Já foi dito aqui: o maior erro da oposição foi acreditar que poderia tirar proveito da falta de escrúpulos de Eduardo Cunha para seu projeto de impeachment da presidente Dilma.
Elegeu Cunha e não percebeu, nem mesmo depois que ele foi denunciado publicamente, o risco de deixar nas mãos de Cunha a iniciativa sobre o processo de impeachment na Câmara.
O fracasso das manifestações de domingo tem muito a ver com isto. Aquela cidadania consciente, que é maior do que se imagina, é que faz a diferença quando se trata de ir às ruas. Ela sabe intuitivamente que com Cunha não se vai a lugar algum.
A operação policial na casa de Eduardo Cunha na manhã desta segunda-feira é a outra face da moeda. O Judiciário não tinha como deixar Cunha escarnecendo da cidadania por muito tempo, mesmo com o silencio obsequioso da mídia.
Derrubado Cunha, descobriram Catilina. Mas a pergunta é: como fica o impeachment deflagrado por Cunha?.
Tudo indica o caminho da cova…mas, sabe como é, um fantasma sempre pode voltar.
Autor: Elmar Bones
Fator Eduardo Cunha contamina o impeachment
Fórum Social: 15 anos de contraponto a Davos
Em 2001, Porto Alegre sediou a primeira edição do Fórum Social Mundial. Uma iniciativa de movimentos sociais de toda a América Latina e diversas partes do mundo para compartilhar conceitos e experiências alternativos ao capitalismo, fazendo contraponto ao Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça. Foram mais de 400 oficinas autogestionadas, além de palestras, seminários e espetáculos artísticos. O Fórum Social passou por diversos lugares e em janeiro, aos 15 anos, volta à capital gaúcha.
O FSM acontece entre os dias 19 e 23 de janeiro de 2016, em vários locais da cidade, como Largo Zumbi dos Palmares, Parque da Redenção, Assembleia Legislativa, Câmara de Vereadores e Usina do Gasômetro. O tema desta edição é “Paz, Democracia, Direitos dos Povos e do Planeta”, mas o grande mote, saudado nas falas, era mesmo o aniversário de quinze anos da iniciativa.
O lançamento do Fórum Social Temático reuniu, na tarde desta quinta-feira, representantes de centrais sindicais, movimentos sociais e autoridades locais no Salão Nobre da Prefeitura. O prefeito José Fortunati apareceu primeiramente de terno e gravata, logo retornou à sua sala para trocar a vestimenta pela camiseta do Fórum: voltou sob aplausos, para destacar a importância do Fórum “neste momento crucial que o mundo vive, que o Brasil vive, que a democracia vive”.
“É importante lembrar que o nosso fórum nasceu em contraponto a Davos, porque o mundo que Davos representa não nos representa”, emendou o diretor regional da Associação Brasileira de ONGs, Mauri Cruz.
Para o presidente estadual da CUT, Claudir Nespolo, nunca foi tão atual a necessidade de se realizar o encontro. “Vamos para este Fórum com a responsabilidade de questionar o capitalismo selvagem, que recentemente destruiu uma área enorme em Minas Gerais”.
Sociólogo espanhol Manuel Castells estará no Fórum
Uma das personalidades aguardadas em Porto Alegre é sociólogo espanhol Manuel Castells. Ele vai participar do Conexões Globais, evento que integra a programação do Fórum.
A programação ainda está sendo montada e será descentralizada. Segundo o presidente do Instituto dos Amigos do Fórum Social Mundial, Lélio Falcão, já são mais de mil atividades inscritas.
Além do Fórum Temático, em Porto Alegre, em 2016 haverá também uma edição do Fórum Social Mundial, que será realizada em agosto, em Montreal, Canadá. Será a primeira edição do Fórum no Hemisfério Norte. Lélio Falcão defendeu a importância de o evento acontecer concomitantemente com o Fórum Econômico. “Forum social mundial é confronto com Davos, é discussão entre capital e trabalho.”Carta de Temer foi lance para unir o PMDB em torno de seu nome
A carta do vice-presidente Michel Temer à presidente Dilma Rousseff comporta muitas interpretações.
