Autor: da Redação

  • Movimentos retomam agenda de debates sobre o Cais Mauá

    Depois de semanas inteiramente dedicadas à preparação de uma audiência pública na Assembleia Legislativa – que lotou o auditório Dante Barone para debater o projeto de revitalização do Cais Mauá – os movimentos contrários ao modelo baseado na construção de edifícios, shopping center e estacionamentos na antiga área portuária de Porto Alegre retomam a agenda ordinária de reuniões e debates.
    Leia o Dossiê Cais Mauá do Jornal JÁ
    Revitalização desafia governos há três décadas
    Licitação teve um único concorrente
    Mudanças acionárias movimentam milhões
    O primeiro encontro será nesta terça-feira, 29, às 18h, no Diretório Acadêmico da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs. “É inegável que melhorias devem ser feitas nesse espaço, mas qual é a revitalização que realmente queremos?”, perguntam os organizadores do evento, que defendem levar a discussão para dentro da Universidade.
    Na quinta-feira, 31, será a vez de ampliar o debate dentro do coletivo A Cidade Que Queremos, enfocando dessa vez, a política de meio ambiente de Porto Alegre. “Queremos avançar na proposta de um projeto de lei municipal visando uma Porto Alegre mais verde e construir posições coletivas diante das ameaças à democracia e suas implicações no campo ambiental”, explica o presidente da Agapan, Leonardo Melgarejo, que integra o grupo.
    A reunião é aberta à participação de cidadãos ou entidades interessadas no tema e acontece às 14h na Sala Sarmento Leite da Assembleia Legislativa.
    Já no sábado, 2 de abril, a partir das 16h, a pauta do Cais Mauá entre no debate do Conexões Globais, dentro da mesa “Movimentos Sociais por uma Cidade Mais Democrática“, que aborda ainda as ocupações organizadas de Porto Alegre e as ações pela redução da tarifa do transporte público na Capital.
    Além de representantes dos movimentos Cais Mauá de Todos, Bloco de Luta pelo Transporte Público e das ocupações, o debate contará com a participação, via webconferência da militante do Ocupa Estelita, no Recife, Liana Cirne Lins.
    O encontro, assim como as demais atividades do Conexões Globais ocorrem na Vila Flores, no bairro Floresta.

  • Ecobarreira vai reduzir despejo de lixo no Guaiba

    O Arroio Dilúvio ganha nesta segunda-feira, 28, uma ecobarreira que vai reduzir a a entrada de lixo no Guaiba.
    O equipamento, colocado no trecho onde o arroio desagua no Guaiba vai reter os resíduos sólidos e o lixo flutuante, que pela ação da corrente e dos ventos se acumulam nas margens.
    A barreira está localizada na avenida Ipiranga, entre as avenidas Borges de Medeiros e Edvaldo Pereira Paiva.
    A construção, que iniciou em janeiro deste ano, terá um periodo de testes O engenheiro ambiental responsável pela execução da obra é Gino Gehling, professor de Resíduos Sólidos e Sistema de Água e Esgoto do IPH da UFRGS.
    Somente em 2015 o Departamento retirou 71 mil toneladas de material como lodo, areia e entulhos do leito nas ações de dragagem.
    O trabalho é feito ao longo dos quase 12 quilômetros de extensão do Dilúvio e consiste na remoção do sedimento acumulado devido à grande quantidade de despejo que os afluentes descarregam no arroio.
    Após a inauguração da barreira, com a presença do prefeito José Fortunati, inicia-se mais uma operação de limpeza do material flutuante do Arroio Dilúvio com o apoio de dois barcos, 25 garis e caminhões de apoio.
    O diretor-geral do DMLU, André Carús, destaca que o principal objetivo da limpeza é sensibilizar a população para o descarte adequado dos detritos. “Com a implantação da ecobarreira, vamos tentar reduzir a quantidade de resíduos que acabam caindo no Lago Guaíba.
    Conforme o Novo Código de Limpeza Urbana, jogar, descartar ou abandonar resíduos nas margens ou dentro de rios, córregos e arroios é considerado multa gravíssima, e o infrator fica sujeito à multa de até R$ 5.256,14.
    Nos últimos três, foram retiradas mais de 500 de materiais como pneus, garrafas pets, sofás, sacolas plásticas, chinelos, sapatos, carrinho de bebê, cadeiras de rodas, piscina plástica, fogão, geladeira, carcaça de computador, de televisor, de ventilador e de orelhão, embalagens longa vida, roupas, colchões, isopor, lonas, mamadeira, bicicletas, panelas, canos de PVC, vasos de plantas e até uma banheira de hidromassagem.
    O projeto da Ecobarreira, cuja implantação custou 250 mil, foi criado por Luiz Carlos Zancanella Júnior, vice-presidente da empresa Safeweb Segurança da Informação Ltda. “Tivemos esta iniciativa a partir de um vídeo que mostrava construção similar executada na cidade de Baltimore, nos Estados Unidos”, explica Zancanella Júnior.
    A barreira ecológica deverá operar por um máximo de cinco anos, conforme acordo previsto entre a Prefeitura de Porto Alegre e a empresa Safeweb. Ao fim do primeiro ano de funcionamento, no qual ocorrerão ajustes operacionais, a municipalidade optará por desativar a obra, ou mantê-la em operação até o fim do quinto ano, caso julgue-a adequada.
     

