REABILITAÇÃO DO INDIVIDUALISMO E DA GANÂNCIA COMO VALORES MORAIS
5 mil participantes, a maioria com menos de 30 anos
Tania Jamardo Faillace[1]
O XXIII Forum da Liberdade, realizado nos dias 12 e 13 de abril, em Porto Alegre, no Centro de Convenções da PUC, trouxe algumas novidades.
Para principiar, teve como seu mote e pauta os seis princípios político-econômicos que balizam o ideário neoliberal, conforme foi concebido pelo economista austríaco Ludwig von Mises, falecido em 1973.
Esses seis princípios focalizam alguns temas-chaves do século XX, como a oposição capitalismo-socialismo, o que é a inflação, o intervencionismo estatal, a questão da liberdade individual, etc., aos quais Von Mises dá interpretação diferente das outras escolas econômicas.
No caso da inflação, por exemplo, considerada uma decisão arbitrária do Governo para aumentar a oferta de moeda circulante, ao invés de uma tentativa para resolver uma crise econômico-produtiva por via monetária.
Contrariamente ao rigorismo quase matemático que caracteriza normalmente a Ciência Econômica, seja qual for seu objetivo final no desenvolvimento das sociedades, o ideário de Von Mises é fundamentalmente subjetivo e psicológico, e é expresso numa linguagem coloquial, dentro da perspectiva do homem comum, a nível de suas percepções individuais imediatas, e não a nível de sua reflexão.
Não busca, pois, estabelecer as categorias econômicas ou sociais dentro de critérios históricos, sociológicos, ou científicos, recorrendo a alguma metodologia, mas se embasa nas impressões subjetivo-emocionais de um indivíduo isolado de seu contexto e de sua história.
Assim, um de seus seguidores, o jovem engenheiro Luiz Leonardo Fração, presidente do Instituto de Estudos Empresariais, define sua visão do que seria a liberdade absoluta: a propriedade absoluta do próprio corpo e a liberdade total para decidir suas ações.
Instado a definir o que seria a liberdade individual absoluta dentro de uma sociedade – Fração está convicto de que cada um vive sua liberdade absoluta como melhor lhe parece, sem dever satisfações a quem quer que seja, muito menos ao Estado e aos grupos sociais.
Essa liberdade absoluta coexistiria com a liberdade absoluta das outras pessoas, não sendo admitida a hipótese de que duas liberdades absolutas forçosamente se tornam relativas uma com referência à outra.
Esse ideário, que tem algumas afinidades com o anarquismo individualista do “é proibido proibir” da contracultura dos anos 70 – não implica em despreocupação com o mundo material, como era de praxe naquela época, mas, pelo contrário, assume como legítimas a luta pela riqueza e a concorrência econômica sem normas e sem fiscalização.
Conforme Eduardo Marty, argentino e fundador do Junior Achievement da Argentina, está em tempo de serem reabilitados moralmente os sentimentos de ganância e o individualismo, e aposentar de vez o altruísmo e o espírito de sacrifício que a cultura ocidental considera como valores maiores.
Esses neoliberais filosóficos pregam o egoísmo sem culpa, e rejeitam normas, regulamentos, leis, limitações. E, a nível de produção, rejeitam o planejamento econômico como regra, a proteção dos mercados, as taxas aduaneiras, e a fiscalização das práticas comerciais hoje consideradas desleais, como o dumping e assemelhados.
Para eles, o mercado sozinho controla tudo, podendo equalizar as discrepâncias entre os concorrentes, e, inclusive, reduzir o impacto dos cartéis e dos monopólios na economia geral. Tudo isso seria espontaneamente equilibrado pelo mercado. Isto é, o consumidor escolheria livremente os melhores produtos e os mais baratos, sem necessitar de proteção ou regras do Governo.
Na linguagem dos jovens neoliberais, o Governo, qualquer governo, é uma espécie de usurpador da liberdade dos indivíduos. E qualquer ingerência sua nos negócios das pessoas é considerada como uma prepotência e ameaça de tirania.
Dentro dessa doutrina, em sua interpretação jovem (os mais velhos são menos radicais), o Governo torna-se uma Categoria ao invés de uma Função. Coisa que, certamente, há de surpreender os sociólogos em geral. Assim, o Governo é uma categoria não só diferente, como antagônica à Sociedade na qual age, e essa Sociedade não é composta por grupos de interesses conflitantes, mas por indivíduos que defendem encarniçadamente sua liberdade individual e também sua propriedade individual.
São esses jovens, portanto, avessos tanto ao Governo como à organização estatal, e também aos serviços públicos. Fração diz textualmente: “por que seremos obrigados a aceitar serviços que não queremos? escolas que não queremos, por exemplo? ainda se tolera contribuir voluntariamente com aqueles que não podem, mas que essa contribuição seja obrigatória, seja um imposto, é um ROUBO.”
