Autor: da Redação

  • A Clarice Lispector na pintura  de Graça Craidy, em exposição em São Paulo

    A Clarice Lispector na pintura de Graça Craidy, em exposição em São Paulo

    No momento em que o primeiro livro de Clarice Lispector – Perto do coração selvagem -, completa 80 anos de seu lançamento, a escritora brasileira mais traduzida no mundo é homenageada pela artista visual gaúcha Graça Craidy em São Paulo.

    Graça abriu na última terça-feira (12/09), na Galeria Central do Conjunto Nacional (Av. Paulista 2073), a exposição “Clarices”, composta por 19 retratos que pintou da homenageada em diferentes técnicas e com inspiração expressionista. A visitação vai até 10 de outubro, com entrada franca. Pelo local – o primeiro centro comercial da cidade de São Paulo – passam cerca de 15 mil pessoas por dia. O fluxo favorece o objetivo da exposição, que é tornar a obra da autora mais popular e lida pelos jovens, principalmente.

    “Acho que a exposição está cumprindo o objetivo de trazer para mais perto das pessoas aquela que com seus estranhamentos e epifanias é a maior escritora brasileira modernista. Embora Clarice Lispector tenha partido há 46 anos (morreu de câncer, aos 57 anos, em 1977, no Rio de Janeiro), sua prosa se faz muito necessária neste momento histórico de vazio existencial e da valorização equivocada do aparente e do fútil”, diz a artista, que tem atelier e vive em Porto Alegre.
    Clarice nasceu na Ucrânia em uma família que precisou fugir da perseguição aos judeus. Ela chegou ainda bebê ao Brasil com os pais Pinkouss e Mania e as irmãs Tania e Elisa.  Inicialmente, eles moraram em Maceió, a seguir se mudaram para Recife e por fim para o Rio de Janeiro, onde Clarice se naturalizou brasileira no mesmo ano do lançamento de seu primeiro (e premiado) livro, dando início a uma carreira literária que impactou a crítica e arrebatou os leitores.

    O livro de estreia de Clarice saiu pela editora A Noite, ligada ao jornal A Noite, no qual a escritora trabalhava à época. O jornal A Noite foi fundado em 1911 por Irineu Marinho, que em 1925 criou O Globo. Após a morte de Irineu, coube a seu filho Roberto Marinho, jornalista e empresário, conduzir o jornal, embrião do atual Grupo Globo.
    A mostra de Graça Craidy já foi vista em Porto Alegre, entre outubro e dezembro do ano passado, e, neste 2023, no Rio de Janeiro, Niterói e Brasília, sempre em espaços culturais dos Correios. A atual montagem, na maior cidade do Brasil, ganha valor simbólico mais elevado por coincidir com os 80 anos do primeiro livro de Clarice, o romance lançado no segundo semestre de 1943.

    *Com Assessoria de Comunicação

    Fotos: Divulgação / Carlos Souza.

  • “Meio Fio – Vida De Cadeirante”, do fotógrafo Jorge Aguiar, em exposição no Centro Cultural da UFRGS

    “Meio Fio – Vida De Cadeirante”, do fotógrafo Jorge Aguiar, em exposição no Centro Cultural da UFRGS

     

    O Centro Cultural da UFRGS, juntamente com o  foto documentarista Jorge Aguiar, apresenta a exposição Meio Fio Vida De Cadeirante. Setembro Verde é o mês dedicado à conscientização sobre a importância da inclusão social de pessoas com deficiência, e o tema desta exposição é uma reflexão profunda sobre essa questão, capturada pelas lentes do fotógrafo Jorge Aguiar.

    Foto. Jorge Aguiar/ Divulgação

    A exposição/instalação Meio Fio Vida De Cadeirante conta com 20 imagens impressas em tecido Voil,
    cada uma narrando uma história poética de fragmentos da vida de homens e mulheres que, apesar de
    enfrentarem múltiplas formas de violência e preconceito, encontram na falta de oportunidades e na
    intolerância a força para lutar e resistir, mesmo diante da ausência das acessibilidades básicas.

    Foto: Jorge Aguiar/ Divulgação

    Ao longo de sua jornada pessoal, Jorge Aguiar dedica-se a explorar os aspectos humanos e suas
    diversas facetas. Essa percepção só se manifesta nas imagens apresentadas por este profissional, que
    utiliza a fotografia como sua ferramenta técnica e a luz como sua linguagem de expressão.

    Jorge diz: “esperamos que esta exposição inspire a reflexão e ações que promovam uma sociedade mais inclusiva e igualitária para todos. Junte-se a nós para celebrar a diversidade, o respeito e a inclusão das pessoas
    com deficiência.”

    Foto: Jorge Aguiar/ Divulgação

    Sobre Jorge Aguiar

    Fotojornalista há 50 anos, Jorge Aguiar trabalhou no Jornal do Comércio e no extinto jornal Diário de
    Notícias. Participou de exposições internacionais na Espanha, França, Portugal, Japão e Iraque. É
    fundador do Projeto Luz Reveladora Photo da Lata, e do Coletivo Click da Kombi e Ponto de Memória
    (Escola de fotografia Itinerante), instituição que ensina oficinas de pinhole a jovens e adultos em áreas
    de vulnerabilidade social. Ganhador do prêmio Direitos Humanos da UNESCO em 2003 como melhor
    projeto de divulgação dos direitos humanos no RS.

