ELMAR BONES
Cerca de 50 mil acionistas da extinta Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) estão na lista dos credores habilitados no processo de recuperação financeira da Oi. São representados por mais de 60 escritórios de advocacia e não há uma estimativa do total de que são credores.
Eles ganharam na justiça valores entre 1.500 e 50 mil reais, mas há caso excepcionais, nos processos mais antigos, que podem chegar a 600 mil reais, em razão dos juros de mais de 20 anos e atualização monetária.
A CRT foi privatizada em 1996 e, desde então, milhares de pequenos acionistas lutam para receber seus direitos, inicialmente junto à Brasil Telecom, que assumiu os ativos da estatal gaúcha e, depois, junto à Oi, que comprou a BRT. Muitos chegaram a ter ganho da causa na Justiça, mas foram lesados por advogados que embolsaram os valores recebidos.Outros ganharam a demanda, mas ainda não receberam nada. São esses – estimados em 50 mil – os que agora conseguiram ser habilitados no processo de recuperação da Oi, a maior operadora de telefonia fixa do pais e a quarta maior na telefonia móvel, que acumula uma dívida de R$ 65,4 bilhões e no ano passado entrou com o maior pedido recuperação judicial já feito no Brasil.
UMA HISTÓRIA ANTIGA
A história da CRT e seus pequenos acionistas remonta ao governo de Leonel Brizola que, em 1961, encampou a ITT, a companhia norte americana que explorava os serviços de telefonia no Rio Grande do Sul. Dona de uma concessão vantajosa, com equipamentos sucateados, a ITT não se dispunha a investir para ampliar os serviços.
Brizola, então, cassou a concessão e indenizou os americanos por valor simbólico. Criou a Companhia Riograndense de Telecomunicações, uma inovadora “empresa de economia mista”. O Estado, porém, não tinha como suportar os investimentos necessários. Foi lançado, então, um projeto inédito de capitalização: no custo da linha telefônica, vinha embutido um certo número de ações da companhia, o que transformava os clientes em acionistas minoritários da companhia. A demanda por telefones era tal que o projeto foi um sucesso e a CRT representou um salto nas telecomunicações no Estado.
Quando foi privatizada, a CRT tinha mais de 100 mil acionistas minoritários, mas já com muitas distorções no processo. A demanda por telefones era muito maior do que a oferta e estimulou um mercado paralelo, inclusive com intermedíários donos de centenas ou milhares de linhas que eram alugadas, pois “comprar um telefone” custava caro.
A encrenca foi surgir três anos depois quando um advogado foi pesquisar o valor das ações que tinha na CRT e se deu conta que tinha sido lesado. Descobriu uma portaria do Ministério das Comunicações que, há mais de dez anos, havia alterado o critério de emissão das ações por parte das empresas que trabalhavam com o sistema de capitalização.
Em vez da emissão imediata das ações no ato da compra da linha telefônica, a portaria ministerial permitia que as empresas retardassem a emissão das ações em até um ano. Numa época de inflação galopante, o valor de cada ação, corrigido, mais do que duplicava no prazo de um ano.
Detalhe: o valor que o acionista desembolsava na hora da compra não era atualizado. Ou seja, o que ele pagava na data da compra ou subscrição representava um certo número de ações. Um ano depois, quando eram emitidas as ações com o seu preço atualizado, o valor pago na hora da compra, sem ser corrigido, rendia menos metade das ações.
Começaram, então, as ações na Justiça, visando reparar a distorção. As primeiras decisões no inicio do ano 2.000, foram negativas pois os juízes de primeira instância relutavam em aceitar que a “compra de um telefone” pudesse redundar em direitos de acionistas da companhia.
Quando, porém, os primeiros processos chegaram ao STJ a situação mudou. Firmou-se um entendimento de que os acionistas tinham direito realmente à correção. Tornaram-se, então, crescentes as vitórias judiciais dos acionistas. Com a divulgação dessas decisões favoráveis, milhares de acionistas passaram a ingressar em juízo. A maioria, até então, desconhecia a questão da capitalização e das ações a que tinham direito.
O advogado Mário Madureira, que chegou participar de um grupo em Porto Alegre criado para troca de experiências e contratação de pareceres de juristas renomados, estima que mais de 300 advogados, inclusive do Paraná e Santa Catarina se envolveram nesses processos. Pelo menos 80 mil acionistas minoritários foram à Justiça.
