Autor: da Redação

  • A Carris e o sucateamento programado

    Jeferson Fernandes*

    Há pouco dias recebemos na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do RS a visita de funcionários da Companhia Carris Porto-alegrense.

    Na oportunidade, foi realizado o relato do quadro atual dessa que é a mais antiga empresa de transporte coletivo em atividade no país, que neste mês de junho completou 145 anos.

    Conforme explanou Rogério Escouto, funcionário da Companhia, “na atual gestão municipal, não há mais nenhum tipo de diálogo entre a direção da empresa e os funcionários, que sofrem perseguição e assédio moral, como a revista forçada de seus pertences ao saírem diariamente do trabalho.”

    E o que é mais agravante, segundo Alvani Germann, também funcionária, é que todos os sinais dão conta de que a Companhia está sendo preparada para ser entregue à iniciativa privada.

    Atualmente, a Carris é juridicamente uma sociedade de economia mista com o controle acionário da Prefeitura Municipal, que detém 99,9% de suas ações.

    Ainda segundo eles, há meses os funcionários vivem com a agonia de ver de 40 a 70 veículos diariamente parados nas garagens, aguardando consertos e pequenos reparos.

    O resultado disso a população conhece de sobra: linhas com ônibus superlotados, atrasos constantes, veículos já oferecendo péssimas condições de conforto e segurança aos seus usuários.

    Enfim, o quadro ideal para que a população passe a odiar a Carris e defender a sua privatização.

    Aliás, o então candidato Marchezan Jr. já havia proferido sua sentença sobre o futuro da Carris. Em entrevista concedida em outubro de 2016, a Daniel Scola, da Rádio Gaúcha, declarou:

    A Carris dá prejuízo de R$ 50 milhões. Alguém lucra com o prejuízo da Carris. E não é o cidadão. Nós vamos chegar e sentar com todas as pessoas que trabalham lá e explicar que a Carris não é para eles. A Carris é de Porto Alegre. A Carris não pode dar prejuízo.”

    E quando perguntado objetivamente sobre a possibilidade de privatização, afirmou: “Esse é o futuro dela se continuar dando prejuízo.”

    Ou seja, joga sobre os funcionários toda a culpa do alegado déficit e não propõe nenhuma política de recuperação financeira e modernização da frota. É um sucateamento programado.

    Deixa-se o ambiente de crise chegar a um ponto crítico incontornável, para depois anunciar a morte dessa que já foi considerada pela Associação Nacional dos Transportes Públicos como a melhor empresa de ônibus urbano do Brasil (1999 e 2001).

    É do DNA dos neoliberais o sucateamento de patrimônio público para depois entregá-los à iniciativa privada. Neste caso específico, um sucateamento que iniciou na coalizão de governo anterior e está sendo aprofundado pela atual administração.

    E não se trata de um assunto menor, periférico. Estamos falando de uma verdadeira instituição pública, que até poucos anos atrás era motivo de orgulho e satisfação pela excelência dos serviços prestados à cidadania porto-alegrense.

    Precisamos somar forças políticas e sociais para buscar frear esse ímpeto privatista que busca condenar um dos maiores símbolos de cidadania de Porto Alegre a virar artigo de museu.

    *Deputado Estadual, presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa.

  • Minha Porto Alegre cria rede para apoiar população de rua

    O censo da população de rua 2016 realizado pela UFRGS apontou que o número de pessoas adultas que moram nos logradouros de Porto Alegre cresceu 75% nos últimos oito anos.

    Cresce o número de pessoas e os serviços públicos atuais já não comportam mais o atendimento: os leitos em abrigos e albergues conseguem receber apenas ⅓ desta população.

    Foi pensando nisso que a Rede Minha Porto Alegre criou o No Caminho do Bem. Através do site www.nocaminhodobem.minhaportoalegre.org.br, a Rede oferece um mapa de locais com  iniciativas voltadas para a população de rua em Porto Alegre: serviços de alimentação, centros de atendimento social, programas culturais, pontos de coleta de roupas… Quaisquer lugares que tenham como objetivo melhorar a vida dessas pessoas.

    No site,  interessadas e interessados em se voluntariar em uma das ações do mapa podem fazer seus cadastros para ofertar mão de obra solidária.

    Com o No Caminho do Bem, a população de rua poderá ser direcionada aos serviços mapeados e também poderá dar feedback dos serviços e sugerir outros.

    Carolina Soares, diretora da Minha Porto Alegre, explica: “Tem muita gente que quer ajudar – ainda mais no inverno, mas não sabe como e nem onde. Assim conseguimos conectar voluntários a ações que já existem, informar a galera que vive na rua e nos articularmos para que haja cada vez mais atendimento e políticas públicas de qualidade voltadas pra essa população.”

    No Caminho do Bem foi pensado juntamente com as pessoas que vivem na rua, com o Projeto de Extensão da UFRGS e outras iniciativas, e acabou englobando o recentemente criado Mapa da Solidariedade, para que os pontos de coletas também possam ser facilmente identificados.

    A Minha Porto Alegre é uma rede de pessoas conectadas na construção de um processo mais participativo das tomadas de decisão de interesse público da cidade. Por meio de mobilizações e fomento a comunidades de ação, utilizando tecnologias sociais e digitais de maneira estratégica, criativa e humana.

