Autor: da Redação

  • Praça da Matriz: na derrota, uma festa de arquibancada

    MATHEUS CHAPARINI
    A notícia de que o governo havia reconhecido a derrota na votação pelo prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff – papel desempenhado pelo líder da Câmara, José Guimarães, por volta das 22h – não ecoou com força na Praça da Matriz.
    Ainda faltavam mais de cem votos para serem contabilizados e a agitação ia diminuindo gradualmente, pelo cansaço do dia longo e quente.
    Às 22h23, a bateria da organização A Marighella levantou. A atitude lembrava as torcidas barras bravas do futebol argentino (prática hoje amplamente disseminada no Brasil e no Rio Grande do Sul), não somente pelos ritmos e instrumentos, mas pela animação da festa independente da derrota, ou, até mesmo estimulado por ela – é o que os torcedores chamam de apoio incondicional.
    Com bumbos, caixas, sinalizadores e foguetes, cantavam “acabou o amor, o Brasil vai virar um inferno” e “não vai ter golpe olê olê olê”.
    Quando algum deputado da oposição falava, o grupo respondia com “não se escuta golpista”.
    A festa durou cerca de 20 minutos. O clima de arquibancada, entretanto, não contagiou os milhares de militantes que acompanhavam a votação em dois telões na Praça da Matriz.
    CUT-RS sugere reação com greve geral
    Faltava apenas um voto para a definição do resultado da votação que determinou o prosseguimento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff quando os dois telões instalados na Praça da Matriz foram desligados e do microfone uma voz anunciou a abertura da assembleia popular dos movimentos sociais. Eram onze horas da noite do domingo (17).
    O primeiro a falar foi Claudir Nespolo, presidente estadual da CUT (Central Única dos Trabalhadores). Pediu que os telões fossem ligados novamente, sem áudio, para que o público pudesse continuar acompanhando a votação e começou seu discurso.
    Nespolo afirmou que o domingo ficará marcado na história como “o dia em que a elite brasileira, associada ao capital internacional começou a impor uma derrota à esquerda”.
    O sindicalista atribuiu o revés principalmente ao juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, mas garantiu que há possibilidades de reação. “Um juiz viciado deu a vitória no primeiro tempo, mas este jogo ainda não acabou, é o jogo da luta de classes”, defendeu.
    E concluiu: “Vocês vão ouvir falar em greve geral!”

  • Bolsonaro é ovacionado no Parcão ao proferir voto no sim

    Felipe Uhr
    Foi dele o voto de número 236 entre os 367 que proferiram um “sim” ao prosseguimento do processo de impeachment para o Senado Federal.
    Durante quase um minuto em que falou antes de declarar o voto, Jair Bolsonaro foi o mais aplaudido e ovacionado por aqueles que acompanhavam a votação em frente aos telões do Parque Moinhos de Vento em Porto Alegre.
    “Bolsomito!” gritavam uns.
    “Esse é o cara!” exclamaram outros.
    Quase nem dava para ouvir o que ele disse ao microfone: “perderam em 64, perderam agora em 2016” e nem sua “homenagem” ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, torturador da Ditadura Militar falecido no ano passado.
    “Era o pavor de DIlma Rousseff”, destacou Bolsonaro em referência ao ex-militar e à presidente, que foi presa e torturada durante os anos de chumbo.
    Jair Bolsonaro lembrou da família, criticou o comunismo e encerrou: “Por um Brasil acima de tudo e por Deus acima de todos, meu voto é sim” seguidos de aplausos.
    Depois do seu voto, o Parcão, foi ao delírio

