Autor: Elmar Bones

  • Governo Municipal inicia mapeamento da violência

    Naira Hofmeister

    Se, por um lado, a polícia tem a obrigação de coibir a criminalidade, por outro, o cidadão parece estar se conscientizando de sua função de vigilante social dentro do processo de combate à violência. Com esse espírito, a Secretaria Municipal de Saúde e Segurança Urbana começa a por em prática um plano para mapear as mais diversas formas de violência na capital, que tem como fundamento a participação comunitária.

    Trata-se do Rinav – Relatório Individual de Notificação de Agravos Decorrentes de Violência -, que já está sendo implantado em 10 hospitais – públicos e privados – e em toda a rede de saúde municipal, em Porto Alegre. Esse universo é apenas a primeira fase do projeto, que vai abranger também a Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), a rede escolar e outras instituições, inclusive não governamentais, para obter dados precisos e aprofundados sobre violência em Porto Alegre.
    “Não há como enfrentar esse problema sem a união de toda a sociedade”,
    pontua Gehysa Guimarães Alves, coordenadora da Equipe de Informação da Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde do município. Na prática, o Rinav vai significar um novo olhar sobre as vítimas de violência, mais cuidadoso e profundo por parte do estado e mais ativo e preocupado para a sociedade.
    Objetivamente, trata-se de um formulário, que, por enquanto apenas as
    instituições de saúde deverão preencher, a partir da detecção de sintomas de violência no atendimento público. Ou seja marcas físicas, transtornos psicológicos ou qualquer outra manifestação de possível envolvimento com violência deverá ser imediatamente comunicado à Secretaria de Saúde e Segurança Urbana. “Mesmo sem a confirmação por parte da vítima, esse relatório será encaminhado aos órgãos responsáveis, para dar início à uma investigação”, lembra Gehysa.
    A aplicação do Rinav, sua conseqüente verificação e posterior análise vão clarear os números apresentados pela Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde (CGVS). Segundo Denise Aerts, as chamadas causas externas’ ocupam o 4º lugar em óbitos gerais em Porto Alegre e lideram esse ranking dentro do universo infanto-juvenil. O que a CGVS chama de causas externas é o que provoca imprecisão no levantamento.
    As causas externas abrangem todos os tipos de mortes violentas, incluindo aí acidentes de trânsito, afogamentos e suicídio, além das agressões diretas. O papel do Rinav é esclarecer e pontuar quais as situações mais críticas, determinando suas causas e incidências, para, a partir daí, elaborar ações sociais para combatê-las.
    Outra constatação apresentada por Denise recorta um pouco mais esse universo: em Porto Alegre, 75% das mortes violentas tem como fator determinante as injúrias, intencionais ou não. Ou seja, há grande possibilidade de a agressão verbal transformar-se em agressão física.
    Já a partir de março do próximo ano, o Rinav amplia seu espectro de atuação, passando a circular em toda a rede de saúde de Porto Alegre e dentro de outras instituições. Uma das principais frentes de coleta de dados devem ser as escolas municipais: “A gente sabe que um professor tem, às vezes, muito mais condições de detectar transtornos causados por violência doméstica do que um funcionário da saúde”, explica Denise.
    Outros setores da sociedade civil estão sendo convocados para se unir à esse trabalho: “Precisamos de todos para fazer a diferença para vítima da violência”, concluiu a coordenadora. Para se unir ao projeto, basta entrar em contato com a CGSV.

  • Repórter do JÁ é Jornalista do Ano

    Renan Antunes de Oliveira foi o maior vencedor e também a grande surpresa do Prêmio Press de Jornalismo entregue na noite desta terça-feira, 22 de novembro, em cerimônia no auditório Dante Barone da Assembléia Legislativa do Estado.

    Nosso repórter, que curte momentos de “isolamento” nos EUA, foi agraciado como Jornalista do Ano, superando pesos-pesados da grande imprensa. Fato que não é inédito na sua conturbada carreira de jornalista independente como gosta de ser classificado. Assim também foi em 2004 quando recebeu no Rio de Janeiro o Prêmio Esso de Reportagem.

    Renan concorreu com Farid Germano Filho, da Rádio Farroupilha, Giovani Grizotti, da Rádio Gaúcha, Luiz Fernando Veríssimo, de Zero Hora e Ribeiro Neto, da Rádio Band AM.

    Na sua ausência, foi representado pela mamãe, dona Edith que, bastante emocionada, rasgou elogios ao filho. “O jornalismo sempre esteve presente na minha vida”, disse, ao lembrar seu outro bebê, também jornalista, Paulo Gerson Antunes de Oliveira. “Tenho orgulho do meu filho porque ele sempre escreve a verdade e mereceu muito ganhar esse prêmio”, afirmou num tom provocativo.

    Ao total foram 90 mil votos pela internet, o que incluiu voto popular e de profissionais da imprensa gaúcha. Só no voto popular foram 86 mil indicações totalizando 320 nomes diferentes nas 16 categorias do prêmio.

    O Jornal JÁ ainda esteve entre os finalistas na categoria “Chargista/Gragista” com Fraga e com o mesmo Renan em “Repórter de Jornal/Revista”.