Mas o objetivo dela era um só: unir o heterogêneo PMDB em torno de seu nome, primeiro passo para que ele se apresentasse como o salvador da Pátria, o homem que poderia dar início a um processo de conciliação do país, no caso do impedimento da presidente.
A manobra conspiratória do vice-presidente Michel Temer e seu fiel escudeiro Eliseu Padilha não resistiu 24 horas, apesar do apoio luxuoso da mídia.
Sua carta, não só, não conseguiu a façanha ingente de unificar o PMDB, esse polvo político,como revelou a sua fragilidade como líder partidário.
Enquanto se escudou na discrição, “movendo-se nas sombras”, ele quase convenceu. Quando saiu à luz da palavra escrita, revelou-se um ingênuo ambicioso.
Isso que ainda não se revelaram suas relações com Eduardo Cunha.Pauta bomba: as relações de Temer com Eduardo Cunha
Está faltando uma matéria sobre as relações entre Michel Temer e Eduardo Cunha.
Repórteres em Brasilia já têm informações reveladoras, mas estão cautelosos.
Como disse o ex-ministro Ciro Gomes, o vice tem relações muito próximas com o deputado carioca.
Convém lembrar a gravação do Delcídio do Amaral, o líder do governo no Senado, hoje na cadeia. A certa altura ele cita Temer.
E mais ainda: Temer também assinou decretos que seriam enquadrados no crime de responsabilidade, segundo os critérios utilizados por Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior para enquadrar Dilma.
Esses decretos ele emitiu quando estava no exercício da Presidência.
Ou seja: se Dilma abusou (responsabilidade fiscal), Temer também.Impeachment: o golpe do PMDB
O discurso que a dita “grande mídia” propaga a respeito do impeachment, está expresso em seus vários colunistas e em seu noticiário:.
1) Impeachment não é golpe. O crime de improbidade administrativa é previsto na Constituição. Trata-se, portanto, de aplicar a Constituição, simplesmente.
2) Chantagem do Cunha? Chantagem é moeda da política, o governo também fez chantagem com ele. Normal, portanto.
3) É um processo político, não jurídico. Collor, por exemplo, perdeu o mandato e, depois, foi absolvido dos crimes que levaram ao impeachment.
4) A crise econômica não vai piorar com o impeachment. O mercado tende a receber bem um governo do PMDB.
5) Tudo pode se resolver rapidamente, em quatro ou cinco meses.
Portanto, é simples. Tira-se a presidente, assume o vice. Temer é um homem confiável, até tentou chamar a presidenta ao bom caminho. Tem um programa de governo e é capaz de fazer a conciliação que o país precisa. Eliseu Padilha é seu escudeiro.
Tudo muito arrumadinho, até surgirem as reações. No domingo já surgiu o movimento liderado pelo governador Flávio Dino, do Maranhão, contra as “manobras golpistas”.
Ciro Gomes, ex-ministro e um dos presidenciáveis de 2018, pelo PDT, deu o tom da reação:
-Perguntem qual é a opinião do Michel Temer, vice-presidente da República, sobre o fato de seu companheiro, amigo, parceiro, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ter contas na Suíça, ser denunciado por crime de formação de quadrilha, de roubo do dinheiro público. Ele não tem uma opinião. Por quê? Porque é íntimo parceiro. E não por acaso o beneficiário imediato dessa ruptura da democracia e dessa imensa e potencial crise para 20 anos. ê ele mesmo o senhor Michel Temer, o capitão do golpe.
Como advertiu o Gaspari, “Temer pode ser um imperativo, mas não é popular”.
Se em vez de tentar provar suas teses de gabinete, essa mídia fosse à luta para ver o que realmente acontece, provavelmente não simplificaria tanto uma situação tão complexa, que pode se tornar explosiva.
Mãos de Cunha contaminam o impeachment
Por mais que se deteste a presidente Dilma, não há como não ver a fragilidade desse processo de impeachment deflagrado contra ela.
Os fundamentos jurídicos são´discutíveis. A legitimidade política está contaminada pelas mãos do presidente da Câmara. O respaldo popular é uma hipótese, que ainda precisa se materializar.
