Papel couchê contra a violência e a criminalidade

Ao combater num terreno árido, um certo charme sempre causa um novo alento.
Está nas ruas a obra mais visível lançada, até o momento, pelo Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), menina dos olhos do ministro da Justiça Tarso Genro, a quem eu chamo, carinhosamente, de escorregadio devido a sua habilidade em se esgueirar das críticas com um discurso desenvolvido num português castiço e, por isso, de complexas interpretações. Trata-se, a obra, de uma publicação bilíngüe – português e espanhol – em papel couchê de gramatura pesada, colorida e com 24 páginas.
O trabalho, que mergulha em toda a complexidade da violência e da criminalidade, foi produzido pela Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Justiça em parceria com a área de Projetos Especiais da Revista Exame, da Editora Abril. Apresentado como novo paradigma para a segurança pública do país, na dialética empolada, para não dizer enrolada, dos teóricos do setor que habitam os gabinetes da pasta da Justiça, o Pronasci mostra que também cumpre outra missão: a de alavancar os negócios de grandes editoras.
Pauteiro
Observo que a leitura atenta desta coluna tem proporcionado pauta e excelentes matérias. A questão da corrida pela chefia de polícia, por exemplo, começa a ser tratada pelos coleguinhas da mídia local com maior profundidade quando repetem o que este humilde marquês apontou há várias semanas. Fico envaidecido com a vigilância competente não só dos arapongas encapuzados como dos jovens de peito aberto no entorno da minha torre.
Caixa
A Brigada Militar localizou, ontem, um caixa eletrônico que havia sido furtado no município de Farroupilha. O equipamento foi abandonado no interior de Carlos Barbosa. A Brigada chegou ao local após ligações recebidas da comunidade.
Jogatina
Agentes da DP de Capão da Canoa, sob o comando do delegado Roland Alexander Short, fecharam, pela terceira vez, neste ano, uma casa de jogos de azar em Capão da Canoa, localizada na avenida Paraguassú no prédio onde funcionou o Bingo 53. No momento da abordagem, o prédio estava sem clientes, apenas com alguns funcionários. Não posso ter outra idéia a respeito de operações como esta a não ser a de que a polícia tem outras coisas mais importantes para fazer. Rapidamente, estive em Capão, e notei a existência de locais destinados ao jogo carteado (em belos e respeitáveis hotéis turísticos) cujos freqüentadores temem não só uma invasão criminosa de bandidos como a de uma ação moralista da polícia ou de uma força tarefa do Ministério Público.
Confessor
O caso do assassinato do médico Marco Antonio Becker, 60 anos, executado a tiros no último dia 4, está com as suas investigações, tecnicamente, sob sigilo determinado pela Justiça, No entanto, a mídia local revela que a polícia procura um confidente da vítima que saberia de coisas que poderiam encaminhar a um fio de cabelo (trata-se de alegoria minha) que poderia indicar um indício de alguém que teria motivos para matar ou mandar ma-tar Becker, ou, pelo menos, saberia algo sobre quem pretendia fazê-lo. Não sei se Becker era católico, mas se era, a polícia esta em busca de seu con-fessor.
Perfumados
O enxugamento na Brigada Militar, que poderia começar com um simples canetaço do Piratini, parece-me inviável. Eu gostaria de saber, por exemplo, o que já realizou pela segurança pública do RS um oficial da milícia gaúcha que, há 17 anos, está no TCE (Tribunal de Contas do Estado), onde chegou como tenente e, hoje, é major e está com um soldo que causa inveja a própria governadora Yeda Crusius. Vejam só: há quem queira obrigar os maestros e músicos das bandas da Brigada (ícones de nosso processo cultural e educacional) a irem para as ruas caçar bandidos e, ao mesmo tempo, preservam, com cinismo, a posição dos perfumados oficiais de gabinetes políticos.

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