Para ilustrar esse pensamento, algumas dezenas de rapazes, moças e até adultos, contratados pela Vittapromo (empresa promotora de eventos) distribuiram aos presentes folhetos contra a cobrança dos impostos no Brasil, vestindo camisetas coloridas com os nomes dos impostos e taxas cobrados pelo poder público, desde Imposto de Renda, até IPVA, IPTU, e taxas de apoio a atividades estratégicas (marinha, aeroportos, etc.)
PROGRAMAÇÃO
As atividades em si constituiram-se em palestras de abertura e painéis, absolutamente simétricos, cada um correspondendo a uma das lições de Von Mises: Capitalismo, Socialismo, Inflação, Intervencionismo, Investimento Estrangeiro, Políticas e Idéias.
Como palestrantes, pessoas de destaque empresarial e político, em sua maioria da linha liberal tradicional; outros, adeptos da versão neoliberal, e apologistas do estado mínimo; e, finalmente membros de entidades que defendem a eliminação da função estatal, substituída talvez, por uma espécie de auto-controle e auto-governo espontâneos.
A abertura do evento foi feita pelo presidente mundial da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, um cidadão do mundo, de família líbano-brasileira, mas que fez sua vida na Europa, nos Estados Unidos, e no Japão, onde introduziu alterações profundas no sistema trabalhista e cultural daquele país, acabando – dentro da Nissan – com o emprego vitalício, e demitindo 20 mil operários de uma só vez para equilibrar as finanças da empresa. Ghosn afirmou seu gosto pelos desafios, e seu desejo de fazer fortuna pessoal como os grandes motores de sua trajetória profissional.
Os pronunciamentos mais diretos e objetivos, do ponto de vista de uma ação estratégica no macro campo econômico real, foram feitos pelos banqueiros Henrique Meirelles (Banco Central), e Pedro Moreira Salles (Itaú – private bank). O primeiro explicou a política monetária seguida pelo atual governo brasileiro e a razão de seu êxito; e Moreira Salles, também numa palestra expositiva e ilustrada, analisou a situação econômico-financeira do País, que considera muito positiva, e seus acertos, que impediram que o Brasil fosse contaminado pela crise, e hoje se tornasse referência de crescimento econômico no mundo.
Também falaram Armínio Fraga, sobre sua experiência no governo anterior; e alguns teóricos do “anarco-capitalismo”, como David Friedman (norteamericano), e Eduardo Marty (argentino), mencionado antes, além de Hélio Beltrão, Fundador do Instituto Mises Brasil, fundador do Conselho de Governança do Instituto Millenium, conselheiro do Grupo Ultra, e detentor de outros títulos e cargos.
Junto com o venezuelano Marcel Granier, Beltrão recebeu um prêmio destaque do IEE – Prêmio Libertas 2010. Dono de um discurso muito inflamado, mas sem fazer proposições concretas quanto às estratégias recomendadas contra o Governo, Beltrão parece considerar que todo o problema do mundo atual consiste em haver Governo e Estado. Não explicou, porém, o que propõe em troca. Já Granier, presidente da RCTV, que não teve renovado seu contrato de concessão pelo governo venezuelano, foi agraciado pelo Prêmio Liberdade de Imprensa 2010. Seu discurso foi um discurso moderado.
ELOGIOS A PINOCHET
Em relação à política mundial, as maiores e mais inflamadas críticas se dirigiram aos governos “populistas” da América Latina, com muitas acusações contra Chávez, chamado de tirano e ditador e outros adjetivos assemelhados, e um pouco menos a Evo Morales.
Assim, os anos Pinochet no Chile foram criticados por seus desmandos no campo dos direitos humanos, mas foram elogiados pela abertura total de sua economia ao capital estrangeiro. Essa análise da economia chilena desde os anos Pinochet até hoje, foi abordada em linhas gerais por Eliodoro Matte Larrain, presidente das Empresas CMPC (produtora de celulose), diretor do Banco Bice e do Bice Corp e da Mineradora Valparaíso. A CMPC, para quem ainda não sabe, possui, 2,2 milhões de ha em pinheiros e eucaliptos no Chile e comprou recentemente a Unidade Guaíba da Aracruz/Fibria.
Na área acadêmica, destacou-se no evento, o professor espanhol Fernando Navarrete, que é também economista do Banco de Espanha. Navarrete discorreu sobre os anos de estagnação da Espanha franquista, e os erros cometidos pelo governo socialista que se seguiu, até que, nos últimos anos, fosse assumido o modelo neoliberal em sua plenitude, com privatizações generalizadas e abertura total do mercado, o que foi facilitado pela União Européia. Hoje, aplaude ele, a Espanha conquista espaços internacionais e investe em países estrangeiros, como é o caso do Brasil (Telefonica, banco Santander e outros empreendimentos).
No quarto painel, surpreendeu a declaração de Arthur Badin (CADE) de que o petróleo brasileiro seria monopólio estatal, quando, – a partir do governo FHC, e os primeiros dos leilões da Petrobrás, – quase 60% de suas ações foram parar em mãos de petrolíferas estrangeiras, sendo que sua política econômica e de preços é determinada lá fora. Questionado posteriormente a esse respeito, Badin não contra-argumentou – parecia não se lembrar dos “contratos de risco” votados ao tempo de Ernesto Geisel, em 1974, mas só postos em prática do governo FHC em diante.