    A Rede Nossas Cidades é feita de cidades mobilizadas que já atuam desde 2011 no Rio de Janeiro e desde 2014 em São Paulo. Usando novas tecnologias e novas linguagens, conectam cidadãos que queiram participar mais das decisões sobre o futuro das suas cidades. Somos mais de meio milhão de brasileiras e brasileiros que agem por suas cidades.

  • Obra nos Açorianos é retomada após seis meses e entrega fica para 2018

    Após seis meses de paralisação, estão sendo retomadas as obras de revitalização do Largo dos Açorianos. O anúncio do recomeço foi anunciado há um mês pela Prefeitura de Porto Alegre, mas só agora as máquinas voltaram ao canteiro de obras.
    O Município havia suspendido o pagamento à empresa contratada, a Elmo Eletro Montagens LTDA, vencedora da licitação.
    O contrato, assinado no dia 3 de outubro, previa a entrega do Largo em julho deste ano. Como a duração prevista é de nove meses, a previsão é que leve mais sete meses para sua conclusão. Segundo este cronograma, a obra ficará pronta no início de 2018.
    O restauro do Largo dos Açorianos foi orçado em cerca de R$ 4,8 milhões. Conforme a licitação, a previsão de entrega da obra era para junho. Os recursos são oriundos do Fundo Pró-Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre (Fumproamb).

  • Homenagem a Luciana de Abreu, a primeira que ousou falar em público

    No dia 11 de Julho a Câmara de Vereadores de Porto Alegre e a Biblioteca Pública Estadual se unem ao Partenon Literário para marcar os 170 anos de nascimento da professora porto-alegrense Luciana de Abreu. Confira abaixo a programação:
    8h30 – Abertura da exposição “Luciana de Abreu” na Câmara de Vereadores – São 12 banners demonstrando a época e o papel da primeira mulher a falar em público em Porto Alegre.

    15h – Evento no Salão Mourisco, Biblioteca Pública Estadual, com palestra sobre Luciana de Abreu com a sócia partenonista Gerci Godoy e interpretação de discurso da homenageada por Marcela Bonifácio, 3ª prenda juvenil da 11ª Região Tradicionalista.

    As atividades têm entrada franca.
    A importância de Luciana de Abreu:
    Nasceu em 1847, foi colocada na Roda dos Expostos da Santa Casa, formou-se no Instituto de Educação, foi professora e sua aula era a de maior frequência em Porto Alegre, casou, teve dois filhos e faleceu em 1880.
    Foi membro do Partenon Literário onde realizou discursos de emancipação feminista, sendo a primeira mulher a falar em público na Província.
    Divulgação: Benedito Saldanha – Presidente Partenon Literário
  • Votação do Previmpa: tumulto, briga, invasão e aprovação

    Felipe Uhr
    O vereador Claudio Janta (Solidariedade) estava ao microfone antes do começo da votação. Foi quando servidores municipais, contrários ao aumento previdenciário proposto na sessão plenária, pularam as divisões que separam as galerias do plenário .
    Era o ápice de uma sessão plenária tumultuada, tensa, marcada por bate-boca e agressões dentro e fora do plenário, que foi cancelada por volta das 19h20 e retomada, em sessão extraordinária, já sem o público, depois de uma hora.
    ” Eu nunca havia visto isso, uma extraordinária bobagem”, declarou o vereador Airton Ferronato (PSB), referindo-se à atitude dos municipários. Um dos mais antigos vereadores – está desde 1989 – Ferronato votou contra o projeto.
    Sessão tensa do início ao fim
    O clima ameno visto quase que diariamente no Legislativo municipal, durante as sessões plenárias e durante as votações, desta vez passou longe do Plenário Otávio Rocha. A partir das 13h, os municipários já estavam reunidos na entrada do plenário. para acompanhar a sessão, cujo início estava marcado para as 14h. Por esse horário começaram a chegar também os vereadores à Casa do Povo.
    “Hoje não será fácil”, comentou um parlamentar ao repórter do JÁ.

    Municipários de fora do plenário reivindicavam ingresso/Luiza Dorneles/CMPA

    Para o ingresso ao plenário o procedimento de entrada era diferente de outras sessões. Nas portas, seguranças permitiam somente a entrada de quem tinha senha e após uma minuciosa revista era liberado o acesso. Foram distribuídas 200 fichas, segundo o presidente da casa Cassio Trogildo (PTB), a maioria para os municipários.
    Cerca de 20 pessoas, apoiadores ao projeto, integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre), do partido Livres e do partido Novo, também entraram para acompanhar a sessão e ocupavam quase duas fileiras de cadeiras de um espaço maior destinado a eles. O restante era dos Municipários. Apesar do grande público, as galerias não estavam lotadas.
    No plenário, líderes da oposição e da base de governo se movimentavam em busca dos votos necessários. O governo, que precisava de 19 votos para aprovação do projeto, já arrancava com no mínimo 10 votos já que o vereador Cassiá Carpes (PP), mesmo sendo do governo avisou que iria votar contra. Do bloco independente, a bancada do PMDB, com cinco vereadores, era um dos alvos.
    Pouco a pouco, à cada manifestação dos vereadores contra ou a favor do projeto, o clima ia esquentando. Na galeria, manifestantes contra ou a favor trocavam provocações, mas sem agressão física. O clima esquentou quando os municipários quiseram ocupar o restante dos acentos vazios, pois muitos servidores não haviam ingressado. Nesta hora o presidente alegou que estava cumprindo o PPCI e que a entrada de mais pessoas seria perigoso.
    Servidores municipais contrário ao projeto observam jovem que se manifestava a favor/ Ederson Nunes/CMPA

