Categoria: Geral

  • Edegar Pretto toma posse na Assembleia aclamado pelos movimentos sociais

    WÁLMARO PAZ

    A posse do novo presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Edegar Pretto (PT), na tarde desta terça-feira, tomou ares de uma vitória eleitoral.
    Os movimentos sociais, alijados do poder desde o impeachment da presidenta Dilma Roussef, lotaram a Praça da Matriz na capital gaúcha e praticamente toda as galerias do legislativo.
    O plenário do parlamento gaúcho estava tomado por representantes dos movimentos rurais, sindicatos, comunidades Eclesiais de Base.
    Não faltaram vaias ao governador José Ivo Sartori (PMDB) e ao prefeito da capital Nelson Marchezan Júnior (PSDB), assim como aplausos prolongados às figuras do ex-governador Olívio Dutra (PT) e ao próprio deputado Pretto quando apareceu no recinto.
    No lado externo da Assembleia um grande telão mostrava, ao vivo, a posse a centenas de trabalhadores rurais que assistiam ao evento em um ambiente festivo. Ao lado do telão o conjunto “ Os cantadores do Povo”, com gaitas e violões animava a festa só parando para se ouvir o discurso de Edegar.

    Violeiros e gaiteiros festejaram a posse do deputado "colono" Foto: Luis Eduardo Gomes
    Violeiros e gaiteiros festejaram a posse do deputado “colono” Foto: Luis Eduardo Gomes

     
     
    dezenas de rádios do interior do Estado transmitiam ao vivo a posse do colono. foto Walmaro Paz
    Dezenas de rádios do interior do Estado transmitiam ao vivo a posse do colono.
    foto Walmaro Paz

    O povo aplaudia as palavras de Edegar e vibrou quando ele, depois de citar as autoridades presentes, saudou um a um os seus familiares, irmãos, cunhados, irmãs, mulher e filhos.
    O novo presidente lembrou ainda a memória de seu pai, Adão Pretto, um dos quatro integrantes da primeira bancada do partido dos trabalhadores no Parlamento Gaúcho e primeiro agricultor sem-terra a assumir um mandato, cujo lema continua até agora: “Um pé na luta e outro no parlamento” e o logotipo formado por uma enxada e uma caneta cruzadas.
    Desde a véspera o site do MST publicava toda a trajetória de Edegar Pretto e a história de seu pai que começou em Miraguaí, no Noroeste gaúcho. Na ante sala do Plenário cerca de 15 rádios do interior do Estado utilizando equipamentos para transmissão ao vivo. No plenário, no espaço reservado à imprensa dezenas de jornalistas  de pequenos jornais acompanhavam a solenidade num clima de festa.
    Lideranças falaram sobre os desafios de Pretto 

    Para a Iyà Vera Soares, do Fórum Nacional de Segurança Alimentar dos Povos de Matriz Africana, o novo presidente terá uma missão difícil pela frente.

    A crise política e os retrocessos sociais, na sua avaliação, exigirão do novo presidente “um olhar para as minorias e muita luta contra as desigualdades que se aprofundam”.

    “Atravessamos um momento em que é preciso reconstruir e apostar no povo. Precisamos de mais oportunidades, mais respeito e menos medo. Acredito que o Edegar, pelo legado que o acompanha, terá plenas condições de fazer conosco essa travessia”, apontou.

    O mesmo sentimento foi expresso pelas vereadoras Marilene Bonafé e Sirlei Rapkiewiz e pela ex-vereadora Amaura Dal Acqua, todas do município de Casca. “Vai ser uma gestão popular, com abertura e diálogo”, acredita Marilene.

    Faixas da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), da Marcha Mundial de Mulheres e dos sindicatos de servidores públicos, ao lado do principal símbolo do MST, expuseram as lutas e compromissos que integram a trajetória política e pessoal do petista, lembrada a todo o momento pelos manifestantes, até pelos mais jovens.

    “Esperamos que o Edegar tenha atitude condizente com seu viés popular e que coloque em prática o legado de seu pai, Adão Pretto”, afirmou o estudante Filipe Veiga, que viajou mais de seis horas, especialmente para acompanhar a posse.

