Autor: da Redação

  • Movimento Roessler coordena aula sobre Rio dos Sinos a líderes comunitários

    Os alunos do curso Gestores Ambientais Comunitários participaram de mais de uma aula em campo dentro do Projeto VerdeSinos, patrocinado pela Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental.
    Coordenada pelo Movimento Roessler para Defesa Ambiental, a aula foi ministrada pelo biólogo Fernando Soares, que realizou um percurso determinado por um transecto – um corte, ou uma linha traçada de um ponto a outro, com finalidade de estudo. O trajeto foi do Morro dos Bois, na Lombra Grande, ao Morro Dois Irmãos.
    A turma é composta por 40 lideranças comunitárias, integrantes de 15 instituições sociais da região da bacia hidrográfica do Rio dos Sinos. O curso possui um total de oito encontros e o encerramento está previsto para novembro. A próxima aula será no dia 17/10, sobre Sistema Nacional e Estadual de Recursos Hídricos.
    A primeira parada do coletivo ocorreu na ponte sobre o Rio dos Sinos, na barrinha, em Campo Bom, para visualizar o rio e seu entorno. Depois os alunos caminharam 68 metros para subir até o Morro dos Bois. “A idéia é que a gente possa se sentir aqui no local e refletir sobre o que vemos aqui”, ressaltou Soares.
    A prática incluiu a reflexão sobre diversos aspectos. Altitude, formação rochosa, fauna, flora, localização de arroios, importância da biodiversidade não humana remanescente na região, situação dos mananciais da região metropolitana e formação das florestas, integravam o questionário. Lá de cima foi possível ver bem como é a formação de uma microbacia hidrográfica, com morros, arroios, córregos e banhados.
    Em seguida, o grupo almoçou no Centro de Educação Ambiental Ernest Sarlet, na Lomba Grande, visitou o local e seguiu até a próxima parada na Integração, área de cheias do rio. O último ponto do transecto foi uma caminhada entre os morros Dois Irmãos, de onde, em dia de sol, é possível visualizar o ponto de partida do percurso: o Morro dos Bois.

    Integração, área de cheias do rio
    Integração, área de cheias do rio

    Ao final, os alunos puderam refletir também sobre a forma, direta, ou indireta, que o projeto que estão elaborando no curso irá contribuir com a gestão do uso e da oferta dos recursos naturais na bacia Sinos. O biólogo Julian Mauhs e o agrônomo Arno Kayser também contribuíram com seus ensinamentos aos alunos.

  • CPI do CARF decide dia 8 se convoca para depor o ex-presidente Lula

    Senadores membros da CPI do CARF decidem na quinta-feira, 8, se convocam o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e seu filho, Luís Claudio, para depor na comissão que acompanha as investigações da Operação Zelotes, da Polícia Federal.
    No documento de requerimento, o presidente da CPI, senador Ataídes Oliveira, do PSDB de Tocantins, argumenta que “a atuação da quadrilha investigada não se limitou ao CARF. Recentemente, foram divulgadas informações a respeito da compra da Medida Provisória nº 471/2009, editada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva”. Por isso, é apontado como “fundamental a oitiva do ex-presidente, que poderá prestar esclarecimentos a respeito do processo de edição da MP 471/2009, por ele assinada.”
    Incluídos também na lista de possíveis convocados o filho de Lula, Luís Claudio, e os ex-ministros Gilberto Carvalho e Erenice Guerra.
    O início
    A CPI do CARF foi instalada em 19 de maio, com 120 dias de prazo para realizar os trabalhos. É presidida pelo senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) e tem como relatora a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). Em setembro, a Comissão foi prorrogada por mais 120 dias.
    O esquema
    O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, órgão do Ministério da Fazenda, é a última instância administrativa de recursos relativos a processos abertos pela Receita Federal. O conselho tem competência até mesmo para anular multas tributárias aplicadas a empresas.
    Desde março, a Polícia Federal, por meio da Operação Zelotes, apura esquema criminoso em que conselheiros e ex-conselheiros do CARF passavam informações privilegiadas para escritórios de consultoria. Esses escritórios, muitos dos quais tinham os próprios conselheiros como acionistas, procuravam empresas multadas pela Receita Federal e, mediante pagamento de propina, prometiam manipular o andamento de processos e controlar o resultado dos julgamentos de recursos.
    Com isso, as empresas deixavam de pagar impostos e multas tributárias. A investigação já comprovou prejuízos de R$ 6 bilhões aos cofres públicos, mas auditores envolvidos na operação acreditam que a fraude pode ultrapassar R$ 19 bilhões.