Do último painel, participaram o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Jorge Gerdau Johannpeter, e o ex-presidente venezuelano, Jorge Quiroga. Fernando Henrique fez um pronunciamento de linha histórico-sociológica, enfatizando a questão das liberdades democráticas, não apenas a liberdade individual, mas comentando que os maiores tiranos são os egressos das classes populares.
Johannpeter também enfatizou a liberdade (mote título do Forum) e os 23 anos de existência do mesmo, tendo participado dele outras vezes, enquanto Quiroga fez um discurso muito empolgado, de linguagem direta a favor também do neoliberalismo e das liberdades individuais, e acusando com muita veemência os “governos populistas” da América Latina e sua política de estatizações.
Curiosamente, nada foi comentado sobre os governos neoliberais que atentam contra as liberdades democráticas, como a Colômbia, o Peru e o Chile, com suas práticas anti-indigenistas.
Também a questão ambiental não foi tocada durante o evento, uma vez que todos advogaram o crescimento econômico ilimitado.
AEROPORTOS PÚBLICOS
Numa linha um tanto diferenciada, falou o empresário brasileiro-norteamericano David Neeleman, proprietário de quatro empresas de aviação, Jet Blue Airways e Morris Air (norteamericanas), e Westjet (canadense). Agora ele investe no Brasil com a empresa Tudo Azul, que pretende inovar em matéria de qualidade de aviões e serviços.
Neeleman mostrou posicionamentos diferenciados quanto a dois assuntos: sua surpresa ao saber que as empresas de aviação brasileiras compram aviões lá fora, quando “os aviões da Embraer, afirmou ele, são os melhores do mundo em matéria de egurança, conforto e operação. Comprei 15 e pretendo ir até a 90 aeronaves, se tiver condições de alargar o mercado”.
Outro tema que o distinguiu dos demais, foi sua afirmação de que os aeroportos comerciais devem ser sempre públicos. “Aeroportos não devem ter lucros, mas servirem às necessidades de transporte das pessoas.
Aeroportos privados tendem a encarecer todos os serviços, os custeios das empresas e os preços das passagens. Há mais segurança para todos, empresas e passageiros, se o aeroporto for público”. Informou também que, nos Estados Unidos, a generalidade dos aeroportos é público, seja a nível federal, estadual ou municipal.
Neeleman ainda não teve, certamente, a oportunidade de ser informado a respeito de alguns objetivos do ministro da Defesa, Nelson Jobim, com relação ao assunto. Nem com respeito às pressões de algumas empreiteiras em ação em Porto Alegre[2], para semear espigões na zona Norte, interferindo com a segurança de vôo.
A opinião desse empresário, de tipo bastante jovial, é de que os aeroportos precisam ter grandes áreas de reserva para expansões futuras. Cercar fisicamente um aeroporto, diz ele, compromete o desenvolvimento econômico da região.
Categoria: X.Categorias velhas
Forum da Liberdade 2010
Yeda diz que livro mudou sua maneira de ver a política
A governadora Yeda Crusius interrompeu sua agenda no início da noite de quinta-feira, 15/4, para ir até a Assembléia Legislativa buscar o autógrafo do psicanalista João Gomes Mariante, que estava autografando o livro “Três no Divã”, lançado por JÁ Editores..
A governadora leu uma primeira versão do texto há pouco tempo e ficou bastante impressionada. “Esse livro foi como uma luz, me fez ver a política e seus personagens de uma maneira diferente. Por causa desse livro, reabilitei o Flores da Cunha, que foi um grande governador e seu busto estava num depósito”, disse ela nas entrevistas que deu durante o evento.

Yeda revelou também que o autor do livro, de 92 anos, dos quais quase 60 dedicados à psicanálise, é um de seus conselheiros. “Este homem é uma lição de vida”, disse ela. “Ele é meu conselheiro. Quando tenho alguma decisão importante, difícil, eu sempre ouço o dr. Mariante”, revelou.
O dr. Mariante desconversou quando perguntado sobre suas relações com a governadora. “Sou admirador dela e conversamos às vezes, como amigos”, despistou. Deixou escapar, porém, uma “ponderação” que fez a Yeda numa das conversas que tiveram: “Eu disse que ela deveria colocar mais ternura nas palavras e atitudes, não se preocupar tanto em responder de imediato às críticas”.
Fortunati também pegou seu autógrafo

O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, também prestigiou o lançamento de “Três no Divã”, acompanhado da esposa, Regina. Encantado com a vitalidade do autor, o casal pegou seu autógrafo e confraternizou com os convidados, entre eles Ercy Thorma, presidente da Associação Riograndense de Imprensa, e notáveis da área médica, da Maçonaria e do Rotary.Obras na Praça da Alfândega ameaçam Feira do Livro
A praça da Alfândega não estará em condições de abrigar a Feira do Livro de Porto Alegre, em outubro deste ano.