    Serviço:

    Exposição/Instalação: “ Meio Fio Vida de Cadeirante”

    Abertura: 12/09/23

    Horario:18h

    Visitação: 12/09 até 29/09

    Onde: Rua Engenheiro Luiz Englert, 333, Bairro Farroupilha, Campus Centro, Porto Alegre-RS

    Curadoria: Paulo Leonidas e Jorge Aguiar

    Produção: Isabel Meireles

    Realização: Coletivo Ponto de Memória Click da Kombi

    *Com Assessoria de Comunicação

  • O “Duplo Solo”, em grandes dimensões, de Lesiane Lazzarotti e de Luiz Badia, no Espaço Cultural Correios

    O “Duplo Solo”, em grandes dimensões, de Lesiane Lazzarotti e de Luiz Badia, no Espaço Cultural Correios

    A arte vibrante e visceral de Lesiane Lazzarotti encontra o expressionismo lúdico de Luiz Badia em Duplo Solo, exposição que terá vernissage no sábado, 9 de setembro, das 14h às 17h, no Espaço Cultural Correios. A mostra apresenta 25 obras de grandes dimensões que retratam a força da natureza e das mulheres, em diferentes formas de expressão. As produções poderão ser conferidas até 14 de outubro, com visitação de terça a sábado, das 10h às 17h.

    Mudanças – Obra de Lesiane Lazzarotti/ Divulgação

    Lesiane apresenta uma série de pinturas de árvores com uma grande familiaridade com emoções e momentos do cotidiano. Suas raízes, caules e troncos, que se entrelaçam, se conectam, trazem muitas histórias. São seres em evolução, como os seres humanos. Seus movimentos são diversos, no subsolo e suas raízes se comunicam com outras árvores e se deleitam com seus segredos.

    Mar de Tubarões – Obra de Luiz Badia/ Divulgação

    Já Luiz Badia traz uma série de pinturas em grandes dimensões que apresentam a mulher como tema, enfatizando seu empoderamento de uma forma lúdica, por meio de um estilo que combina Pop Art e expressionismo. São mulheres cheias de força e glamour. São personagens com coragem de enfrentar adversidades. E essas características são apresentadas com muito humor e cor, que deixam o tema lúdico e alegre.

    China Girl – Obra de Luiz Badia/ Divulgação

    As duas individuais que formam a exposição Duplo Solo pretendem mostrar com pintura um panorama do imaginário desses dois artistas, que, embora diferentes, estão conectados com o prazer de expressar a alma através da arte.

    Metamorfose – Obra de Lesiane Lazzarotti/Divukgação

    Os artistas

    Lesiane Lazzarotti é natural de Canoas, mas cidadã do mundo. Atualmente radicada no Rio de Janeiro, a artista gaúcha começou sua carreira na arte com uma exposição em Cuba e já expôs no Carrousel du Louvre em Paris e na sede da ONU, em Nova York. Com uma forte atuação social, em comunidades da África e do Brasil, Lesiane é membro da Academia Brasileira de Belas Artes desde 2019.

    Os artistas Lesiane Lazzarotti e Luiz Badia Foto:- Tatiana Csordas/ Divulgação

    Luiz Badia nasceu no Rio de Janeiro, em 1966. Na sua formação, passou pela Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, pelo Museu de Arte Moderna (MAM) e pela Escola Superior de Belas artes de Lisboa, entre outros. Tem uma vasta trajetória com exposições individuais, coletivas como artista e como curador. Com trajetória internacional, suas obras já estiveram presentes em exposições em Portugal, França, Estados Unidos, Colômbia e Chile.

    Serviço:

    Exposição Duplo Solo

    Abertura: 9 de setembro (sábado), das 14h às 17h.
    Visitação: até 14 de outubro – terça a sábado, das 10h às 17h.
    Local: Espaço Cultural Correios
    Endereço: Av. Sete de Setembro, 1020, Centro Histórico, Porto Alegre
    Entrada Franca

  • Martinho da Vila mostra o “Concerto Negra Ópera” e recebe homenagem da PUCRS

    Martinho da Vila mostra o “Concerto Negra Ópera” e recebe homenagem da PUCRS

    Em novembro, artista traz a Porto Alegre o Concerto Negra Ópera e recebe a Honraria Mérito Especial

    Martinho da Vila atua há mais de 50 anos no fortalecimento da cultura nacional, abraçando causas e temáticas sociais e fazendo música para todo mundo cantar, dançar e sambar. A honraria Mérito Cultural, que simboliza o reconhecimento da instituição a uma personalidade do meio artístico, será entregue em um show especial realizado em meio às comemorações de 75 anos da PUCRS, no dia 22 de novembro (quarta-feira), às 21h, no Salão de Atos Ir. Norberto Rauch.

