira 14h – Concentração dos Municipários na Câmara de Vereadores, para acompanhar a votação da Comissão Especial de discussão do PLs.
31/8 – quinta-feira 18h – Ato em Defesa de Porto Alegre, no Paço Municipal.
04/9 – segunda-feira 18h – Reunião do Conselho de Representantes Sindicais (CORES) SIMPA.
05/8 – terça-feira 18h – Assembleia Geral dos Municipários.Contraponto ao Dia da Independência, Grito dos Excluídos será lançado amanhã na Capital
O 23º Grito dos/as Excluídos/as, realizado no dia 7 de setembro, dia da Independência do Brasil, como um contraponto aos eventos promovidos pelo governo federal, será lançado nesta quarta-feira, 23, em Porto Alegre. O manifesto traz como tema “Por direitos e democracia, a luta é todo dia”, para chamar a atenção da sociedade sobre a urgência da organização e luta popular frente à conjuntura em que o país vive hoje.
Programação
15h – Concentração na Ocupação Mirabal: Lutas das mulheres
16h – Na Praca da Matriz a)Políticas Públicas, Fundações e desmonte dos serviços públicos; b) Dignidade e Direitos Humanos, justiça, contra corrupção e privilégios; c) Desmonte dos direitos trabalhistas, previdenciários e da cultura.
17h – Viaduto da Borges – população em situação de rua, direito à moradia e à cidade
17h30 – Ex-Ocupacao Lanceiros Negros / Violencia institucional, direito à cidade
18h – Lancamento do 23º Grito dos Excluídos. Mística da água e alimentação saudável (Traga sua caneca para água!)
Hino do 23º Grito 2017
As mulheres vão, os homens também
Não pode faltar ninguém no grito das excluídas
Os jovens vão, as crianças também
Não pode faltar ninguém no grito dos excluídos
O Brasil está sendo golpeado
E o povo pagando o pato
Saquearam a democracia
Sem direito a aposentadoria
Saúde, educação
Moradia e ter dignidade
Melhorar a vida do povo
No campo e na cidade
Por direitos e democracia
A luta é todo dia
Por direitos e democracia
A luta é todo diaMP/SC quer obrigar municípios do Sul a recuperar área usada como lixão
Os municípios de Laguna, Gravatal, Capivari de Baixo e Tubarão não fizeram a recuperação ambiental da área que utilizavam como lixão, conforme haviam se comprometido em acordo extrajudicial com o Ministério Público de Santa Catarina (MP/SC).
O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado em agosto de 2001, está sendo executado. O MP/SC entrou na Justiça na segunda-feira, 14, para proteger o meio ambiente e garantir a saúde pública, pois a área está totalmente degradada e poluída. Exige também que os municípios paguem multa pelo descumprimento do acordo.
Na ação de execução de cumprimento de obrigação de fazer, os Promotores de Justiça com atuação na área do meio ambiente da região pedem para que o Juízo da 2ª Vara Cível da Comarca de Laguna obrigue os municípios a apresentarem à Fundação do Meio Ambiente (Fatma) um novo projeto de recuperação da área com base em Laudo Pericial produzido com financiamento do Fundo de Reconstituição de Bens Lesados. O Laudo Pericial comprovou que o local está severamente contaminado e impróprio para a ocupação humana. O lixão foi desativado em 2003, mas não recebeu obras de recuperação ambiental adequadas. Hoje os resíduos sólidos são destinados a Empresa que detém licença ambiental, mas o passivo ambiental foi deixado sem recuperação.
“Houve a simples compactação do material em meio a camadas de argilas, porém camadas finas, pois o material ainda encontra-se em parte na superfície. A área possui os materiais que seriam utilizados nas obras de recuperação ambiental, como tubulação e calhas de concreto… O que se percebe é um total abandono das atividades sem nenhum tipo de controle da poluição ambiental”, descreveu a perita que realizou o Laudo.
A perícia constatou, ainda, que a poluição gerada pelo depósito irregular de resíduos do antigo lixão causou poluição das águas e do solo na área.
