A Unimed Porto Alegre irá homenagear os usuários de seus serviços no Dia do Cliente, comemorado na segunda-feira, 15. Na sede da Cooperativa e nas unidades do CDU Moinhos, Shopping Total, Sicredi, Centro e Unifácil Cachoeirinha, os clientes serão recepcionados com uma decoração especial e poderão levar pra casa uma caricatura própria como recordação. Outros brindes também serão distribuídos, como bolinhas anti-stress e tags com dicas sobre qualidade de vida.
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Associações de bairro vão de luto protestar na Câmara
Associações de bairro vão de luto protestar na Câmara
O Forum das entidades comunitárias de Porto Alegre, formado por mais de 70 ongs e associações de bairro, está convidando a população a comparecer de luto ao plenário da Câmara Municipal na próxima quarta-feira às 14 horas.
“Nós vamos estar todos de preto e teremos lenços e fitas para distribuir para o público”, diz Maria Angela Pellin, do Centro Comunitário de Desenvolvimento, que atua em quatro bairros da Zona Sul. O atraso na revisão do Plano Diretor e os projetos imobiliários na orla do Guaiba são os principais alvos do protesto.
“Nossa intenção é lotar o plenário para mostrar que estamos de luto pela falta de responsabilidade dos nossos vereadores”, diz a lider comunitária, que é candidata a vereador pelo PP. O Plano Diretor de Porto Alegre está há seis anos em revisão no legislativo municipal e agora com o início da campanha eleitoral foi novamente adiado. Enquanto isso, as distorções já apontadas no plano continuam ocorrendo.
Com relação à orla do Guaiba, a reclamação dos líderes comunitários é contra a mudança nas leis proposta na Câmara para permitir a implantação de grandes projetos imobiliários na extensa faixa que vai da Usina do Gasômetro até o Cristal.
Há cinco projetos previstos. O mais polêmico deles é o Pontal do Estaleiro, que prevê a construção de seis edifícios de 13 andares na área que pertencia ao extinto Estaleiro Só. A mobilização das entidades comunitárias para o protesto de quatra-feira começou no fim de semana e se intensifica a partir de segunda-feira.Pampa pode virar Patrimônio da Humanidade
Carlos Matsubara, Ambiente JÁ
O bioma Pampa pode ser transformado em Patrimônio da Humanidade. O primeiro passo para isso ocorrer foi dado no último dia 28 de agosto durante reunião do do Comitê Brasileiro para o Programa “O Homem e a Biosfera” (MaB), da Unesco, em Brasília.
Na ocasião foi aprovada, de forma unânime, a ampliação da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA). A proposta foi apresentada pela Rede Brasileira de Reservas da Biosfera, resultado dos trabalhos iniciados em 2006 e aprovados em 2007 pelo Conselho Nacional da Reserva da Biosfera
(CN-RBMA).
Atualmente o Brasil possui sete Reservas da Biosfera: RB Pantanal, RB Caatinga, RB Cerrado, RB Amazônia Central, RB da Serra do Espinhaço e a RBMA. Com a proposta aprovada pelo Comissão Brasileira do Programa Homem e Biosfera (Cobramab), a RBMA no Rio Grande do Sul será significativamente ampliada, fazendo com que áreas do bioma Pampa passem a ser tombadas como
patrimônio da humanidade, como já é parte do banhado do Taim, cuja área tutelada será ampliada em aproximadamente 70 mil hectares.
Conforme o advogado e ambientalista Antonio Soler, membro da ONG de Pelotas, Centro de Estudos Ambientais (CEA), a decisão foi importante e inédita para a proteção do bioma Pampa, uma vez que o mesmo não apresenta áreas protegidas na proporção de sua diversidade biológica e relevância
ecológica. Representante da única ONG ecológica no Cobramab, Soler dá detalhes do que pode ocorrer com o bioma daqui por diante em entrevista a seguir.
