Ao concluir em 17 dias o inquérito, dando por esclarecido o assassinato do secretário municipal da saúde, Eliseu Santos, a polícia civil de Porto Alegre mereceu rasgados elogios da imprensa local, principalmente do jornal Zero Hora, que chegou a qualificar o trabalho policial como “a mais técnica” das investigações já feitas no Estado.
Agora quatro promotores refizeram as investigações e concluíram que, ao contrário da convicção policial, o crime não foi latrocínio. Foi uma execução, morte encomendada.
Mesmo que ao final de tudo não se chegue ao cabal esclarecimento do caso, já que são muitos os interesses em jogo, só os elementos que os promotores agregaram ao processo já deixa a polícia de saia justa. E também a imprensa, porque engoliu sem matigar a versão policial, apesar das muitas evidências em contrário.
Em troca de informações pretensamente “privilegiadas” da fonte policial, a imprensa não questionou sequer o esdrúxulo “segredo de Justiça” para o caso.
Deixou completamente de lado as ameaças de morte a Eliseu, que foram mencionadas formalmente na Câmara de Vereadores e registradas na polícia federal.
Não deu bola à proposta de CPI na Câmara e, ao deixar de lado todas essas evidências, praticamente enterrou qualquer possibilidade de investigar as denúncias gravíssimas envolvendo servidores públicos e prestadores de serviços ao poder público municipal.
Categoria: X.Categorias velhas
Caso Eliseu: saia justa na polícia (e na imprensa)
Memorial para Olga Benário na avenida Beira Rio
Está acertado o acordo entre a Federação Gaúcha de Futebol e a Fundação Olga Benário para a construção de um memorial dedicado à memória da companheira do líder comunista Luiz Carlos Prestes, em Porto Alegre.
O terreno para a obra, localizado na esquina das avenidas Ipiranga e Beira Rio, foi doado pelo município em 1989, com base em projeto do então vereador Vieira da Cunha (PDT), aprovado pela Câmara de Vereadores.
O projeto de autoria do arquiteto Oscar Niemayer também já está pronto.
Agora foi acertada uma permuta com a Federação Gaúcha de Futebol que vai construir o prédio em troca de metade do terreno de 10 mil metros quadrados.
Olga Benário morreu num campo de concentração, durante a segunda guerra, depois de ter sido entregue aos nazistas pelo governo de Getúlio Vargas, durante a ditadura do Estado Novo. Sua história foi contada no livro “Olga”, do escritor Fernando Morais, adaptado também para o cinema."Globo demitiu Armando Nogueira para agradar Collor"
O jornalista Paulo Henrique Amorim diz em seu blog Conversa Afiada que foi para agradar o recém-eleito presidente Collor de Mello que a Rede Globo demitiu logo depois da eleição seu diretor de jornalismo Armando Nogueira. Nogueira morreu há poucos dias, sem uma explicação convincente para o fato.

O fato central foi o famoso debate entre Lula e Collor, no final do segundo turno.
Amorim era editor de Economia da Globo e viu o que se passou na redação do Jornal Nacional naquela sexta-feira, 15 de dezembro de 1989, quando o debate entre Collor e Lula foi editado. Armando Nogueira não foi sequer consultado.
“O episódio do debate é o ponto culminante de uma política de manipulação de opinião pública, através do noticiário da maior rede de televisão comercial do mundo, fora dos Estados Unidos. Uma política que não começou com o Collor nem acabou com ele”, diz Amorim.PT divulga pesquisa com Tarso na frente
(Geraldo Hasse) –Com 37% das intenções de votos, Tarso Genro leva 9 pontos percentuais sobre José Fogaça (28%), segundo pesquisa estadual encomendada pelo PT no fim de semana encerrado no dia 20 de março.
A governadora Yeda Crusius aparece em terceiro com 10%. Os outros mais cotados são Beto Albuquerque (7%) e Luiz Augusto Lara (menos de 3%).
Síntese de 60O questionários aplicados por uma empresa de pesquisa contratada pelo PT gaúcho, esses números foram apresentados no sábado dia 27 pela manhã na Câmara de Vereadores de Osório por João Vitor Domingues, coordenador da bancada do PT na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Segundo Domingues, é pesquisa de trabalho, sem maquiagem, para subsidiar o planejamento da campanha de Tarso Genro ao governo gaúcho.
Depois de analisar os governos Yeda e Fogaça, o coordenador petista deixou uma mensagem otimista à platéia de 60 pessoas reunida pelo PT local, que tem apenas um vereador numa câmara de nove membros: “Não acreditem na história de que o PT está isolado — esse é o desejo deles”, disse, lembrando que o PMDB continua no governo do estado, mesmo depois de escolher o prefeito portoalegrense Fogaça como candidato ao Piratini.
