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  • Candidatos: PMDB promete cargos aos que não se elegerem

    PMDB afina discurso para as eleições de 2010
    Uma conversa franca e aberta marcou a primeira reunião da cúpula do PMDB gaúcho e do pré-candidato ao Palácio Piratini, José Fogaça, com dirigentes do partido de todo o Rio Grande do Sul.
    O encontro de duas horas e meia na manhã desta segunda-feira, 10, em Porto Alegre, coordenado pelo presidente Pedro Simon e pelo secretário-geral Eliseu Padilha – com a participação das executivas das Associações de Prefeitos e Vices, e de Vereadores, e dos 33 coordenadores regionais da legenda no Estado. Foi a oportunidade de esclarecer as principais dúvidas em relação a campanha e afinar o discurso para os próximos meses.
    A principal preocupação externada pelos prefeitos foi quanto ao espaço que estes dirigentes terão para opinar num futuro governo.
    Foi esclarecido por Fogaça que a linha do Plano de Governo que é montada pela coligação PMDB-PDT priorizará o orçamento regionalizado. Desta forma, por meio de comitês gestores, os projetos e obras serão pensados através de parcerias.
    “Atuando coletivamente em suas regiões e municípios, os prefeitos serão protagonistas do governo”, destacou Fogaça.
    O pré-candidato ao Governo do Estado ressaltou ainda que o contingente de dirigentes municipais do PMDB e PDT reúnem cerca de 400 prefeitos e vices, o que segundo ele, representa um “exército democrático” que precisa ser bem aproveitado dentro de suas respectivas competências.
    “O governo precisará de um espírito de parceria, por isso pretendemos juntar recursos, conhecimento e experiência”, frisou Fogaça.
    Em nome destes dirigentes, o presidente da Associação de Prefeitos e Vices, Clair Kuhn, de Quinze de Novembro, afirmou que prefeitos e vices estarão à disposição e serão os braços direito e esquerdo da coligação.
    Na mesma linha se pronunciou o presidente da Associação de Vereadores, Ivan Trevisan, de Pantano Grande. Trevisan observou que reunindo os vereadores do PMDB e PDT, a coligação terá ao seu dispor mais de 2 mil correligionários para atuarem na campanha.
    Representação de candidatos num futuro governo
    Ao sugerir que estes dirigentes sejam aproveitados estrategicamente, mais tarde, num futuro governo, Ivan Trevisan recebeu do presidente do partido, senador Pedro Simon, a tarefa de, primeiro, fomentar dentro desta categoria candidatos para completarem a nominata proporcional.
    O líder dos vereadores aceitou a missão e garantiu muito trabalho. “Os vereadores serão o motor da campanha, atuaremos em cada região e em cada município gaúcho”, informou Trevisan.
    Os correligionários presentes no encontro desta segunda-feira receberam a confirmação de Fogaça e do presidente Simon, que aqueles peemedebistas que estiverem com o partido, colocando o seu nome para à disputa proporcional, caso não eleitos, terão os seus espaços garantidos num futuro governo da coligação PMDB-PDT.
    Presente ao encontro, o pré-candidato do PMDB ao Senado Federal, Germano Rigotto, elogiou a iniciativa da reunião. “Estamos em casa, conversando em família, e resolvendo os detalhes para está que será uma grande campanha”, disse.
    Comunicação
    As estratégias de comunicação entre a coordenação de campanha, a base e a militância foi a principal inquietação apontada pelos 33 coordenadores regionais presentes ao encontro. Quanto a essa questão, o senador Pedro Simon observou que as dificuldades de informação no início do processo são naturais, entretanto, disse que os ajustes estão sendo feitos e que cada dirigente, seja ele prefeito, vice, vereador, presidentes municipais e coordenadores regionais, serão informados com antecedência da agenda de Fogaça e Pompeo no interior.
    Nos pronunciamentos, foi unânime o comprometimento e o entusiasmo de cada um dos 33 coordenadores regionais no processo, todos colodando as suas respectivas regiões como grandes aliadas da coligação na campanha eleitoral deste ano.
    A reunião com os dirigentes do PMDB foi dividida em duas etapas. Na primeira, a conversa ocorreu com prefeitos, vices e vereadores e, na segunda, com os coordenadores regionais. Ao total houve 30 intervenções.
    Presenças
    O encontro coordenado pelo presidente Simon e pelo secretário Padilha contou com a presença do pré-candidato a vice-governador na coligação PDT, Pompeo de Mattos, o pré-candidato ao Senado Federal, Germano Rigotto, os deputados federais Mendes Ribeiro Filho (coordenador-geral da campanha) e Darcísio Perondi, os deputados etaduais Luiz Fernando Záchia e Edson Brum, o tesoureiro, Rospide Neto, e o presidente da JPMDB/RS, Rafael Braga. (Informações da Assessoria de Imprensa)