    Clima esquenta e ocorre o primeiro confronto

    A primeira grande confusão do dia ocorreu no meio da tarde, quando os municipários que dividiam o espaço junto com quem estava a favor ao projeto saíram do plenário. Por volta das 15h45 o presidente suspendeu temporariamente a sessão.
    Do lado de fora, servidores municipais forçavam a entrada. Começou a primeira briga, de socos, entre um segurança e um manifestante. A Guarda Municipal interveio com gás de pimenta e cassetetes nos que forçavam o ingresso. Um homem foi detido e algemado.
    Três pessoas favoráveis ao projeto, relatam ter sido agredidos quando  tentavam ingressar ao plenário. Era Juan Savedra e mais dois integrantes do Livres. Segundo Juan os três tinham as fichas de entrada mas foram pressionados pelos municipários a não entrarem para acompanhar a sessão. “Achamos melhor não entrar, pois ficamos com medo” declarou. Um corredor de guardas municipais foi feito para que os jovens pudessem sair. Sob pontapés e socos os jovens saiam da Câmara.
    Um homem chuta integrante do Livres. Jovens não entraram na sessão/ Ederson Nunes/CMPA

    A sessão ficou interrompida por exatamente uma hora e quatro minutos. Durante esse período, os vereadores tratavam com as lideranças dos municipários o recomeço da votação. O presidente Trogildo aceitou liberar o ingresso de mais 20 municipários.
    Vereadores da oposição pediam o encerramento da sessão. Aí entrou em ação o líder do governo, o vereador Cláudio Janta, do SSD.
    Janta negociou a saída dos manifestantes a favor do projeto e a liberação do plenário para os municipários que estavam do lado de fora. “Vocês podem ir, nós temos 20 votos e ninguém irá mudar”, garantiu o parlamentar ao pequeno grupo que acompanhava a sessão.
    Pelos fundos do plenário e sob vaias o grupo saiu.
    Retomada dos trabalhos e mais confusão
    Eram quase 17h quando a sessão foi reaberta e o debate e os discursos também recomeçaram. A cada manifesto a favor do projeto, uma vaia, a cada palavra contra um aplauso. Vereadores da oposição pediam mais tempo para debater o projeto e tentavam encerrar o pleito. Um requerimento pedindo o fim da sessão foi votado e rejeitado.
    Em uma última tentativa de adiar a votação, a vereadora Fernanda Melchionna (Psol) apresentou um requisição pedindo o fim da votação, no qual alegava inconstitucionalidade do projeto, com parecer da Procuradoria da casa e sem parecer favorável na Comissão de constituição e justiça (CCJ).
    Foi quando Trogildo se retirou da sessão e disse que iria analisar o pedido do efeito suspensivo. O projeto só seria votado depois da análise do requerimento, com a volta do parlamentar. O vereador Valter Nagelstein (PMDB) assumiu o comando dos trabalhos da casa enquanto mais vereadores se revezavam na tribuna. Na fala do último parlamentar, os municipários invadiram o plenário e correram em direção à bancada e à mesa diretora dando início a um novo conflito.
    Fotos: Ederson Nunes


    Manifestantes ocupam mesa diretora durante a sessão.


    Seguranças e guardas municipais tentavam sem êxito evitar a tomada dos municipários. O vereador Janta permaneceu na tribuna, mesmo sendo empurrado pelos que protestavam. Nagelstein também foi agredido e o agressor preso pela Guarda Municipal. A situação ficou incontrolável. Vereadores bateram boca com manifestantes.
    Foi feita uma tentativa de conciliação: os municipários sairiam do plenário e o0s representantes foram recebidos pelos vereadores. Durante pouco mais de 40 minutos nenhum acordo foi feito. A Sessão foi encerrada por volta das 19h20. Os servidores comemoraram. Vereadores faziam postagens em seus facebooks ou concediam entrevista aos repórteres lamentando o fato.
    Tão logo a sessão encerrou e alguns vereadores já se reuniram no Salão Nobre Dilamar Machado, ao lado da sala da presidência, o Diretor Legislativo da casa, Luis Afonso saiu e voltou para reunião. Após alguns minutos, a decisão foi tomada: uma sessão extraordinária seria convocada e a votação concluída. Já com aparato policial da Tropa de Choque da Brigada Militar, chamada para garantir a votação, 27 parlamentares foram para a sala 301 da Câmara de Vereadores. A oposição preferiu não comparecer alegando que a sessão é ilegal. “Fere o artigo 211 do regimento interno da casa” alegou Fernanda Melchiona, do PSol.
    Tropa de Choque foi chamada para garantir a sessão extrraordinária. Foto: Felipe Uhr/Jornal Já

    Votação ocorreu na sala 301 da Câmara. Aprovação foi por 20 votos a seis/Ederson Nunes/CMPA

    Ao final da votação, projeto aprovado por 20 votos a favor e 6 contra, com uma abstenção, o presidente da casa declarou: ” o parlamento é inviolável”. Segundo ele, a medida foi necessária para que o projeto fosse votado ainda nesta quarta-feira.
    Oposição e Simpa irão recorrer à Justiça para pedir a anulação da sessão extra realizada.

