O Procon Porto Alegre interditou nesta sexta-feira, 13, a loja Loop’s Móveis, localizada na rua Albion, esquina com avenida Ipiranga, pelo acúmulo de denúncias da falta de entrega dos produtos. Com mais de vinte reclamações registradas no Procon municipal de consumidores que compraram móveis, pagaram a mercadoria e não conseguem receber o produto e nem o dinheiro de volta, o estabelecimento já havia sido notificado várias vezes, entretanto nenhum comunicado do órgão foi respondido pela loja.
“Considerando que no final do ano aumenta o volume de vendas no comércio, suspendemos as atividades do estabelecimento com o objetivo de evitar danos futuros aos consumidores de Porto Alegre, protegendo os novos compradores”, diz o diretor excecutivo, do Procon Porto Alegre, Cauê Vieira. “A perspectiva de reabertura somente será possível após serem resolvidas todas as demandas registradas no Procon, de forma que a loja devolva o dinheiro ou entregue o produto escolhido e pago pelo cliente”, avalia Vieira.
Atendimento – Vinculado à Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic), o Procon Porto Alegre atende o público na Rua dos Andradas, 686, das 10h às 16h, ou no site www.portoalegre.rs.gov.br, ou pelo aplicativo gratuito para celulares Procon App. Informações podem ser obtidas no telefone 3289-1774.
Categoria: Geral
Procon interdita loja de móveis em Porto Alegre
Cais Mauá: grupo internacional desistiu de participar da licitação
Naira Hofmeister
O tempo escasso para a produção do projeto e a exigência de que o arrendatário do Cais Mauá possuísse um patrimônio mínimo de R$ 400 milhões levaram um grupo de arquitetos residentes em Miami a desistirem de participar da licitação pública de revitalização da área.
“Estávamos muito empolgados e chegamos a avançar em pactos e parcerias, porém, eram apenas três meses entre o lançamento do edital e a apresentação das propostas e não houve tempo hábil para formalizar os contratos e detalhar os projetos”, lamenta a engenheira civil e hoje professora de arquitetura na Miami Dade College, Adriana Schönhofen Garcia.
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Natural de Belém do Pará, Adriana se “considera gaúcha”, já que a família é do interior e ela mesma morou durante muitos anos na Capital do Rio Grande do Sul. Entre idas e vindas dos Estados Unidos, onde cursou arquitetura (após a conclusão da graduação em Engenharia Civil na Ufrgs), ela estava em Miami em 2010, quando a licitação para revitalização do Cais Mauá foi lançada pelo governo do Estado.
“Soube pelos jornais e decidi participar. Achei o modelo proposto ruim e queria mostrar uma alternativa. Consegui o apoio de um arquiteto norte-americano muito reconhecido – Bernard Zyscovisch, que já ganhou a medalha de ouro do Instituto dos Arquitetos dos Estados Unidos (AIA, na sigla em inglês). Ele se entusiasmou com as possibilidades que via para o espaço”, rememora.
Adriana falou ao JÁ por videoconferência, porém esteve recentemente em um ato do coletivo Cais Mauá de Todos na abertura da 61ª Feira do Livro de Porto Alegre.
A primeira dificuldade para convencer o colega e sua equipe a ingressarem na disputa foi o idioma. Embora fosse considerada uma licitação internacional todo o material disponível estava em português. “Eu pensei: meu deus, como vou fazer para traduzir tudo isso sozinha?”, revela.
Superada a passagem à língua estrangeira, Adriana anteviu um problema de tempo: entre o lançamento do edital e a entrega das propostas havia apenas três meses, no qual seria preciso fazer o projeto arquitetônico. “Apesar de ser curto, avaliamos que seria possível detalhar tudo em dois meses para em seguida, sair atrás de parceiros”, explica.
Esse, aliás, outro entrave na concepção da arquiteta: o vencedor do certame precisaria demonstrar um patrimônio de R$ 400 milhões – coisa que o escritório de arquitetura, embora famoso, não possuía. Ela garante que conseguiu vender a ideia a grandes empresas com tal capital: uma construtora com sede em São paulo e até uma gerenciadora de imóveis. “O problema é que era preciso apresentar os contratos e isso foi impossível”, lamenta.
Regras favoreceram vencedor
Adriana acredita que esses itens favoreceram a vitória do consórcio Cais Mauá do Brasil, que atualmente tenta dar prosseguimento às obras, embora venha sofrendo críticas e até questionamentos do Tribunal de Contas do Estado.
