Categoria: Geral

  • Sartori pressiona para antecipar a votação do pacote

    Deputados que apoiam as propostas do governo Ivo Sartori, de extinção de fundações e privatização de estatais,  trabalham para antecipar para esta quinta feira a votação do pacote.
    A intenção do governo é concluir a aprovação ainda antes do recesso.  Como se trata de mudança constitucional a votação tem que ser em dois turnos.
    Se conseguir levar a proposta a plenário nesta quinta-feira, para primeira votação, a base aliada de Sartori poderá promover o segundo turno e liquidar o assunto na semana que vem.
    A pressa do governo é para estancar a reação ao pacote, que se fortaleceu nos últimos dias com a mobilização dos servidores e que pode influir no ânimo dos deputados, a exemplo do que ocorre no Rio de Janeiro, onde a acirrada pressão das ruas está derrotando as propostas do governador Pezão.
    A decisão da bancada do PDT de fechar questão contra  a extinção de fundações ligadas à pesquisa e à privatização de estatais sem consulta à população, acendeu a luz amarela nas hostes governistas.
    Na manhã desta terça, quatro federações de empresários – Fiergs, Farsul, Fecomércio, Federasul – divulgaram um manifesto em apoio ao pacote de Sartori. É mais um sinal de que a aprovação das propostas é incerta.
     

  • Senado aprova PEC dos gastos com protestos em todo o país

    Manifestações de rua em todos os Estados pedem a rejeição da Proposta de Emenda à Constiuição (PEC) 55, que congela os gastos públicos pelos próximos 20 anos no Brasil.
    Pesquisa do Datafolha, divulgada hoje, constata que 60% dos brasileiros são contra a medida, que é um dos pontos centrais do pacote de ajuste fiscal proposto pelo governo de Michel Temer.
    Mesmo assim o Senado votou e aprovou a PEC 55 em segundo turno nesta terça.
    Na primeira votação, a PEC foi aprovada por 61 votos a 14, em 30 de novembro. Agora foram 53 votos a favor e 16 contra. Na primeira votação, foram 61 a 14.
    Dois trechos da proposta tinham sido destacados para serem votados separadamente, numa tentativa da oposição de modificar o texto.
    O primeiro destaque tratava da limitação de despesas obrigatórias, em particular o salário mínimo. A oposição queria retirar um trecho do texto que falava na despesa com o mínimo, de modo que ele não fosse afetado pelos limites orçamentárias impostos pela PEC. Por 52 votos a favor e 20 contra os senadores optaram por manter o texto original e não retirar o trecho proposto.
    O segundo destaque tentava modificar a proposta para garantir um limite mínimo de gastos com saúde e educação, mas também foi rejeitado por 52 votos contrários e 19 favoráveis à modificação do texto.
    Uma vitória que tira o governo Temer do sufoco que viveu nos últimos dias, depois do vazamento da deleção de Cláudio Melo Filho, ex-diretor da Odebrecht, que implicou Temer e seus principais homens no governo.
    Estudantes, integrantes de movimentos populares, entre outros grupos, participaram dos protestos contra a proposta.
    Em Porto Alegre, as manifestações começaram às 7h  da manhã no centro, com o bloqueio parcial da avenida João Pessoa.
    Mais tarde, estudantes bloquearam a Avenida Bento Gonçalves, no sentido bairro-Centro, em frente à Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
    Os manifestantes atearam fogo numa barricada feita com entulho e pneus. O Batalhão de Choque da Brigada Militar foi acionado e os policiais usaram bombas de efeito moral para afastar os manifestantes.