  • Em sessão extra e sem público, vereadores aprovam aumento de contribuição dos servidores em Porto Alegre

    Felipe Uhr
    Eram 20h30, de 05/07, quando o voto do vereador Mauro Pinheiro (Rede) chancelou a aprovação do projeto que aumenta a contribuição previdenciária dos servidores municipais de 11% para 14%.
    A votação ocorreu a portas fechadas na sala 301 da Câmara Municipal de Porto Alegre, depois que servidores municipais ocuparam o plenário da Casa.

    A Tropa de Choque da BM na Câmara Municipal/Felipe Uhr

    A Tropa de Choque da BM foi chamada e só autorizou a entrada da imprensa e de assessores.
    Manifestantes entram no plenário durante a sessão/Fotos Ederson Nunes/CMPA

    O resultado foi 20 votos a favor da matéria, seis contra e uma abstenção.
    Ao final da votação, o presidente da Câmara, vereador Cassio Trogildo (PTB), justificou a sessão fechada: “Presenciamos uma afronta à democracia nesta tarde”, declarou. Segundo ele, várias tratativas com a direção do Simpa foram realizadas ao longo da sessão e que o estopim dos acontecimentos foi quando os servidores tomaram o plenário impedindo o prosseguimento da sessão.
    Servidores municipais lotam a Câmara Municipal/Ederson Nunes/CMPA

    Trogildo não se encontrava em plenário no momento do ocorrido pois analisava junto à Diretoria Legislativa da casa um recurso solicitando a suspensão da votação. Mas deixou claro que a necessidade de uma sessão extra somente se deu após falharem as tentativas de realizar a votação no plenário Otávio Rocha.” Demos continuidade a um trabalho que foi ilegalmente interrompido”, alegou Cassio.
    Vereadores da oposição consideraram ilegal a sessão extra realizada na noite da quarta-feira. “Fere o artigo 211 do regimento interno da casa”, alegou a líder da oposição Fernanda Melchiona (PSol). O artigo prevê que a convocação de uma sessão extra deve esperar pelo menos 48 horas. O presidente da casa disse que não houve descumprimento do regimento. Uma ação jurídica será impetrada para tentar anular a votação.
     

  • Orestes de Andrade Júnior: “Temos uma rádio elitista, queremos algo mais plural”

    Tiago Baltz
    Desde janeiro na presidência da Fundação Piratini, Orestes de Andrade Jr vem realizando várias alterações nas programações da rádio FM Cultura e da TVE. O que tem gerado críticas, dos servidores e de ouvintes.
    Nesta entrevista, Orestes explica o que motivou as mudanças e garante que as emissoras públicas não serão fechadas em uma possível extinção da Fundação Piratini, que possui hoje 247 servidores, sendo que menos de 100 possuem estabilidade, de acordo o presidente.
    JÁ – Por que foram feitas mudanças na programação das emissoras neste momento?
    Orestes – Primeiro, eu não acho que seja uma mudança radical. E é importante explicar o porquê de estarmos fazendo essa mudança, acho que não ficou claro.
    Eu assumi em 13 janeiro de 2017, nos primeiros 30 dias fui conhecendo melhor a casa. Tinha ficado dois anos como suplente do Conselho Deliberativo, e agora estava dois anos como integrante titular, também no Conselho. Mas não acompanhava o dia-a-dia da rádio e da TVE.
    Nos primeiros trinta dias eu fiz um levantamento, um amplo diagnóstico de como funcionava a casa, e o meu departamento jurídico disse que tinha um problema sério e histórico a resolver, que são os desvios de funções dos servidores, historicamente os servidores praticavam desvios de funções.
    Em quais áreas?
    Acontece que os dois concursos, realizados em 1991 e 2014, foram um tanto equivocados. Não preencheram alguns cargos necessários, eu digo que nas pontas, a parte técnica e os apresentadores, temos poucos servidores na casa, porque esses concursos não preencheram vagas para esses cargos.
