Autor: da Redação

  • Terça-feira será de protesto contra a Redução da Maioridade Penal

    Acontece amanhã a Marcha Nacional contra a Maioridade Penal. Na capital a movimentação está prevista para o fim da tarde com concentração às 18h, na praça Montevidéu em frente à prefeitura, e saída a partir das 19h.
    O protesto na capital tem o envolvimento de pelo menos 19 grupos ligados aos movimentos estudantis e alega que a redução da maioridade para 16 anos não resolve o problema da violência decorrente no país.
    Na semana passada, após manobra do Presidente da Câmara Eduardo Cunha, a casa aprovou por 323 votos a favor ( o minimo necessário era 308) a diminuição da idade penal de 18 para 16 em caso de crimes hediondos ( estupro, sequestro, latrocínio, homicídio qualificado e outros). Agora a PEC 171 vai para o Senado onde ainda tem que passar por duas votações.
    A mobilização está prevista, pelas redes sociais, para pelo menos em mais 3 capitais: Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Em Porto Alegre quase 3 mil pessoas confirmaram presença em evento no facebook, que convidava as pessoas para a manifestação.

  • Aos 25 anos, coleta seletiva será ampliada na Capital

    Acontece amanhã, a partir das 10h no Largo Glênio Peres o lançamento da ampliação da coleta seletiva dentro da Campanha ReciclaPOA. Além de expor as ações e melhorias do serviço já realizado evento também celebra os 25 anos do serviço realizado na Capital
    Será montado um estande, ao lado do Chalé da Praça XV, das 9h30 às 16h30, com atividades de sensibilização e orientação ambiental para a população. A ideia é incentivar a melhor separação de resíduos na casa das pessoas. Atualmente, segundo o DMLU apenas 3% do lixo da cidade é reciclado o que representa 100 toneladas diárias.
    Alunos da rede pública também participam de atividades
    Também na terça Cerca de 60 alunos do ensino público farão as visitas guiadas pelo Serviço de Assessoria Socioambiental (Sasa) ao túnel de sensibilização, que fica na sede do DMLU (av. Azenha, 631). Na oportunidade, os alunos também irão conhecer a mais nova escultura do Sasa, feita com resíduos recicláveis. A escolha do nome da escultura, uma elefanta, será feita por meio de votação.

  • A DÍVIDA QUE NOS GOVERNA

    GERALDO HASSE.
    A economista Maria Lucia Fatorelli esteve na última quarta-feira (1 de julho)  na Comissão de Fiscalização Participativa do Congresso Nacional e deu um banho de conhecimento sobre o endividamento do governo brasileiro.
    Após sua exposição, ao vivo pela TV Câmara, ímpossível não concluir que aí, na dívida, está o X da crise brasileira, que se resume a uma crise recorrente do balanço de pagamentos provocada pela dependência dos capitais externos.
    O Brasil é governado pela dívida gerida por “dealers” de 12 bancos que se revezam na vigilância dos juros pagos pelo Tesouro Nacional aos credores internacionais.
    No momento, revelou a senhora Fattorelli, o Banco Central do Brasil está pagando mais do que os 13,75% que ele próprio BC fixou para os juros pagos aos credores da dívida brasileira.
    Enquanto ela falava para uma platéia atenta convocada pela deputada paulista Luiza Erundina (PSD), a presidenta Dilma Rousseff passeava em Washington com um sorridente Barack Obama, pouco mais de um ano depois do cancelamento de sua viagem aos EUA por causa do escândalo da espionagem ianque no Brasil, particularmente no Palácio do Planalto e na Petrobras.
    Que os americanos têm espiões pelo mundo, todo mundo sabe. Que eles possuem interesse explícito no petróleo brasileiro, ninguém ignora. Também estamos cientes de que os interesses diplomáticos obrigam os políticos e os empresários a engolir sapos pelo mundo afora, mas o que o Brasil ganhou com a viagem de Dilma aos EUA? Nada.
    Dilma está dilapidando o patrimônio político amealhado para o PT por seu padrinho político, o ex-presidente Lula. O governo federal vive um apagão político mais intenso do que o vivido por Lula em 2005, quando começou o escândalo do Mensalão. É um tempo perigoso.
    Segundo o cientista político Antonio Carlos de Medeiros, que trabalha no eixo Vitória-Brasilia, o Brasil está no limiar de uma crise de Estado.
    A causa é essa combinação perversa de abulia presidencial com o desmedido apetite gerencial dos dirigentes parlamentares Eduardo Cunha e Renan Calheiros, tudo temperado pelo “laissez faire” do Judiciário e a irresponsabilidade da mídia, que joga todas suas fichas num golpe que antecipe o fim do mandato de Dilma.
    Por que a presidenta se comporta como se estivesse acuada? Estará esperando uma hora mais propícia para se defender do cerco que lhe movem os incomodados com o modo petista de governar – seja isso lá o que for? Acredita mesmo que é melhor ficar em silêncio, sem dar porrada nos inimigos e adversários?
    Se colocarmos numa peneira as mulheres mais corajosas e salientes do Brasil de agora, Dilma provavelmente desapareceria da tela, eclipsada por figuras como essa Maria Lúcia Fatorelli, que percorre o país numa rara luta nacionalista para implantar a auditoria cidadã da dívida.
    É o caminho para se libertar do jugo dos bancos internacionais, uma rede vampiresca da qual fazem parte os gigantes brasileiros Bradesco e Itaú, entre outros de menor porte.
    O Brasil é devedor dos ingleses Rostschild desde 1824, quando mal havia se libertado da Coroa portuguesa. Devemos também para alemães, japoneses, americanos e chineses.
    Por que o Brasil faz questão de pagá-los em dia, juros sobre juros, sacrificando a população trabalhadora? Não seria este o momento de botar a boca no trombone e iniciar a auditoria da dívida que sufoca a economia brasileira?
    O ajuste fiscal ordenado para custear o endividamento está provocando cortes de verbas para obras públicas fundamentais, inibindo investimentos privados (sempre atrelados ao bom humor oficial), gerando desemprego, queda das receitas públicas e estagnação econômica. Somado à inflação que não cai, é um quadro terrível cujo reflexo aparece no baixo índice de aprovação do governo – apenas 8%.
     