    Os demais ganhadores

    Repórter de Rádio- Camila Ferro (Rádio Pampa)
    Repórter de TV- Eduarda Streb (RBS)
    Repórter de Jornal/Revista- Flávio Pereira (O Sul) e Humberto Trezzi (Zero Hora)
    Colunista de Jornal- Paulo Sant’Anna e Rosane de Oliveira (Zero Hora)
    Comentarista de Televisão – Ana Amélia Lemos (RBS)
    Apresentador de Televisão – Felipe Vieira (Band TV)
    Apresentador de Rádio – Nando Gross (Rádio Gaúcha)
    Jornalista de WEB – Diego Casagrande ( www.opiniaolivre.com.br )
    Chargista/ grafista – Iotti (Zero Hora)
    Repórter Fotográfico – Diego Vara (Correio do Povo)
    Narrador esportivo – Marco Antônio Pereira (Rádio Gaúcha)
    Plantão esportivo – Rogério Boelcke (Rádio Guaíba)
    Destaque do Interior – Vinicius Schil (Rádio Soledade)
    Prêmios Especiais
    Troféu Ruy Carlos Ostermann de Comentarista de Rádio- João Garcia (Rádio Guaíba)
    Troféu Milton Ferreti Jung de Locutor/Apresentador de Notícias – André Machado (Rádio Gaúcha)

  • Maestri diz que pesquisadores precisam pôr o negro na história do RS

    Geraldo Hasse, especial para o JÁ

    O historiador Mario Maestri disse em Osório na abertura do I Simpósio Internacional do Litoral Norte sobre História e Cultura Negra que os pesquisadores gaúchos têm o dever de reestudar a história rio-grandense no século 19 para recuperar algo que a historiografia oficial escondeu: a presença do negro na economia e na cultura do estado. “O escravismo foi dominante na sociedade do Rio Grande do Sul”, disse Maestri, que leciona na Universidade de Passo Fundo.
    No período de um século que marca o início da indústria do charque (1780) e o fim da escravidão (1888), a economia gaúcha foi tocada pelo braço escravo. “Os fazendeiros criaram no Rio Grande do Sul e no Uruguai núcleos estáveis de cativos campeiros aos quais se agregavam os gaúchos livres nas épocas de maior trabalho”, afirma Maestri,  especializado na pesquisa sobre a escravidão no pampa.
    Segundo Maestri, falta estudar diversos aspectos da vida econômica rio-grandense no século 19. Por exemplo, a valorização do trabalho escravo em meados do século 19, graças à expansão da cafeicultura em São Paulo, fez do Rio Grande do Sul um estado temporariamente exportador de mão-de-obra cativa. De 1874 a 1884, o RS embarcou mais de 14 mil escravos para São Paulo.

    Outro fator de expulsão de mão-de-obra cativa foi o cercamento das fazendas com arame, a partir de 1880, intensificando a contratação de mão-de-obra assalariada — os peões, que seriam predominantemente descendentes de índios. “Ainda hoje é forte a presença de afro-descendentes na peonada das fazendas”, diz Maestri, lembrando que sem estudar esses fatos — esquecidos pela historiografia oficial — não será possível compreender a atual realidade do Rio Grande.
    Maestri lamentou a não publicação como livro da tese de mestrado “Pelotas: Escravidão e Charqueadas”, de Jorge Euzébio Assunção, produzida em 1995 para a PUC de Porto Alegre. Para Maestri, trata-se do mais completo estudo já realizado sobre o trabalho nas charqueadas. Segundo Assunção, que leciona em Osório, a decantada prosperidade pelotense no século 19 deveu-se à grande concentração de trabalhadores escravos na sua indústria de carnes salgadas. Em 1853, havia 38 charqueadas no município, que liderava a exportação do estado.

  • Gaúchos sentem efeito estufa


    Foto: Raquel Santana/Jornal Já

    Patrícia Benvenuti

    Os dias são mais quentes e as noites menos agradáveis do que antigamente. A população de Porto Alegre percebe que o clima vem mudando nos últimos anos, mas muitos não sabem explicar o porquê. O fato, porém, não é restrito à capital gaúcha. A cidade sofre, como o resto do mundo, o efeito estufa, intensificado pelo lançamento na atmosfera de carbono e dióxido de carbono, além de vapor d´água, devido à evaporação das águas oceânicas.

    Agrometeorologista da Embrapa de Passo Fundo, Gilberto Cunha lembra que o efeito estufa, naturalmente, não é tão vilão assim. “O efeito estufa, na realidade, é benéfico, pois impede que o planeta resfrie demais durante a noite. O problema é que a emissão de gases poluentes está tornando a Terra quente demais”, frisa o especialista.

    De acordo com o professor do Instituto de Geografia da UFRGS, Paulo Livi, são as temperaturas mínimas, e não as máximas ou as médias, que vem subindo gradativamente desde a década de 1950. “Por isso se tem a sensação de que os invernos não são mais rigorosos. É claro, sempre faz um ou dois dias realmente frios nesse período, mas até mesmo os períodos de geada ficaram menores”, afirma.

    A elevação das mínimas, segundo o professor, é provocada pelo aumento da nebulosidade e diminuição da insolação, essa última em 25%. O calor, assim, ficaria retido entre as nuvens, que funcionam como um cobertor . O meteorologista do CCPMet (Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas) da UFPEL (Universidade Federal de Pelotas), Júlio Marques confirma que o aumento das temperaturas mínimas é percebido especialmente à noite, quando a sensação térmica deveria ser de uma temperatura mais fresca. “Esses efeitos são notados de uma forma lenta, mas intensa, com tempestades cada vez mais fortes e estiagens mais severas”, acrescenta.

