Matheus Chaparini
Passava um pouco das oito horas da manhã e o movimento era o caos habitual no Centro Histórico de Porto Alegre. Um corpo caiu do alto do viaduto Otávio Rocha.
Testemunhas foram várias, como não poderia deixar de ser. Os relatos dão conta de um homem, de aproximados quarenta anos, traje social – sapato preto, calça preta, blusão marinho. Foi morte instantânea. A identidade não foi revelada.
O trânsito precisou ser bloqueado no sentido centro-bairro da avenida Borges de Medeiros. A outra pista foi dividida ao meio para garantir o fluxo. Alguns carros e ônibus tiveram sua rota desviada pela rua Jerônimo Coelho ou outro caminho alternativo. Certamente alguns cidadãos tiveram atrasos em sua rotina habitual diária.
Isso é o que se sabe. O que não sabe – e talvez não se venha a saber – é a história humana por trás do fato. Quem? Por quê?
Uma das testemunhas confirmou não se tratar de assassinato ou acidente. “Eu estava ali fumando um baseado com os guris e vimos quando ele chegou, subiu na mureta, olhou para baixo, mas desceu. Depois atravessou a rua, xingando os carros, tava desacorçoado. Subiu na mureta do outro lado e não deu tempo de falar nada.”
Uma senhora, moradora de um edifício da Duque de Caxias há dez anos conta que casos como este não são raros. Ela contabiliza mais de dez. “No mês passado aconteceu também, era uma moça, era domingo.”
Na pista bloqueada, a unidade móvel de uma emissora de rádio estaciona. Desce um repórter. De trânsito.
É praxe no jornalismo não noticiar casos deste tipo. É praxe também, sobretudo nas rádios, uma dedicação exacerbada ao noticiário de trânsito. Decorre daí uma situação bizarra. A notícia é o fluxo de veículos interrompido. Em função de “uma ocorrência”.
Às dez para as dez, o Instituto Geral de Perícia recolheu o corpo, trajado somente com uma cueca azul. Um balde d’água diluiu o sangue a caminho da sarjeta. Pontualmente dez da manhã, a avenida Borges de Medeiros estava liberada para os carros.

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