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  • MC Donalds POA acusado de discriminar travestis

    O grupo pela livre expressão sexual chamado Nuances denunciou a rede Mc Donalds ao Ministério Público por discriminação contra travestis, por incidente ocorrido na loja da rua Silva Só, na madrugada de 21 de março.
    Na ocasião, as travestis Soledad (argentina que estava em visita ao Brasil), Jéssica e a amiga Jade Gabrielli estavam numa mesa lanchando, quando jovens clientes que estavam na mesa ao lado começaram a fazer piadas ofensivas, claramente dirigidas a elas em voz alta.
    As travestis começaram a se sentir incomodadas, pois outros clientes e até funcionários riam da situação. O rapaz da mesa ao lado proferia palavras com “veado”, “traveco”. O segurança do Mac Donalds viu tudo e nada fez. Os jovens continuavam a zombar, o que fez com que Soledad pedisse para eles que parassem com as ofensas. Vendo que a situação não iria mudar, Soledad pegou uma chicara de café e jogou sobre o jovem que mais ofensas fazia às travestis.
    O rapaz disse ” o que é isto seu p…”, em seguida foi em direção a Soledad. Neste momento o segurança da loja tomou partido e segurou Soledad, enquanto o rapaz lhe desferiu socos no rosto.
    O segurança da loja tratava os jovens agressores pelos nomes, o que demonstra que conhecia os mesmos. Os jovens foram embora sem que o segurança nada fizesse.
    Jade interviu com o segurança que quando viu que Jade era mulher mudou o tratamento. Soledad, com o nariz quebrado e sangrando insistiu para falar com a gerência, o que não foi possivel.
    Os funcionários continuavam a rir da situação. Soledad insistiu em falar com a direção, e o segurança agarrou-a e jogou-a para fora dizendo que a gerente não ia falar com ela. Elas ligaram para um advogado enquanto três seguranças do lado de fora ficavam rindo delas.
    Veio a Brigada Militar que a levou ao DML, logo após registraram um Boletim de Ocorrência. O sargento que atendou a ocorrência chama-se Evandro.
    O Ministério Público enviou cópia da ocorrência para a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia.

  • Kenny Braga lança 2ª edição do “Rolo Compressor”

    Revisada e ampliada, uma segunda edição do livro “Rolo Compressor – Memória de um Time Fabuloso” está chegando às livrarias de todo o Estado.

    O livro, do jornalista Kenny Braga, resgata um dos mitos do futebol gaúcho – aquele que ficou na história como o “Rolo Compressor”, de goleadas e craques inesquecíveis.
    Nena, o “Parada 18”, Ávila, o “King Kong”, Tesourinha, comparável a Garrincha, Carlitos, o homem gol… e muitos outros cuja memória passa de geração em geração entre os colorados, estão no livro de corpo inteiro.
    Na forma de uma grande reportagem, o livro tem ao fundo a Porto Alegre dos anos conturbados de 1940 em diante, anos da Segunda Guerra, que produziu tensões na cidade, onde os imigrantes alemães eram numerosos e influentes.
    Para marcar o lançamento da segunda edição, até 24 de abril estará aberta, no térreo do Mercado Público,  uma exposição com fotos que ilustram o livro.
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  • Viúva confirma gravação que pode elucidar morte de Cavalcante

    Por Lucas Azevedo
    Especial para o JÁ
    A empresária Magda Cunha Koenigkan, viúva do ex-representante do governo gaúcho em Brasília, Marcelo Cavalcante, reafirmou sua disposição de revelar tudo o que sabe para ajudar a polícia a desvendar a morte do marido.
    A entrevista exclusiva da empresária, publicada pelo Jornal JÁ nesta quinta-feira, 16, repercutiu em todo o país. Um dos pontos que mais chamou atenção foi a revelação de Magda sobre uma gravação na qual Cavalcante aparece conversando com uma pessoa, não identificada, que participou da campanha para o Piratini em 2006.
    Na conversa gravada, o ex-representante do governo gaúcho se mostra surpreso ao saber que parte do dinheiro arrecadado para a campanha tomou outro fim. “Foi aí que tudo começou”, segundo Magda.
    Nas diversas entrevistas que deu sexta-feira, ela confirmou ter visto a gravação várias vezes, mas que não tem mais acesso a ela. Cavalcante, talvez por precaução, havia deixado o material com um amigo, que teria devolvido pouco antes de sua morte. Magda não sabe onde foi parar.
    Magda desmentiu a declaração do comerciante Marcos Cavalcante de que ela seria ré em processos na Justiça do Distrito Federal. Ela afirma que seu nome é citado apenas como autora num processo de separação, de seu casamento anterior. “Meu ex-cunhado está sendo leviano nas suas informações, pois não sou ré em nenhum processo. Ele não me preocupa, pois era com quem Marcelo não conversava há quase dois anos, e o que menos conhecia sua vida profissional.”
    Magda, que é diretora-geral da revista de análise política Sras&Srs, se disse preocupada com a repercussão que suas declarações estão tomando em Brasília. “Fui pega de supetão nessa história. Me sinto como se um copo de vinho tivesse caído sobre mim e manchado minha roupa. Não pude me defender nem do copo, nem do vinho.”
    Em entrevista ao programa Espaço Aberto, da Rádio Guaíba, veiculada na tarde dessa sexta-feira (17), a empresária revelou que tem procurado a polícia em Brasília para saber do andamento do inquérito, mas não tem obtido resposta.
    Na 10ª. Delegacia, em Brasília, a expectativa é de após o feriado de Tiradentes, haja manifestação da Justiça em relação ao pedido do Aélio Caracelli, que quer mais prazo para concluir as investigações.