    As médias das temperaturas em Porto Alegre, porém, precisam ser relativizadas. “Dentro do território analisado, estão locais como o Parque da Redenção e o Jardim Botânico. Provavelmente, se fizéssemos essa pesquisa somente no centro da capital, teríamos um resultado bem diferente”, revela o professor da UFRGS.

    Marques destaca ainda que as mudanças climáticas em cidades industrializadas como Porto Alegre também se devem a alterações microambientais, como a redução de áreas verdes e o aumento da urbanização. “Os fatores naturais também contam, mas quem mais contribui para as mudanças climáticas são os antropogênicos [ações causadas pelo homem]”, ressalta.

    Efeitos na saúde

    Os seres humanos sentem de forma intensa os impactos dessas alterações climáticas. Em épocas de mudanças de temperatura, as doenças respiratórias são as que mais se manifestam. “Quem mais sofre são os alérgicos, sem dúvida”, afirma a coordenadora da Área de Pneumologia da Secretaria da Saúde de Porto Alegre, Elaine Ceccon. A médica afirma que quando a temperatura sofre uma queda brusca, os brônquios de quem sofre de asma e de rinite, especialmente, inflamam-se com o ar frio que penetra nos pulmões. A conseqüência é uma contratura dos músculos dos brônquios, que pode levar à crises respiratórias.

    A população não-alérgica, porém, também sente esses efeitos, principalmente quem está submetido ao ar-condicionado. “A troca de ambientes, tanto do frio para o quente como vice-versa, causam nas pessoas que não sofrem alergia o mesmo efeito que causariam para um asmático”, explica. “Como o ar fica mais enxuto , a mucosa seca, e isso acarreta espirros, secreção nasal e tosse, sintomas que, muitas vezes, se confunde com resfriados”, completa.

    Elaine classifica que o maior problema encontra-se na síndrome do prédio doente . A expressão refere-se aos prédios que tem um ar-condicionado central e não permitem a circulação de ar. O resultado é a proliferação de germes. “Por isso, muitas vezes, há várias pessoas em um mesmo lugar que ficam doentes em épocas próximas”, afirma a especialista, alertando para a necessidade de uma reciclagem do ar. Uma das soluções pode ser a limpeza dos filtros, ou simplesmente abrir as janelas em alguns momentos do dia.

    Além dos males respiratórios, o aumento das chuvas também traz seus riscos à saúde. As enchentes colaboram para a transmissão de doenças orais-fecais. De acordo com a médica veterinária da Secretaria Municipal da Saúde Sônia Thiesen, os alagamentos favorecem o aparecimento de casos de leptospirose, cuja bactéria causadora, a Leptospira interrogans , está presente na urina de alguns roedores. Já a transmissão da hepatite A, nessas circunstâncias, decorre da ingestão de alimentos e de água contaminados pelo vírus HAV (Vírus da Hepatite A).

    Agricultura sente o aquecimento

    Os impactos do aquecimento também são sentidos de forma intensa na agricultura. O agrometeorologista da Fepagro, Ronaldo Matzenauer entende que as alterações climáticas afetam o desenvolvimento e o crescimento das culturas. Na opinião do técnico, tanto as culturas de inverno como as típicas de verão são afetadas. “Cada planta tem um tempo para se desenvolver e florescer. Com essas mudanças, as duas ficam prejudicadas. No verão, por exemplo, o consumo de água das plantas é maior, da mesma forma como acontece com o ser humano. Isso acaba fazendo com que a transpiração aumente e afete o solo da região”, assegura.

    Cunha afirma que o aquecimento pode afetar a agricultura também na proliferação de pragas, como ervas daninhas, e doenças nas lavouras em função da umidade e do calor. O agrometeorologista ressalva que os efeitos sobre cada espécie dependem da variabilidade a que são submetidas. As mais prejudicadas são as chamadas fruteiras de clima temperado, como as macieiras, e os cereais de inverno – trigo e cevada -, suscetíveis à umidade e a vários fungos. O arroz também entra na lista dos prejudicados, já que precisa de muita irradiação solar e se depara com uma crescente nebulosidade.

    O especialista, no entanto, relembra que efeitos mais evidentes sobre a produção agrícola só poderão ser percebidos no futuro. “Por enquanto, não se pode fazer maiores prognósticos, mas a pesquisa científica ligada à agricultura trabalha no sentido de desenvolver tecnologias que resistam a esses problemas”, ressaltou. Nesse sentido, Matzenauer também aponta que é necessário intensificar as pesquisas. “Para que a produção não sofra tanto, é preciso fazer estudos de zoneamento”, conclui.

  • Carta de Barcelona

    Neste domingo, dia 20 de novembro, cumpriu-se 30 anos da morte de Franco. Mesmo passadas três décadas do falecimento do ditador, a sociedade espanhola continua dividida quanto ao papel que o franquismo representou para o país. Em Madri e no Vale dos Caídos, onde está o mausoleu que o ditador mandou levantar para guardar seus restos mortais, centenas de falangistas reuniram-se para homenagear a memória de Franco. Enquanto que, na maioria da cidades espanholas, o que se viu foram gestos de desaprovação aos anos de chumbo.