A informação foi transmitida na manhã desta terça-feira, 13/4, pela coordenação do projeto Monumenta ao presidente da Câmara Riograndense do Livro, João Carneiro.
A praça está integrada ao projeto Monumenta, de resgate de espaços culturais, e está em obras desde o ano passado.
A notícia causou indignação na reunião que a Câmara do Livro promoveu à tarde, exatamente para discutir a feira deste ano.
Segundo Carneiro, na reunião pela manhã na Secretaria da Cultura, os representantes do Monumenta sugeriram que a feira este ano seja transferida para o Parque da Redenção ou para o cais do porto.
A diretoria da Câmara do Livro considerou uma “falta de respeito à história da Feira” e já solicitou uma audiência com o prefeito José Fortunatti para tratar do assunto.As razões inconscientes da política

Neste instigante ensaio “literário e filosófico”, o dr. João Gomes Mariante usa o bisturi da psicanálise para dissecar a política.
Serve-se de três dos maiores personagens da política brasileira, para identificar – por trás das atitudes destemidas, do discurso altissonante e, até, dos recuos e negaças – as motivações inconscientes da ação política.
Os líderes de uma situação revolucionária, que se resolve pelo recurso às armas, sempre carregam a culpa de um crime, diz o autor.
Podem mascarar a culpa dizendo que foi necessário matar em nome de algo maior. No seu íntimo, nada pode apagar que foi um crime. Mesmo o mais frio dos ditadores sente-se culpado.
Getúlio Vargas, Oswaldo Aranha e Flores da Cunha foram os vitoriosos de 1930. Tomaram o poder pelas armas, jogaram a vida para alcançar o poder.
Desafiaram a morte e não hesitaram quando foi necessário matar.
Tudo em nome do povo. Para melhorar a vida do povo – libertá-lo dos grilhões da pobreza, resgatá-lo para a vida republicana, dos direitos e oportunidades iguais.
Por trás dos bons propósitos, os ressentimentos, o medo, a frustração, a ambição desmedida . Tanto que para manter o poder (hoje se diria governabilidade) tiveram que implantar um regime de arbítrio, com mais crimes, mais culpa.
Em 1954, depois de ter caído e ter voltado “nos braços do povo”, Getúlio Vargas deu um tiro no coração. Quis matar os inimigos dentro de si mesmo.
Mas, ao contrário do que diz o senso comum, não foram os inimigos externos que o levaram à morte.
Foram os inimigos internos – os componentes que fizeram dele um homem retraído, melancólico, de tendências suicidas.
As circunstâncias dramáticas que se armaram em torno dele criaram as condições externas para o ato, que já estava gravado internamente.
Aranha e Flores de certa forma tentaram o mesmo ao se expor insanamente ao perigo, muitas vezes sem necessidade.
Eram temperamentos diferentes, extravasavam as pressões internas por outros mecanismos. Faltaram-lhes as circunstâncias para o gesto último.
Esses são os caminhos que o autor percorre na sua intenção de identificar os elementos inconscientes sempre presentes nas motivações dos homens que se entregam a política.
“Três no Divã”, de João Gomes Mariante, lançamento Já Editores dia 15 de abril na Assembléia Legisltativa do Rio Grande do Sul.Getulio, Flores e Oswaldo Aranha no divã da psicanálise

A JÁ Editores lança nesta quinta-feira às 19 horas na Assembléia Legislativa o livro “Três no Divã”, do psicanalista João Gomes Mariante.
A obra, segundo o autor, é um ensaio literário e filosófico que utiliza instrumentos da psicanálise para observar o mundo da política.
Mariante parte de três dos maiores nomes da política brasileira do século XX: Getulio Vargas, Oswaldo Aranha e Flores da Cunha.
“Eles surgiram na cena política nacional com a Revolução de 1930. Sua influência foi decisiva até, pelo menos, o golpe de 1964. Hoje ainda percebe-se a sua sombra no espectro político do país. Por isso ainda é importante entendê-los”, diz o autor.
Ele explica que procurou descobrir as motivações inconscientes nas ações política em que se envolveram os três líderes – “desde os embates armados nas escaramuças sulinas até os recuos e negaças inerentes à política palaciana”.
Não fica fora tampouco a questão do suicídio, ao qual Getúlio Vargas recorreu quando os inimigos o encurralaram e ao qual Aranha e Flores não eram insensíveis.
Quando enfrentaram de peito aberto o perigo, muitas vezes desnecessário, eles também manifestaram tendências suicidas.
O livro, da JÁ Editorees, tem 200 páginas e estará sendo autografado pelo autor na sessão de lançamento.
Imprensa e Psicanálise
João Gomes Mariante, psicanalista há mais de 60 anos, é um fiel seguidor de Sigmund Freud. Aos 92 anos de idade, permanece em intensa atividade intelectual.
Especialista em profilaxia do suicídio – que considera um autocrime –, é autor de mais de 40 artigos científicos e 200 conferências no Brasil e no exterior.