  • Beneficiários do Bolsa Família no RS terão acesso a microcrédito

    Por Carlos Matsubara
    Costureira da capital será a primeira a receber o benefício
    Uma costureira residente no Morro Santa Teresa em Porto Alegre será a primeira beneficiária do Bolsa Família a receber recursos do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO) no Rio Grande do Sul.
    Na segunda-feira (20/04) ela assina contrato com a PortoSol, única instituição de microcrédito habilitada pelo programa no Estado. O empréstimo servirá para aquisição de tecidos e outras matérias-primas para seu negócio.
    A iniciativa é uma parceria do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE) com Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e 16 Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs).
    O diretor-executivo da Portosol, Cristiano Mross, salienta que diversas pesquisas apontam que o empreendedor de baixa renda quando beneficiado regularmente por linhas de microcrédito obtém um crescimento importante em sua renda familiar. “O relacionamento entre os microempreendedores e as instituições de microcrédito, por meio da atuação qualificada de agentes de crédito, pode contribuir para a gestão e resultados dos microempreendimentos”, afirma.
    De acordo com Mross, o objetivo da iniciativa é apoiar beneficiários do Bolsa Família que já desenvolvem ou queiram desenvolver alguma atividade produtiva para complementar a renda familiar. Com a nova linha de microcrédito, a meta da Portosol é realizar 1.142 operações até o final de 2010 com valores entre 150 a 600 reais para aquisição, sobretudo, de máquinas, equipamentos, mercadorias e matérias-primas.
    12 Estados serão contemplados
    O Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado a beneficiários do Bolsa Família selecionou, em edital de concurso, 16 instituições para a primeira etapa.
    Presentes, em sua maioria na Região Nordeste, a previsão é atender um público distribuído em 227 municípios do país e a meta é chegar, até o final do ano, à concessão de 20 mil operações para esse projeto. Ao todo, serão 12 os Estados contemplados: Alagoas, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe.
    A coordenação do Programa e o MDS identificaram que, nos municípios atendidos pelas organizações de microcrédito habilitadas à pasta do emprego, existem mais de um milhão de pessoas que trabalham por conta própria.
    Além de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul o programa atenderá mais 18 municípios da Região Metropolitana, Vale do Rio dos Sinos e Litoral Norte.

  • Mais de 100 mil alvoradenses visitaram Feira do Peixe e do Chocolate


    A feira, que aconteceu entre 07 e 11 de abril na Praça Central João Goulart, contou com estrutura de 1.100m², que abrigou nove bancas de peixe industrializado, quatro de lanches, quatro de chocolate artesanal, uma de peixe vivo, uma de cocada e 10 de artesanato.
    Durante os cinco dias, foram comercializados 11.300 kg de peixe vivo e 59.000 kg de industrializado, 4.900 kg de chocolate e 1.320 itens de artesanato.
    GM – Sempre presente nos eventos realizados pela Prefeitura de Alvorada, a Guarda Municipal, ligada à Secretaria de Mobilidade e Segurança Urbana atuou na Feira, tendo encaminhado apenas uma ocorrência à Delegacia de Polícia.