    Essa divisão da sociedade espanhola também se nota na política de hoje em dia, entre os simpatizantes do Partido Popular (PP) de centro direita e do Partido Socialista Obrero Español (PSOE) de centro esquerda, agora no governo. Todas as iniciativas políticas dos socialistas são torpedeadas no congresso pelos populares. A última, é a proposta de um novo estatuto para Catalunha. Espanha é um país distribuido em 17 comunidades autônomas que gozam de uma grande autonomia. Têm leis próprias, uma espécie de constituição (estatuto), que regulam suas relações com o estado espanhol e com a União Européia.

    O estatuto de Catalunha é de 1978, logo depois da volta da democracia em 1975, quando da morte de Franco. Estava pactado entre os grupos políticos espanhóis que nesta legislatura começariam as reformas dos estatutos. O bascos tentaram o seu, no ano passado, mas foi rejeitado pelo congresso espanhol. Agora os catalães estão tentando pactar com o restante da espanha o seu. A principal briga é semântica. Os catalães dizem que são um país que está dentro da Espanha, portanto são uma nação dentro da nação espanhola e querem colocar isso no seu estatuto. Mas a constituição espanhola diz em seu artigo segundo que Espanha é uma nação indivisível e que, por isso, é a única nação que cabe dentro de Espanha.

    Parece pouca coisa, mas não é. Europa é um continente muito sensível aos nacionalismo, como nos recorda o extermínio na Bósnia, na década passada. A crispação é de tal magnitude que chega a provocar risos, pelo menos para alguns. Existe um boicote aos produtos catalães em várias regiões espanholas, sobretudo com o cava (champanha) que é o produto estrela aqui da Catalunha. Com a proximidade das festas de fim de ano, os empresários catalães estão com os pelos em pé com a pouca procura pelo seu cava. Nem para brindar a entrada de um novo ano, castelhanos e catalães conseguem alcançar um acordo.

    A única coisa capaz de relaxar um pouco a animosidade entre os dois bandos parece ser o futebol bem jogado. Depois do segundo gol do Ronaldinho, no clássico de sábado, em Madri, onde o Barcelona goleou o Real Madri por três a zero, os sócios do Real Madri aplaudiram, em pé, a sensacional jogada do atleta gaúcho. Feito que só havia ocorrido uma vez antes, quando o mesmíssimo Diego Maradona marcou outro gol de placa para o Barcelona, no estádio Santiago Bernabéu.

    Rivadavia Severo*

    * Jornalista

  • Mudança no indexador do IPTU gera polêmica

    Após a votação do Orçamento 2006, o projeto de mudança do indexador é o próximo da pauta (Foto: João Fiorin/PMPA)

    Helen Lopes

    Tramita desde segunda-feira, 21 de novembro, na Câmara de Vereadores, um projeto de lei complementar, apresentado pela Prefeitura, que altera o indexador da Unidade Financeira Municipal – UFM. O texto propõe que o atual índice utilizado para correção da UFM, o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP- M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas, seja substituído pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE.

    Na prática isso representará um aumento de aproximadamente 5,7% no Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), na Taxa de Coleta de Lixo (TCL) e no Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN). Já que a variação acumulada de janeiro a outubro foi de 4,73%, no IPCA, enquanto no IGP-M foi de 0,81%. Segundo o economista Alfredo Meneghetti Neto, da Fundação de Economia e Estatística (FEE), a previsão para o final do ano é de acréscimo de mais um ponto percentual, chegando assim, há 5,7%. “Isso significará um reajuste quatro vezes maior”, avalia Neto.

    A mudança não é uma ação isolada. Na semana passada a Câmara de Vereadores aprovou que o reajuste os servidores públicos pelo IPCA a partir do próximo ano. A proposta de orçamento municipal para o exercício de 2006, que deve ser votada na segunda-feira, 28 de novembro, também utiliza como índice referencial o IPCA. Por isso, a líder do governo na Casa, vereadora Clênia Maranhão (PPS), defende que “não é aumento de imposto e sim uma adequação para todas as contas públicas”. Questionado sobre a utilização da medida nos contratos já firmados com o IGP-M, ela afirma que “os contratos podem ser adequados por decreto”.

    Clênia argumenta que a Prefeitura escolheu o IPCA por ser mais estável a interferência da variação cambial e adverte que não é oportunismo. E promete ainda que será o índice único para os quatro anos de mandato.

    A bancada do PT é contrária e considera a medida oportunista já que opta pelo índice mais alto. “Casualmente o indicador representa elevação dos impostos”, ironiza o vereador Carlos Todeschini, líder da bancada petista. “Em uma economia sem inflação temos que ter consciência de que isso trará prejuízo à população. O que mais lamento é que o prefeito José Fogaça garantiu que não haveria majoração de impostos”, completa.

    O clima na Câmara parece desfavorável a medida. A líder da bancada do PFL, vereadora Maristela Meneghetti é reticente ao tema. “Uma das bandeiras do PFL é a luta contra o aumento da carga tributária”, diz ela. Ela propõe que ao invés de aumentar o imposto seja ampliada a base tributária, cobrando daqueles que não pagam. Maristela, que se considera “radical” em algumas gestões, afirma que sua posição é “não, porque já se paga impostos em demasia”.

