Autor: da Redação

  • Mortes na Bom Jesus: pelo facebook criminosos ameaçam atacar novamente

    Na tarde quente desta segunda-feira, os moradores da Vila Bom Jesus ainda estavam chocados com o assassinato do comerciante Carlos Jesus de Almeida Ávila, no final de semana.

    E viam, pelos celulares que a violência vai continuar: “Hoje vai ter festa na Bonja”, dizia a legenda de uma foto postada no facebook, exibindo 20 armas – metralhadoras, fuzis, revolveres e pistolas.

    O post era de uma facção de traficantes da Vila Jardim, que sábado à noite atacou a região provocando pânico e medo nos moradores, anunciando uma possível nova investida.

    Na Bom Jesus, na verdade um conglomerado de vilas irregulares, na Zona Leste de Porto Alegre, fica o QG  da facção criminosa Bala na Cara, que tenta dominar o tráfico de drogas na capital e está sendo atacada por grupos rivais.

    A morte de Carlos Ávila, de 69 anos, chocou porque ele era uma liderança comunitária com 40 anos no mesmo lugar, onde criou dois filhos. Era um homem pacífico, conhecido e respeitado por todos no bairro.

    Ele foi morto num tiroteio entre traficantes, no fim da tarde de sábado,  quando descarregava as compras feitas no Ceasa para abastecer seu mercado.

    O crime aconteceu no fim de semana mais violento dos últimos tempos, com 22 assassinatos na região metropolitana de Porto Alegre.

    A disputa era entre os traficantes da Vila Jardim – do point da Saturnino de Brito, e os Bala na Cara – do reduto da Vila Pinto, o mais pesado dentro da pesada Bom Jesus.

    Os da Vila Jardim desafiaram a outrora poderosa facção no território deles.

    Um grupo, em carros e motos, exibindo as armas pesadas, deu o aviso aos frequentadores de um bar: “Quem for Bala pode sair, senão inocentes vão morrer”, dando início ao tiroteio.

    O ataque que aconteceu na rua Ernestina Amaro Torelly vitimou Carlos e outro homem, identificado como José Carlos Santos da Silva, pintor, 48 anos, além de deixar oito pessoas feridas.

    Silva foi atingido por pelo menos 12 disparos, aparentemente também por engano.

    Apesar da presença constante de uma das maiores facções criminosas do Estado, o cotidiano da Bom Jesus já foi relativamente tranquilo.

    Moradores relatam que, antes do ataque, transitavam tranquilamente pelas ruas e becos da vila. Os mais antigos conhecem cada beco, sabem por onde não devem passar e cada carinha que não devem encarar.

    Por volta de uma da tarde, conversamos com um grupo de três jovens, que se dirigia à avenida Protásio Alves.

    São ex-estudantes da Escola Estadual de Ensino Fundamental Antão de Farias e contam que o colégio, com ensino muito fraco, acaba servindo como fonte de mão de obra para o tráfico.

    É comum reconhecerem ex-colegas e amigos de infância entre os “vapores” e soldados da boca.

    O grupo comenta o comportamento dos integrantes da facção: gostam de andar bem vestidos e em bons carros. Mercedes, BMWs e até um Porsche são vistos rodando pela comunidade. Um Nike ou Adidas no pé é lei.

    As cantadas e comentários machistas são frequentes com as mulheres que passam pela rua, reclama uma delas. Os membros dos Bala se sentem empoderados.

    No comércio, todos têm medo de falar. Em um bar perto do mercado Ávila, estava acontecendo uma festa de aniversário na hora do tiroteio.

    “Estávamos aqui dentro, ouvimos os tiros e corremos lá para atrás” afirmou o irmão do dono do bar que preferiu não se identificar.

    No local, dono e clientes também não falam muito e não querem saber de fotos. Até mesmo móveis que identifiquem o lugar são motivo de desconfiança e medo. “Podem nos matar a qualquer momento” desabafa o dono.

    Testemunhas do tiroteio preferem ficar no anonimato. Foto: Jornal Já
    Testemunhas do tiroteio preferem ficar no anonimato. Foto: Jornal Já

    Do outro lado da rua, as atendentes de outro comércio afirmam que não viram nada, mesmo com as portas abertas no momento dos tiros.