Era um garoto em 1930, quando Getúlio Vargas chegou à Presidência pela primeira vez. Serviu o Exército ao lado de Euclides Aranha Neto, filho de Oswaldo Aranha, ministro de Vargas. São amigos até hoje.
Trabalhou como jornalista na imprensa carioca. Em 1946, formou-se pela Faculdade Fluminense de Medicina, para então escolher a Psicanálise.
Tinha 36 anos quando Getúlio suicidou-se, em agosto de 1954.
Debruçou-se sobre o comportamento de Vargas com olhar profissional, procurando entender-lhe os processos mentais.
Identificou também em Oswaldo Aranha e em Flores da Cunha, outros dois líderes políticos da época, cada um a seu estilo, um certo destemor exacerbado, uma disposição a correr riscos desnecessários, um constante desafiar a morte.
Ao transformar o estudo psicanalítico destes personagens no livro “Três no Divã”, Mariante lança uma abordagem inédita na bibliografia nacional, uma obra literária e filosófica.
Nela, vai além da personalidade dos biografados, ao observar o psiquismo e as motivações de líderes políticos desde a antiguidade até os dias atuais.
“O propósito fundamental de Três no Divã é de, através
da psicologia profunda, que a psicanálise condensa,
interpretar os segredos do inconsciente de cada um.”
João Gomes Mariante é membro efetivo da Associação Internacional de Psicanálise, da Associação Brasileira de Psicanálise, da Associação de Psicologia e Psicoterapia de Grupos em Buenos Aires, e membro honorário da Academia Sul-Riograndense de Medicina e do Rotary Internacional.Associação quer democratização das verbas públicas
ALTERCOM
Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação
Carta de princípios
A ALTERCOM é uma entidade associativa de empresas e de empreendedores, de iniciativa individual ou coletiva. Nasce com o objetivo de representar e dar legitimidade aos setores da sociedade que lutam por uma comunicação democrática, E para defender a diversidade, pluralidade informativa e a liberdade de expressão para todos.
MISSÃO
Constituir-se em um canal democrático de interlocução que possibilite a defesa da liberdade de expressão e que contribua para a formação de uma cidadania crítica, atuante e participativa.
PRINCÍPIOS e Objetivos
1. Congregar os setores empresariais e os empreendedores que lutem pela liberdade de expressão e pensamento;
2. lutar pela produção de conteúdos que representem a diversidade da cultura brasileira;
3. Lutar por um marco regulatório que garanta A democratização da comunicação, em especial nas concessões públicas de rádio difusão e telecomunicações;
4. Lutar pela criação do Conselho nacional de Comunicação Social, com ampla participação da sociedade brasileira, conforme decisão da 1º conferência Nacional de comunicação (confecom);
5. Defender os princípios dos direitos humanos, principalmente o direito à comunicação, e garantir o direito à diversidade, combatendo qualquer forma de discriminação;
6. lutar por novos critérios que garantam a democratização da aplicação dos recursos de comunicação do estado brasileiro em seus três níveis, municipal, estadual e federal;
7. Apoiar a constituição de fundos de fomento para produtores de conteúdo;
8. Apoiar a realização periódica da CONFECOM.
9. Constituir uma rede de de compartilhamento de informações e conhecimento;
10. constituir-se em um espaço para formação e debates sobre comunicação;
11. Lutar pela universalização do acesso à internet via banda larga e contra qualquer tipo de restrição ao uso da internet.
10 de abril 2010General diz que não houve tortura
O jornalista Geneton Moraes Neto, é um gênio da raça. Da raça dos jornalistas. Sua empreitada atual é escarafunchar os subterrâneos da ditadura militar, ouvindo agora a voz sempre silenciosa de alguns de seus principais personagens: os generais.
No sábado (3/4), o Globonews Dossiê de Geneton entrevistou o general Leônidas Pires Gonçalves, ex-comandante do DOI-CODI do I Exército, no Rio de Janeiro, no período mais sangrento do governo Ernesto Geisel.
No sábado (10/4), será a vez do general Newton Cruz, o notório Comandante Militar do Planalto, que em 1984 chicoteava os carros na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, enquanto suas tropas cercavam o Congresso no momento em que o trator governista esmagava em plenário a emenda das Diretas Já.
Fantasias fardadas
O primeiro impacto foi bombástico: a entrevista de Leônidas, mais conhecido como o primeiro ministro do Exército pós-ditadura, o general nomeado por Tancredo Neves e que se tornou o principal cabo eleitoral e fiador da posse de José Sarney.
A primeira surpresa é que o entrevistado aparece não como o ministro da democracia, mas como o chefe da repressão da ditadura. Leônidas é identificado, na legenda, como “chefe do DOI-CODI, 1974-77”.
O general falou, com uma fluência inédita e uma sinceridade desconcertante, levantando temas que beiram à fantasia, a leviandade e a arrogância.