    Confira o voto de cada senador, conforme o site do Senado Federal:

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  • Programa da ONU alerta para o aumento da pobreza no Brasil

    Fernanda Cruz, da Agência Brasil
    O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) está atento a um possível retrocesso nas ações de combate à pobreza no Brasil diante da atual crise econômica, afirmou a representante do programa no país, Maristela Baioni.
    “Tivemos redução [da pobreza], nos últimos anos, mas, com a crise de hoje, há o risco de a população voltar aos níveis de pobreza anteriores”, disse Maristela, que participou hoje (12) do seminário Diálogos sobre Prosperidade: Parcerias para o Desenvolvimento Sustentável, realizado na BM&F Bovespa, na capital paulista.
    Segundo o Radar IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal), estudo do Pnud divulgado no mês passado, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita inferior a R$ 255, entre 2011 e 2014, diminuiu 9,3% por ano. No período de 2000 a 2010, o decréscimo anual foi de 3,9%.
    A redução da pobreza e temas como desigualdade social, corrupção, violência crescente, degradação do meio ambiente e déficit de infraestrutura integram a Agenda 2030 e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Essas metas foram adotadas por 193 países-membros das Nações Unidas, incluindo o Brasil, a partir da Rio+20, em 2012.
    Didier Trebucq, diretor do Pnud, defende que o Brasil aumente os esforços para a promoção do desenvolvimento humano, já que mais de 224 milhões de latinos correm o risco de voltar à pobreza, ou seja, 35% da população latina. “Precisamos de medidas que permitam reforçar a inclusão produtiva”, disse.
    Segundo ele, atrair novos modelos de negócios e estratégias ajudam no desenvolvimento econômico. Por isso, o programa fez um acordo de cooperação técnica com 2 mil micro e pequenas empresas, como forma de impulsionar o setor e a economia do país.
    Já a coordenadora da Secretaria do Programa de Parcerias e Investimento da Presidência da República, Vanialucia Lins, disse que o governo quer impulsionar as concessões e parcerias público-privadas, capacitando servidores e levando mais informação à população.
    “Os desafios são grandes, porque tem várias resistências ideológicas. Felizmente, a sociedade discute, agora, gastos, como a reforma da Previdência. Isso é importante porque os gastos não são ilimitados”, disse.
     

  • "Governo vai gastar sete vezes mais", diz pesquisador da FZB

    Dois pesquisadores, um da Fundação Zoobotânica e outro do Cientec, foram ouvidos pelo JÁ a respeito do pacote do governo Sartori para extinguir oito fundações estaduais, a FZB entre elas.
    Jan Carel Junior, biólogo do Museu de Ciências Naturais, 48 anos, há dois na Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul:
    O que o governo do Estado alega é redução de custos e superposição de atividades com outros órgãos da Secretaria de Meio Ambiente.
    A questão do custo é facilmente refutável porque os gastos da FZB representam0,04% do orçamento do Estado. Quanto o Estado pagaria pelos serviços que nossos técnicos  prestam e que vão desde planos de manejo, zoneamento ecológico, laudos paleontológicos, até laudos de qualidade da água e do ar?.
    Já fizemos essa conta. O que se gasta com a Fundação Zoobotânica é cerca de sete vezes menos do que o Estado gastaria se fosse contratar empresas privadas para realizar o mesmo trabalho. Sem contar que os trabalhos são realizados com uma equipe técnica de alta qualidade.
    Sobre a superposição ou “sombreamento”, na verdade há uma complementariedade de atividades, da SEMA, do DRH, da Fepam e do Departamento de Biodiversidade. A Fundação produz informações para ações e políticas públicas de diversos órgãos.
    Nós já encaminhamos, em 2015, à Secretaria do Meio Ambiente um plano de readequação do Parque Zoológico. No início deste ano encaminhamos um plano de reestruturação de todo o sistema ambiental do RS com otimização da estrutura e otimização de custos. Nunca fomos recebidos. Nunca fomos consultados para nada”.
    “45 dias antes, Sartori fez acordo com alemães para qualificar a Cientec”
    João Leal Vivian, pesquisador na Cientec há 4 anos e meio:.
    “Fomos pegos de surpresa com a proposta de extinção. O governador, 45 dias antes do pacote,  em turnê pela Europa, anunciou uma reformulação da Cientec em parceria com o Instituto Fraunhofer, da Alemanha. Agora quer extinguir. Como entender?
    O trabalho da Cientec está presente no dia a dia da sociedade, o transporte do carvão, a carne do churrasco, o leite, os derivados animais, que têm envolvimento com a Secretaria da Agricultura. O fiscal sanitário coleta as amostras e traz para a Cientec. Nos últimos dois anos somente a Cientec estava habilitada no RS a fazer este tipo de serviço. Então, quem vai fazer este serviço e a que preço?
    O orçamento da Cientec gira em torno de 30 milhões de reais, e o governador diz que o prejuízo é de 19 milhões. Mas esquece o governador que o resultado do trabalho de instituições de ciência e tecnologia tem uma parte intangível.