    Uma delas é moradora da Vila Pinto e diz que o cotidiano era tranquilo antes de sábado. Logo, um homem surge de um dos corredores, se aproxima do caixa e elas decidem não falar mais.

    Em outro mercado, já na Vila Mato Sampaio o clima também é de insegurança. A dona do mercado passou a fechar mais cedo, às 21h. Costumava ir até às onze da noite. “O pior não é fechar esse horário e sim ter que esperar o filho chegar à meia-noite da faculdade”, confessou angustiada, a comerciante.

    Em um restaurante próximo ao local do assassinato do conhecido comerciante, o clima também não é o mesmo.

    A comida boa e o tratamento diferenciado não escondem o medo que circula na região. “Antes íamos até meia noite, desde dezembro estamos fechando às 18h” declarou o proprietário.

    Nas ruas, o calor da calçada divide espaço com o lixo escrachado, há sacos, móveis usados largados e eletrodomésticos quebrados.

    Também não há polícia. Em uma hora e meia rodando pela região, nossa reportagem não viu sequer um policial nas proximidades. Talvez isso seja a razão que leva as pessoas a dizerem que não são dali.

    Um jovem de camiseta azul e motocicleta preta passou por nossa equipe pelo menos três em poucos minutos.

    É normal ver os mesmos veículos circulando pelas ruas e becos. “São os bala”, afirma um dos clientes do restaurante, referindo-se à “segurança” e vigia feita pelos Bala na Cara.

    Uma personagem que caminha despreocupada pelo point mais perigoso da Vila Pinto é a pesquisadora Mariangela Terra Telles.

    Ela ia entrevistar os moradores de porta em porta no domingo, mas sentiu o baixo astral depois da morte do comerciante Carlos: “Ah, não deu para trabalhar naquele dia, tava muito ruim o clima”.

    Mariangela é pesquisadora e trabalha de porta em porta na Bom Jesus
    Mariangela é pesquisadora e trabalha de porta em porta na Bom Jesus

    Reportagem de Felipe Uhr, Matheus Chaparini e Renan Antunes de Oliveira

  • Fortunati foi desmentido sobre ar condicionado nos novos ônibus

    Em entrevista no estúdio da Rádio Gaúcha, na manhã desta segunda feira, o prefeito José Fortunati repetiu a informação de que os 296 novos ônibus que entraram em circulação em Porto Alegre tem ar condicionado.
    Enquanto o prefeito falava, usuários e até motoristas começaram a mandar mensagens para a emissora dizendo que estavam em veículos novos, sem ar condicionado.
    Fortunati insistiu, dizendo que chegar a 25% da frota com ar condicionado é uma exigência do novo edital de licitação e um compromisso das empresas de manter todos os ônibus novos com o equipamento.
    O prefeito falou por mais de 40 minutos, quando ele deixou o estúdio, o presidente da EPTC,  Vanderlei Capellari, entrou por telefone para corrigir e dizer que o prefeito “foi induzido ao erro” por uma falha de comunicação.
    Na verdade, informou Capellari, apenas 210 dos novos ônibus tem ar condicionado. Os restantes 86 não tem o equipamento.
    Capellari explicou que “provavelmente são ônibus comprados antes da licitação”.
    A questão do ar condicionado ocupou 90% do tempo da entrevista do prefeito, ficando em segundo plano o aumento da tarifa acima da inflação.

  • Antecipado protesto contra aumento do transporte coletivo em Porto Alegre

    O Bloco de Lutas decidiu antecipar para esta segunda feira (22) o protesto marcado para o dia 26 contra o aumento da passagem do transporte coletivo em Porto Alegre.
    O aumento de 15,4%, acima da inflação e do aumento dos rodoviários, foi anunciado no fim da tarde da sexta-feira (19) passada.
    A concentração será na frente da prefeitura às 17 horas.
    Na manhã desta segunda feira, havia quase 3 mil confirmados e mais 2,4 mil interessados no evento criado pelo grupo no facebook.
    ativistas calculam passagem a R$ 1,94

    grafico tarifa passagem
    Gráficos foram publicados na rede social | Reprodução

