A urbanista Raquel Rolnik está em Porto Alegre para verificar os preparativos da cidade para a Copa do Mundo de 2014. Ela afirmou que ainda estamos longe de atingirmos um patamar adequado nas ações propostas, principalmente nas questões de remoção de famílias para realização de obras.
Conselheira da ONU, Rolnik prepara um relatório sobre as condições de estrutura e sobre as configurações do espaço urbano e políticas de moradia da cidade. Tal relato será apresentado ao governo federal, junto com observações a serem realizadas em todas as cidades sedes.
Pela análise, Porto Alegre parece estar num caminho mais correto do que cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.
Ela destacou a remoção da vila Tronco, que teve participação decisiva da população na escolha do novo local. Já na vila Dique, lamentou a falta de conhecimento dos moradores sobre o projeto de realocação. “Você vê que tem as casas, mas a escola sequer foi construída, o posto de saúde ainda está sendo construído, na verdade não está implementado”.
Para a urbanista o relatório mostrará como o Brasil agiu de forma errada no projeto da Copa. Houve uma inversão de prioridades. Primeiro foi proposto um megaevento, e depois se passou a discutir as obras e o impacto delas na população. Com o prazo definido não há espaço pra discussão com as comunidades, e as decisões são colocadas a força.
Encontro com autoridades e palestra na câmara municipal
Durante esta quinta-feira, A relatora da ONU encontrou-se com o governador Tarso Genro, o prefeito José Fortunati, além de visitar as vilas Dique e Tronco. Já de noite, participou de palestra na Câmara Municipal de Porto Alegre.
Na apresentação Rolnik disse que a moradia é um direito da humanidade e deve ser preservado por todos os governos, independente de eventos esportivos.
Para Raquel, somente através de um modelo de gestão democrática com o objetivo de incorporar a totalidade dos habitantes e moradores em uma condição de cidadania é que as cidades poderão avançar. De acordo com ela, na história dos megaeventos esportivos, o legado urbanístico e socioeconômico configura a exceção, não a regra. “As populações desassistidas se transformam em vítimas de um processo atropelado de remoção e as contas das cidades mergulham no vermelho”.
O maior interesse da FIFA (organizadora do evento) é estabelecer uma mega estratégia corporativa que concilie o interesse de patrocinadores com abertura das cidades e criação de espaços para atrair investimentos imobiliários internacionais. “A cidade está sendo vendida como uma mercadoria, atraindo e constituindo investimentos corporativos. Muitas garantias e direitos dos cidadãos são suspensos para que a efetivação desses interesses seja alcançada”, argumentou.
Existem ganhos pós-copa do mundo, mas o processo público de debate e de intervenção territorial sobre a cidade deve existir independente do evento esportivo. “A copa é apenas uma oportunidade a mais dentro de um caminho para implantar um plano de moradia digna e de urbanização”, finalizou.
Categoria: X.Categorias velhas
Urbanista critica planejamento para remoções de moradias
Audiência em Brasília vai programar atos de rua
A audiência pública marcada para a próxima terça, 23, no Senado Federal, pode ser o primeiro passo para levar às ruas a campanha anti-corrupção que já conta com a adesão de mais de 100 entidades da sociedade civil, entre elas OAB, ABI, CNBB, Federasul e até a Associação dos Delegados da Polícia Federal.
O Movimento contra a Corrupção Eleitoral, que reune as 40 entidades que se engajaram na campanha da Ficha Limpa, também se engajou na mobilização. O juiz Marlon Reis, que coordena o movimento, já confirmou presença na audiência pública, assim como o reitor da Universidade Nacional de Brasilia, José Geraldo de Souza.
A intenção dos organizadores é definir uma programação de atos públicos em vários pontos do país para mobilizar a população e fazer um movimento de rua para pressionar os políticos e dar respaldo às medidas moralizantes que a presidente Dilma vem adotando.Entidades e imprensa declaram apoio ao movimento
A Federasul orientou suas 224 filiadas para se integrarem ao movimento lançado pelo senador Pedro Simon de apoio às providências moralizadoras que estão sendo tomadas pela presidente Dilma Rousseff contra a corrupção. No documento, assinado pelo presidente José Paulo Cairoli, a Federasul defende que atitudes como a de afastar ministros envolvidos em suspeitas de corrupção são bandeira suprapartidária, que une líderes que devem apoiar a presidente na eliminação dos focos de corrupção no governo.