Os municípios de Laguna, Gravatal, Capivari de Baixo e Tubarão utilizavam a área, que hoje pertence a Pescaria Brava, para depositar resíduos sólidos. No TAC firmado com o MPSC, em 2001, os entes públicos se comprometeram a desativar o lixão e, entre outras medidas, a recuperar o local. Segundo a ação, os municípios contrataram a Fundação de Apoio à Educação, Pesquisa e Extensão da UNISUL (FAEPESUL) para produzir o projeto de recuperação. O projeto foi apresentado à FATMA, que o analisou e emitiu uma licença ambiental de operação para a recuperação da área com validade de seis meses. A licença não foi renovada e nem as suas condicionantes sequer foram comprovadas.
“A Fundação contratada não cumpriu o contrato por alegar possível inadimplência dos contratantes. A FATMA efetuou algumas autuações ao consórcio (formado pelos municípios signatários do TAC) que nenhum efeito prático surtiram”, sustentam os Promotores de Justiça Ana Paula Destri Pavan, Ernest Surt Hammer Schmidt, Fernanda Broering Dutra e Osvaldo Juvencio Cioffi Júnior na ação.
Desde 2012, a Promotoria Regional do Meio Ambiente de Tubarão, por meio do Promotor de Justiça Sandro Araujo, tentou convencer os prefeitos signatários do TAC a cumprirem todas as cláusulas do acordo, mas não obteve sucesso.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) também apurou diversas irregularidades no processo de requerimento de licenciamento ambiental e chegou a notificar a prefeitura de Tubarão para que tomasse as medidas necessárias para o controle e monitoramento ambiental do antigo lixão em conjunto com os outros municípios. No entanto, segundo os Promotores de Justiça, nem assim foram tomadas medidas de efetiva recuperação da área.
O TAC foi assinado dentro do inquérito civil instaurado pelo MPSC com abrangência estadual para a implementação do Programa institucional “Lixo Nosso de Cada Dia”, que visava à implantação de aterros sanitários mediante licença ambiental, com a desativação dos lixões e a recuperação das áreas degradadas pelo depósito irregular de resíduos sólidos nos municípios catarinenses.
Em razão do descumprimento do acordo, os Promotores de Justiça também ajuizaram, paralelamente à ação de recuperação da área degradada, um outro processo para cobrar multa dos municípios signatários do TAC. Cálculo preliminar indica que a multa pelo descumprimento pode chegar a mais de R$ 42 milhões. O valor leva em consideração o período em atraso, que é 16/2/2004 a 11/8/2017.Ibama e SEMA devem elaborar projeto de contenção do mexilhão dourado no Guaíba
A proteção do meio ambiente é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Com este entendimento, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) manteve, na última semana, sentença que determina ao estado do Rio Grande do Sul e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a elaboração e implantação de um projeto que contenha o mexilhão dourado no Rio Guaíba (RS). O molusco ocasiona alteração e destruição de habitats e modificações na qualidade de água, precisando ser controlado.
A ação foi proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), o qual acompanha a situação de invasão do mexilhão dourado desde o inicio. O MPF, o Ibama e o Estado, através da Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustável (SEMA) não entraram em acordo para resolver o problema. O primeiro ajuizou ação solicitando medidas para acabar com a proliferação dos moluscos.
A 9ª Vara Federal de Porto Alegre julgou parcialmente procedente, condenando os réus a cumprir medidas solicitadas, pelo MPF, elaborando e implantando projeto de contenção dos mexilhões. O Ibama e o Estado recorreram ao TRF4, alegando ser competência da União o controle de introdução de espécies exóticas no País, visto envolver o estabelecimento de regras e políticas públicas a respeito.
O relator do caso, juiz federal convocado Sérgio Renato Tejada Garcia, manteve o entendimento de primeira instância. “A proteção do meio ambiente é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios nos termos do artigo 23, VI e VII da Constituição de 1988. Em épocas de alarmantes desastres ambientais, em relação aos quais não há definitiva expectativa de recuperação de danos, os princípios da precaução e da prevenção adquirem força vital. E o Direito, como um do pilares de um Estado Democrático, deve ser atuante, preciso e efetivo na busca da proteção do meio ambiente, que é, em última análise, a própria proteção da vida”, afirmou o juiz.Judiciário e Agert debatem liberdade de imprensa, dia 26, na Unijuí
A Associação Gaúcha das Emissoras de Rádio e Televisão (Agert), com o apoio do Tribunal de Justiça, irá realizar a 2ª Edição do Seminário Liberdade de Imprensa: Judiciário e Mídia a Serviço da Comunidade. O evento ocorrerá no dia 26/9, a partir das 14h, em Ijuí, no auditório da Universidade Regional do Noroeste do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ). Estarão presentes o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Luiz Felipe Silveira Difini, o presidente do Conselho de Comunicação Social do TJRS, desembargador Túlio Martins, a corregedora-geral da Justiça, desembargadora Iris Helena Medeiros Nogueira, e o presidente da Agert, Roberto Cervo Melão .