    João, pesquisador na Cientec
    João, pesquisador na Cientec

    Não se consegue medir ou colocar no balanço financeiro da empresa. Nós temos o laudo sobre a Ford, feito por três técnicos da Cientec pesquisaram nas fábricas em São Paulo e na Bahia e detectaram que os equipamentos comprados pela montadora com os incentivos fiscais estavam em operação lá. Essa prova foi decisiva para a decisão da Justiça que mandou retornar aos cofres do Estado 246 milhões de reais.
    Outro exemplo é a denuncia sobre a fraude dos fertilizantes. Foi a Cientec quem emitiu laudo comprovando as fraudes. Outro exemplo do papel da Cientec é a inspeção de materiais de saneamento. Hoje nós temos mais de 700 ensaios creditados junto ao Inmetro. Quanto vale isso?”

  • Briga de adolescentes no Julinho vira caso de polícia

    Atualizado às 23h57 com vídeo gravado por aluno
    Uma briga entre dois alunos na hora do recreio acabou numa violenta confusão no Julinho (Escola Estadual Júlio de Castilhos) na manhã desta segunda-feira. Sem saber como contornar a situação, a diretoria chamou a Brigada Militar, e pelo menos sete adolescentes ficaram feridos, todos menores de idade.
    No início da tarde, em frente ao Hospital de Ponto Socorro, estudantes que aguardavam os colegas feridos serem atendidos relataram que um aluno “começou a implicar com outro, menor do que ele”, na aula de Educação Física, logo antes do intervalo, quando a implicância virou agressão física.
    Contaram que outros partiram em defesa do que estava em desvantagem física, e o garoto que iniciou a confusão acabou apanhando, ninguém veio em defesa dele. Foi quando chegaram três viaturas. Seis brigadianos tentaram deter o autor da confusão, que resistiu, e um policial teria lhe dado uma bofetada. “Aí ele começou a apanhar da polícia.”
    Em seguida levaram-no para uma sala, e um grupo de colegas aglomerou-se em frente à porta fechada. Ao saírem com o detido, os brigadianos teriam tido uma reação violenta, abrindo caminho com os cassetetes.
    “Não vi, mas colegas viram que foi um brigadiano que quebrou o vidro da janela”, diz a presidente do Grêmio Estudantil, Brisa Monteiro D’Ávila, 17 anos. Um dos alunos chegou a desmaiar e foi para o HPS de táxi, os demais foram a pé.
    Não havia nenhum representante do Conselho Tutelar nem mulheres policiais na operação. Dois professores, de Filosofia e de Sociologia, demandados pelo Grêmio estudantil, acompanharam os alunos na chegada ao HPS.
    Do Julinho, os estudantes foram prestar queixa e fazer exame de corpo de delito no Palácio da Polícia: IML em greve. Então dirigiram-se à décima Delegacia de Polícia Civil, na rua Jacinto Gomes, a mais próxima do hospital: operação padrão. Só registrariam a queixa dos feridos, que ainda estavam sendo atendidos no HPS, onde alguns deles tiveram prontuário de agressão, outros de simples casos clínicos.