Ela explica: a licitação de revitalização foi feita a partir de um conceito desenhado anteriormente por pessoas que depois formaram o grupo Cais Mauá do Brasil, como o arquiteto curitibano Jaime Lerner e as empresas espanholas Gis Trade Center e Spim (que depois, abandonariam o consórcio em uma operação investigada pelo Tribunal de Contas do Estado).
Isso significa, na análise de Adriana, que enquanto os demais concorrentes tiveram apenas três meses para pensar um projeto que guardasse semelhanças com o modelo proposto pelo Estado – e desenvolvido pelo grupo de Jaime Lerner – o Cais Mauá do Brasil trabalhava com a ideia havia quase três anos, já que a primeira licitação, do modelo de negócio, foi lançada em julho de 2008.
“É injusto”, assevera, para logo explicar: “Eles não apenas tiveram mais tempo para experimentar possibilidades, como puderam sair em busca de parceiros com toda essa antecedência”.
Tem mais: o edital de arrendamento da área previa que o consórcio vencedor deveria ainda pagar os custos do projeto desenvolvido na primeira etapa, de R$ 700 mil. “Só que sabendo que o mesmo escritório que criou o conceito estará concorrendo, ninguém vai querer utilizar o que eles projetaram como base, pois é evidente que as melhores soluções seriam as deles, que já estavam há anos trabalhando nelas”, observa.
Trocando em miúdos: seria dinheiro posto fora por qualquer outro grupo que vencesse a licitação.
Consórcio não cumpre exigências
O que mais incomoda Adriana é ter abandonado a licitação por não poder cumprir os requisitos técnicos e dar-se conta de que o grupo vencedor tampouco os apresentou. É o que diz um relatório do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul (TCE-RS), cujo conteúdo foi levado pelo coletivo Cais Mauá de Todos ao Ministério Público.
Recentemente, o jornal Zero Hora detalhou as irregularidades apontadas pelo órgão. Entre elas estão justamente a “falta de garantias financeiras”, ou seja, a comprovação de um patrimônio mínimo de R$ 400 milhões e a falta de apresentação dos projetos executivos em um prazo de 120 dias após o certame. Essa falta gerou uma multa aplicada ao consórcio de R$ 2,7 mil.
Adriana, que tem um olho treinado para avaliar projetos porque é professora de arquitetura no Miami Dade College – a maior instituição de Ensino Superior dos Estados Unidos – se surpreende com os esboços conhecidos publicamente.
“Tem qualidade inferior a de trabalhos de alunos do primeiro semestre; não tem conteúdo, só imagens enfeitadas”, lamenta a profissional.Griôs são o destaque da Semana da Consciência Negra
Griôs são líderes de comunidades negras considerados guardiões da memória e da história oral de seus povos. Os Griôs na Preservação da Cultura Negra é o tema da 31ª Semana da Consciência Negra e Ação Antirracismo (Secon), que abre na Câmara de Vereadores às 10h30 dessa sexta-feira, 13, e se estenderá até 20 de novembro – dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695.
As atividades programadas, sempre com entrada franca, serão na Câmara e, no domingo, na Sociedade Recreativa Os Comanches,na Vila João Pessoa.Durante toda a semana, o público poderá participar de diversas apresentações de música, teatro e dança, seminário, palestra e solenidades. Estão programadas a entrega de títulos ao jornalista Renato Dornelles e às Velhas Guardas da Imperadores do Samba e da Bambas da Orgia e do Troféu Deputado Carlos Santos a 16 pessoas e entidades que contribuem para a valorização dos negros na sociedade.Os griôs (da palavra francesa griot) são contadores de narrativas da África e de afro-descendentes, ou seja, mestres populares que, por meio da história oral, preservam os costumes e as crenças de suas comunidades. Confira a programação completa da Secon 2015 promovida pela Câmara Municipal:13/11 – Sexta-feira10h30min – Saguão térreo – Abertura oficial da Secon 2015, com apresentação do grupo de dança afro Studio Oriente Brasil e distribuição de doces por baianas.15/11 – Domingo16 horas – Na Sociedade Recreativa Os Comanches – Apresentação teatral na quadra da entidade.16/11 – Segunda-feira14 horas – Saguão do Plenário Otávio Rocha – Distribuição de acarajé e canjica por Mãe Flávia e realização de oficina de turbantes.16 horas – Saguão térreo – Apresentação do Grupo Maturidade Cravo e Canela.17/11 – Terça-feira12 horas – Saguão térreo – Show da cantora Valéria Houston19 horas – Auditório