  • USUÁRIOS QUEREM ORÇAMENTO PÚBLICO PARA A REDENÇÃO

    Movimento iniciado pelo Conselho de Usuários do Parque da Redenção quer que o parque mais querido de Porto Alegre tenha um orçamento definido, público.
    Essa é a reportagem principal do jornal Já Bom Fim, que começa a ser distribuído no bairro nesta quinta feira.
    O parque hoje não tem um orçamento próprio. Os funcionários e os albergados que trabalham na Redenção são pagos pela prefeitura. Mas a manutenção do parque depende de recursos do Fundo Pró-Ambiente, formado pelas receitas de todos os parques públicos da cidade.
    O parque da Redenção tem uma receita mensal, com os permissionários – parquinho, café do lago, etc – em torno de R$ 20 mil reais. Esse dinheiro vai para o fundo.
    No ano passado, por exemplo, foram R$ 232 mil reais pagos pelos permissionários. Desse total, foram investidos no parque R$ 152 mil. Os restantes 80 mil foram aplicados em outros parques.
    Das taxas pagas pelos 66 ambulantes (cerca de 140 reais cada um ) parte vai para o sindicato dos ambulantes e parte para a Smic. Nada retorna ao parque.
    O Conselho dos Usuários considera que o parque está recebendo menos do que precisa e por conta disso está sofrendo uma lenta deterioração em todas as suas instalações e áreas de lazer.
    O objetivo do movimento é provocar uma discussão que valorize o parque como a principal área de lazer da cidade.