  • Tarso adverte: listão da Odebrecht é manobra para confundir

    O ex-governador Tarso Genro afirmou nesta sexta-feira (25) que a divulgação do listão da Odebrecht tem o objetivo de “proteger os que receberam recursos em caixa 2” e criar a ideia de que, se todos são iguais, Eduardo Cunha pode continuar tocando o impeachment da presidente Dilma Rousseff.
    Abaixo as postagens de Tarso no Twitter:
    Não se enganem com listas que misturam contribuições legais, informadas pelas campanhas, à época, com propinas, que não são declaradas.
    Essa mistura só visa proteger os que receberam recursos em caixa 2 e não os apontaram aos TREs, não sendo, portanto, fiscalizados.
    Essa mistura, na divulgação destes dados, faz parte da estratégia golpista de incriminar esfera da política e legitimar pessoas como Cunha.
    Se todos são misturados, Cunha é apenas “mais um” e pode tocar o “impeachment” tranquilo, mesmo sendo processado criminalmente pelo STF.
    E fecha-se o absurdo da ilegitimidade: um “impeachment” tocado por um réu perante o STF, contra uma Presidenta que sequer é investigada.

  • Moisés Mendes confirma saída de Zero Hora

    Circula desde cedo na internet uma mensagem do jornalista Moisés Mendes, confirmando sua saída da Zero Hora, que já era comentada no meio, e explicando as razões pelas quais deixou o jornal depois de 27 anos.
    Repórter, redator, editor, Moisés nos últimos anos era colunista do jornal, com um artigo muito lido aos domingos. Era uma das poucas vozes dissidentes do discurso unificado que vigora na ZH.
    Segundo a mensagem, o jornalista tomou a decisão de se afastar do jornal após saber que deixaria de escrever diariamente, conservando o espaço de opinião três vezes por semana, mas sem mais colunas aos domingos – a justificativa oficial era a união das edições de sábado e domingo em uma única “superedição” de final de semana.
    “Tentei defender minha permanência na edição nobre do jornal, certo de que o espaço não era meu, mas do leitor de ZH. Não obtive êxito, procurei entender o contexto da decisão tomada pela direção e optei por sair. Aprendemos, nas mais variadas situações, que é preciso saber a hora de ir embora”, escreve ele em uma carta aos leitores.
    O jornal, por sua vez, publicou um aviso sobre a saída de Moisés Mendes na edição dessa sexta-feira. O comunicado “lamenta” a baixa. “Pela sua perspicácia, contundência e controvérsia, os textos de Moisés  ajudavam a ampliar o necessário debate de nosso cotidiano”, disse o vice-presidente Editorial da RBS, Marcelo Rech.
    Zero Hora ainda garante que “convidará colunistas de perfil similar ao de Moisés” para manter a “diversidade de opiniões que caracteriza o jornal”.
    E-mail de Moisés Mendes
    “Esse e-mail é para agradecer pelo convívio, no momento em que comunico meu desligamento de Zero Hora. Agradeço a leitura, o reconhecimento e a crítica, nesses 27 anos em que atuei em muitas áreas do jornal.
    Solicitei meu afastamento em 29 de fevereiro, dias após ter sido informado de que a Zero juntaria as edições de sábado e domingo em uma superedição com o melhor de ZH. Eu deixaria de escrever no espaço que ocupava no domingo e seria mantido como articulista em outros três dias da semana.
    É óbvio que tais deliberações são da natureza e das prerrogativas de qualquer comando em qualquer atividade. Mas ainda tentei defender minha permanência na edição nobre do jornal, certo de que o espaço não era meu, mas do leitor de ZH. Não obtive êxito, procurei entender o contexto da decisão tomada pela direção e optei por sair. Aprendemos, nas mais variadas situações, que é preciso saber a hora de ir embora.
    Faço esse breve esclarecimento porque só agora, após minhas férias, foi formalizada minha saída. Os que me acompanharam e contribuíram para o meu trabalho merecem pelo menos uma despedida.
    Obrigado pelos questionamentos, pelos alertas e até pela total discordância com o que escrevo. Sempre acolhi com respeito as observações de quem me lê e continuarei defendendo com radicalidade, como obrigação de jornalista, a ampla liberdade de expressão.
    Pluralidade, diversidade e livre circulação de ideias, no jornalismo e em todas as áreas que contribuem para a propagação de informações e de opiniões, não podem ser meros recursos mercadológicos. Somente serão efetivas se estiverem a serviço do debate, dos avanços civilizatórios e da democracia.
    Abraço,
    Moisés Mendes
    nota de Zero Hora
    Depois de 27 anos de atuação em Zero Hora, o jornalista Moisés Mendes decidiu se afastar de suas funções no jornal. Segundo Moisés, a decisão foi tomada em caráter pessoal.
    “Lamentamos a saída do Moisés, que percorreu uma trajetória luminosa como repórter, editor, editorialista e colunista. Pela sua perspicácia, contundência e controvérsia, os textos de Moisés ajudavam a ampliar o necessário debate de nosso cotidiano”, disse o vice-presidente Editorial do Grupo RBS, Marcelo Rech.
    ZH convidará articulistas de perfil similar ao de Moisés para colaborar com colunas e comentários que mantenham a diversidade de opiniões que caracteriza o jornal.