    Adriana Paz, representante dos pais de alunos no Conselho Escolar / PM/JÁ
    Adriana Paz, representante dos pais de alunos no Conselho Escolar / PM/JÁ

    O rapaz que desmaiou foi um dos primeiros a ser liberado, e saiu com o pai direto para casa, não quis registrar queixa. “Muitos que moram em bairros da periferia têm receio de retaliações”, diz Adriana Paz, mãe de aluno e representante dos pais de alunos no Conselho Escolar do Julinho, que tem reunião previamente agendada para as 18 horas desta terça-feira (13). “A responsabilidade é da Direção da escola”, avalia Adriana. O assunto vai entrar na reunião no Conselho, mesmo que não esteja previsto na pauta.
    Só mais tarde o caso acabou sendo encaminhado ao Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca), que registrou a apresentação de um adolescente, segundo divulgou a Rádio Guaíba. Conforme a delegada Adriana Muncio, o tumulto maior começou quando a BM tentou retirar o estudante da escola, o que levou os PMs a chamarem reforço.
    Um vídeo feito por um aluno registrou em parte o ocorrido e foi postado no Facebook. Quem tem conta na rede social  pode conferir clicando aqui.

  • Abraço à Fundação Piratini mobiliza comunidade cultural

    O abraço à sede da TVE e da FM Cultura reuniu servidores de todas as fundações ameaçadas de extinção e demonstrou a unidade na mobilização contra o pacote de cortes que tramita na Assembleia Legislativa.
    O evento reuniu cerca de 200 pessoas no alto do Morro Santa Tereza, entre servidores das fundações, artistas, produtores culturais, jornalistas e radialistas.
    O Governo do Estado alega que a economia com a extinção das emissoras de rádio e televisão públicas seria de R$ 28 milhões ao ano.
    Os apoiadores da Fundação Piratini defendem que as emissoras públicas cumprem um importante papel na divulgação da cultura produzida no estado, dando espaço para artistas locais de diversos estilos. A diversidade da programação é outro argumento.
    O Programa Nação, por exemplo, um dos principais da programação da TVE, transmitido em rede nacional, é referência por abordar a cultura negra.
    Na continuidade da programação, o movimento realiza um abraço ao Cientec, na manhã desta quarta-feira. O evento está marcado para as 9h, na sede do Cientec, na Washington Luiz, 675.
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  • Crise no pólo naval leva a demissão de 3,2 mil em Rio Grande

    “A quadrilha de Brasília está vendendo o País”, afirmou o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Rio Grande, Sadi de Oliveira Machado, lamentando a demissão de 3,2 mil trabalhadores do pólo naval de Rio Grande.
    A dispensa pegou todos de surpresa no começo da manhã desta segunda-feira (12) e causa comoção na cidade.
    Oliveira vinculou as causas da crise no pólo naval às investigações da Operação Lava Jato sobre corrupção na Petrobras, com envolvimento de políticos e integrantes do governo federal e empresas.
    Em meio a especulações de que a Engevix Construções Oceânicas (Ecovix) entraria com pedido de recuperação judicial, a empresa proprietária de um complexo de estaleiros em Rio Grande anunciou nesta segunda-feira (12) o processo de demissão em massa.
    Os desligamentos foram confirmados pelo Sindicato. Machado lamentou o fechamento dos postos e afirmou que o cenário na cidade é o pior possível. “Não existe qualquer possibilidade de trabalho. O descaso do governo federal e o desmonte da Petrobras criaram essa situação. Estão vendendo o País”.
    Na quinta-feira, o casco da plataforma de petróleo P-68 deixou o Estaleiro Rio Grande, seguindo para o Estaleiro Jurong, em Aracruz (ES). O presidente do Sindicato, Benito Gonçalves, chegou a afirmar que apesar da finalização do empreendimento, a maior preocupação era quanto à possibilidade da Ecovix entrar em processo de recuperação judicial e determinar a paralisação das operações em Rio Grande.
    A Ecovix é um braço de construção naval da empreiteira Engevix, investigada na Lava Jato.
    Atualmente, cerca de 3,8 mil pessoas estavam trabalhando no pólo naval de Rio Grande. A Ecovix estava discutindo com a Petrobras valores e aditivos de contratos para que o complexo não fosse fechado.
    Segundo o vice-presidente do sindicato, benefícios aos trabalhadores estavam sendo negociados desde a semana passada. Machado afirmou que o sindicato conseguiu garantir quatro meses de vale-refeição e plano de saúde até março aos trabalhadores.
    Outras ações devem ser tomadas pelo sindicato. “Vamos avaliar o que pode ser feito para reverter o caso. São mais de 3 mil pais e mães de família desempregados em pleno dezembro.”
    “É um sentimento de derrota”, afirmou. Ainda nesta segunda-feira, o prefeito de Rio Grande, Alexandre Lindenmeyer, se reúne com a equipe do governo municipal para tratar da situação da indústria naval no município.
    (Do Blog Reni Marques)meu ip

