A afirmação foi feita por Queops Damasceno, membro da coordenação da Ocupação Lanceiros Negros, em coletiva de imprensa realizada na tarde desta quarta-feira. Os moradores reafirmaram que querem diálogo com o Governo do Estado e que vão resistir, caso a reintegração de posse seja levada a cabo. A ocupação já recebeu a visita de um oficial de justiça na última segunda, 23, mas o prazo de 72h para a desocupação do imóvel começa a contar somente quando o mandado for reunido aos autos do processo.
“Nós não temos outro lugar para ir, só sairemos daqui arrastados. Medo a gente tinha era de onde a gente vivia antes”, afirmou a moradora Jussara Vaz dos Santos.
Cerca de cem famílias, organizadas perlo MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas), ocupam o imóvel há 11 dias. Os ocupantes informaram também que foi criado um grupo de trabalho com arquitetos e engenheiros para desenvolver um projeto de adaptação do edifício para moradia. O imóvel de quatro andares tem peças amplas, que devem ser divididas em apartamentos para as famílias, de acordo com o tamanho de cada unidade familiar.
A falta de disposição do governo em dialogar é a principal crítica do movimento.“Como pode um governo não querer saber da situação dos cidadãos e tratar o direito a moradia como questão de Justiça? Esse governo é pra quem?”, questiona Damasceno. O advogado Onir de Araújo acrescentou: “Não é só uma questão de governo, é de Estado. Não podemos esquecer que no governo anterior tivemos diversos despejos truculentos. É importante lembrar que cada desocupação custa em média R$ 500 mil aos cofres públicos.”
“Esta noite ninguém aqui dormiu”
Os membros do movimento criticaram também a ação da Brigada Militar. Segundo os ocupantes, na última madrugada, os policias fizeram diversas provocações, batendo na porta do edifício, ironizando os ocupantes e acionando sirenes das viaturas ao longo da noite. “Esta noite ninguém aqui dormiu”, afirmou o morador Rogério Leonídio.

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