    Já a bancada do PMDB ainda não tem uma posição oficial sobre o tema, mas o líder da bancada, vereador Sebastião Melo, afirmou que é favorável somente se a Prefeitura assumir o compromisso de unificar todos os indexadores. “Se for pontual, não concordamos”. Os deputados do PSDB não têm posição formada sobre o assunto, mas de acordo com o vereador Luiz Braz, a princípio são contrários.

    O projeto também prevê desconto para quem pagar antecipado, como ocorreu em 2003 e 2004. Serão 20% até o primeiro dia útil de janeiro, 10% até 10 de fevereiro e 5% até 10 de março.

    A diferença entre IPCA e IGP-M

    O economista Alfredo Meneghetti Neto explica que o IPCA, por ser calculado por um órgão do Governo, tem uma metodologia diferente do IGP-M, calculado por uma instituição privada. Além disso, representam coisas distintas. “O IGP-M reflete os preços cobrados nos bancos, leva em consideração a variação do setor financeiro. O IPCA considera os preços dos alimentos”. Para ele, o IPCA representaria melhor a variação da inflação, mas alerta que o Governo Municipal deve ter a coerência e utilizar o mesmo índice para as outras obrigações.

  • ONGs gaúchas vão boicotar Conferência Estadual do Meio Ambiente

    Por Carlos Matsubara e Guilherme Kolling
    As ONGs gaúchas definiram no encontro estadual realizado no último sábado, 19 de novembro, que não vão participar da Conferência de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, que acontece neste final de semana, dias 26 e 27 de novembro, em Porto Alegre. De acordo com os ecologistas, os principais motivos são a não implementação das propostas da I Conferência e a paridade da representação.
    O encontro será no Centro Municipal de Eventos da Cultura Gaúcha – Parque Maurício Sirotisky Sobrinho (Parque da Harmonia), na Av. Loureiro da Silva, s/n. A abertura oficial está marcada para as 9 horas e contará com a presença do secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, Cláudio Langone, que representará a ministra Marina Silva.
    A Conferência Estadual é o momento onde governos, movimentos sociais, ONGs ambientalistas (menos no RS), entidades de classe e a sociedade em geral vão estar reunidos para levantar propostas e apontar prioridades para orientar as diretrizes do Ministério do Meio Ambiente.
    Esse mesmo processo acontece nos outros 25 Estados e no Distrito Federal, e é preparatório à 2ª Conferência Nacional do Meio Ambiente, que acontecerá de 10 a 13 de dezembro, em Brasília. Biodiversidade e Florestas; Água e Recursos Hídricos; Qualidade Ambiental nos Assentamentos Humanos; Instrumentos de Desenvolvimento Sustentável no Território; Fortalecimento do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) e Controle Social são os temas propostos para a Conferência.
    No encontro estadual devem ser eleitos os 60 delegados que o RS tem direito a levar para a etapa nacional. A eleição levará em consideração os seguintes critérios:
    • participação na Conferência Estadual de Meio Ambiente, elegendo-se um delegado para cada 10 pessoas credenciadas de cada setor;
    • 30% de gênero;
    • definição dos delegados por setor, assim distribuídos:
    • até 50% representantes de ONGs, movimentos sociais e sindicatos de trabalhadores;
    •até 30% representantes do setor empresarial;
    •até 20% representantes do setor governamental.
    O que é a 2ª Conferência Nacional do Meio Ambiente (CNMA)?
    A 2ª CNMA é a continuidade de um amplo debate sobre a política ambiental, iniciado em 2003, quando mais de 65 mil pessoas de todo país participaram pela primeira vez de uma mobilização nacional pelo meio ambiente durante as conferências regionais, municipais e estaduais. Na conferência nacional cerca de 1.500 participantes tiveram voz e voto para apontar ao Ministério do Meio Ambiente ações para a Polícia Nacional do Meio Ambiente.
    Entre as deliberações da 1ª CNMA que foram implementadas está a criação do Programa de Capacitação dos Gestores Municipais, a instalação de Comissões tripartites (União, Estados e Municípios) nos 26 Estados e DF, as ações do Plano Nacional do Desmatamento e o incentivo à redução de Gases na Camada de Ozônio.
    A 2ª Conferência Nacional de Meio Ambiente também aprovará um documento com diretrizes e propostas, que serão encaminhadas ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e devem ser implementadas e incorporadas às ações do Ministério do Meio Ambiente.
    Unidos contra o plantio de eucaliptos
    As ONGs ecológicas do Rio Grande do Sul estão mobilizadas para combater os projetos florestais de eucalipto na Metade Sul. No encontro estadual, realizado em Porto Alegre, em 19 de novembro, o grupo aprovou uma moção contra a monocultura de árvores.
    Os argumentos e as explicações técnicas das ONGs poderão ser conferidas no próximo dia 30 de novembro, em Porto Alegre durante o seminário Plantações Florestais no RS: Desafios e Oportunidades. O evento vai reunir ambientalistas, empresários, técnicos e governantes. As inscrições são gratuitas pelo e-mail florestamento@ambienteja.com.br
    Eucalipto divide meio acadêmico
    Bem menos ruidosa do que a batalha travada entre as empresas de celulose e papel e os ambientalistas, uma pequena discussão acontece no meio acadêmico gaúcho. A razão da controvérsia são os prejuízos ambientais decorrentes do plantio maciço do eucalipto no Pampa. Professores doutores disputam entre si o domínio do conhecimento do tema. São pesos-pesados da Biologia da UFRGS versus a turma da Engenharia Florestal da UFSM.
    Pelo Instituto de Biociências da UFRGS, o professor Ludwig Buckup mantém posição crítica as florestas de eucaliptos. Para ele, se no Pampa não existe floresta, é porque não deve haver condições climáticas para isso. — Teria de chover cerca de 33 vezes mais na região para se plantarem os 28 milhões de eucaliptos previstos somente por uma das empresas-, compara.
    Conforme Buckup, o Pampa possui uma rica diversidade de espécies que ocorrem somente lá e que já estariam inclusive ameaçadas. — Espécies como o eucalipto, explica, utilizam grandes quantidades de água do solo. Além da ameaça aos lençóis freáticos, os plantios de eucalipto causariam devassa às matas ciliares.
    Pelos lados de Santa Maria, surgem vozes respeitadas como a do professor doutor do Departamento de Ciências Florestais, Mauro Valdir Schumacher. Segundo ele, todo novo investimento traz mudanças no local onde é implantado, mas há regras para impedir danos à natureza. “Não queremos que as pessoas vejam a floresta como uma vilã”, afirma.
    Favorável aos investimentos das empresas, o professor afirma que a saída é o plantio correto e o respeito aos prazos de corte das árvores.  “Há de se observar ainda os locais para a plantação, que não podem ser perto de rios”, explica. Quanto às críticas dos seus colegas, Schumacher destaca que, há 20 anos, o plantio de árvores no sul do Estado ocorreu sem o planejamento necessário. “Na época, as pesquisas sobre o setor eram menos avançadas”, sugere.
    Igualmente favorável ao plantio de eucaliptos, o engenheiro florestal também da UFSM, Solon Jonas Longhi, lembra das exigências legais e ambientais que são impostas ao produtor que deseja plantar eucalipto em suas terras. “Atendidas essas premissas sou completamente favorável”, afirmou.
    Com 15 anos de pesquisas, Schumacher garante que as árvores de pínus e eucaliptos só trazem vantagens a quem cumpre com as normas estabelecidas. “O convívio dos animais do campo e das árvores não traz prejuízos”, acredita.
    As duas universidades estarão representadas no seminário Plantações Florestais no RS: Desafios e Oportunidades, a ser realizado no dia 30 de novembro no auditório da Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail: florestamento@ambienteja.com.br