  • Queda de Michel Temer é o assunto da semana em Brasília

    Michel Temer enfrenta a pior semana desde que tomou posse, depois do impeachment de Dilma Rousseff.
    A delação de Cláudio Melo Filho, diretor da Odebrecht, que ocupou o noticiário no fim de semana, pode tornar insustentável a situação do presidente, já desgastado pela dificuldade em aprovar seus projetos de ajuste no Congresso e pelo agravamento da crise econômica.
    Uma pesquisa do Datafolha, feita antes da divulgação da delação de Melo Filho, já mostra a popularidade de Temer em queda livre.  Apenas 15% ainda acreditam em seu governo, enquanto os que o consideram ruim ou péssimo chega aos 51%.
    Nesse contexto, a repercussão das revelações do ex-diretor da Odebrecht podem ser o empurrão que falta para desestabilizar o governo.
    Na delação de Cláudio Melo Filho, ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, são citados 51 políticos de 11 partidos que recebiam propina. O nome de Michel Temer aparece mais de 40 vezes, inclusive numa reunião no Palácio Jaburu, quando ele pediu dinheiro a Marcelo Odebrecht (que teria liberado R$ 10 milhões).
    O delator detalha como cerca de 22 milhões de reais foram dispendidos  para aprovar 14 medidas provisórias de interesse da empresa. E não deixa dúvidas: o núcleo é formado por figuras notórias do PMDB.
    No Senado, Renan Calheiros, Romero Jucá, Eunício Oliveira.
    Na Câmara, a liderança é de Temer e seus operadores são Eliseu Padilha, Moreira Franco.”É um grupo organizado e liderado por Michel Temer”.
    “Quem fala com os agentes privados é Padilha. Centraliza as arrecadações e deixa claro muitas vezes que fala em nome de Michel Temer”.
    No depoimento de 82 páginas, o diretor mostra como havia uma relação simbiótica entre esses grupos e a Odebrecht, formando o que se chamou de PMDBrecht.
    A delação ainda não foi homologada (pode portanto ser anulada) e a divulgação de seu conteúdo decorre de um vazamento ilegal. Mas o estrago na opinião pública está feito e com isso mesmo grupos que têm dado sustentação ao governo Temer começam a mudar de posição.
    O caso mais significativo é a postura da Rede Globo, que já dá sinais de ter abandonado o presidente interino.
    Isso fica claro não só pelo grande destaque dado às denúncias do diretor da Odebrecht, que cita 41 vezes o nome de Temer, mas pelo trânsito que os veículos da Globo começam a dar às noticias sobre novas eleições para a Presidência.
    O nome do ex-ministro Nelson Jobim voltou ao noticiário como uma alternativa, no caso de uma eleição indireta para resolver a crise.
    Também a proposta de alteração da Constituição para permitir eleição direta até seis meses antes do fim do mandato voltou a ser cogitada.
    Um projeto de emenda constitucional de autoria do deputado Miro Teixeira que estava engavetado na Comissão de Constituição e Justiça desde junho pode ser retomado.
    O projeto já tem parecer favorável do relator, Esperidião Amin, e não foi levado à votação na Comissão por pressão da Casa Civil, segundo o deputado catarinense.
    Para barrar esse processo, o governo anunciou no início da manhã desta segunda um pacote de medidas para aquecer a economia. Os próximos dias serão decisivos.

  • Ato em defesa das fundações públicas recebe centenas de apoiadores

    “Vivemos um momento de desinteligência, de constrangimento, em que as couraças da indiferença ou da estupidez se negam o diálogo. Mas não podemos desistir”. Assim falou Nelson Coelho de Castro já no encerramento.
    Foi um longo evento: das duas da tarde até o cair da tarde de domingo, centenas de pessoas passaram em frente à entrada do Jardim Botânico de Porto Alegre, onde também funciona o Museu de Ciências Naturais.