  • Milhares celebram a derrota de Dilma e do PT na Goethe

    Felipe Uhr
    Milhares de manifestantes contrários à presidente Dilma Rousseff assistiram a votação do processo de impeachment, neste domingo (17), na avenida Goethe, ao lado do Parcão, no bairro Moinhos de Vento.
    O movimento foi bem menor do que o registrado nas últimas manifestações. O entusiasmo e frenesi, porém, eram os mesmos das vezes anteriores.
    Não se sabe ao certo quantos acompanharam a votação, que começou no final da tarde. A organização do evento disse que ao longo do dia pelo menos 40 mil pessoas circularam pelo local.
    Pouco antes da votação o movimento ainda era bem tímido. Assim que começou a sessão, o público aumentou mas não eram mais de 20 mil presentes. A Brigada Militar não fez estimativa.
    Churrasquinho e cerveja antes da sessão
    O movimento começou logo pela manhã, quando integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) já organizavam e preparava o local com as faixas de repúdio a Dilma e Lula.
    Nos arredores da Goethe muitos grupos faziam churrasco e bebiam cerveja à espera da abertura da sessão, que começou por volta das 14 horas. Os discursos iniciais de líderes das bancadas indicavam que os trabalhos iriam longe, apesar da estimativa de iniciar a votação às 16h (eram quase 18h quando os representantes de Roraima abriram o microfone do “sim” e do “não”).
    Eram três telões na região: dois junto à passarela do parque, um de cada lado, e outro quase na avenida 24 de outubro. Não foram colocados banheiros químicos. Quem teve alguma necessidade orgânica tinha de utilizar o banheiro do Parcão ou aqueles situados em restaurantes e lancherias ao redor.
    Quanto mais se aproximava da votação mais pessoas de verde e amarelo chegavam.
    A imprensa se instalou na passarela do parque, ao lado de um pixuleco gigante de Lula. Jornalistas e repórteres, quase todos vestidos de cores neutras, circulavam pelo lugar depois retornavam a passarela. Ali alguns escreviam, tiravam fotos, faziam passagens para TV ou entravam ao vivo para o rádio.
    Ao lado, um caminhão onde os remanescentes da Banda Loka Liberal (os titulares viajaram a Brasília), comandavam o barulho com músicas e coros contra Dilma, Lula e o PT.
    Nas esquinas e proximidades, vendedores vendiam camisas, bandeiras, pixulecos (bonecos de Dilma e Lula presos) e a última novidade, o Super Moro, o boneco herói do juiz da Lava Jato, Sérgio Moro – foi a salvação dos ambulantes, já que os pixulecos encalharam.
    O vendedor George tinha vendido apenas seis pixulecos a R$ 20 até o final da tarde. Vendeu todos 10 os Super Moro que levou para a praça. “Fui buscar mais com outros vendedores mas eles já não tinham mais” lamentou.
    Outro vendedor, Leonardo, também comemorava a venda do Super Moro mas lamentava o insucesso dos negócios, comparado com as manifestações anteriores. “A essa hora eu já estava em casa, já tinha vendido tudo”, observou.
    Com os vendedores de comida a insatisfação era a mesma já que o faturamento foi menor.
    Torcida pelos indecisos
    A votação começou pelo estado de Roraima – antes um deputados do Rio de Janeiro votou separadamente porque estava doente e precisava deixar o plenário.
    Em seguida veio o Rio Grande do Sul. Nos microfones, integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) alertavam sobre os deputados gaúchos indecisos – no fim, apenas o pedetista Pompeo de Mattos se absteve.
    A cada voto “não”, vaias e gritos eram entoados ao som de uma sirene que ecoava pela Goethe. Maria do Rosário (PT) foi a mais vaiada.
    Entre as bancadas de outros estados, receberam grande repúdio Jean Willis (PSOL-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que votaram logo após Jair Bolsonaro (PSC-RJ), este o mais ovacionado e aplaudido deputado por aqueles que estavam no Parcão.
    A cada voto sim, gritos e comemorações vibrantes eram testemunhados. A vantagem aumentava a cada manifestação parlamentar.
    Festa às 23 horas
    Por volta das 22h, ainda sem a vitória matemática garantida, o governo jogou a toalha.
    A notícia de que o líder do partido na Câmara, José Guimarães (PT-CE), falava sobre o revés chegou ao “setor” de imprensa do parque. Nas caixas de som a notícia não fora divulgada. O êxtase viria uma hora depois, quando o deputado do PSDB Bruno Araújo completou os 342 votos necessários.
    Pouco antes do voto era entoado “Eu, sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor”. Emoção e euforia tomaram conta do local. Pessoas se abraçavam, gritavam e choravam enquanto um foguetório era ouvido em toda a região.
    No caminhão da Banda Loka, os integrantes por alguns segundos pararam de tocar e se abraçavam coletivamente.
    O abraço antecedeu a música mais famosa da banda: o canto “Chora petista”, que tomou conta da Avenida Goethe. O refrão “Olê, olê, olê, olê, ‘tamo’ na rua pra derrubar o PT” era cantado com força e entusiasmo.
    Logo após o voto 342, iniciou a debandada do Parcão. Poucos ficaram até o final do pleito. Quem passasse pela 24 de outubro ouvia buzinaço ecoando pela avenida. A festa dos pró-impeachment recém estava começando.

  • Líder do governo promete 'guerra prolongada' na Justiça, no Senado e nas ruas

    Passava um pouco das dez da noite, ainda faltavam mais de 100 deputados para votar, quando o líder do governo, José Guimarães jogou a toalha.
    Ao reconhecer a derrota, ele disse que o que aconteceu foi uma primeira batalha perdida, e anunciou uma “guerra prolongada na Justiça, no Senado e nas ruas” para vencer o impeachment
    Se o reconhecimento da derrota pelo governo foi prematura, a divisão nas forças vencedoras também não esperou para se rebelar.
    O deputado Julio Delgado, do PSB de Minas, minutos depois fez um discurso à imprensa dizendo que o alvo agora tem que ser Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, que conduziu a sessão que derrotou o governo.
    “Agora vai chegar a hora dele”.