O apoio à limpeza geral
Zuenir Ventura – Jornalista
No lançamento da frente suprapartidária para apoiar a presidente Dilma no combate à corrupção, o senador Pedro Simon lembrou que o movimento das Diretas Já começou com meia dúzia de pessoas, mas depois ganhou o país. Para isso, no entanto, para mobilizar a população, foi necessário conquistar o que a nova frente ainda não tem: a adesão de entidades da sociedade civil como OAB, ABI, CNBB, sindicatos e, evidentemente, a UNE.
Seria uma boa oportunidade para o órgão máximo dos estudantes desmentir o que se diz dele, que após virar chapa-branca nunca mais abraçou uma causa nobre. Simon acha que a presidente não pode ceder à chantagem dos próprios aliados, enquanto Cristovam Buarque, outro dos nove integrantes do grupo, acredita que se lhe faltar no Congresso sustentação para a faxina será “a completa desmoralização”. Como se sabe, ela está sendo alvo de uma rebelião de sua base, formada por partidos que foram atingidos pela limpeza. Mais do que apoio, ela está precisando de socorro. Na contramão do mundo, os “rebeldes” aqui se rebelam não contra a corrupção, mas contra o combate a ela.
Ainda há pouco, houve um impressionante surto de indignação seletiva contra a publicação num jornal do Amapá das fotografias de seis presos na Operação Vaucher. Foram fotos 3×4 dos acusados segurando na altura do peito fichas de identificação, uma prática corriqueira nos presídios. A cena não era inédita. Desta vez, porém, como não se tratava de presos comuns, os protestos surgiram de todas as partes, a começar pela presidente, que classificou o episódio como “inaceitável”. O vice-presidente também. O ministro da Justiça considerou uma “ofensa à dignidade humana”.
Protestaram juízes, advogados, senadores, deputados. Tudo bem, foi um justo repúdio. Só se lamenta que protestos idênticos não se tenham feito ouvir contra outros abusos à dignidade humana, como a roubalheira de dinheiro público.
Nas últimas semanas, houve uma avalanche de denúncias envolvendo os Ministérios dos Transportes, da Agricultura e do Turismo, com a revelação de um estarrecedor repertório de irregularidades: fraudes em licitações, desvios de verba, superfaturamentos, cobrança de propinas etc. O Maranhão, por exemplo, se cumpridos todos os convênios, receberá do Ministério do Turismo, do maranhense Pedro Novais, cerca de 1.450% a mais de recursos que o Rio de Janeiro. Também foram destinados milhões para o Amapá, onde o número de presos por corrupção talvez seja maior do que o de turistas. Que vozes se levantaram contra esses e outros absurdos?
Por isso, o movimento dos senadores, transformando em ação a indignação, é bem-vindo, contanto que em troca do apoio exija da presidente a extensão da faxina, que deve ser geral e irrestrita. Não pode parar na porta do PMDB e do PT, por exemplo.
Simon propôs a patrulha da Viúva
Elio Gaspari – Jornalista
Há muito tempo não acontecia coisa tão boa no Congresso. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) propôs a criação de uma frente interpartidária de apoio a Dilma Rousseff para conter a chantagem que se arma contra o governo por conta de sua disposição de combater a ladroeira. Durante o governo de Itamar Franco, foi ele quem obteve o afastamento temporário do chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves, acusado de corrupção. Hargreaves deixou o cargo, as acusações mostraram-se infundadas e ele retornou ao Planalto, de cabeça erguida.
Aos 81 anos, com 53 de vida parlamentar, Simon já foi líder do governo, ministro e governador do Rio Grande do Sul. Simples e direto, jamais se incomodou com a fama de “maluco beleza” que o acompanha. Simon já viu de tudo, peixe em árvore e elefante voando. Por isso sua proposta, além de essencialmente boa, poderá ser revolucionária.
O fisiologismo não vai acabar, até porque sua principal fonte alimentadora é o governo. Também não vão acabar as maracutaias. O que Pedro Simon oferece é uma coligação destinada a impedir que o Congresso seja transformado num instrumento de chantagem. A banda podre da base do governo quer se rebelar em defesa da impunidade, mas não pretende botar a cara na vitrine. Planejam emboscar o governo em procedimentos rotineiros, votações surpreendentes ou ainda com alianças oportunistas. Não se trata de enfrentar o Planalto, como faz o Tea Party americano, que defende uma plataforma.