A oficialização da parceria entre a entidade e o Judiciário ocorreu em maio, mês da realização do primeiro seminário, em Passo Fundo, que contou com a participação de representantes de aproximadamente 40 emissoras da região Planalto. Segundo o presidente da Agert, o evento proporciona maior aproximação entre os magistrados e a mídia estadual. O dirigente destaca que Juízes, Promotores, autoridades, profissionais da imprensa e da radiodifusão e estudantes de 25 municípios da Região serão convidados para o encontro.
Além das palestras dos desembargadores Difini e Túlio, dirigentes da Agert vão debater situações enfrentadas pelos repórteres e apresentadores na cobertura dos fatos jornalísticos relacionados ao Judiciário.
O desembargador Luiz Difini afirma que “o seminário também terá um caráter preventivo no sentido de esclarecer as dúvidas da imprensa, no aspecto legal, relacionadas à divulgação de fato”. Também salienta que durante o evento será efetuado um relato das principais iniciativas tomadas pela atual administração do TJ.
O presidente reitera a importância da iniciativa, lembrando que o encontro em Passo Fundo foi bem sucedido graças ao engajamento maciço das emissoras de radio e televisão da região Planalto. Segundo ele, “o apoio da mídia é fundamental para que as nossas atividades cheguem ao conhecimento da sociedade gaúcha”, acreditando que o evento em Ijuí também será exitoso.Otto Guerra: o homenageado menos sério do Festival de Gramado
Matheus Chaparini
Há trinta e poucos anos, Otto Guerra estreava no Festival de Cinema de Gramado com a animação O Natal do Burrinho. De chegada, levou o prêmio de melhor filme na Mostra de Curtas Gaúchos.
Foi premiado em outras seis edições do evento. A mais recente foi em 2013, com o longa-metragem “Até Que a Sbórnia nos Separe”, melhor filme pelo júri popular e direção de arte. Otto é prata da casa, como definiu o jornalista Roger Lerina, na apresentação do prêmio. Desde 1978, é dono da Otto Desenhos Animados.
Do alto da sua seriedade, Otto brinca de tropeçar no tapete vermelho / Diego Vara/ Pressphoto
Durante o primeiro final de semana do festival, Otto andou por Gramado, recebendo cumprimentos a cada meia duzia de metros de calçada. Na tarde de sábado participou de uma entrevista coletiva, onde despertou gargalhadas dos jornalistas, em média, duas vezes a cada resposta. Interrompeu a coletiva para atender o celular e passar uma coordenada, segundo a qual seria impossível achá-lo.
À noite, chorou, tomou um um conhaque, esqueceu o texto do discurso e foi para o palácio dos festivais receber o Troféu Eduardo Abelin. O prêmio foi entregue pelo animador José Maia. Parceiros há 40 anos, os dois estiveram juntos em em seu primeiro festival.
No discurso, Otto fez rir, como de costume, mas falou também da situação política do Brasil. Fez um paralelo entre o período vivido pelo setor audiovisual depois da extinção da Embrafilmes, nos anos 90 e o atual momento político brasileiro. “Naquele momento, a sociedade civil se uniu para juntar os cacos da Embrafilmes e disso nasceu a Ancine, que levou o Brasil a viver, no audiovisual, hoje seu melhor momento.”
Antes da entrega do prêmio, foi exibido um vídeo, com depoimentos de pessoas próximas – e de seu gato. “Melhor contador de história e melhor cliente que um dono de um bar pode querer”, definiu a amiga Sha. Outra moça, Sara, afirmou que Otto é o amigo mais mentiroso que já conheceu e concluiu com “te amo”.
Otto Guerra falou à reportagem do JÁ no dia seguinte à entrega do prêmio.