  • Vereadores são indiciados na Procuradoria da Mulher

    A turbulenta sessão plenária que votou o Plano de Educação Municipal da cidade em Porto Alegre  ainda repercute na Câmara de Vereadores da capital. Na última quinta,dia 2, foram encaminhados para a Procuradoria da Mulher da Casa, as representações de Jussara Cony (PCdoB) contra Nereu D’Ávila (PDT) e Lourdes Sprenger(PMDB) contra  César Casartelli(PTB) quando houve ofensas e agressões por parte dos indiciados.
    Cony afirmou estar “fragilizada” com a situação. “Uma coisa é ficar lutando contra as opressões que outras mulheres sofrem. Mas é diferente quando é a gente que sofre essa violência. De qualquer forma, penso que quando uma mulher é vítima de violência, todas as mulheres também são”, salientou na entrega do documento.
    Já a vereadora Lourdes foi agredida verbalmente: “Fui chamada de sem-vergonha por votar de forma diferente da dele”, comentou.
    Representante de entidades que defendem a mulher também expuseram seu repúdio. A presidenta do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, Fabiane Dutra, disse comentou, com revolta,os casos de violência. “A Câmara tem que aplicar uma punição exemplar. Se não houver, vamos buscar outras instituições para que haja retratação e a violência contra a mulher deixe de ser banalizada”.
    “A agressão cometida contra a vereadora Jussara precisa ser alvo de uma denúncia coletiva na Delegacia da Mulher para evitar que este ou qualquer outro vereador volte a fazer algo assim”, salientou Silvana Conti, representante do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.
    Segundo a procuradora da Mulher, Sofia Cavedon (PT), as representações serão encaminhadas à Presidência da Câmara para que sejam analisadas.