    O movimento contrário ao aumento da passagem criou uma comunidade no facebook chamada “Meu ônibus lotado”, que recebe reclamações a respeito do transporte público em Porto Alegre.
    Lá também publicaram um gráfico onde comparam a inflação com o aumento da passagem nos últimos 20 anos. E outro, que mostra a evolução de 1994 para cá, com o preço da passagem e quanto seria se fosse reajustado pela inflação.
    Segundo esses cálculos, a passagem seria R$ 1,94 hoje.
    PSOL ingressa na justiça para barrar reajuste
    O PSOL anunciou na manhã dessa segunda-feira (22) que vai recorrer à Justiça contra o aumento da passagem de ônibus em Porto Alegre. Os vereadores Fernanda Melchionna e Prof. Alex Fraga, se encontram com o deputado estadual Pedro Ruas e a pré-candidata à prefeitura Luciana Genro no Fórum Central, às 17h para protocolar a ação.
    Em 2013, uma iniciativa semelhante movida pelo PSOL, barrou o aumento da tarifa no município.
    “Além de ser um aumento abusivo, bem maior que a inflação, foi a primeira vez em 30 anos que nenhuma instituição de controle social teve acesso à planilha de cálculo da tarifa. Para completar, as ações que questionam a licitação não foram julgadas”, justificou Melchionna.

  • Sábado é o último dia para recarregar o TRI sem aumento

    Logo após o anúncio da prefeitura de que a passagem de ônibus em Porto Alegre vai subir para R$ 3,75 a partir de segunda-feira, começou uma corrida pela recargas dos cartões de passagens. Na tarde desta sexta-feira, os usuários formaram uma longa fila no posto de recarga na rua Uruguai, no centro. O movimento foi atípico, para um dia de fevereiro.
    Neste sábado, 20, o posto de recargas vai abrir excepcionalmente, das 9h às 14h. É a última oportunidade para recarregar o cartão TRI pagando R$ 3,25 ou R$ 1,62, no caso da passagem estudantil. O funcionamento normal do posto é de segunda a sexta, o dia extra é motivado pelo aumento da passagem.
    Quem recarregar o cartão de passagens até sábado, terá a passagem cobrada sem aumento durante o período de 60 dias.

  • Tarifa de ônibus em Porto Alegre sobe acima da inflação e vai para R$ 3,75

    Sete reais e cinquenta centavos. Este é o preço de ir e vir, utilizando o transporte público em Porto Alegre. A partir da próxima segunda-feira, 22, a passagem de ônibus na capital passa a custar R$ 3,75. O valor representa um aumento de 15,38%, bem acima da inflação. O IPCA acumulado em 2015 foi de 10,67%. Já o dissídio dos rodoviários, fator apontado como responsável por metade do custo da passagem, foi de 11,81%.
    A passagem das lotações subiu de R$ 4,85 para R$ 5,60.
    O prefeito José Fortunati anunciou na manhã desta sexta-feira, que o reajuste passaria a valer em menos de 72h. À tarde, a prefeitura divulgou o peso do aumento.
    A rapidez causou surpresa na população, acostumada a uma longa negociação e a um anúncio com mais antecedência. O curto espaço de tempo entre o anúncio e a aplicação do novo preço diminui a chance de mobilização popular contra o aumento.
    Em 2013, após uma sequência de manifestações que reuniram milhares de pessoas pelas ruas da cidade e se espalharam pelo país, a Justiça suspendeu o aumento da passagem, à época, de R$2,85 para R$3,05. A liminar foi concedida após ação cautelar movida pela bancada do Psol.
    Na última terça-feira, 16, cerca de 500 pessoas realizaram uma manifestação contra o aumento. O valor ainda não havia sido divulgado.
    A prefeitura anunciou também o início da operação do novo sistema de transporte coletivo da capital, com 296 novo veículos que substituirão ônibus antigos. Nos próximos três anos, a frota deve ganhar mais 72 veículos.

