Autor: da Redação

  • Felix virou Munrhá e faz sua arte embaixo do Viaduto

    Ele mora há duas semanas embaixo do Viaduto Otávio Rocha. Guarda seus pertences num carrinho de supermercado.
    Na calçada, tinta, pincéis, pedaços de madeira e quadros compõe o visual do ateliê de rua que ele montou na avenida Borges de Medeiros, no centro de Porto Alegre.
    Chama-se Munrhá, natural de Campinas, vive há quatro anos em Porto Alegre. Desenha profissionalmente há 26.  Veio para o Fórum Social Mundial, acabou ficando.
    Antes havia passado cinco meses na França. Morou no Rio e em São Paulo, sempre em ambientes rústicos onde realizou diversos projetos comunitários.
    Do período na Europa só tem uma queixa: “a arte latino-americana é muito desvalorizada”, referindo-se ao Louvre, que na sua opinião expõe muito pouco as obras culturais daqui.
    Por onde passa, tenta ensinar um pouco do que sabe. Em Porto Alegre, não é diferente. Desde que chegou é um itinerante na cidade: mora em pensões, albergues e eventualmente na rua.
    Dá oportunidade para aqueles moradores que querem aprender. Uns trazem materiais, outros lixam as tabuas, outros desenham. Chama-os de matilha: “É essa cachorrada que vive por aí e me ajudam”.
    Faz seus trabalhos a partir de material coletado na rua. Tábuas, papelões, garrafas plásticas que servem para por a tinta. Embaixo do Otávio Rocha, expõe seus quadros: atualmente quadros de personalidades.
    Já pintou Bob Marley, Jimi Hendrix, Nina Simone, Sabotage, Elvis Presley. Marilyn Monroe e Notorious B.I.G. serão os próximos. São encomendas. Fará na próxima madrugada, horário que, segundo ele, é mais tranquilo para o foco no desenho.
    Durante o dia faz serviços exclusivos para clientes. Desenhos ou charges a partir de fotos. O que chama de “retratura”. Segundo ele o gaúcho é exigente mas dá tempo para o trabalho ser feito. “Aqui as pessoas valorizam o traço algo que está se perdendo.”
    Antes de ser da rua, Munrhá era Paulo Félix, um cartunista que fazia charges para jornais impressos. Começou em 1990, no Correio Popular em Campinas. Passou por Folha da Tarde, o Lance, Placar e outros onde fez alguns freelancers. Em 2006 largou.
    Justamente após um show dos Rolling Stones em Copacabana. De lá pra cá se considera um ativista da arte, ou como ele mesmo gosta de dizer: “artivista”.
    Ganhou o apelido em Porto Alegre. “Gostava de Félix, é nome de cartunista mas o Munrhá chama atenção” diz ele, referindo-se ao personagem em quadrinhos, vilão do desenho Thudercats. Apesar do apelido Munrhá prega a paz. Por isso considera seu trabalho como uma ferramenta de combate aos problemas da rua. “Na noite, a gente nunca sabe o que vai acontecer, existe a droga, a violência”.
    Convive em clima amistoso com os residentes ou “trincheiros” do Viaduto. O futuro no Otávio Rocha é incerto. “Amanhã pode vir a prefeitura e nos retirar”. Embora saiba que sua estadia em Porto Alegre está chegando ao fim. Em julho quer ir para o Rio durante o período das Olimpíadas. Depois pretender ir para o Nordeste, Norte e voltar para o Sul. “América Latina é o destino” afirma. Depois disso, pretende regressar a Porto Alegre.

  • Curso capacita profissionais para trabalhar com energia eólica

    O Brasil hoje produz 4,7 MW de energia eólica, o que significa que os ventos já fornecem energia para abastecer 8 milhões de pessoas.
    Pelos projetos já contratados, esse total vai ser triplicado até 2018, quando o parque eólico instalado no país terá capacidade para produzir 12,4 GW.
    É um dos maiores mercados, em crescimento vertiginoso. Hoje já emprega 120 mil pessoas e vai multiplicar várias vezes esse número.
    Percebendo a importância desse mercado, o Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul promove em Porto Alegre uma série de cursos voltados para as oportunidades que se abrem no setor eólico.
    Segundo o Sindicato, as mudanças recentes na lei abriram um novo horizonte na geração da fonte eólica. Anteriormente limitada a grandes projetos, a recente abertura do modelo propicia a geração compartilhada em condomínios e cooperativas de PF e PJ, o que, além de proporcionar autonomia de geração, reduz os custos de geração de eletricidade. Espera-se para 2016 um aumento de 40% na geração em pequena escala no Brasil. Em três anos, a capacidade instalada triplicará- em oportunidades em todos os níveis técnicos de prestação de serviços e investimentos.
    Em sua décima edição, o curso capacita profissionais, a indústria e empreendedores para  investir e/ou atuar em projetos de energia eólica, buscando soluções técnicas e econômico-financeiras aplicadas a cada caso e modelagem de negócio: micro, mini e grande projetos.
    O curso tem enfoque nos aspectos práticos, agregam-se as visitas técnicas, a uma estação de medição e a um parque eólico em operação
    Dias 11 a 15 de abril e 16 a 20 de maio, das 18h30 às 22h30
    Local: Sindicato dos Engenheiros
    Av. Erico Verissimo 960, Porto Alegre