  • Aedes: 193 municípios gaúchos estão infestados

    A Secretaria Estadual da Saúde informou que 193 municípios gaúchos estão infestados pelo mosquito Aedes aegypti. Os números foram apresentados na semana passada e mostrados novamente no último informativo epidemiológico da Secretaria revelado na manhã desta quinta-feira. A única Coordenadoria Regional que não apresentou nem um município infestado é a 16.
    O vírus da Dengue já foi contraído em 19 municípios do Rio Grande do Sul. São os 256 casos autóctones dos 386 já confirmados no Estado. O restante (128) foram importados (contraídos fora do RS). Há cidades onde os dois modos foram identificados.
    Em 2016 foram oito casos a mais que no mesmo período do ano passado, apesar disso o número de notificações (suspeitas de dengue) é três vezes maior. Este ano já foram 3297 contra 957 no mesmo período do ano passado.
    Os municípios que apresentam autoctonia são Canoas, Porto Alegre, Viamão, Guaíba, Alvorada e Barra do Ribeiro , Santa Maria , Ibirubá e Selbach , Santo Ângelo , São Paulo das Missões, Santa Rosa e Tuparendi, Chapada , Panambi, Condor e Ijuí e Frederico Westphalen.
    Em 2016, já foram notificados 150 casos de suspeitos de Febre Chikungunya e quatro casos confirmados, todos importados.
    Em relação ao Zika Vírus foram notificados 230 casos suspeitos de Febre dos quais 11 casos foram confirmados e três casos são autóctones.
    Confira abaixo as cidades infestadas pelo Aedes (Divididas entre as 19 Coordenadorias regionais de Sáude):
    1ª – Campo Bom, Canoas, Estância Velha, Esteio, Novo Hamburgo, Parobé, São Leopoldo e Sapucaia do Sul
    2ª -Alvorada, Butiá, Cachoeirinha, Dom Feliciano, Eldorado do Sul, Glorinha, Guaíba, Gravataí, Porto Alegre e Viamão
    3ª – Pelotas, São José do Norte e Rio Grande
    4ª – Capão do Cipó, Itacurubi, Jaguari, Júlio de Castilhos, Nova Esperança do Sul, Santa Maria, Santiago, São Francisco de Assis, São Sepé e Unistalda
    5ª – Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Farroupilha, Garibaldi e Veranópolis
    6ª – Almirante Tamandaré do Sul, Alto Alegre, Campos Borges, Carazinho, Casca,, Coqueiros do Sul, Espumoso, Ibiaçá, Lagoa dos Três Cantos, Marau, Não Me Toque, Passo Fundo, Pontão, Sananduva, Santo Antônio do Planalto, São José do Ouro, Soledade, Tapejara, Tapera, Tio Hugo e Victor Graeff
    7ª – Bagé
    8ª – Encruzilhada do Sul
    9ª – Boa Vista do Incra, Cruz Alta, Ibirubá, Fortaleza dos Valos, Salto do Jacuí, Santa Bárbara do Sul, Selbach, Tupanciretã
    10ª  – Alegrete, Itaqui, Quaraí, Santana do Livramento, São Gabriel e Uruguaiana 11ª – Barão do Cotegipe, Erechim, Erval Grande, Estação, Campinas do Sul, Getúlio Vargas, Jacutinga, Nonoai e Rio dos Índios.
    12ª – Bossoroca, Caibaté, Cerro Largo, Dezesseis de Novembro, Entre-Ijuís, Eugênio de Castro, Garruchos, Guarani das Missões, Mato Queimado, Pirapó, Porto Xavier, Rolador, Roque Gonzales, Salvador das Missões, Santo Ângelo, Santo Antônio das Missões, São Borja, São Luiz Gonzaga, São Miguel das Missões, São Nicolau, São Pedro do Butiá, Sete de Setembro, Ubiretama e Vitória das Missões.
    13ª  – Santa Cruz do Sul
    14ª – Alecrim, Alegria, Boa Vista do Buricá, Campina das Missões, Cândido Godói, Doutor Maurício Cardoso, Giruá, Horizontina, Independência, Nova Candelária, Novo Machado, Porto Lucena, Porto Mauá, Porto Vera Cruz, Santa Rosa, Santo Cristo, São José do Inhacorá, São Paulo das Missões, Senador Salgado Filho, Três de Maio, Tucunduva e Tuparendi.
    15ª – Barra Funda, Braga, Boa Vista das Missões, Chapada, Constantina, Coronel Bicaco, Dois Irmãos das Missões, Lajeado do Bugre, Miraguaí, Nova Boa Vista, Novo Barreiro, Novo Xingu, Palmeira das Missões, Redentora, Ronda Alta, Rondinha, Sagrada Família, Sarandi, Três Palmeiras e Trindade do Sul.
    17ª – Ajuricaba, Augusto Pestana, Bozano, Campo Novo, Catuípe, Chiapeta, Condor, Coronel Barros, Crissiumal, Humaitá, Ijuí, Inhacorá, Jóia, Panambi, Pejuçara, Nova Ramada, Santo Augusto, São Martinho, São Valério do Sul e Sede Nova.
    18ª – Osório, Torres e Tramandaí.
    19ª  – Alpestre, Ametista do Sul, Barra do Guarita, Bom Progresso, Caiçara, Derrubadas, Cristal do Sul, Erval Seco, Esperança do Sul, Frederico Westphalen, Iraí, Palmitinho, Pinheirinho do Vale, Novo Tiradentes, Rodeio Bonito, Seberi, Taquaruçu do Sul, Tenente Portela, Tiradentes do Sul, Três Passos e Vista Alegre.