A proposta do senador, se resultar em ações práticas, permitirá a exposição da hipocrisia. Basta mostrar onde está o alçapão, pois sempre haverá deputados ou senadores dispostos a colocar cascas de banana no caminho das lideranças parlamentares ineptas do governo. Para combatê-los, a luz do sol será o melhor desinfetante. Mostrará a infiltração da turma dos convênios e das licitações fraudulentas na bancada do governo, inclusive na do PT. De quebra, inibirá a adesão do PSDB e do DEM a maiorias oportunistas.
Infelizmente, até mesmo na proposta de Simon existe um ingrediente tóxico: “Ela tem que dialogar mais”. Conversar, todo mundo precisa, inclusive Mano Menezes. Pode-se conversar com os deputados Valdemar Costa Neto, Eduardo Cunha ou com o cardeal Eugenio Sales. Há diálogos e diálogos. (Por falar nisso, seja qual for a ocasião, seja qual for a pessoa que governa o país, deveria conversar com D. Eugênio). Os parlamentares se fazem ouvir das tribunas do Congresso. Se ninguém dá atenção ao que dizem, o problema foi criado por eles.
O deslocamento do eixo das negociações do Legislativo com o Planalto para a discussão de verbas e nomeações criou uma situação na qual o Congresso perde quase sempre e a Viúva, sempre. Esses assuntos são secundários. Quem tem o quê para discutir no Planalto a respeito de educação, saúde ou segurança? Em oito meses de governo de Dilma Rousseff pouco se ouviu de relevante. A bem da verdade, noves fora as marquetagens, em relação a esses temas o Executivo disse pouco e fez menos. Por exemplo: durante a campanha eleitoral, a doutora Dilma prometeu “tomar iniciativas logo no início do mandato para regulamentar a emenda constitucional 29”, definindo a destinação de recursos para a saúde. Cadê?
EDITORIAL – Jornal O GLOBO 16/08/2011
O suprapartidário apoio à faxina
A limpeza feita no Ministério dos Transportes/Dnit atingiu o PR, um partido de segunda grandeza da base do governo. Com 40 deputados e sete senadores, mesmo que a legenda fosse para a oposição – jamais aconteceria, pois o político fisiológico vive da proximidade do poder -, a maioria do Planalto no Congresso seria mantida ainda com razoável gordura.
Mas, enquanto isso, transcorria um inquérito sob segredo de justiça em torno do Ministério do Turismo, onde frações do PMDB maranhense, uma sublegenda deste fundada no Amapá, e uma ramificação do PT paulistano traficavam emendas parlamentares com ONGs, a fim de desviar dinheiro público para desvãos privados. Diante da devassa executada nos Transportes, condição imprescindível para o governo Dilma Rousseff acelerar como deseja investimentos públicos em parte da depauperada infraestrutura do país, o ex-presidente Lula se disse preocupado com a “governabilidade”. Entenda-se: como ele assentou os dois mandatos sobre a fórmula fisiológica do toma lá dá cá, repetida na montagem do arco de apoio à candidatura Dilma, romper o método é, de acordo com esta visão da política, dar um salto no vazio.
A descoberta de transações desonestas no âmbito do Turismo, por meio de uma investigação executada por organismos de Estado – Polícia Federal, Justiça, Ministério Público – , colocou o governo Dilma numa área de fricção com o poderoso PMDB. Há críticas corretas do governo a desmandos policiais na detenção de funcionários da Pasta. Mas fez bem o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, esclarecer que não tinha de saber com antecedência da operação, pois ela tramitava sob sigilo legal. E assim deve ocorrer sempre, com o Executivo sem cair na tentação de colocar o Estado a seu serviço.
Enquanto as ramificações do escândalo no Turismo se alastram – vide a rede de laranjas criada no esquema de desvio de verbas revelada pelo GLOBO -, uma das joias da coroa peemedebista no governo, o Ministério da Agricultura, entregue a Wagner Rossi, fica mais exposta.
Depois das denúncias do irmão de Romero Jucá (PMDB-RR) contra o ministro, surgem agora novas histórias desabonadoras, publicadas pela “Veja”. É visível a preocupação de Dilma Rousseff de preservar Rossi, em nome da tal “governabilidade”. Compreende-se, mas, com isso, ela corre o risco de perder de vez o governo para a fisiologia. Assim, ganha relevância o movimento suprapartidário a favor da faxina ética lançado ontem no Senado. Cristovam Buarque (PDT-DF) resume com propriedade o momento político: “Se falta apoio porque a presidente faz a faxina, é a desmoralização.”