As Reservas da Biosfera formam uma rede mundial de áreas protegidas compreendendo ecossistemas terrestres e/ou marinho e tem como objetivo a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável. A revisão da RBMA deve ser feita a cada cinco anos e seguiu orientações estabelecidas pelo CN-RBMA, abrangendo os seguintes critérios zoneamento; inclusão de áreas urbanas; inclusão de áreas marinha e limites da RBMA.
Ambiente JÁ – O que significa, na prática, o bioma Pampa ser
tombado como patrimônio da humanidade?
Antonio Soler –Na prática, a tutela jurídica de um determinado espaço territorial, como é o caso, não muda a realidade. A lei é um instrumento que precisa ser manejado pela coletividade e pelo Poder Público (Executivo, Legislativo e Judiciário), o que tem sido muito difícil nesses tempos atuais de flexibilização do Direito Ambiental. A tutela do Pampa (ou parte dele) como Reserva da Biosfera (RB) é um acontecimento que contrária essa lógica dominante do descuido ambiental, na qual o mercado é o deus.
A Estação Ecológica do Taim (ESEC Taim) já é tombada, e mesmo assim, sofre diversos tipos de agressão. Isso não seria uma demonstração de que na prática nada muda com esse status?
Soler – A ESEC Taim é uma unidade de conservação federal, considerada patrimônio da humanidade
por ser o que se denomina de zona núcleo da RB da Mata Atlântica (RBMA). A lei só transforma a realidade se for aplicada, e para ser aplicada necessita, antes de tudo, ser conhecida para, quem sabe, ser exigida a sua materialização. Cabe a coletividade e aos órgãos de controle ambiental, entre eles o MP, exigir o respeito a lei ambiental. Os órgãos públicos têm meios legais e efetivos para tal. Precisam cumprir seu dever constitucional de proteger o ambiente.
Aliás, a área tutelada da Estação Ecológica do Taim será ampliada com essa decisão em quantos hectares?
Soler – mais protetiva. Ou seja, a zona núcleo da RBMA passaria dos atuais aproximados 33 mil hectares para (tb aproximadamente) 100 mil hectares. Área muito semelhante ampliação decretada em 2003 pelo governo federal, mas suspensa temporariamente, por razões formais e não materiais, pelo STF.
Qual o objetivo dessa ampliação?
Soler – Os objetivos são os previstos na lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), que são os da preservação da diversidade biológica, o desenvolvimento de atividades de pesquisa, o monitoramento ambiental, a educação ambiental, o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida das populações.
Sendo considerado Patrimônio da Humanidade, tanto a estação no Taim, quanto o bioma Pampa, a utilização dessas áreas fica mais restritiva?
Soler – Sim. Os planos e políticas públicas e privadas deverão observar tais limitações, sob pena de ilegalidades ou até de prática de crimes ambientais
Pode – se dizer que é uma espécie de ” freio” nos projetos de plantio de eucalipto no Pampa?
Soler –No plano formal sim, mas…
O bioma Pampa vem obtendo um reconhecimento crescente pela sua importância ecológica, social e até cultural para sua preservação, isso foi levado em conta na última reunião do dia 28 de agosto?
Soler – Certamente. Não só no COBRAMAB como no processo de construção da proposta aprovada. A figueira, árvore protegida por lei (não pode ser cortada e nem podada, salvo em casos expressos e previamente autorizados), tem importância ecológica e cultural. Nesse ultimo caso, entre outros motivos, pela relação estabelecida pelo gaúcho e pela gaúcha a sua sombra, ao seu abrigo.