  • Há 30 anos, a última entrevista de Josué Guimarães

    Um entardecer de verão em 1986. A entrevista com Josué Guimarães transcorre tão descontraída que vira um bate-papo e acaba sem que se abordem todos os assuntos. Marca-se então uma outra conversa para completar eventuais lacunas.
    Não foi possível. Dia 23 de março, o escritor gaúcho morre de câncer, aos 65 anos.
    O JÁ publicou em seu número 4 a última entrevista do escritor, incompleta. Os entrevistadores eram Carlos Stein, Enéas de Souza, Joaquim felizardo, Sérgius Gonzaga e Voltaire Schilling, velhos amigos de Josué.
    Reproduzimos abaixo os principais trechos desse encontro.
    Quem é Josué Guimarães?
    Um confuso geral. Faço tudo com dúvidas, tenho dúvidas permanentes. Não muito nas coisas que estão por aí. Acho que sempre trabalhei em instituições democráticas, principalmente jornal e revista. Sempre lutei por aquilo que achava justo, isso prejudicou, me atrasou a vida tremendamente.
    Militou em algum partido político?
    Certa época me aproximei do Partido Comunista, mas não consigo ser do PC. Agora não sei, mas antigamente era muito limitado, muito comandado. Então nunca quis ser do PC. Acho o pessoal sensacional, admiro, mas não consigo participar. Olho para o PDT do Brizola e acho um desastre. A ala do PDS é outro desastre. O PMDB também é um saco de gatos. Tem pessoal de esquerda e até de extrema direita. Quer dizer, o quadro político hoje no Brasil está muito confuso.
    E a Nova Republica?
    Não acredito em República Nova nem em Nova República. Os homens são os mesmos. É só dar uma olhada: o presidente da República, José Sarney, era o presidente do PDS. Depois vem o Marco Maciel, o Aureliano Chaves, o Toniquinho Malvadeza (apelido de Antonio Carlos Magalhães, o ACM).
    Então, a gente vai ver… na verdade eles fizeram uma confusão com a frente democrática, frente liberal, de propósito. Quando viram que o carro ia quebrar pularam pra outro galho… Por isso quando falam em Nova República; sou muito cético.

    Retrato do autor ilustrou a conversa nas páginas internas do JÁ | Reprodução
    Retrato do autor ilustrou a conversa nas páginas internas do JÁ | Reprodução

    Curso Superior?
    Nunca consegui terminar um curso superior. Fiz dois anos vestibular para medicina e não consegui. Fiz para jornalismo e passei. Cursei um ano. Naquela época já tinha quatro filhos, tinha que viajar, me virar, ganhar dinheiro. Então viajava de Rio para São Paulo, Pernambuco. Depois ia para a Argentina, Uruguai. Por isso não tive tempo de sentar, tirar um curso. Trabalho em jornal desde os 18 anos, de maneira que, no momento de englobar tudo, chego à conclusão de não ter feito quase nada. Nem sobre isso eu tenho certeza.
    Jornalista, escritor, homem de negócios?