Desafiou qualquer um a dizer que foi torturado no DOI-CODI que ele comandou durante quase três anos, na fase mais turbulenta do governo Geisel. “Não houve tortura na minha área”, garantiu Leônidas.
Deve ser um milagre na Terra, porque no mesmo I Exército, comandado pelo general Sylvio Frota entre julho de 1972 e março de 1974, o DOI-CODI carioca era um centro de morte, conforme apurou O Globo.
Naquele espaço de 21 meses, contou o jornal, morreram 29 presos nas masmorras da Rua Barão de Mesquita, onde funcionava o centro de torturas do Exército, comandado pelo notório major Adyr Fiúza de Castro, um dos radicais mais temidos da ditadura.
Bastou chegar ali e assumir o DOI-CODI carioca, diz o general Leônidas, e a paz dos anjos se instalou.
Confessa que foi dele a idéia de subornar um ex-dirigente do PCdoB, Manoel Jover Telles, que revelou local, dia e hora da reunião do Comitê Central do partido, em dezembro de 1976, em São Paulo.
Leônidas diz que entregou uma quantia equivalente a R$ 150 mil à filha do delator, que depois ganhou um emprego na fábrica de armas Rossi, em São Leopoldo, onde hoje vive aposentado.
A operação de cerco foi montada pelo chefe do setor de operações do CIE (Centro de Informações do Exército), coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o criador e primeiro chefe do DOI-CODI paulista do II Exército, na Rua Tutóia.
Ustra comandou pessoalmente o ataque à casa do PCdoB, num tiroteio que prendeu dirigentes e matou três chefes do partido num entrevero sangrento conhecido como o “Massacre da Lapa”.
Por coincidência, o coronel Ustra chefiou a tropa de ataque do CIE no mesmo período – 1974-77 – em que o general Leônidas comandava o remanso de paz da Barão de Mesquita.
Entre outras fantasias, Leônidas continua acreditando que o jornalista Vladimir Herzog é apenas um “suicida assustado” pelo simples fato de ser convocado ao centro de torturas da Tutóia.
Efeitos desastrosos
O que não surpreende, nesta entrevista, é a competência do entrevistador, talvez o melhor perguntador da imprensa brasileira.
Aos 54 anos, Geneton Moraes Neto é um repórter discreto, persistente, talentoso e criativo, que tem o faro da notícia e uma habilidade invulgar para fazer as perguntas precisas para as pessoas certas nos momentos mais inesperados, jogando luz sobre a história e dissecando biografias com a precisão de um legista.
Entre uma e outra pauta na TV, Geneton ainda encontra tempo, método e talento para escrever. Já são nove livros, entre 1983 e 2007, que revelam o prazer visceral de um jornalista veterano que exibe o ardor de um repórter iniciante.
Ele mesmo se descreve, exibindo a diversidade de quem descobre temas e personagens de velhas histórias renascidas e recontadas com o viço de coisas novas, diferentes e inéditas. Escreve Geneton sobre seu fascínio pelo bom jornalismo e suas peripécias:
“É a melhor profissão para quem não consegue ser outra coisa na vida. [Tive] a chance de percorrer corredores da morte em prisões de segurança máxima americanas, ruínas de campos de concentração na Alemanha, além de entrevistar três astronautas que pisaram na Lua, duas sobreviventes do naufrágio do Titanic, o co-piloto do avião que jogou a bomba atômica sobre Hiroshima, o produtor de todos os discos dos Beatles, o assassino do líder negro Martin Luther King, o promotor britânico que comandou a condenação dos criminosos nazistas no Tribunal de Nuremberg, o agente secreto britânico que armou um atentado – frustrado – para matar Hitler, o golpista que engendrou o célebre assalto ao trem pagador inglês. Entre trancos e barrancos, o jornalismo pode valer a pena.”
E vale mais a pena quando vem pelo cálamo e pelo talento de Geneton, que consegue tornar simples uma dos mais complexos fundamentos do jornalismo: a arte de perguntar.
Uma pergunta bem formulada, precisa, cirúrgica, não deixa saída ao entrevistado, não permite fuga, não abre desvios. O bom repórter, antes da acuidade para ouvir, deve ter a competência para inquirir. E, neste campo, ninguém é melhor, mais certeiro, mais direto do que Geneton.
Seus livros e seus programas na TV valem por um curso completo de jornalismo.
Algo mais doura esta habilidade inata de Geneton.
Suas perguntas são objetivas, enxutas, minimalistas.
Sem arrogância, Geneton enfrentou o general Leônidas com perguntas precisas que iluminaram a história e conseguiram arrancar o melhor (e o pior) do chefe da repressão política que se orgulha de seu trabalho na ditadura.
Preocupado com a edição do programa na TV, Leônidas se apressou em ensinar jornalismo a Geneton: “Que minhas idéias não sejam suprimidas na edição. Se houver um corte, você me deixa mal”, avisou o general, esquecido de que o regime que ele defendeu se esmerava em cortes sistemáticos pela censura burra que suprimia idéia e fatos que sempre deixam mal as ditaduras.