  • Nova Olaria entra em atrito com público GLS


    Os jovens se reuniam na fonte, que está em obras.

    Carla Ruas

    O clima no Centro Comercial Nova Olaria tem sido tenso aos domingos. Os jovens freqüentadores do espaço, muitos pertencentes a comunidade GLS, reclamam de preconceito e de um comportamento ostensivo por parte da segurança. A direção do shopping defende que o procedimento é uma tentativa de manter a ordem e os bons costumes, e que já está em contato com a comunidade homossexual para resolver a situação pacificamente.

    O conflito iniciou no domingo, dia 13, quando o número de guardas do local foi triplicado, e o controle sobre os jovens foi intenso no período da tarde. Uma semana depois, cerca de 10 seguranças permaneceram na frente do centro comercial, em conjunto com a Brigada Militar. “Sou quase um rato do Olaria, de tanto tempo que passo lá, e nunca tinha visto isso antes”, conta Paulo Schmidt.

    Ele afirma que os guardas impediam o acesso aos banheiros e faziam comentários preconceituosos. Além disso, não deixavam que eles ficassem na fonte, ponto de encontro do grupo: “Eles dizem que está em obras, mas esta obra está durando demais”, desconfia.

    O síndico do Olaria, Luciano Herman, afirma que o procedimento dos seguranças foi de controlar o público, de cerca de 300 pessoas nos domingos. “Não ocorreu nenhuma discriminação, até pela história do Olaria, que sempre foi local de encontro de homossexuais”. Ele afirma, no entanto, que nos domingos o grupo destrói o patrimônio privado e constrange os clientes das lojas.

    ”Nós perdemos público devido ao comportamento inadequado de alguns jovens. Já houve exposição de genitália e casos de prática sexual nos banheiros”. Herman conta que alguns dos freqüentadores quebraram vitrines, mesas e vasos de flores. “Sei que são fatos isolados, mas quem paga as despesas no final são os consumidores do shopping”, completa.

    O coordenador do Nuances, Célio Golin, entidade que defende a livre expressão sexual, acredita que se trata de preconceito social e exclusão. “Os gays não se inibem de se abraçar e se beijar, e acho que isso incomodou os proprietários e os lojistas. Predominou mais uma vez a idéia de que uma única estética é aceita”, argumenta. O Nuances colocou em seu site um manifesto contra o estabelecimento, e promete estar presente no próximo domingo, para denunciar a “política homofóbica”.

    Uma outra ONG de Porto Alegre que luta pelos direitos sexuais, a “Somos”, está buscando a solução através do diálogo. O seu coordenador, Gustavo Bernardes, já está em contato com o síndico Herman, para resolver o impasse: “Pedimos a retirada dos seguranças, e em troca vamos orientar o pessoal para preservar o espaço”. Herman admite que a ONG irá orientar os seus seguranças em como fazer uma abordagem mais pacífica. Também está em negociação a realização de atividades no centro comercial aos domingos, para mostrar que se trata de um local tolerante.