    Os ingressos já podem ser adquiridos no site e aplicativo Guichê Web ou no Campus da PUCRS (Av. Ipiranga, 6681 – Prédio 15, Saguão do Living 360º, em frente à PUCRS Store), de segunda a sexta-feira, das 9h às 13h e das 14h às 19h.

    O Concerto Negra Ópera, inspirado no álbum que Martinho da Vila lançou em maio deste ano, promove a união de música popular e erudita, com referências da cultura afro-brasileira e tratamento orquestral ao repertório. É baseado no livro Ópera Negra, escrito pelo artista a partir da obra Pelléas et Mélisande, de Debussy. Em estrutura, o show se assemelha a uma ópera: apresenta abertura instrumental e divisão em três atos. As músicas abordam questões como a negritude, os conflitos da vida na favela, as rodas de capoeira e os pontos de umbanda e candomblé.

    A cada ano, o Mérito Cultural PUCRS é atribuído a uma personalidade do meio artístico cuja carreira seja marcada pela defesa da cultura enquanto instrumento de humanização e educação. O Mérito já homenageou Fernanda Montenegro (2018), Maria Bethânia (2019), Lima Duarte (2020), Alcione (2021) e Alceu Valença (2022).

    Fotografia: Leo Aversa/Divulgação

    No compasso do samba

    Martinho da Vila nasceu em Duas Barras, no Rio de Janeiro, em 12 de fevereiro de 1938. A partir de 1965, passou a se dedicar de corpo e alma à Escola de Samba Unidos de Vila Isabel: compôs grande parte dos sambas-enredo consagrados e colaborou para a criação de temas de inúmeros desfiles. Surgiu para o grande público no III Festival da Record, em 1967, quando apresentou o partido alto Menina Moça. No ano seguinte, na quarta edição do mesmo festival, lançou seu primeiro sucesso, o clássico Casa de Bamba, seguido de O Pequeno Burguês.

    Nacionalmente conhecido como sambista, o artista é um legítimo representante da Música Popular Brasileira (MPB), com várias composições gravadas por cantores e cantoras de diversas vertentes musicais. Ao longo de sua trajetória, lançou mais de 20 livros, ultrapassou o marco de 50 álbuns e acumulou inúmeros prêmios e títulos, entre os quais figura agora o Mérito Cultural PUCRS 2023.

    Serviço:

    O quê: Mérito Cultural | Martinho da Vila: Concerto Negra Ópera

    Data: 22 de novembro (quarta-feira)

    Horário: 21h

    Local: Salão de Atos da PUCRS

    Ingressos: Site e aplicativo Guichê Web ou no Campus da PUCRS (Av. Ipiranga, 6681 – Prédio 15, Saguão do Living 360º, em frente à PUCRS Store), de segunda a sexta-feira, das 9h às 13h e das 14h às 19h.

  • “Meu coração sempre me avisa”,  uma homenagem de João Maldonado aos 65 anos da Bossa Nova,

    “Meu coração sempre me avisa”, uma homenagem de João Maldonado aos 65 anos da Bossa Nova,

    A música, será lançada no dia 1º de setembro  nesta sexta-feira em todas as plataformas de streaming, conta com as participações de Roberto Menescal, da jovem cantautora Analu Sampaio e do baterista Paulo Braga, que também faz parta da história da Bossa Nova. Completam o time o baixista Luciano Albo e o flautista Franco Salvadoretti.

    “Meu coração sempre me avisa” estará também no próximo álbum de Maldonado em homenagem à Bossa Nova, previsto para o final do ano, trazendo diversos convidados para esta celebração, como Quarteto do Rio – cantando música de João Maldonado e Paulo Mello (baixista do Taranatiriça) e Antonio Villeroy – interpretando uma de suas canções nunca gravadas –. O single enfatiza os artistas que iniciaram o movimento e faz citações que ativam a memória afetiva e remetem aos seus maiores clássicos. Tudo veio despretensiosamente.

    Maldonado e Analu Sampaio. Foto: Nilton Santolin/ Divulgação

    Canto suave

    A batida do violão de João Gilberto aliado a um canto suave marcou o surgimento da Bossa Nova, que, em 2023, completa 65 anos. A data, não por acaso, marca o aniversário de Tom Jobim.

    Passadas seis décadas, a Bossa ainda encanta plateias, até muito mais no exterior que no Brasil. “De Frank Sinatra a Billie Eilish, centenas de compositores e intérpretes foram conquistados pelas harmonias sofisticadas e pela sutileza interpretativa características do gênero que, há muito tempo, já conquistou o seu lugar definitivo no mundo e levou a música brasileira a um patamar que nunca havia sido alcançado”, diz a escritora Bruna Ramos da Fonte, autora do livro Essa Tal de Bossa Nova.

    Musicalmente, a Bossa Nova traz o samba em seu DNA. Outros estilos foram se encaixando no estilo, entre eles o cool jazz do trompetista Chet Baker, a guitarra limpa e suave de Barney Kessel e as criações de impressionistas franceses, como Debussy e Ravel, sem falar na influência vocal de Frank Sinatra, Julie London e Ella Fitzgerald.