A maioria dos advogados, segundo Madureira, agiu corretamente e repassou os valores devidamente a seus clientes nos casos de decisão favorável. Na imprensa, porém, começaram a pipocar denúncias de fraude. Advogados teriam negociado com a empresa acordos lesivos aos seus clientes. Outros simplesmente embolsaram o dinheiro ganho.
O caso mais notório é o de Maurício Dal Agnol que, segundo a Polícia Federal, deixou de repassar valores a cerca de 30 mil clientes, num total que chega a R$ 100 milhões. Ele chegou a ser preso, em 2015, mas mediante habeas corpus foi solto e responde a processo em liberdade.
O caso mais recente, rendeu manchetes no início desde ano, envolve cinco advogados paranaenses, cujos nomes não foram divulgados. Eles teriam lesado dois mil clientes de Santa Maria, num total de R$ 30 milhões.
Para culminar as agruras dos acionistas minoritários da CRT, uma decisão judicial fulminou qualquer chance de indenização para os casos que ainda não tinham sido julgados. Foi em 2007, quando Superior Tribunal de Justiça, sem qualquer fato novo, emitiu um acórdão, relatado pelo ministro Hélio Quaglia Barbosa, que alterou radicalmente o critério para fixar o valor das ações.
Em vez de ser fixado na Assembléia Geral, conforme determina a Lei das Sociedades Anônimas, o novo acórdão estabeleceu que o valor das ações tinha que ser definido a partir do balancete do mês em que era feita a compra do telefone. “Foi uma decisão não entendida até hoje, pois anulou uma jurisprudência já pacificada e fulminou o direito das pessoas, pois com o critério do balancete, 95% dos acionistas não tinha nada a receber. Foi uma ceifadeira”, conforme o advogado Mário Madureira.
Essa medida esvaziou milhares de ações judiciais que ainda tramitavam. Restaram as ações que já tinham sido julgadas antes do acórdão e que não foram pagas até hoje. Estas seriam as 50 mil credores que pretendem ser contemplados no processo de recuperação judicial da Oi, sucessora da Brasil Telecom que está em andamento.
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Cinquenta mil acionistas da CRT ainda esperam ser indenizados pela Oi
Jornalista lembra do colega Teori no seminário de Chapecó
AYRES CERUTTI
Ele jogava espiribol? Naquela nevasca de 1965, ele ainda estava em Chapecó? Não lembro. Éramos jovens do Oeste catarinense. O Teori Zavaski, de Faxinal dos Guedes e
eu, de Concórdia.
Vida de jovens estudantes. De seminário. Muito estudo. Algum trabalho. E muita oração.
Aluno nota 10. Lembro que ele ganhou um concurso de redação promovido pela Prefeitura de Chapecó. Personagem: o cacique Condá, que deu nome ao estádio que agora é a famosa Arena da Chape.
No teatro, ele encarnou Bento Gonçalves na peça que encenamos sobre a Revolução Farroupilha.
E os passeios? Inesquecível, quando acampamos sobre uma balsa em construção no rio Uruguai.
Era uma daquelas balsas do tamanho de um campo de futebol, que ficavam aguardando grandes enchentes, para superar o salto grande, imortalizado em composição do Barbosa Lessa. Balsas para o transporte de pinheiros para a Argentina. Lembranças para sempre.
Na Zero Hora, encontrei o Olyr, seu irmão mais velho. Mais algum tempo e minha
filha estava estudando com a Letícia, sobrinha do Teori. Novos encontros nas festas de aniversário das crianças.
Um belo dia, recebo um convite mais que especial: a posse do Teori no Supremo Tribunal Federal. Que alegria, que surpresa!.
E hoje, que impacto!. Primeiro, “o nome do ministro está na lista dos passageiros”. E logo logo a confirmação. O Brasil e mundo perplexos. Não posso mais perguntar: “Teori,
gostavas de espiribol?”Morte do relator da Lava Jato: avião caiu a 2 km da pista
Segundo a FAB, o avião Beechcraft C90GT, prefixo PR-SOM, saiu do aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, às 13h.
De acordo com funcionários do aeroporto de Paraty, a aeronave caiu no mar por volta das 13h30, momento em que chovia na região.
O aeroporto de Paraty teria dado a permissão para o pouso da aeronave. No entanto, a instabilidade do tempo poderia ter prejudicado a aterrissagem do avião, que caiu a 2 km da pista do aeroporto.
