A greve dos empregados dos Correios continua. A direção da estatal e o comando da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) não chegaram hoje (28) a um consenso para pôr fim ao movimento, que começou no último dia 14.
Em reunião intermediada pelo Ministério Público do Trabalho, os funcionários rejeitaram a proposta da empresa de parcelar o desconto dos dias parados.
No Rio Grande do Sul, houve nova manifestação na sede regional dos Correios, no Centro de Porto Alegre. Os grevistas presentes fizeram uma votação onde confirmaram que a paralisação continua.
Para o diretor de política do sindicato Yuri Aguiar, a reunião em Brasília é a primeira manifestação concreta da direção da estatal para negociar com os grevistas, que pedem aumento salarial de R$ 400, reajuste do vale-refeição e do vale-alimentação, piso salarial de R$ 1.635 e reposição da inflação de 7,16%. Mas, ele coloca que a direção dos Correios está obrigando os grevistas a aceitar uma única proposta, menor do que a pleiteada pelo movimento sindical, além de ameaçar os funcionários ao dizer que não tem condições de pagar os dias parados. “Não aceitamos o desconto, porque a greve é um direito legítimo dos trabalhadores. Nossa greve está em unidade como movimento dos bancários, e novas mobilizações no estado podem acontecer”.
Caso continue a greve, um ato nacional entre bancários e trabalhadores dos correios está marcado pra próxima terça-feira, em Brasília.
Aguiar lembra que todos os 35 sindicatos que representam a categoria no país estão em greve. “No Rio Grande do Sul a adesão é de mais de 70 % dos trabalhadores, tanto na capital quanto no interior do Estado, o movimento conta ainda com a participação de trabalhadores de setores que normalmente não participam das greves, existe os operadores de triagem e transbordo, os (ott`s). Esses funcionários têm o menor salário da empresa”, diz o sindicalista.
Sindicalista aponta déficit de 30 mil funcionários nos Correios
Além da reinvidicação salarial, o sindicalista lembra que os correios sofrem com o excesso de trabalho – “há um déficit de 30 mil trabalhadores, o último concurso teria vagas para apenas quatro mil. Com isso, trabalhadores têm horários dobrados, sem compensação”, falou Aguiar.
Outra questão é a MP 532. Aprovada dia 23 de agosto no Congresso Nacional, o texto amplia as áreas de atuação da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), para permitir a exploração de serviços postais eletrônicos, financeiros e de logística integrada.
A proposta reestrutura os Correios dando à empresa forma semelhante a das sociedades anônimas, com conselhos fiscais e administrativos e outras instâncias decisórias. Também permite a criação de subsidiárias e que os Correios sejam sócios de outras empresas, inclusive no exterior.
Para o sindicato, a MP é uma manobra para criar mais cargos políticos na Estatal. Hoje somente um cargo, de diretor geral dos Correios, não é concursado. “Com a mudança haverá o conselho de administração indicado pelo governo, cargos políticos, isto é uma saída para o começo da privatização do setor. Nossa expectativa é que nenhum trabalhador venha sofrer as consequências de todas estas alterações”, frisou Aguiar.
“Os trabalhadores sofrem, tem família, e só querem os diretos deles. Um salário digno, com condições boas de trabalho. As conquistas e vitórias serão para todos os trabalhadores. Por isso é fundamental a participação de todos no movimento”, concluiu Aguiar.
Liminares garantem pagamento dos dias da greve
A Justiça gaúcha julgou favorável aos trabalhadores o Mandado de Segurança impetrado pelo Sintect/RS, através de sua assessoria jurídica. A decisão foi tomada no final da tarde do dia 27. Com a decisão, a empresa está impedida de descontar os dias parados dos trabalhadores em greve.
De acordo com a direção nacional dos grevistas, os trabalhadores dos Correios de sete estados já ganharam na Justiça o direito de não ter os dias de greve descontados do salário.

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