  • A Revolução Eólica (52) – RS atinge 1,3 mil MW, capaz de abastecer o Acre

    Cleber Dioni Tentardini
    Com a entrada em operação neste mês de julho dos 17,9 megawatts (MW) do Parque Eólico Chuí 9, o Rio Grande do Sul chega a 1.321,6MW de capacidade instalada de energia eólica. Isso representa 20% da produção nacional, que hoje é de 6,6GW, conforme dados da Associação Brasileira de Energia Eólica – ABEEólica.
    Através de uma estimativa, pode-se dizer que essa capacidade pode gerar 375 gigawatts hora(GWh) e abastecer em média 2 milhões de residências mensalmente. Segundo o Balanço Energético Nacional – BEN 2014, publicado pela EPE, a geração estimada seria capaz de abastecer o consumo residencial de eletricidade do Acre, que consumiu 373 GWh em 2013.
    No RS, estão produzindo energia 51 parques distribuídos em nove municípios da região metropolitana de Porto Alegre, Llitoral Norte e Sul e Fronteira-Oeste. Além desses, já estão contratados e em construção mais 41 parques eólicos no Estado, que somam 764,3 MW para entrar em operação até 2017.
    O novo parque em Chuí com dez aerogeradores de 80 metros ocupa uma área de 112 hectares no Chuí, Litoral Sul, fronteira com a cidade uruguaia de Chuy. Recebeu a licença de operação da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) no final de junho e parecer de acesso do Operador Nacional do Sistema – ONS e aguarda sinal positivo da Agência Naconal de Energia Elétrica (Aneel) e demais órgãos responsáveis para começar a operar. Conforme a LO, a empresa deverá manter monitoramento de aves, morcegos, mamíferos terrestres, anfíbios, répteis e peixes anuais e sinalizar as estradas para controle de atropelamento de animais.
    Megausina de Campos Neutrais

    Linha de transmissão em Santa Vitória do Palmar / Foto de Cauê Mendonça
    Linha de transmissão em Santa Vitória do Palmar / Foto de Cauê Mendonça

    Os novos aerogeradores fazem parte de um conjunto de seis usinas do Parque Eólico Chuí, que terá 144 MW de potência instalada. O investimento é da Eletrosul /Eletrobras (49%) em parceria com o Fundo de Investimentos em Participações (FIP) Rio Bravo, que detém 51% do negócio.
    Somado aos outros dois parques que estão sendo construídos naquela região litorânea – os parques eólicos Geribatu, com 258 MW, e Hermenegildo, com 181 MW de capacidade, ambos em Santa Vitória do Palmar – formam o Complexo Eólico de Campos Neutrais, que pretende ser o maior da América Latina. Os 583 megawatts (MW) de capacidade instalada é suficiente para atender ao consumo de 3,3 milhões de habitantes.
    Os investimentos em Campos Neutrais chegam a R$ 3,5 bilhões, levando em conta os parques e as obras do sistema de transmissão, que leva a energia do extremo Sul ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A Eletrosul em parceria com a Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul (CEEE-GT), construíram perto de 490 quilômetros de linhas de transmissão (525 kV), três novas subestações e ampliando uma unidade existente.

  • Lerner lamenta falta de investidores para o Cais Mauá

    Por P.C. de Lester
    A palestra do arquiteto e urbanista Jaime Lerner na Federasul, nesta quarta-feira (1º/07)  foi de certa forma romântica, na linha de que a cidade do futuro deve aliar os conceitos de mobilidade urbana, sustentabilidade e sociodiversidade com convivência e tolerância.
    “Espaços vivos e preparados para a população usufruir de forma aprazível”.
    Lerner descarta as perspectivas catastrofistas,como a do filme Blade Runner, clássico da ficção, de 1982, dirigido por Ridley Scott, que mostra uma Los Angeles decadente em 2019, suja, poluída, com a poluição, chuvas constantes, consumismo exacerbado e a consequente busca de novas formas de colonização. Enfim, o colapso moral e material da civilização.
    Lerner está otimista quanto ao nosso futuro. Inclusive em relação ao automóvel, hoje vilão da mobilidade e do meio ambiente: “Será diferente, não mais para o dia a dia e viagens individuais”, afirma.
    O carro do futuro para a utilização diária poderá ser como a bicicleta de aluguel nos dias de hoje.
    Inclusive, o ex-governador do Paraná tem o seu próprio projeto de um carro elétrico, feito de papel reciclado.
    O veículo, que pode levar apenas uma pessoa seria uma alternativa para cumprir pequenas distâncias e evitar o trânsito das grandes cidades.
    Chamado de Dock Dock, o carro tem 1,5 metro de altura por um metro de comprimento e tem autonomia de até 100 quilômetros sem precisar de recarga.
    Em relação aos seus projetos para o “Cais Mauá” e “Orla do Guaíba, trecho 1”, Lerner só mostrou imagens românticas e deu uma cutucada nos empresários locais:
    -“Em Curitiba sempre pude contar com investidores, mesmo que o retorno não fosse tão espetacular, mas que fossem obras necessárias para a cidade”.
    O que não veio à baila na reunião almoço da Federasul é que projeto do Cais Mauá está longe de ter unanimidade e a Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH) não descarta a possibilidade de rescisão do contrato.
    O complexo contrato está com a Cais Mauá Brasil S/A, com o plano urbanístico feito pelo escritório Jaime Lerner Arquitetos Associados, de Curitiba, e o esboço arquitetônico das edificações, do estúdio espanhol b720 Fermín Vázquez Arquitectos.
    O consórcio obteve o arrendamento da área por 25 anos, renováveis por outros 25, e tem a obrigação de retornar os bens construídos ao município ao fim da concessão.
    Este projeto contempla shopping center, hotel e torres comerciais e a manutenção do fatídico muro, somente mais palatável, pois ganhará uma cascata de água.
    Só que os investidores, como bem ressaltou Lerner, ainda não apareceram ou estão na moita, aguardando os acontecimentos.
    A população está mobilizada através do coletivo Cais Mauá de Todos, que já promoveu diversas reuniões na frente do Pórtico da Mauá, Centro Histórico, que reúnem milhares de pessoas descontentes com a concessão do antigo porto da Capital à iniciativa privada.
    Existe um projeto intervenção arquitetônica e urbanística alternativo, que tem como base três ações principais: eliminar as barreiras entre o Guaíba e a cidade, restaurar o patrimônio histórico e repensar a mobilidade urbana e a acessibilidade do local.
    A população quer um debate público sobre o projeto previsto para a área.
    E isto tem tudo a ver com a proposta de cidade do futuro que Lerner externou em sua palestra: espaços vivos e preparados para a população usufruir de forma aprazível.
    Quem sabe a Federasul convida o coletivo Cais Mauá de Todos a apresentar seu projeto alternativo num próximo “Tá na Mesa” para enriquecer o debate.