A baixa visibilidade, causada pela chuva, pode ter contribuído para a queda do avião. O aeroporto de Paraty não conta com equipamentos para pouso por instrumentos. Assim, o piloto precisa se localizar e fazer toda a aproximação por meio de contato visual com a pista.
De acordo com os regulamentos de tráfego aéreo brasileiro, o pouso visual só pode ser feito com uma visibilidade horizontal mínima de 5 km e teto de 300 metros. Se as condições do tempo estiverem pior do que esse mínimo, os pousos não podem ser feitos.
No caso do aeroporto de Paraty, no entanto, não é possível determinar com precisão quais eram as condições de teto e visibilidade no momento do acidente. O aeroporto não tem torre de controle, tampouco uma estação meteorológica. Nesse casso, a decisão sobre se há condições ou não para o pouso cabe ao piloto do avião.
A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) informou que o avião da Emiliano Empreendimentos e Participações Hoteleira estava regular.
Marchezan confirma Solimar Amaro para a presidência da Fasc
Solimar Amaro, ex-superintendente da Kinder e ex-gerente da Fundação Pão dos Pobres, é o novo presidente da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) de Porto Alegre.
O gestor foi anunciado nesta quinta-feira, 19, pelo prefeito Nelson Marchezan Júnior.
Mestre em Educação e especialista em gestão, Amaro atuará nas políticas sociais do município em alinhamento com a secretária municipal de Desenvolvimento Social, Maria de Fátima Paludo, pasta à qual a Fasc é subordinada.
Em reunião no Paço Municipal nesta tarde, Marchezan destacou a formação acadêmica e a experiência profissional de Amaro na área social como diferenciais que agregarão qualidade ao serviço desempenhado pela Fasc.
“Temos muito cuidado na formação da equipe de governo, considerando o histórico de cada profissional. E o Solimar é uma das pessoas com mais respeitabilidade no setor, com experiência de gestão na iniciativa privada. Junto a todos os órgãos de controle e fiscalização e às entidades que trabalham na área, ele vai contribuir para a qualificação do serviço público que a Fasc oferece aos cidadãos”, afirmou o prefeito.
Para Amaro, a principal meta é trabalhar a assistência social em uma plataforma integrada no município, potencializando as ações com as políticas de desenvolvimento social, saúde e educação. “Tenho a clareza da importância de trabalhar a assistência social com uma visão de rede, mobilizando os servidores da Fasc, os órgãos do município e as instituições conveniadas, que realizam um belo trabalho”, avaliou, destacando, ainda, prioridade para fortalecer a implementação do Sistema Único de Assistência Social (Suas) em Porto Alegre.
Trajetória – À frente da Kinder – Centro de Integração da Criança Especial desde 2008, Amaro tem ainda como experiências recentes a atuação como gestor do Sistema Denúncia – Ética e Transparência da Secretaria da Educação do Estado (Seduc), entre 2015 e 2016, e diretor do Departamento Estadual de Políticas Públicas sobre Drogas, de 2011 a 2013. Também foi gerente socioeducativo da Fundação Pão dos Pobres, onde coordenou o reordenamento da instituição, em 2009.
Natural de Rio Grande, Amaro é mestre em Educação pela PUCRS, com formação acadêmica nas áreas de Pedagogia, Psicologia e Gestão de Pessoas. Na Universidade de Guadalajara, no México, especializou-se em Gestão e Patrimônio. Na trajetória profissional, também foi vice-presidente da Rede Marista RS, diretor-adjunto do Hospital São Lucas da PUCRS e membro do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e do Conselheiro de Curadores da PUCRS.Moro diz que sem Teori Zavascki não haveria Lava Jato
Em nota, o juiz federal Sérgio Moro, da Lava Jato, se disse “perplexo” com a notícia da morte do ministro Teori Zavascki, relator da investigação no Supremo Tribunal Federal, e afirmou que “o ministro Teori Zavascki foi um grande magistrado e um herói brasileiro.
“Exemplo para todos os juízes, promotores e advogados deste país”.Segundo Moro, sem Teori, “não teria havido a Operação Lavajato”; “Espero que seu legado, de serenidade, seriedade e firmeza na aplicação da lei, independente dos interesses envolvidos, ainda que poderosos, não seja esquecido”, disse ainda o magistrado.Confirmada a morte de ministro Teori Zavascki em acidente
O ministro Teori Zavascki, relator dos casos relacionados à operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), morreu em um acidente de avião ocorrido no litoral sul do Estado do Rio de Janeiro.