    O pianista e compositor João Maldonado. Foto: Alex Vitola/ Divulgação

    Batida do violão

    “Trouxemos para o movimento três coisas básicas: novas harmonias mais elaboradas, novas letras de música calcadas, principalmente, em coisas pra cima, esperançosas, evitando sempre aqueles lamentos dos sambas-canção, e, por fim, as batidas do violão que a gente fazia e não ficava feliz até que João Gilberto trouxe a dele e tudo arredondou”, resume Roberto Menescal, um dos pais da Bossa Nova e que participa do novo single do pianista João Maldonado, “Meu coração sempre me avisa”.

    João Maldonado – Foto Marcelo Nunes/ Divulgação

    “‘Meu coração sempre me avisa’ surgiu em 2021, literalmente, de um sonho que tive. Acordei de madrugada com a letra toda na cabeça para escrever e gravar. Ela ficou guardada este tempo para ser maturada e aguardar o momento certo e as pessoas certas para gravarem. Tudo se consolidou justamente no ano em que a Bossa Nova celebra 65 anos”, conta Maldonado.

    FICHA TÉCNICA
    MEU CORAÇÃO SEMPRE ME AVISA
    João Maldonado: composição, letra, música, piano, voz e arranjos
    Analu Sampaio: voz
    Roberto Menescal: violão
    Paulinho Braga: bateria
    Luciano Albo: baixo e arranjos
    Franco Salvadoretti: Flauta

    Estúdio Soma (Porto Alegre): Juliano Maffessoni
    Estúdio Marini (Rio de Janeiro): Mauro Araújo
    Estúdio La Maison (Rio de Janeiro): Didier Fernan
    Estúdio Cegonha (Porto Alegre) | Engenheiro de som, mixagem e masterização: Luciano Albo

    Selo: Loop Discos
    Com informações sobre a Bossa Nova no site da Abramus, com texto de Sérgio Martins: https://www.abramus.org.br/noticias/20578/bossa-nova-65-anos-e-cada-vez-mais-jovem/

  • Helena Terra autografa “Os dias de sempre”, no projeto Tardes Literárias nos Museus

    Helena Terra autografa “Os dias de sempre”, no projeto Tardes Literárias nos Museus

     

    A escritora gaúcha Helena Terra mergulha em sua alma, nas suas origens e expõe as raízes de uma sociedade que ainda não superou a herança escravocrata. “Os dias de sempre” é o terceiro romance da autora que exibe uma escrita profunda, envolvente e combativa. O lançamento será no sábado, 2 de setembro, das 15h às 18h. O evento marca também a estreia do projeto Tardes Literárias nos Museus, com sessões de autógrafos, saraus, cursos, leituras e debates, em uma parceria da escritora Helena Terra, com Roberto Prym, da editora Bestiário.

    O escritor Luiz Ruffato, que assina a orelha da obra, revela um pouco do que o leitor vai encontrar em “Os dias de sempre”: “Com personagens desenhados com mão firme, complexos e profundos, Helena Terra lança luz, com maestria, sobre um recôndito raras vezes frequentado pela literatura, o das obscuras relações entre os que servem e os que são servidos dentro de uma sociedade desigual e desumana como a brasileira.”

    No fluxo de consciência de Helena cabem suas memórias e as lembranças de um Brasil que até há pouco tempo normalizava a prática de presentear famílias abastadas com suas meninas. “O foco principal é a busca desesperada de Mariana por um leito de hospital para Nena, uma mulher que, ‘aos treze anos, com um buquezinho de flores na mão e uma trouxinha de pertences’, foi entregue à sua família para cuidar da casa”, pontua Ruffato.

    Na obra também há espaço para a crítica ao patriarcado e para a busca de reparação de um passado que não é só de sua família, mas de toda a sociedade. A reflexão, no entanto, não é panfletária, mas intimista, como que confessando baixinho o diário de fatos e de sentimentos de diversos capítulos de sua história.

    A escritora Helena Terra – Acervo Pessoal/ Divulgação

    Helena Terra nasceu em Vacaria, no interior do Rio Grande do Sul. É jornalista, formada pela Famecos-PUC/RS, editora e coordenadora do Clube de Leitura e Escrita “A palavra tem nome de mulher”, que incentiva a leitura na Penitenciária Feminina Madre Pelletier, em Porto Alegre.  É coautora da novela “Bem que eu gostaria de saber o que é o amor” (Bestiário, 2020) e autora dos romances “A condição indestrutível de ter sido” (Dublinense, 2013) e “Bonequinha de Luxo” (Diadorim, 2020). “Os dias de sempre” é seu terceiro romance.

