O juiz brasileiro Roberto Caldas foi eleito para presidência da Corte Interamericana de Direitos Humanos para o período 2016-2017. A eleição ocorreu nessa quarta-feira (25), durante a 112ª sessão ordinária da Corte, que tem sede em São José da Costa Rica. O mandato de Caldas, que era vice-presidente da instituição, começa em 1º de janeiro de 2016.
Juiz da Corte Interamericana desde 2013, Roberto Caldas atuou em causas especialmente ligadas a direitos laborais, sociais e econômicos no Supremo Tribunal Federal e demais tribunais superiores do Brasil por mais de 30 anos, informou, por meio de comunicado, o órgão máximo do sistema de direitos humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).
O Ministério das Relações Exteriores manifestou hoje (26) “grande satisfação” pela eleição de Caldas para a presidência da Corte. Em nota, o Itamaraty informou que “o governo brasileiro transmite votos de pleno êxito para o doutor Caldas em suas futuras funções”.
Do WWF Brasil
A catástrofe em Mariana (MG) está repercutindo positivamente na discussão do novo marco regulador da atividade mineradora no Brasil. Nesta semana, o presidente da comissão externa da Câmara dos Deputados que avalia as consequências do rompimento da barragem da mineradora Samarco, deputado Sarney Filho (PV-MA), se reuniu com o relator do projeto do novo Código de Mineração (PL 37/11 e apensados), Leonardo Quintão (PMDB-MG), para sugerir alterações à proposta.
A reunião, realizada a portas fechadas, contou com a presença de procuradores federais de Minas Gerais e parlamentares. Foram apresentadas alterações em 28 artigos do substitutivo para adequá-lo às questões socioambientais. Entre as sugestões estão as exigências de reparação a danos ambientais, fiscalização mais rigorosa e mais recursos para órgãos ambientais federais e estaduais.
Segundo Sarney Filho, Quintão se mostrou favorável a quase todas as emendas indicadas. Apenas a supressão de um item sobre mineração de carbonatos de cálcio e magnésio ficou de ser avaliado pelo relator, que deve apresentar uma redação alternativa. “O restante foi absorvido. Então o conteúdo do substitutivo é praticamente nosso”, comemora o deputado do PV.
Para ele, o momento é propício para que o Congresso aprove uma legislação mais rigorosa que leve em consideração as salvaguardas ambientais, que previna acidentes como o de Minas Gerais e dê mais segurança às populações que direta ou indiretamente estão envolvidas com a mineração. PROPOSTAS
A maior parte dos pontos apresentados já era reivindicação antiga das organizações e movimentos socais e de comunidades atingidas pela mineração, que apontaram afrouxamento da governança dos recursos minerais e do licenciamento ambiental, além de ausência de mecanismos de segurança às populações vizinhas.
Agora o novo código deve ganhar mecanismos de salvaguarda socioambientais devido ao rompimento da barragem em Mariana, que trouxe à tona as fragilidades do setor. Uma das sugestões já aceita pelo relator é de responsabilizar o minerador pela mitigação e compensação de seus impactos socioambientais, bem como pela prevenção de desastres ambientais e elaboração e implantação de plano de contingência.
Outra alteração que está dada como certa é a supressão do artigo 119, que determina a “criação de qualquer atividade que tenha potencial de criar impedimento à atividade de mineração depende de prévia anuência da Agência Nacional de Mineração (ANM)”. Para os deputados que apresentaram o pedido de supressão desse artigo, além de inconstitucional, o dispositivo atenta contra os direitos difusos, dificultando a criação de unidades de conservação, Terras Indígenas e Quilombolas e assentamentos de reforma agrária etc.
O artigo 136, que permite mineração em unidades de conservação de uso sustentável, também deve ser modificado. A sugestão é substituí-lo pelo seguinte texto: “O aproveitamento dos recursos minerais ocorrerá nos casos previstos nesta Lei, exceto nas áreas livre de mineração, assim definidas mediante lei, decreto do Poder Executivo, resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) ou decisão dos demais órgãos ou entidades do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama)”.