Tua primeira vez aqui foi em 1984 com o Natal do Burrinho…
No Festival de cinema, sim. Mas eu tinha vindo antes no festival de publicidade, mas é bem diferente, bem triste.
Triste?
Vender os produtos, né? Hehe Puta que pariu. Trabalhei em propaganda, né, cara. Com a grana da propaganda eu comprei os equipamentos e abri a empresa. Eu só consegui produzir um curta em 1984, depois de oito anos, dois trabalhando com o argentino (Félix Follonier) e seis na empresa.
E já estreou com prêmio.
Sim, foi bem surpreendente porque a gente fez um filme para tentar vender pro natal na Rede Record, na época. Era um filme bonitinho. Não conseguimos vender, daí colocamos um final surreal e inscrevemos. Eu e o Maia estávamos aqui quando filme ganhou.
Tu sabia que era o Maia que ia te entregar o prêmio ontem?
Não sabia. Me pegaram. Eu chorei na subida. (ao palco)
Otto Guerra e José Maia são parceiros há 40 anos / Edison Vara / Pressphoto
Tua empresa faz quarenta anos em 2018. Quando tu começou tinha alguma perspectiva de que a coisa engrenasse a longo prazo?
A gente vive de cópias, de referências. De fato no Brasil não tinha referência de empresa de animação, mas no mundo tinha muita. Daí eu pensava ‘bem, se existe o troço…’ Eu lembro bem, eu lá com treze anos, vi o Tintin, do Hergé: ‘então dá pra fazer’.
Mas no fim das contas o que interessa é tu conseguir te jogar, te dedicar com paixão, digamos, ou fé, não sei que palavra suar. Sentar a bunda e fazer, fazer, fazer. É questão de ter saco, vontade.
Era um prazer fazer os filmes, mesmo os comerciais, porque eu conseguia viver de desenho. Nessa coisa de ‘pô, o que eu vou fazer da vida pra poder viver de bonequinhos’, a propaganda foi o caminho. Por outro lado, meu próprio desenho virou uma coisa muito pasteurizada. O Natal do Burrinho a animação ainda é minha. Por isso que é tão bom o filme – tô brincando.
O Maia me perguntava ‘pô, porque tu parou de desenhar?’ Eu parei porque eu desenhava bonecos pasteurizados, com aquela cara de propaganda. Fiquei oito fazendo isso e não consegui mais ter meu próprio estilo. Eu não desenho mais desde 1985. Fiz um filme ou outro que não tinha como delegar.
Qual a tua função na empresa?
Explorador. Eu exploro as pessoas. Não. Eu sou o CEO, na verdade. Uma amiga diz que o que eu faço é o esquema do maestro, juntar todas as coisas, musica, animação, roteiristas, direção de arte. Então, eu não faço nada mas eu estou em todas as etapas.
Do que a empresa se sustenta hoje? De onde vem a grana?
A gente ainda faz, eventualmente, filmes institucionais. Eu fiz aqueles monstrinhos da RBS, sabe? ‘Maltratar as criancinhas…’ Fizemos séries do Zé Gotinha um tempo atrás. E a ficção é o que está nos mantendo agora. Basicamente a gente está vivendo de editais. E vendendo, vendemos para o canal HBO o nosso longa Sbórnia.
Eu nunca tive expectativa de grana, por isso eu consegui fazer o estúdio existir na época. Eu li muito cedo o Henry Thoreau, um pré-anarquista, ele falava assim: no momento que o dinheiro se interpõe entre o homem e seu objetivo, tá fudido. Porque tu vai viver em função da grana e a grande tristeza do mundo é isso.
Como tá o cenário do cinema de animação no Brasil?
O Brasil está com um cinema de animação surpreendente, surpreendeu o mundo. Filmes como a Sbórnia mesmo, O Menino e o Mundo, os curtas, eles estão no topo do mundo. Sbórnia entrou nos 20 indicados aos Oscar – no prêmio da indústria, mas foda-se, é importante. O Menino e o Mundo esteve entre os cinco. Nosso curta Castillo e a Armada esteve entre os 20, nos curtas. Lançado no festival de Veneza, que é super disputado. Ano que vem o Brasil vai ser o país homenageado no festival de Annecy, o maior do mundo, de animação. Por quê? Porque a gente tá com uma técnica de animação fodona e conteúdo surpreendente. Eles não entendem, a gente não trabalha com padrão.