Ana Terra – Ato solene em homenagem ao jornalista Renato Dornelles e às Velhas Guardas da Imperadores do samba e da Bambas da Orgia.18/11 – Quarta-feira19 horas – Auditório Ana Terra – Seminário A Renda e a População Negra, com os palestrantes Cláudia Campos e Lúcio Antônio.19 horas – Teatro Glênio Peres – Apresentação do Grupo Balanço da Ginga e Mestre Chico dos Tambores.19/11 – Quinta-feira16h30min – Teatro Glênio Peres – Show musical com o Grupo Cultural Stillos Afros – Ana de Tandera.19 horas – Auditório Ana Terra – Palestra A Cultura dos Griôs, com produção da Ajuceprgs e entrega dos troféus Antônio Carlos Cortes e Onira Pereira.20/11 – Sexta-feira19 horas – Plenário Otávio Rocha – Sessão solene em Homenagem ao Dia da Consciência Negra e entrega do Troféu Deputado Carlos Santos a 16 pessoas e entidades nas categorias Arte, Carnaval, Direito, Esporte, Educação, Funcionário Público, Griô, In Memoriam, Justiça, Líder Comunitário, Líder Sindical, Literatura, Música, Política, Saúde e Segurança.– Show musical com o cantor Porto Alex, a Bateria da Velha Guarda da Bambas da Orgia e apresentações de porta-estandartes.Comissão organizadoraEm 2015, a Secon da Câmara é organizada pelos servidores Margarete Trindade (coordenadora), Zaira Felipe (secretária), Daniel Pappen (orientador contábil), Antônio Barão, Carmen Regina Moura, Hailton Terra de Jesus, Marlene Porto, Marta Fialho, Pedro Gonçalves, Porto Alex, Renata Mariano, Rosane Ribeiro e Vera Anita da Conceição. Colaboradores: Anderson Mengue, Cleusa Dutra, Júlio Cesar dos Santos, Lúcio Almeida, Nara Miranda e Silvio Aquino.A Câmara Municipal de Porto Alegre fica na Avenida Loureiro da Silva, 255. O endereço da quadra da Sociedade Recreativa Os Comanches é Rua Borborema, 979, Vila João Pessoa, Zona Leste. Informações: (51) 3220-4163, 3220-4380.(Com informações da CMPA)História Ilustrada do RS: nova edição já está na Feira do Livro

Edição atualizada chega com preço especial de lançamento durante a Feira do Livro
Produzida pela equipe do JÁ e lançada em fascículos que circularam encartados no jornal Zero Hora, em 1998, a História Ilustrada do Rio Grande do Sul ganhou uma nova edição, revisada e ampliada, com um capítulo inédito.
Capítulo inédito atualiza a História até o presente
Com 352 páginas, todo em cores, o livro já está à venda na Feira do Livro de Porto Alegre, ao preço promocional de R$ 98,oo. Depois da Feira, irá às livrarias por R$ 140,oo.
Obra aborda diversos aspectos, como História, Economia e Cultura do RS
Mostrando a formação do Estado, da Pré-História ao Século 21, esta é a obra mais abrangente sobre a história do Rio Grande do Sul, fartamente ilustrada com mais de 1.200 imagens.
Os primeiros habitantes, ainda na Pré-História
“É um trabalho que exigiu quase dois anos de pesquisa, envolvendo mais de 30 profissionais, sob a supervisão de quatro historiadores”, diz o editor Elmar Bones.

Lançada na banca da ARI (Associação Riograndense de Imprensa), também já pode ser encontrada noutras barracas:Na Feira do Livro:Banca da ARI (ao lado do Santander Cultural)Livraria Mosaico (banca 69)Momento Cultural (banca 61)
Nas livrarias parceiras:
Braz Shop: Av. Venâncio Aires, 1185
Banca Folhetim: Jacinto Gomes, 11
Estação Cultura: Rua General Câmara, 455Isasul Livraria: Rua Riachuelo, 1236Livraria Londres: Av. Osvaldo Aranha, 1182Martins Livreiro: Rua Riachuelo, 1291Palavraria: Rua Vasco da Gama, 165Roma Livros e Revistas: 1º piso do Praia de Belas ShoppingSenador recebe ameaças pelo telefone
Mensagens como “vou te matar” e “vamos botar fogo na sua casa”, além de outras de cunho ofensivo, começaram a chegar para o senador Randolfe Rodrigues, da Rede Sustentabilidade, depois que uma internauta divulgou o número de celular dele. O parlamentar deve acionar a Polícia Federal na tentativa de proteger a família
Por Ivan Longo
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) vem recebendo, desde a última sexta-feira (6), mensagens de cunho ofensivo e ameaças à integridade física dele e também de sua família. De acordo com apuração da assessoria do parlamentar, as mensagens começaram a chegar depois que uma internauta que seria ligada a grupos fundamentalistas divulgou no Facebook o número do celular pessoal de Randolfe. Desde então, diversas ameaças foram enviadas por mensagens na rede social e via WhatsApp. “Quero prints”, ela escreveu ao passar o contato.