  • Escola da Ospa promove concerto no Hospital da Criança Santo Antônio dia 7

    No mês na criança, a Camerata da Escola de Música da Ospa e outros dois grupos de estudantes da instituição visitam o hospital. O evento, que acontece no dia 7 de outubro, quarta-feira, às 14h30min, é o maior até agora da série Escola da Ospa na Comunidade, lançada neste ano.
    A Escola de Música da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre entra no clima do mês da criança. No dia 7 de outubro, quarta-feira, a partir das 14h30min, os alunos da instituição se apresentam em concerto no Hospital da Criança Santo Antônio, do complexo Santa Casa. O evento é o maior deste ano do projeto Escola da Ospa na Comunidade, que desde maio vem promovendo recitais de grupos de estudantes em espaços como hospitais, asilos, creches e escolas. Pela primeira vez a Camerata da Ospa Jovem, orquestra regida por Arthur Barbosa, participa da iniciativa. Na ocasião, a regência será de Cosmas Grieneisen. Os integrantes do Quarteto de cordas DhPHaro e do Quinteto de Cordas também se unem à atividade.

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    Desde maio são promovidos recitais em espaços como hospitais, asilos, creches

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    Orquestra, regida por Arthur Barbosa, circulará pelos 4 andares do hospital

    O diretor da Escola de Música, Diego Grendene de Souza, explica como se dará a participação dos estudantes: “a ideia é marcar a Semana da Criança com uma ação especial, levando nossa música às crianças, seus familiares e funcionários do hospital. Além da apresentação da Camerata no saguão, os grupos circularão pelos quatro andares, para que a música chegue o mais próximo possível de cada criança”. O Hospital da Criança Santo Antônio, que tem mais de 60 anos de história, é a maior unidade pediátrica do Rio Grande do Sul.
    Entre outubro e novembro, o “Escola da Ospa na Comunidade” promoverá outras quatro exibições. Os locais que serão contemplados são o Centro Social Murialdo (21.10), o Hospital Psiquiátrico São Pedro (4.11), a Escola EMEFF Tristão Sucupira da Restinga (11.11) e a Escola Espaço Girassol de Canoas (18.11). A primeira apresentação de outubro resume bem o objetivo da iniciativa, que busca aproximar das pessoas o trabalho desenvolvido pelo conservatório, como explica Diego: “tenho certeza de que será um momento inesquecível, tanto para as crianças internadas, quanto para os nossos jovens, que verão que a música, além de levar encantamento às salas de concerto, pode também trazer muita alegria e transformação a diversos espaços de nossa comunidade”.
    Mais informações através do site www.ospa.org.br.
    A Escola de Música da Ospa
    Fundada em 1972, a Escola de Música da Ospa – Conservatório Pablo Komlós cumpre função fundamental para o fomento cultural no Rio Grande do Sul. Promove formação musical gratuita, voltada para músicos de orquestra, oferecendo oportunidade de profissionalização na área. Grande parte dos instrumentistas que hoje integra a Ospa estudou na instituição, bem como muitos músicos que atuam em outras orquestras ou nas mais diferentes áreas da música, no Brasil e no exterior. Hoje a escola atende em torno de 200 alunos. Além disso, o conservatório conta com grupos orquestrais, regidos pelo maestro e violinista Arthur Barbosa e com um coral, dirigido pelo regente e violista Cosmas Grieneisen.