O que anima o impeachment é o noticiário golpista, com seu discurso únitário .
Mais interessados em provar suas teses do que mostrar a realidade, os grandes canais da mídia, quase em uníssono, valorizam as razões jurídicas, extrapolam o apoio popular e minimizam o fato de Educardo Cunha ter contra ele graves e consistentes acusações de corrupção e quebra de decoro parlamentar.
Tem-se o suspeito de crimes, em vez de afastá-lo e investigá-lo, deixa-se na mão dele uma arma que pode abalar a República. Isso não vem ao caso?
O PMDB que nada fez em relação a Cunha, agora quer se afastar de Dilma?
O PSDB que nada fez em relação a Cunha, quer incriminar Dilma?
A mídia que nada cobrou em relação a Cunha, agora quer derrubar Dilma?
(Uma pesquisa do Datafolha apontou Cunha como a figura menos confiável da República. Ninguém deu manchete!)
Uma situação de crise permite sempre muitas leituras. Ainda mais uma crise como essa, cercada de monumentais interesses por todos os lados.
Mas essa leitura de que falta legitimidade ao mandato de Dilma e que a retirada da presidente tem consistentes justificativas legais e políticas dentro do marco democrático, não resiste ao bom senso. Ainda mais com a assinatura de Cunha.
Essa é a fragilidade essencial desse processo. Ela poderia ser superada, talvez, por um maciço apoio popular ao impeachment.
É improvável que só propaganda e manipulação do noticiário consigam produzir isso nas atuais condições. Como disse a revista The Economist, esse impeachment do Cunha pode aumentar as chances de Dilma chegar a 2018.
Com essa oposição, Dilma nem precisa de aliados
A mídia desdenha da inteligência do povo brasileiro.
Tenta fazer passar como coisa séria essa iniciativa de Eduardo Cunha, de encaminhar o impedimento de Dilma Rousseff.
Oh! Horror! A presidente deu pedaladas!
A Caixa e o Banco do Brasil pagaram contas do governo e só foram reembolsados meses depois (com os devidos juros, por sinal).
Disse Merval Pereira, um dos ideólogos da Rede Globo e suas afilhadas:
“Não importa se o impeachment foi acionado por um presidente da Câmara sem credibilidade. Importa que a presidente infringiu a lei orçamentária”.
Que crime! Hediondo! Nenhum presidente, nenhum governador, nunca ousou tanto! Impeachment!
Acham que o povo é bobo?
Desde que Dilma Rousseff assumiu, em janeiro de 2015, não passou uma semana sem que as manchetes anunciassem o impeachment iminente da presidente.
A Câmara acumulou 34 pedidos. 34!
Onze meses se passaram e, como dizem os cronistas esportivos mais antigos, “no apagar das luzes” de 2015, a oposição ( sua guarda avançada, a ” grande midia”) teve que valer-se da falta de escrúpulos de um Eduardo Cunha para dar materialidade ao seu delírio.
Com essa oposição, Dilma nem precisa de aliados!
Ato desesperado de Cunha pode enterrar de vez o impeachment
O pedido de impeachment formulado pelos juristas Hélio Bicudo e Reale Junior pode ter fundamento. Mas, encaminhado por Eduardo Cunha, ele tende a ter o efeito contrário que pretendem os seus formuladores.
Uma Câmara que não investiga Cunha, ignorando as graves acusações que pesam sobre ele, terá autoridade para decidir pelo o impedimento da presidente Dilma Rousseff, por descumprimento da Lei Orçamentária?
O ato de Cunha, num nítido momento de desespero, pode enterrar definitivamente essa ensandecida tese do impeachment.
A oposição, ao apoiá-lo, demonstra o caráter aventureiro de sua atuação.
É dá mais um passo para levar a opinião pública à conclusão de que ruim com Dilma, pior com uma oposição irresponsável. É só esperar as próximas pesquisas.
China quer um milhão de jumentos do Brasil para abate
“O jumento, nosso irmão”, dizia o Padre Antônio Vieira, protetor dos jumentos do Ceará.
Não é o que pensam os chineses, interessados na compra de um milhão de asnos brasileiros para abate.