  • SIMON DESTACA JULGAMENTO HISTÓRICO DESTA QUARTA FEIRA

    ANISTIA versus TORTURA
    SENADOR PEDRO SIMON DESTACA O JULGAMENTO HISTÓRICO
    DESTA QUARTA-FEIRA, 28, SOBRE A ANISTIA E A TORTURA
    Discurso na tribuna do Senado Federal – segunda-feira, 26/abr/2010
    Senhor Presidente,
    Senhoras Senadoras e Senhores Senadores:
    Em janeiro de 1975, a polícia política do Chile prendeu uma jovem médica pediatra de 24 anos.
    Eram tempos difíceis. As tropas do general Pinochet tinham derrubado o governo constitucional de Salvador Allende dois anos antes.
    No ano seguinte, o pai da jovem médica, um brigadeiro leal ao presidente deposto tinha sido preso e, ainda detido, morreu do coração, ao não resistir ao sofrimento de tantos camaradas.
    A jovem médica sobreviveu ao pai, à prisão e às torturas que lá sofreu, durante um ano, até se exilar na Austrália.
    Essa mesma jovem médica estudou mais, aperfeiçoou seus conhecimentos, e retornou ao Chile de Pinochet, o homem que levou seu pai à morte, e engajou-se na política, na luta pela democracia.
    Ela venceu. E tanto convenceu que, 31 anos após sua prisão e as torturas que sofreu, Michelle Bachelet, a jovem médica, tornou-se presidente do Chile por vontade soberana do povo chileno.
    Apesar de tanto sofrimento, tanta dor, Bachelet nos legou uma frase de profunda sabedoria, de elevado teor humanista: “Só as feridas lavadas cicatrizam”.
    Senhor Presidente,
    Senhoras Senadoras e Senhores Senadores:
    Na próxima quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal terá uma oportunidade de reconciliar o país com sua história, de ajustar a memória à verdade, de reafirmar a auto-estima de uma Nação que respeita seu passado sem medo de seu futuro.
    A Suprema Corte brasileira terá, enfim, a chance de lavar nossas feridas e permitir a cicatrização de uma chaga que ainda sangra, dói e machuca.
    Após dois anos, o STF julgará, enfim, a Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) número 153, proposta em outubro de 2008 pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
    O que pede a OAB é simples: que o STF interprete o Artigo 1° da Lei da Anistia, declarando, de forma clara e definitiva, que a Anistia não se aplica aos crimes comuns praticados por agentes da repressão durante o regime militar que manteve o país sob ditadura entre 1964 e 1985.
    Tortura, assassinato e desaparecimento forçado são crimes de lesa-humanidade, imprescritíveis, conforme tratados internacionais assinados pelo Brasil e nunca colocados em prática aqui dentro.
    São crimes que não podem, portanto, ser objeto de anistia ou auto-anistia.
    Não são crimes políticos e nem conexos, e assim não podem se nivelar às punições dadas a tantos brasileiros que, condenados às prisões ou ao exílio, acabaram beneficiados em 1979 pela Lei de Anistia que os abrigava.
    Lei nenhuma, porém, no Brasil ou no mundo, acolhe a tortura, ou a reconhece.
    O Brasil é o único país da América Latina que ainda não julgou criminalmente os homens que se excederam na ditadura, torturando e matando.
    Ao longo de 21 anos de regime autoritário, vicejou aqui um sistema repressivo estimado em 24 mil agentes que, por razões políticas, prendeu cerca de 50 mil brasileiros e torturou algo em torno de 20 mil pessoas – uma média de três torturas a cada dia de ditadura. Que não foi branda, nem curta, nem clemente.
    “Anistia não é amnésia”, disse o presidente da OAB, Cezar Britto, que apresentou a ação ao Supremo.
    Líderes de várias correntes políticas reconhece que tortura não é crime político.
    É muito pior do que isso: é um grave atentado à dignidade da pessoa humana, ontem, hoje e sempre. Torturadores e criminosos que atentaram contra a vida e a dignidade não são esquecidos em todos os lugares, em todos os tempos.
    É por isso que, até hoje, um ou outro criminoso de guerra nazista ainda é caçado e preso, embora tenha 80 ou 90 anos de vida. Não é pelo prazer da caça, mas pelo dever moral que a civilização tem de lembrar a todos que os seus crimes não se apagam, não se perdoam.
    O Tribunal de Nuremberg, no julgamento de criminosos da Segunda Guerra, ouviu 240 testemunhas em 285 dias de julgamento, gerando um sumário de 4 bilhões de palavras para uma acusação final de 25 mil páginas contra os 18 principais chefes do Reich nazista. Os juízes negaram o argumento da defesa que eles apenas “cumpriam ordens”.
    O juiz americano Francis Biddle fulminou esta tese com uma frase imortal: “Os indivíduos têm deveres internacionais a cumprir, acima dos deveres nacionais que um Estado particular possa impor”.
    Ficou assim encravado na consciência moral do mundo que todos nós somos responsáveis pelos atos que praticamos. Ninguém é inocente para “cumprir ordens” contra a lei, a moral, a ética e a verdade.
    Ninguém, neste país, tinha ordens para torturar. Nem mesmo o AI-5, a lei mais dura do período mais sangrento do regime de 64, mencionava ou liberava o uso da tortura. Os torturadores têm algo em comum: eles têm vergonha do que fizeram.
