Rafael Guimaraens
Enquanto brasileiros responsáveis tentam dar um freio na atuação dos sites de apostas e seus efeitos nefastos no endividamento das famílias, as bets entram rachando na Copa do Mundo, escalando craques da mídia como Neymar e Vini Jr, além de ex-jogadores, comentaristas e oportunistas em geral. Sem a menor cerimônia vendem a ilusão do dinheiro fácil, na lógica do “apostou, ganhou”.
Patrocinam a cobertura de todos os canais, alguns chegam perto de colocar os sites como benemerentes prestadores de serviço. “A bet dos brasileiros”, diz Galvão Bueno sobre o site que o contratou, com aquela empáfia de credibilidade que a Globo lhe deu, como se os sites fossem patrimônio do povo e não a sua ruína.
Algumas emissoras, como a CazéTV , chegam a sugerir temas de apostas durante a transmissão. As bets tiram dinheiro do comércio, do entretenimento, da cultura, ou seja, da qualidade de vida dos brasileiros. Produzem angústia, depressão, rupturas na estrutura familiar e já existem casos de suicídio por conta de dívidas que se tornam impagáveis.
Estima-se de pelo menos 11% da população esteja irremediavelmente viciada em apostas, um processo perverso no qual o cidadão aposta, por exemplo, R$ 5 mil, e, lá pelas tantas, se tiver sorte, ganha R$ 2 mil e se acha vencedor – e vai usar o prêmio para mais apostas. Todo o dia, um 7 a 1.