Segundo a assessoria de imprensa do senador, a princípio ele não deu importância para as mensagens que simplesmente se ocupavam em ofender. A maioria delas se limitava a xingamentos. Ao longo do final de semana, no entanto, as mensagens ganharam teor de ameaças. Entre as intimidações, surgiram frases como “vou te matar”, “o próximo ato será na frente da sua casa” ou “vamos botar fogo na sua casa”.
Quem denunciou o caso foi o próprio senador, por meio de uma publicação em seu Facebook. “Os prejuízos, não só à minha atividade parlamentar, como à minha vida pessoal e familiar são graves. Tenho confiança nas instituições e sei que em breve os responsáveis serão identificados e punidos na forma da lei”, escreveu.
Nos comentários, entre algumas mensagens de solidariedade, mais ofensas e até reações a um possível processo criminal. “Aguardando sentado a minha intimação…”, postou um internauta.
De acordo com Randolfe, a Polícia Legislativa já foi acionada e analisa, neste momento, o conteúdo das mensagens. O fato deve ser levado ainda à Polícia Federal para que os responsáveis pelos ataques sejam identificados e punidos.Zelotes retoma foco e caso RBS vai ao Supremo
Tereza Cruvinel, do Brasil 247
Retomando seu foco original, a investigação do esquema bilionário de sonegação montado entre grandes empresas e membros do CARF, a Operação Zelotes apresentou denúncia contra o grupo de comunicação RBS, parceiro regional das Organizações Globo, ao Supremo Tribunal Federal. A denúncia subiu para o STF por conta do envolvimento do ministro do TCU Augusto Nardes, relator da rejeição das contas da presidente Dilma, e do hoje deputado Afonso Mota (PDT-RS), ex-executivo do grupo, que têm foro privilegiado. O inquérito sobre a RBS é o de número 4150 e a relatora já foi indicada. Será a ministra Carmem Lúcia. Outras sete empresas serão denunciadas à Justiça comum.
Postagens realizadas ontem numa rede social pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS) diziam que a Zelotes retomaria o foco original na sonegação, atingindo setores da mídia e do meio cervejeiro. O Brasil247 confirmou com procuradores ligados à operação que, além da RBS, outras sete grandes empresas serão mesmo denunciadas e entre elas figura a cervejaria Itaipava, assim como bancos e montadoras.
Com isso, a Zelotes retoma o objetivo original de investigar o esquema em que membros do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Receita Federal, recebiam propinas de dar inveja a Paulo Roberto Costa, da máfia da Petrobras, para acolher recursos tributários que resultaram em perdas de quase R$ 20 bilhões para a União entre 2005 e 2013.
Nas últimas semanas o foco da Zelotes havia se voltado para a investigação de suposta “compra” de medida provisória que concedeu incentivos fiscais para montadoras instaladas nas regiões Norte-Nordeste-Centro-Oeste, editadas em 2009 (governo Lula) e 2011 (governo Dilma). A investigação resultou em ação de busca e apreensão na empresa do filho do ex-presidente Lula, Luis Cláudio, que em 2015 recebeu pagamentos de uma empresa ligada à máfia do CARF, a Marcondes & Mautoni, segundo sua defesa pela prestação de serviços de marketing esportivo. A Polícia Federal chegou a levar intimação ao filho de Lula às 23 horas do último dia 27, depois de ele ter saído da celebração dos 70 anos do pai no Instituto Lula, com a presença da presidente Dilma. As ações atípicas da Polícia Federal irritaram o ex-presidente, que se queixou da falta de comando do ministro da Justiça sobre a PF. Ontem José Eduardo Cardoso afirmou em entrevista que Lula “tem todo o direito de não gostar dele”.
As investigações teriam comprovado (veja no final cópia de trecho do inquérito) que a RBS, grupo de comunicação hegemônico no Sul do Brasil, pagou R$ 11,7 milhões à SGR Consultoria para livrar-se de multa de R$ 113 milhões. O hoje deputado Afonso Mota era o vice-presidente jurídico e institucional da RBS na época. O ministro Augusto Nardes é suspeito de ter recebido R$ 2,6 milhões da mesma SGR Consultoria por meio da empresa Planalto Soluções e Negócios, da qual foi sócio até 2005 e que continua registrada em nome de um sobrinho dele.