Em setembro deste ano, foi realizada audiência pública na Comissão Especial do código da mineração, quando o WWF-Brasil se posicionou contrário a esses dois artigos. O superintendente executivo de Políticas Públicas e Relações Externas do WWF-Brasil, Henrique Lian, foi um dos participantes do evento e destacou que o novo marco legal do setor precisa se ajustar para garantir salvaguardas sociais e ambientais (leia mais).
Em movimento contrário, a Comissão Especial do Desenvolvimento Nacional do Senado aprovou nesta quarta-feira o projeto de lei (654/2015), do senador Romero Jucá (PMDB-RR), que torna ainda mais frágil o licenciamento ambiental de grandes obras no país (saiba mais). URGÊNCIA
Leonardo Quintão deve apresentar nos próximos dias seu novo relatório, com a inclusão das propostas acordadas. Ele pretende colocar em votação em breve o seu substitutivo. Pelo que tudo indica pode ser que o governo aceite a urgência do Código devido ao momento atual, como uma resposta à tragédia em Mariana. Se aprovada a urgência pelos líderes, o projeto segue para o Plenário, podendo ser votado ainda este ano.
A sugestão do deputado Sarney Filho é que a comissão externa trabalhe com o relator o novo texto substitutivo. A intensão é apresentar à sociedade as propostas acordadas e só assim levar o projeto para o Plenário.
O Comitê Carlos da Ré promove na noite desta sexta-feira o Sarau da Verdade, celebrando . O evento contará com a leitura de poesias, por Christine Rondon e Paulo de Tarso Ricordi. Os músicos Renato Borba e Raul Ellwanger também estão confirmados. O Sarau da Verdade começa às 19h, no bar Tutti Giorni, na escadaria da Borges de Medeiros, 710.
Sandro Pozzi, para El País
Indra Nooyi foi taxativa em sua última apresentação aos analistas de Wall Street. O refrigerante, admitiu, “é algo do passado”. As palavras da executiva chefe da PepsiCo soaram como se desse por perdida uma guerra travada também pela Coca-Cola e a Dr Pepper. Os consumidores que preferem água mineral, chá e bebidas energéticas aos refrigerantes aumentam cada vez mais. Isso está fazendo com que o consumo de bebidas gasosas caia a níveis de três décadas atrás.
A quantidade do líquido consumida por um norte-americano é bem conhecida. São 680 litros por ano, o equivalente a três banheiras cheias até a borda. Isso significa que qualquer mudança de tendência no consumo é notada rapidamente, mesmo que seja mínima.
Em outras palavras, quem compra um fardo de Dasani, Red Bull ou de Monster muito dificilmente comprará também um de Coca Zero, Diet Pepsi ou de Diet Mountain Dew, simplesmente porque substitui um pelo outro.
Esse é o ponto de partida em um mercado saturado de refrigerantes. Um quarto de todo esse líquido consumido é de refrigerante e 27% das vendas pertencem à Coca-Cola.
Apesar do vício do açúcar, a distância com outras categorias de bebidas cai rapidamente, porque cada vez mais pessoas evitam as prateleiras das colas.
É um negócio em crise, segundo a JPMorgan. Isso se deve em boa parte, como diz a Morningstar, às políticas no âmbito da saúde. Adoçantes e calorias preocupam
Na última década o refrigerante se transformou no novo tabaco na batalha por uma vida saudável, uma luta que começou quando cidades como Nova York proibiram a venda de refrigerantes nos colégios.
A mobilização ganhou força com as campanhas contra a obesidade e esse sentimento ficou bem forte entre a geração da ioga, que prefere uma dieta diferente da feita por seus pais. Como dizem os especialistas, “o consumidor agora faz sua própria escolha”.
O negócio dos refrigerantes chegou ao seu auge em 1998.
Essas bebidas representavam então um terço da dieta líquida por habitantes. No começo do milênio eram consumidos 190 litros de refrigerante em média por ano, de acordo com as estatísticas da IBIS World. Agora não chegam aos 145 litros.
Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos o consumo de água mineral cresceu 50% e o de bebidas energéticas dobrou de tamanho.
As estatísticas da Beverage Marketing Corporation também refletem essa mudança nos gostos. De fato, boa parte do aumento registrado nas vendas de bebidas não alcoólicas em 2014 é baseado em opções aparentemente mais saudáveis do que os refrigerantes.
O consumo de água mineral, por exemplo, cresceu 7% até chegar aos 41,15 bilhões de litros em 2014. O de refrigerante caiu 1%. Bebidas energéticas
O volume do café expresso, como o vendido pela Starbucks, cresceu 11% no último ano enquanto o de chá aumentou 4%. As bebidas energéticas cresceram 6%, e as utilizadas por esportistas, 3%.
O crescimento das duas últimas categorias é importante, segundo A IBIS World, porque são o substituto direto de produtos como a Coca Diet e a Pepsi Diet.
O nível de consumo atual de refrigerante por habitante não era visto desde 1986, segundo a Beverage Digest, e antecipa que em dois anos será superado pelo da água mineral. Não é somente o fato dos consumidores estarem acostumados a contar as calorias que entram em seu corpo. Eles se preocupam também pelo efeito de adoçantes artificiais como o aspartame. As redes sociais, ao mesmo tempo, alimentam o debate sobre as mudanças no metabolismo. Grandes buscam alianças
Esse estigma está no livro da professora de nutrição Marion Nestle, Soda Politics, no qual relata como a batalha contra as grandes empresas da indústria está sendo ganha e como está modificando a própria natureza do negócio. Mas como no caso do tabaco, ninguém dá o refrigerante como morto. De fato, os refrescos são a maior categoria de bebidas não alcoólicas por faturamento, com 77,40 bilhões de dólares (286,15 bilhões de reais) por ano.
Em comparação, o da água mineral está em 13 bilhões (48,06 bilhões de reais).
Como dizem os analistas de Wall Street que acompanham as empresas dessa indústria, a mudança não se deve somente ao fato de existirem mais alternativas ao refrigerante do que duas décadas atrás.
A demografia também mudou. As famílias não querem que seus filhos bebam refrigerante, o que torna mais difícil consumi-los em idade adulta. Os mais velhos também consomem menos. O cálculo demonstra que os distribuidores estão perdendo mercado a um ritmo de quase 2% ao ano.
Ao invés de lutar para aumentar o consumo de refrigerantes, os três grandes do setor decidiram se distanciar oferecendo novos produtos para responder aos novos gostos e aceitaram assim a mudança de tendência, criando alianças com empresas que comercializam bebidas alternativas como Monster Beverage e Green Mountain.
A Coca-Cola dobrou sua carteira de produtos na última década enquanto o refrigerante representa um quarto do faturamento da PepsiCo.
Um grupo de cinco pessoas que participou de uma performance com lama em corredores do Congresso, na tarde de quarta-feira, foi preso em flagrante sob alegação de crime ambiental.
O auto de prisão feito pela Polícia Legislativa, ao qual a BBC Brasil teve acesso, diz que os manifestantes foram detidos com base na lei de crimes ambientais (9.605/98). O documento oficial cita o artigo 65 (“pichar ou por outro meio conspurcar edificação ou monumento urbano”), além dos artigos 140 (injúria) e 329 (resistência) do Código Penal.
Segundo o texto assinado por Roberto Rocha Peixoto, diretor da Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados, um dos jovens foi “flagrado pichando algumas paredes e piso da Câmara dos Deputados, sujando as pessoas que transitavam no local, bem como ter resistido à prisão”.
O protesto aconteceu no anexo 2 da Câmara, próximo ao Departamento de Taquigrafia. Os manifestantes seguravam cartazes com os dizeres “Terrorista é a Vale” e “Código de Mineração + Mariana + Morte”.
Texto assinado diz que jovem foi “flagrado pichando algumas paredes e piso da Câmara dos Deputados, sujando as pessoas que transitavam no local, bem como ter resistido à prisão”.