Da tribuna, Pedro Simon (PMDB-RS) formalizou a conclamação de um apoio desinteressado à presidente, para que ela avance no combate aos malfeitos. Chegou a lembrar que o movimento das Diretas Já teve início com poucas pessoas, ainda no regime militar, mas terminou mobilizando todo o país. Além de dissidentes do PMDB, como o próprio Simon e Jarbas Vasconcelos, pronunciaram-se por este apoio suprapartidário parlamentares do PP, do PSOL e do PDT.
A oposição precisa decifrar a encruzilhada de Dilma e escolher o melhor caminho a tomar. E este é o do apoio à faxina. Da sociedade dita organizada não se deve esperar muito, devido à cooptação de sindicatos e entidades como a UNE pelo lulopetismo. Mas qualquer luta contra a corrupção vale a pena travar.Campanha anti-corrupção pode repetir "Diretas Já"
A proposta de uma campanha de opinião pública suprapartidária para apoiar a presidente Dilma Rousseff em sua luta contra corrupção no governo ganha adesões em todo o país.
Lançada pelo Senador Pedro Simon nesta segunda-feira, 15/08, uma frente suprapartidária foi formada no Congresso Nacional e durante a sessão os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF), Jorge Viana (PT-AC) e Ana Amélia Lemos (PP-RS), discursaram no plenário em apoio a Frente.
Houve também fortes manifestações contra a chantagem de parlamentares que querem para as votações enquanto a ‘faxina’ de Dilma continuar.
Em seu discurso o Senador Pedro Simon ressaltou que a limpeza da Presidenta deve passar por todos os partidos aliados e cargos do governo, não esquecendo nem mesmo o PT, muitas vezes blindado pelo presidente Lula. “O Brasil é o país da impunidade e chegou a hora da sociedade se mobilizar para exigir apuração e punição dos responsáveis pelos escândalos que a imprensa denuncia diariamente” – afirmou Simon.
Já na próxima terça feira, 23, será realizada uma audiência pública, às 8h30, na Comissão de Direitos Humanos do Senado. O encontro marcará o primeiro grande ato público do movimento e servirá para determinar os rumos da campanha.
A reunião contará com a presença já confirmada da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (Conic), Universidade de Brasília (UnB) e Movimento contra a Corrupção Eleitoral (MCCE). Outras entidades devem juntar-se ao movimento.
Para o Senador Simon o movimento contra a corrupção deverá crescer, podendo chegar às ruas, assim como a campanha das Diretas Já, que começou em gabinetes e ganhou grande apoio popular.
O parlamentar disse ainda que a presidente Dilma “está no rumo certo e não deve esmorecer diante das ameaças e chantagens de setores do Congresso que pretendem paralisar as investigações”.OAB lança Observatório da Corrupção
Brasília, 16/08/2011 – A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) lança na próxima semana em Brasília o Observatório da Corrupção, considerado um primeiro passo dentro do Movimento Nacional de Luta sem Medo contra a Corrupção com o qual a entidade pretende atrair adesão de parceiros da sociedade civil, inclusive partidos políticos, estudantes e dirigentes sindicais, comprometidos com a bandeira de resistência aos desmandos com a coisa pública e à impunidade no País.
O anúncio foi feito pelo presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, após se reunir reservadamente com os senadores Pedro Simon(PMDB-RS), Cristovam Buarque (PDT-DF), Luiz Henrique (PMDB-SC) e Paulo Paim(PT-RS).
A reunião aconteceu no gabinete do senador Simon, que lançou nesta segunda-feira da tribuna do Senado um movimento suprapartidário contra corrupção e impunidade. “Hipotecamos aos senadores nossa solidariedade ao movimento, ao mesmo tempo que informarmos nossa intenção de debater e desenvolver formas de ataque à corrupção, que é um clamor da sociedade brasileira”, disse Ophir Cavalcante à saída do encontro. Segundo ele, dois passos importantes rumo ao combate à corrupção, por essa articulação de forças, já ficaram definidos na reunião de hoje: além do Observatório da Corrupção que a OAB estará instalando no próximo dia 24, uma audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado, na próxima terça-feira (23), discutirá o problema com várias entidades da sociedade civil.
O Observatório da Corrupção, conforme Ophir, é um instrumento que a OAB criará para dar maior visibilidade à sociedade brasileira sobre os casos de corrupção e desvios de recursos públicos que estejam em julgamento no Poder Judiciário. Com amparo em sua Comissão Especial de Combate à Corrupção e à Impunidade, a ideia da entidade é disponbilizar no site do Conselho Federal todos os processos que tratam de corrupção. “O Observatório vai funcionar assim como uma ponte entre a OAB e a sociedade civil brasileira para que passe a acompanhar, fiscalizar e cobrar ações mais determinadas que dêem um basta à corrupção em nosso País”, explicou Ophir.
