As chuvaradas do início do ano, que inundaram diversos bairros, levaram à descoberta de um esquema fraudulento instalado no Departamento de Esgotos Pluviais: empresas terceirizadas que faziam a limpeza dos bueiros, cobravam pelo serviço mas não o executavam. Pior, na conta paga pelo contribuinte entravam até bocas de lobo que não existiam. Um mês depois da denúncia o prefeito falou das providências que tomou, sem esclarecer, no entanto, qual a extensão do problema, e há quanto tempo ocorriam as fraudes. Diretores do DEP foram afastados, uma empresa foi multada, eis tudo.
A essa altura, um novo problema ainda mais grave estava na ordem do dia: o mau cheiro e um gosto horrível da água que chega às residências da capital. Desde maio, os moradores das mais diversas regiões reclamavam. Nas tentativas de descobrir as origens do problema, foram constatadas outras ocorrências também graves: a má qualidade da água captada em pontos com elevado nível de poluição e a existência de uma central de tratamento de esgotos industriais em situação irregular.
Autor: da Redação
Fraudes nos bueiros e mau cheiro na água
Uma brecha no mundo
Marino Boeira
O mundo está muito chato.
Nós o criticamos e ele não dá a mínima importância.
Mas, quem é o mundo?
É o mundo em que vivem aquelas pessoas que, por alguma razão obscura, gostaríamos de influenciar.
Nossos amigos, os brasileiros, os pobres, os oprimidos.
E quem somos nós?
Somos aqueles sujeitos nascidos a partir da segunda metade do século passado.
Somos aquelas pessoas que se dizem intelectuais, porque leram alguns livros.
Somos os que pensam ser de esquerda, só porque costumavam votar no Partidão, quando ele ainda existia e que agora votam no PT.
Somos aqueles que, em algum momento, pensaram que poderiam ajudar a melhorar o mundo para os nossos amigos, para os brasileiros, para os pobres, para os oprimidos.
Quanto fizemos em relação a isso?
Pouco, muito pouco.
Possivelmente, nada.
Talvez, como agora, apenas escrever uma crítica que poucos vão ler.
Queríamos mudar esse mundo, mas sempre o tratamos com um certo desprezo, como se fôssemos os únicos que conhecem a porta de saída.
No mais das vezes, olhamos com indiferença esse mundo em que não queríamos entrar, pois como no inferno de Dante, a condição para entrar é deixar toda a esperança do lado de fora.
Mas desde quando o mundo ficou assim tão chato para o nosso gosto?
Num artigo que escreveu esta semana, Tarso Genro, ao comentar o livro de Schiller, “ A educação estética do homem”, deu uma pista.
O mundo ficou assim porque não soubemos seguir a proposta do filósofo alemão, segundo a qual, a sabedoria e o sentimento – corretamente ajustados para saber contemplar de maneira adequada uma obra de arte – possibilitariam aos seres humanos chegarem a um estado moral que permitiria exercer todas suas virtudes cidadãs.
Vamos pensar um pouco na história do Brasil dentro dessa ótica que Tarso pinçou no livro de Schiller.
Até 1964, vivíamos uma época de intensa agitação cultural que, partindo dos segmentos mais intelectualizados da sociedade brasileira, de alguma forma contaminava toda a população.
Basta fazer um paralelo com os dias de hoje para percebermos a diferença.
Os meios de comunicação e principalmente o teatro e o cinema punham na ordem do dia a discussão sobre o melhor sistema social e político em que deveríamos viver.
A favor do socialismo ou contra, todos (pelo menos pensavam que era assim) tinham espaço para expor suas opiniões.
Hoje as redes sociais, como o facebook, são espaços cativos para toda sorte de banalidades. O que chama a atenção é aquele vídeo da cadela que alimenta sete gatinhos, do “nude” daquele cantor de rock ou aquela frase profundamente idiota, mas na qual muitos enxergam um pensamento profundo, tipo “sempre existirá um amanhã”.
Quem falava de ética e compromisso social era, no passado, Jean Paul Sartre. Hoje é o juiz Sérgio Moro. Um abismo intelectual imenso separa as duas figuras, mas são elas que, ontem e hoje, servem como referências.
Para toda uma geração de brasileiros, a última oportunidade foi dada em 1964. Um divisor, que deixou na esquerda os que não aceitaram o golpe; na direita, os que o aplaudiram, e num imenso espaço no meio, os que, não concordando, preferiram a omissão.