Antônio Soler milita no CEA, ong criada em 1983, desde o final da década de 1908. Cursou Mestrado em Desenvolvimento Sustentável na Argentina, foi conselheiro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) em duas oportunidades, além de diversos outros colegiados ambientais. Foi coordenador do Programa Mar-de-Dentro do Governo do Rio Grande do Sul e participou da elaboração do Plano Nacional de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente. Atualmente é professor da disciplina de
Direito Ambiental.Reunião definirá testes do monitoramento eletrônico
Acontecerá na sede da Secretaria de Segurança Pública do RS, a reunião onde serão definidos os primeiros passos do monitoramento eletrônico de apenados no Estado.O deputado Giovani Cherini (PDT), autor da proposta de monitorar eletronicamente apenados dos regimes aberto e semi-aberto, participará do encontro, que será na próxima terça-feira, dia 16, às 16 horas.
Deverão participar da reunião empresas interessadas em prestar o serviço de rastreamento, a Susepe, juízes e promotores das Varas de Execuções Criminais, o secretário da Segurança Pública, Edson Goulart e o deputado Giovani Cherini. Segundo informações preliminares da Superintendência dos Serviços Penitenciários, o nome dos presos será selecionado pela Susepe e submetido à aprovação do Ministério Público e da Vara de Execuções Criminais.
Do site da ALAL sedia 4ª Conferência dos Direitos Humanos
A 4ª Conferência Estadual dos Direitos Humanos, Justiça e Desenvolvimento Social será realizada nesta sexta-feira (12) e sábado (13) no Teatro Dante Barone da Assembléia Legislativa. A Conferência marca os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e é preparatória para a Conferência Nacional a ser realizada em outubro na capital federal.
Para o presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia, deputado Marquinho lang (DEM), a Conferência vai possibilitar o debate de temas importantes e que servirão como base para as discussões que serão feitas em Brasília. “A principal responsabilidade que temos é a da educação em cidadania e direitos humanos, pois muitas pessoas não sabem o que isso significa e reduzem a questão apenas a temas relacionados ao sistema prisional, envolvendo apenados e familiares. Mas não é só isso que nós queremos. Por isso é importante o trabalho de educação e cidadania em direitos humanos”, acentuou Lang.
Lang destacou que a primeira Comissão de Cidadania e Direitos Humanos dentre todos os legislativos estaduais do Brasil foi criada justamente no Parlamento Gaúcho.
Programação
Dia 12 de setembro
13 às 17h – Credenciamento
14:30 – Abertura oficial
15h – Painel “60 anos de Direitos Humanos: iguais na diferença”
16h – Painel “Direitos Humanos no RS: Justiça e Desenvolvimento Social”
17h – Intervalo
17:20 – Leitura e aprovação do Regimento Interno da Conferência
19h – Encerramento
Dia 13 de setembro
8h às 9h – Credenciamento
8h – Reunião dos Grupos
GT 1 : “Universalizar direitos em um contexto de desigualdades”
GT 2 : “Violência, segurança pública e acesso à justiça”
GT 3 : “Pacto Federativo, responsabilidades dos três poderes, do Ministério Público e da Defensoria Pública
GT 4 : “Educação e Cultura em Direitos Humanos”
GT 5 : “Interação democrática entre Estado e Sociedade civil”
GT 6 : “Desenvolvimento e Direitos Humanos”
12h – Intervalo
14:30 – Apreciação e aprovação das propostas dos GTs.
16:30 – Reuniões simultâneas para indicação dos delegados por macro-regiões funcionais, segmentos e temáticas.
17h – Eleição e homologação dos delegados para a 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos.
18h – Encerramento
Do site da AL1º Brechó do Focinho On Line será nesse sábado, dia 13
Acontecerá neste dia 13. o 1º Brechó do Focinho On Line, com artigos baratos para animais de estimação. O brechó acontecerá na loja Senhor das Chaves – Rua José do Patrocínio, 145, Cidade Baixa, das 10h às 17h.
Esta é uma ótima oportunidade para ajudar os bichinhos!!!
www.focinhoonline.com.brQuadruplicação da Aracruz: o que mostram estudos sobre dioxinas?