Segundo Domingues, a união PMDB-PSDB-PP no governo é fisiológica e reflete a ameaça feita pela governadora em meio às denúncias de corrupção em seu governo: “Se eu cair, não caio sozinha”.
Além do caso do Detran, que vem do governo Rigotto (2003-2006), e das concessões rodoviárias, que vêm do governo Britto (1995-1998), o petista apontou problemas na Corsan, no Daer, na Saúde, no Meio Ambiente, no Banrisul e nas barragens de Rosário do Sul e Dom Pedrito.
“A política no Rio Grande do Sul está dominada por famílias políticas mafiosas”, afirmou Domingues, salientando que “a governabilidade é um negócio” e “o déficit zero é uma farsa” encoberta pela privatização parcial do Banrisul e o enxugamento nos gastos em educação e saúde.
A pesquisa feita pelo PT apontou também os cinco maiores problemas gaúchos. Segundo os entrevistados, o maior é a saúde, seguido pela droga, a violência, a falta de emprego e a falta de perspectivas profissionais.
Outra questão indicou as três qualidades essenciais de um governante, por ordem: a ética, a capacidade de iniciativa e a disposição para o trabalho.Jornais do Interior estão descontentes com Yeda
A Associação dos Jornais do Interior (Adjori) reelegeu nesta sexta-feira, 26, o presidente Miguel Luz, do Destaque de Esteio, para mais um mandato.
Mas o assunto mais discutido entre os editores na sede da entidade em Porto Alegre foi a questão das verbas publicitárias do governo do Estado.
A queixa é generalizada: Yeda é bastante generosa com os jornais da capital, mas mantém a imprensa do interior à míngua. São 260 jornais associados à Adjori no Rio Grande do Sul.
Os poucos que conseguiram alguma coisa durante o governo Yeda foram os que apelaram para deputados da bancada governista.
A situação é tal que a entidade estuda a sugestão de formar uma comissão para manifestar à governadora o descontentamento generalizado e chamar a atenção para a importância dos veículos municipais na hora das eleições.
A disputa eleitoral deste ano também foi um dos assuntos. Entre os presentes, eram minoria os que consideram as chances de Yeda Crusius muito pequenas.
A grande maioria acha que há grandes possibilidades de reeleição, principalmente por causa das boas relações que a governadora vem mantendo com a maioria dos prefeitos, mesmo os que não são dos partidos da base aliada.
Segundo alguns, ela já é chamada de “Amiga dos Prefeitos”. Yeda está cumprindo rigorosamente o cronograma de transferências do ICMS para as prefeituras e sendo bastante solícita no atendimento às demandas, às vezes pequenas, mas cruciais para os municípios.Qual será o destino da casa dos Lutzenberger?

A casa em que nasceu e viveu José Lutzenberger, na rua Jacinto Gomes, está
fechada desde que ele morreu, há oito anos. Numa edícula, no quintal da
casa de três pavimentos ainda funciona um escritório da Fundação Gaia, por
ele fundada.
Mas agora tudo vai mudar. A Fundação Gaia, presidida por Lara, a filha
mais moça de Lutz, vai transferir todas suas atividades para a sede em
Pântano Grande, o Rincão Gaia, a 125 quilômetros de Porto Alegre.
E a casa, projetada e construída em 1926 pelo arquiteto José Lutzenberger,
pai do ambientalista, provavelmente será alugada, para alguém que se
disponha a reformá-la, pois toda a estrutura de madeira está comprometida.
O empresário Cerilo Vallandro, proprietário do Bar Cerilo, vizinho da
esquina com a rua Venâncio Aires, já fez uma proposta. O interesse dele
não é o imóvel, mas o quintal, para ampliar o estacionamento com entrada
pela Jacinto Gomes.
Vallandro concorda em alugar tudo e até arrumar a casa. Não seria uma
reforma completa, apenas o suficiente para que possa sublocá-la e, com
isso, recuperar o investimento a ser feito.
O negócio ainda não saiu porque as herdeiras de Lutz exigem aprovar cada
candidato a sublocador que apareça e o uso a ser dado ao imóvel. A
contraposta do empresário é que elas apresentem uma relação das ocupações
que vetariam. Como tem planos de aumentar o restaurante, ele acha
importante ampliar o estacionamento.