  • Marchezan completa um mês na prefeitura com equipe incompleta

    Nelson Marchezas Júnior completou o primeiro mês de seu mandato como prefeito de Porto Alegre com três secretarias ainda sem comando: Planejamento e Gestão, Sustentabilidade e Meio Ambiente, e Transparência e Controladoria Geral.
    Segundo a assessoria do Prefeito, não há uma previsão para as nomeações que faltam. Nesta terça-feira, 31, foi anunciado o economista Luis Fernando Ferreira para a presidencia da Companhia Carris.
    O último anuncio de nomes ocorreu no dia 10 de janeiro quando foram apresentados os secretários para as pastas de Segurança e Serviços Urbanos. Na  ocasião, o prefeito disse à imprensa que procurava pessoas “que tenham grande dedicação para cumprir essas tarefas”.
    Em pouco mais de 30 dias de trabalho, a ênfase do Prefeito foi para as dificuldades financeiras da Prefeitura.
    No primeiro balanço apresentado, Marchezan falou das dívidas deixadas pela administração Fortunati que somam mais de R$ 1,3 bilhões, sendo 800 milhões já deste ano de 2017.
    Um novo panorama será apresentado no prazo de 90 dias de gestão.
    As três secretarias foram definidas na Reforma Administrativa, aprovada pela Câmara no inicio do ano, que extinguiu 16 secretarias e criou outras 9, ficando no total com 15 secretarias.
    A pasta do Meio Ambiente chegou a ser extinta e foi, posteriormente, agregada à pasta de Sustentabilidade devido por uma emenda.
     

  • Temer, Jucá, Padilha e Geddel: os mais citados nas delações da Odebrecht

    O senador Romero Jucá, ex-ministro do Planejamento, é o campeão no ranking dos citados nas delações dos diretores da Odebrecht até agora divulgadas.
    Nos depoimentos que vazaram, de cinco executivos da empreiteira (Marcelo Odebrecht, Cláudio Melo Filho, Alexandrino Alencar, Paulo Cesena e Marcio Faria), políticos de diversos partidos são mencionados na descrição do esquema de distribuição de propina montado no grupo.
    Jucá é citado 105 vezes, segundo um levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo.
    Em segundo lugar vem o também ex-ministro Geddel Vieira, com 67 citações.
    O atual ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha,  vem em terceiro, com 45 citações.
    O presidente Michel Temer, com 43 citações, vem a seguir.  Depois dele, vem Jacques Wagner, ex-ministro de Dilma, com 37 e, em seguida, Moreira Franco, também ministro de Temer, com 34 menções. No total, mais de 60 políticos  de quase todos os partidos estão citados.
    A lista completa no link da Folha.
     
     

  • Empresas querem aumento de 14,6% na passagem de ônibus em Porto Alegre

    FELIPE UHR 
    Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP), calculou em R$ 4,30 o novo valor da passagem em Porto Alegre. O aumento de 14,66% foi apresentado a Prefeitura na última sexta-feira, em uma reunião no Paço Municipal que discutiu o tema.
    As empresas alegaram que o estudo tem como base a licitação realizada em maio de 2015 (Concorrência Pública 01/2015), que regulamenta o serviço.
    Já a EPTC apresentou três estudos: o primeiro cenário, sem reajuste dos rodoviários, a tarifa seria de R$ 3,95 (aumento de 5,3%)
    Com reajuste dos rodoviários, de 5,15%, parcelado em duas vezes (em fevereiro e agosto), o valor da passagem passaria para R$ 4,00 (6,6% de aumento)
    Em caso de reajuste dos rodoviários de 5,15% pago de forma integral em fevereiro, o valor seria de R$ 4,05. (8% de aumento)
    De acordo com a EPTC, o dissídio dos rodoviários foi estimado em 5,15% baseado na projeção do INPC de fevereiro de 2016 a janeiro de 2017.
    Prefeito falou em equilíbrio
    O prefeito prometeu que irá acompanhar o assunto de perto para que seja estabelecido um valor de passagem justo. ” Vamos fazer uma discussão com a sociedade para apontar o que é prioridade, como isenções e benefícios que hoje pesam no valor da passagem” declarou. Segundo a Prefeitura técnicos do TCE ( Tribunal de Contas do Estado) acompanharão desde o início as tratativas para definição do novo valor.
    Rodoviários não aceitaram proposta de dissídio 
    O prazo máximo para a negociação do dissídio se encerra na próxima quarta-feira, dia primeiro e não chegou a um acordo. O aumento de 5,15 % oferecido, na semana passada, pelo Sindicato das Empresas de Ônibus de Porto Alegre (Seopa) foi negado pelo do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo e Seletivos da Capital (StetPoa). O StetPoa quer  variação do INPC mais 3% e vale alimentação de R$ 29.
    Licitação prevê a seguinte distribuição nos itens que compõe a passagem:
    passagem

