O comitê suprapartidário que articula uma frente de esquerda em apoio à candidatura de Raul Pont realizou sua primeira reunião nesta segunda feira, 5.
O manifesto lançado na internet tinha 400 assinaturas, ao auditório compareceram perto de 200.
Foi uma “reunião de quadros” como disse o ex-governador Tarso Genro na abertura de sua fala.
A maioria eram petistas, alguns antigos militantes já afastados, mas tanto no auditório quanto no manifesto havia muitos sem filiação partidária (veja a lista).
Como o próprio coordenador da mesa, o cientista político Benedito Tadeu Cesar, ou como o advogado Mário Madureira, ex-deputado pelo antigo MDB, que há 20 anos trocou a política partidária pela causa de movimentos sociais.
Tarso Genro foi o primeiro a falar. Lembrou que Raul já se havia “aposentado de cargos públicos” e que seu gesto de enfrentar uma candidatura difícil para resgatar uma identidade de esquerda é um exemplo para todos.
Em seguida, propôs uma reflexão sobre o momento político, cujo entendimento “tem que partir da compreensão do movimento global do capitalismo financeiro, que captura os Estados pelo mecanismo da dívida”.
No caso brasileiro, segundo Tarso, setores de partidos mais ou menos identificados com o neoliberalismo foram cooptados pelo capital financeiro, assim como os meios de comunicação de massa, “o grande partido moderno”.
Essas forças articularam figuras tão díspares como Fernando Henrique Cardoso, Eduardo Cunha e Bolsonaro.
Essas forças “descascaram por dentro o projeto popular representado por Lula e Dilma” e deram o golpe.
A luta, portanto, é “contra a dominação do capital financeiro”. Para encetá-la é necessário “um programa mínimo de unidade”. O esquema vigente, de coalizão, fracassou, deixou o governo refém do pior PMDB, o pior PT e a pior oposição”.
Uma estratégia que reorganize a unidade, eis a questão.
O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, prorrogou até 31 de dezembro a Portaria nº 611, editada em 10 de junho, que suspendeu todas as ações relativas a direitos humanos, sob responsabilidade do ministério, em todo o país. A decisão foi publicada hoje (5) no Diário Oficial da União. Entre as áreas afetadas pela portaria estão os conselhos nacionais de Direitos Humanos (CNDH), dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), da Pessoa com Deficiência (Conade), dos Direitos da Pessoa Idosa (CDI) e o de Combate à Discriminação que fiscalizam essas áreas.
A portaria barrou “a celebração de contratos, convênios e instrumentos congêneres, a nomeação de servidores, a autorização de repasses de quaisquer valores não contratados, a realização de despesas com diárias e passagens, e a realização de eventos” de todas as áreas, exceto ações da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança Pública, pagamento de pessoal e ações relativas aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A autorização ou veto para realização de ações destas áreas passou a ser definida pelo próprio Moraes.
A presidenta do CNDH, Ivana Farina, disse em entrevista ao portal HuffPost Brasil, que a portaria viola aConvenção Americana de Direitos Humanos, documento que o Brasil é signatário. “O pacto fala que limitar ações de direitos humanos é violar o pacto. Evidentemente que está havendo uma limitação nas ações porque está dando uma exigência a mais, uma tramitação extra. Quem lida com vida sabe que tempo é decisivo”, afirmou.
A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Público Federal, teme que a portaria enfraqueça ou liquide também as ações de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes, do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) e do Enfrentamento das Violências Psicológicas e Físicas. O órgão questionou o Ministério da Justiça sobre o impacto da portaria nas ações de Direitos Humanos. Até o fechamento da reportagem, a PFDC não havia informado qual foi a resposta do ministério.