Naturalmente, os ambientalistas não aprovam a idéia, especialmente os
contemporâneos de Lutz. Mas nada podem fazer para impedir o fim do jardim,
já que o imóvel é particular e não tem nenhuma ligação formal com Fundação
Gaia. Tampouco podem preservar o jardim ou, por exemplo, abri-lo à
visitação pública. (Patricia Marini)A lei da "ficha-suja" e a moralização da política
(Christopher Goulart, especial para o JÁ)
Motivo de preocupação para muitos deputados do Brasil inteiro, o avanço no Congresso Nacional do projeto de Lei que dificulta a candidatura dos chamados “ficha-suja”, é uma realidade. Claro, para que o mesmo tenha andamento, era de se esperar alterações mais brandas a respeito do julgamento sobre inelegibilidade dos políticos criminosos. Restou definido que não basta a condenação de um juiz singular. Tal decisão deve ser firmada por um colegiado. O fato de o Ministério Público antes oferecer a denúncia sobre o ato criminoso do político e a mesma ser aceita pela autoridade judicial, não é sequer considerado pelo Congresso, que assim acaba sempre concedendo uma sobrevida aos Parlamentares desonestos.
Eis um dado importante. A decisão condenatória de um juiz singular não pode ser considerada como “solitária”. Antes dela, ocorre a investigação de um Promotor Público. Por outro lado, é inquestionável o princípio Constitucional de que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória”. Mas o que se verifica é que em outros casos, como na admissão no serviço público, havendo problemas na “vida pregressa” o interessado pode restar inabilitado.
Dois pesos e duas medidas diferentes servem para uma reflexão sobre o tema. Além do mais, a ninguém cabe desconhecer a morosidade genérica do Poder Judiciário, e, assim sendo, quantos políticos criminosos cumpririam seus mandatos de 4 anos enquanto a “decisão do Colegiado” não é proferida? Muitos advogados habilidosos em protelar demandas judiciais garantiriam os mandatos de seus clientes, esgotando intermináveis recursos e instâncias.
Há que se frisar que este projeto partiu de uma iniciativa popular, subscrito por um milhão e seiscentos mil cidadãos, que têm ainda o respaldo um país inteiro que não suporta mais imoralidade na política. Aliás, “imoralidade” é uma palavra tênue demais para classificar contraventores e criminosos. Então, uma solução poderia ser a suspensão temporária do mandado cassado em primeiro grau, até a decisão do tal “colegiado”. Dessa forma a sociedade fica protegida de votar em um candidato que no mínimo é considerado suspeito.Yeda candidata começa a capitalizar erros da oposição
Começa a cair a ficha nos redutos petistas: já reconhecem que Yeda Crusius não “está morta”, como chegaram a dizer referindo-se às possibilidades de reeleição da governadora.
Talvez, menos por seus méritos e mais pelos equívocos da oposição, Yeda recompõe sua imagem e começa a ganhar terreno nas pesquisas, com a ajuda da mídia que sempre tende a ser generosa com quem tem a caneta para assinar.
Repita-se: o erro crucial da oposição foi jogar todas as fichas na possibilidade de embretar o governo Yeda com as denúncias de corrupção.
O “Fora Yeda” foi uma bandeira levantada pelo PSOL, que o PT abraçou provavelmente por medo de perder mais votos à esquerda, como já ocorreu na última eleição municipal em Porto Alegre.
Ao concentrar suas energias para colar em Yeda o rótulo da corrupção, a oposição deixou de fazer, ou não fez com a ênfase devida, a crítica à administração de Yeda.
Não quer dizer que corrupção não exista, mas na medida em a estratégia não deu certo, resta uma governadora aparentemente blindada e com um discurso de gestão que pode não ser verdadeiro, mas será eleitoralmente eficaz…
Se fechar a aliança com o PP e levar Otomar Vivian de vice, como se especula, a candidatura à reeleição estará de pé.
Na perspectiva de hoje, são pequenas as chances de Yeda.
Considere-se, porém, que ela já sofreu o maior desgaste que poderia sofrer e não é difícil concluir que Yeda está no páreo, como gostam de dizer os turfistas que comentam política.(EB)Pressão da Assembleia faz RBS mudar reportagem
A reportagem sobre deputados que nas quintas-feiras assinam o ponto e vão embora foi preparada durante duas semanas. Poucos minutos antes de ir ao ar no programa TeleDomingo, veio a ordem da direção para retirar o nome dos deputados que eram mencionados na matéria.
A reportagem ganhou repercussão já na terça-feira quando o deputado Dionilson Marcon deu um safanão no repórter Giovani Grizotti. Grizotti tentava gravar uma entrevista com o deputado, que marcara presença na sessão e imediatamente se ausentara do plenário. O incidente mereceu destaque nos telejornais da casa naquele dia.