  • Sem UE, Alemanha busca alternativas para lidar com invasão de refugiados

    Mariano Senna
    De Berlim
    Em meio à maior crise humanitária desde a segunda guerra, o sonho de uma Europa solidária perdurou menos de uma semana. Sensibilizada por fatos com imagens de refugiados acuados, perseguidos ou mortos nas portas da UE, a primeira ministra alemã assumiu a liderança moral na questão e anunciou no final de agosto que o país poderia receber até 1 milhão de refugiados nos próximos anos. “Se fracassarmos na questão dos refugiados, fracassaremos em uma questão fundamental dos direitos universais da humanidade, e isso não condiz com o modelo de Europa que imaginamos”, disse Ângela Merkel.
    Após o anúncio, o trânsito de trens entre Budapeste, na Hungria, e Munique, na Alemanha, passando pela Austria, foi reaberto. A linha interrompida intermitentemente por milhares de refugiados sem visto ou pedido formal de asilo e acampados há semanas na estação central da capital Húngara, foi liberada só para depois ser interditada de novo. Motivados pela possibilidade de asilo alemão, os refugiados que não conseguiram embarcar em um trem seguiram da forma que puderam em direção da fronteira austríaca. Nada para quem está andando há meses em lugares bem mais inóspitos.
    Além de uma onda de 200 mil refugiados que entraram na Alemanha só em setembro, a decisão provocou o fechamento da chamada Rota dos Balcãs (Macedônia, Sérvia, Bósnia e Croácia), com direito a barricadas, cercas de arame farpado, e claro, a retomada do controle de fronteiras até mesmo entre países da própria União Européia. Na prática, uma medida que invalida um dos principais pilares do processo de integração. Coisa que até o início de outubro continuava sem solução.
    A crítica da presidente Croata, Kolinda Grabar-Kitarovic, à decisão da chanceler alemã resume o tom da disputa. “A senhora Merkel prometeu abrigo aos refugiados para depois puxar o freio de mão, dizendo que a Alemanha sozinha não tem como acolher a todos que procuram asilo”. O governo alemão vem tentando desde então conseguir um acordo para repartição dos refugiados entre todos os membros do bloco. Assim como a Croácia, a maioria dos países da UE se negam a dividirem a responsabilidade de abrigo aos refugiados acolhidos pela Alemanha. Governos como o da Polônia, chegam a argumentar que refugiados muçulmanos não são adequados para um país majoritariamente católico. Outros como a Eslováquia alegam não disporem de recursos para receber tamanha multidão.
    Internamente, a briga não é muito diferente. O governador da Bavária, Horst Seehofer (Partido da Uniao Social Crista), exige há semanas que a primeira ministra mude sua política de imigração. “Já ultrapassamos o limite da nossa capacidade”, declarou Seehofer no último fim de semana. Para ele, Merkel cometeu um grave erro ao permitir que os refugiados encurralados na Hungria fossem autorizados a entrar no país pelo seu estado. O argumento principal do político conservador bávaro é o custo de tal medida.
    E a conta vai ser gorda. Só a Alemanha está calculando gastar 6 bilhões de Euros com os 800 mil refugiados que espera receber só este ano. A maioria dos recursos serão gastos para financiar abrigos e alimentos, além dos salários daqueles que serão encarregados de analisarem os pedidos de asilo de toda essa gente. Na verdade, é na burocracia que resta a saída alemã para resolver sozinha a questão dos refugiados. Historicamente, de todos os pedidos de asilo formalmente feitos menos de um terço acaba atendido.
    Em julho passado, muito antes do caos humanitário de agora, o caso da refugiada palestina, Reem Sahwil, de 14 anos ganhou notoriedade na Alemanha depois que ela chorou frente as câmeras de um programa de TV ao ser informada pela própria Angela Merkel que as chances de um asilo na Alemanha eram reduzidas. A adolescente palestina e sua família vivem no país há quatro anos. Mesmo falando perfeitamente a língua local, e já adaptada à realidade do país, a jovem e seus pais vivem em um limbo processual. Não possuem o direito de ficar e não têm nenhuma garantia de que um dia o terão. Coisas do Deus Estado. Os motivos do impasse nem Franz Kafka saberia explicar.
    Imagens
     
    O mapa mostra a atual crise é causada por uma invasão de refugiados que depois de atravessarem a Turquia chegaram às portas da UE pela famosa Rota dos Bálcãs. Mas esse é só o último capítulo da tragédia humanitária de países como Síria, Iraque e Líbia. Há pelo menos dois anos pessoas desesperadas buscam chegar à Europa pelos mais diversos caminhos, entre eles a travessia do mar Mediterrâneo.