    Já na parte do meio ,há uma quantidade excessiva de servidores. Respeitando as leis dos jornalistas e radialistas. Os profissionais são sempre muito específicos, locutor noticiarista, locutor apresentador, anunciador, e esses profissionais só podem fazer algo determinado. Por exemplo, um locutor anunciador deveria gravar apoios culturais e tal, e ele tem muito pouco trabalho durante o dia, mas não pode fazer mais nada além da função dele. O locutor apresentador pode fazer apenas a locução, e não entrevistas no ar.
    A origem desses problemas é a legislação antiga, lei de 68 dos jornalistas e 78 dos radialistas, desatualizadas, nunca foram atualizadas.
    A gente tem na TV uma grua, mas não temos operador de grua, as leis não preveem isso, essa função. Temos um drone, que foi comprado, como não tem operador de drone , não usamos. E os sindicatos não aceitam atualizar essas legislações. Elas estão antiquadas, temos dificuldades para colocar pessoas para trabalhar nas redes sociais, e esse é mais um exemplo.
    Isso gerou historicamente os desvios de funções Tinha gente que operava mais de dez, vinte anos, trinta anos em desvio de função, só que isso gerou mais de 500 ações trabalhistas.
    Temos 250 servidores e mais de 500 ações na Justiça do Trabalho. Tem um servidor lá da rádio que confessou em uma reunião do Conselho Deliberativo que tem cinco ações trabalhistas. E vai ter mais, está buscando seus direitos, ok.
    Os servidores tratam legalmente, não estou dizendo que não tenham o direito, mas eles tratam isso quase que como uma poupança futura. Eles praticam deliberadamente os desvios de funções. Se ofereciam, os gestores deixavam, só que depois quem paga a conta é a sociedade gaúcha. É contra isso que eu sou contra.
    Essas deliberações foram pensadas logo depois do governo ganhar autorização legal para extinguir a Fundação Piratini?
    Não, isso é uma decisão minha. E eu só cheguei agora. Lá em fevereiro quando terminou o diagnóstico e vi que ocorria desvios em todos os setores da casa, eu disse, vou resolver isso. Eu sou 100% legalista, não quero gerar um passivo maior ainda à sociedade, esse passivo de 500 ações trabalhistas, certamente é uma dívida superior a R$ 30 milhões. Vai gerar um custo considerável pelo tamanho do orçamento anual da Fundação Piratini (R$ 36,9 milhões ao ano).
    Não sei qual a decisão dos gestores antigos, certamente é muito difícil tirar os servidores de funções que estão há bastante tempo, e existe um custo pessoal político que eu estou pagando agora. É difícil, mas eu ocupo um cargo público, o meu chefe é a população, não posso ter atitudes que gerem dívidas ao povo.
    Desde fevereiro reuni os diretores e avisei que nós iríamos aos poucos acabar com os desvios de função existentes. Mas esse detalhamento do que cada um pode fazer é muito complexo, porque uns entraram pela lei dos radialistas, outros pela lei dos jornalistas, esse diagnóstico demorou o mês de março.
    E os servidores como estão reagindo?
    Em algumas situações nem o servidor sabia o que ele podia fazer. Como no caso do apresentador do Estação Cultura, Newton Silva. Ele disse que podia fazer pois estava naquela função há vinte anos. Analisamos e o jurídico disse que ele não pode fazer, temos vários casos assim na casa.
    E as diretorias começaram a eliminar os desvios de funções com muito diálogo, sendo diretos e transparentes. Chamamos o servidor e falamos qual era a sua função original e, assim, tivemos uma série de realocações internas, na tevê e na rádio. Gente que estava na rádio foi para tevê e vice-versa. Alguns servidores descobriram que poderiam trabalhar na rádio e na tevê.
    Fizemos isso em todas as áreas e deixamos por último os apresentadores, porque é o caso de mais visibilidade e sabíamos que causaria um maior trauma, posso dizer assim. Foi tudo muito planejado, e a gente veio fazendo aos poucos, silenciosamente, como é o jeito desse governo trabalhar, mas o servidores estão informados que haveriam as mudanças.
    E como começou todo esse processo?