É o melhor momento da animação?
Óbvio. Com certeza. Nem no meu sonho mais otimista eu chegaria ao que nós estamos vivendo, sabe? Tem 25 longas de animação sendo feitos neste momento no Brasil. E quando a Otto começou, tinha três longas na história do cinema brasileiro.
Tu acha que o trunfo da animação brasileira está no roteiro?
Sim. A gente é influenciado pelo Myiazaki, pelo Disney, pelo Leste Europeu, pelos canadenses, pelos franceses… Então a gente tem um esquizofrenia muito saudável, muito única. Essa mistura incrível que formou o povo brasileiro pra mim é uma esperança de que o mundo ainda possa ter empatia. Mas pode ser só utopia também.
Neste momento, o que tá fazendo?
Tamo fazendo uma série que chama Filosofinho – que eu vou acabar preso, né? Porque eu tô fazendo leitura do Marx para crianças. Vão dizer que eu sou degenerador de crianças. É uma série baseada na Tomo Editorial, uma editora de Porto Alegre.
E aprovamos agora – a Érica aprovou, minha sócia, não pára de trabalhar nunca essa guria – a série Rocky e Hudson, série dos caubóis gays, do Adão. Tamo fazendo dois curtas também.
E com Laerte tem um projeto em cima dos Piratas do Tietê. Como está isso?
Tá no fim, cara. A gente conseguiu aprovar a grana para finalizar o filme. Não tem para comprar as músicas todas que eu queria, mas tem suficiente para terminar o filme. Falta 10% da animação, tá todo planejado. Quero lançar aqui em Gramado ano que vem. É um longa.
Tu também está escrevendo um livro autobiográfico?
Ah, sim! Chama ‘Nem doeu’.
Diz que só tem um parágrafo bom, mas isso parece falsa modéstia para vender livro.
Hahaha. Pior é que não é. Eu venho tentando escrever há muitos anos. Eu fui convidado para um evento em Cruz Alta e lá eles têm uma ligação grande com literatura, porque o Érico Veríssimo nasceu lá e tal. E me convidaram para ir. Eu andei de carona com um tal de Marcelino Freire e o cara é muito foda. Eu fiquei muito impressionado. A gente não conversou nada na estrada, mas foi uma viagem onde… Daí eu consegui falar sobre isso, fiz um paralelo o menino nascendo em Sertânia, no interior de Pernambuco – que era ele – e outro menino – que era eu – nascendo burguesinho, no Beneficência Portuguesa. É interessante, assim, daí eu menti, na verdade, tanto sobre ele como sobre mim.
E é um livro autobiográfico ficcional, então?
A verdade tá na ficção, na poesia, na arte. Ele pode estar na literatura, mas não essa coisa objetiva. Então eu já esbarrei no início, daí eu fiz um personagem de mim mesmo, porque é mais fácil falar em terceira pessoa.
O nome do personagem é Otto?
Não. Eu tive um monte de babá, umas babás fiadasputa, cara, que me chamavam de pequeno otário.
Isso na história real ou no livro?
Aí que tá! Eu era maltratado pelas babás. Então, assim, simbolicamente, é exatamente o que aconteceu. Daí a mãe ficava bebendo – ela bebia gim pra caralho – e ela entendeu que era Lotário, que é o personagem subalterno do Mandrake. Então eu sou Lotário e o Marcelino – eu li um negócio que ele fala ‘escrever não é bonitinho, não vem com esse papinho de suspiro’ – daí eu botei o nome dele de suspiro. Então, é uma ficção baseada em fatos surreais.
Che, Otto, tu te leva a sério?
Não, claro que não, né. Me levar a sério, tá louco? Esses dias eu tava brigando com uma mina e ela: ‘tu não é profissional’. E eu disse ‘claro que não né, tá louca? Isso é coisa da direita’.
Mas não sendo profissional e não te levando a sério, tu mantém uma empresa de quase 40 anos. Tu é um empresário bem sucedido.