    Cenas da cinegrafista chutando pessoas desesperadas em fuga na fronteira entre a Hungria e a Sérvia
    Cenas da cinegrafista chutando pessoas desesperadas em fuga na fronteira entre a Hungria e a Sérvia

    Entre as imagens mais impactantes da recente crise de refugiados na Europa, as cenas mostrando uma cinegrafista chutando e calcando pessoas desesperadas em fuga na fronteira entre a Hungria e a Sérvia, ganharam repercussão mundial. A jornalista em questão era Petra Laszlo, e trabalhava para a rede N1TV, associada ao partido neo-neonazista Húngaro Jobbik. Assim como estas, as outras imagens colhidas nos últimos meses em países Europeus do Leste não deixam dúvidas de que o fenômeno neo-nazista ou nacionalista radical está ganhando forca para muito além das fronteiras da Europa ocidental.

  • Operadoras de telefonia são campeãs de reclamações no Procon

     
    O Procon Porto Alegre divulgou nesta segunda-feira, 5, o ranking das empresas mais reclamadas no órgão durante o mês de setembro.
    Lideram a listagem as operadoras de telefonia, com 21,6% do total de 2.004 reclamações registradas no órgão no período. A Oi foi mais uma vez a empresa fornecedora com maior número de queixas computadas, com 9,78% do total ou 196 reclamações.
    Em segundo lugar, aparece a NET (6,23%) e, posteriormente, a Claro (4,59%). Em quarta colocação está a Vivo (3,69%) e, em quinto lugar, a Tim (3,54%). A GVT aparece em sexta colocação (3,54%).
    Do total de reclamações do mês de setembro, 1.262 (63%) foram registradas por meio da Internet, pelo site do Procon e do App Procon.
    A maioria das queixas dos consumidores refere-se à ausência de cobertura de sinal e problemas em contratos, além de cobranças indevidas. O rol dos fornecedores mais reclamados do Procon pode ser acessado aqui ou por meio do App Procon para aparelhos celulares e tablets, disponível gratuitamente na Internet para sistemas Android e IOS.
    Atendimento – O Procon Porto Alegre é um órgão vinculado à Secretaria Municipal de Produção, Indústria  e Comércio (Smic) e atende ao público na rua dos Andradas, 686, das 10h às 16h. O telefone para informações é (51) 3289-1774. O órgão também atende pelo site www.portoalegre.rs.gov.br/procon e pelo aplicativo App Procon.

  • O bolo da vovó virou negócio

    Matheus Chaparini 
    Aquele bolo gostoso, molhadinho, estilo caseiro está virando moda entre os consumidores e sendo percebido por empreendedores como um novo nicho de mercado.
    As casas de bolo se baseiam em um conceito simples: bolo caseiro, daqueles de forma redonda, furados no meio, para levar para casa ou consumir no local, acompanhado de um chá ou café. Um bolo grande custa entre R$ 20 e R$ 30, dependendo do sabor e do estabelecimento.
    Em Porto Alegre, este é um negócio recente, mas que vem se espalhando com rapidez. Somente na região do Bom Fim, são pelo menos quatro novos estabelecimentos. “Todos nossos bolos são tipo caseiros, com uma massa bem úmida, que nem bolinho da vovó”, explica Marcelo Silva, sócio da recém inaugurada Boutique do Bolo. A loja abriu as portas no dia 16 de setembro, na rua Giordano Bruno. É o primeiro negócio de Marcelo, que tem 20 anos de experiência no ramo de panificação. Ele conta que sua sócia possui panificadora há mais quatro décadas e que a ideia é expandir e criar franquias.

    Marcelo Silva
    Marcelo Silva e a equipe da Boutique do Bolo

    Dois meses antes de Marcelo inaugurar a Boutique, na rua paralela Miguel Tostes, a Maria Bolaria abriu para o público. Thaise Silvestre é nutricionista e chefe confeiteira e há dois anos começou uma pesquisa para abrir um negócio próprio. Foi de São Paulo que ela trouxe a ideia. “Não existia nenhuma casa de bolos aqui quando eu comecei a pesquisa de mercado. Eu fui pra São Paulo em abril do ano passado e lá já estava super disseminado.” Aí começou o planejamento: de dia Thaise tinha um emprego como nutricionista, à noite testava receitas e colocava no papel a criação da sua empresa. Todas as receitas da Maria Bolaria são dela.
    Além destas, a Fome de Bolo também oferece receitas caseiras simples na Fernandes Vieira, próximo à Osvaldo Aranha. E vem mais bolo por aí, na avenida Venâncio Aires, uma faixa em frente ao número 827 indica mais uma casa por abrir. É a segunda unidade da loja Bolinhos da Maroca, que deve inaugurar no início de outubro. A matriz fica no bairro Menino Deus.