O alvo era a controladora da mineradora Samarco, dona da barreira de rejeitos de mineração que estourou há 20 dias, espalhando o equivalente a 25 mil piscinas olímpicas de resíduos químicos em Minas Gerais e no Espírito Santo.
À reportagem, a presidência da Câmara afirmou, em nota, que “jovens que teriam entrado na Câmara como visitantes picharam o local com uma substância que se assemelha a lama”.
A nota prossegue: “a palavra ‘morte’ foi identificada entre as pichações, o que pode significar uma referência à tragédia ambiental em Mariana (MG)”.
‘Paradoxo’
Logo após a prisão dos cinco manifestantes, os deputados federais Jandira Feghali (PCdoB), Chico Alencar e Ivan Valente (ambos do PSOL) pediram a liberação imediata dos detidos.
À BBC Brasil, Alencar classificou como “paradoxo” a prisão por crime ambiental de manifestantes que criticavam o derramamento de lama.
“A gente vive na Câmara dos Deputados do Brasil um tempo de inversão absoluta de valores”, diz. “Que paradoxo total é esse? Quem vem se manifestar na casa do povo acaba sendo detido sob acusação de crime ambiental. Mas os responsáveis pelo mar de lama da Samarco e da Vale, que vitimou diretamente 22 pessoas, incluindo os 11 desaparecidos, e os todos os danos ao rio Doce, chegando ao oceano Atlântico, continuam soltos.”
“Qual é o real crime ambiental?”, questiona o deputado, afirmando que a liderança do PSOL na Câmara foi cercada pela Polícia Legislativa durante quatro horas. Parte dos manifestantes procuraram representantes do partido em busca de defesa.
Sobre as alegações de crime ambiental, a Samarco tem dito que “não há confirmação das causas e a completa extensão do ocorrido” e que “investigações e estudos apontarão as reais causas”.
Outra manifestação de repúdio à mineradora, envolvendo lama, aconteceu na sede da Vale, no Rio de Janeiro, logo após o derramamento em Mariana. “Naquela ocasião ninguém foi preso”, diz Alencar.
Segundo a BBC Brasil apurou, parte dos manifestantes desta tarde Brasília faz parte do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), enquanto outros participam de movimentos sociais que criticam os impactos sociais e ambientais da atividade mineradora.
O volume de lama oriunda do desastre equivale a 25 piscinas olímpicas de resíduos químicos em Minas Gerais e no Espírito Santo.
Detenção
À reportagem da BBC Brasil, a Câmara dos Deputados disse que as pessoas envolvidas no protesto foram “detidas e encaminhadas ao Departamento de Polícia Legislativa.
O advogado Fernando Prioste, que defende os presos, disse que eles “foram presos por fazer um protesto lícito contra as violações de direitos humanos perpetrados pela Vale”, disse.
A revista Carta Capital publicou hoje, no seu site, breves biografias do senador Delcídio do Amaral e do banqueiro André Esteves, presos pela Polícia Federal por ordem do Supremo Tribunal Federal. Quem é Delcídio do Amaral
O senador Delcídio do Amaral (PT-MS), preso na manhã desta quarta-feira 25 pela Polícia Federal, é uma figura política controversa e conhecida por seu bom trânsito em diversos partidos. Exemplo disso é o fato de ser conhecido nos bastidores do Senado, como contou recentemente o jornal O Globo, como “o mais tucano dos petistas”.
Engenheiro elétrico, Delcídio tem uma carreira ligada ao setor de energia. Foi engenheiro-chefe da construção da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará; trabalhou como diretor da Shell na Holanda; e comandou a Eletrosul, braço da Eletrobrás. No governo de Itamar Franco (1992-1994), foi secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, ministro da pasta e presidente do Conselho de Administração da Vale do Rio Doce.
Em 1998, Delcídio assinou sua filiação ao PSDB, mas seu ingresso no partido não chegou a ser homologado. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, foi diretor de Gás e Energia da Petrobras entre 2000 e 2001, quando trabalhou com Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, dois dos delatores da Operação Lava Jato.