    É um crime, portanto, sem pai nem mãe.
    Anistia não é esquecimento, é perdão, ensinam os juristas que não escamoteiam as palavras. Não se pode esquecer o que não se conhece. Também não se pode perdoar o que não foi punido – privilégio imaculado de todos os torturadores que ainda existem no país.
    O nazismo não merecia a amnésia, muito menos a anistia.
    A tortura, também.
    Nossos vizinhos de Cone Sul, que padeceram ditaduras tão violentas como a nossa, acertam suas contas com o passado. A justiça argentina neste momento processa 263 militares e policiais por crimes contra direitos humanos.
    Na Argentina, os generais Jorge Rafael Videla e Reynaldo Bignone cumprem longas penas de prisão pelo regime de tortura que comandaram.
    No Uruguai, está preso o civil que deu o golpe em 1973, Juan Maria Bordaberry, e o presidente da ditadura, o general Gregório Alvarez, condenado, em 2009, a 25 anos de prisão pela morte de 37 opositores. São três mortes a menos do que os 40 presos políticos mortos durante os 40 meses que o DOI-CODI da rua Tutóia foi comandado pelo major Carlos Alberto Brilhante Ustra, no Governo Médici. Hoje coronel, na reserva, Brilhante Ustra não teve os percalços de vida de seus colegas argentinos e uruguaios. Vive bem, tranqüilo, aposentado, aqui mesmo em Brasília.
    O historiador americano Edward Peters, professor da Universidade da Pensilvânia, advertiu: “O futuro da tortura está indissoluvelmente ligado ao futuro dos torturadores”.
    No berço da tortura não punida nasceu a impunidade da violência não resolvido do Brasil, antes na ditadura, agora na democracia.
    Ou seja, a impunidade do torturador acaba garantindo a perenidade da tortura e de sua filha dileta, a violência.
    O Brasil que evita punir ou sequer apontar seus torturadores acaba banalizando a violência que transborda a ditadura e vitimiza o cidadão comum em plena democracia, principalmente nas duas maiores capitais, São Paulo e Rio.
    O esquecimento da história é o berço da impunidade. E a impunidade é ancestral da violência. Pais cuidadosos dos delinqüentes que puxam gatilhos, ou que arrastam inocentes pelas ruas, esfolados até a morte. O João Hélio, menino inocente, preso por um cinto que se diz de segurança, é, igualmente, vítima da impunidade de quem prendeu outros tantos nomes nos paus-de-araras, também em nome da segurança. Um, torturador, outro, torturado. Ambos, porém, inesquecíveis.
    A política silenciosa é cúmplice, portanto, da impunidade e de seus filhos diletos: a violência, a corrupção e a barbárie. É a construção de uma cultura, que vem de longe, desde quando se torturavam escravos e se dizimavam índios, e que chega aos nossos dias, contra quem ainda não conseguiu desbravar o “novo-oeste” da globalização e do mercado.
    Quem esquece a história é cúmplice nos mais de cinqüenta mil assassinatos, por ano, no Brasil. Quinhentos mil numa única década! É como se uma Niterói sumisse do nosso mapa, a cada dez anos. Vítimas dos descendentes da impunidade. E dos cúmplices, que se escondem sob o manto do silêncio.
    Nos 24 anos seguintes à anistia (1979-2003), armas de fogo mataram no Brasil 550 mil pessoas – 44% delas jovens entre 15 e 24 anos.
    Este Brasil varonil, pacífico e cordial, viu morrer quase tanta gente quanto os Estados Unidos durante os cinco anos que lutou na Segunda Guerra Mundial (625 mil soldados).
    Num único ano, 2003, segundo dados do Ministério da Saúde, assassinaram no Brasil uma população civil (51 mil pessoas) quase tão grande quanto as perdas dos Estados Unidos (58 mil) ao longo dos 16 anos da Guerra do Vietnã.
    Esta mesma impunidade, que nasce nos quartéis, sobrevive hoje, portanto, nas ruas.
    A tortura é verdade. A verdade sob tortura é mentira.
    Esconder da história a verdade é a maior de todas as mentiras. Ou cumplicidade, se repetida a mesma história. A história é, normalmente, contada pelos vencedores. Neste caso, pelos torturadores. Quem teima em esquecer essa história, é cúmplice dela. É protagonista, do mesmo lado.
    O esquecimento é uma forma de perdão. Mas, existem fatos que são imperdoáveis. Portanto inesquecíveis.
    Como perdoar, por exemplo, os autores do holocausto? Esquecendo o próprio holocausto? Negando-o, como querem alguns? Como negar as fileiras e os amontoados de corpos esquálidos nos campos de concentração nazista? Ou do genocídio de Sabra e Chatila? Como haver misericórdia em tiros? Ou em gás?
    É o esquecimento, artéria principal da impunidade, a razão principal da repetição.
    Punir os torturadores, de hoje e de ontem, não é revanchismo.
    É uma obrigação moral e ética de um país que deve olhar sem medo, para trás, para encarar sem receios o caminho que tem pela frente.
    Vamos lavar nossas feridas.
    Que isso comece nesta quarta-feira, pela histórica decisão que será dada pelo STF, acatando o pedido da OAB e os clamores de um país consciente de seu passado e confiante em seu futuro.
    Senador PEDRO SIMON – 26abril2010