Teori e outras três pessoas estavam em um bimotor modelo King Air C90, fabricado pela americana Beechcraft, que saiu de São Paulo com destino a Angra dos Reis (RJ).
Antes da confirmação da morte, um dos filhos do ministro, Francisco Zavascki, havia dito à BBC Brasil que a família esperava por um milagre.
“Ele estava a bordo e estamos torcendo por um milagre”, disse ele, que também havia pedido orações no Facebook.
Direito de imagemFACEBOOK“Caros amigos, acabamos de receber a confirmação de que o pai faleceu! Muito obrigado a todos pela força!”, afirmou na rede social após a confirmação.
Responsável pelos casos relacionados ao maior escândalo de corrupção da história recente do país, Zavascki estava concentrado nos últimos meses nas delações da empreiteira Odebrecht, a maior do país.
Ministro desde 2012, era conhecido pela discrição mesmo nos momentos em que esteve no centro do noticiário.A aeronave
A aeronave PR-SOM está registrada em nome da Emiliano Empreendimentos e Participações Hoteleiras Limitada.
Integrantes da Marinha e do Corpo de Bombeiros prestam assistência no local.
O avião que caiu em Paraty tem capacidade para oito passageiros, segundo a Força Aérea Brasileira.
A FAB afirmou ainda que a aeronave decolou às 13h01 do Campo de Marte em São Paulo.
Às 14h05, o Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico foi informado do desaparecimento do avião.
A aeronave caiu no mar, próximo à cidade de Paraty, no Rio de Janeiro.
Uma equipe de peritos do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos está a caminho do local.
Com reportagem de Felipe Souza, Néli Pereira, Paula Reverbel e Luis Kawaguti, da BBC Brasil em São Paulo.Ação conjunta vai contestar na Justiça a extinção de fundações
Cleber Dioni Tentardini
A Frente Jurídica em Defesa das Fundações apresentou nesta quinta-feira (19) uma análise das leis e dos decretos baixados pelo governador Ivo Sartori para extinguir nove fundações estaduais.
Segundo o integrante da Frente Jurídica, advogado Antônio Escosteguy Castro, “o objetivo é apresentar as consequências jurídicas e as estratégias de enfrentamento judicial à proposta de extinção das fundações”..
Criada pelo Coletivo Jurídico da CUT-RS, a Frente é integrada por vários escritórios de advocacia, que assessoram entidades sindicais, e questiona a real necessidade de extinguir nove fundações, que representam a pesquisa, a inteligência e a cultura do Estado, o que poderá ocasionar graves retrocessos e a demissão de 1.200 servidores concursados.
A extinção de fundações foi aprovada pelos deputados da base aliada de Sartori, durante a votação de parte do pacotaço do governador às vésperas do Natal na Assembleia Legislativa.
Na terça-feira (17), o Diário Oficial do Rio Grande do Sul publicou os decretos que sancionam as leis aprovadas pela Assembleia que prevêem a extinção da Fundação Zoobotânica (FZB), da Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec), da Fundação de Economia e Estatística (FEE), da Fundação Piratini, da Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos, da Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan), da Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde (Fepps), da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), e da Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (FIGTF), além da Companhia Rio-grandense de Artes Gráficas (Corag) e da Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH).
Apesar das decisões judiciais obtidas pelos sindicatos, que suspendem a demissão desses trabalhadores por falta de negociação coletiva prévia, o governo Sartori ainda publicará, conforme o Diário Oficial, um decreto fixando prazo para rescisão dos contratos de trabalho da FZB, Cientec, FEE, Piratini, FDRH e Metroplan.
“Somos contra o pacotaço do Sartori, o desmonte do estado, a demissão de trabalhadores e, por isso, estamos travando agora uma batalha jurídica para impedir a extinção das fundações”, afirma o secretário de Relações de Trabalho da CUT-RS, Antônio Güntzel.
De acordo com ele, “precisamos de um estado indutor do desenvolvimento e não exterminador do presente e do futuro do povo gaúcho”.
Porto Alegre: dívida com fornecedores chega a R$ 15 milhões
Com o pagamento de serviços e contratos de 2016 suspensos nos primeiros dias de governo, a dívida da Prefeitura com fornecedores já está contabilizada em R$ 15 milhões.
O motivo do ato (suspensão) era de que se faria uma mapeamento completo da atual situação financeira da cidade. Há uma semana em reunião com as escolas de samba da cidade, Marchezan voltou a falar em crise: “A situação é catastrófica!” disse o prefeito.