  • Porto Alegre ganha sua sétima feira de produtos orgânicos

    Nesta terça-feira (5/4) estréia a Feira Ecológica da Auxiliadora, na Travessa Lanceiros Negros, passagem de pedestres entre as ruas Mata Bacelar e a Coronel Bordini no bairro Auxiliadora.
    Em 16 bancas, 11 entidades de agricultores orgânicos vão oferecer produtos como hortaliças, legumes, frutas, chás, grãos, temperos, ovos, geleias, doces de frutas e sucos.
    A feira funcionará todas as terças das 7 às 13 horas. Sua instalação foi reivindicada pela Associação dos Moradores e Amigos da Auxiliadora de Porto Alegre (AMA).
    A coordenação das feiras orgânicas é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Indústria e Comércio.
    Feiras Ecológicas – Vendem alimentos produzidos em propriedades rurais e agroindústrias que não utilizam agrotóxicos, substâncias sintéticas ou organismos geneticamente modificados (transgênicos).
    Os produtos vêm da área rural de Porto Alegre, Garibaldi, Bento, Nova Santa Rita, Eldorado do Sul, Cerro Grande do Sul, Viamão, Ipê, Montenegro, Pareci Novo e Itati.
     
    Outras Feiras Ecológicas de Porto Alegre:
    Quarta – feira:
    MENINO DEUS – das 13 às 19h
    Av. Getúlio Vargas (no pátio da Secretaria Estadual da Agricultura)
    PETRÓPOLIS – das 13 às 18h
    Rua General Tibúrcio, parte lateral da praça Ruy Teixeira.
    Sábado:
    TRISTEZA – das 7 às 12h30
    Av. Otto Niemeyer esquina com a Av. Wenceslau Escobar
    BOM FIM – das 7h às 12h30
    Av. José Bonifácio, 675
    MENINO DEUS – 7h às 12h30
    Av. Getúlio Vargas (no pátio da Secretaria Estadual da Agricultura)
    TRÊS FIGUEIRAS – das 8h às 13h
    Rua Cel. Armando Assis, ao lado da praça Desembargador La Hire Guerra
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  • Barulho do impeachment abafa prisões em São Paulo

    A batalha em torno do impeachment, está encobrindo dois grandes incêndios que irromperam semana passada nas hostes do PSDB.
    Numa operação, a polícia prendeu sete pessoas ligadas ao governo Alkmin por fraude na merenda escolar do Estado.
    Em outra frente, a Justiça de São Paulo aceitou denúncia contra sete executivos acusados de cartel e fraude na compra de trens, durante o governo José Serra (PSDB).
    Soma-se a isso a investigação sobre Edson Aparecido, ex-secretretário-chefe da Casa Civil e braço-direito de Geraldo Alckmin (PSDB).
    Aparecido, que deixou o cargo na última sexta-feira para concorrer a vereador, é  investigado por enriquecimento ilícito. 
    Em outro escândalo, o ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Leonel Julio, e o presidente da Univesp (União dos Vereadores do Estado de São Paulo), Sebastião Misiara, foram presos na manhã de terça-feira, acusados de ligação com a máfia da merenda em São Paulo.
    Estas prisões fazem parte da 2ª fase da Operação Alba Branca, da Polícia Civil e do Ministério Público, que investiga a suspeita de fraude em licitações da merenda escolar em 22 cidades nos últimos dois anos.
    A Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar) é apontada como a responsável pelo esquema.
    A Justiça mandou prender também Carlos Eduardo da Silva, Aluísio Girardia, Emerson Girardi, Luiz Carlos da Silva Santos e Joaquim Geraldo.
    “O ponto central desse trabalho de investigação vem sendo focado nos integrantes e também em colaboradores da Coaf, que, conforme as investigações já evidenciaram, vinham fraudando tais procedimentos que visavam à venda e compra de itens que integram a merenda escolar”, afirma a polícia em nota.
    O atual presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, o deputado Fernando Capez (PSDB), é citado por funcionários da Coaf como um dos destinatários de propinas para facilitar contratos para a aquisição de sucos de laranja para escolas de diversos municípios.
    Dirigentes da Coaf apontaram também os deputados federais Baleia Rossi (PMDB) e Nelson Marquezelli (PTB) e o deputado estadual Luiz Carlos Godim (SD) como beneficiários do esquema.
    O caso coloca sob suspeita também a secretaria da Casa Civil do governador Geraldo Alckmin, porque o então chefe de gabinete do ex-secretário Edson Aparecido, Luiz Roberto dos Santos, conhecido como Moita, aparece em um grampo telefônico feito pela polícia pedindo dinheiro a integrantes de uma das empresas.
    Ele foi demitido no dia 18 de janeiro, na véspera da operação ser deflagrada.
    No ano passado, o Governo estadual pagou mais de 11 milhões de reais à Cooperativa por diversos contratos – um crescimento de mais de 4.500%, tendo em vista os 238.000 recebidos no ano anterior.
    Além das suspeitas que recaem sobre licitações feitas pelo Estado com verba do Governo Federal, os investigadores acreditam que as prefeituras também recebiam propina para assinar contratos com a Coaf.
    De acordo com o Ministério Público, as propinas giravam entre 10% e 30% do valor dos contratos.
    O esquema começou a ser investigado no segundo semestre do ano passado.Seis suspeitos foram presos, mas após acordo de delação, todos foram soltos.
    Cartel dos trens
    A Justiça aceitou nova denúncia contra sete executivos das multinacionais Alstom e CAF, acusados de participar de um esquema de cartel e fraude à licitação na compra de trens que operava na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) durante o governo de José Serra (2007-2011).
    Segundo o Ministério Público de São Paulo, eles teriam participado de fraudes em licitação de 1,8 bilhão de reais em 2009 e 2010.
    A juíza Roseane Cristina de Aguiar Almeida, da 29ª Vara Criminal da capital, responsável pelo caso, afirmou que há indícios de que os cinco executivos da Alstom e dois da CAF cometeram crimes econômicos, bem como delitos de fraude.
    Todos foram denunciados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate a Delitos Econômicos (GEDEC) do Ministério Público.
    Na denúncia apresentada, o promotor Marcelo Batlouni Mendroni, do GEDEC, afirma que “as empresas, por meio de seus executivos e funcionários, dividiram entre si os contratos administrativos” para combinar as propostas que apresentariam nas concorrências públicas.
    Segundo ele, “as companhias dividiram o mercado e o preço final superfaturado, direcionando cada licitação e sabendo previamente qual empresa seria a vencedora”.
    O promotor também havia pedido a prisão preventiva de dois dos acusados que vivem no exterior –Cesar Ponce de Leon, ex-diretor da Alstom que mora na Espanha, e Antonio Oporto del Olmo– mas teve o pedido negado.
    De acordo com a magistrada, o fato deles residirem no exterior não significa que eles vão frustrar o cumprimento da lei.
    Investigação sobre apartamento
    Edson Aparecido era, até sexta-feira, o responsável pela articulação política do Palácio dos Bandeirantes e foi coordenador da campanha de reeleição de Alckmin em 2014.
    Além de ver um subordinado direto ser citado por envolvimento na máfia da merenda, agora ele próprio é alvo de investigação.
    O Ministério Público de São Paulo o investiga por suposto enriquecimento ilícito e ato de improbidade, na compra de um imóvel pelo qual pagou 620 mil reais na Vila Nova Conceição – o apartamento é avaliado em 2,5 milhões de reais.
    Em fevereiro, o portal UOL revelou que o apartamento foi vendido a Edson Aparecido pelo empreiteiro Luiz Alberto Kamilos, dono da Construtora Kamilos, contratada pelo Governo do Estado para obras públicas.
    O ex-secretário nega qualquer irregularidade e diz ter feito um empréstimo com assistente e atual mulher para compra.
    Aparecido, segundo nota oficial, deixou o cargo de secretário-chefe da Casa Civil de Alckmin para se candidatar a vereador.