Os procuradores da Zelotes dizem que o esquema continua surpreendendo por sua magnitude. “Quando mais cavucamos, mais descobrimos”, disse um deles ao 247. Agora os investigadores tentam confirmar a existência de um esquema anterior ao julgamento dos recursos pelo CARF, pelo qual auditores ligados à máfia aplicavam as multas já com objetivo de obter as propinas para negociar depois a redução ou anulação delas no conselho, mediante cobrança de propinas.
Eles descobriram também a participação do filho de um conselheiro que movimentou mais de R$ 500 milhões, supostamente derivados de propinas, através de 32 empresas registradas em seu nome. A identidade do conselheiro não foi revelada mas é sabido que ele foi chefe regional da Receita em um estado importante da federação.
Em outra linha de investigação a Zelotes está buscando identificar a existência de contas milionárias de membros da máfia do CARF no exterior, bem como de imóveis adquiridos principalmente nos Estados Unidos. Para isso a Zelotes precisa de apoio do DRCI-Ministério da Justiça, órgão que viabiliza os acordos internacionais com este objetivo, tais como os que têm permitido a identificação das contas dos corruptos da Petrobras.
Abaixo, trecho da denúncia apontando o pagamentos da RBS à SGR.

Movimentos voltam a praça para debater o futuro de Porto Alegre
Depois de uma participação extraoficial na 61ª Feira do Livro de Porto Alegre, quando o coletivo Cais Mauá de Todos promoveu um ato público contestando a proposta de revitalização da antiga área portuária de Porto Alegre, nesta sexta-feira (13), o grupo é convidado da organização para um debate na Praça da Alfândega.
“A Cidade que Queremos” será o tema da discussão que ocorre na Sala Leste do Santander Cultural, tendo por protagonistas a radialista Katia Suman, a arquiteta Lena Cavalheiro, o sociólogo Milton Cruz e o historiador Francisco Marshall.
Esse também foi o nome adotado por um coletivo – integrado pelo Cais Mauá de Todos e por outros vários grupos, associações comunitárias e movimentos sociais e ecologistas – lançado na sexta-feira passada (6), que defende o direito da população a usufruir da sua cidade.
“Vamos fazer um debate para ampliar a questão, incluindo o cais dentro do contexto de Porto Alegre, da falta de planejamento urbano e participação popular nas decisões que afetam a todos”, resumem, no evento criado no facebook para atrair participantes.
O encontro tem entrada franca e inicia às 17h. O coletivo avisa que após a discussão, haverá uma caminhada da praça até o armazém do cais onde o consórcio organiza uma exposição sobre a obra pretendida.
O Guaíba em debate
Um dia antes, no estande da Câmara Municipal de Porto Alegre, o projeto de revitalização do Cais Mauá também estará na pauta da conversa entre os colaboradores da obra “As Águas do Guaíba”, da editora Libretos.
Com textos do jornalista Rafael Guimaraens, ilustrações de Edgar Vasques e fotografias de Marco Nedeff e Ricardo Stricher, o livro traça um panorama histórico do rio/lago e de seus afluentes, resgatando monumentos, prédios, museus, avenidas que o cercam ou o cercaram no passado.
Em entrevista ao JÁ, no final de outubro, o autor (que também publicou uma obra resgatando a Enchente de 1941) lançou dúvidas sobre a utilidade do afamado Muro da Mauá. “Os alagamentos aconteceram mesmo com o muro, porque a água avança por baixo, pelo esgoto. É um custo benefício muito baixo para a cidade.” argumenta.
O bate-papo ocorre na quinta-feira (12), entre 17h e 19h, na Praça da Alfândega.Arte contemporânea tem cinco exposições no IAB
O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB RS) abre nesta quarta-feira, 11, às 19h30min, cinco exposições de artes visuais selecionadas em edital.
O espaço estará aberto à visitação até o dia 11 de dezembro, das 14h às 20h, de segunda à sexta-feira, na Rua General Canabarro nº 363, no Centro Histórico de Porto Alegre. A entrada é franca.
Na Sala Negra, o público poderá conferir a mostra “Organika”, da artista plástica Cristina Dall’igna. Com desenvolvimento e solidez, sua pintura apresenta um vocabulário plástico contemporâneo e uma linguagem abstrata própria. De acordo com o curador Fernado Baril, Dall’igna consegue mesclar elementos figurativos fazendo-se valer de um universo de formas e cores que imprimem sua identidade.