Geneton não cortou, e ainda assim o general Leônidas ficou muito mal pelas idéias que exprimiu, livremente.
Sempre educado, mas incorrigivelmente firme, Geneton questionou a exótica versão do general de que líderes do regime deposto – como Arraes, Brizola, Jango, Prestes – saíram do Brasil, a partir de 1964, “porque quiseram”. Leônidas mirou no ex-governador Miguel Arraes:
– Ele podia ficar em casa.
– Deposto – emendou Geneton.
– E qual é o problema? – admirou-se o general.
– Todo – encerrou Geneton, com a sintética sabedoria que o general, aos 88 anos, ainda não apreendeu. – Não havia condições de exercer a política no Brasil, naquela época, general.
O ex-chefe do DOI-CODI desdenhou toda uma fase de arbítrio e violência, dizendo que o país não teve exilados pelo golpe de 1964, mas apenas ‘fugitivos’.
– Eles que ficassem aqui e enfrentassem a justiça – pregou Leônidas.
– General, num regime de exceção, a justiça não é confiável – replicou o repórter.Caso Eliseu: reportagem bota o dedo na ferida
Finalmente parece que a imprensa local se livrou da tutela da polícia na cobertura do asssassinato de Eliseu Santos, secretário municipal da Saúde em Porto Alegre.
A Zero Hora desta quarta feira, 7 de abril, bota o dedo na ferida.
Numa reportagem que mobilizou cinco dos seus melhores repórteres, o jornal levanta a história e os descaminhos da empresa de segurança Reação, cujo proprietário é acusado pelo MP de ser o mandante do crime.
O que impressiona é que, com todo o histórico de irregularidades e denúncias envolvendo a empresa, que motivaram até uma sessão da Câmara de Vereadores, a Reação e seu proprietário não tenham sido incluídos nas investigações da polícia.
Fora isso, impressiona também a série de fatos escabrosos que até agora não haviam merecido a devida atenção.
Por exemplo: em 2007, a Reação era uma das 15 empresas de segurança privada denunciadas pelo Conselho de Administração de Defesa da Economia (CADE) pela formação de cartel.
As empresas combinavam os preços para disputar as licitações junto ao setor público – municipal, estadual e federal! – e isso foi provado inclusive por gravações, num processo de 18 mil páginas. As empresas foram multadas em R$ 42 milhões!
A Polícia Federal imediatamente rompeu o contrato que tinha com a Reação, para segurança de sua sede em Porto Alegre. Mas a prefeitura manteve os dois contratos, que só foram rompidos no ano passado, quando estouraram as denúncias de propina.
Propina
Nesses três anos (2007, 2008, 2009) a prefeitura pagou R$ 9,5 milhões à Reação . O contrato foi renovado apesar de pareceres jurídicos contrários.
Em seu depoimento na Câmara, em maio do ano passado, Jorge Renato de Mello, o proprietário da Reação (ou que se apresentava como proprietário, porque não está clara a situação societária da empresa) disse coisas espantosas.
Em primeiro lugar confirmou o pagamento de propina. Disse que sofria atrasos nos pagamentos, mas depois que passou a pagar suborno (R$ 10 mil inicialmente) recebia antes de qualquer credor!
Mais: que a firma que venceu a concorrência na qual a Reação perdeu o contrato apresentou documentos adulterados!
Em síntese: independente do desfecho do Caso Eliseu, está aberto o caminho para a CPI na Câmara Municipal e o que surpreende é que a base aliada tenha conseguido evitá-la até agora, dada a gravidade dos fatos.Campanha na internet pode mudar projeto da Fase
Foi adiada para a sexta-feira, 16 de abril, a votação do projeto de descentralização dos serviços da Fase (Fundação de Atendimento Socio-educativo) na Comissão de Constituição e Justiça, da Assembléia.
O projeto, que já tem parecer favorável do relator, seria votado na manhã desta terça, 6, mas um dos integrantes da comissão, Ciro Simoni (PDT), pediu vistas ao processo.
O projeto, oriundo da Secretaria de Justiça, prevê a construção de nove unidades menores em diferentes pontos da região metropolitana, para descentralizar o atendimento hoje centralizado na avenida Padre Cacique, onde a Fase mantém cerca de quinhentos menores infratores.
A polêmica em torno do projeto vem crescendo porque o caminho proposto pelo governo para construir as nove unidades descentralizadas prevê uma permuta pelo terreno onde hoje está a Fase.
É um terreno de quase 74 hectares, numa das zonas mais nobres da capital, na Orla do Guaiba, parcialmente coberto por mata nativa.
Pelo projeto, o terreno seria, mediante licitação, transferido para uma empresa privada, que se encarregaria, em troca, de construir as nove unidades.
Denúncias na internet começaram a se avolumar no início de março, quando surgiu a informação de que o governo do Estado proibira a divulgação de um estudo da Fundação Zoobotânica, com um inventário ambiental da área.
“O terreno conta com diversas espécies protegidas, tem nascentes, é um verdadeiro patrimônio ambiental, que o governo vem sumariamente proibindo os funcionários de divulgar”, escreveu em seu blog a jornalista Cris Rodrigues.