  • Frente Ambiental quer clareza do governo sobre parques estaduais

    FELIPE UHR
    Foi instalada no final da manhã de hoje, no Salão Júlio de Castilhos da Assembleia Legislativa, a Frente Parlamentar em Defesa dos Parques Públicos Estaduais e do Zoológico de Sapucaia do Sul. Proposta pelos deputados Altemir Tortelli(PT) e Manuela D’Ávila (PCdoB) a frente tem como objetivo principal defender as reservas ambientais e os parques ecológicos de uma possível privatização.
    Em audiência pública realizada no mês passado, o governo estadual admitiu que pretende fazer concessões de reservas ambientais para a iniciativa privada afim de fortalecer o comércio para os visitantes, mas negou qualquer tipo de privatização.
    Fazem parte da Frente Parlamentar, que já tem reunião agendada para a próxima quinta-feira (9), deputados, representantes de ONGs ambientais, entidades de representação dos trabalhadores e movimentos sociais ligados ao meio-ambiente. O grupo também acompanhará a situação dos parques por meio da análise de projetos, estudos e visitas técnicas.
    Para o deputado Tortelli é estranho que se faça uma concessão visto que já existe um projeto de lei, desde 2003, permitindo que o governo faça parcerias público privadas não precisando haver o uso da concessão. ” Através do instrumento parlamentar vamos contatar o presidente da casa, que é do governo, para que se faça um diálogo com a Casa Civil, e que lá se chame os secretários responsáveis para que mostrem documentos do que de fato está sendo proposto” exclamou o parlamentar.
    Segundo o deputado poderá haver ainda um pedido ao Ministério Público para que seja esclarecido qual o tipo de concessão que o governo quer fazer. Também já estão agendados para o mês de julho duas audiências públicas, em Esteio e Sapucaia, que pretendem averiguar e discutir o que o governo pretende fazer com a área do Parque Zoológico de Sapucaia do Sul.
    Para o vereador de Sapucaia Edson Portilho(PT) é de urgência um esclarecimento do governo em relação ao tema. “Nosso parque está à venda e nós não vamos permitir” declarou.
    Manuela não pode comparecer à solenidade devido a problemas de saúde.