O presidente nacional da OAB destacou, todavia, que o Observatório pretende funcionar como um embrião ou pontapé inicial de um movimento maior de resistência e repúdio à corrupção em todo o País, envolvendo todas as 27 Seccionais da entidade, suas mais de 1 mil Subseções em todo o País, sem contar a adesão que espera de outras entidades e dos partidos políticos comprometidos com essa luta.
Assessoria de Comunicação do Conselho Federal da OAB
17/08/2011
Abaixo, o requerimento dos senadores convocando a audiência pública
REQUERIMENTO
Senhor Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa,
Senador PAULO PAIM,
Com fundamento no disposto no art. 58, § 2º, inciso II, da Constituição Federal, combinado com o art. 90, inciso II, do Regimento Internodesta Casa, REQUEREMOS a realização de Audiência Pública nesta Comissão, para debateras ações contra a corrupção e a impunidade no país.
Para a realização da audiência, sugiro que sejam convidados: DomRaymundo Damasceno Assis, Presidente da Conferência Nacional dos Bispos doBrasil – CNBB; Ophir Cavalcante, Presidente da Ordem dos Advogados doBrasil – OAB; Maurício Azêdo, Presidente da Associação Brasileira deImprensa – ABI; José Geraldo de Sousa Júnior, Reitor da Universidade deBrasília – UNB; Marlon Reis e Jovita José Rosa, Representantes do Movimento de Combateà Corrupção Eleitoral – MCCE e Dom Manuel João Francisco, Presidente doConselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC.
Sala das Comissões,
Senador PEDRO SIMON
Senador PAULO PAIM
Senador CRISTOVAM BUARQUE
Senador LUIZ HENRIQUE
Senadora ANA AMÉLIA
Senador EDUARDO SUPLICY
Senador MOZARILDO CAVALCANTI
Senador RANDOLFE RODRIGUES
Senador PEDRO TAQUES
Senador MARCELO CRIVELLA
Brasília, 16/08/2011
Luiz FonsecaEdgar Morin apresenta alternativas à crise mundial
Cláudia Dreier*
Contextualização e exemplos pontuais marcaram a palestra de Edgar Morin que aconteceu na segunda-feira, 08 de agosto, integrando a programação Fronteiras do Pensamento em 2011. Com 90 anos e um mês exatos, o francês tem como valores principais o amor e o conhecimento. Ele aponta soluções para a crise atual a partir de suas pesquisas e vivência ao longo da História.
Segundo Morin, a crise econômica iniciada em 2008 colocou em xeque o modo de conhecimento que fragmenta as várias disciplinas, impedindo a compreensão dos problemas globais. Para entender o que acontece é fundamental conhecer o processo de globalização cada vez mais acelerado pela modernidade. “Não sabemos o que se passa e é isso que se passa. A crise econômica atual resulta de uma crise da sociedade moderna, da sociedade tradicional, da democracia, do pensamento, em fim, uma crise geral da humanidade.”
Dois lados da globalização
O francês considera a mundialização como a pior das coisas possíveis e, ao mesmo tempo, a melhor delas. Integrando o primeiro aspecto, ele lista o desenvolvimento da técnica que constrói fantásticas armas de destruição de massa e que gera a crise ambiental. “Mesmo com toda técnica desenvolvida somos incapazes de frear esta crise. Um dos problemas está nos Estados Nacionais, agora incapazes de manter as promessas feitas à população”. Ele propõe que os Estados Nacionais associem-se entre si para que possam ficar protegidos. “A ONU tem pouca força para decisões em esfera planetária que envolvam a questão armamentista e o necessário cuidado com a biosfera”.
Morin discorre sobre as ameaças à civilização utilizando uma metáfora. “No século XX um monstro, uma espécie de polvo gigante com muitos tentáculos, amedrontava a humanidade: era o totalitarismo exemplificado no nazismo e no fascismo. Com a queda do comunismo despertou um novo polvo: o do fanatismo e do maniqueísmo, de cunho étnico e religioso. A partir da abertura econômica da China e do Vietnã, ganha força o polvo da economia globalizada, do capitalismo financeiro que é mais poderoso do que o Estado Nacional”. Como exemplo recente, ele cita o caso dos EUA, no qual uma agência abaixou a nota dos americanos e os demais países vêem-se incapazes de contornar a crise mundial.