  • 2 de abril de 1964: Presidente acuado chega a Porto Alegre pensando em resistir

    ELMAR BONES
    O presidente João Goulart chegou a Porto Alegre às 3h15 da madrugada naquele dois de abril de 1964.
    Desceu do avião fumando e tenso, mas procurou mostrar-se sorridente ao chegar no saguão do aeroporto, onde o esperava uma pequena multidão de políticos e autoridades.
    Ali estavam o comandante do III Exército, general Ladário Telles, o ex-governador e então deputado Leonel Brizola, o prefeito de Porto Alegre, Sereno Chaise entre muitos outros.
    No carro, a caminho da casa do general Ladário Telles, o presidente quase não falou. Descansou um pouco e às 8h da manhã saiu na porta da casa, onde falou rapidamente com os jornalistas. Disse que ia resistir.
    Em seguida, reuniu-se com os chefes militares de todas as unidades no Rio Grande do Sul para avaliar as chances de resistência.
    Há dois dias o presidente via seu governo desmoronar. Primeiro, teve que deixar o Rio, onde estava quando estourou a rebelião militar em Juiz de Fora.  Depois em Brasilia, onde mal teve tempo de limpar as gavetas. E, finalmente, Porto Alegre, no seu Estado Natal, onde iniciara sua carreira política.
    Em Brasilia, inclusive, àquela hora já tinha outro na sua cadeira, o deputado Rainieri Mazzili, entronizado na madrugada pelos golpistas.
    O general Telles foi o primeiro a falar e se mostrou disposto a seguir instruções do presidente, inclusive partindo para o contra-ataque aos golpistas.
    Jango quis ouvir os outros generais. O primeiro deles, Floriano Machado, disse que “qualquer resistência seria uma aventura”.  Os demais seguiram no mesmo tom. Apenas Leonel Brizola insistia em enfrentar a quartelada.
    Propôs a formação de um novo governo e a formação de corpos de voluntários que seriam armados e apoiados por unidades militares que se mantinham fiéis ao presidente em São Leopoldo, Vacaria, São Borja e Bagé.
    Jango atalhou, com a frase que vários testemunhos guardaram: “Não quero derramamento de sangue em defesa do meu mandato”.
    E ordenou ao general Ladário: “Tome providências para me dirigir ao aeroporto”
    Jango voou para São Borja, onde se deslocou entre suas fazendas enquanto aguardava aconcessão de asilo pelo governo uruguaio.
    Dois dias depois, no dia 4 de abril, desembarcou na base aérea de Pando, próximo a Montevidéo, onde recebeu asilo político. O golpe no Brasil estava vitorioso.
    Em Porto Alegre, a cidade que havia resistido ao golpe dois anos antes, o clima está resumido no depoimento de Olympio Tabajara, ex-secretário do governo estadual: “Eu saí da repartição, no centro, ao meio dia. Quando fui atravessar a Praça da Alfândega, encontrei um amigo que me disse: tudo acabado o Jango fugiu. Fui para minha casa, no Partenon, almoçar “.
     O GENERAL QUE NÃO SABIA DE NADA
    O chefe da Casa Militar da Presidência da República no governo Jango, era o general Argemiro de Assis Brasil, gaúcho.
    Nas primeiras horas da manhã de 31 de março, quando chegou ao Palácio Laranjeiras, no Rio, o general foi informado que havia “um levante na guarnição de Minas Gerais”.
    Ele passou a informação ao presidente João Goulart, que indagou: “Você acha que isso é verdade?”. O general respondeu: “Acho, porque o general Mourão Filho e o general Guedes estão conspirando há muito tempo”.
    Dias antes, o general havia dito ao presidente que Mourão era “um velhinho que não é de nada”.
    Jango ficou fechado em seu gabinete. Saiu pouco depois das nove para visitar o ministro da Guerra, general Jair Dantas Ribeiro, que estava hospitalizado. O ministro apontou o telefone na mesinha ao lado e tranquilizou o presidente. Estava acompanhando tudo, situação sob controle.
    Jango mencionou Policia Militar na mão de Lacerda. já em movimentos ostensivos pelas ruas do Rio. O general, impassível: “Deste telefone eu resolvo tudo, presidente”.
    Manoel Leães, o Maneco, que foi piloto de Jango trinta anos assistiu à conversa e em seu livro “Meu Amigo Jango” registra: “Até hoje acredito que o ministro Jair Dantas Ribeiro estava mancomunado com outros generais golpistas, ao menos para facilitar a deposição do presidente.