  • Sucateamento da TVE e FM Cultura provoca greve dos funcionários

    Carla Ruas

    Funcionários da TVE e da FM Cultura, da Fundação Cultural Piratini, não trabalharam nesta quarta-feira, em protesto. Os grevistas alegam três anos sem aumento salarial e corrosão das condições materiais e pessoais de trabalho. O presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, José Carlos Torves, afirma que a paralisação teve uma grande adesão dos funcionários. “É muito difícil de fazer os jornalistas pararem, então isso já foi uma vitória. O objetivo de fazer pressão no governo foi conquistado”, afirma.

    O presidente da Fundação Cultural Piratini, Rogério Caldana, discorda de algumas reclamações do movimento, mas concorda que a Fundação deveria receber mais recursos. “Como somos um órgão estatal, recebemos a verba que é dividida entre os segmentos do governo. Mas por se tratar de veículos de comunicação, deveria ser diferenciado. O dinheiro é insuficiente”, reconhece.

    Caldana concorda que o sucateamento relatado pelos funcionários é verdadeiro. “Faltam peças para reposição, e por isso 50% dos equipamentos não estão funcionando”. Ele acredita que isto é o resultado da falta de planejamento de governos anteriores, que não destinaram verbas para a manutenção. “Até dezembro o governo atual irá liberar o dinheiro para a compra de equipamentos”, garante. O valor estimado é de 600 mil reais.

    Com relação ao salário dos funcionários, ele discorda do que está sendo veiculado: “Só falta a reposição do ano de 2004 e 2005, mas a proposta do governo não foi aceita pelo sindicato”, explica. A direção da TVE pretende resolver o impasse nos próximos dias.

    Para retomar as negociações, uma comissão de deputados estaduais está sendo formada, com o intuito de reunir os grevistas com o governador do Estado, Germano Rigotto. Entre os deputados citados para compor o grupo estão Vieira da Cunha (PDT), Edson Portilho (PT), e Raul Pont (PT), além do vereador Professor Garcia (PPS). Vieira da Cunha lembra que faz parte da função dos deputados ajudar em negociações como esta: “A Fundação Cultural Piratini é do Estado, e por isso, temos um papel importante para tentar resolver o problema”.

    Segundo Portilho, tanto a TVE como a rádio FM Cultura fazem parte, juntamente com outros órgãos, da política de desrespeito com que o governo do Estado trata a coisa pública. “Nos assusta a forma injusta como esse governo trata os veículos de comunicação, privilegiando grandemente alguns enquanto há um absoluto desrespeito com outros, como é o caso do tratamento dado a TVE, que tem uma tarefa fundamental para o Rio Grande do Sul que é a de divulgar a cultura regional e investir em programação qualificada do ponto de vista de conteúdo”, lembra ele, citando os diversos programas educativos transmitidos pela emissora e a qualidade dos mesmos. Para Portilho, é dentro da programação da TVE, mais do que em qualquer outra, que o Estado pode se ver. Além disso, a emissora representa a memória da história do povo gaúcho, segundo ele, um patrimônio incalculável.

    O vereador Garcia também está empenhado para achar uma solução. Ele afirma que hoje foi realizado um primeiro contato com o chefe adjunto da Casa Civil, Pedro Bisch Neto, para marcar um encontro com o governador, o mais breve possível. “Com esta comissão queremos abrir um canal de comunicação entre a categoria e o Estado, que atualmente não existe”, completa.

    A falta dos trabalhadores nesta quarta-feira resultou em falhas na programação das emissoras. Na TVE, as equipes de reportagem não saíram para fazer matérias. Por isso, os telejornais que vão ao ar diariamente ao 12h e às 21h40, não foram produzidos. Durante o dia, o canal exibiu apenas programas já gravados, e oriundos da conexão com a TV Cultura, de São Paulo.

    Na rádio FM Cultura, os noticiários não foram ao ar e a coordenação da rádio ficou prejudicada por funcionários que não foram trabalhar. “Não tivemos a parte do jornalismo, então decidimos seguir apenas com a programação musical”, afirma o diretor da radio, Rodolfo Rospide. Ele expõe que a emissora enfrenta problemas pela falta de manutenção de aparelhos, mas que a situação não é tão grave quanto à da televisão.

    A greve seguiu até a meia-noite de quarta-feira (23) e para Torves, o objetivo foi conquistado. “É muito difícil de fazer os jornalistas pararem, por isso a pressão realizada foi uma vitória”. A parada iniciou às 6h da manhã, quando os grevistas, junto com os sindicatos dos jornalistas e dos radialistas, fecharam as portas da TVE. A mobilização dos funcionários foi realizada através de um carro de som.

    O sucateamento do material público é denunciado pelos funcionários. Segundo o Sindicato, câmeras, ilhas de edição e fitas para gravação estão estragadas. Além disso, os carros estão sem manutenção, fazendo com que diminua a produção de programas com imagens externas. Além disso, o sinal da emissora já não chega no interior do Estado como antes, devido a problemas técnicos.