Para o francês, o aspecto positivo da globalização é unir os povos na mesma comunidade, no mesmo destino ao viverem perigos semelhantes, o que cria condições para surgir um novo mundo. “O desafio é inventar uma sociedade global sem o modelo dos Estados Nacionais. Há outra sociedade a ser criada.” Ele enfatiza a importância da palavra “pátria” que reúne os conceitos paterno e materno na mesma expressão. O amor de mãe e o suporte dado pelo pai geram a idéia do Estado que fraterniza, tem nos seus cidadãos filhos que devem tratar-se como irmãos. “O grande desafio é edificar uma terra-pátria que respeite as comunidades.”
Componente aleatório
Para Morin existe um componente aleatório na história da vida e da civilização, exemplificado pela origem do regime de governo preponderante nos Estados Nacionais. No século quinto antes de Cristo, a cidade de Atenas, berço da democracia, resistiu ao primeiro ataque dos persas com o auxílio dos soldados de Esparta. No segundo confronto, ela foi arrasada. Ao regressar da batalha, os barcos da frota inimiga foram afundados no Peloponeso, assim Atenas pode reerguer-se e a democracia persistiu por mais 50 anos. Na Era Moderna, este regime foi ressuscitado nas cidades italianas, belgas e na Revolução Francesa. E o improvável aconteceu: a democracia, criada em uma pequena cidade grega, estabeleceu-se como uma característica da sociedade vigente.
“Mas como é possível mudar o caminho, como parar um trem desenfreado em direção à catástrofe?” questiona ele, voltando à crise atual. “Em vários momentos a sociedade humana mudou de rumo graças a um indivíduo e a um pequeno grupo a ele associado.” Morin cita Buda, Maomé e Jesus Cristo. Este, após a pregação, em dois ou três séculos teve sua doutrina transformada na religião do Império Romano. “Isso aconteceu graças a Paulo que teve uma revelação no caminho para Damasco, permitindo universalizar a mensagem: não há judeus nem gentios, homens ou mulheres, a palavra é dirigida à humanidade tornando o cristianismo a grande religião.”
Morin aponta exemplos semelhantes para a ciência moderna, referindo-se a Galileu, Descartes e Bacon, e para os modelos sociais citando os criadores do Comunismo e do Anarquismo. “As mudanças são possíveis, começam moderadamente. Se o sistema não trata dos problemas fundamentais, ele se desintegra, mas é possível que, de algum modo, com criatividade este mesmo sistema seja metamorfisado gerando um novo sistema.”
Metamorfose
Segundo o francês, os sistemas na Terra respondem aos problemas de três maneiras: regridem a um estágio anterior, desintegram-se ou passam por uma metarmorfose. “Temos na borboleta um belo exemplo. Quando se rompe o casulo da larva, o mesmo ser passa a ter asas e alimenta-se diferentemente de quando estava enclausurado.” Morin lembra que o próprio ser humano, quando no ventre materno, é um ser aquático.
“A história humana é uma história de metamorfoses.” Morin enfatiza que as pequenas sociedades de centenas de indivíduos, viáveis ecologicamente, tiveram diferentes estágios de evolução para se transformarem em grandes cidades e civilizações como as dos Astecas e Incas, na América. “Esta metamorfose específica vai desagregando os valores da comunidade no seu processo de crescimento.”
Atualmente, na França fala-se em desglobalização, pois a mundialização destruiu as realidades regionais e a solidariedade típicas da vida comunitária. “Busca-se agora sair deste processo, estimulando as trocas que possibilitem uma nova sociedade.” O palestrante defende o pensamento binário, onde coexistam a globalização e a desglobalização. “Podemos manter os pontos positivos da globalização, preservando as culturas nacionais e a agricultura de subsistência do país para garantir os alimentos da nação sem precisar importá-los. É preciso ter a virtude de proteger as comunidades locais.”
Outra proposta de Morin é trocar o desenvolver pelo envolver. Enquanto o primeiro promove o crescimento econômico material, destrói a solidariedade, traz a corrupção política e a tecnologia destrutiva; o segundo mantém o sistema unido, fortalece a comunidade, a cultura e a identidade. Aceita o que vem de fora, respeitando os aspectos de cada cultura, fazendo uma simbiose entre o Ocidente e as antigas culturas tradicionais.