    Sempre fui essencialmente jornalista. Não o que se compreende hoje como jornalista, que é muito diferente. Hoje o jornalista é obrigado a fazer uma matéria sobre tal coisa. Faz e vai embora. Nós antigamente fazíamos tudo em jornal. Exerci todas as funções dentro de um jornal. Fui diagramador, colunista, cronista, editorialista, repórter, redator, redator-chefe, diretor. Fui tudo. A gente entrava às nove da manhã e saía as duas ou três da madrugada. Realmente era um negócio fantástico esse trabalho.
    E o escritor? O sujeito só escritor, quando escreve?
    Não sou escritor desde 1980, quando lancei “Camilo Mortágua”. De lá para cá não fiz mais nada. Com os infantis, tenho 26 livros publicados. Mas isto é coisa do passado. Hoje não tenho um conto na gaveta. Não escrevo há mais de um ano.
    Por que?
    Primeiro pela saúde. Sofria de angina, terminei sendo operado. Depois que saí desta operação tive problemas nos olhos e não posso escrever nem ler. É um negócio muito frustrante…
    Origem, família?
    Meu pai era telegrafista, minha mãe, auxiliar de telegrafista. Naquele tempo os telegrafistas iam passando de município para município. Nasci em São Jerônimo e com seis meses saí. Passei rapidamente por Porto Alegre e fui para Rosário do Sul. Lá fiquei até 1930. Na revolução de 1930 meu pai fugiu para Rivera, na fronteira com Livramento. Aconteceram, então, episódios muito chatos em casa, com agressões à minha mãe. Quando meu pai voltou houve uma certa anistia e ele foi transferido para Porto Alegre, como empregado de baixa categoria.
    Infância?
    Dizia minha mãe que eu só fui falar aos três anos. Até achavam que eu seria mudo… Tive uma infância muito pobre. A minha mãe tinha que dividir o leite entre oito filhos. A gente morava em Rosário e a vacas passavam pela porta, mas leite não havia. Tenho uma irmã que não gosta que eu diga isso. Ela diz que não faltava nada, mas faltava quase tudo. Tínhamos estritamente o necessário para viver.
    Religião?
    Eu me criei dentro do espírito religioso muito intenso. Meu pai era pastor leigo e tinha um pouco mais de vício que um pastor normal. O que ele não sabia tinha que inventar, dar as cores locais. Nós fazíamos as orações antes de qualquer refeição, ao deitar e, às vezes, quando era noite de tempestade ele fazia uma oração coletiva na varanda. Fui criado dentro desse espírito. Me revoltou um pouco. Senti, em um determinado momento, que queria me desligar de tudo aquilo. Hoje reconheço nos protestantes uma certa democracia, certa compreensão.
    Leitura, autores?
    No primeiro ano ginasial no Cruzeiro do Sul, em 1934, fundei o Grêmio Literário Humberto de Campos, aí já tem um nome. Lia também José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, Machado de Assis, inclusive fazíamos peças dos textos do Machado de Assis. Li Jorge Amado, depois descobri os autores franceses. Todo e qualquer autor francês eu lia.