  • Restauração da Ponte de Pedra é mais uma obra paga pelo Zaffari

    Felipe Uhr
    A obra de restauro da Ponte de Pedra, no Centro Histórico de Porto Alegre, é mais uma empreitada paga pelo grupo Zaffari e Bourbon como contrapartida à construção de novos supermercados na capital.
    A rede varejista pagará R$ 587,9 mil pela reforma, que inclui um reforço na estrutura, além da recuperação estética do monumento. Na última quarta-feira (17), foram colocados os tapumes para proteger o local.
    O valor estava originalmente destinado para a reurbanização do Belvedere Ruy Ramos, que proporciona uma das melhores vistas da cidade no alto do Morro Santa Teresa. Porém, foi transferido por decisão da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam).
    “A obra no Belvedere Ruy Ramos era para Copa, resolvemos substituir pela Ponte de Pedra que era uma cobrança do Ministério Público”, admite o titular da pasta, Mauro Moura.
    O Termo de Compromisso firmado por Zaffari e prefeitura de Porto Alegre, no qual consta o rol de contrapartidas previstas para a cidade (entre elas a reurbanização de diversas praças, construção de ciclovias e até a renovação do canteiro central do Parque da Redenção), prevê que a “Smam, a seu critério, pode incluir outros locais, substituindo os listados”.
    Para formalizar a alteração, será assinado um Termo de Conversão que altera o compromisso inicial. O novo documento pode ser apresentado ao final da prestação de contas.
    Belvedere ficou sem recursos

    Uma das mais belas vistas de Porto Alegre teve sua reurbanização cancelada | Arquivo JÁ
    Uma das mais belas vistas de Porto Alegre teve sua reurbanização cancelada | Arquivo JÁ

    Com a alteração no rol de contrapartidas do Zaffari, o projeto de reurbanização do Belvedere Ruy Ramos foi paralisado. Não há qualquer previsão de realização. “Ficamos sem recursos”, revela o secretário do Meio Ambiente, Mauro Moura.
    A obra no morro Santa Teresa era uma das contrapartidas do Grupo Zaffari e Bourbon relativos à construção do Bourbon do Força e Luz, na rua Doutor Alcides Cruz, no bairro Santa Cecília.
    Além do projeto urbanístico paisagístico do belvedere, haveria a construção de um prédio comunitário.
    A Ponte de Pedra não consumirá a totalidade dos recursos que haviam sido destinados a Santa Teresa. Parte do dinheiro também foi destinado para o estudo do projeto de revitalização da Orla, que já está em execução.

  • Ativistas pelo Cais Mauá convocam bloco de carnaval para o sábado

    Abrindo a agenda dos já tradicionais “atos-festivos” em defesa de um projeto alternativo para a revitalização do Cais Mauá, ativistas de coletivos da cidade organizam para o próximo sábado (20), a saída do bloco carnavalesco “Cais, Cais, Cais!”.
    A brincadeira como nome do bloco, que invoca um breque bastante comum em sambas brasileiros, nasceu no último protesto de 2015, em frente à prefeitura de Porto Alegre. Depois de jogarem cédulas falsas no paço municipal – uma referência à especulação imobiliária que eles condenam com a construção de shopping e torres comerciais, além de estacionamento, no espaço público – os manifestantes, com o apoio de uma pequena bateria improvisaram o ritmo.
    O início da folia está marcado para as 17h, na Praça Brigadeiro Sampaio, que já foi palco de outras atividades do grupo porque sofrerá intervenções com a obra, como o corte de árvores para a construção de uma passarela de pedestres que ligará o nível da rua ao shopping center, ao lado da Usina do Gasômetro.
    Pesou ainda para a escolha do local o fato de a praça também ser conhecida como “do tambor”, uma referência a um monumento que marca seu vínculo com a história dos negros em Porto Alegre, já que era ali o famoso largo da forca, onde muitos escravos foram enforcados por ordem dos patrões.
    A bateria do Areal da Baronesa será a responsável pela animação da festa. Fantasias criativas que façam referência aos armazéns tombados do cais do porto ou ironizem o setor da construção civil (como os “espigões” de milho usados por estudantes durante a votação na Câmara de Vereadores da lei que permitiu a construção do Pontal do Estaleiro) são esperadas.