  • Dólar alto esvazia free-shops uruguaios de Rivera

    Final da manhã de um domingo (04/10) ensolarado no centro de Rivera, que concentra os free-shops uruguaios, na fronteira com o município gaúcho de Santana do Livramento. O que antes era um dia de grande movimento de turistas, agora se transformou em um cenário desolador: quase ninguém nas ruas, com exceção dos ambulantes e a maioria das lojas fechada, sendo que muitos imóveis vazios com placas para alugar.
    Nas ruas transversais a Sarandi, avenida principal do centro, os maiores free-shops estavam abertos, mas com pouquíssimos consumidores. Para evitar demissões em massa, algumas dessas lojas afastaram funcionários para receberem seguro do governo. Por quatro meses, recebem 50% do salário, e pra quem tem filho 60% dos vencimentos. Depois, retornam ou são demitidos.
    Nesses locais o dólar era negociado a R$ 3,79, um pouco abaixo do câmbio oficial. O valor dos produtos reduziram um pouco. O espumante Freixenet carta nevada, por exemplo, caiu de 10,80 dólares para 8. Em Porto Alegre, é vendido por mais de 50 reais. Na rua Agraciada, conhecida pela concentração de queijarias e produtos locais, três lojas abertas em quatro quadras.
    Além do dólar alto, também motivou a queda nas vendas a redução no limite de compras de importados sem ter de pagar imposto à Receita Federal. Caiu de 300 dólares para 150 dólares via terrestre.
    Confira as fotos:
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  • Cisne Branco e Prefeitura de Santa Cruz lançam Roteiro turístico hidro-rodoviário

    O Barco Cisne Branco e a Prefeitura de Santa Cruz do Sul reúnem imprensa e convidados em Porto Alegre nesta terça-feira, dia 06, às 19h, para lançamento do Roteiro Turístico “Hidro-Rodoviário” .
    O evento contará com a presença de César Antônio Cechinato, secretário da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Ciência e Tecnologia de Santa Cruz do Sul e da proprietária do Cisne Branco, Adriane Hilbig, além de representantes de entidades ligadas ao turismo e autoridades da região.
    “Teremos no barco uma ambientação característica de Oktoberfest, com comidas e músicas típicas alemãs”, explica Adriane. A noite também prevê a realização da 22ª edição do evento Conversando com o Turismo – Gerando Negócios da Noratur Trade Turístico.

  • Wisnik: “Os gaúchos são os galegos da América”