    O programa Consumidor em Pauta com novo cenário, faz parte da nova programação da TVE,/Gustavo Roth / Fundação Piratini TVE e FM Cultura

    A gente achou que primeiro precisávamos mudar a programação da TVE. No dia 3 de abril mudamos a grade da tevê. Concentramos toda a produção local no horário nobre. E acreditamos que já temos um bom resultado. Falei para os servidores. Eu já mostrei que mudamos a TVE e não corrompemos o caráter publico, educativo e cultural. A gente reforçou isso. Hoje é uma programação mais democrática, mais plural, porque nunca se teve aqui programas que permitissem que pessoas criticassem o governo de ocasião. E, isso, acontece quase todos os dias aqui, temos o programa Debate TVE, que sempre trabalha com ponto e contraponto. São assuntos, muitas vezes, que têm muita crítica ao governo do Estado.
    Não tem mais censura de matéria, que era uma prática aqui, no geral tinha um pudor em se criticar o governo. Só pedimos que se faça o básico, se for criticar, que tenha a outra visão, o contraponto.Quantos concursados podem apresentar programas na TVE e na FM Cultura?
    A Fundação Piratini só tem um apresentador na casa, concursado, só um. É o Domício Grillo, que apresenta o Radar. Todos estavam em desvio de função da rádio e tevê. Pela primeira vez vou dizer, nesta semana ainda vamos trocar apresentadores da TVE. Quem não puder apresentar, não vai mais.
    E quem vai substituí-los, Ccs, contratados como pessoas jurídicas?
    Deixamos por último essa questão dos apresentadores porque é o caso mais sério e as outras funções tu tens como remanejar, temos um excesso de servidores. São 247 concursados e 18 Ccs.
    Historicamente, é o menor número de Ccs na TVE, cerca de 30% do que em geral tinha. Eram de 45 a 60 Ccs. E temos o dobro de qualquer outro veículo no RS em servidores. Não temos escassez de servidores. Temos concentração em algumas áreas, que não precisaria tanto. Eu tenho poucos cinegrafistas, poucos técnicos de áudio de rádio. Enfim, deixamos por último os apresentadores pela visibilidade e não ser possível fazer uma troca interna.
    A direção chegou a propor alguma alternativa aos servidores que apresentavam os programas ?
    Inicialmente, a TVE, ficamos com os da casa. Fiz isso como gesto de valorização. Não era possível continuar, e eu avisei em abril, em três reuniões, que chegaria o momento de resolver isso, e o momento chegou.
    E na rádio?
    Na rádio o assunto era ainda mais sério. Praticamente todos os programas estavam em desvios de função. Por isso a correção. Nos últimos 15 dias chamamos servidor por servidor e explicamos que a sua função era esta e não aquela que estava desempenhando por caracterizar o desvio da função. Falamos individualmente. Dialogamos muito.
    Na quarta-feira (28/06), chamei uma reunião com todos os servidores. Expliquei que teria que trazer apresentadores de fora, todas as gestões fizeram isso. Eles falaram que iriam fazer todo o esforço possível para cumprir com as regras. Teve um troca de ideias.
    Mas, às vezes, o que os servidores dizem não é possível executar de forma efetiva. A gente não quer terminar com nenhum programa ou trazer apresentador de fora. Mas como gestor, tenho que levar em conta tudo isso.
    E o que ficou acertado?
    Manter os programas históricos da rádio. Baseado no que foi pedido, aí apresentei uma nova grade, na quinta. E debatemos e eles fizeram novas ponderações. Na sexta mostrei a nova grade em reunião e não houve ali nenhuma contestação. Depois fui surpreendido por esse movimento nas redes sociais. Durante a reunião não teve esse debate. Na sexta chegamos ao acordo possível, num consenso e encontramos um caminho.
    Quantos novos apresentadores precisariam?
    Deveria trazer mais de uma dezena, porque tem duas dezenas de programas na rádio e tevê. Mas optamos por trazer três, que possam fazer rádio e tevê.
    E por que a opção de começar a rádio ao vivo às 7h da manhã, sem servidores?
    Isso é verdade, e uma aposta nossa de programação. A gente acha que às 7h já aconteceu muita coisa. E pela lei, servidores podem apenas depois das 8h. Mas as pessoas vão trabalhar as seis da manha. Eu acordo as seis da manhã. Eu acho que a maioria dos trabalhadores acordam cedo. As 7h da manhã tem que trazer informações. O básico, como está o trânsito, o tempo, quais as principais manchetes, alguma informação.
    Estamos numa rádio FM, assim tem que tocar música também, e o slogan que escolhemos – conteúdo relevante e música boa – é a essência da FM Cultura, que ampliamos e incrementamos.
    Há criticas de que a direção está desvirtuando a rádio.
    Ao contrário do que tem se dito, aumentamos, por exemplo, o jornalismo. Esse programa das 7h da manhã. Dobramos o espaço do Café Cultura, das 7 às 9h. Com um jornalista experiente, Renato Martins, que traz as principais notícias do dia, sem deixar de trazer a agenda cultural e entrevistas culturais. Para tratar a cultura como primazia. E tocando muita música. Música boa. Esperamos um reflexo na audiência. É uma aposta nossa. Quero avaliar, se não, podemos modificar.
    Depois, dobramos o espaço do jornalismo, temos agora notícias de hora em hora, com oito blocos, realmente de hora em hora. Manteve-se o programa de meio-dia, a Lena Kurtz não pode ser apresentadora. Ela deve ser locutora, por isso não faz mais entrevistas, não é uma decisão minha, é a Lei. Ela não poderia fazer entrevistas, estou sendo legalista.
    À tarde, a gente acabou com o Estação Cultura porque não tinha pernas pra produzir esse programa específico. Mas criamos o Cultura Clube, das 14h às 18h. E o Estação fica dentro dele. E temos a tarde toda para colocar entrevistas culturais e agenda, então ampliamos.
    Luiz Henrique Fontoura deixou a apresentação do programa Conversa de Botequim, da FM Cultura/Gustavo Roth / Fundação Piratini TVE e FM Cultura