  • Eduardo Cunha é o grande vitorioso deste domingo

    Chamado de “ladrão”, “gangster”, “corrupto notório”, o deputado Eduardo Cunha só deixou transparecer algum sentimento, no comando da sessão da Câmara Federal que decidiu dar seguimento ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, quando o palhaço Tiririca chegou ao microfone para dar seu voto.
    Cunha esboçou um sorriso, mas Tiririca, cauteloso, não fez a piada: “O meu voto é sim”, disse secamente.
    Diga-se o que quiser de Cunha, ele comandou com maestria uma sessão conflagrada e atingiu plenamente seu objetivo que era iniciar o impeachment de Dilma. É o grande vencedor de um dia histórico.
    “Que Deus tenha misericórdia dessa nação”, alertou, antes de proferir, ele mesmo, o sim ao impeachment, quando o placar a favor do afastamento da presidente Dilma já era de 233. Contrários, eram 76 e havia 4 abstenções.
    Ele está mais forte para salvar a própria pele, num acordo que já vazou na imprensa, com seu afastamento e a presidência da Câmara  entregue a um homem seu.

  • Cunha ao votar sim: "Que Deus tenha misericórdia dessa nação"

    Passando um pouco das 20h45 desse domingo, 17 de abril, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), proferiu seu voto favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.
    “Que Deus tenha misericórdia dessa nação”, ele pediu, do centro da mesa diretora, antes de declarar seu “sim”.
    Poucos minutos depois, ele ouviu de seu conterrâneo Glauber Braga (PSOL), que era um “gângster” e que “cheirava a enxofre”.
    Grande parte dos votos contrários ao afastamento de Dilma Rousseff do Palácio do Planalto utilizaram como argumento o fato de o processo ser conduzido por Eduardo Cunha, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) em um processo por corrupção e investigado na Lava Jato e na Comissão de Ética do Legislativo por ocultação de contas no exterior e por mentir sobre sua existência.
    Aliás, quando abriu a seção deste domingo, às 14 horas, foi surpreendido por uma faixa estendida às suas costas com os dizeres “Fora Cunha”.
    Seu protagonismo no atual momento político brasileiro foi destacado por jornais ao redor do mundo ao longo da semana, que assinalaram o fato de ele conduzir o processo de impeachment apesar das acusações.
    Nem entre os manifestantes que vão às ruas pedir o afastamento de Dilma Rousseff, Cunha se salva.

  • 1964: Antes do golpe, um assalto à opinião pública

    1964: Imprensa encobriu a conspiração e deu apoio total ao golpe

    Luiz Cláudio Cunha*
    Nas origens da conspiração que levou ao golpe de 1964, está a digital da mídia que ajudou, por atos, fatos e versões, na criação do clima político que lançou o país num abismo autoritário de 21 anos.
    E ajudou, depois, na consolidação do regime, com seu apoio explícito.
    Ninguém dissecou isso melhor do que o professor uruguaio René Armand Dreifuss (1945-2003).
    Em 1981, aos 36 anos, ele publicou no Brasil sua tese de doutorado produzida nos cinco anos anteriores na Escócia.
    Nas 814 páginas de seu livro* (1964: A conquista do Estado. Ação política, poder e golpe de classe. Ed. Vozes) Dreifuss confirma: 1964 não foi uma simples quartelada, ou ato improvisado de um general impulsivo que de repente botou os tanques nas ruas.
    Em novembro de 1961, três meses após a posse de Goulart, nasceu no Rio o IPES, Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais. Reunia a nata do empresariado, nacional e multinacional, com todos os nomes, sobrenomes e siglas que ainda hoje enfeitam as listas das maiores empresas do país.
    Parecia um inocente clube de homens de negócios. Mas, na sua face oculta, sob siglas e codinomes, o IPES concentrava a execução metódica de um pensado plano para combater, de forma clandestina, três principais inimigos: o Governo Jango, a aliança nacionalista do PTB e o comunismo, que aparentemente resumia tudo aquilo.
    O braço político ostensivo do IPES era o IBAD, Instituto Brasileiro de Ação Democrática, que apesar do nome tinha ligações com o MAC, Movimento Anticomunista, e com a organização da direita católica Opus Dei.
    O fundador do IBAD em 1959 foi o integralista Ivan Hasslocher, dono da Promotion, agência de publicidade que promovia o lobby do instituto e seu braço parlamentar, a ADP – Ação Democrática Popular, um núcleo conservador de 160 parlamentares da centro-direita no Congresso.