  • ARENA DO GRÊMIO: PERGUNTAS SEM RESPOSTA

    Tania Jamardo Faillace*
    Projeto imobiliário, que vai mudar a fisionomia do Humaitá, importante bairro operário de Porto Alegre, foi apresentado em audiência pública. Apesar da grandiosidade da obra e suas consequências, muitas perguntas que seriam fundamentais para a discussão da proposta ainda não tem resposta.
    Chamam a atenção os seguintes dados da transação legal/fundiária:
    1. A obscuridade das transações e documentos legais, doações condicionadas, permutas, e a impossibilidade de se compreender quem, afinal, é proprietário da área.
    2. Quais as posições respectivas, nessa estória: do Governo do Estado, Federação dos Círculos Operários, Grêmio Football Portoalegrense, Grêmio Empreendimentos, e se há mais um agente chamado Empreendimento Arena do Grêmio ou assemelhado, e suas inter-relações.
    3. Há discrepâncias em relação às áreas, seriam 38 ha originalmente, lá pelas tantas alcançando os 66 ha, e também há discrepâncias em seus respectivos valores, havendo a determinar oficialmente quais as perdas do Estado nessas transações.
    4. Não se sabe porque razão um empreendimento turístico-esportivo foi considerado mais importante para a Zona Norte, do que as atividades educativo-pedagógicas de dois colégios, um deles com instalações de altíssima qualidade, inclusive em seu complexo esportivo, com um ginásio como poucas escolas em Porto Alegre dispõem..
    5. Ignora-se igualmente a razão pela qual a Federação dos Círculos Operários foi despejada do bairro Humaitá, dentro do coração da área industrial da RM, e com grande população da classe trabalhadora, para ganhar uma nova doação com o mesmo objetivo (criação da Universidade do Trabalho), na estrada Costa Gama, de população rarefeita.
    6. Não há clareza quanto a ter havido transações financeiras e de que valor (compra, venda, arrendamento, luvas) entre os atores do episódio.
    Chamam a atenção os seguintes pontos negativos no projeto em si:
    1. A perda de uma escola com a qualidade técnica e construtiva da Santo Inácio, e seu entorno ecologicamente preservado. Se o Círculo Operário tem que ser desalojado por inadimplência das condições contratuais e da doação condicionada, que a Secretaria de Educação do Estado assuma a escola em sua integralidade, parece-nos a medida mais adequada e favorecedora da população de Porto Alegre;
    2. A destruição do ambiente natural e da vegetação de grande e pequeno porte em quase sua totalidade, conforme ficou bem claro pelo EIA/RIMA apresentado (400 árvores adultas a serem erradicadas sem reposição, e 195 outras espécies a serem desalojadas e perdidas);
    3. A inadequação de um empreendimento de alto luxo como o conjunto Arena, em relação a um bairro como o Humaitá, ocupado predominantemente pela classe trabalhadora e pequena classe média, com atividades industriais ou de pequenos serviços – sabe-se que essas enxertias sociais e econômicas tendem a expulsar os moradores originais pela sobrevalorização fundiária e o aumento dos impostos;
    4. A alta taxa de impermeabilização do solo prevista, (1/3 da área a ser ocupado com um estacionamento para 6 mil automóveis) convidando a mais alagamentos e enchentes numa gleba de cota extremamente baixa, cercada por outras de cota negativa, inclusive um lixão aterrado, mas que ainda emite gases;
    5. O exagero das vagas de estacionamento incentivando o transporte individual paraagravar os problemas viários da Entrada da Cidade; conhecem-se os havidos com o Gigante da Beira Rio, e lá, trata-se apenas da comunicação com a zona Sul (área relativamente menos densificada da cidade), e, no caso presente, trata-se de todo o transporte da Região Metropolitana, inclusive o transporte de cargas e o interestadual;
    Há ausência ou insuficiência de infraestrutura nos aspectos:
    a) viário – não haveria escoamento para a população permanente e a população visitante previstas (jogos, eventos, hotelaria, shoppings, etc.), ainda mais considerando tratar-se da Entrada da Cidade, com grande tráfego da Região Metropolitana, transporte de cargas, e transporte interestadual;
    b) previsão de problemas graves de enchentes e alagamentos pela ausência de um sistema amplo e eficiente de drenagem de águas pluviais e do próprio lençol freático que empapa todo o terreno;
    c) esgotos – não há tratamento de esgotos para a população atual; na conclusão do conjunto Arena do Grêmio, haveria o acréscimo de cerca de 70 mil pessoas a essa população, entre residentes e flutuantes;
    d) coleta de lixo – não há estimativa do que representaria essa nova população em termos de produção de lixo.
    e) segurança pública – tampouco se conhecem as necessidades de efetivos e equipamentos de segurança pública num projeto de tal monta, acrescido a um bairro já com muitos problemas nesse setor.
    Em resumo, serão mais uns vinte mil residentes permanentes, de 30 a 40 mil como clientes dos shoppings e hotelaria e provavelmente mais de 70 mil em dias de eventos, que sobrecarregarão os serviços de água, luz, esgotos, e outros. Sem mencionar um estacionamento para 6 mil carros, que será um atrativo extra para a criminalidade sediada na região e nos municípios vizinhos, etc., etc.
    Tampouco há dinheiro para construir essa ilha da fantasia. O que equivale a dizer que esse dinheiro será buscado no mercado financeiro estatal (BRDE, BNDES, CEF) e no mercado dos investidores em geral.
    Certamente, não chegamos a mencionar a questão da segurança de vôo, embora se possa assinalar que o grupo emprendedor faltou com a verdade ao dizer que o projeto já tinha sido aprovado, com prédios de até 64m de altura. Não o foi, segundo informação do próprio V Comar, que é o órgão que disciplina a segurança aérea e ainda não recebeu o projeto definitivo para pronunciar-se em relação ao mesmo.
    Finalmente, sugerimos a visita à página.