Mesmo com a suspensão dos pagamentos, a Prefeitura solicitou no dia 13 por meio de seu site que fornecedores que tem valores a receber que comparecessem à loja de atendimento da secretária da Fazenda, localizada na Travessa Mário Cinco Paus, s/nº, Centro Histórico. O serviço funcionará até dia 31 de janeiro.
Em cinco dias, já foram protocolados 30 processos. Os valores devidos referem-se à compra de bens, à prestação de serviços, à aquisição de bens permanentes, obras, entre outros.
“Dívidas e contratos a pagar aparecem todos os dias” disse o Prefeito à imprensa ainda no dia da reunião com os carnavalescos. O tamanho da dívida ou do rombo já anunciado pelo Prefeito só deve ser avaliado no fim de março ou princípio de abril, quando terminam os 90 dias estabelecidos.Edgar Vasques e Bira Carlos Gomes: desenho e música nos altos do viaduto
GERALDO HASSE
Na noite de sexta-feira 13 de janeiro de 2017, dois sujeitos barbudos e grisalhos conversavam baixinho numa das mesas externas do Tutti Giorni, bar situado nas escadarias do Viaduto Otavio Rocha, à altura do nº 700 da avenida Borges de Medeiros, em Porto Alegre.
Curtindo aquele encontro especial, homens e mulheres mais jovens circulavam ao redor, tentando decifrar a conversação dos dois. Parecia que combinavam alguma coisa. O que estariam murmurando entre barbas e copos?
Sem mistérios: os dois se conhecem há décadas mas não se viam há anos, daí a intensa troca de figurinhas.
O mais velho da dupla barbuda é o cartunista e artista plástico Edgar Vasques, 67 anos, criador do Rango, o faminto mais ranzinza do Brasil. Ele tem à mão um caderno de desenhos e um estojo de giz colorido.
Tudo indica que premedita desenhar o barbudo-cabeludo-de-chapéu- coco: Ubiratan Carlos Gomes, líder da troupe de teatro de bonecos Anima Sonho, criada há 32 anos. Bira tem à mão, guardado numa capa preta, um instrumento musical.
Findo o aquecimento, os dois afinam seus instrumentos e tem início uma memorável sessão musical. Vasques rabisca, ora com os olhos no caderno, ora levantando os olhos para a figura grisalha perfilada à sua frente. Mal arranhando as cordas do instrumento – uma viola –, Ubiratan modula a voz no timbre grave do baiano Elomar Figueira de Mello.
O som sai tão baixo que apenas os que estão à sua volta se dão conta da graça do momento: é um espetáculo improvisado, sem rompantes, quase clandestino, num boteco dominado por jovens.
A canção “Na Carantonha” se arrasta por quase dez minutos. Ao final, soam palmas. Bira sabe que atrai olhos e ouvidos. Mais duas canções, uma de Elomar, outra do paraibano Zé Ramalho. Aplausos novamente.
Alguém se aproxima e sugere uma canção qualquer. Bira pede desculpas por saber fazer “apenas três acordes” e completa humildemente: “Sou um músico medíocre”. Também não canta nada da música típica do Rio Grande do Sul.
Edgar Vasques segue desenhando. Não se passou nem meia hora e já fez o retrato do cantor. Colorido, o desenho pode virar um quadro na parede, ilustrar um calendário ou…
“Vai ser a capa do meu próximo disco”, exclama Ubiratan Carlos Gomes, num rompante inesperado. Se a ideia for pra frente, será seu segundo disco.
O primeiro saiu há alguns anos. E aí vem sua história: nascido em 1953 em Cachoeira do Sul, Bira ficou na cidade natal até os 28 anos, quando se mudou para Porto Alegre, onde, em parceria com o irmão gêmeo Tiaraju, criou um espetáculo com bonecos que não emplacou em Cachoeira.
A capital o acolheu bem, dando-lhe a fama que o levaria a palcos distantes, fora do Rio Grande do Sul. Bira conta que ainda no início dividiram palco com o conjunto vocal/instrumental Os Tapes, que fazia sucesso no início das califórnias do nativismo (ganhou a 2ª Califórnia de Uruguaiana com Pedro Guará, canção de José Claudio Machado, um dos tapes).
Mais de três décadas depois, quem digitar Teatro de Bonecos Anima Sonho no Google, vai descobrir uma porção de shows no You Tube — os irmãos Carlos Gomes se apresentaram por 11 minutos no Domingão do Faustão em 1996.