A Sala Anexa, abrigará a exposição coletiva “Arte em Cerâmica” reunindo trabalhos dos artistas Cláudio Ely (org), Chico Emir, Corina Mello, Denise Pickler, Fábio Vasconcelos, Geovane Schneider, Jvelloso, Liz Helena, Loni Rigotti, Lu Brum, Luciana Veiga, Michelle Bloedow, Mirieli Costa, Sandra Ribeiro, Suzana c. Neubarth trindade e Vivian Siqueira.
Os participantes são alunos do Atelier Livre Xico Stogkinger da Prefeitura Municipal de Porto Alegre.
O conjunto de trabalhos apresentados podem ser divididos em fazeres distintos: os pratos são resultados de projeto para o aprendizado da técnica do “baixo-vidrado” do curso intermediário. Nos demais, mostram bem o desenvolvimento de uma linguagem pessoal, espelhando esta pluralidade de artistas.
A Sala do Arco irá abrigar a mostra “Atual e Presente: Homenagem a Vasco Prado” dos artistas Prado Mario Cladera (Org), Lecy Fisher, Marta Maiocchi, Paula De Conto, Sonia Seibel, Susie Prunes e Helio De Souza.
Um ano após o centenário de nascimento do escultor gaúcho Vasco Prado, o grupo apresenta um conjunto de trabalhos em diversos materiais; pedra, bronze, terracota, ferros e resinas, compondo um mosaico sobre o universo e temas da obra do mestre Vasco Prado, tendo a figura humana e o cavalo como imagens provocadoras de abordagens que discorrem sobre o homem, a terra e suas lendas: um reconhecimento a transcendência da obra deste artista que ecoa perene na paisagem plástica e visual do sul.
Na Circulação, Jaqueline Custódio apresenta a mostra “A Cidade que se quer”. A exposição individual reúne diversas imagens trazendo questões urbanas, que foram inspiradas naquilo que crianças querem para Porto Alegre. A partir da proposição da professora da 5ª série de duas escolas – os alunos foram desafiados a escrever um parágrafo, colocando nele seus sonhos e desejos de uma cidade ideal. Os muitos desejos em comum desenharam uma cidade limpa, segura, alegre.
Na área externa do Solar do IAB RS, o ilustrador e escultor Marcos Vaandrade apresenta a mostra “Geometria Orgânica”. Para comemorar seus vinte anos de trabalho em diversas áreas das artes, o artista criou uma coleção de obras, onde combina suas habilidades de escultor e designer para compor suas peças. Para a exposição, na Galeria Espaço IAB RS ele selecionou algumas das primeiras peças criadas para esta coleção.
COLOQUE NA AGENDA
O que: Exposições de Artes Visuais no IAB RS
Abertura: Dia 11 de novembro, quarta-feira, às 19h30min.
Visitação: Até 11 de dezembro de 2015, das 14h às 20h, de segunda à sexta-feira
Onde: Ponto de Cultura Solar do IAB RS (Rua General Canabarro nº 363, no Centro Histórico de Porto Alegre).
Quanto: Entrada franca
Informações: (51) 3212.2552 / http://galeriaespacoiab.blogspot.com.br/
Filme sobre o jornal JÁ em debate sobre Liberdade de Expressão
No próximo sábado, 14, os cursos de Jornalismo e Realização Audiovisual da Unisinos promovem o debate “Entre o Público e o Privado, quando o Dano Moral cala o Jornalismo”. A partir das 10 horas, no Cine Bancários, em Porto Alegre.
O evento tem dois convidados: Thiago Herdy, vice-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), e Guilherme Azevedo, professor e coordenador do curso de Direito de Porto Alegre da Unisinos.
A mediação será feita pela professora titular do Programa de Pós-graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos, Christa Berger.
O debate será aberto com o documentário “Três Crimes e Uma Sentença”. A produção foi vencedora do 7º Prêmio Jovem Jornalista, promovido pelo Instituto Vladimir Herzog.
O documentário conta a história da condenação do Jornal Já, em 2003, por dano moral e da reportagem que deu origem ao processo, escrita pelo jornalista Elmar Bones.
O caso foi encaminhado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos pela organização Artigo 19, que considera a condenação uma violação à liberdade de expressão.
Após a exibição, os debatedores falarão sobre os limites da liberdade de expressão, a subjetividade da aplicação do dano moral e a judicialização da censura. O evento é gratuito e voltado a alunos e profissionais das áreas de Comunicação e Ciências Jurídicas.