  • Semana começa quente com decisão de Carmen Lúcia

    A ministra Carmen Lúcia, presidente do STF, homologou na primeira hora desta segunda feira as 77 delações feitas pelos executivos da Odebrecht na Operação Lava Jato.
    A decisão sinaliza a disposição da ministra de não deixar a Lava Jato ser retardada com a morte do relator, o ministro Teori Zavascki e contraria ministros, como Marco Aurélio Melo, que se manifestaram sobre a inconveniência da medida, em caráter emergencial, pois poderia dar margens a questionamentos.
    As delações agora serão encaminhadas à Procuradoria Geral da República, mas seguem sob segredo de Justiça.
    O próximo passo agora é a indicação do novo relator da Lava Jato, que é alvo de uma disputa acirrada na cúpula do Judiciário.
    O relator será, ao que tudo indica, escolhido por sorteio, mas ainda não se definiu se apenas entre os cinco ministros da segunda turma, à qual pertencia Teori, ou envolverá todos os ministros do Supremo.
     

  • Pesquisa agrícola tem futuro incerto no RS com extinção da Fepagro

    GERALDO HASSE
    “Eu ainda não consegui entender”, diz a agrônoma Sidia Witter, doutora em apicultura e especializada no estudo da biologia das abelhas nativas brasileiras e, sobretudo, das espécies mais comuns do território gaúcho.
    Formada há 30 anos, ela trabalha desde 2004 na estação de Taquari, uma das 19 bases de experimentação da Fundação de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), uma das nove fundações estaduais a serem extintas pelo governador Ivo Sartori sob pretexto de enxugar os custos da administração pública.
    Em consequência da extinção, junto com o trabalho de Sidia caminham provavelmente para o vazio dezenas de projetos de pesquisa tocados por outros 88 pesquisadores, que mantêm ocupada uma centena e meia de funcionários envolvidos com diversas modalidades de estudo e experimentação agropecuária.
    Todos estão “sem entender” o rumo das coisas na administração pública gaúcha.
    Na secretaria foi criado um “departamento de diagnóstico e pesquisa” onde deverão acomodar-se os funcionários estáveis (concursados) da Fepagro, todos colocados no “quadro de extinção” até que vençam os prazos para que passem ao quadro dos inativos.
    Situação semelhante vivem outros mil funcionários atingidos pela extinção de mais oito fundações estaduais, entre elas a FEE, a Piratini e a Zoobotânica.
    SOBRAM DÚVIDAS
    Na Fepagro, a maioria dos pesquisadores e demais funcionários encaminhados ao abate está lutando para que, de uma forma ou de outra, seus projetos de trabalho tenham continuidade.
    Por enquanto faltam definições e sobram interrogações.
    Em meados de janeiro, depois de diversas assembléias, Associação dos Servidores da Fepagro encaminhou à Secretaria da Agricultura  quatro ofícios sucessivos pedindo esclarecimentos sobre os desdobramentos da medida do governo.
    Por exemplo: “Como será mantido o curso de pós-graduação em saúde animal (34 alunos) cujos professores são os pesquisadores da Fepagro?”
    Outra pergunta: “O que acontecerá com os funcionários que moram em casas da Fepagro nos centros de pesquisa?”
    Seguem-se dezenas de dúvidas cruciais sobre questões funcionais e pessoais.
    A resposta do secretário da Agricultura, Ernani Polo veio de uma vez só no dia 25 (quarta-feira):
    ”Não haverá, neste momento, nenhuma interrupção nos trabalhos que vinham sendo desenvolvidos, principalmente com a migração do orçamento da Fepagro para o orçamento desta Pasta, que possibilibilitará, assim, o custeio das atividades e dos centros de pesquisa”.
    Segundo Polo, antes mesmo da extinção, foram iniciadas conversações com órgãos (como a Capes) que custeiam pesquisas tocadas por técnicos da Fepagro.
    Na realidade, a busca de recursos externos para as pesquisas da Fepagro foi transferida para a Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão..