Dilma Rousseff, com todos os erros de sua ação como Presidente, tem uma glória que nunca é demais lembrar: ela tomou em armas contra os estupradores da nossa frágil democracia de então.
Ela fez aquilo que Karl Marx disse uma vez que era a missão dos novos filósofos: não mais explicar o mundo, mas tentar mudá-lo.
Nós, os que agora acham o mundo muito chato, preferimos mudar nossas vidas pessoais, alguns ganhando muito dinheiro, outros apenas sobrevivendo, concentrando nossos esforços e alegrias nas vitórias dos nossos times de futebol.
Os que conseguiram ganhar dinheiro, honestamente ou nem tanto assim, puderam justificar suas omissões com a desculpa que, enquanto foi possível, tentaram fazer sua parte.
Um deles, disse uma vez com certa ironia, quando sua conta bancária começou a crescer: “eu lutei muito pela chegada do comunismo, mas agora que começo a ficar rico, ele pode, já que demorou tanto a chegar, esperar mais um pouco”.
Voltando as conclusões de Tarso sobre sua leitura de Schiller: não é possível construir uma sociedade democrática, tendente à igualdade social, sem conhecimento, sem educação, sem uma cultura que democratize o conhecimento para todas as classes sociais.
Existe outra questão que o texto otimista de Tarso não aborda: como romper a imensa conspiração de silêncio de todos os meios de comunicação sobre qualquer proposta de ruptura da atual “pax americana”?
Ao lado de uma imensa massa de conformados, o que se vê em oposição a uma ordem, injusta socialmente, é o desespero das absurdas ações terroristas sob o ponto de vista coletivo ou a ação deletéria de delinquentes, sob a ótica individual.
Nenhuma das duas gera algum tipo de avanço social. Pelo contrário, aumentam a força dos poderosos de hoje.
Resta o campo da ação política.
Mas um olhar sobre essa área (e estamos voltando ao ponto de partida desse texto), nos mostra que são poucas as possibilidades de mudar este mundo chato em que vivemos.
No caso brasileiro, as opções políticas parecem se restringir hoje ao “Volta Dilma”, para provavelmente repetir todos os seus erros do passado, ou “Fica Temer”, para completar sua obra de entrega das riquezas do Brasil ao capital internacional.
Tarso diz no seu texto que o mais importante é a defesa de uma forma democrática (poder-se-ia dizer uma estética democrática), que inaugure uma nova hegemonia no âmbito das soluções para as crises da democracia representativa: elas devem ser resolvidas, sempre, com mais democracia, não com menos democracia.
Mas, quem quer mais democracia? Não serão Temer e o que Tarso chama com ironia de Confederação de Investigados e Denunciados. Não serão os grandes veículos de comunicação que comungam de uma visão muito peculiar do que chamam de democracia. Não serão os banqueiros, nem os empresários, nem os políticos conservadores.
Como pós 64, será novamente uma pequena minoria.
Acreditar que ela possa mudar a realidade brasileira pode ser uma utopia, mas parece ser a única opção que nos restar para tentar abrir uma brecha nesse mundo chato.O último ato: Dilma Sem Medo
PINHEIRO DO VALE
A presidente afastada Dilma Rousseff decidiu protagonizar o último ato do momento histórico que vive, comparecendo à sessão final do Senado que decidirá finalmente sobre o impeachment, dia 29 de agosto.
Dilma decidiu ir à Esplanada dos Ministérios para fazer o registro histórico de seu papel na História do Brasil, aconteça o que acontecer.
No plenário ela vai enfrentar as raposas felpudas, os chacais sanguinários, os adversários leais e os pusilânimes. Todos estarão à sua frente.
Já ela, estará olhando para a História e se colocando nessa crônica com a imagem da “Dilma guerreira do Povo Brasileiro”, bordão de campanha e que agora se cola à sua biografia. Dilma sem-medo é título do filme.
A decisão de ir ao plenário firmou-se por sugestão do marqueteiro João Santana, que está por trás do documentário sobre o impeachment que sua produtora vem rodando desde antes do golpe chegar ao ponto em que chegou.
Percebendo que poderia acontecer o pior, há meses os cinegrafistas e produtores já começaram a captar imagens e sons, fazendo um registro minucioso dos acontecimentos em todos os palcos, nos palácios e nas ruas.
Nos últimos dias essas equipes têm trabalhado intensamente: no plenário do Senado a produção colhe assinaturas de anuência de imagem entre os assessores parlamentares que frequentam aquele recinto.