    Com o clima de vitória criado pelos jornais, até Lacerda saiu para rua
    Com o clima de vitória criado pelos jornais, até Lacerda saiu para rua

    Segundo Dreifuss, a ADP tinha sua ação política patrocinada pela secção carioca da CIA, a agência de inteligência americana.
    A partir de 1962, juntaram-se as duas entidades: nascia o complexo IPES/IBAD, matriz ideológica e operacional da conspiração que daria o golpe e, depois, forneceria os quadros e dirigentes do aparato estatal que sustentou o regime militar.
    Em 1963, os 80 membros originais do IPES pularam para 500. Eram sócios 26 dos 36 líderes da FIESP, a maior federação industrial do país.
    Em Porto Alegre, a versão local tinha o nome de IPESUL e sobrenomes ilustres como o lojista Fábio Araújo Santos, da rede JH Santos, José Zamprogna e Ary Burger, diretor do Grupo Gerdau, Antonio Saint Pastous, presidente da Farsul, entre muitos outros.
    A articulação dos empresários com os militares era feita pelo Grupo de Levantamento da Conjuntura (GLC) do IPES, comandado pelo general Golbery do Couto e Silva.
    A equipe de Golbery distribuía nos quartéis uma circular bimestral mimeografada, sem citação da fonte, avaliando a atividade “comunista” no país, apontando o dedo para “subversivos infiltrados no governo” e mapeando suas ações. Só no Rio de Janeiro o GLC de Golbery tinha três mil telefones grampeados .
    O grupo do general ocupava quatro das 13 salas que o IPES havia alugado no 27° andar do Ed. Avenida Central, na av. Rio Branco. A conta do telefone era faturada em nome do general da reserva Henrique Geisel, irmão de Ernesto. Em Porto Alegre, o IPESUL operava no quarto andar do Ed. Palácio do Comércio, no centro.
    Três frentes
    O GLC escrutinava a produção diária da imprensa do país e produzia mensalmente cerca de 500 artigos, disseminados pelos jornais ou divulgados em forma de palestras. O Grupo de Atuação Parlamentar (GAP) do IPES proibia qualquer menção à sigla, que era camuflada como “Escritório de Brasília”. O plano era simples e mortal: o IPES, através do IBAD e da ADP, emparedava o governo no Congresso, criando um beco sem saída parlamentar e um ponto morto do Executivo.
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    Era fundamental manipular a expressão da sociedade. O objetivo central do Grupo de Opinião Pública (GOP) do IPES era disseminar seus objetivos na imprensa falada e escrita.
    Dissimulado, o grupo evitava o nome “opinião pública”, preferindo as expressões “divulgação” e “promoção”. O GOP era “a base de toda a engrenagem”. “Conquistar a opinião pública” era a essência da ação política do grupo.
    O principal articulador do GOP o ex-comissário de Polícia, José Rubem Fonseca, que se tornou, depois, um dos escritores mais festejados do pais. Outros destaques do GOP no Rio eram os jornalistas Glauco Carneiro e Wilson Figueiredo, este do corpo editorial do Jornal do Brasil. Em São Paulo, o GOP atuava com Geraldo Alonso, dono da Norton Propaganda, e nomes ilustres de O Estado de S.Paulo, como Ênio Pesce e Flávio Galvão. Contava ainda com Jorge Sampaio e Alves de Castro, os dois nomes centrais do “Repórter Esso” da TV Tupi, o equivalente ao Jornal Nacional de hoje.
    O GOP se valia da tecnologia da época: enviava milhares de cartas e telegramas e fazia chamadas telefônicas, antecipando em décadas o advento telemarketing. Em novembro de 1962 chegava a três mil nomes a lista de organizações de rádio e TV mobilizadas pelo GOP. Aliado a ele funcionava o GPE, Grupo de Publicações/Editorial, que disseminava material impresso pelo país.
    Esta campanha de guerra psicológica era tarefa do ex-comissário e contista Rubem Fonseca, que mobilizava intelectuais respeitados como Augusto Frederico Schmidt, Odylo Costa Filho e Rachel de Queiroz. Atuavam em três frentes: artigos para jornais e revistas, panfletos para circular entre estudantes, militares e operários, e livros que comparavam a democracia com a empresa privada.
    Nomes fortes do mercado editorial, como Saraiva, Cia. Editora Nacional e GRD Editora, colaboravam na publicação da chamada “literatura democrática”.
    Sinal verde
    Em janeiro de 1963 a demanda por recursos era tão grande que o comando do IPES decidiu aprovar uma contribuição anual padrão de meio por cento do capital de cada sócio. O caixa 2 ou “contabilidade paralela” da entidade já somava US$ 4 milhões. O orçamento oficial do ano anterior estabelecia despesas mensais de 10 milhões de cruzeiros (US$ 300 mil na época) só no IPES carioca. A projeção do novo ano previa o dobro das despesas, sem contar o gasto com atividades encobertas e sigilosas.
    A CPI que investigou a ligação do IPES com o IBAD apurou que, nas eleições gerais de outubro de 1962, foram injetados entre 5 bilhões e 20 bilhões de cruzeiros (em termos atuais, entre 260 milhões a 1 bilhão de reais) para financiar 250 candidatos. Foram eleitos 110.
    O embaixador americano no Brasil Lincoln Gordon, bem mais modesto, disse que o valor investido não superou 5 milhões de dólares
    No Rio Grande do Sul, a aliança de centro-direita da ADP era integrada por PSD, UDN, PL, PDC e PRP. O vitorioso Ildo Meneghetti, um dos oito governadores apoiados pelo esquema, enfatizou que a indústria e o comércio locais – “sob a égide do IPESUL” – garantiram o resultado das urnas.
    Dois dos deputados eleitos pelo IPESUL eram Peracchi Barcellos (PSD) e Euclides Triches (PDC), mais tarde nomeados governadores do Rio Grande, pela ditadura.
    marcha da familia 1964Quem se habilitava a integrar a lista de “democratas convictos e anticomunistas de primeira ordem” passava pelo crivo dos analistas do IPES/IBAD. Tinha que assinar um “ato de compromisso ideológico”, pelo qual prometia lealdade ao IBAD, lutar contra o comunismo e defender o investimento estrangeiro.
    O chefe do GAP (Grupo de Ação Parlamentar) do IPES, o banqueiro Jorge Oscar de Mello Flores, avaliava os candidatos pelo coeficiente eleitoral. De início, ele calculava que cada deputado “custaria” cerca de 6 milhões de cruzeiros (cotação atual: R$ 317 mil) nos Estados menores. “Os candidatos de Rio e São Paulo eram muito mais caros”, explicou Mello Flores, ao avaliar a conta per capita dos deputados no balcão do IPES: 15 milhões de cruzeiros (cotação atual: R$ 792 mil).
    O orçamento de um candidato “apagado”, isto é, pouco conhecido e de limitada agressividade eleitoral, incluía despesas com equipamento de som, 40 mil cartazes, 600 faixas, fotografias, espaço em jornais, mensagens no rádio e TV, discos de jingle, gasolina, correspondência e pessoal de apoio…