Em 2001, ocorreu a aproximação com o PT. Delcídio foi secretário estadual de Infra-estrutura e Habitação do governo de Zeca do PT no Mato Grosso do Sul e, em 2002, elegeu-se senador, já no Partido dos Trabalhadores.
Desde então a influência de Delcídio Amaral no partido só cresceu. Em 2005, Delcídio presidiu a CPI dos Correios, responsável pela apuração do “mensalão”. Em 2009, o senador teve outra atuação controversa a favor de um líder do PMDB: votou pelo arquivamento das ações contra o ex-presidente do Senado José Sarney, que na época era relacionado a contratos ilegais e à nomeação de pessoas envolvidas em escândalos de corrupção.
Nas eleições de 2014, Delcídio sofreu sua segunda derrota para o pleito de governador do Mato Grosso do Sul. No ano seguinte, porém, foi escolhido pela presidente Dilma Rousseff como líder do governo no Senado e no Congresso Nacional, cargo que ocupava até esta quarta-feira 25.
A prisão preventiva de Delcídio foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após o Ministério Público Federal apresentar evidências de que ele tentava conturbar as investigações da Operação Lava Jato. Além do senador, também foram presos o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, o advogado Edson Ribeiro, que atuou para o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, e o chefe de gabinete de Delcídio Amaral.
Ao longo das investigações, Delcídio foi citado na delação premiada de Cerveró e acusado de participar de um esquema de desvio de recursos envolvendo a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA.
Delcídio do Amaral é o primeiro senador preso no exercício do cargo, desde a redemocratização do País. Quem é André Esteves
André Esteves, preso nesta quarta-feira 25 pela Polícia Federal, sob acusação de atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato ao lado do senador Delcídio do Amaral, é um dos executivos do mercado financeiro mais influentes do Brasil.
Dono de uma fortuna estimada em 2,5 bilhões de dólares, Esteves é o 628º homem mais rico do mundo e 13º do Brasil segundo a revistaForbes. Sua carreira teve início no então banco Pactual, em 1989. Quatro anos depois ele já era sócio do banco e, em 2002, assumiu a presidência da instituição financeira.
Em 2006, Esteves, que detinha cerca de um terço do Pactual, coordenou a venda do banco para o suíço UBS. No ano seguinte, Esteves assumiu a chefia da divisão global de fundos de renda fixa do UBS, mas em 2008 deixou a instituição suíça para fundar a BTG, uma firma de investimentos. Em 2009, anunciou a recompra do Pactual e a fusão das duas companhias, dando origem ao BTG Pactual.
Durante a formação da instituição financeira que comanda, considerada um investimento audacioso e brilhante, Esteves ganhou destaque na imprensa brasileira por seu perfil considerado arrojado. Foi capa de revistas como Época, Exame, Época Negócios e IstoÉ Dinheiro, que em dezembro passado o descreveu como “defensor ferrenho da meritocracia” e o escolheu “empreendedor do ano nas finanças”. Em 2011 e 2012, em eleição organizada por CartaCapital na qual votam empresários brasileiros, figurou na lista de executivos mais admirados do País.
Naira Hofmeister
A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul pode convocar uma audiência pública para debater a privatização da Orla do Guaíba, em Porto Alegre.
A proposta foi lançada pelo deputado Tarcísio Zimmermann (PT), durante outra audiência pública na manhã desta quarta-feira (25), que discutia a prestação de serviços da Corsan aos municípios.
“É um assunto que muito nos interessa”, assegurou o parlamentar, após ouvir a manifestação do advogado e conselheiro da Agapan Caio Lustosa, que denunciou a “tentativa de grupos empresariais de se apossarem de toda a área entre o Cais Mauá e a Ponta do Melo” e sugeriu a realização do encontro.