  • Entregue aos leitores, Dossiê Cais Mauá repercute em debates públicos

    Nascido de uma provocação do movimento comunitário porto-alegrense, que desejava ampliar e aprofundar as informações sobre a polêmica revitalização do antigo porto da capital gaúcha, o Dossiê Cais Mauá do Jornal JÁ foi entregue aos leitores e já repercute na imprensa e em debates públicos.
    As três reportagens especiais estão publicadas no site do jornal e abordam o histórico de projetos nos últimos 30 anos para a área, o processo licitatório que contou apenas com um inscrito e as mudanças acionárias no consórcio vencedor, que movimentaram milhões apesar de não ter havido qualquer obra no local.
    Leia o material completo:
    DOSSIÊ CAIS MAUÁ – Revitalização desafia governos há três décadas

    DOSSIÊ CAIS MAUÁ – Licitação teve um único concorrente
    DOSSIÊ CAIS MAUÁ – Mudanças acionárias movimentam milhões
    Poucas horas após o início da divulgação do material investigativo, colhido ao longo de quatro meses, os textos já eram mencionados em uma coletiva de imprensa do grupo Cais Mauá de Todos.
    “Apesar da altíssima valorização do solo urbano nos últimos anos, o valor do arrendamento do Cais Mauá é hoje inferior ao previsto pelo governo Britto, nos anos 90, conforme levantamento do Jornal JÁ”, referiu o vice-presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS), Rafael Passos.
    O trabalho também foi lembrado por oradores durante a audiência pública que debateu o projeto na Assembleia Legislativa, diante de um auditório lotado. “Gostaria de enaltecer o empenho do Jornal JÁ e da jornalista Naira Hofmeister no esclarecimento de diversos pontos desse projeto”, elogiou o advogado, ex-vereador e ex-secretário do Meio Ambiente de Porto Alegre, Caio Lustosa.
    O deputado estadual Tarcísio Zimmermann leu trechos inteiros de uma das entrevistas feitas para o trabalho, com o secretário de Urbanismo de Porto Alegre, Valter Nagelstein. “Saúdo o Jornal JÁ pela persistência na cobertura do tema”, complementou o parlamentar na abertura do evento no auditório Dante Barone.
    As reportagens lideram o ranking de “mais lidas” do site desde a semana passada.
    Imprensa acompanha publicações

    Jornal de circulação gratuita em Porto Alegre, Metro fez até box sobre o trabalho do JÁ | Reprodução
    Jornal de circulação gratuita em Porto Alegre, Metro fez até box sobre o trabalho do JÁ | Reprodução