Cláudia Viegas, Ambiente JÁ
Na memória do morador da Região Metropolitana de Porto Alegre que já passou dos 30 anos de idade, especialmente os da orla da Capital, um dos fatos mais marcantes foi sem dúvida o odor exalado pela Borregaard. A antiga planta de celulose, fechada em dezembro de 1973 pelas autoridades da Saúde do Estado, reaberta alguns meses depois, fechada novamente no final de 1974, e só reativada depois de vários compromissos de melhorias tecnológicas para reduzir impactos ambientais, representou um dos marcos mais importantes da luta socioambiental pelo direito de respirar melhor em Porto Alegre e arredores.
Nos dias atuais, esta que é Aracruz, que já foi Riocell e Klabin, não apenas afugentou um nome estranho como também deixou de atormentar os porto-alegrenses com o velho conhecido cheiro. Porém, a contenda não parou por aí. A consciência ecológica atiçada dos gaúchos desviou seu olhar do próprio nariz para as caladas águas do Lago Guaíba e seu percurso no cotidiano coletivo, da bomba de captação às torneiras. Se água não tem gosto, pelo menos não deveria ter, isto não quer dizer que não possa trazer danos à saúde. Uma grande bandeira se levantou, desta vez apontada contra as chamadas dioxinas e furanos, compostos cancerígenos e mutagênicos que muito comumente se formam a partir de certos processos industriais que utilizam o cloro e seus compostos.
Ar e água
As emissões atmosféricas são a marca registrada da fábrica de celulose em sua trajetória de aproximadamente três décadas e meia em Guaíba. Mas as melhorias no processo de produção, a introdução de sistemas de filtros mais eficientes e, especialmente, a conversão do processo de branqueamento – que, em meados dos anos 90 passou a ser livre de cloro elementar para adotar compostos de cloro – levaram, aos poucos, a uma nova rotina de questionamentos populares sobre os efeitos ambientais das ações da fábrica, desta vez, em relação à água. O principal ponto de dúvidas voltou-se à emissão de organoclorados (dioxinas e furanos), considerados extremamente prejudiciais ao meio e à saúde humana por sua persistência no ambiente, baixa volatilidade e característica lipofílica, ou seja, de facilmente se acumular no tecido gorduroso, causando toxicidade aguda, com efeitos como o câncer e disfunções no sistema reprodutivo.
As dioxinas, na realidade, são o nome genérico de uma família de aproximadamente 210 compostos ente os quais se destacam 17 isômeros por sua toxicidade, em especial o grupo 2,3,7,8 tetraclorodibenzeno-para-dioxina (TCDD) e 2,3,5,7 tetraclorodibenzeno para-furano (TCDF).
No EIA da Aracruz, a abordagem da qualidade da água utilizou como parâmetros as resoluções Conama para qualidade da água, sendo analisados cerca de 120 parâmetros em 15 pontos de amostragem nas águas do Guaíba. Foi também utilizada como referência a Portaria 518/204 do Ministério da Saúde, que estabelece os padrões de potabilidade da água. A empresa, de acordo com o estudo, cumpriu todas as exigências da Fepam, atendendo a critérios de classificação existentes na literatura.
Sem limites
A questão é que, para emissões de dioxinas, não existe um parâmetro nacional de limite na legislação brasileira. Mesmo internacionalmente, os critérios para emissão deste tipo de poluente são bastante variáveis e chegam a ser controversos porque dependem de séries históricas de análises realizadas por laboratórios em níveis de detecção da ordem de nanogramas por tonelada equivalente por litro (parte por bilhão, 10-9) ou picogramas (parte por trilhão, 10-12).