  • Febre amarela mata seis na pequeníssima Piraju

    Por Carina Paccola | De São Paulo, especial para o JÁ
    Longe dos holofotes da mídia, na pequena cidade de Piraju, no vale do rio Paranapanema, a febre amarela silvestre matou seis pessoas em apenas seis dias. Já são 10 no estado este ano. Outros dois casos suspeitos ainda estão esperando resultado de exames para confirmação.
    Com a morte de uma moça de 20 anos em Botucatu na quinta-feira (dia 9), estão confirmadas 10 mortes por febre amarela de um total de 23 casos da doença no Estado de São Paulo entre março e abril deste ano. O número de mortes é cinco vezes maior do que as ocorridas em 2008 pela doença, em todo o Estado – foram duas, segundo dados do Ministério da Saúde. Todos os casos são de febre amarela silvestre, conforme informações oficiais. O índice de letalidade está em mais de 40%.
    Os números podem crescer nos próximos dias, quando forem divulgados os resultados dos exames que podem comprovar se os irmãos Saulo e Gustavo do Val, de Piraju (cidade a 314 quilômetros da Capital), também foram vítimas da febre amarela. A Secretaria Municipal de Saúde contesta os atestados de óbito dos irmãos do Val porque eles não estão acompanhados dos resultados dos exames.
    Com 29 mil habitantes e cortada pelo Rio Paranapanema, Piraju registra até agora o maior número de óbitos por febre amarela: são seis, sem contar os irmãos do Val. Se eles entrarem na conta, são oito mortes, em dez dias, e com um índice de mais de 60% de letalidade. As outras quatro mortes no Estado ocorreram em Sarutaiá, Itatinga, Buri e Botucatu. Essas regiões agora são consideradas áreas de risco, e está sendo recomendada a vacina para quem viaja para esses locais.
    Histórias das vítimas
    A primeira vítima fatal no interior paulista este ano foi Márcia Maria, de Sarutaiá, cidade vizinha a Piraju. A confirmação veio do hospital da Unesp em Rubião, na região de Botucatu, onde ela estava internada. “Era sexta-feira, 13, e a notícia caiu como uma bomba porque nunca tivemos a doença na cidade”, diz o diretor de saúde do município, Osmar Soares Freschi. Outras cinco pessoas que tiveram a doença em Sarutaiá se recuperaram.
    Conforme informações de Freschi, foi montada uma força-tarefa na cidade para com auxílio da Vigilância Epidemiológica de Botucatu e equipes de São Paulo, Botucatu, Avaré e Piraju. Às 8h da segunda-feira, dia 16, teve início a vacinação de casa em casa. O trabalho, até às 22h, se repetiu até sexta-feira. “Aplicamos 4.100 doses da vacina na cidade e na zona rural. Como o IBGE aponta uma população de 3.789, consideramos que todos foram vacinados”, diz Freschi.
    O vírus da febre amarela pode estar circulando na região há bem mais tempo. A Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) do Estado investiga se uma morte ocorrida em setembro de 2008, também em Piraju, pode ter sido de febre amarela.
    No dia 23 de março, morreu a primeira vítima em Piraju, o pedreiro Flávio Teles, de 47 anos. Ele sentiu os primeiros sintomas no domingo de Carnaval, 22 de fevereiro. A coordenadora da Vigilância Epidemiológica da cidade, Neide Maria Silvestre, considera que este caso fugiu às regras. “Foi um período longo até o óbito, levando-se em conta que a febre amarela é uma doença aguda e súbita”, explica.
    Conforme conta a dona-de-casa Rita Batista de Souza, que vivia com Teles havia 14 anos, naquele domingo ele amanheceu passando mal, com dor de cabeça. “No hospital, foi medicado com remédio para sinusite”, conta. Depois disso, foram dias de uma via-sacra de casa para o posto de saúde e o hospital, com febre, vômito e dores. “Ele passava um período internado, era medicado com soro, voltava para casa e só piorava. Ele emagreceu muito, se acabou”, diz.
    A última internação de Teles foi no dia 17 de março, uma terça-feira. Nesse mesmo dia, o filho dele, Flávio Teles Júnior, de 14 anos, começou a sentir febre. Ele seria a segunda vítima fatal da doença. Rita lembra que foi difícil ter que socorrer o pai e o filho, que era seu enteado. “Quando o menino chegou da escola na hora do almoço, ele reclamou de febre. Eu disse a ele: ‘Eu vou internar seu pai e já volto pra cuidar de você’. Quando eu voltei, ele já estava com dor de cabeça. Chamei a ambulância e o levei também para o hospital. Lá ele tomou soro e recebeu alta”.
    Na quarta, 18, com a piora do estado do rapaz, o médico que já estava cuidando do pedreiro solicitou exames de Flávio Teles Júnior e o transferiu para o hospital da Unesp em Botucatu. “Antes, o médico não pensava que meu marido estava com febre amarela por causa do tempo que ele estava doente. O pior foi que contaram para ele que seu filho também estava mal. Ele ficou muito nervoso”, fala Rita.
    Na quinta, o pai também foi transferido para Botucatu e, naquela noite, entrou em coma. Na sexta, dia 20, a Vigilância Epidemiológica de Piraju recebeu a confirmação de que Teles estava com febre amarela. No dia seguinte, começou a campanha de vacinação na cidade.
    Flávio Teles pai morreu na segunda-feira, dia 23. O filho dele quatro dias depois, em 27 de março. Segundo Rita, o marido costumava andar pela mata na região, fazendo serviços gerais, e o menino o acompanhava. “Sinto muita falta dele. Eu sonho com ele, mas no sonho ele está forte; a doença acabou com ele”, diz Rita. Agora, ela vive sozinha com a neta do marido, Maria de Fátima, de oito anos. “A guarda da menina é nossa”, diz. Rita agora vai ter de trabalhar. A família mora na Vila São Pedro, um dos bairros mais pobres de Piraju.
    Doença não conhece idade
    No número 12 da rua Sebastião do Val, mora Dona Francisca dos Santos, de 87 anos, que perdeu a filha Rosana, de 42 anos, no dia 29 de março. “Ela começou a reclamar de dor na perna e de frio. Ela sentia muito calafrio. Foi internada num domingo, mandaram pra Rubião e ela morreu no outro domingo”, lembra a mãe. Dona Francisca agora mora com seu outro filho, de 56 anos, e os três netos, deixados por Rosana: duas moças, de 26 e 19 anos, e um adolescente, de 13.
    “Rosana era uma moça muito trabalhadeira, era minha companheira. A gente trabalhava na colheita de café”, diz dona Francisca. A suspeita é que a moça tenha sido picada pelo mosquito da febre amarela numa mata onde costumava buscar banana e milho. Foi na companhia de Rosana que a vizinha dos fundos, Jovina de Souza, de 30 anos, entrou na mata para catar bananas no final da sua gravidez.