    Tarde na entrada do Jardim Botânico, em defesa das fundações
    Tarde na entrada do Jardim Botânico, em defesa das fundações

    Foi ao som de canções como “Índio”, de Caetano Veloso, interpretado com graça pelo quarteto feminino liderado por Monica Tomasi que centenas de pessoas se manifestaram ao longo da tarde deste domingo (11 de dezembro) contra os projeto de lei do governo do Estado que extinguem 9 fundações públicas do Rio Grande do Sul e tramitam na Assembleia Legislativa em regime de urgência.
    O Jardim Botânico e o Museu, assim como o Jardim Zoológico, são mantidos pela Fundação Zoobotânica (FZB), uma das nove ameaçadas de extinção pelo pacote proposto pelo governador José Ivo Sartori.
    jardim-botanico-evento2Foram mais de dez atrações musicais em shows que se estenderam até o cair da tarde. Em vários momentos, embalados por samba, bossa nova ou blues, os servidores tomaram conta da avenida Salvador França, interrompendo o trânsito por alguns instantes para entregar panfletos. Motoristas buzinavam em apoio aos manifestantes, muitos abaixavam os vidros ou desciam dos carros para cumprimentar os servidores e não faltou inclusive quem erguesse o punho para fora da janela em sinal de resistência.
    jardim-botanico-evento4“Essas manifestações de apoio são muito importantes para nós, porque mostram que a comunidade está do nosso lado, defendendo o patrimônio científico, tecnológico e cultural do Rio Grande do Sul”, celebrou a presidente da Associação dos Funcionários da FZB, Josy Matos.
    Entre o público presente, havia inúmeros apoiadores: cientistas, ambientalistas, músicos, profissionais liberais e intelectuais estavam lá.
    Um deles era o escritor e pesquisador em literatura Luis Augusto Fischer, que foi patrono da Feira do Livro em 2013: “Como eu frequento muito esse lugar, inclusive com as minhas crianças, eu sei o trabalho enorme que tem a Fundação Zoobotânica. Aqui se estuda a biologia da nossa região, há um trabalho de produção de mudas para repor em toda a cidade… é um negócio realmente maravilhoso que foi criado há mais de cinquenta anos”, observou.
    Fischer gravou um vídeo em apoio à causa, acompanhando a atitude de vários outros apoiadores que estavam no local como os músicos Marcelo Delacroix e Oly Júnior. “Estamos muito gratos por este apoio da classe artística, é bonito ver as pessoas se envolvendo”, sublinhou Josy.
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    O deputado Pedro Ruas participou do evento e convocou cidadãos comprometidos com a manutenção das fundações a ocuparem de forma permanente a Praça da Matriz, onde já está montado um piquete dos servidores desde o dia em que o pacote de Sartori foi anunciado, no dia 21 de novembro: “Precisamos lotar a praça e mostrar ao governador e aos parlamentares que a população está atenta e vai cobrar de seus representantes uma postura de respeito com o Rio Grande do Sul”.

  • A petroquímica entrou no Rio Grande do Sul pela Cientec

    ELMAR BONES
    Como repórter, conheci os pioneiros que trabalharam no projeto de um pólo petroquímico no Rio Grande do Sul, na Fundação de Ciência e Tecnologia.
    Foi ali, apesar da incipiente estrutura, que um pequeno grupo de pesquisadores desenvolveu o primeiro estudo de viabilidade, que seria o principal instrumento do governo (e dos gaúchos, porque a certa altura tornou-se uma causa estadual), para conquistar o polo.