    Alguns veículos de comunicação do Rio Grande do Sul também registraram o trabalho investigativo do Jornal JÁ. O maior destaque foi dado pelo Metro, que publicou em um box, dados levantados pela reportagem, mencionando o JÁ e a jornalista Naira Hofmeister.
    O trabalho teve ainda a colaboração do editor de arte, Andres Vince, e da fotógrafa Tânia Meinerz. A supervisão foi do diretor do JÁ, Elmar Bones.
    O portal Sul21 também linkou em matérias próprias informações provenientes do Dossiê Cais Mauá.
    As revelações feitas ao JÁ pelo secretário de Urbanismo, Valter Nagelstein, levaram Zero Hora a entrevistá-lo sobre o tema no dia seguinte.
    Além disso, todos os jornais gaúchos registraram as conclusões de um Grupo de Trabalho do Governo do Estado, que haviam sido antecipadas com exclusividade pela reportagem do Dossiê Cais Mauá.

  • Fortunati: “Só deus sabe” se revitalização do Cais Mauá sai do papel

    Matheus Chaparini
    Diante dos muitos questionamentos que envolvem o projeto de revitalização do Cais Mauá, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, não garante que as obras saiam do papel.
    “Só deus sabe”, admitiu, desesperançoso, ao ser perguntado sobre o futuro da polêmica iniciativa na Federasul.
    A licitação da área do cais é questionada na Justiça, em âmbito federal e estadual, e no Ministério Público e motivou a realização de uma audiência pública na Assembleia Legislativa na semana passada.
    Na ocasião, a prefeitura confirmou presença, mas não apareceu. A audiência resultou na criação de uma frente parlamentar para discutir um projeto sustentável para a área.
    A declaração foi dada em coletiva de imprensa antes da palestra-almoço “Tá na Mesa”, nesta quarta-feira (23).
    O tema eram os 244 anos da leal e valorosa cidade de Porto Alegre e diante deste cenário, a reportagem do JÁ foi até a Federasul para saber a opinião do prefeito sobre a obra que promete transformar o nascedouro e principal cartão postal da capital.
    A pergunta do JÁ foi a última pergunta da coletiva. Na sequência, como é praxe, ocorreu o almoço com a palestra do convidado.
    Entrada, salada mista verde com pedaços de bacon, risoto funghi, medalhões de filé mignon e sobremesa. Tudo servido por garçons de fino trato. Enquanto os convidados almoçavam, a trilha sonora era executada ao vivo pela Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro. Depois, foi convidado o maestro Tasso Bangel para brindar os convivas com sua canção Coração Farroupilha juntamente aos músicos da orquestra.
    Ao lado do prédio da Federasul, isolado e deserto, permanecia o Cais Mauá. E a tarde seguiu. Quem sabe hoje dá por-do-sol.

  • Porto Alegre terá o primeiro Hospital Veterinário público do País

    O Prefeito José Fortunati anunciou na manhã desta quarta-feira o incio das obras do primeiro Hospital veterinário público do País.
    Os contratos foram assinados em área da Secretaria Especial dos Direitos Animais (Seda), localizada na Lomba do Pinheiro, onde será erguido o prédio com 1200 metros quadrados.
    A inauguração deve acontecer em 9 meses, segundo a previsão da prefeitura.
    O hospital terá cinco blocos cirúrgicos, quatro consultórios, UTI, setores de quimioterapia, fisioterapia, banco de sangue, farmácia, ambulatório, além de sala de recuperação para 150 cães e gatos e espaço de triagem para outros 120.
    Atualmente são realizados procedimentos de baixa e média complexidade no local.Serão atendidos os animais, cujo os tutores apresentarem baixa renda.
    Os custos da obra não foram divulgados, mas serão bancados pelo empresário Alexandre Grendene.
    Participaram do evento a secretária municipal adjunta dos Direitos Animais, Fabiane Tomazi Borba, os coordenadores da Unidade de Medicina Veterinária, Franco Vicentini e Joice Peruzzi, e, de Viamão, o prefeito em exercício, André Pacheco, a secretária municipal de Meio Ambiente, Liliane Cafruni, e o coordenador de Atenção aos Animais, Angelo Oliveira.