O coordenador de Pesquisa Tecnológica, Qualidade e Processo e gerente de Qualidade e Meio Ambiente da Aracruz em Guaíba, engenheiro Clóvis Zimmer, confirma que “não há limites internacionais para emissões de dioxinas e furanos”. Segundo ele, pesquisadores da Universidade de Tübingen, Alemanha, realizaram uma pesquisa no Lago Guaíba sobre este assunto, em 1991, e este é um estudo de referência que está descrito no EIA. Para abordar a questão, afirma Zimmer, “a Aracruz segue padrões de potabilidade da água que são dados pela Portaria 518”. Ele explica que “pelos padrões de potabilidade da água da Agência Norte-americana de Proteção Ambiental (Environmental Protection Agency, EPA), é aceitável o índice de dioxinas e furanos de 30 ppq (partes por quatrilhão)”, o que significa 30x 10-12 picogramas por litro.
Zimmer destaca que a Aracruz trabalha de acordo com as diretivas do IPPC (International Plant Protection Convention), o qual resulta de uma Diretiva Européia de 1999. Esta diretiva visa a prevenir, ou, onde não for possível, reduzir a poluição de instalações industriais e outras, permitindo acesso às melhores tecnologias disponíveis. “Somos cobrados a operar dentro do conceito de Melhores Tecnologias Disponíveis (Best Available Technologies)”, diz o engenheiro.
A planta da Aracruz em Guaíba tem uma série histórica de avaliações dos teores de dioxinas emitidos há cerca de 10 anos. São realizadas duas coletas de amostras anualmente, e enviadas para análise de um laboratório canadense, pois, conforme o engenheiro, no Brasil não há instituições que realizem esses testes de detecção, que exigem rigoroso controle. “Os resultados das análises realizadas em 2 de julho de 2007 e 2 de janeiro de 2008 apontam zero emissões. O monitoramento dos efluentes vem sendo realizado desde 1998, e os valores ficaram sempre na média de 0,01 x 10-12 (ou seja, 0,01 picogramas por litro ou partes por quatrilhão). Para cada uma dessas análises, a Aracruz paga US$ 3 mil cada uma, o que implica uma média de US$ 50 mil por ano em análises.
EUA e Canadá
Em países onde há grande número de plantas de celulose, como Estados Unidos e Canadá, também se verificam parâmetros bem diferentes quanto a emissões de dioxinas. E muita controvérsia. Um estudo do governo australiano encomendado a um grupo de especialistas da consultoria Beca Amec Limited assinala que nos Estados Unidos o limite legal é de 10 picogramas tonelada equivalente (TEQ) por litro. Contudo, outro documento divulgado em 11 de julho de 2007 pelo professor Andrew W. Wadsley, consultor de riscos ligado aos meios ambientalistas australianos, que levanta dúvidas da ONG WWF sobre o relatório da Beca, defende que podem ser atingidas concentrações de 2 picogramas TEQ por litro lançando-se mão das chamadas “melhores tecnologias disponíveis” (Best Available Technologies/BAT). Em um documento de réplica, a Beca Amec atesta que a maioria das empresas de celulose em território canadense e norte-americano estão abaixo do limite legal, apresentando já índices de 2 a 3 picogramas TEQ pot litro. Incursionar por essas discussões técnicas leva a uma busca incansável por certezas, ou pelo menos a uma tentativa de reduzir cada vez mais as incertezas. Porém, isso é muito difícil quando se têm realidades diferentes entre os países e, principalmente, quando se está tratando de escalas de medida, por assim dizer infinitesimais. No final, a pergunta recorrente é: qual o limite aceitável para emissões de dioxinas que possa evitar danos à saúde?
Tira-teima
A reportagem do Ambiente JÁ consultou, além de documentos, técnicos e especialistas para verificar como funciona a detecção de emissões de dioxinas e o que é estabelecido como critério no caso da Aracruz. Foram ouvidos o engenheiro Renato das Chagas e Silva, chefe da Divisão de Controle da Poluição (Dicop) da Fepam; Josete Sanches, pesquisadora da Fundação de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (Cientec); Elba Calesso Teixeira, também pesquisadora da Fepam e do Centro de Ecologia da UFRGS, doutora e pós-doutora em Geoquímica, e Fernando Willrich, assistente técnico da Divisão de Pesquisa do Dmae.