    Helena é ainda conselheira e vice-presidente da Associação Literatura Livre, do Rio de Janeiro, e faz parte do grupo de jornalistas e escritores que criou a Besouros Abstêmios, também no Rio de Janeiro. Todos os livros da editora têm parte de suas tiragens direcionada para projetos de inclusão pela leitura. Em Porto Alegre, a autora fundou, em julho deste ano, a Peripécia Editora, com dois focos: o Selo Primeiros Livros, para resgatar as publicações de estreia de diversos autores, com lançamento exclusivo em formato ebook, e a publicação física de livros de literatura contemporânea produzidos por escritores e escritoras da região Sul. Na Peripécia, Helena conta com a parceria da editora Ana Cecília Romeu, da Camino Editorial, para as publicações de obras escritas por mulheres.

    Lançamento: Tardes Literárias nos Museus
    Livro: “Os dias de sempre”, Helena Terra
    Páginas: 184
    Editora: Besouros Abstêmios
    Valor: R$ 67,00
    Local: Café do Margs – Praça da Alfândega, s/n – Centro Histórico – Porto Alegre
    Data: 2 de setembro

  • “Nós” celebra 20 anos de carreira do diretor Everson Silva, com 40 atores no palco

    “Nós” celebra 20 anos de carreira do diretor Everson Silva, com 40 atores no palco

     

    A Nós – Cia. de Teatro apresenta a performance teatral Nós, que celebra os 20 anos de carreira do diretor Everson Silva. As sessões acontecem no Teatro Renascença (Centro Municipal de Cultura – Av. Érico Veríssimo, 307), nos dias 1, 2 e 3 de setembro, sempre às 20h, reunindo cerca de 40 artistas em cena. Os ingressos estão disponíveis pela plataforma Sympla e custam R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia-entrada).

    Foto: Fábio Zambom/ Divulgação

    O espetáculo se propõe a pulsar e revisitar – através das múltiplas veias artísticas – memórias, sentimentos e emoções, reconhecendo a arte que habita os corpos do elenco (através da dança, do teatro, da poesia e da música) que se transformam em acontecimentos e situações comuns da vida em sociedade. Nesse lugar que dá origem à uma metáfora sobre o que é estarmos juntos novamente – após o período de isolamento pandêmico –, o grupo vivencia a experiência do que é “vivermos entre nós”. O cenário do espetáculo é o corpo do grande grupo.

    Foto; Fábio Zambom/ Divulgação

    A partir daí, acontecem encontros e desencontros que se transformam em cenas intercaladas e fragmentadas, representadas nos corpos e vozes do elenco. A cada apresentação, a performance contará com a presença de um artista convidado, a exemplo do encenador Sandro Marques, da Cambada de Teatro em Ação Levanta Favela; e dos atores Jairo Klein e Henri Iunes.

    Relação de amor

    Nós me possibilita resgatar uma relação de amor com o fazer teatral e me aproximar da alma das pessoas”, afirma o diretor, ao descrever o encontro cênico com estes artistas de diversas vertentes e que fizeram parte, em algum momento, de sua trajetória de duas décadas na profissão. “Essa montagem é como um pulsar de vida, uma celebração do encontro entre pessoas que – em cena – se relacionam através de seus distintos materiais e experiências artísticas, me permitindo o exercício da direção cênica.”

    Foto: Fábio Zambom/ Divulgação

    Ainda de acordo com Everson Silva, Nós busca mais que proporcionar uma experiência viva de troca artística. “Propõe que a plateia se sinta inspirada e alimentada pela arte, que se apresenta através da performance teatral.” A obra é composta por 27 cenas.

    A companhia teatral contou com uma série de apoios para realizar os ensaios desta performance, que é a vigésima obra assinada por Everson Silva. Esses encontros começaram em janeiro e aconteceram, principalmente, na Casa de Cultura Mário Quintana, mas também nas sedes da Terreira da Tribo, do Espaço Dobra e da Usina das Artes. O grupo realizou, recentemente, a pré-estreia do espetáculo no Teatro Sesc Canoas; e, em seguida, um sarau performático, com cenas da montagem, no Café La Faísca. A estreia de Nós ocorreu no início de agosto, no Espaço La Photo.

    Ficha técnica:

    • Direção/criação: Everson da Silva
    • Texto e dramaturgia: Nós Cia. de Teatro com citações de Caio Fernando Abreu, Ana Martins Marques, Paul Éluard, Canción de Cuna – Miguel Poveda, Augusto Branco.
    • Roteiro: Everson da Silva, Liz de Bortolli, Ana Rodrigues.
    • Roteiro adaptado: Rosemar Silva da Silva.
    • Elenco: Adriana Lampert, Zé Passos, Cláudia Canedo, Kacau Soares, Ana Rodrigues, Vanessa Ivanoff, Amanda Hamermuller, Giulliano Pacheco, Aline Callegaro, Letícia Virtuoso, Leonardo Maya, Danielle Quintana, Silvana da Costa Alves, Ivan Nunes, Caroline Pinheiro, André dos Santos, Thali Bartikoski, Débora Berengan, Eduardo Engers, Elisiane Machado, Maiara Velho, Gabriela Tarouco, Monise Serpa, Naju Moraes, Taís Pagnussat, Laura Carvalho, Keila Reis, Júlia de Oliveira, Jho Balafa.
    • Produção: Kacau Soares.
    • Iluminação:  Veridiana Matias
    • Operador de som: Pedro De Camillis
    • Fotos: Fábio Zambom