    CENTROS DO INTERIOR PODEM PASSAR PARA EMPRESAS PRIVADAS
    Consta no site da Fepagro que as verbas externas, obtidas mediante bolsas, contratos e convênios, garantem a continuidade de 80% dos trabalhos de pesquisa da Fepagro.
    São recursos extraorçamentários. Em 2016, a fundação tinha um orçamento inicial de R$ 26 milhões e gastou R$ 27 milhões. Este ano, está autorizada a gastar R$ 24 milhões.
    Até agora, a gerência financeira da Fepagro continua operando com a autonomia de sempre. Não se sabe quando a mudança chegará ao prédio da Rua Gonçalves Dias, 570, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre.
    Nos bastidores, já se fala que alguns centros de pesquisa do interior estão na mira de empresas particulares. É de seis meses o prazo para executar a extinção da Fepagro e das outras fundações.
    Pela leitura dos funcionários da Fepagro, o problema mal começou a ser analisado.
    A demora se explica, em parte, pela falta de recursos financeiros do governo; outra parte, pelo ineditismo da operação de extinção; e, também, pelo relativo desconhecimento dos operadores da Secretaria sobre a Fepagro — seus objetivos, dificuldades operacionais e mecanismos de sobrevivência num quadro de permanente aperto econômico-financeiro.
    Pela lógica do arrocho, os primeiros locais desativados devem ser aqueles mais distantes da capital, mas o secretário Polo evitou qualquer definição mais precisa.
    Em seu ofício aos servidores da Fepagro, ele diz que “a reestruturação dos centros de pesquisa é um assunto que será analisado quando estiver consolidada a transição na área de pessoal, orçamentária, financeira e contratos, sendo que os critérios serão estabelecidos em momento oportuno”.
    Se o objetivo da mensagem era deixar as coisas no ar, Polo acertou na mosca.
    Em seu questionário sobre o futuro, os funcionários deixaram claro seu temor de que nas próximas semanas, não havendo ações rápidas, possa começar a faltar material para as pesquisas – desde gasolina para veículos até rações animais e suprimentos para a operação de telefones e computadores.
    Como não há precedentes semelhantes na administração pública, o pessoal atingido pela extinção não tem onde buscar orientação ou referências.
    UMA EMBRAPA ESTADUAL COM QUASE 100 ANOS
    Embora não faça propaganda nem apareça em manchetes, a Fepagro mantém um site de alta transparência no qual está explícita a dimensão do seu trabalho de investigação técnico-científica.
    Guardadas as proporções, ela é uma Embrapa estadual que vem dando continuidade às mais antigas estações experimentais gaúchas, criadas no início do século XX para dar apoio aos colonos alemães, italianos, poloneses e japoneses estabelecidos no estado.
    A estação mais antiga funciona desde 1919 em Veranópolis, que começou produzindo sementes para os agricultores. Em outros municípios havia reprodutores a serviço da multiplicação dos rebanhos gaúchos. As estações de Julio de Castilhos e Santa Rosa ajudaram na propagação da soja nos anos 1960.
    O caso da apicultura, em Taquari, berço da citricultura do Rio Grande, é emblemático.
    No site da Fepagro estão anunciadas cinco publicações sobre apicultura. A última delas, Manual de Manejo de Abelhas Sem Ferrão, com 144 páginas, publicada em fins de 2015, leva a assinatura de Sidia Witter, que opera em parceria com pesquisadores de outras instituições como a Embrapa, a Epagri (SC) e a UFRGS.
    As conclusões indicam que as abelhas nativas mais conhecidas – jataí, mandaçaia, manduri, mirim, guaraipo, tubuna e tubiba – são comprovadamente importantes na polinização de vegetais como abóbora, açaí, alfafa, araçá, berinjela, butiá, cacau, café, canola, cajá, cornichão, cupuaçu, girassol, goiaba, guaraná, maçã, maracujá, morango, pimenta, pimentão, soja, tomate, trevo e urucum, entre outras.
     