    Jovina conta que na véspera de dar à luz sentiu dor de cabeça e estava com febre. O bebê, Evelyn Gabrieli, nasceu de parto normal no dia 16 de março e as duas logo receberam alta. Dois dias depois, por volta das 22 horas, Jovina e o bebê voltaram à Santa Casa de Piraju porque a menina estava com 39 graus de febre. “A Rosana foi junto e ficamos lá até 1h30. O médico receitou Tylenol”, lembra Jovina. No dia seguinte pela manhã, ela levou a filha ao Posto de Saúde porque a menina continuava com febre. “O médico do posto mandou internar eu e a menina porque nós duas estávamos com febre”.
    Durante cinco dias de internação, Jovina foi melhorando e a filha só piorava. “Ela até parou de mamar. Aí mandaram a gente pra internar em Rubião com suspeita de febre amarela”. Evelyn Gabrieli morreu dia 28, com 12 dias de vida. Jovina ainda esperou mais quatro dias até receber alta.
    Jovina ainda sente dor de cabeça e precisa fazer repouso. Toda semana tem de voltar ao hospital em Rubião para fazer exames. “Minha cabeça está um balaio. O pai dela ainda não sabe (da morte da filha) porque ele está preso perto de São Paulo. “Vou mandar uma carta pra contar. Vai ser um baque”, diz Jovina, que também é mãe de Everson, de oito anos.
    Ela trabalha na roça. Parou de trabalhar três meses antes de ter o bebê. “Eu era muito amiga da Rosana. Sou madrinha de uma filha dela. Agora eu perdi uma amiga e minha filha. A gente andava muito pro meio do mato pra catar milho, banana. A médica diz que eu posso ter passado febre amarela pro bebê pela placenta”, afirma.
    Na fazenda onde Jovina e Rosana iam catar milho morreram no dia 27 de março o administrador José Antônio de Freitas, de 51 anos, e outro funcionário de nome Flávio.
    Vacinação em massa
    Segundo a Vigilância Epidemiológica de Piraju, 98,07% da população já estão vacinados. “Assim que eu recebi a confirmação de Botucatu de que tínhamos uma vítima de febre amarela na cidade, no dia 20, eu convoquei por telefone os funcionários da Saúde e montamos as equipes que começaram a trabalhar no sábado. No primeiro final de semana, vacinamos mais de 13 mil pessoas”, conta a coordenadora da Vigilância, Neide Maria Silvestre.
    Até agora houve 11 casos confirmados da doença em Piraju, onde a doença parece estar sob controle, como diz Neide. Para montar o esquema de vacinação no município, foi preciso utilizar o estoque de vacinas da região. “Piraju não era área de risco, então esta vacina não fazia parte do nosso calendário. E nós ainda continuamos vacinando”.
    Segundo ela, a notícia a deixou assustada. “Tinha dúvida se a população iria responder ao chamado, mas a todo mundo se vacinou e fizemos mutirão de limpeza, retirada de lixo, orientação e nebulização pelo pessoal da Sucen”, conta.
    A nebulização é importante para eliminar os focos do Aedes Aegypitm, que é o vetor da febre amarela na área urbana, que está erradicada no Brasil desde 1942. Na área silvestre, o vetor é o mosquito Haemagogus. A Secretaria do Estado da Saúde informa que todos os casos da doença no Estado são do tipo silvestre. Para chegar a essa informação, a Vigilância Epidemiológica estuda caso a caso.
    Segundo Neide Silvestre, a investigação epidemiológica tem dois focos: o doente e o mosquito. “Fazemos um levantamento de todos os passos do doente até 15 dias antes dos primeiros sintomas. Em todos os casos até agora, as vítimas tinham ligação com a mata”, diz. Na investigação do mosquito, o trabalho é feito com a Sucen, Ministério da Saúde. “Até agora tudo indica que seja febre amarela silvestre, de mato”.
    Foco desconhecido
    De acordo com a Vigilância de Piraju, toda a área de mata da região foi investigada e não foi encontrado nenhum macaco morto, nem doente e nenhuma carcaça do animal, o que é muito diferente do habitual.
    O professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo Almério de Castro Gomes, médico especializado em doenças transmitidas por vetores, explica que o hospedeiro definitivo do vírus é o mosquito e não o macaco. Segundo ele, o vírus nasce no mosquito. Com a picada no macaco, há a multiplicação do vírus que vai infectar outros mosquitos. “O vírus existe em outros vetores na mata, mas o principal deles é o Haemagogus que é o que transmite para o homem”, afirma.
    De acordo com o professor, no Brasil não existe mosquito que faça a ponte entre o campo e a cidade, uma vez que o Haemagogus só vive no mato e o Aedes aegipty só na cidade. “Mas existem mosquitos candidatos e é preciso que as autoridades de saúde estejam atentas, monitorando esses vetores”, diz.
    Castro Gomes cita o Aedes albopictus que na Ásia faz esse elo de ligação entre as áreas silvestres e urbanas. No Brasil, este vetor já está presente em 23 estados. “Ele vive mais na periferia que são áreas mais arborizadas e é preciso monitorá-lo para não sermos surpreendidos”, afirma. Com relação à propagação geográfica da febre amarela, Castro Gomes afirma que não se sabe ainda como é o mecanismo de expansão do vírus.
    Segundo o pesquisador, o surgimento de eventos da doença ocorre num período de cinco a dez anos, conforme a suscetibilidade da população. “A febre amarela tem uma taxa altíssima de letalidade, de 60%, por isso a vacinação deve ser prioridade para a saúde pública. A doença também deixa seqüelas e tem conseqüências econômicas. Um evento urbano de febre amarela tem forte repercussão internacional, por isso é preciso muita atenção das autoridades de saúde”.
    Fora das estatísticas
    As mortes dos irmãos Saulo e Gustavo do Val ainda não entram nas estatísticas oficiais da febre amarela. A Secretaria do Estado da Saúde está investigando os casos, à espera dos resultados de exames. O comerciante Saulo, de 34 anos, morreu no dia 29 de março, no Hospital Misericórdia, em Botucatu. O advogado Gustavo, de 30 anos, morreu cinco dias depois, em 3 de abril, na Santa Casa de São Carlos.
    A família do Val não tem dúvidas de que os dois são vítimas da febre amarela. Falta esclarecer, no entanto, se a doença foi causada pela vacina ou pela picada do mosquito. A vacina contra febre amarela seria contra-indicada para ambos por serem portadores de uma doença auto-imune.