A pesquisadora Josete Sanches confirmou que não há lei limitando emissões de dioxinas e furanos no Brasil. A doutora Elba Calesso Teixeira, afirmou que não acompanha atualmente este assunto porque está dedicada a pesquisas sobre hidrocarbonetos policíclicos aromáticos. O pesquisador Fernando Willrich afirmou que “as concentrações de dioxinas são muito baixas” e que esses compostos “podem ser gerados espontaneamente, por ação da luz solar, por exemplo”. De acordo com ele, “não há leis que limitem emissões de dioxinas, pois a detecção delas é algo tão preciso que até mesmo a vidraria de laboratório precisa ser muito bem controlada”. Ele concluiu que “as concentrações são tão ínfimas que não chegam a ser um problema em si, mas isto não quer dizer que não possam se acumular ao longo do tempo”.
Detecção e Restrição
Renato das Chagas e Silva, engenheiro da Divisão de Controle da Poluição da Fepam, assinalou que “o laboratório é quem determina limites para dioxinas”. Isto significa, segundo ele, que os padrões são estabelecidos pelos limites de detecção de laboratórios internacionais. “Ao avaliar que as detecções são, em uma média, 100% próximas de zero, eles estabelecem esse padrão”, observa. Segundo Chagas, que trabalhou na avaliação do EIA da quadruplicação da capacidade de produção da Aracruz, mesmo considerando os períodos em que a fábrica operou, no passado, com outras tecnologias, que possivelmente levaram a maiores níveis de emissões, “não foi encontrado nada gritante”. Ele garante que “a Fepam exigiu sempre um teste por semestre”, quando, em muitas situações, no exterior, são exigidas análises anuais. “Existe uma série histórica indicando a não-ocorrência de dioxinas, ou índice praticamente zero neste caso. A não-detecção não quer dizer zero, mas é insignificante, da ordem de picogramas”, diz.
Chagas destaca que a Fepam trabalha em uma linha restritiva, “quer dizer, busca a redução na geração”. O órgão “exige que o resultados sejam inferiores sempre aos limites de detecção”, o que, de acordo com ele, garante uma melhoria contínua. “A Aracruz tem mais ou menos 15 anos de monitoramento. Em 1991, o processo de branqueamento dela era com cloro elementar, e foi modificado para livre de cloro elementar (Elementar Chlorine Free, ECF). A fábrica fez outras mudanças em 2000, que ajudaram a diminuir ainda mais as emissões”, observa.
“Os resultados de AOX (compostos halogenados, de substâncias com Cloro, Iodo ou Bromo) e de dioxinas e furanos sempre ficaram abaixo dos limites de detecção do método de análise utilizado pelos laboratórios mais exigentes, os que dão as referências nesta área”, diz o engenheiro, acrescentando que “a possibilidade de toxicidade existe, mas há um padrão, e ele consiste em buscar a não-existência de dioxinas, o que só pode ser confirmado por monitoramento”. “Acredito que não exista, no Brasil, uma empresa com a série histórica de dados como a da Aracruz. É uma base de dados que serve para estudos”, constata.
Conforme dados do EIA, a carga de poluentes da Aracruz para a água, após realizado o tratamento de efluentes, resultará nos seguintes valores: demanda bioquímica de oxigênio (DBO): 600 Kg/dia; demanda química de oxigênio (DQO): 11.875 Kg/dia; sólidos suspensos totais: 1.690 Kg/dia; compostos halogenados (AOX): 0,09 Kg/tSa (tonelada seca de celulose) (a exigência legal para este último parâmetro é de 0,25 Kg/tSa).