  • Tarso diz a empresários que vai democratizar incentivos

    Na blitz pelas quatro maiores cidades do litoral norte do Rio Grande do Sul, ao longo da sexta-feira, o pré-candidato do PT, Tarso Genro, prometeu implantar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social para tomar decisões equilibradas e duradouras. “A concertação política é um método para compartilhar decisões e seus efeitos”, disse o ex-ministro da Justiça a 60 empresários de Osório no início da noite de sexta, dia 23.
    Viajando ao longo da sexta-feira por Torres, Capão da Canoa, Tramandaí e Osório, Tarso ouviu demandas de empresários e escutou queixas de políticos.
    As dez questões apresentadas pelo Centro Empresarial de Osório sintetizam os temores e dúvidas dos homens de negócios do litoral norte.
    Tarso desanuviou o ambiente ao afirmar que vai governar com incentivos fiscais, políticas de desoneração e medidas anticíclicas (como fez o governo federal diante da crise financeira mundial de 2008), sempre a partir de consensos construídos via CDES, Orçamento Participativo, Coredes e consultas por internet.
    “O governador não pode decidir a partir do consenso de um grupo de técnicos ou depois de uma conversa com meia dúzia de empresários representativos de setores muito específicos”, disse ele.
    Tarso disse que, para atrair investimentos, o Rio Grande precisa priorizar a melhoria da malha viária, qualificar as empresas tecnologicamente e adequar a mão-de-obra via investimentos em educação. Ele prometeu investir no conceito de tecnópole, no qual apostou quando prefeito de Porto Alegre. Ninguém lhe perguntou se aceitaria o investimento de uma indústria de carros (como a Ford, recusada por Olívio Dutra no único governo petista do Rio Grande do Sul no período 1999-2002), mas o candidato petista deu a volta por cima: “Ainda estamos na Revolução Industrial, mas temos de investir na indústria do futuro, ou seja, em chips”.
    Abaixo, os principais temas levantados pelos empresários do litoral norte e as respostas de Tarso Genro, que vai para a terceira disputa pelo governo do estado. Em 1990, quando era vice-prefeito de Porto Alegre, ele saiu candidato contra Nelson Marchesan, José Fogaça e Alceu Collares, vitorioso no segundo turno; em 2002, foi derrotado por Germano Rigotto, do PMDB.
    Gestão ambiental – a Fepam será reequipada para acelerar os licenciamentos ambientais. É preciso aumentar a capacidade de análise e de liberação de projetos. Para sanear áreas problemáticas ou encaminhar pendências históricas, será implantado no RS o modelo de concertação aplicado no Lago de Furnas, em Minas Gerais. O trabalho de recuperação ambiental só começou ali depois de uma ampla consulta popular em busca de um consenso.
    Invasões de terras – Além de cumprir as determinações da Justiça, o governo pretende se antecipar aos acontecimentos, “negociando antes”, para evitar prejuízos à sociedade. Tarso citou como exemplo os negociadores da Polícia Federal que entram nas zonas de conflito e trabalham em favor de um consenso político. É preciso evitar as “brigas de pobres”, ou seja, os confrontos entre sem-terras e brigadianos.
    Desenvolvimento empresarial – Além de usar incentivos fiscais para propiciar a implantação de projetos de interesse para o Estado, o candidato pretende colocar o Banrisul a financiar pequenas e médias empresas. Para ele, “o Banrisul está sendo subutilizado” nesse aspecto. “Não tenho preconceito contra grandes empresas”, disse ele, lembrando que diante de grandes projetos é preciso calcular os ônus e os benefícios.
    Relação com o governo federal – “Acho que a Dilma ganha, mas vou governar com ela ou com Serra”. Tarso gabou-se de ter boa relação com os tucanos, inclusive com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem almoçou em São Paulo há três meses, durante evento sobre a descriminalização do uso das drogas. “Nós temos pontos de vista comuns quanto a isso”.
    Segurança – Tarso ficou impressionado com os pronunciamentos da delegada Eliana de Capão da Canoa e do delegado Ferri de Osório. Ambos disseram que os investimentos federais em segurança estão criando uma situação assim: vão sobrar viaturas e faltar pessoas para dirigi-las. O atual efetivo da Polícia Civil do Rio Grande do Sul é inferior
    ao de 1980, quando a criminalidade era menor e menos violenta. “Quando terminar meu governo , espero ter livrado a Polícia Civil gaúcha da fama de ser uma das mais corruptas do Brasil”.
    Esporte e turismo – No litoral norte, cuja economia é marcada pela sazonalidade do turismo de verão, é preciso pensar no turismo ecológico e no turismo de negócios. Mais do que isso, porém, é preciso desenvolver “uma nova cultura regional”, para livrar os municípios da região da velha óptica excessivamente centrada na temporada de verão.
    O candidato prometeu atentar para a sugestão de um ativista esportivo segundo o qual a cada real investido no esporte, corresponde uma economia de sete reais em saúde/segurança.
    Atendendo ao questionamento de um cidadão que o chamou de “ministro” e “futuro governador”, Tarso Genro encerrou sua manifestação em Osório explicando o caso de Cesare Battisti, o italiano que se tornou pivô de um conflito entre o Brasil e a Itália.
    Condenado por quatro homicídios políticos em seu país de origem, Battisti permanece no Brasil, favorecido pela isenção do Supremo Tribunal Federal e por um despacho de Tarso como ministro da Justiça.
    Segundo Tarso, que estudou o caso minuciosamente para escrever seu parecer de 35 páginas, não há uma única prova de que Battisti tenha cometido os assassinatos de que é acusado. Além disso, o processo realizado na Itália está marcado de ponta a ponta pela disputa política típica da época do confronto entre terrorismo de direita e de esquerda. Condenado a dois anos de prisão por entrar clandestinamente no Brasil, Battisti aguarda a decisão do presidente Lula sobre seu direito de ficar ou não no Brasil como refugiado político. Segundo Tarso, o caso Battisti tomou tal envergadura por dois motivos: 1) o Supremo Tribunal Federal mudou de posição, abrindo mão do direito de decidir sobre o destino do cidadão italiano; 2) a mídia brasileira se aproveitou do tema para fazer “uma grande manipulação”.
    Para Tarso, independente de quem estiver governando, é preciso preservar o estatuto do refúgio político. “Sei disso porque fui refugiado político no Uruguai”.