    Caldana afirma que a solução é adaptar a programação às condições oferecidas às emissoras de tevê a rádio. “Atingimos 30% de cobertura no Rio Grande do Sul. Eventualmente teremos que reduzir este percentual de acordo com a nossa realidade”. Ele conta que o ideal seria repor todo o parque tecnológico das emissoras, o que acarretaria em um investimento de aproximadamente R$ 4 milhões. E conclui: “A TVE tinha que estar usufruindo tecnologia, como as outras emissoras de televisão que existem.”

  • Jornal JÁ conquista Prêmio Fepam de Jornalismo Ambiental

    O JÁ Porto Alegre conquistou o Prêmio Fepam de Jornalismo Ambiental na categoria “Texto Jornal”, com a matéria “Construtora quer lotear área de Mata Atlântica na Capital”, do jornalista Guilherme Kolling. A reportagem foi publicada na edição de agosto de 2005.
    A premiação, promovida pela Fepam, Associação Riograndense de Imprensa (ARI), Sindicato dos Jornalistas do RS e Núcleo de Ecojornalistas do RS (NEJ), aconteceu em 23 de novembro, no auditório Espaço Verde da sede da Fepam. O diretor-presidente da Fepam, Cláudio Dilda, destacou a qualidade dos 49 trabalhos inscritos, “o que demonstra o quanto a imprensa está atenta em relação às questões ambientais”.

    O coordenador do concurso, jornalista Mário Rocha, da Assessoria de Comunicação da Fepam, observa que “todos os inscritos são vencedores, pois apresentaram diferentes e qualificadas abordagens do tema comum: o meio ambiente”. Os jurados registraram a grande dificuldade para a escolha. Participaram da seleção os jornalistas Ilza Girardi, pela UFRGS e Núcleo de Ecojornalistas; Antonio Goulart, pela Associação Riograndense de Imprensa; Léo Nuñez e José Carlos Torves, pelo Sindicato dos Jornalistas.
    Veja o resultado completo do concurso
    a) Texto Jornal – Guilherme Kolling, do Jornal JÁ Porto Alegre, pelo trabalho intitulado “Construtora quer lotear área de Mata Atlântica na Capital”, publicado na edição de agosto de 2005;
    b) Texto Revista – Ulisses Almeida Nenê, do Conselho em Revista, órgão do CREA/RS, pelo trabalho intitulado “Mitos e verdades do Aqüífero Guarani”, publicado na edição de junho de 2005;
    c) Fotografia – Paulo Rossi Jr., do jornal Diário Popular, de Pelotas, pelo trabalho intitulado “Grito pela vida”, publicado na edição de 11 de janeiro de 2005;
    d) Radiojornalismo – Marcelo Roxo Matusiak, da Rádio Gaúcha, pelo trabalho intitulado “Vida longa aos pneus”, veiculado de 12 a 16 de julho de 2005 no programa Gaúcha Hoje;
    e) Telejornalismo – Andrei Rossetto, da Televisão Educativa (TVE), pelo trabalho intitulado “Barra Grande”, difundido em 11 de janeiro de 2005, com a participação da produtora Sandra Porciúncula, da editora Salete Teixeira, do cinegrafista Antonio Cioccari e do auxiliar de operações Nilton Flores;
    f) Webjornalismo – Denise de Rocchi e Tatiana Golgo, da Agência de Notícias Radioweb, pelo trabalho intitulado “Delta do Jacuí: parque ou área de Proteção Ambiental?”, veiculado em 17 de outubro de 2005.
    Prêmio Roessler
    A solenidade também marcou a entrega de troféus do Prêmio Henrique Luiz Roessler para Contribuição Especial à Defesa do Meio Ambiente, outorgada diretamente pelas entidades promotoras do Prêmio Fepam de Jornalismo Ambiental, não havendo candidaturas ou inscrição prévia. O Prêmio Henrique Luiz Roessler para Contribuição Especial à Defesa do Meio Ambiente destina-se, a cada ano, a uma personalidade, um evento e uma instituição. Os escolhidos em 2005:
    Ilza Maria Tourinho Girardi – jornalista, doutora em Comunicação, professora do curso de Comunicação Social da UFRGS, com um longo currículo de atuação ambientalista, tendo implantado, na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) da UFRGS, a primeira disciplina de Jornalismo Ambiental em curso de graduação do país. Também vem realizando orientações de trabalhos de conclusão, na graduação e pós-graduação, que têm o meio ambiente como temática central, além de promover atividades de pesquisa e extensão na área.
    Sinfonia Inacabada – o evento de lançamento, em Brasília, no Ministério do Meio Ambiente, e no Rio Grande do Sul, da biografia de José Lutzenberger, escrita pela jornalista gaúcha Lilian Dreyer. É uma obra importante na medida em que resgata e consolida a trajetória de um dos maiores nomes do ambientalismo internacional. “Lutz”, como era conhecido, abandonou o trabalho na indústria química para dedicar-se à defesa do meio ambiente.
    Núcleo Amigos da Terra / Brasil – ONG ambientalista, com mais de 40 anos de atividades, que tem desenvolvido intensa interação com os órgãos da imprensa para que apresentem os argumentos técnicos ambientalistas na discussão pública de projetos de desenvolvimento econômico. Atua junto à mídia como formadora de consciência ambiental e, nos últimos anos, tem priorizado ações relacionadas com a energia e mudanças climáticas.