“Certamente vamos atender a sua sugestão”, complementou Zimmermann. Leia mais: JÁ aposta em financiamento coletivo para viabilizar edição sobre Cais Mauá
Segundo Lustosa – que é também integrante do coletivo A Cidade Que Queremos, que reivindica o direito à cidade -, a ocupação das margens do Guaíba é ilegal, porque, entre outras coisas, fere a Constituição Estadual, que classifica essas áreas como “bens de domínio público” e que, portanto, não podem ser destinados a empreendimentos.
Apenas no trecho mencionado por Caio Lustosa, na região central da capital, estão previstas a construção de três torres e um shopping center no Cais Mauá, dois espigões ao lado do estádio Beira-Rio, além do projeto Parque do Pontal (antigo Pontal do Estaleiro), que incluirá outro centro comercial e edifício de escritórios.
Mas há outros projetos pensados para as margens do Guaíba, como é o caso da Fazenda do Arado, em Belém Novo, que teve seu regime urbanístico alterado para receber um condomínio horizontal com 2,3 mil casas, no extremo sul de Porto Alegre. Coletivo entrega carta a parlamentares
Aproveitando a deixa aberta por Caio Lustosa, o sociólogo e líder comunitário no bairro Auxiliadora João Volino Corrêa entregou a Tarcísio Zimmermmann a “Carta aberta a Porto Alegre”, redigida pelo coletivo Cais Mauá de Todos e que reivindica a rescisão imediata do contrato de revitalização da área em razão das ilegalidades investigadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS).
“Infelizmente a prefeitura fez um pacto de mediocridade com o setor privado, transferindo um bem de grande importância cultural da cidade por um projeto que vai comprometer a saúde e o meio ambiente de Porto Alegre ao colocar mais 25 mil carros por dia na avenida Mauá”, condenou, referindo-se ao tema da comissão parlamentar que abrigava a audiência pública sobre a Corsan, de Saúde e Meio Ambiente. Apresentação detalhará denúncias
Tarcísio Zimmermann e seu colega de bancada, o presidente da Comissão de Saúde e Meio Ambiente, Valdeci Oliveira, convidaram os representantes do coletivo A Cidade Que Queremos para comparecerem à próxima reunião do colegiado, na manhã da quarta-feira, na semana que vem.
Eles querem conhecer em detalhes as denúncias sobre a privatização da Orla e sobre as irregularidades nos contratos do Cais Mauá. O encontro ocorrerá no Plenarinho da Casa, a partir das 9 horas.
A afirmação foi feita por Queops Damasceno, membro da coordenação da Ocupação Lanceiros Negros, em coletiva de imprensa realizada na tarde desta quarta-feira. Os moradores reafirmaram que querem diálogo com o Governo do Estado e que vão resistir, caso a reintegração de posse seja levada a cabo. A ocupação já recebeu a visita de um oficial de justiça na última segunda, 23, mas o prazo de 72h para a desocupação do imóvel começa a contar somente quando o mandado for reunido aos autos do processo.
“Nós não temos outro lugar para ir, só sairemos daqui arrastados. Medo a gente tinha era de onde a gente vivia antes”, afirmou a moradora Jussara Vaz dos Santos.
Cerca de cem famílias, organizadas perlo MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas), ocupam o imóvel há 11 dias. Os ocupantes informaram também que foi criado um grupo de trabalho com arquitetos e engenheiros para desenvolver um projeto de adaptação do edifício para moradia. O imóvel de quatro andares tem peças amplas, que devem ser divididas em apartamentos para as famílias, de acordo com o tamanho de cada unidade familiar.
A falta de disposição do governo em dialogar é a principal crítica do movimento.“Como pode um governo não querer saber da situação dos cidadãos e tratar o direito a moradia como questão de Justiça? Esse governo é pra quem?”, questiona Damasceno. O advogado Onir de Araújo acrescentou: “Não é só uma questão de governo, é de Estado. Não podemos esquecer que no governo anterior tivemos diversos despejos truculentos. É importante lembrar que cada desocupação custa em média R$ 500 mil aos cofres públicos.” “Esta noite ninguém aqui dormiu”
Os membros do movimento criticaram também a ação da Brigada Militar. Segundo os ocupantes, na última madrugada, os policias fizeram diversas provocações, batendo na porta do edifício, ironizando os ocupantes e acionando sirenes das viaturas ao longo da noite. “Esta noite ninguém aqui dormiu”, afirmou o morador Rogério Leonídio.