    Segundo a coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Piraju, Neide Silvestre, o serviço de saúde do município teria negado as vacinas aos irmãos. “Num primeiro momento nós recusamos a vacina, mas eles voltaram com autorização do médico deles, por telefone”, disse, em entrevista.
    A família contesta a informação. Segundo a esposa de Saulo, a professora de música Kelly Cristina de Oliveira do Val, 33 anos, ela e o marido foram ao Posto de Saúde da Vila Cantizani no primeiro dia de vacinação, em 21 de março, por volta das 11 horas para tomar a vacina. “Havia um cartaz escrito à mão com orientação sobre as contra-indicações da vacina. Como ele tomava corticóide, fui conversar com a enfermeira-chefe que disse que achava melhor ele não se vacinar. Então eu disse a ele para consultarmos antes o médico”, conta Kelly.
    Enquanto Kelly perguntava à enfermeira qual seria a conseqüência se ele tomasse, Saulo foi se encaminhando para a fila da vacina. “Ela me explicou que ele poderia ficar depressivo e quando olhei para o lado ele já estava sendo vacinado”, afirma. Ela conta que, na segunda-feira, dia 23, ele sentiu-se mal e teve dor de cabeça. “Liguei para o médico dele, um endocrinologista de Botucatu, para marcar consulta, mas ele disse que não havia horário e era para consultarmos um clínico geral em Piraju mesmo. E me disse que eu estava apavorada à toa, que a vacina não traria problema”.
    O clínico geral pediu exames de cálcio, potássio e urina que apontaram resultado normal. O médico disse que era uma “gripinha” e receitou antibiótico caso a febre persistisse. Na quinta-feira, Saulo estava com 40 graus de febre. Na sexta-feira, foi internado por volta das 17 horas para tomar soro e vitamina. À noite o médico pediu exames de sangue que ficaram prontos no sábado por volta das 11h e outros só às 16h. “As enzimas hepáticas estavam a mais de mil, quando o normal é até 35”.
    Kelly conta que depois do almoço de sábado o marido já estava com os dedos dos pés e das mãos arroxeados. “Não havia médico no hospital, e um enfermeiro o transferiu para a UTI. Começamos então pedir que ele fosse transferido para Botucatu, o que só aconteceu por volta das 18 horas. Aí então o clínico geral disse que o quadro havia evoluído para o que havíamos previsto. Ele disse que não havia mais o que fazer”.
    Uma das irmãs de Saulo, a cardiologista Valquíria do Val Roso, que mora em São Bernardo do Campo, afirma que ele foi transferido de forma inadequada para Botucatu. “Na situação em que o fígado dele estava, era preciso imobilizá-lo; e até então ele não havia recebido nada no hospital que fosse específico para suspeita de febre amarela, como plasma e plaquetas. Já havia casos na cidade, era preciso que a Vigilância enviasse um infectologista que ficasse de plantão na cidade para esses casos”, afirma.
    Em Botucatu, Saulo passou a receber tratamento adequado, mas o quadro só foi piorando. Teve os rins paralisados, o pulmão comprometido e as enzimas hepáticas foram a mais de 12 mil. Teve parada cardíaca às 18 horas no domingo, 29. O atestado que aponta a febre amarela como causa do óbito foi assinado por seu médico particular Antônio Carlos Carneiro. A Secretaria de Saúde de Piraju contesta o laudo. “Ele estava internado fazia mais de 24 horas, foi atendido por um infectologista da Unesp e o quadro evoluiu como febre amarela”, diz Valquíria, a irmã.
    O irmão caçula da família do Val tomou a vacina contra a febre amarela na quinta-feira, 26, antes da morte de Saulo. O fato de Saulo ter uma plantação de eucalipto levantava a suspeita de que poderia ter sido picado pelo mosquito Haemagogus na mata. “O Gustavo tentou falar com o médico dele em São Paulo, mas não conseguiu e resolveu tomar a vacina”, conta a cunhada Kelly.
    Gustavo foi a outro Posto de Saúde, o Postão, junto com sua mãe, dona Ondina. Ela conta que ninguém perguntou nada sobre se eles tomavam algum tipo de medicação. Gustavo, que não freqüentava nenhuma mata, começou a se queixar de dor de cabeça e dor de ouvido durante o velório do irmão, na segunda-feira, dia 30. Ajudou a carregar o caixão do irmão e prometeu à cunhada que ajudaria a cuidar das filhas de Saulo, Letícia, de 4 anos, e Maria Fernanda, de 2.
    Na terça, ele já estava com febre de 40 graus. “À noite ele me telefonou e pediu para que eu o levasse de Piraju”, conta Valquíria. Ela, então, telefonou para o irmão mais velho, Nestor do Val Neto, que também é médico e trabalha em São Carlos. “Decidimos então levá-lo para São Carlos onde ele poderia ser melhor atendido”, conta Valquíria.
    Por volta das 2h30 da madrugada de quarta-feira, deixaram Piraju dona Ondina, Gustavo e seus irmãos Regina e João. “Chegamos por volta das 6h. Antes das 8h ele já estava sendo internado”, conta a mãe. O quadro de saúde foi se agravando, mesmo com plaquetas, plasma e diálise. “A evolução foi muito rápida. Na quinta de manhãzinha ele já estava com insuficiência respiratória. Só foi piorando”, conta Valquíria. Na sexta-feira, Gustavo morreu por volta das 17 horas.
    Desta vez o atestado foi assinado por Valquíria, uma vez que o hospital só forneceria o documento que atestasse a morte “por causas desconhecidas”. O hospital também se recusou a fazer biópsia do fígado do irmão. “Nós insistimos muito. Meu irmão Neto até se dispôs a fazer a biópsia, mas a direção do hospital disse que deveríamos procurar o SVO (Serviço de Verificação de Óbito) que fica em Ribeirão Preto. Eu não podia fazer isso com minha mãe, que tinha acabado de enterrar um filho”, explica Valquíria.
    A doença
    Doença febril aguda, com característica hemorrágica. Compromete o fígado, dá icterícia (por isso a cor amarelada). A definição é da médica infectologista responsável pelo Ambulatório de Viajantes do Hospital das Clínicas de São Paulo, Tânia Chaves.
    Segundo ela, cerca de 40% a 60% das pessoas são imunes ao vírus da febre amarela, ou seja, podem ter a doença e passar despercebido, sem nenhum sintoma; 30% podem ter a doença de forma moderada, com febre, dor de cabeça, dor no corpo, mal estar e vômito; e 10% vão desenvolver a doença de forma greve. Pode chegar a 60% de letalidade.
    A vacina é contra indicada para criança menor de seis meses; grávidas; pacientes em tratamento quimioterápico e com rádio; quem tem imunodeficiênia adquirida ou congênita, quem tem histórico de alergia a algum componente da vacina.