Alternativas
Baseada no desenvolvimento material, a Sociedade Ocidental carece de hospitalidade, de cortesia e de uma maior harmonia com a natureza. Para alterar este quadro, Morin propõe um decrescimento econômico e energético em prol do florescimento de uma economia verde, remodelando as cidades para torná-las humanas e suportáveis. “Precisamos de uma economia solidária e verde que vença o lucro.”
No decorrer da palestra, ele cita várias iniciativas que promovem a humanização de comunidades carentes e ressalta a falta de conexão entre elas, sugerindo que a internet possa ter um papel fundamental nesta necessária comunicação. Ele propõe reformas na agricultura convencional que traz mais males do que benefícios. “Também precisam ser revistas, além da pecuária moderna, a consciência de mundo e a educação.”
Referindo-se ao processo educativo, Morin cita Rousseau. “Educar é ensinar a enfrentar os problemas da vida, a ter compreensão humana, a encarar as incertezas e as armadilhas do conhecimento”. Uma nova idéia de mundo está relacionada à reforma da educação e do pensamento. As vidas cronometradas e monótonas também podem ser modificadas para originarem maior autonomia e maior experiência de comunidade.
“Devemos viver a vida de maneira polarizada em prosa e em poesia. Em prosa fazemos o que somos obrigados, o que pode cansar e entristecer, mas é necessário para ganhar o pão. Em poesia temos o que realmente nos faz vive:r o amor, a amizade, a comunhão, a dança, o lúdico.” Desenvolver o poético da vida permite reformá-la e construir a partir do outro. “O outro é diferente e semelhante a nós por possuir a mesma capacidade de sofrer, sorrir, amar, pensar e refletir.” Ele ressalta que primeiro é preciso conhecer a si mesmo para evitar transferir as próprias fraquezas para o comportamento do outro que deve ser apreciado como se estivesse em uma tela de cinema. “Lá aplaudimos um mendigo, um operário se este for vivido por Charles Chaplin”.
Ao “bem estar” que remete a aquisição de objetos materiais, Morin contrapõe a proposta de “bem viver”, citando Evo Morales. Esta propõe-se a ensinar um novo viver e também auxiliar o outro a viver bem. “Uma reforma deve incluir tanto a vida social quanto a individual, uma reforma isolada não dá certo. Um exemplo claro disto é a Revolução Comunista de 1917 incapaz de criar um sistema semelhante à sua ideologia. Aquilo que foi criado ficou pior do que existia anteriomente e emplodiu em 70 anos, dando lugar ao capitalismo e a religiões mais poderosas do que as sufocadas no início do século.”
Morin apresenta-se otimista acreditando que exista salvação para continuar a aventura da humanidade, para ele a História é uma sucessão de crises e nelas aumentam as incertezas. “Como respostas nos períodos conturbados podemos encontrar a solução em algo novo, regredir ao passado ou acharmos um bode expiatório.”
Nas suas últimas palavras, ele afirma que “toda transformação cultural também é mental e psicológica. A esperança é como um fermento para a transformação e a metamorfose. Todas as reformas intersolidárias, são como córregos que se unem para formar rios os quais se juntam até chegar a um Amazonas. Assim se forma um novo caminho e o antigo desintegra-se.” Ele recomenda copiar o modelo dos adolescentes que têm como aspirações a maior autonomia e a maior vivência em comunidade.
“Hoje, o melhor da humanidade pode se desenvolver no Brasil, pois aqui existe uma simbiose entre diferentes povos e nações. Eu mesmo penso algumas vezes em me mudar para o Brasil”, conclui Morin despertando risos na platéia do Salão de Atos da UFRGS e no jornalista Juremir Machado da Silva, que apresentou o palestrante francês.
*Jornalista e geógrafa. Texto originalmente publicado no Informativo Fundação Gaia.Simon articula manifestação de apoio a Dilma
Por iniciativa do senador Pedro Simon (PMDB-RS), a sessão de segunda-feira próxima do Senado Federal será marcada por uma série dediscursos em solidariedade à presidente Dilma Rousseff.
Conforme Simon, “a presidente está numa linha correta, agindo contra a corrupção, e setores do Congresso tentam boicotar”. O parlamentar está fazendo contato com os senadores para que se manifestem pela manutenção do rigor na apuração dos escândalos de corrupção.
Já estão inscritos os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF), Ana Amélia Lemos (PP-RS), Paulo Paim (PT-RS), Marcelio Crivela (PR-RJ), PedroTaques (PDT-MT), Wilson Santiago (PMDB-PB) e Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) e Eduardo Braga (PMDB-AM). Simon conta ainda com Luiz Henrique (PMDB-SC), Casildo Maldaner (PMDB-SC) e Roberto Requião (PMDB-PR), entre outros.