  • Estudo revela gastos do governo federal com propaganda

    Dados inéditos e exclusivos sobre os gastos do governo federal com publicidade
    A Rede Globo  ainda lidera, mas tem queda em anos recentes.
     A Rede TV!, com menos de 1 ponto de audiência, recebeu R$ 408 mi nos anos petistas.
    * Reportagem de Fernando Rodrigues, publicada originalmente em seu Blog.
    A Rede Globo e as 5 emissoras de propriedade do Grupo Globo (em São Paulo, Rio de aneiro, Minas Gerais, Brasília e Recife) receberam um total de R$ 6,2 bilhões em publicidade estatal federal durante os 12 anos dos governos Lula (2003 a 2010) e Dilma (2011 a 2014).
    Como a cifra só considera TVs de propriedade do Grupo Globo, o montante ficaria maior se fossem agregados os valores pagos a emissoras afiliadas. Por exemplo, a RBS (afiliada da Globo no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina) recebeu R$ 63,7 milhões de publicidade estatal federal de 2003 a 2014.
    Outro exemplo: a Rede Bahia, afiliada da TV Globo em Salvador, que pertence aos herdeiros de Antonio Carlos Magalhães (1927-2007), teve um faturamento de R$ 50,9 milhões de publicidade federal durante os 12 anos do PT no comando do Palácio do Planalto.
    A TV Tem, que abrange uma parte do rico mercado do interior do Estado de São Paulo, em 4 regiões (com sedes nas cidades de São José do Rio Preto, Bauru, Itapetininga e Sorocaba), faturou R$ 8,5 milhões de publicidade estatal federal em 2014. Essa emissora é de propriedade do empresário José Hawilla, conhecido como J. Hawilla (pronuncia-se “Jota Ávila”), que está envolvido no escândalo de corrupção da Fifa.
    Os dados deste post são inéditos. Nunca foram publicados com esse nível de detalhes até hoje. Os valores até 2013 estão corrigidos pelo IGP-M, o índice usado no mercado publicitário e também pelo governo quando se trata de informações dessa área. Os números de 2014 são correntes (sem atualização monetária).
    A série histórica sobre publicidade do governo federal começou a ser construída de maneira mais consistente a partir do ano 2000. Não há dados confiáveis antes dessa data.
    O volume total de publicidade federal destinado para emissoras próprias do Grupo Globo é quase a metade do que foi gasto pelas administrações de Lula e Dilma para fazer propaganda em todas as TVs do país. Ao todo, foram consumidos R$ 13,9 bilhões para veicular comerciais estatais em TVs abertas no período do PT na Presidência da República. As TVs da Globo tiveram R$ 6,2 bilhões nesse período.
    Apesar do valor expressivo destinado à Globo, há uma nítida trajetória de queda quando se considera a proporção que cabe à emissora no bolo total dessas verbas.
    As emissoras globais terminaram o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso, em 2002, com 49% das verbas estatais comandadas pelo Palácio do Planalto e investidas em propaganda em TVs abertas.
    No ano seguinte, em 2003, já com o petista Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência, a fatia da Globo pulou para 59% de tudo o que a administração pública federal gastava em publicidade nas TVs abertas. Esse salto não se sustentou.
    Nos anos seguintes, com algumas oscilações, a curva global foi decrescente. No ano passado, 2014, a Globo ainda liderava (recebeu R$ 453,5 milhões), mas chegou ao seu nível baixo de participação no bolo estatal federal entre TVs abertas: 36% do total da publicidade.
    Todos esses dados podem ser observados em detalhes no quadro a seguir (clique na imagem para ampliar):
    Como se observa, a queda de participação das TVs é também sentida na audiência da maior emissora brasileira. Segundo a aferição realizada pelo Ibope Media Workstation (Painel Nacional de Televisão, com base 15 mercados, durante 24 horas, todos os dias), a TV Globo teve 12 pontos de audiência domiciliar média em 2014.
    Todas as 4 maiores emissoras de TV aberta enfrentaram quedas de audiência ao longo dos últimos anos. Essa menor presença nas casas das pessoas, entretanto, nem sempre está refletida em menos verbas publicitárias federais.
    A Record, por exemplo, recebeu um verba de R$ 264 milhões em 2014 contra R$ 244 milhões em 2013 (aumento de 8,4%), apesar da queda da audiência da emissora de um ano para o outro (de 4,5 para 4,2 pontos no Ibope, das 6h à 0h).
    Já o SBT, terceira TV aberta no Brasil (cuja audiência ficou quase estável, variando de 4,5 para 4,4 pontos no Ibope, de 2013 para 2014), registrou uma queda no faturamento de publicidade estatal federal: saiu de R$ 182 milhões para R$ 162 milhões.
