Afirmação da cultura gaúcha

Margarete Moraes – Ex-secretária municipal da Cultura e Vereadora PT
A luta farroupilha é um marco de afirmação da identidade do povo gaúcho. Nestes tempos em que a globalização massifica as culturas, reduzindo tudo a cópias do modelo capitalista, que incentiva modismos consumistas, as comemorações da Revolução Farroupilha estão na contra-mão desta prática, lembrando exemplarmente nossa história de lutas e dignidade. A tradição, neste caso, não é sinônimo de conservadorismo saudosista, mas de orgulho de práticas culturais singulares, ligadas à lida do campo, à produção da terra.
Para o historiador Francisco Riopardense de Macedo, a revolução Farroupilha deixou lições, como: a altivez de comportamento diante de calúnias; liberdade como maior patrimônio a ser defendido; Estado livre e independente; dedicação e sacrifício; confiança na causa; interesse pelo ensino e pela educação; libertação dos escravos; federação para assegurar a autogestão regional, conciliação. Inspirados nos ideais iluministas, que influenciaram os movimentos de Independência dos Estados Unidos, em 1776, e a Revolução Francesa, de 1789, que preconizavam os valores humanistas de Liberdade e Igualdade , os Farroupilhas buscaram ampliar este ideal adotando o lema “Liberdade – Igualdade – Humanidade”. Ao contrário das lutas de libertação, que pretendiam a independência e o separatismo, a luta do Rio Grande se fez contra o autoritarismo do poder central e pela autonomia da província, através do direito de eleger o presidente local e legislar sobre os impostos pagos pela região.
O acampamento Farroupilha, no mês de setembro, em Porto Alegre, celebra a diversidade e a fraternidade. As várias formas de construção, de vestimenta, de preparo de alimentos se encontram e confraternizam. Não como um uma exposição extemporânea, mas como prática de vida. Por alguns dias o campo está na cidade. Mais que uma vitrine, é um modo de vida, é a celebração de uma história que se encontra e se reafirma.

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