    Geraldo Hasse
    Os gaúchos são comparáveis aos galegos, cuja identidade oscila entre Espanha e Portugal. Com essa sacada o professor multimídia José Miguel Wisnik encerrou na tarde do sábado 3 de outubro o seminário Nós Outros Gaúchos, que durante cinco meses discutiu num dos auditórios da reitoria da UFRGS a dualidade lusoplatina dos habitantes do Rio Grande do Sul.
    A platéia do encerramento, cerca de 100 pessoas, era majoritariamente feminina e com predominância do pessoal da psicologia, pois no sofá dos palestrantes estava a psicanalista Caterina Koltai, paulistana que afirma ter conhecido o Brasil – e os gaúchos, em particular — como exilada política na França a partir de 1968.
    Ao contrário do esperado, Koltai se expôs muito pouco. Desculpando-se por “desconhecer os gaúchos”, leu um texto em que chamou a atenção para a atualidade dos refugiados como paradigma de uma nova era. “O refugiado não pertence ao novo lugar mas não quer ser assimilado a qualquer preço”, disse. Assim, esse pária permanece “estrangeiro”, ou seja, um estranho que é visto inicialmente como diferente mas pode ser apenas “excluído” ou se tornar um “inimigo”.
    Segundo Koltai, o confronto eu x outro é uma realidade antiga que muda com o tempo. Na época do Império Romano, a palavra “estrangeiro” (que significava “não familiar”) era apenas um adjetivo. Somente muitos séculos depois, passou a ser também um substantivo. Sinal de que o problema se adensava.
    No caso dos gaúchos, lembrou a ex-apátrida Koltai, a dualidade tem a ver com a existência da fronteira. “Uma identidade sempre se constrói em oposição a outra”, disse ela, salientando que “o imigrante transformou o indígena em estrangeiro”.  Depois, respondendo a uma questão, ela disse: “O fundamentalismo é uma doença da identidade: todos nós somos de alguma forma xenófobos — xenófobos ordinários –, mas cada discurso escolhe seu desafeto, o inimigo a ser destruído”.
    O GÊNIO PAULISTA
    José Miguel Wisnik abriu o peito, declarando-se paulista de São Vicente, filho de polaco paranaense e mãe mineira, casado com uma baiana, situação que lhe permitiu, desde cedo, compreender a diversidade brasileira. Quando chegou à Universidade de São Paulo, aos 18 anos, encontrou no curso de Letras muitos gaúchos que o surpreenderam pelo “letramento superior”, obtido em escolas particulares como o Colégio Anchieta (jesuítas) e em escolas públicas que receberam a influência do positivismo. Entre os colegas, citou Flavio Aguiar, Ligia Chiapini e Paulo Neves.
    Essa realidade de 50 anos atrás mudou bastante. Para Wisnik, “o letramento superior do gaúcho vem sendo lavado” pela homogeneização do conteúdo dos meios de comunicação, que priorizam a sobrevivência comercial em detrimento da cultura. Disso resulta a busca de saídas na construção de uma mitologia superior. “O mito está num entrelugar” situado a meio caminho entre a realidade e ilusão.
    Sem se dar conta de que citara involuntariamente o uruguaianense Tabajara Ruas, escritor e cineasta cujo trabalho se baseia na história mas realça os mitos gaúchos, Wisnik elogiou o livro O Gaucho de José de Alencar como uma obra “profunda psicanaliticamente”, mas preferiu comentar mais largamente o conto A Hora e a Vez de Augusto Matraga, no qual o mineiro Guimarães Rosa faz duelarem dois sujeitos terrivelmente envolvidos com os sentimentos de inveja e vingança.
    O HARAQUIRI DE GETÚLIO
    Citando o professor gaúcho Luis Augusto Fischer, que palestrara pela manhã e ocupava uma das poltronas do palco, ao lado de Sinara Robin, do departamento de Difusão Cultural da UFRGS, o professor paulista lembrou a importância do duelo como uma das marcas do homem do Sul. E acabou descambando para a política ao afirmar que Getúlio Vargas, com todas suas conhecidas ambigüidades, foi o único brasileiro até hoje a praticar um haraquiri político, capitalizando a morte como suprema cartada política.
    Depois, Wisnik alongou-se ao falar dos cinco generais-presidentes, três deles nascidos no Rio Grande do Sul e todos eles alunos do Colégio Militar de Porto Alegre (onde também estudaram nobres figuras da literatura como Mário Quintana e do direito como Darcy Azambuja). E lembrou até do mando no futebol exercido por técnicos como João Saldanha, Dunga e Felipão. Mas, lembrou ele, o RS também tem figuras sóbrias, comedidas e moderadas como o próprio Mário Quintana, o compositor Lupicínio Rodrigues, o cronista Luis Fernando Veríssimo (“o melhor cronista do Brasil contemporâneo”) e o músico Vitor Ramil.
    Wisnik concluiu assim: “O Rio Grande do Sul se coloca lugar à margem não devidamente compreendido pelo país. A integração malograda com o Brasil é compensada por uma integração com o Sul”, coisa muito bem captada pelo pelotense Vitor Ramil com sua Estética do Frio. Tudo isso se pode explicar porque “o Brasil é tão grande que, nele, qualquer um desaparece”.
    Foi aí que o professor vicentino associou os gaúchos aos galegos. A Galícia, na Espanha, na fronteira de Portugal, está situada no que antigamente se chamada “finis terra”. O Rio Grande do Sul, de certa forma, também faz parte de um fim do mundo onde é preciso se apegar a mitos e amuletos capazes de fazer alguma diferença. Por exemplo: “O Rio Grande do Sul tem a vantagem cultural de estar no meio entre Rio e Buenos Aires.”
    BRAVATA
    Aparentemente escalado para fazer o papel de moderador na sessão de encerramento do seminário – à qual não compareceu o convidado uruguaio, historiador Gerardo Caetano Hargain –, o escritor Luis Augusto Fischer aproveitou para fazer duas ou três intervenções sarcásticas. Primeiro, ao afirmar que “o melhor escritor gaúcho de todos os tempos chama-se Jorge Luis Borges”. Segundo, ao sugerir que, em consideração a Gisele Bundchen e outras modelos, sugere-se inverter os versos finais do hino riograndense: em vez de “sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”, cante-se “sirvam nossas modelos de façanha a toda terra”. Por fim, ele lembrou que, além da mania do duelo, os gaúchos tem outra marca: o hábito da bravata. Ou, seja, “do ridículo ao sublime, temos tudo”.