     

    Serviço:

    Espetáculo: Nós – Performance teatral

    (Gênero: dança, teatro, música, poesia)

    • Data: dias 1, 2 e 3 de setembro
    • Horário: 20h
    • Local: Teatro Renascença (Centro Municipal de Cultura – Av. Érico Veríssimo, 307)
    • Duração: 60min.
    • Classificação Etária: 16 anos.
    • Ingressos: R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia-entrada)
  • Tabajara Ruas escolhido o patrono da 69ª Feira do Livro de Porto Alegre

    Tabajara Ruas escolhido o patrono da 69ª Feira do Livro de Porto Alegre

    No dia do seu aniversário, completou 81 anos nessa quinta-feira, o escritor e cineasta Tabajara Ruas foi anunciado o patrono da 69ª Feira do Livro de Porto Alegre, que acontecerá de 27 de outubro a 15 de novembro, na Praça da Alfândega. A escolha da Câmara Rio-Grandense do Livro aconteceu em coletiva de imprensa. Apesar de ter formação como arquiteto, o profissional ficou mais conhecido pela produção na Literatura e no Cinema.

    Ao todo, são 11 livros publicados no Brasil e traduzidos em 10 países. Entre eles, ‘A região submersa’ (1978), ‘Netto perde sua alma’ (1995), ‘O Fascínio’ (1997) e ‘Detetive Sentimental’ (2008). O autor ainda publicou as obras infanto-juvenis, como a trilogia ‘Diogo e Diana’, escrita em parceria com Nei Duclós, e as novelas ‘Gumercindo’ e ‘Minuano’ – que recebeu o ‘Troféu Açorianos’ de Melhor Obra Juvenil, em 2014.

     Atuando com o audiovisual desde 1978, como diretor, roteirista e produtor, ele adaptou, junto de o cineasta Beto Souza a obra ‘Netto perde sua alma’, em 2001, que recebeu no Festival de Cinema de Gramado o Kikito de Melhor Filme. ‘Anahy de las Misiones’ e ‘O Tempo e o Vento’ também recebem a sua assinatura. Assim como o documentário longa-metragem ‘Brizola – Tempos de Luta’ e ‘Os Senhores da Guerra’ – que recebeu o Prêmio Especial do Júri e de melhor Atriz Coadjuvante.

     Tabajara Ruas disse que “é o sonho de todo escritor gaúcho ser patrono da Feira do Livro e eu não sou diferente. Faremos um bom trabalho nesta feira no sentido de promover o livro, atrair leitores, principalmente a juventude”, explicou. Para o presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, Maximiliano Ledur, a escolha é uma homenagem ao escritor que ajuda a formar a identidade gaúcha. “É uma grande honra poder reconhecer na Feira do Livro esse autor que é um dos pilares da literatura e cultura brasileira, que traz em suas obras o amor e o carinho pelo nosso Estado.”

    Quem é o patrono

    Nascido em Uruguaiana, em 1942, Marcelino Tabajara Gutierrez Ruas estudou Arquitetura na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e Cinema na High School de Vejle, na Dinamarca. Entre as distinções recebidas estão a ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, no grau de Comendador; a Medalha da Vitória do Ministério da Defesa; o ‘Prêmio Erico Verissimo’; a Medalha do Mérito Farroupilha; o Troféu Guri; e o título de cidadão de Porto Alegre. Em 2020, foi agraciado com o Troféu Escritor do Ano do ‘Prêmio Academia Rio-Grandense de Letras’.  

     

  • Jerônimo Jardim (1944-2023)

    Jerônimo Jardim (1944-2023)

    GERALDO HASSE 

    Se estivesse em Porto Alegre nesta data, eu não teria perdido velório tão honroso no palco anexo do Teatro São Pedro.

    Imaginei uma festa com muitas vozes cantando ao som do piano de Geraldo Flach e o sopapo de Giba Giba. Justa homenagem a um cara diferenciado.

    Sem purpurina, para conhecer esse artista basta ouvir Abolerado Blues, Cobra Luz ou Astro Haragano.

    Falecido no dia 3/8 após resistir por 15 anos às dores de uma artrite reumatoide, o cantor, compositor musical e advogado Jerônimo Jardim fundiu em si a rudeza do gaúcho do pampa com o refinamento cultural da
    elite metropolitana.

    Aos 78 anos, chegou ao fim consagrado como grande
    ganhador de troféus e de vaias pela ousadia de seus versos e acordes.

    Outra mescla típica de JJ era a forma como temperava a timidez e a vaidade, características de uma personalidade que foi se fortalecendo na
    superação de dificuldades da vida.

    Admirado por homens e mulheres, tinha uma invejável melena mas a escondia sob um chapeuzinho de aba
    estreita… Ao contrário do que sugeria seu sorriso franco, ele enfrentou muitos perrengues. O pior foi a enfermidade que o acometeu logo após aposentar-se como funcionário público.
    Não posso lhe oferecer melhor homenagem do que copiar e colar (abaixo) o perfil publicado em janeiro de 2012 pelo site do Sul21.