  • Polícia quer mais tempo para investigar morte de Marcelo Cavalcante

    Por Lucas Azevedo |  Especial para o JÁ
    Na sexta 17, faz dois meses que o corpo do ex-representante do governo gaúcho em Brasília, Marcelo Cavalcante, foi encontrado boiando no Lago Paranoá, próximo à Ponte Juscelino Kubitschek – e o inquérito instaurado pela 10ª Delegacia de Polícia da Capital Federal não chegou a nenhuma conclusão. Mais: há cerca de um mês a sindicância tramita na Justiça à espera de autorização para mais 60 dias de investigações.

    No entanto, a viúva de Cavalcante, a empresária Magda Cunha Koenigkan, diz ter material importante para esclarecer a morte do ex-marido. Ela diz saber de detalhes obtidos em conversas com Cavalcante que explicariam as pressões que ele vinha sofrendo meses antes de morrer. Para isso, Magda contratou um renomado advogado de Brasília para auxiliá-la.
    “Posso repetir o que o Marcelo dizia, e são coisas muito pesadas. Ele era totalmente pressionado e não estava de acordo com a administração do Sul. De repente, ele aparece boiando. Tive que contratar um bom advogado para descobrir a causa, já que nem eu nem a polícia de Brasília somos capazes disso.”
    O conteúdo dessas conversas poderia causar danos ao governo gaúcho, já que Cavalcante era “peça importante” na ascensão ao Piratini e na primeira parte do governo de Yeda Crusius. Magda reafirmou o encontro entre o ex-marido e a governadora, no final do ano passado, no qual foi feito o convite ao ex-assessor voltar ao time. Cavalcante foi afastado do governo em junho de 2008, após a revelação de uma conversa telefônica onde ele intermediava uma reunião do lobista Lair Ferst na Secretaria estadual da Fazenda.
    “Vem fazer parte da equipe. Você tem que voltar. Você faz parte da minha equipe e é uma peça importante para a gente”, teria dito Yeda a Cavalcante, segundo Magda.
    A viúva ressalta que nos últimos três meses de vida, Cavalcante se mostrava muito apreensivo e recebia ligações no início da manhã, as quais preferia atender no banheiro, longe dela. O ex-assessor tratava o seu interlocutor com reverência, “sempre com um ‘sim senhor’ e ‘não senhor’”, lembra.
    Magda também confirmou existir uma gravação na qual Cavalcante aparece em uma conversa com alguém que participou da campanha para o Piratini em 2006. Na conversa, o ex-representante do governo se mostra estarrecido ao descobrir que parte do dinheiro arrecadado para a campanha tomou outro fim. “Foi aí que tudo começou. Essa gravação dele, que mostra coisa não legais. Eu já vi várias vezes. O Marcelo me dizia: ‘Se for pro ar, eu tô ferrado. O governo cai no outro dia!’ Era a peça importante pro governo.”
    Cavalcante revelou a Magda que não se tratava de irregularidade, mas algo “fora da normalidade” da campanha política. O material teria sido gravado pelo interlocutor, que integraria a campanha, e entregue a Cavalcante tempos depois. Magda disse não saber identificar quem está com Cavalcante. “Não é negociação. É ele falando estarrecido do dinheiro que eles conseguiram e que foi colocado para outro fundo. Ele ficou muito abatido com aquilo.”
    A empresária salientou não ter mais acesso a essa gravação, que estava em posse de um amigo do ex-marido. O fiel depositário da prova informou a ela que devolveu o material ao ex-assessor meses antes de sua morte.
    “Tudo o que eu tiver em mãos será revelado. Não existe a hipótese de eu ficar calada. Quero saber a causa da morte de Marcelo. Tem que averiguar o que ele falava em casa para que as partes competentes avaliem o que tem por trás disso”, afirmou.
    Brigas de família
    A visita que Magda recebeu do empresário Lair Ferst, em 18 de fevereiro, após o enterro de Marcelo Cavalcante, e o conteúdo das mensagens que o ex-marido enviou a ela no dia de sua morte gerou o rompimento da ligação da viúva com a família do ex-marido.
    Segundo o comerciante Marcos Cavalcante, irmão de Marcelo, a família teria tentando ajudar se soubesse que ele havia ameaçado tirar a própria vida. “A gente tinha dado um jeito de colar nele e não deixar que acontecesse isso.” Já conforme Antônio Cavalcante, pai do ex-assessor, após o encontro com Ferst, Magda teria mudado o conteúdo dos seus comentários sobre a morte do filho.
    Magda nega. “Todos nós achamos que o Marcelo não era capaz de tirar a própria vida. É natural que ele (Antônio) pense qualquer coisa. Mas não sei de onde ele tirou essa idéia sobre a visita do Lair”, afirmou.
    Marcos defende o pai e prefere desqualificar a ex-cunhada. Ele utiliza o fato de Magda ser ré em alguns processos na Justiça de Brasília.
    Walna, Marcelo e a assessora lobista
    Marcelo Cavalcante e a misteriosa assessora toda-poderosa Walna Villarins Meneses formavam em Brasília, entre 2002 e 2006, o gabinete da então deputada federal Yeda Crusius. Com o lançamento da candidatura ao Piratini, Yeda manteve o seu núcleo de trabalho, incorporando a ele mais funções e poder.
    Atual responsável pela Coordenação de Ações Administrativas do Gabinete da Governadora, Walna, que é citada em investigação da Polícia Federal na Operação Solidária, viaja freqüentemente a Brasília. No final do ano passado, Walna voltou à Capital Federal, quando esteve com Cavalcante. “Em novembro ou dezembro eles tiveram encontros. Mas não sei se foi sobre política”, lembra Magda.
    Próxima ao ex-representante do governo, talvez a assessora possa ter o que acrescentar no inquérito que apura a morte suspeita, já que tem amplo trânsito no governo gaúcho, tanto em solo rio-grandense como brasiliense. Walna voltou a Brasília no dia 17 de fevereiro, quando o corpo do ex-assessor foi encontrado.
    Por outro lado, Magda revela que o ex-marido tinha “pavor” de uma certa assessora de Yeda. “Ele se arrepiava quando falava dela. Não falava com ela de jeito nenhum. Não entrava no carro da governadora com ela junto. Ele dizia que ela fazia lobby.” A assessora em questão seria a jornalista Sandra Terra.
    Mais uma vez Lair
    Um personagem que pode ter trazido novos elementos à investigação é o empresário Lair Ferst. Ele prestou depoimento em 23 de março à polícia de Brasília. Ele e Cavalcante atuaram juntos na campanha para governador do Estado e se conheciam desde a década de 1990, quando trabalharam no gabinete do então deputado Nelson Marchezan (PSDB).
    Magda afirma que nos últimos meses o contato entre os dois ex-colegas diminuiu. Ela ressaltou que a mulher de Ferst, a ex-miss Brasil Deise Nunes, era quem mantinha mais conversas com Cavalcante.

  • A tarefa finda

    Por Wanderley Soares
    Nesta altura dos acontecimentos, os membros do Tribunal Militar do Estado devem homenagear o poetinha Vinicius e declamar: “Que não seja imortal, posto que é chama/ Mas que seja infinito enquanto dure.”
    A encaminhada extinção do Tribunal Militar do Estado que, da minha torre, sempre considerei e considero como o Tribunal da Brigada Militar, propo-sição do Tribunal de Justiça à Assembléia Legislativa, é, virtualmente, um fato irreversível. No entanto, a cúpula da corte brigadiana deverá usar do direito da plenitude do seu direito de espernear junto, ao Legislativo gaú-cho, na tentativa de obstaculizar uma decisão que tem o apoio de mais de 80% dos magistrados. Para os conselheiros que freqüentam o recanto deste humilde marquês, tenho dito que a missão do Tribunal da Brigada foi bem realizada, mas de há muito deveria ser dada como finda. Além do alto custo em relação aos acanhados serviços que presta, há paradigmas em sua estru-tura que são heréticos para o menor dos conhecedores das ciências sociais e jurídicas. Por exemplo: o atual presidente deste tribunal, ao ser eleito, ainda não tinha sido contemplado com o diploma de bacharel em direito. Sigam-me.
    Rebenque
    Embora a extinção do Tribunal da Brigada venha a causar alguns traumas pessoais e/ou profissionais, não se trata de um ineditismo. Uma rápida o-lhada na história do judiciário brasileiro e isso fica perfeitamente esclareci-do. Recentemente, no RS, durante a gestão (1996-1998) na presidência do Tribunal de Justiça do ilustrado desembargador Adroaldo Furtado Fabrício, de personalidade blindada, foi extinto pelo Órgão Especial, por 13×12, o Tribunal de Alçada, do qual ainda existem viúvas. O presidente atual do TJ/RS, Armínio da Rosa, ingressa na história com uma vitória de rebenque erguido, pois 23 dos 25 desembargadores do Órgão Especial votaram pela extinção da corte brigadiana.
    Efetivo
    Dependendo do diálogo do Executivo com o Legislativo, a Brigada Militar, em breve, deverá contar com mais 800 profissionais que poderão entrar em serviço imediatamente. Trata-se do retorno ao serviço de PMs reservistas largamente experientes e nada barrigudinhos. Amanhã, inclusive, às 14h, grande parte desses PMS deverá estar na frente do Piratini. Nesta hora, a governadora Yeda Crusius irá se pronunciar sobre a decisão no Salão Ne-grinho do Pastoreio, quando deverá estar presente o comandante-geral da Brigada Militar, coronel João Carlos Trindade Lopes.
    Cigarro
    Quatro homens armados roubaram uma carga com pacotes de cigarros na vila Vargas em Esteio. Eles fizeram o motorista da caminhonete refém e o liberaram meia hora depois.
    Banco
    Dois homens armados assaltaram uma agência bancária no Centro de Ben-jamin Constante do Sul, no Norte do estado. Os clientes que lá estavam ti-veram o seu dinheiro roubado. A dupla usou uma motocicleta roubada momentos antes na RS- 480.
    Execução
    O proprietário de um bar foi executado, ontem, no bairro Belém Velho, zo-na Sul da Capital. Testemunhas relataram à Brigada Militar que três ho-mens em um veículo Apolo, de cor prata, chegaram ao local e dispararam contra Everaldo Peixoto Pereira. A polícia trabalha com as hipóteses de assalto, ou acerto de contas. A mulher da vítima, Sueli de Santos Pereira foi baleada no pé esquerdo.