  • Bolzan dá bolo em Tarso para dançar com Fogaça

    Geraldo Hasse, especial para o JÁ
    O presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan Jr., cancelou um encontro marcado no final da sexta-feira à tarde em Osório com o candidato petista Tarso Genro para poder participar de um evento do candidato do PMDB, José Fogaça, em Rio Grande. “Sou homem de partido”, justificou Bolzan, que preferia coligar-se com o PT mas cumpre a decisão da maioria do PDT de aliar-se ao PMDB.
    A disciplina partidária faz parte da história pessoal do prefeito de Osório. “Eu já votei no Marchesan”, diz ele, lembrando que já engoliu sapos graúdos em “bailes de cobras” (campanhas eleitorais) do passado.
    Para cumprir a agenda pemedebista em Rio Grande, onde houve uma visita ao porto, um encontro com empresários e uma entrevista coletiva, Bolzan viajou 800 quilômetros, só chegando em casa às quatro horas da manhã de sábado.
    Além de Denílson Silva, único vereador petista de Osório, o outro político presente ao encontro de Tarso com os empresários foi o vereador Luiz Ramos, do PDT.

  • Jornalista gaúcho vai coordenar imprensa da Copa

    O jornalista José Antonio Severo, gaúcho de Caçapava, será o coordenador de imprensa do Consorcio Copa 2014, orgão de assessoramento do Ministério do Esporte para organização da Copa do Mundo de 2014.
    Sua tarefa será montar a estrutura para recepcionar os 30 mil jornalistas esperados para cobrir o evento em junho daquele ano.

  • Obra de restauração está cortando árvores da praça

    O Projeto Monumenta em Porto Alegre, desenvolvido pelo Ministério da Cultura, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Unesco, visa supostamente a restituir o visual da Praça da Alfândega ao seu original, do início do século XX, quando não se sabia ainda da importância das árvores no projeto urbano das cidades.
    árvores tombam em nome da 'autenticidade'
    Para garantir esta discutível e dispensável “autenticidade”, o projeto cercou a praça (QUE SEMPRE FOI ABANDONADA PELA PREFEITURA) com um muro metálico de dois metros de altura e, assim escondido, dedicou-se a cortar sistematicamente mais de duas dezenas de árvores da praça, algumas centenárias.
    O barulho execrável e ininterrupto das moto-serras, por dias, e a saída regular de caminhões do espaço cercado e trancado, carregando troncos e mais troncos de largo diâmetro, assim como a vista de cima, dão uma idéia da insensata e escondida destruição que lá dentro acontece.
    Praça da Alfândega perde árvores com Monumenta
    Moro ao lado da praça e bem acima. Vejo com angústia crescente as clareiras se somarem em GRANDE VELOCIDADE, converso com os antigos frequentadores e transeuntes, artesãos e pequenos comerciantes ao redor, todos chocados e consternados com a velocidade e a extensão da destruição.
    TODAS as árvores (algumas com mais de 30 anos) de AMBOS OS LADOS da avenida Sepúlveda, entre o MARGS e o Memorial, foram serradas e destruídas (sequer removidas a outro lugar). Dentro da praça, igualmente, os tocos dos troncos e os buracos atestam a destruição SEM PRECEDENTES das árvores lá plantadas, na CONTRAMÃO DA HISTÓRIA DO URBANISMO, em incompatibilidade com a qualidade de vida e o paisagismo esclarecido do século XXI, numa atitude burra, irrresponsável e INJUSTIFICÁVEL!!!
    O Projeto Monumenta dá verbas para a “melhoria de praças e ruas” e eu gostaria de saber, o público desta cidade, os frequentadores desta praça TÊM O DIREITO de saber, em que este massacre insensato de árvores cuja copa garante ar puro e sombra versus a sujeira, a poluição e o calor massacrante do centro, aonde a palavra “MELHORIA” está prevista? Que melhoria é esta que destrói em grande escala a própria coisa que torna a praça um bem aos seus frequentadores. Ou eles acham que as pessoas lá vão pelos postes de luz? Pelo calçamento?
    Todas as cidades em locais mais instruídos dedicam-se a criar espaços verdes ou aumentar os existents. Nossa prefeitura as destrói agora sob a desculpa de que vai criar um ambiente mais autêntico. Mas, se formos exigir autenticidade mesmo, que inundem aquela área, que antes pertencia ao rio. Ou que refaçam o espaço como era na chegada dos açorianos. Por que achar que o arbitrário autêntico é aquele em que não havia uma gestão
    esclarecida do espaço da praça.
    Em alguns locais a praça lembra uma serraria
    Por que a prefeitura não torna o centro mais humano e seguro fazendo coisas óbvias e sensatas, como exigir que a pavimentação das calçadas permita que idosos e crianças possam andar sem tombar diariamente nos milhões de buracos das calçadas (só para citar um MELHORIA necessária e ignorada pela prefeitura que decide investir o dinheiro destinado à melhoria da praça nesta sanha destruidora imperdoável)???
    Conclamo as pessoas de bem, a mídia, aqueles com espírito responsável, aqueles com ética, bom-senso e espírito público, a protestarem e a interditarem este projeto insano que destrói um bem público necessário na suposta desculpa de recriar a estética arcaica e desnecessária às custas do bem-comum.