    A intenção de Jango, segundo diversos testemunhos era substituir o ministro pelo marechal Henrique Teixeira Lott. Por que Jango não trocou o ministro? “Acho que ele não quis desmoralizar o general, talvez em consideração a sua doença”, diz Maneco. “O presidente João Goulart não quis substituir seu ministro para não desgostá-lo”, diz Hélio Silva.
    O outro homem do dispositivo militar de Goulart era o general Assis Brasil. Costumava dizer: “Não tem perigo. Comigo é na ponta da faca. Nosso dispositivo é o melhor já armado neste país”. Assis Brasil disse depois do golpe “que nunca houve tal dispositivo militar”.
    Eram três da tarde, quando Jango chamou o general Ladário Telles, que estava de férias em Friburgo. A mudança do comando no III Exército estava decidida há vários dias, mas só agora o presidente iria efetivá-la.
    Seu plano era colocar o gaúcho Ladário Telles no Rio Grande do Sul, substituindo Benjamin Galhardo, que deveria voltar para o Rio e ocupar o lugar de Castello Branco, na chefia do Estado Maior das Forças Armadas. Castello era um dos líderes ostensivos do movimento contra o governo.
    A caminho do palácio para a reunião com o presidente, o general Telles notou o “movimento desusado” no prédio do Ministério da Guerra: “Dizia-se que, no quinto e sexto andares, 200 oficiais armados preparavam-se para atacar o QG da 1ª Região Militar do I Exército, no terceiro e segundo andares”.
    Hoje se sabe que eram sessenta oficiais da Escola Militar da Praia Vermelha, que tinham ocupado quatro andares no prédio, para impedir a prisão de Castello Branco, o líder dos conspiradores.
    A audiência com o presidente durou poucos minutos. Um avião já estava à disposição para transportar Telles a Porto Alegre. Jango determinou também que, antes de embarcar, ele providenciasse a prisão de Castello Branco. Pela hierarquia, cabia ao comandante do I Exército, general Armando de Moraes Âncora, executar a ordem. Ladário, então, transmitiu a ele a ordem do presidente. “Senti hesitação no general Âncora. Várias vezes fiz-lhe ver que o tempo passava e o general Castello se retiraria do Ministério sem ser preso. Somente às 18 horas Âncora chamou Castello. Me pareceu que a prisão seria efetuada…”
    Àquela hora Castello Branco não estava mais no prédio do ministério. Saíra em companhia de Ernesto Geisel e estava escondido num apartamento na avenida Atlântica.
    Acreditando que a prisão seria efetuada, Ladário Telles foi para casa arrumar as malas. Eram 22h55min quando partiu. A bordo ouviu a declaração de Adhemar de Barros, o governador de São Paulo, aderindo ao golpe. Chegou em Porto Alegre a 1h20min, mas só na madrugada conseguiu assumir o comando. Já era tarde demais.
    Ninguém acreditava no golpe
    No dia 31, uma terça-feira, Porto Alegre amanheceu fria e com chuvisqueiro. O governador despachava no Palácio como se nada estivesse acontecendo. Desde cedo corriam boatos de golpe, mas isso não era novidade. O noticiário morno dos jornais do dia não indicava qualquer anormalidade.

    Porto Alegre, 1º de abril: quem saiu para saber o que estava acontecendo, viu a repressão
    Porto Alegre, 1º de abril: quem saiu para saber o que estava acontecendo, viu a repressão

    O Correio do Povo trazia na capa um terremoto no Alasca, com manchetes para Camboja, Hungria, Espanha e Rússia. Um destaque local era a crise de atendimento na agência dos Correios, em Santa Rosa.
    Outra notícia importante foi o casamento de dona Vanisa Melo com o senhor Theodoro Medeiros, lá em Santa Maria. O único texto sobre o Brasil era do presidente americano Lyndon Johnson acusando Jango de ter muitos comunistas no governo.
    Os jornais da época desinformavam tanto assim porque ou estavam alinhados com os conspiradores, ou totalmente contra, como no caso do tablóide Última Hora – sendo o único da esquerda, cometia o mesmo pecado dos demais de defender apenas um lado.

    Jornais saúdam o golpe

    As narrativas daqueles dias variam: muita gente viu muita gente nas ruas, mas a maioria viu só algumas escaramuças no centro. A tal massa, que já começava a se sentir órfã, ainda tentou agitar, com protestos no eixo Borges de Medeiros, rua da Praia, Largo da Prefeitura e Praça da Alfândega nos dias primeiro e dois de abril. Houve repressão e correrias. Alguém deu tiros numa das janelas da CEEE, não houve vítimas.