  • "Colapso das colméias": abelhas nativas podem ser alternativa

    GERALDO HASSE
    A pesquisadora Tereza Cristina Guannini, da USP, junto com quatro colegas (entre eles Vanessa Imperatriz-Fonseca, da Fepagro), publicou no Journal of Entomology um artigo afirmando que, de 141 culturas agrícolas analisadas no Brasil, 85 são dependentes de polinizadores, variando o grau de dependência de 30% a 100%.
    Na maçã, por exemplo, a influência da polinização por abelhas varia de 40% a 90%.
    Segundo Giannini, o valor anual da contribuição econômica dos polinizadores foi estimado em cerca de US$ 12 bilhões — cerca de 30% do valor total (US$ 45 bilhões) das culturas dependentes.
    Metade do valor da “contribuição” estudada viria da soja, planta originalmente pouco dependente da polinização mas que, supostamente, vem aumentando sua dependência em consequência da criação de centenas de variedades híbridas adaptadas a várias regiões do Brasil.
    Tudo isso se atribui basicamente à abelha européia, sem que se saiba, porém, quanto pesam na polinização as abelhas nativas, ditas “sem ferrão” – na realidade, elas têm o ferrão atrofiado –, e outros insetos como as vespas.
    Entre estas está a famosa lixiguana, cujo mel delicioso, consumido em excesso, provocou um porre quase mortal no naturalista francês Auguste Saint-Hilaire (1779-1853), que contou o episódio em seu célebre livro Viagem ao Rio Grande do Sul.
    De fato, ainda se sabe muito pouco sobre o papel das abelhas nativas na manutenção da biodiversidade. Aí está o X da questão apícola no momento.
    SÍNDROME DO COLAPSO DAS COLMÉIAS
    Um fenômeno identificado em 2007, foi definido por pesquisadores como  a “síndrome do colapso das colméias”. A principal característica é o “desaparecimento” das abelhas européias.
    Desde então, os pesquisadores começaram a encarar as abelhas sem ferrão como uma alternativa concreta para a polinização, serviço prestado há décadas pelos apicultores profissionais, que levam seus enxames de abelhas européias para lavouras e pomares. Além de ganhar com o aluguel das abelhas, eles mantêm a produção de mel, pólen e própolis.
    A “síndrome do colapso das colméias” foi detectada originalmente na Europa e nos Estados Unidos, mas está ocorrendo também no Brasil e em outros países.
    Uma das causas hipotéticas é que o problema seja decorrente do uso excessivo de insumos tóxicos nas lavouras. O fato é que uma parcela das abelhas que sai para pastar não volta aos ninhos.
    Supõe-se que percam o senso de orientação. Pode ser que enlouqueçam, como acontece com agricultores contaminados por venenos agrícolas.
    Outra hipótese é que as abelhas estariam se tornando  geneticamente vulneráveis por influência de alguma causa desconhecida.
    Podem até estar sofrendo com as mudanças climáticas – o aumento da temperatura global, por exemplo – causadas pelo acúmulo de gases do efeito-estufa na atmosfera.
    CONSUMO DE AGROTÓXICOS AUMENTOU 700%
    O fato concreto é que desde 2008 o Brasil lidera o ranking mundial no uso dos chamados agrotóxicos. De acordo com a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), nos últimos 10 anos, a utilização mundial desse produto aumentou 93%.
    No Brasil, o salto foi mais do que o dobro (190%), o que elevou para 130 mil toneladas o consumo anual de “defensivos agrícolas”.
    Segundo a Embrapa, enquanto as áreas cultivadas nos últimos 40 anos cresceram 78%, o aumento no uso de agrotóxicos no mesmo período foi de 700%.
    É uma escalada que não se contém nem com leis, nem com campanhas ecológicas. O Rio Grande do Sul foi o primeiro estado brasileiro a criar (em 1982) uma lei de controle do uso de venenos agrícolas, que só podem ser receitados por engenheiros agrônomos.
    Há dois anos, o município de Ijuí foi considerado o campeão mundial no uso de agrotóxicos na lavoura da soja.
    Em dezembro passado, o Ministério da Agricultura suspendeu o uso de 63 fungicidas utilizados para controlar a ferrugem asiática nas lavouras de soja.
    Os apicultores e as abelhas em geral agradecem, mas os brasileiros permanecem indefesos ao consumir alimentos in natura como frutas, legumes e verduras, 70% dos quais chegam aos consumidores como variados graus de substâncias tóxicas empregadas pelos agricultores.
    BRASIL TEM QUASE 2 MIL ESPÉCIES DE ABELHAS
    Fora a gloriosa Apis mellifera, de origem européia, há mais de 20 mil espécies de abelhas nativas no planeta, mas 95% delas são solitárias e muitas delas jamais foram estudadas.
    No Brasil, há 1 676 espécies e as abelhas sem ferrão se concentram  mais nas regiões tropicais.