    Nota-se, portanto, uma assimetria no tratamento dado pelo governo para as 2 maiores TVs que ficam abaixo da Globo quando se considera audiência e valores de publicidade recebida.
    Record e SBT tiveram audiências muito semelhantes em 2014, na casa de 4 pontos no Ibope. Só que a Record, emissora do Bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, recebeu cerca de R$ 100 milhões a mais de verbas publicitárias federais no ano passado na comparação com o SBT, do empresário e apresentador Silvio Santos.
    Já a Band (com apenas 1,7 ponto de audiência média no Ibope em 2014) teve R$ 102,4 milhões de propaganda dilmista no ano passado. A Rede TV! (0,6 ponto de audiência) ficou com R$ 37,8 milhões.
    JORNAIS IMPRESSOS
    Nos governos Lula e Dilma (2003-2014), os jornais impressos arrecadaram R$ 2,1 bilhões com a publicação de propagandas da administração petista. Desse total, R$ 730,3 milhões (35%) foram destinados a apenas 4 publicações: “O Globo”, “Folha de S.Paulo”, “O Estado de S.Paulo” e “Valor Econômico”.
    Alguns aspectos chamam a atenção a respeito da publicidade estatal federal para jornais diários impressos.
    Um deles é que durante os anos de 2000, 2001 e 2002 (no governo do tucano Fernando Henrique Cardoso) essas 4 publicações tiveram um volume de receita de publicidade estatal proporcionalmente igual ao do período subsequente, com o PT no poder.
    Como está registrado acima neste post, não existem dados disponíveis e confiáveis sobre gastos em propaganda antes do ano 2000.
    Dessa forma, só é possível somar os valores dos 3 últimos anos do segundo mandato de FHC, quando todos os jornais diários brasileiros receberam R$ 701,4 milhões de verbas de propaganda do governo federal. Desse total, a quadra “Globo-Folha-Estado-Valor” ficou com R$ 243,1 milhões –ou seja, 35% do bolo completo do meio jornal.
    A conclusão é simples: embora o discurso do PT no poder tenha sido crítico em relação à cobertura jornalística feita pelos grandes jornais impressos diários, os petistas no Palácio do Planalto continuaram a conceder proporcionalmente a esses veículos o mesmo que o governo do PSDB concedia.
    Eis os dados sobre publicidade estatal nos principais jornais impressos do país (clique na imagem para ampliar):
    JORNAIS DIGITAIS
    Há um dado que merece ser visto com mais atenção quando se observa o valor recebido pelos mais tradicionais jornais impressos do país para veicular publicidade estatal federal: quanto vai para as suas operações na internet.
    O quadro acima neste post mostra o valor total recebido por “O Globo”, “Folha de S.Paulo”, “O Estado de S.Paulo” e “Valor Econômico”. Mas é possível saber exatamente quanto essas empresas faturaram desses anúncios para veiculá-los apenas em suas edições online. E também existem dados sobre quantas edições desses 4 jornais são de fato impressas, em papel, e quantas são apenas assinaturas digitais. Eis os dados (clique na imagem para ampliar):
    Como se observa, há uma curva de crescimento para todos os 4 veículos ao longo dos últimos anos, com algumas oscilações. Em 2014, o líder das verbas estatais federais em suas edições digitais foi o jornal “O Estado de S.Paulo”, que recebeu R$ 2,743 milhões. Outro dado interessante: a queda continua das edições impressas. E no mês de maio de 2015, o jornal “O Globo” se tornando o de maior tiragem impressa entre os veículos de qualidade do país, à frente da “Folha de S.Paulo” –que há décadas liderava esse ranking.
    REVISTAS
    O meio revista tem experimentado também uma grande queda no faturamento com verbas publicitárias federais. A semanal “Veja”, líder do mercado, já chegou a ter R$ 43,7 milhões dessas verbas em 2009 (o seu recorde). Em 2014, desceu para R$ 19,9 milhões.
    Eis os dados detalhados sobre as 4 principais revistas do país (clique na imagem para ampliar):
    PORTAIS DE INTERNET
    O meio internet já é o segundo que mais recebe publicidade estatal do governo federal. Esse dado fica bem visível quando se observam os valores destinados a 4 grandes portais brasileiros.
    O UOL, maior portal do país com 39,8 milhões de visitantes únicos em dezembro de 2014, teve R$ 14,7 milhões de faturamento para veicular propaganda estatal federal nesse ano. O UOL pertence ao Grupo Folha.
    O G1 e o portal Globo.com, somados, tiveram uma audiência de 34,1 milhões de visitantes únicos em dezembro de 2014. Receberam R$ 13,5 milhões de verbas federais de publicidade nesse ano.
    Eis os dados detalhados de 4 grandes portais de internet (clique na imagem para ampliar):
    (Colaborou nesta reportagem Bruno Lupion, do UOL, em Brasília