  • Nos 120 anos do Correio do Povo, a segunda morte de Breno Caldas

    JOSÉ ANTONIO PINHEIRO MACHADO
    Com a mesma discrição que viveu, o jornalista Breno Caldas teve no dia 1º de outubro passado sua segunda morte.
    O fato ocorreu nos festejos dos 120 anos do Correio do Povo e na edição comemorativa a essa importante data. Breno Caldas foi o jornalista mais importante da história do Correio do Povo.
    Filho do fundador, Caldas Júnior, Breno Caldas comandou o jornal durante 50 anos ― os 50 anos em que o Correio do Povo se tornou um dos jornais mais importantes do País.
    Apesar disso, seu nome não mereceu destaque na edição comemorativa do jornal. Na verdade, o Correio do Povo de hoje, que comemora os 120 anos que não viveu, é bem diferente do Correio do Povo que construiu a lenda: o Correio do Povo de Breno Caldas.
    A primeira morte do jornalista Breno Caldas, sua morte física, ocorreu em 1989, aos 79 anos, depois de uma agonia quase tão dolorosa quanto a do jornal que dirigiu durante meio século, o Correio do Povo.
    Fui seu amigo durante seus últimos anos, quando já estava longe de ser um dos 10 homens mais ricos do Brasil, co­mo foi considerado pela revista Veja nos anos 1970.
    Aproximei-me de Breno Caldas movido pela perplexidade que, desde 1984, atingia a maioria dos gaúchos: co­mo e por que o Correio, a publicação ma­is importante do Rio Grande ― e uma das mais importantes do Brasil ―, quebrou?
    Era a história incrível de um jornal que tinha deixado de circular apesar de ter invejável espaço publicitário e 90 mil assinaturas pagas.
    Já tinha ouvido as opiniões e análises mais diversas, mas eu queria saber a versão do personagem principal: o que pensava a respeito aque­le homem enigmático que tinha sido uma espécie de Vice-Rei do Rio Grande, e que, depois da derrocada, se recolhera a um silêncio impenetrável na sua bela propriedade da Ponta do Arado?
    Nossos primeiros contatos foram mui­to difíceis, pois o “Dr. Breno” não admitia a idéia da publicação de um depoimento seu sobre o fim do Correio do Povo:
    “Ninguém está interessado nas desculpas de um falido”, dizia, com sua inesgotável capacidade de rir de si mesmo.
    Se não fosse nossa paixão em comum por alguns esplêndidos cavalos, espe­cialmente os egressos dos campos de criação do inesquecível Marcel Boussac, as conversas não teriam ido adiante: talvez tivessem ficado naquele final de uma tarde luminosa de inverno em que tomamos chá inglês Earl Grey com bis­coitos caseiros, quando visitei-o pela primeira vez.
    Mas, por causa dos cavalos, voltamos a conversar, e o assunto voltou para o jornal. Por fim, o constrangimento do empresário mal sucedido sucumbiu diante da sensibilidade do velho redator- chefe, e Breno Caldas concordou em me conceder um longo depoimento que resultou no livro “Meio Século de Correio do Povo —Glória e Agonia de um Grande Jornal”― o livro mais vendido da Feira do Livro de Porto Alegre de 1987, que obrigou a Editora L&PM a imprimir uma segunda edição durante a Feira.
    Como ficou claro no livro, Breno Caldas tinha a dizer, é claro, muito mais do que desculpas sobre a falência; e muito mais gente do que ele imaginava estava interessada na sua versão.
    Quase todos perceberam esse lado épico de uma tragédia shakesperiana: ele perdeu sua fortuna tentando salvar sua paixão, o jornal.