    O Correio do Povo descreveu os protestos do dia primeiro como “atos de desatino de moradores de vilas e estudantes, sentindo-se abandonados à própria sorte”. O jornal saudou o golpe contra “o pólo infeccioso que tem em seu agente o ex-governador Leonel Brizola”.

    Anos depois, Breno Caldas, dono do Correio do Povo, admitiria a parcialidade: “A posição do Correio foi favorável diante dos acontecimentos de 64. Cooperamos para sua eclosão. Aqui havia um foco dinâmico da esquerda manobrado pelo governador Brizola. Nós estávamos contra a situação que ele representava. Desta maneira, a revolução de 64 foi para nós bemvinda, desejada e saudada”.
    O resultado óbvio da parcialidade generalizada é que o povão pouco sabia das coisas. Naquele 31, os jornais traziam apenas algumas dicas da tempestade que desabaria sobre a vida política.
    Na primeira página do Diário de Notícias a manchete era quase uma mensagem em código do golpe: “Em Minas Gerais, Exército e FAB em rigorosa prontidão”, sem nenhum explicação do contexto.
    O mais lido cronista social da época, Ibrahim Sued, deu em sua coluna do Diário apenas uma notinha de política: “O novo ministro da Marinha é um gagá que será joguete nas mãos de Leonel Brizola e sua troupe de comunistas”. Ele fechou a coluna com uma frase romântica, “quem nunca amou, nunca viveu”.
    O mesmo Diário trazia uma mensagem de Páscoa do arcebispo Dom Vicente Scherer. Ela sim vinha carregada de política: “Cabe-nos, diletos fiéis, render graças a Deus haver preservado em nosso país a paz pública e a capacidade de resistir às adversidades econômicas e sociais”.
    Lendo hoje as declarações dos luminares da política gaúcha da época, seria possível perceber que alguma coisa grave iria mesmo acontecer. Por exemplo, o ex-prefeito José Loureiro da Silva, deu uma entrevista na sede da Ação Democrática Feminina (ADF), reproduzida naquele dia pelo Correio, criticando “a ocupação de cargos da administração pública por comunistas”.
    Ainda no fatídico dia 31, os jornais anunciaram uma possível reunião secreta que deveria acontecer no dia 2, no Palácio Piratini, entre os governadores Meneghetti, Carlos Lacerda (RJ) e Adhemar de Barros (SP), três conspiradores da primeira hora.
    O Diário trazia uma nota interessante. Nela até se poderia identificar um dos golpistas – coisa que naquela hora poucos sabiam. Ao pé de uma lista de associados da Caixa de Assistência Social dos Oficiais, constava que “o general Humberto de Alencar Castello Branco vai deixar a chefia do Estado-Maior do Exército” – ele, Castello, deixou sim, mas para assumir, quase duas semanas depois, a cadeira de Jango.
    Como 31 era terça e segunda os jornais não circulavam, eles traziam notícias do domingo anterior, de Páscoa. Alguns foram cordiais com o prefeito Sereno Chaise, que passara aquele dia visitando obras, e à primeira-dama Terezinha, por entregar 25 mil barras de chocolate Neugebauer para crianças carentes nos bairros da periferia.
    Legislativo em parafuso
    A Assembleia Legislativa entrou em parafuso no dia primeiro. Os deputados trabalhistas queriam instalar uma sessão permanente no teatro São Pedro, porque temiam que com o golpe a casa fosse fechada “pelos esbirros do governador Meneghetti”, como diziam.
    No plenário, o deputado Paulo Brossard de Souza Pinto, mais tarde um formidável opositor da ditadura, fez um discurso a favor do golpe: “Felizmente para nós, as Forças Armadas encontraram em seu íntimo a defesa das instituições democráticas e a ordem constitucional que as exprime”.

    Dia 3 de abril: já não havia mais protestos, mas tanques continuavam estacionados nas ruas
    Dia 3 de abril: já não havia mais protestos, mas tanques continuavam estacionados nas ruas

    A resposta veio de Pedro Simon, num duro protesto contra a deposição do presidente. Na Câmara de Vereadores, o presidente Célio Marques Fernandes, mais tarde prefeito nomeado pela ditadura, convocou uma sessão extraordinária – apressava-se para assumir o cargo vago com prisão de Sereno Chaise, horas depois.
    Apesar do feriado bancário e escolar, que esvaziou a cidade, uma massa descrita como “janguista-esquerdista-brizolista-comunista” saiu às ruas, mas não chegou a reunir mais de três mil pessoas. Policiais do Dops e soldados da Brigada e do Exército dissolviam com violência as aglomerações. A Folha da Tarde saiu pouco depois do meio-dia, já trombeteando a vitória e elogiando o rigor das tropas na manutenção da ordem.
    “A noite em que chegaram os tanques”
    A casa que foi cenário do último ato de Jango no governo ainda está lá, intocada, 50 anos depois. Ainda serve à mesma função, ser a residência do general que estiver no comandante do III Exército.
    Foi ali, na esquina da Cristóvão Colombo com a Carlos von Koseritz, que o general Ladário Telles hospedou Jango nas suas últimas nove horas como presidente do Brasil, em 2 de abril.
    A casa já foi mais elegante, na época em que o bairro era mais nobre – hoje ela está numa esquina barulhenta, vizinha de um hotel e de um restaurante japonês. Os vizinhos amam sua presença porque um destacamento 24 horas guarda o pedaço.

