“O jumento, nosso irmão”, dizia o Padre Antônio Vieira, protetor dos jumentos do Ceará.
Não é o que pensam os chineses, interessados na compra de um milhão de asnos brasileiros para abate.
A notícia vem chocando muitos defensores de animais desde a semana passada e já gerou várias petições para tentar impedir que o governo brasileiro aceite a proposta chinesa.
A questão envolve vários fatores preocupantes, entre eles, o transporte de navio, longo e estressante durante o qual muitos animais entram em desespero e até morrem.
Desde 2012 os chineses negociam a compra de jumentos para serem usados como alimentação e na indústria de cosméticos.
Na época, a notícia sobre o negócio mobilizou ativistas estrangeiros como atriz Brigitte Bardot que enviou carta à presidente Dilma Rousseff com os dizeres: “Eu, que amei tanto o Brasil, estou indignada de ver este país colaborar com a China para matar, a cada ano, 300 mil burros explorados pelo homem e que deveriam ser deixados em paz”.
Apesar de suposta negativa à proposta chinesa, os jumentos já são exportados para aquele país há mais de cinco anos:
A China mata cerca de 1,5 milhão de jegues por ano, uma parte produzida no próprio país e outra na Índia.
O principal exportador brasileiro é o frigorífico de Araguari, de Minas Gerais, que abate jumentos trazidos do Nordeste. No início de novembro, os defensores dos animais denunciaram a morte de 14 jumentos dentro de uma carreta antes de desembarcarem num frigorífico de Araquari. Eles saíram do Piauí e ficaram mais de 48 horas sem alimentação ou água. O carregamento tinha 137 animais.
Padre Antônio Batista Vieira, morto há 12 anos, fundador do Clube Mundial do Jumento e cujo trabalho inspirou a criação do Parque que leva seu nome e abriga 5 mil jumentos na Fazenda Santa Quitéria, no Ceará. No santuário estão os animais abandonados nas estradas e levados para a fazenda graças a um acordo com o Detran.
Eles recebem atendimento veterinário, alimentação e contam com um belo espaço para viverem. Mas a iniciativa depende de donativos para continuar seu trabalho e, inclusive, também está pedindo que as pessoas impeçam que os jumentos sejam exportados para a China. O Parque tem uma página no Facebook.
Vale lembrar que jumento, jegue e asno são exatamente o mesmo animal. Já o burro é fruto do cruzamento de uma égua com um jumento. Quando é macho é chamado de burro, mas se nascer fêmea é mula. O jumento é famoso por sua grande resistência já que durante muito tempo foi escravizado para transportar cargas pesadas em seu lombo e permanece assim até hoje.
No Parque Padre Antônio Vieira os jegues recebem atendimento veterinário. Foto: Divulgação
Petições para impedir exportação à China
Petição para apoiar o PL 5949 do Deputado Ricardo Izar – PSD/SP, que dispõe sobre a proibição de abate de equinos, equídeos, mulas e jumentos em todo o Brasil. Já tem 50 mil assinaturas, mas a meta é 75 mil.
Petição que também pede que não seja fechado acordo com a China que está com 17 mil assinaturas, mas pretende chegar a 25 mil.
Fátima ChuEcco/Redação Anda – Agência de Notícias de Direitos Animais

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