    Mas o livro não tem o depoimento de um ressentido, mas sim o balanço de alguém que chegou ao fim da vida com seu dever cumprido. Nas saborosas reminiscências de um velho jornalista, Breno Cal­das retratou de forma impiedosa, os equívocos – especial­mente os dele – que levaram sua empre­sa a mergulhar em dívidas impagáveis quando decidiu renovar o parque gráfico e implantar uma emissora de TV. Tam­bém fez um libelo corajoso com acusações (que não tiveram contestação) a políticos e governantes da época que deram a voz de comando: “Vamos que­brar o Breno!” Atribuía isso a um ajuste de contas de poderosos, descontentes com sua “excessiva independência”.
    Era um homem conservador, mas, como lhe confidenciara um general, “não inteira­mente confiável”. Sua falência foi um filme repetido nos tempos do “milagre brasileiro” com tantos outros empre­sários: depois de ter sido induzido a cap­tar financiamentos em dólar através da famigerada “Resolução 63”, Breno Caldas enfrentou duas maxi-desvalorizações da moeda que multi­plicaram sua dívida.
    Em vez de deixar a pessoa jurídica, isto é, o jornal, afundar, salvando sua fortuna pessoal, resistiu em desespero e consumiu 90% do seu imen­so patrimônio particular tentando salvar o Correio do Povo. Por certo que não agiu com a prudência que se quer de um empresário, mas foi um jornalista exemplar: num dos lances finais da agonia do jornal, quando não tinha mais crédito para obter papel, trocou a metade dos 800 hectares que possuía na espetacular Fazenda do Arado, no sul de Porto Alegre, pelas bobinas ne­cessárias para imprimir o Correio mais algumas semanas.
    No que restou do Arado, uma belíssi­ma propriedade no extremo sul do município de Porto Alegre, onde o rio Guaíba faz a sua última volta, Bruno Caldas passou os últimos anos sem qual­quer arrependimento pelos prejuízos incalculáveis que teve: “Tudo o que eu possuía, veio do Correio; era justo que voltasse para o jornal.”
    Durante as gravações do depoimentos que me concedeu sempre se recusou a mencionar as cifras exatas de suas per­das. Mas, depois do livro impresso, num fim de tarde, quando bebíamos Dimple na sacada do seu gabinete, no Arado, diante do pôr-de-sol no Guaíba, confes­sou:
    “Uma vez, naqueles dias, numa única tarde perdi 35 milhões de dólares”.
    Mas em seguida mudou de assunto, passando a recordar Estensoro, El Centauro, El Supremo, Estupenda, e outros corredores magníficos que, nos bons tempos, criou nos campos do Haras do Arado. Também o Haras se foi, na voragem das dívidas.
    A todos esses golpes resistiu sem amargura, recolhendo-se às tardes silen­ciosas de sua bela biblioteca com cente­nas de volumes encardenados em couro, onde se deliciava lendo Dickens, Goethe e Chateaubriand ― sempre no original: ele falava, lia e escrevia com fluência em inglês, francês e alemão..
    Só não teve forças para enfrentar um último golpe, poucos anos antes de sua própria morte: a morte do filho, Francisco Antônio, de pouco mais de 50 anos, que por mais de três décadas o acompanhou, também trabalhando no Correio, na gerência comercial. A luta silenciosa do filho durante mais de um ano contra o câncer, sem uma queixa sequer, deixou Breno Caldas espantado:
    “O meu filho tinha fibras que eu desconhecia”, me disse.
    Não se recu­perou desse golpe, porém. E poucos meses depois, com problemas renais e respiratórios, mergulhou numa agonia dolorosa e irreversível. Enfrentou-a com a serenidade que suportou o naufrágio do seu jornal, revelando as mesmas fibras insuspeitadas do seu filho diante da morte.