    Eu já o conhecia pela TV graças ao bochincho de 1981 no Festival Shell de MPB no Rio, mas me descobri vizinho dele no quarteirão da Dr. Timóteo, em Porto Alegre.

    Apesar de caminhar com dificuldade, a ponto de recorrer a uma bengala, ele saía à avenida Cristóvão Colombo para pegar um assado no Espetão (na Bordini) ou bebericar uma losna na Felix da Cunha.

    Na sua simplicidade, ele sempre me saudava com alegria. Era assim com os amigos. Da última vez que o vi, há quatro ou cinco anos, ele vinha pela calçada, se apoiou numa árvore e sentou na mureta do canteiro para
    descansar: “Essa artrite reumatoide é uma merda!”, disse, logo transformando a careta de dor num sorriso.

    Sua força de vontade era extraordinária.
    Antes de despachar esse texto para a redação do JÁ, consultei o Dicionário Brasileiro Contemporâneo de Francisco Fernandes (1967, Globo/Melhoramentos, 1144 páginas) para tirar uma dúvida sobre se a
    palavra haragano seria com h ou a. Vale qualquer um dos dois modos, mas os verbetes são diferentes.

    Veja: ARAGANO, adj. (bras). Diz-se do cavalo espantadiço ou difícil de ser domado (do cast. haragán)
    HARAGANO, adj. (bras. do sul). Diz-se do animal que foge e dificilmente se deixa pegar; (fig.) vadio; mandrião; velhaco (do esp. haragán)

    (Segue o perfil publicado pelo Sul 21)

    O brilho haragano do astro Jerônimo Jardim

    Nos últimos quatro anos, depois de se aposentar como alto funcionário da  Justiça do Trabalho, o bacharel em leis Jerônimo Jardim vem peleando com uma tropilha de males, remédios e internações hospitalares. Ainda na
    última quinta (5/1), foi ao hospital marcar mais uma cirurgia, mas continua levando a vida com o ímpeto juvenil do centroavante que pintou como profissional na várzea de Bagé no início dos anos 1960, quando os
    bambas da posição eram o “cerebral” Larri no Internacional e o “tanque” Juarez no Grêmio.

    Além de deixar sequelas dolorosas, a artrite reumatoide, que se instalou de repente numa manhã dos seus 63 anos, exige doses cavalares de analgésicos, inclusive morfina, de tal forma que o veterano autor de
    sucessos da música popular como Purpurina e Astro Haragano precisou usar bengala por mais de um ano. Numa manhã dessas, ao sair para caminhar cedinho, já sem bengala, cambaleou ao atravessar a rua no bairro
    Floresta e teve de ouvir um “Te cuida, gambá!” lançado por um motorista.
    Contra seus hábitos ancestrais engoliu o desaforo, consciente de que o jogo está numa espécie de prorrogação. “Me salvei por muito pouco”, diz ele, lembrando que esteve sob os cuidados de 12 médicos da Unimed e do anjo-da-guarda que mora com ele, Clair Jardim, sua mulher nos últimos dez anos. Quando foi levado ao hospital, sua pressão arterial estava em
    6/3. Ficou 15 dias na UTI e depois passou um ano na cama.

    Na aparência, tudo bem. Ele continua com sua bela estampa de Mastroianni caboclo, bem aprumado, vasta cabeleira de poucos fios brancos. Na realidade, sofre de dores e alguma insensibilidade, mas o astro não se entrega. A música emana naturalmente, é uma forma de
    expressão incorporada ao seu modo de vida. Após encostar o violão durante os anos de tratamento médico, voltou a compor e na virada do ano aprontou uma canção que premedita  inscrever num dos festivais remanescentes da música nativa gaúcha.

    Há exatamente um ano, fiel à compulsão musical, gravou ao vivo com casa cheia na Sala Álvaro Moreyra em Porto Alegre o CD De Viva Voz, com músicas suas e letras próprias e de parceiros diversos como Luiz Coronel, Greice Morelli e Clair Jardim. Três dias antes do show havia morrido o pianista Geraldo Flach (1945-2011), seu amigo de mais de 30 anos e parceiro em Abolerado Blues, inspirado pela cantora Cida Moreira.
    Ainda no ano passado, perdeu outro parceiro, Rui Biriva (1958-2011), cujo último CD trouxera cinco parcerias deles.

    Vida marvada que ele atravessa sem queixas, apenas com algumas broncas, a maior delas contra a mídia gaúcha, mais aberta para os forasteiros do que para a qualidade artística existente em Porto Alegre. “Nunca o Rio
    Grande do Sul teve uma geração musical tão boa quanto essa que está atuando aqui”, diz Jardim, “mas a mídia é tão provinciana que só fala do que vem de fora”. Saudoso de outros tempos, ele acha que ao ignorar ou esconder os artistas gaúchos o diário Zero Hora trai a memória do seu
    fundador, Maurício Sirotsky. “Ele circulava na noite e mandava abrir espaço para os artistas.”