    Outras empresas ligadas ao IPES colaboravam com seus serviços, como no caso das passagens aéreas gratuitas liberadas pela Panair, Cruzeiro do Sul e Varig. Uma única empresa estrangeira, a Deltec, do americano David Beaty III, sócio do IPES, abriu uma “caixinha” de US$ 7 milhões.
    O IPES recebeu apoio financeiro de 297 corporações americanas. Passavam o chapéu entre empresas britânicas, suecas, alemãs.
    Rezas e cânticos
    Na véspera da eleição de 1962, a Promotion, empresa de Ivan Hasslocher, líder do IBAD, arrendou o jornal carioca A Noite por 90 dias, ao custo mensal de 2 milhões de cruzeiros (cerca de R$ 100 mil no câmbio atual) para propaganda direta.
    A revista Repórter Sindical também era operada pela entidade. O órgão oficial do IBAD, Ação Democrática, circulava mensalmente com 250 mil exemplares e textos de gente como o economista Eugênio Gudin e o líder udenista Aliomar Baleeiro.
    No início de 1963, um manifesto de 500 profissionais de prestígio, organizados pelo Centro Democrático de Engenheiros, ligado ao IPES, foi publicado no Jornal do Brasil e em O Estado de S.Paulo.
    Manifestos variados, todos “democráticos”, proliferavam na imprensa e eram retransmitidos pela dupla IPES/IBAD. Eles tinham uma agência de notícias, a Planalto, que redistribuía o material a 800 emissoras de rádio e jornais do país.
    Um milhão de cópias da “Cartilha para o Progresso”, feita pelo IPES, exaltando os benefícios da Aliança para o Progresso do governo americano, foi encartada como suplemento da Fatos&Fotos, revista de grande circulação da Editora Bloch.
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    O IPES gastou 10 milhões de cruzeiros para produzir 15 programas de TV para três canais diferentes. Eram entrevistas de questionários preparados pela entidade, com jornalistas de confiança e gente selecionada para responder sobre reforma agrária, custo de vida, democracia.
    Estavam escaladas neste time algumas personalidades gaúchas como o senador Mem de Sá, os deputados Daniel Faraco, Egydio Michaelsen, Paulo Brossard e Raul Pilla, o prefeito Loureiro da Silva e o arcebispo dom Vicente Scherer.
    Em 1962, o IBAD operava diariamente mais de 300 programas de rádio no horário nobre das principais cidades do país. A rede de mais de 100 estações ligadas a ele formava a “Cadeia da Democracia”, sob o comando do senador João Calmon, dos Diários Associados.
    O maior produtor de filmes comerciais do país, Jean Manzon, foi contratado pelo IPES para produzir filmes como “Que é a democracia”, “Deixem o estudante estudar”, “Uma economia estrangulada”, “Criando homens livres”.
    Eram filmetes de 10 minutos, projetados antes do vibrante faroeste nas matinês do interior do país, em três mil salas de cinema. As cópias ficavam sob guarda de Luiz Severiano Ribeiro, o maior distribuidor e proprietário de salas do Brasil.
    Quando a platéia não aparecia, o cinema ia até o público. O IPES montou o projeto do “cinema ambulante” em caminhões abertos e ônibus com chassis especiais, que percorriam favelas, bairros populares e cidades distantes.
    Era um mutirão democrático: a Mesbla fornecia os projetores, a Mercedes Benz emprestava os caminhões e a CAIO montava a carroceria dos ônibus.
    O IPES jogava seu charme também sobre as mulheres. Custeava, organizava e orientava politicamente as duas organizações femininas mais importantes do país: a CAMDE ( Campanha da Mulher pela Democracia), no Rio de Janeiro, e a UCF (União Cívica Feminina, de São Paulo).
    O MAF, Movimento de Arregimentação Feminina, na capital paulista, tinha 6 mil filiadas em São Paulo e era presidido por Antonieta Pellegrini, irmã de Júlio de Mesquita Filho, dono de O Estado de S.Paulo e um dos principais patronos do IPES.
    Com um rosário nas mãos e um afiado discurso anticomunista, as donas de casa foram à luta para mobilizar as esposas de militares, sindicalistas e funcionários públicos. Mais de 50 mil cartas atulharam o correio dos parlamentares no Congresso, em Brasília.
    A primeira reunião da Camde no Rio realizou-se no auditório de O Globo, que garantia espaço no jornal e na rádio para a agitação das mulheres.
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    Em janeiro de 1964, ao saber de um iminente congresso da CUT da América Latina em Belo Horizonte, a LIMDE ( Liga da Mulher Democrata) ameaçou invadir o aeroporto da Pampulha e deitar as militantes na pista para impedir a reunião subversiva. O encontro foi transferido para Brasília.
    Em fevereiro, quando Leonel Brizola passou por lá para defender as reformas, o auditório da Secretaria da Saúde na capital mineira foi invadido por um pelotão de mulheres, com o terço nas mãos, gritando slogans contra o belzebu vermelho. Brizola teve que se calar, diante do tumulto e dos objetos voando pelo salão, num episódio conhecido como a “Noite das Cadeiradas”.
    No comício da Central do Brasil no Rio de Janeiro, em 13 de março, duas semanas antes do golpe, Jango mirou nas mulheres: “Não podem ser levantados os rosários da fé contra o povo, que tem fé numa justiça social mais humana e na dignidade das suas esperanças”.
    O IPES interpretou o ato como uma bofetada nas mulheres e em Nossa Senhora. Uma semana depois, 19 de março, a UCF paulista reagiu no dia de São José, santo protetor da família, com uma marcha na Praça da Sé com cerca de 500 mil pessoas, uma multidão cinco vezes maior do que o comício da Central.
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    Eram puxadas pela reza fervorosa do padre americano Patrick Peyton, financiado pelo IPES, e bradavam sua graciosa palavra de ordem: “Vermelho bom, só batom”.
    O sucesso da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, que originalmente deveria se chamar “Desagravo ao Santo Rosário”, inflamou o movimento.
    Marcaram outra, maior ainda, para o Rio de Janeiro em 2 de abril. Mas o general Olympio Mourão Filho sacou primeiro em Juiz de Fora, 48 horas antes da marcha do Rio. E o ato de protesto virou a “Marcha da Vitória”: quase um milhão de pessoas, lideradas pelo Camde e pelo IPES.
    Na medida em que avançava a conspiração, crescia a presença militar sobre a base parlamentar. Era hora de sair do discurso para a prática.
    O IBAD cede seu lugar de destaque para outra sigla – a ESG, da Escola Superior de Guerra, de onde provinha o núcleo fardado do golpe.
    O novo complexo IPES/ESG alinhava 330 oficiais, de majores a generais de Exército, fazendo a ligação do mundo empresarial com os quartéis.
    2014-03-24 15.01.18
    A classe média doutrinada sai às ruas para comemorar o fim da baderna