É que ela fica tendo momentos e quando os momentos são terríveis, simplesmente eu uso o sistema do urso. Eu hiberno, só com a respiração mínima, só pra seguir vivo. Já hibernei umas três vezes. O estúdio acabou sendo um extensão do meu quarto de infância, essa que é a grande jogada.Em audiência pública, ex-prefeitos criticam falta de transparência na gestão Marchezan
Educação, DMAE, Orçamento Participativo, transporte público ,entre outros temas da gestão pública de Porto Alegre foram debatidos ontem a noite na audiência pública ocorrida no Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
Compareceram três ex-prefeitos, João Antônio Dib, Olívio Dutra e José Fortunati, que discursaram, deram conselhos e criticaram o atual gestor, Nelson Marchezan Júnior.
O prefeito estava com agenda em brasília e o vice, Gustavo Paim, também não foi ao debate, proposto pelo deputado Adão Villaverde (PT).
José Fortunati criticou Marchezan por estar apresentando dados equivocados da gestão anterior. Lembrou do bom desempenho da capital que obteve conceito B nos dois últimos anos (2015 e 2016) e conceito A em 2014, no índice de Responsabilidade Fiscal. e também questionou a falta de transparência da atual gestão.
“A atual gestão não responde às perguntas sobre gastos através da Lei de acesso à informação, no Portal da Transparência, ao contrário da minha gestão quando era divulgado um relatório mensal sobre as despesas”, afirmou.
Fortunati admitiu que foram deixados débitos, mas não os “que o atual prefeito diz”. Criticou duramente a postura de Marchezan que reclama de uma “herança maldita”:
“Isso mostra a postura de um presidente de partido e não de um gestor. E a consequência é que não há políticas públicas para a cidade”, ressaltou.
O ex-prefeito trabalhista questionou o parcelamento de salários, as ameaças de privatização da Carris e defendeu a manutenção do serviço público no DMAE. Lembrou que o Departamento é superavitário e que houve grandes avanços através do Pisa (Programa Integrado Sócio-ambiental).
Lembrou, ainda, que priorizou a transparência durante sua gestão, o que foi reconhecido pelo Tribunal de Contas do Estado classificando a cidade como a mais transparente nas suas contas em todo o estado, e condenou o desmonte nas políticas populares.
João Antonio Dib, que tem se destacado como um dos principais defensores da manutenção do DMAE público, aconselhou Marchezan: “não adianta ficar reclamando”. Lembrou de administrações passadas como a do prefeito Loureiro da Silva, “que pegou a administração de Porto Alegre em condições ruins, com salários atrasados e dificuldades financeiras, mas que entregou um quadro diferente para o seu sucessor.
Olívio Dutra foi o terceiro ex-prefeito a falar. Lembrou de feitos da sua gestão e da pluralidade partidária da “Frente Popular”. Defendeu a importância das relações entre as cidades vizinhas, na Região Metropolitana, reforçou a necessidade de discutir a proposta orçamentária junto à sociedade e ao Poder Legislativo. Também defendeu o perfil público do DMAE e seu aperfeiçoamento.
“O DMAE não é uma política de governo ou de partido, é uma política de estado, deve ser reforçada”.
Sobre a Carris, Dutra lembrou das diversas premiações que a Companhia recebeu, tanto no setor público como da iniciativa privada. “A Carris tem de ser modelo e parâmetro, tem tudo para ser preservada e aperfeiçoada”, defendeu o ex-prefeito.
O ex-vereador e vice-prefeito Sebastião Melo foi um tanto sarcástico: “O prefeito lembra aquele personagem da tevê que diz que aumenta mas não inventa. Ele não inventa mas aumenta muito” ironizou, referindo-se às dívidas deixadas pela gestão anterior.
O diretor do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), Jonas Reis, criticou fortemente Marchezan. Disse que o atual prefeito ataca os servidores públicos desde antes de começar o seu governo quando, em dezembro do ano passado, quis intervir no pagamento do décimo terceiro.
“Segundo o Portal da Transparência, há R$ 300 milhões no caixa da Prefeitura, então a crise levantada pelo atual prefeito não é real”, destacou o sindicalista.
Reis criticou os últimos projeto enviados por Marchezan à Câmara, que mexem nos salários dos servidores e o cancelamento das audiências públicas do Orçamento Participativo.
Também presentes na audiência pública, deputado estaduais do PT, PMDB, REDE e PC do B, e os vereadores de Porto Alegre, André Carús (PMDB) e Fernanda Melchionna (PSOL), além de representantes de entidades sindicais.