    Mayer Avruch em 1976, quando era presidente do Cientec / Acervo JÁ
    Mayer Avruch em 1976, quando era presidente do Cientec / Acervo JÁ

    O estudo foi concluído em abril de 1974 por três funcionários da Cientec: Mayer Avruch, economista e presidente da fundação, Orion Hertes Cabral, engenheiro químico e diretor executivo e Élio Falcão Vieira, economista e coordenador da pesquisa.
    Foi encadernado num grosso volume de capa vermelha com o título: “Polo Petroquímico do Rio Grande do Sul – Estudo Preliminar”. Ao que consta, está arquivado na biblioteca do BRDE, em Porto Alegre.
    No palanque das autoridades, em 1983, quando o polo foi inaugurado, havia dois presidentes da República (Geisel que saia, Figueiredo que entrava) três governadores  e todos os ministros do governo recém empossado. Nem um dos pioneiros.
    Nestes tempos de fúria, em que se pretende extinguir estruturas como a Cientec num golpe de caneta, vale a pena lembrar um pouco da história:
    petroquimicacj-300x430A PALAVRA PETROQUÍMICA*
    A soja dominava o noticiário econômico local quando a palavra petroquímica começou a aparecer com regularidade nos jornais de Porto Alegre, no início de 1972.
    Nos primeiros dias daquele ano, o Correio do Povo noticiou a criação de um “grupo técnico do governo” para estudar a viabilidade de um polo petroquímico no Rio Grande do Sul   
    A nota do jornal assinalava que “a petroquímica é um dos ramos mais dinâmicos da indústria moderna”, capaz de dar um novo rumo ao desenvolvimento do Rio Grande do Sul, ainda “muito dependente da produção agropecuária”.
    O decreto que deu origem à notícia  era a primeira vitória numa batalha silenciosa travada por um pequeno grupo de economistas, no interior do governo estadual. Eram quatro ou cinco abnegados que, não raro, eram motivos de piada entre os colegas.
    Eram homens de planejamento, sabiam que no interior do governo se discutia a criação de um terceiro polo petroquímico no pais. Viram nisso uma oportunidade para um Estado que se debatia em busca de caminhos para o desenvolvimento.
    Havia um polo pioneiro em São Paulo, outro em construção na Bahia. O  terceiro poderia ser no Rio Grande do Sul, por que não?
    Mayer Avruch era o inspirador do grupo. Aos 43 anos, ele tinha a cabeleira precocemente branca, mas seu rosto era jovial e seu discurso otimista.  Tinha vinte anos  de serviço público e há mais de dez insistia na petroquímica como caminho para acelerar a industrialização do Rio Grande do Sul, com reflexos em toda a região Sul.
    (…) Havia um estudo pioneiro, incomplerto, feito em 1965 por economistas do BRDE, sobre a indústria química. Mostrava o acelerado crescimento que ela registrava no Brasil e as limitações que tinha no Rio Grande do Sul, onde a matéria prima era toda importada de São Paulo. Esse foi o ponto de partida do grupo de Avruch, em 1972.
    Sua primeira tarefa foi criar um núcleo de pesquisa com a transformação do velho e autárquico Instituto Tecnológico do Estado numa Fundação de Ciencia e Tecnologia, Cientec, para poder receber dinheiro de empresas e aplicar em pesquisas e projetos. “O Triches (governador Euclides Triches ) me mandou para a Cientec para fazer coisas para o futuro, me deu verbas e disse:”equipa aquilo lá”.
    “Foi através da Cientec que conseguimos contratar o Instituto Francês do Petróleo, mandar gente para o exterior, acumular conhecimento lá dentro”.
    Num folder distribuído em 1972, a Cientec oferecia “tecnologia química” como o motor que poderia acelerar a indústria. “É o instrumento que o Rio Grande do Sul que o rio grande do sul necessita para enfrentar (sic)   o acelerado e contínuo desenvolvimento brasieiro.
    Oferecia pesquisas, análises e ensaios em 17 ramos da indústria química, além de serviços de consultoria e projetos. Exibia uma lista de 34 clientes privados e estatais que já usavam seus serviços de  consultoria e projetos, entre as quais estavam Aços Finos Piratini, Petrobrás, Esso Brasileira de Petróleo,  Indústria Celulose Riograndense e Siderurgica Riograndense”.      
    *Do livro “A Petroquímica Faz História”, de Elmar Bones e Sérgio Lagranha, JÁ Editores, 2008