Não querem problemas com a Justiça sobre eventuais ações tentando obstar a exibição da obra. Mesmo preso, Santana criou a obra derradeira.
Dilma vai olhar seus algozes olho no olho. Vai chamar os traidores às falas, vai ameaçar seus adversários com o facão da História.Não vai ser aquele passeio diante das câmeras da TV Senado em que parlamentares interpretam suas pantomimas diante de depoentes intimidados, muitas vezes humilhando nos interrogatórios, aquele festival de platitudes para se mostrar nas telas. Isto será muito perigoso.
Ninguém ficará impune. Dilma vem com tudo. Esse documentário vai correr o mundo, será uma obra de grande competência técnica e artística. Terá força para vencer festivais importantes, como Cannes, Veneza e, talvez, até mesmo um Oscarzinho.Cada um terá de pensar muitas vezes antes de abrir a boca. É possível que prefiram o mutismo, ou mesmo a ausência.
Neste caso, o forfait, pode ser que se altere o placar. É uma última esperança de criar um constrangimento entre os traidores, um respeito pela História dos apressados. Naquele plenário há pessoas com biografias a zelar, como ex-governadores de estados importantes, acadêmicos de prestígio, políticos com futuro.
As imagens e os sons gravados ao vivo e a cores são indeléveis. Não há como manipular um plano sequência.Dilma está preparada para a grande cena. Sua carta aos senadores é um texto para a História, disseram alguns analistas.
Isto deve ser lido como um roteiro e um script para ser ouvido em off coberto pelas imagens e sobe sons dos acontecimentos.Foi para dar esse recado ao mundo e à História que Dilma incluiu no texto as referências às prisões e torturas, aparentemente menções descabidas num documento dessa natureza.
João Santana, do fundo de sua cela, enquanto se curvava a carcereiros e interrogadores, criava o movimento mais brilhante de sua carreira de marqueteiro político. Será sua obra prima.A saga do impeachment de Dilma em produções para o cinema
Camila Moraes, do El País
A jovem democracia brasileira ainda engatinha, como se costuma dizer, mas já viveu traumas importantes dos quais pouco se fala no cinema. O mais patente deles talvez seja a ditadura militar (1964-1985), que apesar de ter transfigurado o país, deixando rastros de sangue, é ainda digerido pelos cineastas nacionais – sem que nenhum deles tenha feito um filme obrigatório sobre o tema, dos que levam o carimbo de clássicos.
Um grupo de realizadores ativos e inquietos decidiu que essa não seria a sina dos brasileiros nesse momento, em que o Brasil vive seu segundo processo de impeachment e se vê imerso em uma crise de dimensões muito além da política. Por isso, decidiram – cada um por si – agarrar uma câmera e rumar a Brasília na esperança de capturar a História enquanto ela acontece. Ainda que ninguém se preocupe em sair de lá com um clássico.
Meses antes de o impeachment ganhar forma, o documentarista carioca Douglas Duarte tinha planejado fazer um filme que retratasse o Congresso Nacional. Mesmo ele, em cuja mesa de jantar sempre se falou de política, não entendia a matéria da qual está feito aquele grupo de parlamentares a legislar nos bastidores do poder – e que crescia em importância política à medida que Dilma Rousseff a perdia como chefe do Executivo. Excelentíssimos, que nasceu para atender uma inquietação que é de muitos, terminou crescendo até virar um documentário sobre a crise política e o impeachment quando Douglas já se encontrava na capital, no olho de um furacão que passou a girar cada vez mais rápido.
“No começo, a ideia era acompanhar não líderes, e sim corpos políticos. Queria olhar para nossos parlamentares quando estivessem com a guarda baixa, ver como se movimentam, como coçam a cabeça… Fazer, enfim, uma etnografia do Congresso. Mas o filme terminou sendo sequestrado pelo tema do impeachment. Eu tinha duas opções: enfiar a viola no saco e voltar para casa ou aproveitar esse momento extraordinário. Foi o que eu fiz”, conta o realizador que debutou em documentários de longa-metragem em 2007 com Personal Che, uma exploração do mito ao redor do guerrilheiro argentino. No ano passado, ele lançou Sete visitas, que investiga, entre outras coisas, os mecanismos do documentário de entrevistas.