    Brizola: “Tomem os quartéis a unha”

    O ponto alto da resistência foi o comício da noite do dia primeiro no Largo da Prefeitura. Brizola falou por volta das oito, para duas mil pessoas.
    Brizola vinha botando fogo na massa todo dia pelo rádio e repetiu no comício seu mantra: “Quero iniciar a derrubada destes chefes militares golpistas e traidores. Atenção, sargentos do III Exército. Atenção, sargentos das unidades chefiadas por esses militares golpistas. Atenção, oficiais nacionalistas… O povo pede que os sargentos se levantem, tomem os quartéis e prendam os gorilas… tomem a iniciativa, a unha mesmo, com o que tiverem na mão, tomem as armas desses gorilas, tomem conta dos quartéis e prendam os traidores…”

    Dali ele foi para o QG do III Exército usar o rádio para falar com Jango. O presidente estava voando para Porto Alegre e os dois teriam concordado que nenhuma reação seria organizada enquanto ele não chegasse. Mas Jango só chegaria na madrugada do dia 2 de abril, quando já era tarde para a resistência.

    A tropa se esmera para cuidar do pequeno jardim da frente, com uma burocrática roseira no centro, uma cerca viva de metro e meio de altura e uma discreta guarita.
    Naquele dia 2 de abril, a calma das noites da Cristóvão foi quebrada às 4 horas. O professor Francisco Outeiro, vizinho, lembrou anos mais tarde: “Acordei com aquele barulho enorme, estranho e assustador. Meu pai disse ‘são as lagartas dos tanques nos paralelepípedos’. Abrimos a janela e eram mesmo tanques”.
    A barulheira também incomodou seu Albino Neitcke, dono da padaria Vitória, na esquina oposta da Koseritz. Mais tarde, às 7 da manhã, quando abriu a loja, soldados apareceram ordenando que ele afastasse mulheres e crianças.
    “Eles ocuparam todas as esquinas com seus tanques”, lembrou seu Albino. “Um deles ficou estacionado no meu jardim”. Outra lembrança: “Minha mulher não deu bola para a ordem e ficou trabalhando, aquele foi um dia de muito movimento”.
    A marquise da padaria ficou tomada por fotógrafos. “Deputados e outros políticos entravam toda hora na loja para tomar café, comer sanduíches, foi mesmo uma loucura”.
    Seu Albino contou que os mordomos da casa do general vieram buscar quantidades extras de pão, manteiga, queijo e salame. “De repente, vi o Brizola sair da casa pela porta da frente, entrar num Fusca clarinho que estava estacionado no portão e descer a rua, ele mesmo dirigindo”.
    Os jornalistas e os tanques sumiram para sempre. A padaria Vitória cresceu, continua firme na esquina. Mordomos do general ainda fazem compras ali. No jardim, um pé de cinamomo cresceu onde antes o tanque ficara estacionado.
    Legalidade não se repetiu
    No início da noite de 31 de março, o governador Ildo Meneghetti tentava saber a exata extensão da rebelião militar, quando foram cortadas as linhas telefônicas do Palácio Piratini. O governador convocou seus auxiliares para uma reunião. Havia chegado uma notícia alarmante: os sargentos haviam tomado um quartel em Bagé, obrigando o comandante a se refugiar em outra unidade.
    O governador ficou também sabendo que ia chegar naquela noite um novo comandante para o III Exército, o mais poderoso dos quatro exércitos brasileiros, com jurisdição sobre Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

    Avenida São João, São Paulo, dia 3: a vida volta ao normal
    Avenida São João, São Paulo, dia 3: a vida volta ao normal

    A lembrança da Legalidade, menos de três anos antes, fazia do Rio Grande do Sul um ponto estratégico, onde certamente os defensores de Jango tentariam resistir. Mas agora a situação era outra. A começar pela vitória da oposição a Jango e Brizola, que conseguira ganhar a eleição de 1962 e colocar o conservador Meneghetti, da UDN, no governo do Estado. Brizola estava em Porto Alegre no dia 31 de março. Só que agora ele era um deputado federal, não podia dar ordens à Brigada Militar nem requisitar emissoras de rádio para mobilizar a população em defesa do governo.
    Além disso, ao contrário dos seus adversários, que há muito se preparavam para impedir que se organizasse uma resistência ao golpe no Rio Grande do Sul, os aliados de Brizola estavam completamente despreparados.
    Mala de dinheiro para pagar a polícia
    No dia 2, depois do meio dia, Jango decidiu partir para o exílio. Não havia mais como resistir.
    Foi aí que começaram as trevas. Os golpistas soltaram as rédeas do Dops para prender seus adversários.
    Houve um pequeno atraso no cronograma das prisões porque a turma estava com os salários atrasados. Os zelosos policiais se recusavam a prender antes de receber.
    “De repente, uma mala de dinheiro apareceu no Palácio da Polícia e todos foram pagos”, lembrou anos mais tarde o então delegado Cláudio Barbedo. Com tal estímulo, um dos primeiros presos foi o prefeito Sereno Chaise – entrou no xadrez vestindo um impecável sobretudo cor de camelo.