    No Rio Grande do Sul, totalizam 400, mas apenas 24 espécies de abelhas sem ferrão são conhecidas e, destas, não mais do que sete são razoavelmente estudadas.
    Em seu manual sobre as abelhas nativas do Rio Grande do Sul, Sidia Witter adverte que a espécie guaraipo está ameaçada de extinção devido à destruição das árvores que elas utilizam para fazer os ninhos, ou seja o desmatamento das áreas de ocorrência na Mata Atlântica e de fontes de alimento.
    A carne-de vaca é uma espécie de planta nativa da Mata com Araucária, utilizada pela guaraipo para produzir o valioso mel branco bastante conhecido no nordeste gaúcho.
    Destacam-se a jataí, a mandaçaia, a manduri, a tubuna, a tubiba, a guaraipo e as mirins – oito espécies, três das quais fazem ninhos subterrâneos.
    Em seu “Manual de Manejo de Abelhas Sem Ferrão”, com 144 páginas, publicada em fins de 2015, a pesquisadora Sidia Witter, que opera em parceria com pesquisadores de outras instituições como a Embrapa, a Epagri (SC) e a UFRGS, trata do assunto.
    As conclusões indicam que as abelhas nativas mais conhecidas – jataí, mandaçaia, manduri, mirim, guaraipo, tubuna e tubiba – são comprovadamente importantes na polinização de vegetais como abóbora, açaí, alfafa, araçá, berinjela, butiá, cacau, café, canola, cajá, cornichão, cupuaçu, girassol, goiaba, guaraná, maçã, maracujá, morango, pimenta, pimentão, soja, tomate, trevo e urucum, entre outras.
    Sidia Witter estuda há cinco anos especialmente a bieira, uma das mirins, cujo mel é “uma delícia”. Os méis das nativas são, de fato, diferenciados. Os índios foram seus primeiros consumidores.
    Vem daí, da antiguidade americana, o conhecimento dos hábitos desses insetos fascinantes. Seus méis contêm maior índice de água do que o mel convencional da Apis mellifera. Por isso e por outros detalhes, as abelhas nativas não se enquadram na legislação que rege a apicultura profissional.
    Por suas características peculiares, as abelhas nativas são criadas mais por hobby do que para gerar renda em sítios rurais ou quintais urbanos.
    Sidia Witter fala com carinho de um apicultor de 90 anos que desde criança cria em Turuçu uma espécie de abelha sem ferrão. “Ele ganhou um ninho do pai e hoje tem 300 ninhos…”
    Por aí se vê que a criação de abelhas nativas é uma atividade sentimental que, segundo algumas pessoas, favorece a longevidade dos seres humanos.
    Aos 85 anos, o agrônomo Warwick Kerr, que introduziu no Brasil a abelha africana, dando origem a um híbrido mais vigoroso do que a abelha européia, acredita que a picada das abelhas melhora a circulação sanguínea dos animais que não sejam alérgicos ao seu veneno.
    Uma vez, ele levou 500 picadas de Apis mellifera, passou mal e até perdeu um pouco de sangue na urina, mas ficou imunizado para sempre.
    A CHAVE DA BIODIVERSIDADE
    Segundo a pesquisadora apícola da Fepagro, no universo pouco conhecido das abelhas nativas há um mercado exclusivo cujo principal indicador é o valor de um enxame de jataí: pode variar de R$ 60 a R$ 180, duas a cinco vezes mais do que um enxame de Apis mellifera, domesticada há milhares de anos.
    O mel da jataí é muito apreciado, mas seu uso e seu valor são segredos da culinária doméstica brasileira. Além disso, é preciso atentar para os volumes de produção, que não se comparam aos da Apis mellifera.
    Um enxame de européias (50 mil abelhas) pode produzir 40 quilos de mel por ano. Um ninho de abelhas nativas (2 mil indivíduos) não oferece mais do que um a dois quilos por ano.
    Se não cabe comparar o volume de produção de mel das abelhas profissionalizadas e das abelhas nativas, faz todo  sentido estudar o papel de cada uma delas no aspecto ecológico.
    Como aliadas naturais dos agricultores, todas as abelhas são fieis seguradoras da manutenção da biodiversidade e do equilíbrio do ambiente natural.
    Em seu manual sobre as abelhas nativas do Rio Grande do Sul, Sidia Witter adverte que a espécie guaraipo está ameaçada de extinção devido à destruição do seu pasto preferencial — a pata-de-vaca, vegetal outrora abundante nos Campos de Cima da Serra. Com o néctar dessa planta, as abelhas fazem um valioso mel branco bastante conhecido no nordeste gaúcho.
    Para os consumidores pode não ser uma grande perda, mas para a ciência é um sinal de perigo: o desaparecimento de espécies vegetais em consequência do desmanche de ecossistemas concorre para aniquilar insetos e outros animais que ainda não foram sequer estudados. Entre os atingidos, pode estar o homem.