  • PERFIL – João Pancinha: mandato voltado ao Plano Diretor

    Por Marcelo Gigante Ortiz


    Foto: Bruno Todeschini
    Porto-alegrense, 47 anos, casado, pai de 2 filhos, tem formação em Engenharia Civil e pós-graduação em edificações. Tais informações são suficientes para fazer uma apresentação formal do novo vereador da capital João Pancinha (PMDB). Porém, é pouco para descrever o homem João Antônio Pancinha Costa, que tem em sua trajetória de vida ligada ao Rotary Club de Porto Alegre e ao Sport Club Internacional. Eleito com 3.242 votos, o peemedebista direcionará seu mandato a propor melhoras no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (PDDUA) de Porto Alegre.
    Para isso, o vereador fez questão de participar da Comissão da Câmara que revisa o PDDUA, na qual ele integra a 5ª Temática, Proteção e Preservação do Patrimônio Cultural e Natural da Cidade. Entre as alterações necessárias, Pancinha destaca a necessidade de um plano específico para a Orla do Guaíba e um que trate da maré viária. “Eu, que sou ligado à área da engenharia, estou muito preocupado com o assunto”, conta o vereador, que também demonstra inquietação por causa das famílias que moram em áreas irregulares.
    É na própria família que o engenheiro, que gosta de usar roupa social e ler a Revista Isto É, busca o exemplo para a sua atuação como profissional e político. “Eu procuro seguir muito a linha da minha família, a minha família é uma referência, meu pai é uma referência”, conta o vereador, que seguiu a mesma profissão do seu progenitor.
    Casado com Rose Costa há 23 anos e pai de Thiago, 19, e Lucas, 14, Pancinha escolheu para os filhos o mesmo colégio em que estudou durante boa parte de seu período escolar. A escolha: La Salle Dores. O motivo: “é uma escola voltada mais à família, à responsabilidade, ao cuidado com o próximo”, justifica.
    A preocupação com o próximo e o desejo de praticar o bem levou o agora vereador a ingressar no Rotary Club de Porto Alegre, uma organização de líderes empresariais e profissionais que prestam serviços humanitários. Sócio há cerca de 15 anos, Pancinha já foi duas vezes presidente, além de secretário e governador-assistente.
    O que o peemedebista também praticou bastante nos últimos quatro anos foi o diálogo com as comunidades de Porto Alegre. Isso porque, de 2005 a 2008, Pancinha trabalhou como Coordenador da Assessoria Comunitária do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP). Neste período, o DEP realizou uma das obras mais famosas da gestão do prefeito Fogaça, o Conduto Forçado Álvaro Chaves, que tem o objetivo de terminar com as enchentes na capital gaúcha. “Eu ia lá, explicava como era a obra, quanto tempo ia ficar parado, aberto. Aquela situação me jogou dentro das comunidades”, explica o vereador.
    Outro vínculo que o pai do Thiago e do Lucas criou com parte da população porto-alegrense ocorreu através do seu trabalho no Sport Club Internacional. No colorado, ele teve um grande desafio como administrador: ser diretor das categorias de base na transição da Lei do Passe para a Lei Pelé. Após a aprovação da Lei Pelé, os clubes perderam o vínculo com os seus jogadores, que ficam livres após o término de seus contratos. “Naquele período nós fizemos 94 contratos de atletas das categorias de base. Foi o que possibilitou ao Inter se garantir”, conta.
    Ainda nas categorias de base, Pancinha trabalhou com o atual técnico do Corinthians, Mano Menezes. Segundo o vereador, os dois são responsáveis pela descoberta de Nilmar, hoje ídolo do Inter. “Eu sou o culpado”, diz orgulhoso, se referindo ao sucesso do craque no Beira-Rio. Sobre Mano, ele diz que será um dia o técnico da Seleção Brasileira, entre outros elogios.
    Quem também recebe elogios do peemedebista são figuras históricas da política nacional e “sinônimos de retidão”, como Tancredo Neves, Ulisses Guimarães e Pedro Simon. Por sinal, os três do PMDB. Sobre a escolha da sigla para a sua trajetória na política, Pancinha justifica lembrando a luta contra o regime militar na época em que só existiam o MDB e a Arena.
    É também dentro do partido que o engenheiro tem suas referências políticas mais próximas: o deputado federal Mendes Ribeiro Filho e o deputado estadual Luiz Fernando Záchia. Sobre os dois, o vereador diz querer seguir a forma honesta e transparente que eles fazem política. Aliás, Pancinha foi o coordenador da campanha que levou Mendes à Câmara dos Deputados em 2006.
    As boas relações no PMDB, o trabalho comunitário no DEP, as atividades do Rotary Clube e a ligação com o Internacional são fatores que com certeza ajudaram o vereador a alcançar os seus mais de 3 mil votos nas eleições de 2008. Agora eleito, além de trabalhar no Plano Diretor, o rotariano pretende formar parcerias entre o terceiro setor e o poder público. “Gente querendo ajudar está cheio. Nós temos que fazer com que quem queira trabalhar chegue perto de quem precisa”, explica. “Se eu conseguir fazer isso, acho que realizo um bom mandato”, completa confiante.