Saúde
Cabe ressaltar que dioxinas são compostos cumulativos e não derivam apenas de processos de produção de celulose. Podem ser geradas a partir de incineração de resíduos, queimadas florestais, atividades em fornos de cimento, disposição de esgotos em aterros e até mesmo da queima de lenha para se aquecerem famílias em suas casas. Uma questão é o conhecimento e o controle de padrões de emissões para plantas industriais, a outra – tão ou mais relevante – é delimitar os níveis toleráveis pelo organismo humano a esses agentes. Em vários países, autoridades da área de saúde estabelecem limites para a ingestão diária considerando a massa corporal de um indivíduo. Assim, por exemplo, na Alemanha, tem-se o teto de 1 picograma por quilo; na Holanda, de 4 picogramas; no Canadá e nos EUA, 10 (picograma é a trilhonésima parte de um grama).
As dioxinas são armazenadas no fígado e no tecido adiposo e leva até dez anos, em media, para o corpo reduzir a metade da quantidade delas, uma vez armazenadas. Em dezembro de 1990, a Organização Mundial da Saúde estabeleceu limite de 10 picogramas por quilo de peso como o limite tolerável para a ingestão diária de dioxinas da família TCDD.
Mas como controlar esta ingestão podendo esses compostos estarem presentes em alimentos diversificados como leite, ovos, peixes e diversos outros tipos de carnes? Esta é uma questão que tem levado à insegurança e, ao mesmo tempo, à disseminação de práticas de alimentação vegetariana sem agrotóxicos.
Incerteza
A incerteza sobre a quantidade de ingestão de dioxinas aliada à certeza de sua cumulatividade no ambiente e nos organismos leva à necessidade de precaução. Por um lado, apresenta-se, em geral, um vácuo legal ou uma grande variabilidade para o estabelecimento de limites. Por outro, no que diz respeito à questão da água, por exemplo, tem-se, no Brasil, uma significativa precariedade institucional. Boa parte das companhias de abastecimento de água, no país, não consegue nem fechar, na prática, o checklist relativo aos padrões de potabilidade. Segundo o técnico do Dmae Fernando Willrich, “os órgãos que trabalham com qualidade de água para abastecimento não estão conseguindo sequer trilhar todas as exigências da Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde sobre potabilidade da água. Talvez três ou quatro companhias o façam no Brasil – Sabesp, Sanepar, Dmae, entre elas. Faltam recursos, investimentos, pessoas, a aplicação da metodologia é cara”, diz.
Um exemplo disto foi constatado nesta segunda-feira (08/09), quando o Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) ordenou a apuração da presença de índices de alumínio acima do permitido na água consumida em Florianópolis (SC). Segundo o MP-SC, exames realizados no ano passado por um laboratório privado e pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), a pedido do síndico de um condomínio do bairro Agronômica, mostraram que a água apresentava entre 0,5% e 1% de alumínio, quando o índice máximo previsto por legislação federal é de 0,2%.
Vigilância
Ações isoladas para a vigilância da qualidade da água, ao invés de coletivas e organizadas, são o mais comum. Há um generalizado desconhecimento de leis e de recursos dos quais o cidadão pode lançar mão para obter mais informações e evitar abusos. No Rio Grande do Sul, por exemplo, há uma lei recente sancionada pela governadora do Estado em junho deste ano, para garantir o acesso de qualquer pessoa a informações sobre atividades potencialmente poluidoras (produção, armazenagem, transporte) que utilizem os chamados POPs – Poluentes Orgânicos Persistentes, entre os quais se incluem compostos empregados na produção de PVC, na geração e composição de herbicidas, inseticidas e fungicidas, na incineração de lixo e nos processos industriais que empregam cloro e derivados do petróleo. Para isto, a lei, de iniciativa do deputado Elvino Bohn Gass, prevê que o interessado faça uma requisição por escrito aos órgãos ambientais responsáveis pelo controle do uso dessas substâncias.Denúncias mexem no cenário de 2010
Mesmo que nada seja provado contra os parlamentares gaúchos envolvidos nas investigações da Operação Solidária, a ampla exposição negativa deles e de seus partidos já produziu um prejuízo político, que ainda não pode ser contabilizado, mas que já é evidente. Ele se refletirá nas campanhas para as eleições municipais do mês que vem. Até o cenário que se desenhava para a sucessão estadual em 2010 pode ser alterado.