  • Aedes em Porto Alegre: 35% das larvas são encontradas em recipientes caseiros

    Porto Alegre tem 20 bairros classificados como de “alto risco” para infecção pelo Aedes Egypti, de acordo com o último levantamento da Secretaria da Saúde.
    Nessa lista estão Independência, Moinhos de Vento, Mont Serrat, Bela Vista, Auxiliadora, Bom Fim e Santa Cecília (veja a lista competa abaixo).
    Mais grave, segundo a bióloga Maria Mercedes Bendati, é que os principais criadouros são os pequenos recipientes domésticos, como baldes, potes e frascos, onde foram encontradas 35% das larvas detectadas.
    Os pratinhos, embaixo dos vasos de plantas corresponderam a 18,5% das larvas encontradas.
    O levantamento foi concluído em 3 de fevereiro e divulgado esta semana.
    Foram visitados 7.569 imóveis onde foram encontrados 200 criadouros dos mosquitos em 175 imóveis.
    Os resultados finais apontaram que o IIP (Índice de Infestação Predial) médio da cidade é de 2,3% o que representa médio risco, segundo o Ministério da Fazenda. 20 bairros da cidade estão com o índice acima de 3,9% o que é considerado de alto risco.

    BAIXO RISCO

    Bairros

    Gerência Distrital

    IIP %

    Arquipélago

    NHNI

    0

    Centro, São Geraldo, Floresta, Praia de Belas

    Centro/NHNI

    0,2

    Chapéu do Sol, Ponta Grossa, Belém Novo, Lageado, Lami

    RES

    0,3

    MÉDIO RISCO

    Bairros

    Gerência Distrital

    IIP %

    Vila Nova, Cristal

    GCC

    1,3

    Santa Maria Goretti, Boa Vista, Higienópolis, São João

    NHNI

    1,4

    Jardim Itú-Sabará, Protásio Alves

    LENO

    1,4

    Cascata, Belém Velho

    SCS/GCC

    1,4

    Lomba do Pinheiro, Agronomia

    PLP

    1,5

    Sarandi

    NEB

    1,9

    Navegantes, Anchieta, Humaitá, Farrapos, Marcílio Dias

    NHNI

    2

    São José, Vila João Pessoa

    PLP

    2,2

    Aberta dos Morros

    SCS

    2,4

    Restinga

    RES

    2,4

    São Sebastião, Jardim Lindóia, Cristo Redentor, Jardim Floresta, Jardim São Pedro

    NHNI

    3,9

    ALTO RISCO

    Bairros

    Gerência Distrital

    IIP %

    Independência, Moinhos de Vento, Mont’ Serrat, Bela Vista, Auxiliadora, Bom Fim, Santa Cecília