    No Rio Grande do Sul, foco principal da resistência de Brizola na “Campanha da Legalidade”, dois terços da oficialidade já estavam engajados na conspiração. O deputado Peracchi Barcelos (PSD), coronel da Brigada Militar, eleito pela lista do IPESUL, tratava de sublevar a força pública do Estado.
    O general da reserva Armando Cattani organizava grandes fazendeiros no interior em unidades paramilitares que seriam acionadas na hora precisa.
    Na dura expressão de René Dreifuss, “o IPES conseguiu estabelecer um sincronizado assalto à opinião pública” pela relação especial com os principais veículos da mídia nacional.
    Com exceção da Última Hora de Samuel Wainer, fiel até o fim a Jango e ao PTB que financiou seu jornal, todos os grandes veículos foram ostensivamente partidários do golpe, antes e depois. Pelo menos até a ruptura violenta do AI-5, que transformou velhos companheiros da conspiração em vítimas da truculência da ditadura.
    No Rio Grande do Sul, o alinhamento dos jornais com a conspiração e com o regime militar era natural. O Diário de Notícias, de Chateaubriand, tinha orientação do dono para bater no governo e apoiar a oposição empresarial e militar. Zero Hora já nasceu depurada e lavada ideologicamente em 4 de maio de 1964, um mês e quatro dias depois do levantamento militar do general Olympio Mourão.
    Nota discreta
    Nos idos de 1962, o líder do IPES carioca José Luiz Moreira de Souza, dono da Denison Propaganda, viajou a Porto Alegre para botar a Caldas Júnior (Correio do Povo, Folha da Tarde e Rádio Guaiba) no balaio da conspiração.
    Ganhou as graças de Arlindo Pasqualini, irmão de Alberto, ideólogo do trabalhismo que o IPES combatia. Arlindo, diretor da Folha da Tarde e o sucessor natural do dono da empresa, Breno Caldas, recebeu a missão de produzir uma série de artigos contra Leonel Brizola.
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    No editorial da primeira edição do jornal, no longínquo ano de 1895, Caldas Jr. tinha definido um lema e uma linha para o jornal que se tornaria centenário: “Independente, nobre e forte – procurará sempre sê-lo o Correio do Povo, que não é órgão de nenhuma facção partidária, que não se escraviza a cogitações de ordem subalterna.”
    Nos primeiros editoriais após o golpe de 1964, o jornal abandonou sua histórica divisa, aderiu à facção vitoriosa e adotou uma postura subalterna à nova ordem militar.
    E escancarou seu apoio em editoriais didáticos para explicar por que os revolucionários de 31 de março estavam certos: “Aquele era o único caminho para salvar o Brasil”, dizia o jornal, fazendo coro com a grande imprensa golpista do centro do país.
    * Resumo do ensaio “Máximas e Mínimas: os ventos errantes da mídia na tormenta de 1964”.