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  • Associações vão pedir o impeachment do governador Sartori

    Duas entidades representativas dos servidores de nível médio da Brigada Militar vão pedir o impeachment do governador José ivo Sartori.
    O pedido deve ser encaminhado na próxima semana à presidente da Assembleia Legislativa Silvana Covatti (PP), segundo o secretário-geral da Abamf (Associação Beneficente Antônio Mendes Filho), Ricardo Agra.
    O pedido será assinado pela Abamf,  e pela Associação dos Sargentos, Subtenentes e Tenentes da Brigada Militar (ASSTBM). A decisão foi tomada após reunião na manhã desta sexta-feira, na sede da Abamf.
    “O governador descumpriu o artigo 35 da Constituição Estadual, que determina o pagamento do salário do servidor até o primeiro dia útil e que o décimo terceiro salário tem que ser pago até o dia 20 de dezembro.” No final de 2015, o Banrisul abriu a possibilidade de os servidores que não tivessem pendência sacarem o décimo terceiro através de empréstimo. “Mas que não fez empréstimo não recebeu e só vai receber no meio do ano“, afirmou Agra.
    O secretário-geral da Abamf afirmou que as entidades tambem farão “uma juntada de documentos e matérias jornalísticas, que mostram que temos o maior déficit historico no efetivo da Brigada e denunciar os cortes no orçamento da Segurança Pública, que afeta a qualidade do serviço prestado à sociedade.”
    Entidades vão se reunir com diretor do TJ
    Na próxima quarta-feira, 6, as entidades se reunirão com o diretor- geral do Tribunal de Justiça, Ivandre Medeiros. A ideia é comunicar formalmente que o governo do estado está descumprindo determinação deste tribunal. Em março de 2015, o TJ determinou o pagamento em dia do salário dos servidores públicos estaduais.

  • Prefeitura lança edital para vender dez terrenos em Porto Alegre

    Um grupo de trabalho está selecionando terrenos públicos pertencentes à prefeitura de Porto Alegre que serão postos à venda para reforçar o caixa do município.
    O primeiro edital deve sair na próxima semana, mas o secretário da Fazenda, Jorge Luis Tonetto, adiantou ao JÁ que, neste primeiro lote, serão vendidos dez terrenos.
    As vendas serão feitas por meio de licitação e a prefeitura espera arrecadar em torno de R$ 4 milhões.
    O maior imóvel é um terreno de 1.800 m² no bairro Ponta Grossa.
    Mas o lote inclui três terrenos no centro e áreas em outros bairros como Menino Deus, Camaquã e Vila Petrópolis.
    O grupo de trabalho foi criado na metade do mês de março, quando o prefeito José Fortunati lançou um decreto de contenção de despesas em todos os setores e autarquias da prefeitura.
    Além da venda de imóveis, o decreto suspende a realização de concurso público, as nomeações e a contratação de serviços terceirizados.
    O GT é formado pelas secretarias municipais de Planejamento e Orçamento (SMPEO), de Gestão (SMGES) e da Fazenda (SMF), pela Procuradoria-Geral do Município (PGM) e pelo Gabinete do Prefeito.
    Um segundo lote já está sendo preparado. A princípio, serão mais oito terrenos, que podem render cerca de R$ 7 milhões aos cofres da prefeitura.
    Entretanto, esta fase depende ainda da aprovação Câmara de Vereadores. Tonetto afirmou que espera que no segundo lote as vendas possam ser feitas por meio de leilão. “É muito mais rápido”, defendeu o secretário.

  • Multidão toma o centro de Porto Alegre em ato contra o impeachment

    Uma multidão tomou o centro de Porto Alegre na noite desta quinta-feira, numa das maiores manifestações populares que a cidade já viu.
    A concentração começou na esquina democrática às 17h, convocada pelas centrais sindicais, movimentos sociais e entidades estudantis..
    A organização falou em 80 mil pessoas, já a Brigada Militar contou 18 mil.
    Com certeza tinha mais gente na rua do que no dia 18 de março. Mais impressionante que o número era a diversidade e a animação dos manifestantes.
    Em torno das 20h,  começou a caminhada até o largo Zumbi dos Palmares. A marcha rapidamente tomou conta da avenida Borges de Medeiros.
    As falas ao microfone defendiam a democracia e condenavam o processo de impeachment como golpe.
    “Atenção povão, impeachment sem crime é golpe na nação”, cantavam.
    Entre uma fala e outra, o coro cantava em uníssono a frase que já é quase um mantra nas manifestações contra o impeachment: “Não vai ter golpe, vai ter luta.”
    Diversos cartazes criticavam o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. “Cunha, pode esperar que a tua hora vai chegar”.
    As manifestações lembravam também o golpe militar, deflagrado há exatos 52 anos, e que deu origem ao “período mais sombrio da história do país”, como definiu um militante.
    A grande imprensa, principalmente a rede Globo foi um dos principais alvos de criticas. A verdade é dura, a rede Globo apoiou a ditadura“. “Rede Globo/ vai se fudê/ democracia é maior do que você”
    Leonel Brizola foi um dos nomes lembrados pelos manifestantes. “O homem que desencadeou o maior ato em defesa da legalidade da história do Brasil”, definiu o representante da Famursa. Ele afirmou que “o Brasil seria uma país muito melhor se tivessemos feito as reformas de base,” defendidas por Jango e Brizola.
    O governador José Ivo Sartori também não foi esquecido pelos manifestantes, que em um dado momento organizaram uma grande vaia.
    O presidente do PT, Ary Vanazzi, exaltou o poder da mobilização de rua. “Podemos não ter maioria na Cãmara,a nem no Congresso, mas somos a maiora na rua, na luta.”
    Vanazzi afirmou que o PMDB “já foi tarde” e chamou Temer de “rato que abandonou ao barco”.
    O programa “ponte para o futuro”, do PMDB, foi contestado. Para Vanazzi, o programa acaba com as políticas sociais, como o Prouni e o Minha casa minha vida, e visa privatizar empresas nacionais, como a Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa.
    “Essa direita neoliberal vendeu a Vale e quer vender o pré-sal”, cantava um grupo durante a caminhada.
    Os atos contra o impeachment de Dilma e em defesa da democraia reuniram mais de um milhão de pessoas em todas as capitais e outras 60 cidades no país.