Para a brasiliense Maria Augusta Ramos, que também prepara um documentário sobre a crise, a decisão foi ainda mais repentina. Seu projeto partiu do zero, cerca de duas semanas antes da fatídica votação do impeachment na Câmara, com os deputados votando por suas mães, seus filhos e outros parentes, quando ela se deu conta do “momento urgente e traumático” e de que era preciso entender o que se passava – e ainda passa – no país. “Meu cinema trata da observação da realidade e parte de questões que me instigam e despertam uma série de sentimentos. É responsabilidade de toda a sociedade entender como chegamos a esse momento, e meu filme tenta contribuir com isso”, diz a cineasta radicada no Rio e formada na Holanda, aclamada sobretudo por Justiça (2004) – o primeiro de uma trilogia de filmes sobre o poder judiciário no Brasil.
Maria, que há menos de um mês estreou em salas Futuro Junho (2015), sai de um documentário sobre o ambiente do Brasil às portas da Copa do Mundo de 2014 e mergulha no conturbado cenário político que deve culminar na saída definitiva de Dilma Rousseff no fim de agosto. Se no primeiro, ela tinha personagens definidos (um metalúrgico, um motoboy, um analista financeiro e um metroviário, todos de São Paulo) para tecer um clima tenso à beira de um possível apocalipse, no atual projeto (ainda sem nome) ela caminha sem guias pelas ruas e pelas instituições políticas de Brasília – e com uma sensação de caos mais concreta e iminente.
No rastro de Dilma
Outros dois filmes em progresso – esses, mais próximos do personagem mais central do drama, a presidenta afastada Dilma Rousseff – estão nas mãos de celebradas realizadoras, a paulista Anna Muylaert e a mineira Petra Costa.
Anna, diretora do bem-sucedido Que horas ela volta? e que lançou agora Mãe só há uma (ambos longas de ficção), é desta vez roteirista e produtora de um documentário que será dirigido por Lo Politi – reconhecida diretora de publicidade e que trabalhou com o marqueteiro João Santana na campanha de Dilma. As duas têm acompanhado a presidenta em viagens e compromissos e conversado com aliados e assessores da petista.
O que a dupla quer com o filme é registrar o que serão possivelmente os últimos dias de Dilma no Governo, retirada da presidência e colocada à espera na rotina do Palácio da Alvorada, até a decisão final do Congresso. Ainda sem nome, o projeto foi apelidado por senadores e deputados de Será que ela volta?, pergunta pertinente que ainda por cima homenageia o longa de Anna.
Depois de mergulhar no universo da intimidade em seus documentários anteriores, Elena, uma abordagem poética da depressão com base no suicídio da irmã, e O olmo e a gaivota, sobre a travessia emocional de uma mulher e de um casal diante da chegada de um filho, Petra Costa decidiu se lançar ao mar aberto da política.
Desde o começo de março, ela acompanha deputados, senadores e outros atores políticos, buscando estabelecer com entrevistas e outros registros mais distantes os “acontecimentos históricos” e “cenários paralelos” que culminam na crise atual. “Meu objetivo é investigar como chegamos a esse ambiente de hoje, tão polarizado, em que o país está virando do avesso. É como se descobríssemos que nossa democracia é feita de uma estrutura muito fina, que estava sendo corroída por ratos”, diz a documentarista.
Douglas ainda não prevê, diante de um sofrimento político e econômico que se estende e não para de surpreender o país por suas reviravoltas, onde finalizará seu filme. Maria Augusta, Anna e Petra pretendem desligar a câmera quando o Senado emitir seu juízo final sobre o destino de Dilma, que, ao que tudo indica, sofrerá o segundo impeachment da democracia brasileira – de maneira, porém, polêmica e contraditória, distante do que aconteceu em 1992 com Fernando Collor.
No que todos eles concordam é que um filme sobre a crise, ainda que impossível de ser isento, não deve ser partidário nem precisa emitir opiniões. De tão complexa, a realidade brasileira está para ser decifrada. Afinal, as perguntas agonizam a todos e, por hora, ninguém tem respostas. (Publicado originalmente em 2/8/16)
Bancários começam negociações da campanha salarial
Tiveram início nessa quinta-feira e prosseguem hoje as reuniões preparatórias do Comando Nacional dos Bancários, em São Paulo, que irá negociar com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) a campanha salarial 2016. A primeira rodada de negociação com os representantes dos banqueiros ocorreu também nessa quinta-feira à tarde.