Durante a semana, intensificou-se a pressão dos deputados sobre repórteres e editores do programa. Todos alegavam que é uma praxe do Legislativo, principalmente em época de campanha: na quinta-feira, na última sessão plenária da semana, muitos deputados apenas marcam presença, para não terem desconto no salário, e se retiram para “trabalhar junto às bases”.
Na sexta-feira, o próprio presidente da Assembleia, deputado Giovani Cherini, entrou em contato com a direção da RBS, argumentando que a reportagem seria prejudicial à imagem do parlamento estadual, porque passaria ao público uma idéia errada do trabalho dos deputados, que não se restringe à atuação em plenário, sendo mais importante muitas vezes suas atividades em comissões ou mesmo no interior, junto às suas bases eleitorais.
Todos os quinze deputados que nas duas quinta-feiras em que foi gravado o programa assinaram presença e se retiraram do plenário, foram ouvidos pela reportagem. Alguns, como Leila Fetter, do PP, explicaram com naturalidade que se trata de uma prática consagrada na casa.
O deputado marca presença na sessão e se retira, muitas vezes para viajar ao interior.
A alegação de todos é que a reportagem passaria ao eleitor uma imagem errada do trabalho dos parlamentares. Marcon foi o único que reagiu agressivamente.
A pressão sobre os jornalistas se intensificou no fim de semana e o assunto foi examinado pelo departamento jurídico e pela direção da empresa. Quando faltavam dez minutos para o programa ir ao ar, houve a intervenção – o assunto passara para o nível “das relações institucionais” entre a Assembleia e a RBS. Um editor foi chamado às pressas, e a reportagem foi revisada – foi “amenizada” em alguns pontos e o nome e as entrevistas dos deputados faltosos foram suprimidos.Donos da mídia vão à Justiça contra PNDH
Os seis grandes grupos que controlam os meios de comunicação no país não se conformam com a possibilidade de Lula fazer da ministra Dilma a sua sucessora.
Eles sabem que a continuidade desse processo iniciado com Lula é a maior ameaça aos privilégios que adquiriram no tempo dos generais e têm conseguido manter quase intactos até agora, embora seja cada vez maior a pressão por mudança nesse sistema que se assenta num coronelato eletrônico.
Não conseguiram evitar a eleição de Lula, apesar de todo o empenho. Depois tentaram derrubá-lo com a violenta campanha, tentando envolvê-lo no Mensalão.
A derrota que sofreram nesse episódio não tem precedentes na história do país e dela resultou a reeleição do metalúrgico.
No ano passado, tentaram boicotar a Conferência Nacional de Comunicação, onde se discute um novo rumo das políticas públicas para esse setor vital em qualquer democracia.
Agora enxergam em Dilma Rousseff o grande perigo e já estão em campanha. Seu mais recente alvo é o Programa Nacional de Direitos Humanos, no qual enxergam intenções do governo Lula de “controlar a mídia”.
A notícia publicada no Globo há poucos dias sinaliza para a nova campanha que pretendem deflagrar. Leia o que diz O Globo:
“A Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert) e a Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner) discutiram, em reunião com a Fecomercio, a possibilidade de ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a terceira edição do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), que propõe o controle social da mídia. O encontro aconteceu nesta quinta-feira (18/03).
As entidades defendem que o programa, que estabelece normas para os veículos de comunicação, é uma afronta à liberdade de expressão. “Esse programa parece um samba do crioulo doido. Com o pano de fundo dos direitos humanos, tenta praticamente abarcar todos os setores para censurar todos os âmbitos da vida nacional”, declarou a presidente da ANJ, Maria Judith Brito, que classificou o documento de “excrescência”.
Para ela, o governo Lula tenta cercear a liberdade de imprensa. ”Talvez a mídia tenha sido a instância mais agredida ou mais sistematicamente agredida durante os dois governos do presidente Lula”.
A proposta para que as entidades recorressem ao STF partiu do presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio, o jurista Ives Gandra Martins, que presidiu a reunião. Segundo ele, o PNDH se compara às “constituições bolivarianas”.
Gandra lembrou que haverá um debate no Senado, convocado pela senadora Katia Abreu (DEM-TO), que pretende questionar o ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi a respeito do polêmico programa. O debate de hoje servirá como base para as discussões”.
Em tempo: ANJ, ABERT, ANER são, na verdade, aparelhos ideológicos, controlados pelos “seis grandes”.