  • Câmara do Livro vai a Fortunati garantir praça para a Feira 2010

    A Câmara Riograndense do Livro está aguardando uma audiência com o prefeito José Fortunati para se manifestar publicamente sobre a questão da Praça da Alfândega.
    Segundo os coordenadores do projeto Monumenta, a praça não estará liberada em outubro quando acontecerá mais uma Feira do Livro de Porto Alegre, o principal evento cultural da cidade.
    “Vamos ver o que o prefeito nos diz, para depois tomar uma posição”, disse ao JÁ o presidente da CRL, João Carneiro.
    A Praça da Alfândega está incluída no projeto Monumenta, do Ministério da Cultura, para restauração do patrimônio histórico, e está em obras desde o ano passado.
    A Feira do Livro de 2009 já foi realizada com algumas áreas interditadas pelas obras que haviam começado e foram suspensas para a realização do evento.
    Agora, numa reunião na Secretaria da Cultura, na quinta-feira, 14/04, representantes do Monumenta informaram que não haverá condições de liberar a praça até outubro deste ano, quando deverá iniciar a 56a. ediçao da Feira do Livro.

  • Empresário defende aeroportos públicos

    Numa linha um tanto diferenciada de tudo o que foi dito no Forum da Liberdade, falou o empresário brasileiro-norteamericano David Neeleman, proprietário de quatro empresas de aviação, Jet Blue Airways e Morris Air (norteamericanas), e Westjet (canadense).
    Agora ele investe no Brasil com a empresa Tudo Azul, que pretende inovar em matéria de qualidade de aviões e serviços. Neeleman mostrou posicionamentos diferenciados quanto a dois assuntos: sua surpresa ao saber que as empresas de aviação brasileiras compram aviões lá fora, quando “os aviões da Embraer, afirmou ele, são os melhores do mundo em matéria de egurança, conforto e operação. Comprei 15 e pretendo ir até a 90 aeronaves, se tiver condições de alargar o mercado”.
    Outro tema que o distinguiu dos demais, foi sua afirmação de que os aeroportos comerciais devem ser sempre públicos. “Aeroportos não devem ter lucros, mas servirem às necessidades de transporte das pessoas. Aeroportos privados tendem a encarecer todos os serviços, os custeios das empresas e os preços das passagens.
    Há mais segurança para todos, empresas e passageiros, se o aeroporto for público”. Informou também que, nos Estados Unidos, a generalidade dos aeroportos é público, seja a nível federal, estadual ou municipal.
    Neeleman ainda não teve, certamente, a oportunidade de ser informado a respeito de alguns objetivos do ministro da Defesa, Nelson Jobim, com relação ao assunto. Nem com respeito às pressões de algumas empreiteiras em ação em Porto Alegre[2], para semear espigões na zona Norte, interferindo com a segurança de vôo.
    A opinião desse empresário, de tipo bastante jovial, é de que os aeroportos precisam ter grandes áreas de reserva para expansões futuras. Cercar fisicamente um aeroporto, diz ele, compromete o desenvolvimento econômico da região.