Geraldo Hasse
Não chegou a lotar o Auditório Araújo Vianna, mas foi um baita show para mais de 2.800 almas sequiosas por festejar o mito da “estirpe do gaúcho, forjado pela mescla de castelhanos, índios, portugueses e demais imigrantes”, conforme a síntese do apresentador Doroteo Fagundes de Abreu, sinuelo do 3º Encontro dos Músicos Gaúchos.
Produzido pelo “maluco beleza” Airton (Patinete) dos Anjos, a festa começou com a gaita de Renato Borghetti completamente abafada pelo volume de som da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e terminou com a dupla passofundense Osvaldir e Carlos Magrão cantando Querência Amada, o hino informal gaúcho composto por Teixeirinha.
Foram 16 canções populares ornamentadas com belos arranjos de componentes da OSPA, que está completando 65 anos e vive um momento ecumênico sob a regência do maestro Tiago Flores, adepto assumido da “mistura de timbres” visando diluir fronteiras entre as músicas popular e erudita. “A maioria das pessoas gosta de quebrar barreiras”, disse ele em depoimento ao programa Cantos do Sul da Terra, da Rádio FM Cultura de Porto Alegre.
Foi um grande programa que à primeira vista deveria promover uma romaria ao Parque da Redenção.
No entanto, nem a OSPA, nem os ingressos a R$ 30, nem o tempo ameno e nem algumas das maiores estrelas da canção gaudéria conseguiram lotar os 3200 lugares do auditório.
Pode-se atribuir as lacunas à crise econômica ou ao dia impróprio (terça-feira, fim de mês), mas foi uma noite memorável tanto pelo brilho coletivo da orquestra quanto pela aparição fugaz de grandes artistas sem direito a bis.
Bem que, na reta final do espetáculo, o público tentou segurar no palco o argentino Dante Ramon Ledesma, mas ele foi levado embora para não quebrar a norma do espetáculo.
O que teria acontecido se o bardo da canção de protesto da época das ditaduras do Cone Sul começasse a entoar uma cantiga “orellana?” Um revival nativista? Novembro, tempo de tosquia…
Não havia lugar para improvisos no programa, recheado por um repertório conservador, mas enriquecido por arranjos ricos em cordas.
No departamento das pilchas, o elenco da OSPA estava no traje civil convencional, todos enfatiotados, em preto. O elenco pop – todo pilchado, com bombacha, botas, chapéu, boina, pala e lenços no pescoço. Joca Martins e João de Almeida Neto
Confessando “a realização de um sonho: cantar com uma orquestra”, o cantor Delcio Tavares apareceu de botas pretas, calça branca e túnica militar azul, como um guerreiro do século XIX.
Na plateia, muita gente com os apetrechos do chimarrão.
No geral, prevaleceu um time de cantores-galo que colheram aplausos ardentes do público, enquanto o som de instrumentistas individuais sumia debaixo da alta voltagem colocada no ar pelos técnicos de som.
Pode-se argumentar que o público está viciado na sonzeira vigente em casas de show sob a ditadura da oversonoplastia, mas a acústica do Araújo Vianna dispensaria tamanho exagero. O casamento do clássico com o pop foi lesado pelo mau emprego da tecnologia.
A rigor, os gargantas de ouro João de Almeida Neto e Joca Martins nem precisariam de microfone para cantar em dueto a canção Definição do Grito, de Gildo de Freitas.
O mesmo se poderia dizer de Ernesto Fagundes e Neto Fagundes na versão de Última Lembrança, de Luiz Menezes.
O excelente Luiz Carlos Borges foi visivelmente massacrado pela carga voltaica ao cantar o pungente Vidro dos Olhos, de Aparício da Silva Rillo.