A principal peça do seu repertório é O Ferreiro e o Diabo, cujo argumento foi extraído do capítulo 21 da novela argentina Don Segundo Sombra, clássico de Ricardo Güiraldes lançado em 1926. Conta a história de um ferreiro chamado Miseria.
Visitado em sua cabana por Jesus Cristo (que não se identifica), Miseria improvisa uma ferradura (de prata) para o jumento do nazareno, que viaja em companhia de um amigo chamado Pedro. “Quanto lhe devo?”, pergunta Cristo. O ferreiro não cobra nada, comentando com desdém que os dois viajantes são mais pobres do que ele.
Para demonstrar sua gratidão, Cristo diz ao ferreiro que peça três coisas. Ainda que Pedro lhe assopre que peça o Paraíso, Miseria pede três formas de poder sobre os outros e passa a viver como rico. Cortejado pelo Diabo, o aprisiona no seu estojo de tabaco. E assim vai até o fim da vida.
Morto, bate na porta do Céu, vem São Pedro e lhe nega o ingresso. Vai ao Purgatório, onde não há lugar para ele. Acaba indo ao Inferno, mas aí também lhe fecham as portas. E o pobre ferreiro fica perdido no mundo. “…y dicen que es por eso que, desde entonces, Miseria y Pobreza são cosas de este mundo y nunca se irán a outra parte, porque em ninguna quieren almitir su existencia”, diz a história contada por D. Segundo Sombra, personagem equivalente a grandes figuras do romance brasileiro, como o vaqueiro Riobaldo de Guimarães Rosa e o capitão Rodrigo Cambará de Erico Verissimo.
No livro, o relato dura uma hora; no teatro de bonecos de Ubiratan Carlos Gomes, leva 45 minutos.
A morte recente de Tiaraju Carlos Gomes cortou as asas do Anima Sonho, que ainda se apresenta, mas sem a repercussão de antes, quando ocupava palcos no Uruguai, na Argentina e no Chile. “Em Porto Alegre, ninguém mais nos chama”, reclama Bira, que mora no bairro Teresópolis.
A companhia de bonecos é formada por quatro pessoas: dois atores, uma técnica de som/luz e o contrarrega, que atua nos bastidores, incluindo a bilheteria. Com um elenco desses, o Anima Sonho não pega a estrada nem pernoita fora por cachê abaixo de quatro dígitos. Na capital, um show pode sair por menos.Marcha dá início ao Fórum Social das Resistências em Porto Alegre
Felipe Uhr
Sem o brilho de outros anos, o evento que faz contraponto ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, reuniu um discreto números de participantes e deu início ao Fórum Social das Resistências na tarde desta terça-feira, dia 17 em Porto Alegre.
A organização falou em cinco mil pessoas , já EPTC ( Empresa Pública de Transporte e Circulação), que acompanhou o grupo disse que eram mil.
A concentração começou apartir das 17 horas. Na esquina democrática um caminhão de som da CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil), a bateria da Escola de Samba Imperio da Zona Norte, integrantes do sindicato e alguns dirigentes que discursavam em cima do veículo .
Pouco mais abaixo, em direção ao Mercado Público, sindicalistas da CUT (Central única dos Trabalhadores).
Perto da Prefeitura, movimentos sociais e da juventude esperavam o inicio do cortejo fazendo uma batucada aos gritos de “Fora Temer” entre outros. Pequenos grupos a favor da diversidade, Povos Tradicionais da Martiz Africana e até mesmo alguns que carregavam faixas pedindo a volta de Dilma a presidência.
Por volta das 18 horas a caminhada teve início pela Avenida Borges de Medeiros em direção ao Largo Zumbi dos Palmares, local final do trajeto.
Ao longo da caminhada mais gritos de fora Temer. O cortejo seguiu pela José do Patrocínio mas não foi até o Zumbi, já que a Feira Ecológica ocupava o espaço. O caminhão ficou na esquina da Patrocínio com a Avenida Loureiro da Silva.
Ali dirigentes, representantes sindicais e dos movimentos presentes na marcha discursaram em cima do caminhão. “Fora Temer” eram alternados entre cada fala. Além da crítica ao atual governo nacional, o governador Sartori também foi muito criticado. “Precisamos unir a esquerda” falou um dos que discursava.
O Fórum Social das Resistências irá até o dia 21, no sábado. Até lá, fóruns, debates e outros e outros eventos irão discutir as alternativas e caminhos a serem seguidos em contraponto ao capitalismo.