  • Banrisul poderá entrar na negociação da dívida do Estado

    WÁLMARO PAZ
    Na próxima semana continuarão as negociações sobre a dívida do Estado com o governo Federal.
    O ministro da Fazenda Henrique Meirelles afirmou ao jornal Valor Econômico que a privatização do Banrisul é uma hipótese que ainda está em análise para que haja a suspensão do pagamento da dívida por 36 meses.
    Os ativos  do Banco e outras empresas estatais gaúchas como a Companhia Rio-grandense de Mineração (CRM), a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) e a Sulgás seriam parte das contrapartidas exigidas pela União..
    Em razão dessas notícias as ações do banco subiram  22,5 % em dois dias na Bovespa.
    A importância do Banrisul para a economia gaúcha é imensa, desde que foi criado, em 1928, por Getúlio Vargas – então “presidente” do Estado – para financiar a agricultura sul-riograndense e também para a catarinense. No último balanço anual divulgado, o de 2015, deu lucro de R$ 838 milhões. Não é, portanto, deficitário, longe disso.
    É o 11° banco nacional em valor de ativos e o sétimo entre os de varejo, se não entrarem na lista os bancos de investimento (BNDES, Pactual, Safra e Votorantim). Isso mesmo sendo muito regionalizado, com relativamente poucas agências fora do Sul do Brasil. Seus ativos totais, em março de 2015, somavam R$ 61,4 bilhões.
    O banco já sofreu diversas tentativas de privatização nos útimos anos. Mas a sociedade gaúcha resistiu impedindo-as.
    Já o governo gaúcho nega qualquer possibilidade de negociação do Banco. O Secretário da Fazenda Giovane Feltes, declarou ao voltar de Brasília que a possibilidade de parte do banco estadual entrar na negociação é “zero”.
    Na sexta-feira (27) a Bovespa exigiu explicações da direção do banco sobre esta situação, uma vez que existem ações negociadas naquela Bolsa de Valores.
    A direção do Banrisul não fala sobre o assunto, mas alguns deputados já contam como certa a tentativa de privatização. Gilberto Capoani (PMDB) já lançou até nota que votará contra qualquer proposta neste sentido.
    O presidente da Assembleia Legislativa que assume na terça-feira (31), Edgar Preto (PT), também disse que a votação das emendas acontecerá logo após o recesso. E, embora reconheça que o governo tem maioria para fazer passar qualquer emenda, ele afirmou “ não será fácil”. Lembrou que a Assembleia Ficará aberta ao ingresso de pessoas nas galerias e que mesmo entre a base do governo alguns candidatos ficarão constrangidos para aprovarem a emenda derrubando o plebiscito necessário para a venda das estatais.

  • Sem Terra desenvolvem permacultura em acampamento

     
    Os acampados do MST em Charqueadas estão construindo uma casa de pau a pique que servirá como depósito de materiais e centro da organização da produção em permacultura na área de 1,5 hectare onde, além dos barracos de lona preta, existe uma grande diversidade de produção.

    agricultor trabalho o barro para fazer casa. Foto: Catiana de Medeiros
    agricultor trabalho o barro para fazer casa.
    Foto: Catiana de Medeiros