Convidados
Thiago Herdy é vice-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e repórter do jornal O Globo na sucursal de São Paulo. Formado em jornalismo pela PUC-MG, trabalhou no Estado de Minas, Diário da Tarde e no Diário do Comércio. É vencedor dos prêmios Esso 2008 e 2010, nas categorias regionais; e menção especial no Prêmio IPYS/Transparência Internacional, 2009 e 2011.
Guilherme Azevedo é professor e coordenador do curso de Direito de Porto Alegre, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos. Doutorando e Mestre em Direito pelo PPGD/Unisinos. Sócio fundador da ABraSD – Associação Brasileira de Pesquisadores em Sociologia do Direito, onde coordena o Grupo de Pesquisa “Estado, Democracia e Poder”. Desenvolve pesquisa na área da Sociologia do Direito (Law and Society).
Mediação
Christa Berger é professora titular do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos. Coordena o grupo de pesquisa Estudos em Jornalismo e é coordenadora nacional do Procad – Tecer: jornalismo e acontecimento. É formada em Comunicação Social – Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS (1973), Mestrado em Ciência Política pela Universidade Nacional Autônoma de Mexico – UNAM (1979), Doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo – ECA/USP (1996). Publicou o livro Campos em Confronto, a terra e o texto pela editora da UFRGS.
O documentário inscrito pela aluna do 7º semestre de Jornalismo da Unisinos, Joyce Heurich, sob orientação da professora Luciana Kraemer, foi vencedor do 7º Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, promovido pelo Instituto Vladimir Herzog. A temática estabelecida pelo Prêmio para a edição 2015 foi “Desafios da Liberdade de Expressão no cenário dos Direitos Humanos: retratos no Brasil de Hoje”. O projeto concorreu com outras 90 propostas de 71 escolas de comunicação, de 17 estados do Brasil. A premiação ocorreu no dia 20 de outubro, no Teatro Tuca, em São Paulo. A produção contou com parceria dos cursos de Jornalismo e Realização Audiovisual da Unisinos, TV Unisinos e Epifania Filmes.
SERVIÇO:
O que: exibição do documentário “Três Crimes e Uma Sentença” e debate “Entre o Público e o Privado, quando o Dano Moral cala o Jornalismo”.
Quando: 14/11/2015 (sábado), às 10h.
Onde: Cine Bancários (R. Gen. Câmara, 424 – Centro, Porto Alegre).
Neto de Jango atende na Rocinha pelo "Mais Médicos"
Por Felipe Betim, para o El País
O doutor João Marcelo Viera Goulart, de 26 anos, atende seus pacientes em uma pequena sala do primeiro andar do recém reformado edifício do Centro Municipal de Saúde Dr. Albert Sabin.
Trabalha de oito da manhã às cinco da tarde neste centro, que é voltado para a atenção primária, ao lado de outros médicos, enfermeiros e agentes comunitários —muitos já velhos de guerra— para garantir a saúde básica dos milhares de moradores da favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
João é apenas mais um médico que, como todos os demais, preza pela saúde de seus pacientes. Mas um detalhe de sua vida chama atenção: ele é um dos oito netos do ex-presidente João Goulart (Jango), deposto pelo golpe militar de 1964.
“Minha família tem uma história política. Nasci e fui criado neste meio”, resume, de forma discreta, sobre suas origens.
Seu pai, João Vicente Goulart, é presidente do instituto que leva o nome do ex-mandatário e trabalha para levantar um memorial em homenagem a ele.
Como João, neto de um ex-presidente, foi parar em uma favela carioca através de um programa do Governo Federal, fazendo um trabalho tão silencioso quanto nobre para a população da comunidade?
A trajetória deste gaúcho —”mas nasci no Maranhão por acidente!”— vem sendo uma aventura.
Ao assumir “certa maturidade, certa visão de mundo”, e se dar conta das insistentes injustiças sociais do Brasil, viu que a sua luta não era através da política partidária, mas sim da medicina.
Ao terminar o ensino médio no Rio de Janeiro, decidiu de cara ir estudar aonde, para ele, está a melhor medicina do mundo: Cuba.
A razão é simples: o país —questões políticas à parte, cabe ressaltar— está entre os que possuem os melhores indicadores de saúde do mundo, segundo aOrganização Mundial da Saúde (OMS), por desenvolver há décadas uma medicina voltada para a prevenção de doenças e promoção da saúde, também conhecida como medicina de família.
Lá, doenças como a tuberculose foram praticamente erradicadas, enquanto que o índice de mortalidade infantil é baixíssimo.