Qual será, por exemplo, o impacto que o envolvimento de próceres do PMDB terá na campanha de José Fogaça, candidado do partido à reeleição e que lidera as pesquisas na disputa pela prefeitura de Porto Alegre? Essa resposta terá que esperar no mínimo as próximas pesquisas.
Quanto a 2010, envolvimento do ex-ministro e deputado Eliseu Padilha, secretário geral do PMDB. prejudica talvez de modo irremediável, seus planos de ser o candidato do partido ao governo do Estado. Ele havia conseguido que até seu mais forte concorrente, o ex-governador Germano Rigotto, admitisse uma candidatura ao senado, para evitar uma disputa interna.
Agora, aparentemente, Rigotto fica sózinho no cenário do PMDB. Até José Fogaça, o favorito na eleição em Porto Alegre, já declarou que seu candidato em 2010 é Rigotto.AL aprova vigilância eletrônica
Na sessão plenária de ontem(9), a Assembléia Legislativa aprovou por unanimidade (48 votos) o Projeto de Lei PL 106 2008, de autoria do Poder Executivo, que estabelece o uso de equipamentos de vigilância eletrônica em presidiários gaúchos, para casos específicos.
De acordo com o PL 106 2008, equipamentos como pulseiras e tornozeleiras com sensores controlados via satélite ou por sinais de radiofreqüência permitirão que seja realizado o monitoramento de detentos dos regimes aberto e semi-aberto, em prisão domiciliar ou com proibição de freqüentar determinados lugares.
Segundo o PL, a medida deverá ser aplicada a condenados por tráfico de drogas, terrorismo, crimes decorrentes de ações praticadas por organizações criminosas de qualquer tipo, homicídio qualificado, latrocínio, extorsão qualificada pela morte, extorsão mediante seqüestro, estupro, atentado violento ao pudor ou outra condenação cujo crime recomende tal cautela. A exigência se dará após determinação judicial, precedida de parecer do Ministério Público e da defesa. A proposição do governo do Estado teve como base um projeto similar de autoria do deputado Giovani Cherini (PDT) e foi aprovada com duas emendas da Comissão de Constituição e Justiça.
Do site da ALPorto Alegre em Cena: A versão carioca dos estratagemas de Schopenhauer
Adriana Lampert
Uma grande quantidade de texto diluída em linguagem televisiva no palco. Foi esta a fórmula que Vitor Lemos usou para dirigir o espetáculo A Arte de Ter Razão, com apresentações na Sala Carlos Carvalho, nos dias 05, 06 e 07 de setembro, dentro do 15º POA em Cena. Os atores Helena Varvaki, Isaac Bernat e Thais Tedesco apresentaram, de forma bem humorada, a história de moradores de um condomínio no Rio de Janeiro que defendem teses distintas a respeito da separação do lixo no prédio. Para isso, utilizaram alguns dos estratagemas do livro homônimo do filósofo alemão Arthur Schopenhauer.
Argumentos e retóricas em cena, e nenhum vencedor no final do espetáculo, que é uma livre adaptação do grupo carioca para o livro de Schopenhauer. Através dos estratagemas, as personagens confirmam a teoria de que para vencer, nem sempre é necessário ter razão. Depende da forma como o argumento é colocado – e para isso, vale até provocar raiva no adversário, atormentando-o e fazendo-o perder vantagem.
A peça é simples, e segue em torno desta batalha, muito harmônica, entre os atores. O cenário e a luz são agradáveis e estão em equilíbrio com a proposta do espetáculo, que se desenrola de forma divertida em busca da verdade de cada personagem.