  • Comunicadores convocam ato em defesa da democracia

    Os profissionais de comunicação estão se mobilizando em defesa da democracia. Nesta sexta-feira, dia 1º, o movimento “comunicação pela democracia” realiza um ato no bar Parafernália, na rua João Alfredo, 425, bairro Cidade Baixa. A atividade está marcada para as 19h30.
    O grupo lançou um manifesto “em defesa da democracia, contra a desinformação e o ódio”, que já conta com mais de 180 assinaturas de jornalistas, publicitários, relações públicas e outros profissionais de imprensa, além de professores e estudantes.
    O texto afirma que há “uma grande batalha de comunicação acontecendo” e critica o posicionamento dos veículos da grande imprensa, por “espalhar o ódio entre a população”.
    “O Brasil vive uma crise política profunda que ameaça a nossa democracia ainda jovem” afirma a nota, que defende que “setores conservadores, aliados a uma parcela partidarizada do judiciário e a grandes meios de comunicação” tentam impor um “golpe em pleno século 21”, através de um processo de impeachment “sem base legal, sem provas e sem crime de responsabilidade cometido pela presidenta Dilma”.
    O grupo acredita que “a liberdade de comunicação passa necessariamente pelo fortalecimento da democracia.” E Conclui “Na última vez que a democracia foi tolhida no Brasil, demorou mais de 20 anos para que comunicadores pudessem exercer livremente suas profissões.”
    Leia a íntegra do manifesto aqui.

  • Balanço da Gerdau não prevê perda na Zelotes

    geraldo hasse
    Aos 115 anos, passa por “um momento desafiador” o grupo Gerdau, o maior complexo siderometalúrgico brasileiro, com vendas de 17 milhões de toneladas de aço no ano passado.
    Hoje com maior faturamento no exterior, o grupo gaúcho publicou há uma semana o balanço referente ao exercício de 2015, depois de adiar por quase um mês sua divulgação.
    Os dados principais são: receitas líquidas de R$ 43,6 bilhões, prejuízo de R$ 5 bi, endividamento líquido de R$ 20,9 bi e patrimônio líquido de R$ 30,4 bilhões – todos maiores do que no exercício anterior.
    Considerando a conjuntura econômica, são resultados “compatíveis” com a gravidade da crise que assola a economia brasileira.
    Aliás, o balanço fala explicitamente no “momento desafiador do mercado do aço”, afetado por “uma grande vulnerabilidade”.
    Mas o que chama a atenção é que, fora a provisão de R$ 2 bilhões para passivos tributários, cíveis, trabalhistas e ambientais, o grupo não fez nenhuma reserva para atender seu outro grande desafio: a Operação Zelotes, que investiga a compra de favores por grandes empresas junto a membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) do Ministério da Fazenda.
    Foi por causa da Operação Zelotes que o grupo atrasou a divulgação do balanço (no dia 25 de fevereiro passado a Polícia Federal esteve na sede da empresa em Porto Alegre, ouviu dirigentes e recolheu documentos).
    Numa das notas explicativas que calçam o balanço, o Gerdau explica que não provisionou recursos para atender a eventuais multas decorrentes da Operação Zelotes porque considera impossível prever valores e prazos em caso de um desfecho negativo do caso.
    Além disso, também acha possível ganhar as contendas.  Em seu espaço no final do balanço, a auditora contábil  PricewaterhouseCoopers parece discordar dessa orientação.
    Ao comentá-la, assinala: “Nossa opinião não está modificada em relação a esse tema”. O comentário é assinado pelo contador Adriano Machado.
    Para se defender nesse rumoroso “affair”, além de “colaborar com as autoridades”, o Conselho de Administração do grupo constituiu uma comissão especial que se sobrepôs às assessorias externas contratadas para operar junto ao CARF.
    De qualquer forma, o grupo reduziu em 35% os investimentos previstos para 2016, sinalizando que a saída para o risco Zelotes pode estar num aperto dos cintos que faça sobrar dinheiro no caixa.
    Como empresa de capital aberto, o Gerdau não tem como esconder o que se passa. A marcha dos acontecimentos pode ser acompanhada no site ri.gerdau.com (relações com investidores), onde o grupo publica os chamados “fatos relevantes” que dizem respeito ao seu desempenho ou que afetam sua imagem corporativa.
    Dos três últimos esclarecimentos, dois se referem explicitamente à Operação Zelotes. O outro é um reflexo indireto das tais investigações na cotação de papeis (ADR) do grupo na bolsa de valores de Nova York.
    No esclarecimento mais contundente, publicado em 29 de fevereiro passado, a empresa afirma sobre seu envolvimento na Operação Zelotes: “Ao contrário do que tem sido cogitado no noticiário, não se trata de sonegação – declaração falsa ou omissão com a intenção de eximir-se de tributos eventualmente devidos – e sim do exercício legítimo de direito pelas empresas da Gerdau, respaldado expressamente nas leis e na jurisprudência”.
    Em outro item, a empresa esclarece que não fez pagamentos indevidos a intermediários contratados para atuar no CARF: “Nenhuma importância foi paga ou repassada aos escritórios externos do caso específico e os contratos foram rescindidos quando o nome dos prestadores de serviço investigados foram veiculados na imprensa por suspeitas de ações ilícitas”.
    Finalmente, afirma que não autorizou a prática de ilegalidades: “A empresa jamais concedeu qualquer autorização para que seu nome fosse utilizado em pretensas negociações ilegais, repelindo veementemente qualquer atitude que tenha ocorrido com esse fim”.