    A casa de barro é financiada pelo Fundo Socioambiental CASA e tem o apoio técnico do MST, do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras por Direitos (MTD) e faz parte do projeto Agroecologia, Alimentação Saudável e em Defesa da Vida,. Conforme o agrônomo e ecólogo Antônio Prestes Braga, que acompanha as famílias desde o ano passado, a iniciativa tem o objetivo de gerar consciência ecológica  e renda aos camponeses.
    “Queremos que eles, ao conquistarem os seus lotes, já possam praticar com autonomia a agroecologia e a permacultura, organizando o seu espaço e a produção sempre em harmonia com a natureza”, explica.
    A obra tem formato octogonal e servirá para guardar biofortificantes naturais e ferramentas adquiridas através do projeto, como pá, motosserra, carrinho de mão, furadeira, martelo e baldes. Ela gera  grande expectativa nos acampados e está sendo construída por etapas, desde outubro do ano passado, com base em técnicas que utilizam barro, taquara, restos de madeira e grama seca.
    Oficinas
    Integrando ações do projeto, as famílias participaram de cinco oficinas para estudo do Programa Agrário do MST, visitas em assentamentos de Nova Santa Rita, na região Metropolitana, e à Feira Ecológica do Parque da Redenção, em Porto Alegre. O intuito é apresentar aos agricultores experiências de produção de alimentos saudáveis que estão sendo desenvolvidas, como viveiros de mudas orgânicas, hortas e criação de aves e suínos.
    Os acampados também receberam formação sobre o papel dos animais na agroecologia e a nutrição de plantas a partir de extratos fermentados, que contêm como matéria-prima água da chuva, urtigas, samambaia, cavalinha ou confrei. “Eles precisam compreender que potássio, nitrogênio e fósforo, comuns no pacote do agronegócio, não são suficientes para a boa nutrição das plantas. Elas também precisam de zinco, magnésio, cobre e outros nutrientes para se tornarem resistentes aos ataques do insetos e fungos”, argumenta Braga.
    Segundo ele, o produto será utilizado na horta coletiva do acampamento, onde é produzido batata, milho, couve, alface, temperos verdes e chás aromáticos e medicinais, e também será fabricado pelas famílias para comercialização e, consequente, obtenção de renda.
    “O projeto está cumprindo seus objetivos, principalmente no que diz respeito à geração de consciência. Muitos já pensam em construir casa de barro em seus futuros lotes, e saber que eles querem levar a diante a agroecologia e a permacultura é muito gratificante”, conclui.
     
     

  • OAB/RS cobra de Sartori excesso de presos na DP de Canoas

    O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil/ RS (OAB/RS), Ricardo Breier, cobrou do governador do Estado, José Ivo Sartori,  providências imediatas para que os presos mantidos irregularmente na Delegacia de Canoas sejam transferidos. Na noite da última quarta-feira (25) a Comissão de Direitos Humanos Sobral Pinto (CDH) da OAB/RS  realizou uma vistoria na Delegacia de Polícia de Canoas onde constatou a superlotação.
    Durante a inspeção, foram constatados o total de 21 presos, sendo 17 na carceragem e quatro em viaturas no pátio da Delegacia. Alguns aguardam vaga para remoção desde os dias 10 e 11 de janeiro, custodiados por seis policiais, sendo dois federais. Entre os detidos, há três feridos.
    “Isso é uma irresponsabilidade. Quem sofre com a ausência de condições mínimas a estes presos é a própria sociedade, que padece duplamente com a certeira reincidência destes. Além disso, há a possibilidade de morte de todos os envolvidos, além da viabilidade clara de resgate de presos por facções criminosas, como acontece em outros estados do País. É necessário priorizar o tema Segurança Pública em nosso Estado”, advertiu Breier.
    Segundo a coordenadora-geral da CDH, Neusa Bastos, a situação de superlotação também  coloca em perigo os servidores. “Além de estarem em número reduzido, não são preparados para o exercício da carceragem. A comunidade também fica vulnerável quando adentra na Delegacia para proceder um Boletim de Ocorrência”, explicou.
    “A OAB/RS vem cobrando do Estado, de longa data, medidas imediatas para sanar o problema da superlotação nas Delegacias, mas, infelizmente, enquanto não acontecer uma tragédia o assunto não será tratado da forma necessária”, finalizou Neusa.
    Já o delegado plantonista, Marcos Machado, falou que o momento é de risco iminente. “Hoje, não é uma Delegacia. É um Presídio com cara de Delegacia”, ressaltou.