    O Conversa de Botequim era um programa muito específico do Luiz Henrique Fontoura, muito a cara dele, na conversa individual o Luiz Henrique disse que não enxergava outra pessoa fazendo e concordava com o fim do programa. Tiramos da grade, mas durante a reunião com todos, ele voltou atrás, e para não perder o programa, teria outro apresentador, e sugeriu o Demétrio Xavier, que a gente colocou. É um funcionário cedido, não um funcionário da casa, é do judiciário e poderia fazer. Foi uma sugestão do próprio Luiz Henrique e ele ficou com a produção.
    A intenção também é mudar um pouco o perfil da rádio?
    Não, com certeza não. Acho muito estranho esse movimento, na internet. Considero um movimento politico ideológico, orquestrado pelos sindicatos e partidos políticos que fazem uma disputa ideológica e partidária, nunca em favor da cultura, mas sim em favor de posições particulares. Que nada tem a ver com o caráter público cultural da rádio e da tevê.
    Até foi criado um grupo, um evento público no Facebook, na quarta-feira à tarde, e nesse dia foi a primeira reunião com os servidores. Não levei grade nenhuma. Só perguntei o que eles queriam fazer e tinha o problema dos desvios de função. Saímos da reunião e me senti traído pelos servidores, que já criaram um evento contra a nova programação, sendo que eles não sabiam qual era a nova programação. Não tínhamos definido ainda.
    E como essas mudanças foram apresentadas para os ouvintes?
    No final de semana criamos um playlist com os programadores da casa, pra chamar a atenção da audiência para as mudanças. Tiramos todos os programas do ar e a gente colocou as melhores musicas de todos os gêneros possíveis, sem muito critério. Fizemos isso para chamar atenção da nova programação. O DNA cultural, público, artístico, está mantido, preservado. Vamos atingir melhores resultados. Temos novas vinhetas, a cara da rádio está moderna.
    O Conselho Deliberativo foi consultado sobre as alterações?
    O Conselho se autogere, eu não tenho gestão nenhuma lá. O Conselho tem que marcar suas reuniões, nos seis meses que estou aqui foi marcada uma e não teve quórum. Não sei porque não marcam outras.
    O estatutos da Fundação e do Conselho não constam que os conselheiros precisam ser ouvidos para criar uma nova programação. O conselho tem quatro tarefas, só tem quatro atribuições, artigos 12, 13, 28 e 29.
    As mudanças na programação ocorreram especificamente para acabar com os desvios de funções ou há outras razões?
    Sim. Tem um segundo motivo. A rádio tem uma das menores audiências da Região Metropolitana, menos audiência do que rádios que nem pegam direito em Porto Alegre, como a Unisinos. Acho uma pena, temos em torno de 40 servidores numa rádio FM, no mínimo o dobro de que outras rádios. E tem um desempenho de audiência muito pequeno. E com ouvintes nas classes mais altas. Cerca de 80% dos ouvintes estão nas classes A e B. Faço uma rádio com dinheiro público, dos gaúchos, para uma elite. E a metade tem mais de 50 anos. Esses ouvintes são uma elite cultural do Estado, mas uma audiência muito baixa. Não conseguimos mais apoios culturais pela audiência.
    Então, irão em busca de audiência?
    Queremos duas coisas, rejuvenescer a audiência, para ouvir e conhecer aquilo que temos, e dobrar a audiência – não quero ser líder – mas eu não posso ignorar a audiência. A TVE sempre teve traço de audiência, é a última colocada, e a programação é muito boa, quero que mais pessoas vejam essa qualidade.
    Já tivemos reflexos no último mês com as mudanças na TVE. Não fomos a última colocada de audiência. Já estão reconhecendo que a programação da TVE melhorou, e a gente não corrompeu nenhum caráter publico cultural.
    E para dar retorno à comunidade cultural, que tem espaço gratuito aqui, precisamos que mais pessoas ouçam, senão ficam as mesmas e vão envelhecendo. Temos uma estratégia, às dez da noite vai entrar no ar o Cristiano Sassa. Não tinha apresentador, montamos o Cultura Rock Show pra atrair um público mais jovem.
    São quantas horas de programação?
    Primeiro, temos 95% de produção nossa. Só nos finais de semana tem alguns programas de FM Cultura de São Paulo. Antes, começava às oito e ia até as dez da noite. Mas agora vai das sete da manhã até a meia-noite. Em três horas ao vivo, foi ampliada a programação.
    Foram contratados três novos apresentadores, e vão estar na tevê, o Cristiano Sassa vai apresentar o Radar.
    E a receita para essas contratações?
    Temos uma receita muito pequena. O custo da Fundação Piratini é de R$ 36,9 milhões por ano. E a captação não chega a R$ 1 milhão por ano. Os custos desses apresentadores, e contratamos menos de que deveria e poderia, vem de uma economia que fiz desde janeiro. Na média, economizamos 50 mil por mês.
    Qual é a fórmula para tornar viáveis a TVE e a FM Cultura?
    Em São Paulo, a Fundação Padre Anchieta tem metade dos recursos oriundos na iniciativa privada. Isso é um modelo, isso tem que ser maior aqui, mas para captar tem que ter audiência. Aqui as pessoas tem completo pavor da palavra audiência.
    Na TV Brasil, TV cultura, eles assinam Ibope, eles cuidam da audiência, eles balizam Não só pela audiência, mas é um componente, não quero fazer rádio para uma elite. Temos que ampliar, pelo caráter cultural, é natural que a maioria seja da classe A e B. Queremos levar cultura e temos que levar paras as classes menos favorecidas. Essa é minha preocupação.
    E com a extinção da Fundação, como ficam as emissoras?
    Está bem claro na Lei, quando houver a extinção da Fundação, a outorga da rádio e da TV ficam no guarda-chuva da Secretaria de Comunicação. A rádio tem que ter caráter cultural educativa, isso será mantido. Não tem nenhum perigo. Os servidores dizem que não tem rádio e TV publica sem servidores. Em São Paulo, de novo, para mim um exemplo, a rádio e TV não tem concursados em seus quadros.
    Na nova TVE e FM Cultura vamos manter a qualidade dos programas. Só que num modelo sustentável, menos oneroso à sociedade gaúcha. Isso que o governador me pediu.
    Nós contamos hoje com o apoio da Associação de Amigos da TVE e FM Cultura, que foi criada ano passado. Através de recursos, a gente conseguiu alguns investimentos, foram R$ 270 mil. São essas parcerias que deveriam ser incrementadas no futuro.
    Quantos servidores têm estabilidade?
    Essa é uma discussão jurídica, o entendimento do Governo e que a maioria não tem estabilidade. Quando se está filiado a uma fundação, ela se extingue, perde-se o caráter de servidor público. Mas tem um grupo aqui, cerca de 100 servidores, que tem estabilidade. Aqueles que entraram antes da Constituição de 88. Isso está tendo debates nas audiência de conciliação com o Tribunal Regional de Trabalho. Mas esses, menos de 100, permanecerão e serão disponibilizados ao Estado.
    Está prevista mudança de sede, sair aqui no morro?
    Tudo aqui é da EBC. A gente tem um contrato de permuta. Cedemos programas da grade e eles utilizam na FM e TV Brasil. É a troca por esse aluguel. Com a extinção teria que ser revisto, mas tem uma predisposição de manter o acordo.