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  • O outro placar da Câmara: 299 têm processo, 76 foram condenados

    Com base nos dados do site Excelências, mantido pela Transparência Brasil, e informações extraídas do sistema de busca de ações penais do Supremo Tribunal Federal (STF), a Agência Lupa levantou as “ocorrências” que cada um dos 513 deputados da atual Legislatura têm na Justiça e/ou nos Tribunais de Contas.
    .Abaixo, as principais conclusões:
    1) Dos 513 deputados com direito a voto na sessão deste domingo, ao menos 299 acumulam 1.131 “ocorrências judiciais”. Desse grupo, 191 deles têm mais de um inquérito ou processo.
    2) Cruzando o número de deputados de cada partido com o total de parlamentares da Câmara com “ocorrências judiciais”, constata-se que 17 partidos possuem 50% ou mais de seus parlamentares com algum tipo de registro na Justiça e/ou Tribunais de Contas. Apenas o PMB, que têm um único representante, não possui pendências.
    3) Os três partidos com maior taxa de “ocorrência judicial” (total de deputados da bancada frente ao total de deputados da bancada com registros judiciais) são o PEN (com taxa de 100%, já que seus dois representantes na lista dos deputados possuem “ocorrências”), o PP (com 80% de seus 45 deputados) e o PTB (com 70% de seus 20 representantes).
    5) Em números absolutos, o PMDB, sigla dona da maior bancada da Casa, é o partido que reúne mais deputados com “ocorrências” na Justiça e/ou Tribunais de Contas. Ao todo, dos 67 peemedebistas, 43 têm registros em seus nomes.
    4) Os cinco parlamentares com o maior número de “ocorrências” são, nesta ordem: Beto Mansur (PRB-SP), com 47 registros; Veneziano Vital do Rêgo (PMDB-PE), com 35; Washington Reis (PMDB-RJ), com 30; Marco Tebaldi (PSDB-SC), com 27; e Roberto Goés (PDT-AP), com 25 “ocorrências”.
    5) O mapeamento feito pela Lupa identificou ainda 76 deputados com condenações – seja na Justiça, nos Tribunais de Contas ou na Justiça Eleitoral. Dessas condenações, ao menos 36 foram por improbidade administrativa.
    Além disso, 34 parlamentares são investigados por crimes contra a Lei de Licitações.
    Um grupo de ao menos 21 deputados é “alvo de inquérito aberto com a Operação Lava Jato, da Polícia Federal”.
    Entre eles, está o presidente da Câmara, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O parlamentar já teve uma denúncia da Procuradoria Geral da República aceita no Supremo.
    No âmbito dos inquéritos que tramitam no STF por conta da Lava Jato, o PP é o partido com a maior quantidade de investigados: 16.