Um Tambo do Bando grisalho lutou bravamente contra as caixas de som para cantar o clássico Os Homens de Preto, de Paulo Ruschel.
Também pouco se ouviu do violão de Daniel Sá, que acompanhou Renato Borghetti e fez fundo para a suave apresentação de Berê (“A colina do meu ventre se fez montanha”), o único solo feminino da noite.
Sem gritar, só no gogó, Luiz Marenco deu-se bem ao cantar Saudade, Tempo e Distância, de Jayme Caetano Braun (“Quem vira mundo não pára, nem tampouco desanima”).
Sem dúvida, o público presente ao Araújo Vianna estava a fim de ouvir os donos dos vozeirões.
Os aplausos cresceram após a apresentação d’Os Serranos, que apresentaram Poncho Molhado, de José Hilário Retamozzo. Mas o conjunto mais aplaudido (de pé) foi o informal Trio Corpo Provisório formado pelo gaúcho Elton Saldanha, o uruguaio Daniel Torres e o argentino Dante Ramon Ledesma, que se apresentaram em companhia de duas “prendas” cantando Castelhana.
Na única piada da noite, o argentino, que se recupera de um AVC, acomodou-se numa banqueta, sorriu e saudou o público: “O Dante acaba de chegar, o Ramon vem daqui a pouco e o Ledesma…de madrugada”.
“No brete de saída desta gineteada musical”, o vaqueano Doroteo Fagundes de Abreu anunciou a dupla Osvaldir e Magrão para cantar Querência Amada, “de Vitor Mateus Teixeira”.
Ao final, a plateia levantou para aplaudir. Quando todos os músicos emergiram dos bastidores para o palco, Ernesto Fagundes puxou o coro Eu Sou Gaúcho, mas o público reagiu cantando o Hino Riograndense, sem acompanhamento.
De repente, uma parte da plateia puxou novamente Querência Amada, cuja melodia acabou se impondo na voz de todos.
O maestro Tiago Flores levantou os braços, pediu silêncio e convidou todos a cantar Querência Amada com a orquestra.
Aos 30 anos de sua morte (em 4 de dezembro de 1985), Vitor Mateus Teixeira, o Teixeirinha, foi o grande destaque no 3º Encontro dos Músicos Gaúchos, mas pode haver revanche no quarto encontro, anunciado para 2016.
Sem esquecer que, no dia 12 de dezembro, no CTG Jayme Caetano Braun, em Livramento, vai acontecer um Reencontro de alguns tauras da canção gaudéria, entre eles o gaiteiro Nelson Cardoso, na flor dos seus 73 anos.
A Galeria Ecarta abre nesta quarta-feira sua última exposição do ano. Contiguo, é um trabalho realizado pelas artistas chilenas Claudia Lee e Francisca Montes. A abertura acontece a partir das 19h e na quinta-feira, no mesmo horário, haverá um bate-papo com as artistas.
A mostra é a adaptação de um projeto que mapeou o Parque André Jarlan, comuna de Pedro Aguirre Cerda, visando a reconexão entre arte e comunidade, a partir de um exercício contextual de ativação da memória. O projeto utiliza fotografia, vídeo, escultura e instalação para exibir o resultado de uma série de operações acerca de um determinado entorno e busca tornar visíveis modificações ou transformações territoriais na cidade.
Para a exposição da Galeria Ecarta, as artistas recontextualizam territorialmente a proposta. A atenção se concentrará no Parque Farroupilha. As obras propõem um outro olhar sobre aspectos identitários do lugar, a partir de estratégias específicas de visualização. No caso de Claudia, recolher e reproduzir objetos que se encontram em condição de lixo, resíduos da cultura de massas inerentes à cidade de Porto Alegre; e no de Francisca, delimitar o território a partir de um olhar panorâmico, captado desde um drone, sobre a geografia do lugar.
A exposição fica em cartaz na Galeria Ecarta até 24 de janeiro de 2016. A visitação pode ser feita de terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 20h; e domingo, das 10h às 18h. A entrada é franca.