  • Municipários ocupam plenário da Câmara e votação do Previmpa é cancelada

    A sessão plenária desta quarta-feira na Câmara Municipal de Porto Alegre em que seria votado o aumento da contribuição dos servidores municipais de Porto Alegre, de 11% para 14%, foi suspensa pouco depois das seis e meia da tarde.
    Durante um pronunciamento do vereador Claudio Janta (SDD), os servidores municipais ocuparam o plenário, forçando a mesa diretora a primeiro suspender a sessão e depois cancelar os trabalhos.
    Ainda ontem, pelas redes sociais, manifestações contra e a favor do projeto prometiam lotar as galerias da Casa do Povo, o que ocorreu, para pressionar os vereadores.
    Um servidor chegou a ser detido pela Guarda Municipal e levado ao Palácio da Polícia.
    Felipe Uhr
     

  • Justiça dá cinco dias para Lanceiros Negros desocuparem prédio

    A Justiça acatou o pedido liminar de reintegração de posse do prédio ocupado nesta terça-feira pelo MLB (Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas). A decisão da juíza Luciane Marcon Tomazelli, da 1ª Vara Cível do Foro Central concede cinco dias, após intimação, para que as famílias desocupem voluntariamente o imóvel. O pedido de reintegração de posse foi feito pela Hotel Açores S.A, empresa proprietária do imóvel.
    O texto do despacho diz ainda que ao intimar os ocupantes, o oficial de Justiça deverá identificá-los, certificando quanto à existência de idosos e crianças. Na decisão, a juíza pondera ser a ré “uma coletividade não bem identificada” e afirma ser “prudente a intimação para a desocupação voluntária, em especial a fim de evitar confrontos.”
    Considerando as sessões de conciliação realizadas em relação à ocupação anterior, a Juíza determina que se oficie a  7ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública, para que esta informe o nome dos ocupantes naquela ocasião e se o Estado indicou local para deslocamento das famílias.
    O edifício localizado na rua dos Andradas, 885, foi sede do Hotel Açores até dezembro de 2015. Desde então, estava vazio. Na madrugada desta terça-feira, o imóvel foi ocupado por um grupo de pessoas ligadas à ocupação Lanceiros Negros, que sofreu reintegração de posse há vinte dias em um prédio pertencente ao Governo do Estado. No local, moravam cerca de 70 famílias, há um ano e meio.
    A ocupação da Andradas foi batizada de Lanceiros Negros Vivem. Segundo o movimento, 150 famílias estão no local.
    Os ocupantes ainda não foram notificados da decisão. “É um absurdo que uma juíza que ganha auxílio moradia conceda uma decisão de reintegração de posse. Mas, não é uma surpresa, pois o Judiciário não tem tido uma posição favorável às famílias que precisam de moradia”, afirmou Nana Sanchez, integrante do MLB.

  • Morte no viaduto causa confusão no Centro de Porto Alegre

    Matheus Chaparini
    Passava um pouco das oito horas da manhã e o movimento era o caos habitual no Centro Histórico de Porto Alegre. Um corpo caiu do alto do viaduto Otávio Rocha.
    Testemunhas foram várias, como não poderia deixar de ser. Os relatos dão conta de um homem, de aproximados quarenta anos, traje social – sapato preto, calça preta, blusão marinho. Foi morte instantânea. A identidade não foi revelada.
    O trânsito precisou ser bloqueado no sentido centro-bairro da avenida Borges de Medeiros. A outra pista foi dividida ao meio para garantir o fluxo. Alguns carros e ônibus tiveram sua rota desviada pela rua Jerônimo Coelho ou outro caminho alternativo. Certamente alguns cidadãos tiveram atrasos em sua rotina habitual diária.
    Isso é o que se sabe. O que não sabe – e talvez não se venha a saber – é a história humana por trás do fato. Quem? Por quê?
    Uma das testemunhas confirmou não se tratar de assassinato ou acidente. “Eu estava ali fumando um baseado com os guris e vimos quando ele chegou, subiu na mureta, olhou para baixo, mas desceu. Depois atravessou a rua, xingando os carros, tava desacorçoado. Subiu na mureta do outro lado e não deu tempo de falar nada.”
    Uma senhora, moradora de um edifício da Duque de Caxias há dez anos conta que casos como este não são raros. Ela contabiliza mais de dez. “No mês passado aconteceu também, era uma moça, era domingo.”
    Na pista bloqueada, a unidade móvel de uma emissora de rádio estaciona. Desce um repórter. De trânsito.
    É praxe no jornalismo não noticiar casos deste tipo. É praxe também, sobretudo nas rádios, uma dedicação exacerbada ao noticiário de trânsito. Decorre daí uma situação bizarra. A notícia é o fluxo de veículos interrompido. Em função de “uma ocorrência”.
    Às dez para as dez, o Instituto Geral de Perícia recolheu o corpo, trajado somente com uma cueca azul. Um balde d’água diluiu o sangue a caminho da sarjeta. Pontualmente dez da manhã, a avenida Borges de Medeiros estava liberada para os carros.