  • PERFIL – Fernanda Melchionna: a vereadora sem papas na língua

    Por Marcelo Gigante Ortiz
    Na porta de entrada do gabinete, um cartaz não perdoa a governadora do Estado: “fora Yeda”, diz. Em uma parede, um retrato de George W. Bush acompanhado da afirmação: “procurado por crimes contra a humanidade”.
    No centro de todos esses acessórios, a personalidade política combativa da mais jovem vereadora de Porto Alegre, Fernanda Melchionna (Psol). Vinda do movimento estudantil, a bibliotecária de 25 anos é admiradora de Che Guevara e Hugo Chávez, mas não se entusiasma com o líder norte-americano Barack Obama.
    Por todos esses ingredientes, seria fácil taxar Fernanda de radical. Porém, quem a observar além das adjetivações poderá perceber uma jovem com boa capacidade oratória, acompanhada de um vocabulário rico e conhecimento sobre política. Certa ou errada defende suas ideias com paixão.
    Essa paixão pela política teve início em 1997, quando a menina de Alegrete se mudou com a mãe para Porto Alegre. Na época, o governador do Rio Grande do Sul era Antonio Britto (ex-PMDB), que teve seu governo marcado pelas polêmicas privatizações da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) e da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE).
    “Aquela época me despertou. A luta do movimento estudantil, do grêmio da minha escola despertou em mim a necessidade de lutar contra a precarização e a venda do patrimônio público do Estado”, conta a vereadora. Na ocasião, ela tinha 13 anos e estudava no Sévigné, único colégio particular em seu histórico escolar.
    Então a socialista se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT) e iniciou a sua militância política, que não foi interrompida pela necessidade de retornar à cidade natal. Em Alegrete, onde o pai de Fernanda participou da fundação do PT local, ela ajudou na organização do partido e participou de campanhas eleitorais.
    De volta a Porto Alegre, em 2001, Fernanda ingressou na Faculdade de Biblioteconomia da UFRGS e consolidou sua adesão ao movimento estudantil, chegando a coordenar o DCE da universidade posteriormente.“Foi um ano muito peculiar do ponto de vista da universidade federal(…).
    Em diversas, o corte de investimento levou ao sucateamento brutal e a privatização branca”, critica a socialista, se referindo também ao aumento de linhas de crédito concedidas pelo governo a faculdades privadas, muitas vezes de qualidade duvidosa. Aliás, esse tipo de reclamação era comum entre os filiados do Partido dos Trabalhadores.
    Porém, em 2003, a opção pelo PT se transformou em decepção. Ela abandonou a sigla e se juntou a Luciana Genro, Heloísa Helena e tantos outros que fundaram o Partido Socialismo e Liberdade (Psol), do qual Fernanda nunca mais saiu. Ao justificar a mudança, a vereadora cita a frustração provocada pelas reformas da Previdência e Universitária, propostas pelo governo Lula na época.
    Mas o atual Presidente da República não é o único alvo do arsenal de críticas da jovem. Mesmo sem ser provocada, ela lista diversas situações e personagens da política nacional que a incomodam.
    Edmar Moreira (DEM), ex-corregedor da Câmara de Deputados e dono de um castelo, Daniel Dantas, banqueiro bem relacionado no meio político e investigado por crimes como lavagem de dinheiro e sonegação fiscal e o petista Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-candidato à presidência da Câmara, não são perdoados. Sobre o último, ela alfineta: “era advogado do movimento social e agora é advogado do Daniel Dantas, olha que degeneração política e moral”.
    Em relação ao governo do Estado, Fernanda pega mais pesado. Além de questionar a eficácia do projeto da secretaria de Educação que vincula os benefícios dos professores a índices de desempenho e criticar o fechamento de escolas, a vereadora chama o grupo governante de “a quadrilha instituída lá no Palácio Piratini”. Continuando assim, não será difícil criar muitos adversários no mundo político.
    Preferências
    Porém, quem quiser enfrentar a jovem em um debate terá que estar bem preparado. Além de conhecer política, ela mostra ter bastante cultura. Por sua retina, já passaram a literatura de Jorge Amado, Gabriel García Márquez e Dostoiévski.
    Ainda sobre livros que leu, Fernanda cita “O Abusado”, de Caco Barcellos e “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, de cunho social. E como não poderia deixar de ser, Marx, “O Manifesto Comunista” e “O Capital” (livro que ela ainda está lendo), e Eduardo Galeano, “As Veias Abertas da América Latina”, leituras obrigatórias para qualquer ativista de esquerda.
    Sobre cinema, também preponderam filmes que exploram problemas sociais, embora estes não sejam todos. Na lista, encontram-se “Pão e Rosas”, que narra a situação de trabalhadoras imigrantes mexicanas nos EUA, “Coisas Belas e Sujas”, que fala sobre imigração e tráfico de órgãos, “Princesas”, que conta a estória de duas prostitutas que vivem na Espanha. Além destes, “Ensaio sobre a Cegueira”, do diretor brasileiro Fernando Meirelles e “Diários de Motocicleta”, que narra uma viagem que o estudante de medicina argentino Ernesto Guevara de la Serna fez pela América Latina, antes de se tornar um revolucionário.
    Aliás, esse tal estudante, hoje conhecido como o revolucionário comunista Che Guevara, é um dos ídolos da moça. O motivo, “sonhar e acreditar que os sonhos se concretizem”, que era o que ele fazia segundo ela. Ainda na América Latina, a vereadora diz admirar o governo do venezuelano Hugo Chávez e enfatiza o sucesso dos números sociais de sua administração.
    No Brasil, a vereadora se guia pelas correligionárias Luciana Genro e Heloísa Helena, por achar que elas não se venderam ao jogo sujo do poder. “Por serem mulheres também. A gente sabe da diferença de gênero que ainda existe na nossa sociedade”, completa, demonstrando um viés feminista.
    Mas a admiração emprestada à Chávez e às colegas de partido não se estende ao novo presidente dos EUA, Barack Obama. Segundo a vereadora, a eleição do democrata foi uma negação dos norte-americanos à Guerra do Iraque orquestrada por George W. Bush, e só. Pela equipe econômica e pelas primeiras ações de Obama, a socialista acredita que ele se transformará em uma “frustração eleitoral”.
    Fernanda, porém, não pretende frustrar seus 2.984 eleitores. Para isso, a aquariana de olhos verdes, que foi empossada vereadora com uma bandeira da Palestina nas costas, promete lutar contra o projeto do Pontal do Estaleiro, que permite a construção de residências em parte da orla do Guaíba.
    Sobre o projeto ela afirma: “estão rasgando o Plano Diretor de Porto Alegre”. Outra preocupação da jovem é a regularização fundiária de 800 comunidades da cidade, que, segundo ela, não recebem a mesma atenção dos políticos que os projetos que mudam a fotografia da cidade.
    Fora isso, restam algumas preocupações privadas, como uma eventual desorganização do gabinete, uma conta atrasada para pagar no banco e a dificuldade em diminuir, ou talvez um dia, acabar com o hábito de fumar. “Eu vou ver se consigo estabelecer uma meta diária e tentar controlar os cigarros por dia”, conta esperançosa.