João queria beber desta fonte. E chega a ser curioso: seu avô foi deposto, entre outras razões, por ser considerado um comunista, ao tentar implementar várias políticas sociais no país. Mas foi o seu neto que efetivamente se aproximou de Cuba para buscar no país um exemplo de sistema público de saúde e de medicina a serem aplicados no país.
Ao terminar o ensino médio, ele se inscreveu no projeto ELAM (Escuela Latinoamericana de Medicina), promovido pelo Governo cubano para formar mais de 20.000 médicos latino-americanos sem nenhum custo na Ilha.
“Eles davam tudo: livros, alimentação, moradia, desodorante, papel higiênico, sabonete. Tudo mesmo”, conta. “Já no primeiro ano temos aulas práticas nos consultórios de medicina da família e policlínicas. No terceiro, aula teórica e prática dentro de hospital para ver de perto complicações cardiovasculares, AVC, trabalho em UTI”.
Após seis anos e meio morando na Ilha, onde conheceu sua esposa, a equatoriana e também estudante de medicina Sandra, João decidiu regressar para o Brasil para aplicar seus conhecimentos no Sistema Único de Saúde (SUS).
Sua volta, em julho de 2013, coincidiu com o lançamento do programa Mais Médicos, que tem o objetivo de levar doutores, muitos deles formados no exterior, brasileiros ou estrangeiros, a lugares do país com carência de profissionais.
“Foi tudo muito rápido: me formei, fiz a inscrição no programa, vim pra cá, revalidei meu diploma, e me inseri no programa”. Após uma temporada no município de Duque de Caxias, onde trabalhava com sua esposa e outros colegas latino-americanos, finalmente foi transferido para a Rocinha.
A importância da Atenção Primária
O neto de Jango tem uma ambição pessoal: participar da implementação do programa Saúde da Família no país, uma estratégia do Ministério da Saúde que, desde os anos 1990, tem o objetivo de expandir a rede de atenção primária em todo o território nacional através, sobretudo, de incentivos aos Estados e Municípios.
Na Rocinha, o doutor João aplica o que, para ele, é a essência da medicina: o exame físico, a conversa com o paciente e o acompanhamento constante para prevenir, diagnosticar e tratar doenças, principalmente as crônicas como diabetes, hipertensão, entre outras. “85% dos problemas se resolvem com a atenção primária, segundo vários estudos”, argumenta.
“Há pessoas desse país que, com 80 anos, nunca viram um médico. E claro que nesses lugares não tem infraestrutura! Mas se você coloca um profissional no lugar e desenvolve a medicina da família, boa parte dos problemas dessa comunidade serão resolvidos. E aí vai começar a surgir demanda de aparelho raio-X e outros equipamentos”.
João também quer lutar contra uma medicina que, para ele, é demasiada voltada para o mercado.
Em sua opinião, o principal obstáculo a ser vencido é o da formação médica, que deveria ser mais “humanitária”. “Quando o aluno vai para a prática, vai direto para o hospital ver o AVC, o infarto, a insuficiência renal… Mas não vai aprender o que deveria ter sido feito para que o paciente não estivesse ali. Que é a prevenção de doença, a promoção da saúde e o acompanhamento contínuo do doente crônico”, detalha.
“O problema é que aqui o estudante se forma já pensando na especialidade que vai fazer para logo abrir o seu consultório particular. Esta é a realidade”.
Esta formação se traduz em uma cultura médica “mercantilista”, na qual o médico, muitas vezes sem examinar o paciente, pede “mil exames” e ressonâncias por uma dor no joelho; ou na qual uma pessoa vai direto para um hospital por qualquer mal-estar, explica.
Trata-se, em sua visão, de um paradigma que deve ser superado, o que inclusive tornaria o SUS mais barato e eficiente. “Ao investir em medicina preventiva, você economiza em remédio, em exames, em internação… Tudo isso é muito caro”.
João é otimista. Acredita que o SUS vem melhorando desde que foi criado, em 1988, ainda que falte incentivo ao sistema publico, infraestrutura de qualidade e estímulo à carreira no setor público.
Sobre seu futuro, conta que está fazendo especialização em atenção primária e saúde da família na UERJ, e que seu contrato com o Mais Médicos termina no ano que vem. Diz que seria “excelente” continuar trabalhando na Rocinha, mas sua prioridade é fazer um mestrado em gestão da saúde pública.
Maria Helena, diretora do centro no qual trabalha, confia em que continuará contando com os serviços do doutor João. Com um tapa em suas costas e um abraço, diz: “Ah, mas você vai continuar com a gente né?… Nosso João!”