    Área onde será construído hospital veterinário, tem 1200 metros quadrados Local: Unidade de Medicina Veterinária (UMV) da Seda Foto: Maia Rubim/PMPA
    Área onde será construído hospital veterinário tem 1200 metros quadrados
    Local: Unidade de Medicina Veterinária (UMV) da Seda
    Foto: Maia Rubim/PMPA

     

  • Delação da Odebrecht vai implodir o sistema político brasileiro

    A decisão da Construtora Odebrecht de dar “colaboração definitiva” às investigações da Operação Lava Jato ameaça implodir o sistema político brasileiro. Ainda mais que outras empreiteiras devem seguir o mesmo caminho.
    Tudo indica que os executivos da empresa estão orientados a dar todas as informações e não apenas sobre o PT e autoridades do atual governo. Vão revelar a antiguidade e a extensão da conexão entre financiamento eleitoral e contratos com o setor público.
    Uma lista já apreendida pela Polícia Federal teria 200 nomes, incluindo Aécio Neves (PSDB-MG) e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
    A nota divulgada pela construtora traz uma pista quando afirma que não cabe à empresa a “responsabilidade dominante sobre os fatos apurados na Operação Lava Jato – que revela na verdade a existência de um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país”.
    A referência ao financiamento ilegal e ilegítimo do “sistema partidário-eleitoral” não remete a um partido, mas ao sistema político todo.
    Uma bomba de alta detonação teria reflexos diretos sobre o processo de impeachment.
    Em nota, a empresa de Emílio Odebrecht disse que decidiu por uma colaboração definitiva com as investigações da Operação Lava Jato e que identificou a necessidade de implantar melhorias em suas práticas com o poder público: “Ao contribuir com o aprimoramento do contexto institucional, a Odebrecht olha para si e procura evoluir, mirando o futuro. Entendemos nossa responsabilidade social e econômica, e iremos cumprir nossos contratos e manter seus investimentos”.
    Leia o texto na íntegra:
    As avaliações e reflexões levadas a efeito por nossos acionistas e executivos levaram a Odebrecht a decidir por uma colaboração definitiva com as investigações da Operação Lava Jato.
    A empresa, que identificou a necessidade de implantar melhorias em suas práticas, vem mantendo contato com as autoridades com o objetivo de colaborar com as investigações, além da iniciativa de leniência já adotada em dezembro junto à Controladoria Geral da União.
    Esperamos que os esclarecimentos da colaboração contribuam significativamente com a Justiça brasileira e com a construção de um Brasil melhor.
    Na mesma direção, seguimos aperfeiçoando nosso sistema de conformidade e nosso modelo de governança; estamos em processo avançado de adesão ao Pacto Global, da ONU, que visa mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção, em suas práticas de negócios, de valores reconhecidos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção; estabelecemos metas de conformidade para que nossos negócios se enquadrarem como Empresa Pró-Ética (da CGU), iniciativa que incentiva as empresas a implantarem medidas de prevenção e combate à corrupção e outros tipos de fraudes. Vamos, também, adotar novas práticas de relacionamento com a esfera pública.
    Apesar de todas as dificuldades e da consciência de não termos responsabilidade dominante sobre os fatos apurados na Operação Lava Jato – que revela na verdade a existência de um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país – seguimos acreditando no Brasil.
    Ao contribuir com o aprimoramento do contexto institucional, a Odebrecht olha para si e procura evoluir, mirando o futuro. Entendemos nossa responsabilidade social e econômica, e iremos cumprir nossos contratos e manter seus investimentos. Assim, poderemos preservar os empregos diretos e indiretos que geramos e prosseguir no papel de agente econômico relevante, de forma responsável e sustentável.
    Em respeito aos nossos mais de 130 mil integrantes, alguns deles tantas vezes injustamente retratados, às suas famílias, aos nossos clientes, às comunidades em que atuamos, aos nossos parceiros e à sociedade em geral, manifestamos nosso compromisso com o país. São 72 anos de história e sabemos que temos que avançar por meio de ações práticas, do diálogo e da transparência.
    Nosso compromisso é o de evoluir com o Brasil e para o Brasil.