    Centro

    4,2

    Rubem Berta

    NEB

    4,4

    Rio Branco, Jardim Botânico, Petrópolis

    Centro

    5,3

    Hípica, Espírito Santo, Guarujá, Serraria

    SCS

    5,9

    Camaquã, Vila Assunção, Tristeza, Vila Conceição, Pedra Redonda

    SCS

    7,2

  • Cais Mauá: audiência pública na AL vai mirar revogação do contrato

    Naira Hofmeister
    Em uma reunião de quase duas horas na noite dessa quarta-feira (17), cerca de 20 integrantes de entidades e coletivos de cidadãos contrários à construção de torres comerciais, shopping center e estacionamento na área do Cais Mauá em Porto Alegre definiram que a revogação do contrato entre o Estado e o consórcio Porto Cais Mauá do Brasil será o foco das manifestações na audiência pública que a Assembleia Legislativa promove sobre o tema em março.
    “É preciso cancelar o contrato para retomar o debate sob o ponto de vista do interesse da população”, pregou o presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS), Tiago Holzmann da Silva.
    “Ou a gente revoga essa concessão ou não vamos conseguir ser escutados nesse debate”, complementou a vereadora de Porto Alegre Sofia Cavedon (PT).
    O principal argumento do coletivo é um parecer de auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que aponta diversas irregularidades no cumprimento de cláusulas contratuais, entre elas a falta de documentos que comprovem a capacidade de investimento do consórcio no valor de R$ 400 milhões, a mudança na composição acionária do grupo e a inexistência do projeto executivo da obra.
    Não é tarefa fácil, especialmente porque um grupo de trabalho (GT) do Governo do Estado isentou o consórcio dos problemas apontados pelo TCE, conforme revelou ao JÁ o coordenador do GT e diretor-geral da Secretaria dos Transportes, Vanderlan Frank Carvalho. A decisão será tornada oficial com a entrega do relatório final da análise, no final de fevereiro.
    Segundo o Estado, a redação da cláusula da garantia financeira que assegure investimento de R$ 400 milhões a torna facultativa. Sobre a inexistência do projeto executivo, a conclusão é que ele só pode ser exigido após a obtenção das licenças e foi uma confusão na redação do contrato que fez constar “projeto executivo” onde deveria estar escrito “projeto básico”.
    E sobre as mudanças na composição acionária do empreendedor, o GT certifica que as condições para a habilitação comprovadas quando da concorrência pública continuam sendo cumpridas pela atual formação do consórcio.
    Os movimentos, entretanto, vão questionar o posicionamento. “Os princípios da moralidade, legalidade, isonomia foram descumpridos e a primazia do interesse público está relegada ao último plano! Tudo tem que ser recalculado e ajustado de acordo com as necessidades do empreendedor”, reclamou o integrante da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, Silvio Jardim.
    Audiência será a primeira em âmbito estadual
    O objetivo foi definido não apenas porque é o caminho que os cidadãos insatisfeitos veem como possível para que a revitalização priorize arte e cultura e não operações comerciais, mas também porque o negócio foi feito com o Governo do Estado, de quem a Assembleia Legislativa é fiscal.
    “A responsabilidade jurídica é do Estado do Rio Grande do Sul, portanto, esse assunto deveria transitar mais na Assembleia Legislativa. Me surpreende que nunca tenha havido qualquer questionamento por parte desta casa”, observou o deputado Tarcísio Zimmermann (PT), proponente da audiência pública.
    “Aliás, foi o Estado quem contratou, mas quem fala sobre o projeto sempre é a prefeitura de Porto Alegre”, cobrou.
    E embora tenha sido o proponente da licitação e responsável por desenhar, junto com empreendedores, o modelo de negócio que seria desenvolvido na área, o Estado não teve nenhum protagonismo no debate público sobre o assunto.
    Desde que o empreendimento começou a ser formulado – ainda na fase de modelagem do negócio – até hoje, foram apenas duas audiências públicas realizadas, ambas em âmbito municipal.
    Uma em 2009, quando a Câmara analisava a proposta de alteração da legislação para permitir a construção dos espigões na área das docas do cais Mauá e do shopping center, que ficará ao lado da Usina do Gasômetro.
    A segunda foi no ano passado, e teve com exclusiva finalidade debater o Estudo de Impacto Ambiental do projeto e seu respectivo relatório (o EIA-Rima) e levou uma multidão ao ginásio do Grêmio Náutico União, no bairro Moinhos de Vento.
    “Falta diálogo com a população. Dizem que sempre houve, mas é mentira porque as duas audiências foram para apresentar um projeto já formulado e não para construir junto com a sociedade”, observou o sociólogo e um dos integrantes do coletivo Cais Mauá de Todos, João Volino Corrêa.
    Para a audiência estadual, a expectativa dos movimentos é lotar o teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa, que tem capacidade para quase 600 pessoas. O evento foi confirmado para o dia 16 de março, às 18h30.

  • Manuela Dávila anuncia que está fora da eleição

    Em reunião agora à noite com a cúpula do PCdoB, a deputada Manuela Dávila anunciou que não vai concorrer à prefeitura de Porto Alegre nas eleições deste ano.
    A desistência de Manuela abre caminho para uma chapa  com o PT na cabeça, reconstituindo a aliança que levou à eleição de Olívio Dutra, em 1988, à qual seguiram-se quatro mandatos petistas.
    Olívio é novamente um dos nomes para encabeçar a chapa do PT, junto com o também ex-prefeito Raul Pont.