  • Pixulecos de Lula e Dilma encalham no Parcão; Moro salva vendas

    Cerca de 15 mil pessoas acompanham a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff em um telão instalado no Parcão, no bairro Moinhos de Vento, na Capital.
    A ausência da Banda Loka Liberal, que foi acompanhar a votação em Brasília, e o calor atípico em Porto Alegre neste domingo (17) de abril podem ter contribuído para a redução do público em comparação a outros eventos, que costumavam ter muito mais participantes.
    Os vendedores ambulantes estão saindo de lá frustrados. Eles esperavam fazer muito mais negócios com os bonecos – conhecidos como pixulecos – que retratam Lula e Dilma. Esses estão encalhados.
    Em compensação, o que está fazendo valer a pena o trabalho dominical é a saída da caricatura de Sérgio Moro, o juiz da Lava Jato – o magistrado dava nome ao acampamento que se manteve durante mais de um mês no parque e foi desmontado ao longo da última semana.
    Festa pela vitória parcial

    Apesar do número menor de militantes, em comparação a eventos anteriores, placar favorável é celebrado
    Apesar do número menor de militantes, em comparação a eventos anteriores, placar favorável é celebrado

    Com o placar do impeachment favorável aos manifestantes do Parcão, o clima é de festa.
    A cada voto “SIM”, aplausos; diante de votos contrários, claro, sobram vaias. Entre os mais apupados, a petista Maria do Rosário foi a campeã.
    No total, 22 deputados gaúchos votaram pelo afastamento da presidente.
    Com informações do repórter Felipe Uhr

  • Entre os gaúchos, 22 favoráveis, 8 contrários e uma abstenção

    A maioria dos deputados federais do Rio Grande do Sul, 22, foram favoráveis a dar início ao processo de impeachment da presidente da República Dilma Rosseff.
    Votaram contra apenas os deputados do Partido dos Trabalhadores e Afonso Motta, do PDT. Outro trabalhista, Pompeu de Matos, se absteve, posição que, na contagem, é favorável ao governo federal.
    Veja como votou o seu deputado:
    Afonso Hamm (PP) – SIM
    Afonso Motta (PDT) – NÃO
    Alceu Moreira (PMDB) – SIM
    Bohn Gass – NÃOCarlos Gomes (PRB) – SIM
    Covatti Filho (PP) – SIM
    Danrlei de Deus (PSD) – SIM
    Darcísio Perondi (PMDB) – SIM
    Giovani Cherini (PDT) – SIM
    Heitor Schuch (PSB) – SIM
    Henrique Fontana (PT) – NÃO
    Jerônimo Goergen (PP) – SIM
    João Derly (Rede) – SIM
    José Fogaça (PMDB) – SIM
    José Otávio Germano (PP) – SIM
    José Stédile (PSB) – SIM
    Luis Carlos Heinze (PP) – SIM
    Luiz Carlos Busato (PTB) – SIM
    Marco Maia (PT) – NÃO
    Dionilson Marcon (PT) – NÃO
    Maria do Rosário (PT) – NÃO
    Mauro Pereira (PMDB) – SIM
    Marchezan Júnior (PSDB) – SIM
    Onix Lorenzoni (DEM) – SIM
    Osmar Terra (PMDB) – SIM
    Paulo Pimenta (PT) – NÃO
    Pepe Vargas (PT) – NÃO
    Pompeo de Mattos (PDT) – ABSTENÇÃO
    Renato Molling (PP) – SIM
    Ronaldo Nogueira (PTB) – SIM
    Sérgio Moraes (PTB) – SIM