Apesar do quadro recessivo da economia brasileira, os bancos continuam sendo o setor da economia com os melhores resultados financeiros. O lucro dos cinco maiores bancos (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Caixa) no primeiro semestre de 2016 chegou a R$ 29,7 bilhões.
Apesar do lucro, juntos os bancos fecharam 6.785 postos de trabalho no país, de janeiro a junho deste ano, segundo a Pesquisa do Emprego Bancário (PEB).
Além da Fenaban, que reúne os bancos privados, também já estão em curso as primeiras negociações com a Caixa Econômica Federal, iniciada no dia 17 em Brasília, e com o Banco do Brasil, também em Brasília, no dia 23 de agosto.
O presidente do SindBancários de Porto Alegre, Everton Gimenis, presente em São Paulo, declarou: “Os banqueiros costumam fazer aquela choradeira na mesa e ficam nos enrolando. Esperamos que este ano apresentem uma proposta decente que, de fato, melhore as condições de trabalho, atendendo cláusulas de saúde, segurança e de renda, e que assumam compromisso de não demitir, mas contratar mais trabalhadores”, disse Gimenis.Metroviários continuam mobilizados contra privatização da Trensurb
assembleia realizada na tarde desta terça-feira (16), os metroviários decidiram, por ampla maioria, Os funcionários do Trensurb aguardam o julgamento do Acordo Coletivo pela Justiça do Trabalho, marcado para o dia 5 de setembro. A decisão de aguardar o resultado foi tomada na tarde de terça-feira (16), por ampla maioria.
Como o Sindimetrô/RS e a Trensurb entraram em comum acordo na Justiça, o resultado do julgamento será aplicado imediatamente, e retroativo a maio deste ano.
A antecipação do julgamento é fruto da pressão exercida pelo sindicato e pela categoria nos últimos dias, inclusive com a realização de duas paralisações de 24 horas, quando os trens circularam apenas nos horários de pico.
A luta dos metroviários não se interrompe com o julgamento do Acordo Coletivo. A categoria se dedicará a barrar o processo de privatização da Trensurb, uma campanha que deve ser feita em parceria com os colegas da CBTU.
Não está fora do horizonte a possibilidade de futuras paralisações para exigir efetivo, melhores condições de trabalho e contra a privatização. Uma das alternativas para fortalecer essa luta passa por buscar o apoio das comunidades atendidas pela linha do trem.
Assim, ficou definido que o Sindimetrô/RS continuará a manifestar sua contrariedade ao processo de privatização da Trensurb, bem como cobrar medidas de contratação de pessoal e mais segurança para funcionários e passageiros
Clientes da Cettraliq buscam alternativa para não parar
Com as atividades suspensas há uma semana, por suposta emissão de odor fora dos limites da propriedade e outras questões burocráticas, a empresa Cettraliq emitiu uma nota declarando preocupação com a situação dos clientes aos quais presta serviço de tratamento de efluentes líquidos.
A empresa atende cerca de 200 empresas de pequeno a grande porte ao mês e, desde que foi interditada, tem recebido diversas visitas e consultas sobre indicações de procedimentos que devem ser adotados, já que a FEPAM deu um prazo de 15 dias para que as empresas vinculadas à Cettraliq apresentem um plano de destino do material gerado.
Segundo os relatos, a indicação de transporte para Santa Catarina mostrou-se inviável, pelo alto custo do frete e trâmites de documentos entre as Secretarias dos dois Estados. Há chance de algumas plantas terem suas atividades interrompidas pela impossibilidade de tratar os resíduos líquidos.
A Cettraliq, que funciona há 12 anos, trata efluentes gerados em empresas de vários segmentos do Rio Grande do Sul. De forma programada, realiza a liberação diária de 150m³/dia de efluentes tratados, volume equivalente a 1 litro/segundo para vazão de 1 milhão de litros/segundo, do Guaíba. Atua com 40 funcionários, além de consultores terceirizados.Monumentos recuperados são destruídos em menos de um mês
Não passou um mês da recuperação de vinte dos monumentos no parque da Redenção e as obras, que recém haviam passado pelo processo de ecuperação, já foram alvo de vandalismo.
A segunda edição do projeto Construção Cultural, parceria da Prefeitura de Porto Alegre, Ministério Público Estadual e Sinduscon-RS (Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul) foi lançada no dia 31 de julho.