(Assessoria de Imprensa)A Copa do Mundo, os "contra" e a incapacidade
Henrique Wittler* –
É impressionante o que gera de desculpas a incapacidade administrativa de alguns políticos que afrontando leis procuram fazer projetos mirabolantes, ou doação de áreas públicas, entregando-os à exploração particular com vantagens de alto lucro.
Entre eles está a área das cocheiras do Jóquei Clube, que pertencia ao Estado, mas foi vendida por nada menos de R$ 500 milhões, que foram parar nos bolsos daquela entidade.
Pode-se citar a área do Humaitá que pertencia ao Estado e foram parar nas mãos da Construtora OAS, sobrando ao Grêmio apenas nove hectares do total de 37 hectares, neste caso, gerando um lucro à construtora de no mínimo R$ 300 milhões.
Também a área do Cais da Mauá, que permitirá ao investidor uma receita anual de mais R$ 80 milhões contra um aluguel de apenas R$ 1.250 mil possibilitará um lucro muito significativo em comparação à falta de recursos para obras.
Em face da sua recente exoneração, um secretário municipal, em e-mail ao prefeito, aponta como um dos fatores de atraso nas obras da Copa a falta de projetos que tiveram que ser feitos pela iniciativa privada, por não ter recursos.
Talvez o dinheiro das áreas dadas de presente, se quem as vendesse fosse o Estado, poderia ter coberto o custo dos projetos e das obras.
Por outro lado, o secretário afirma, entrelinhas, a falta de capacidade do corpo de engenheiros e arquitetos da prefeitura, que não sabem elaborar simples projetos de ruas, praças e avenidas.
Tudo isto que vem ocorrendo é aquela conhecida luta, a luta para definir a quem cabe a parte maior da receita.
Tentando acalmar o secretário e desviar o assunto, responde o prefeito, creditando toda incompetência à “turma do contra”.
Deve saber o senhor prefeito que as ações dessa “turma” são contra a entrega de áreas públicas às construtoras, altos índices construtivos que afetam as vizinhanças, como também contra todas as obras que desrespeitam as leis, sejam municipais, estaduais ou federais. Sabe o senhor prefeito que foi graças a essa “turma”, que a área da FASE, que valia mais de R$ 1 bilhão, não foi permutada com uma construtora, por obras que não custariam mais de R$ 60 milhões (sim, milhões). Lembramos ao prefeito que essa “turma”, como ele diz, é composta de cidadãos que pagam seus impostos e que não têm a facilidade que têm alguns políticos de enriquecimento do dia para a noite.
* Engenheiro civil, perito ambiental e professor universitárioCLINICAS É MODELO PARA TODO O BRASIL
O Hospital de Clínicas de Porto Alegre é o modelo para a grande reforma que o governo federal está fazendo nos 46 hospitais universitários existentes no país.
“O Clínicas de Porto Alegre é um caso exemplar de sucesso, que vamos seguir”, disse ao JÁ o diretor de Hospitais Universitários do MEC, José Rubens Rebelatto.
A forma de empresa pública, adotada pelo HCPA, que está completanto 40 anos em 2011, será estendida a todos os demais.
Os hospitais universitários federais se tornarão unidades subsidiárias da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, cujo projeto de criação está para aprovação
no Congresso Nacional.
Hoje, com exceção do Clínicas de Porto Alegre, quase todos os hospitais universitários são autarquias federais ligadas às universidades, com pouca autonomia e muitos entraves para seu funcionamento.
Com a forma de “empresa pública com personalidade jurídica de direito privado”, terão
recursos do orçamento da União e ganharão autonomia administrativa, principalmente no que se refere à contratação de pessoal, por regime de CLT.
A reforma começou ainda no governo Lula, a partir de um diagnósticos que apontou uma série de problemas crônicos, que tornam caro e ineficiente o funcionamento dos hospitais-escola ligados às universidades federais no país.
O projeto já passou pela Câmara e está para ser votado no Senado, com a previsão de aprovação ainda este ano.
Revitalização física e tecnológica dos hospitais universitários já começou, com recursos dos Ministérios da Saúde e Educação.
Este ano já serão destinados R$ 500 milhões para reconstrução dos cinco piores, entre os quais se encontra o hospital ligado à Universidade Federal de Pelotas (os outros são: Amazonas, Uberlândia, Juiz de Fora, Mato Grosso e a Maternidade de Salvador). (