A notícia vem chocando muitos defensores de animais desde a semana passada e já gerou várias petições para tentar impedir que o governo brasileiro aceite a proposta chinesa.
A questão envolve vários fatores preocupantes, entre eles, o transporte de navio, longo e estressante durante o qual muitos animais entram em desespero e até morrem.
Desde 2012 os chineses negociam a compra de jumentos para serem usados como alimentação e na indústria de cosméticos.
Na época, a notícia sobre o negócio mobilizou ativistas estrangeiros como atriz Brigitte Bardot que enviou carta à presidente Dilma Rousseff com os dizeres: “Eu, que amei tanto o Brasil, estou indignada de ver este país colaborar com a China para matar, a cada ano, 300 mil burros explorados pelo homem e que deveriam ser deixados em paz”.
Apesar de suposta negativa à proposta chinesa, os jumentos já são exportados para aquele país há mais de cinco anos:
A China mata cerca de 1,5 milhão de jegues por ano, uma parte produzida no próprio país e outra na Índia.
O principal exportador brasileiro é o frigorífico de Araguari, de Minas Gerais, que abate jumentos trazidos do Nordeste. No início de novembro, os defensores dos animais denunciaram a morte de 14 jumentos dentro de uma carreta antes de desembarcarem num frigorífico de Araquari. Eles saíram do Piauí e ficaram mais de 48 horas sem alimentação ou água. O carregamento tinha 137 animais.
Padre Antônio Batista Vieira, morto há 12 anos, fundador do Clube Mundial do Jumento e cujo trabalho inspirou a criação do Parque que leva seu nome e abriga 5 mil jumentos na Fazenda Santa Quitéria, no Ceará. No santuário estão os animais abandonados nas estradas e levados para a fazenda graças a um acordo com o Detran.
Eles recebem atendimento veterinário, alimentação e contam com um belo espaço para viverem. Mas a iniciativa depende de donativos para continuar seu trabalho e, inclusive, também está pedindo que as pessoas impeçam que os jumentos sejam exportados para a China. O Parque tem uma página no Facebook.
Vale lembrar que jumento, jegue e asno são exatamente o mesmo animal. Já o burro é fruto do cruzamento de uma égua com um jumento. Quando é macho é chamado de burro, mas se nascer fêmea é mula. O jumento é famoso por sua grande resistência já que durante muito tempo foi escravizado para transportar cargas pesadas em seu lombo e permanece assim até hoje.
No Parque Padre Antônio Vieira os jegues recebem atendimento veterinário. Foto: Divulgação
Petições para impedir exportação à China
Petição para apoiar o PL 5949 do Deputado Ricardo Izar – PSD/SP, que dispõe sobre a proibição de abate de equinos, equídeos, mulas e jumentos em todo o Brasil. Já tem 50 mil assinaturas, mas a meta é 75 mil.
Petição que também pede que não seja fechado acordo com a China que está com 17 mil assinaturas, mas pretende chegar a 25 mil.
Fátima ChuEcco/Redação Anda – Agência de Notícias de Direitos Animais
A lama da Samarco e as lambanças de Delcídio: retratos do Brasil
Elmar Bones
A lama da Samarco, em avalanche, arrasando cidades, matando pessoas, rios e animais não deixa de ser uma trágica metáfora do Brasil de 2015.
Talvez seja a manifestação concreta de uma doença que está ferindo o inconsciente coletivo da nação.
As lambanças do senador Delcídio do Amaral e o impacto político delas talvez sejam o correspondente político dessa lama que escapou da represa da Samarco.
Delcídio é a imagem da hecatombe política, como a lama da Samarco é a imagem da hecatombe ambiental.
Difícil saber qual delas é mais devastadora.
Veja-se a trajetória de Delcídio do Amaral (não se fale de seu início no Mato Grosso do Sul): de uma diretoria da Petrobras num governo do PSDB à liderança de um governo do PT.
É um caso exemplar do oportunismo que corrói os partidos e corrompe os governos.
Veja-se a trajetória da Samarco. É um caso exemplar de impunidade que desmoraliza as leis e desacredita o Estado.
Muda Brasil.