Herma de Alberto Bins foi quebrada ao meio
Pelo menos três obras já foram danificadas.Na manhã do dia 16 de agosto, os funcionários da administração do parque se depararam com duas esculturas quebradas: a cabeça de Alberto Bins foi encontrada partida ao meio e o busto do engenheiro Luiz Englert foi derrubado no chão e perdeu alguns pedaços. As duas obras ficam na região próxima à Reitoria da UFRGS. Na semana anterior, a escultura que homenageia João Wesley já havia perdido uma peça, não se sabe se caída ou arrancada.
Os problemas com o vandalismo nos monumentos do parque – e agora nas réplicas – não são novidade. Cada vez que as obras são reformadas e recolocadas no lugar, os ataques se repetem. As obras originais, muitas em bronze, já nem ficam mais expostas. Foram substituídas por réplicas feitas em resina. E os roubos foram substituídos pelo vandalismo.Projeto de lei quer reduzir agrotóxicos na merenda escolar
O plenário da Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou nesta quinta-feira (18/8), com 17 votos favoráveis e sete contrários, o projeto de lei do vereador Marcelo Sgarbossa (PT) que obriga o Executivo Municipal a adquirir produtos orgânicos para a merenda escolar na rede municipal de ensino.
O cardápio deverá ser composto, no mínimo, por 10% de produtos orgânicos no primeiro ano em que a lei for implementada, 20% no segundo e assim sucessivamente, até chegar a 50% a partir do quinto ano.
A implementação da lei, contudo, envolve vários setores do governo. Primeiro, determina que o Executivo deverá regulamentar a lei em 60 dias, a contar da data da sua publicação, em plena campanha eleitoral.
A lista de produtos orgânicos possíveis de serem adquiridos e incluídos no cardápio da merenda escolar deverá então ser elaborada por órgão competente do Executivo Municipal, devendo ser observadas as disposições nacionais da alimentação escolar.
O vereador Marcelo Sgarbossa lembra que, em média, cada brasileiro consome 5,3 litros de veneno agrícola por ano. Pesquisas mostram que alguns produtos como tomate, alface e morango são contaminados por agrotóxicos proibidos para o consumo, sendo que muitos deles podem causar problemas hormonais e até câncer. O Brasil é o campeão mundial no uso de agrotóxicos.Sem crise: Unicred anuncia resultados positivos no primeiro semestre
No Sistema Unicred, que congrega 35 cooperativas de crédito, o primeiro semestre deste ano trouxe resultados muito melhores que o de 2015. Os depósitos totais aumentaram 22,3% (saldo médio de R$ 7,9 bilhões ao final do semestre), e os ativos totais cresceram 21,3% (saldo de R$ 10 bilhões).
“Mesmo com a instabilidade da economia brasileira, os números mostram que o sistema cooperativo de crédito tem superado os obstáculos e se mantido em crescimento”, observa Luciano Fantin, executivo da Unicred do Brasil. “As sobras deverão crescer 7,2% neste ano, ante os 2,6% em 2015”, estima. Esse percentual indica sobras de R$ 240 milhões.
Os cooperados da Unicred, divididos em 35 cooperativas que somam quase 200 mil pessoas, são principalmente profissionais de curso superior de 14 áreas da saúde – de médicos a educadores físicos, mas também aceita oriundos das carreiras jurídicas e associados por “livre admissão”, além de pessoas jurídicas de alguma forma interligadas ao sistema.
Um de seus principais públicos são as micro e pequenas empresas, atraída por juros menores que os dos bancos e remuneração mais lucrativa dos investimentos. Como exemplo, Fantin cita a tomada de um capital de giro de até 365 dias, com taxa mensal em torno de 1,74%, enquanto no sistema financeiro tradicional ficaria entre 2,39% e 3,14% ao mês.
Com o novo estatuto aprovado em 2014, a Unicred passou a contar com uma diretoria profissional. Luciano Fantin trabalha há mais de duas décadas no mercado financeiro local e no exterior. Fernando Motta, diretor de Tecnologia, trouxe experiência de mais de 30 anos nos segmentos financeiro, serviços e varejo. O presidente do sistema, também desde 2014, é o médico gaúcho Leo Airton Trombka, cardiologista do Hospital Moinhos de Vento.


Os problemas com o vandalismo nos monumentos do parque – e agora nas réplicas – não são novidade. Cada vez que as obras são reformadas e recolocadas no lugar, os ataques se repetem. As obras originais, muitas em bronze, já nem ficam mais expostas. Foram substituídas por réplicas feitas em resina. E os roubos foram substituídos pelo vandalismo.