“Há que se considerar que é a área mais procurada em POA pelos empreendimentos imobiliários atualmente. Fica na rota da Copa do Mundo de 2014, na frente do Beira-Rio, no caminho pra Zona Sul, perto do BarraShoppingSul, de frente para o Guaíba. É difícil encontrar características mais cobiçadas em um terreno”, diz a jornalista.
A partir daí a campanha envolveu associações comunitárias e entidades ambientalistas. Constatou-se inclusive que o índice construtivo naquela região passou de 1,0 para 1,9, na recente reforma do Plano Diretor, o que permite praticamente dobrar o volume a ser construído no terreno em questão.
Esta semana, o material que circula na internet chegou ao Palácio Piratini.
Entre as denúncias está a de que a principal candidata ao terreno é a empresa Maiojama, dos controladores da RBS, que já contaria com a boa vontade do governo.
Na edição desta terça-feira, o jornal Zero Hora, que tem defendido o projeto, registrou que a “Nova Fase é alvo de desconfiança”. A matéria cita um manifesto “de entidades” com assinaturas entregue aos deputados.
No início da tarde, uma extensa matéria na edição on line de ZH (reproduzida na edição impressa do dia seguinte) apresentava entrevistas com diversos “especialistas” defendendo o projeto e pedindo urgência na sua aprovação.
Depois de passar pela Comissão de Constituição e Justiça, o projeto poderá ter seu mérito discutido em outras comissões ou ir para votação em plenário. Até agora não surgiu questionamento à descentralização dos serviços da Fase. As críticas todas se referem à permuta do terreno.Crescimento de Yeda surpreende desavisados
Os índices de avaliação do governo Yeda na pesquisa do DataFolha são de acender luzes amarelas nas hostes fogacistas (e tarcistas, por que não?)
É só olhar o gráfico (ZH, 5/4/10, p.6). Ruim e péssimo caiu de 50% para 42% em três meses. Regular se manteve nos 35%, mas bom e ótimo cresceu 10 pontos de 12% para 22%.
Considere-se que a governadora esteve sob pressão extrema em 2009. Muitos consideravam que não chegaria ao fim. Em dezembro ainda era um governo acuado.
Operação Rodin (à que não faltou um cadáver), compra da casa com evidências de caixa dois, a delação de Lair Ferst, o diálogo Busato-Feijó, o pedido de impeachment, a CPI da Corrupção.
Por algum momento a oposição – ou pelo menos os setores mais exaltados –acreditaram que poderiam emparedá-la.
São muitos os fatores que evitaram o desfecho, inclusive uma blindagem da imprensa. O certo é que o “Fora Yeda” não se materializou, os processos se arrastam, as decisões que saíram são favoráveis…
“Coragem de fazer”
Encanzinada nas denúncias de corrupção, a oposição não deu importância ao discurso que o governo foi plantando – da eficiência, do déficit zero, da “coragem para fazer”.
O governo era errático, mas o discurso fazia sentido, até pela falta de crítica. O caixa reforçado por arrecadações excepcionais faz o resto.
Até agora Yeda não fugiu da escrita. Todos os governadores, desde que voltou a eleição direta, assumiram com a prioridade de equilibrar as contas, corroídas por um déficit crônico.
Corte de gastos, reforma da máquina pública para que pudesse fazer mais com menos, tem sido a receita comum.
Alceu Collares cortou o cafezinho nas repartições. Pedro Simon suportou 97 dias de greve para não ceder aos professores.
Todos, ao final, cederam e chegou a um ponto em que foi necessário um novo ingrediente na receita: um aumento de impostos, sem o qual o Estado seria “ingovernável”.
Yeda Crusius e Olívio Dutra foram os únicos que não conseguiram apoio político para aumentar o imposto estadual (ICMS).
Mas ela teve o que nenhum dos antecessores teve: quatro safras agrícolas sem quebras, sendo uma excepcional e outra muito boa em termos de volume e preços.
Só em 2008, Yeda obteve R$ 3, 2 bilhões de acréscimo no ICMS. É mais do que pretendia para três anos, com o projeto de aumento de impostos apresentado no início do governo.
O custos de uma política de cortes para eliminar o déficit é de difícil avaliação.
Reiterada a vários governo, ela é a causa de a Polícia Civil ter quatro mil homens a menos. Assim é na Brigada Militar, assim é na Saúde, assim é nas escolas, assim é nas áreas de controle.
Mas governo pode fazer média com as corporações dos funcionários, dando generoso aumento às vésperas da campanha, para afagar um milhão de votos.
Até agora, essa estratégia fracassou. Desde a volta das eleições diretas para governador, nenhum conseguiu fazer seu sucessor ou reeleger-se no Rio Grande do Sul.
A diferença de Yeda é que ela sofreu todos os desgastes um ano antes da eleição, tem dinheiro em caixa e um discurso que a oposição ainda não conseguiu combater eficazmente.