    Nesse seu oitavo disco, em que se destacam belos arranjos e execuções de sax de Pedrinho Figueiredo, o compositor sobrevivente percorre 14 canções singelas em ritmo de choro e samba. O veterano crítico musical
    Juarez Fonseca, que acompanhou toda sua carreira, qualificou-o como seu melhor show em palco. Com esse CD, ele completou 98 músicas gravadas, que se dividem entre temas campeiros e urbanos. Em todas, aparecem suas marcas registradas: letras fortes com boas rimas, melodias singelas e arranjos rebuscados, muitos deles buscando harmonias do jazz.

    Filho mais velho de pai militar, Jerônimo tem cinco irmãos nascidos em diferentes cidades do Rio Grande do Sul. Viu a luz em Jaguarão, mas se achou adolescente em Bagé, onde começou a tocar violão e participar de
    conjuntos musicais que animavam bailinhos juvenis. Amador na música,
    cantou muita serenata diante dos sobrados da Rainha da Fronteira. Quase
    profissional no futebol em Rio Grande, concluiu ali o curso de direito e
    voltou para Bagé casado com a riograndina Mara Ferreira, com quem abriu
    um escritório de advocacia. Tinha tanta gana profissional que em apenas
    um ano participou de cinco júris. Nas viagens de serviço a Porto Alegre,
    entretanto, caiu nas rodas da boemia, tanto que acabou trocando a
    carreira jurídica pela vida artística.

    Para sobreviver na capital começou fazendo jingles para a agência do
    amigo Luiz Coronel. Em pleno “milagre econômico brasileiro” (1967/1973),
    conheceu o compositor Lupicínio Rodrigues (1914-1974), apresentado pelo
    radioator Walter Ferreira. Já em fim de carreira, o velho Lupi vivia na
    noite mas sobrevivia graças aos proventos do emprego público como bedel
    da Faculdade de Direito da UFRGS. Era um exemplo de sobrevivência que JJ
    seguiria  muitos anos mais tarde, mas enquanto sentiu pulsar a juventude
    em suas artérias o garotão de Bagé foi tocando a vida como se não
    houvesse diferença entre o dia e a noite.

    Ganhou muito, muito dinheiro como diretor da house agency da Rainha das
    Noivas ao longo da maior parte da década de 1970.  Quando as três lojas
    do começo chegaram a 12, JJ ganhava mais do que os diretores graças a
    uma participação de 0,25% nas vendas da rede. Teria ficado rico nessa
    rendosa atividade se não tivesse cedido ao desafio lançado por uma
    cantora gaúcha que fazia sucesso no Rio de Janeiro no final dos anos
    1970. Quem tivesse sangue nas veias e música na alma não resistiria ao
    sotaque acariocado de Elis Regina. No auge, ela tinha acabado de gravar
    os melhores discos de sua carreira. Aos 36 anos, após instalar a família
    (mulher e um casal de filhos) num apartamento recém-comprado em Porto
    Alegre, o artista sonhador foi morar numa pensão do Leblon, onde se
    hospedou num quarto com meia dúzia de marmanjos.

    Animado, ligou para Elis. A amiga estava na fossa. Bad trip. Tinha sido
    dispensada pela gravadora por vender muito pouco, apenas 30 mil discos
    enquanto outras recém-chegadas do Nordeste passavam de 200 mil. “Não
    posso te arranjar nada”, disse a estrela, “mas vou te apresentar a umas
    pessoas”. Foi assim que conheceu o casal Lucinha-Ivan Lins. Eles
    gravavam jingles e participavam de shows no Rio e arredores. Havia
    outros gaúchos lutando por um lugar na ribalta carioca. Kleiton e
    Kledir. Bebeto Alves. Sem contar estrelas cadentes como Nelson
    Gonçalves. Pouco tempo depois de chegar, JJ já jogava bola com a turma
    de Chico Buarque.

    No batidão das rodas de samba morou por cerca de quatro anos no Rio de
    Janeiro, entre 1980 e 1984, voltando a Porto Alegre após concluir que
    havia embarcado tarde demais no trem da MPB. “Quando eu procurava meu
    lugar, o público virou para o rock”, explica ele. Enquanto os artistas
    consagrados como Chico Buarque e Tom Jobim refugiavam-se no exterior,
    onde tinham demanda, o espaço em discos, palcos e emissoras de rádio e
    TV era ocupado pelo Barão Vermelho, Blitz, Legião Urbana e diversas
    personalidades do rock, de Erasmo Carlos a Rita Lee passando por Cazuza
    e Renato Russo.

    Aos temporões como JJ sobravam migalhas do banquete do showbiz da
    Cidade Maravilhosa. Um dos saldos positivos de sua vida no Rio foram
    gravações de músicas suas por Elis Regina (1945-1982), uma delas (Roda
    de Sangue) usada como trilha de duas novelas da TV Globo. O maior brilho
    carioca foi a vitória no Festival MPB Shell da TV Globo de 1981 com a
    canção Purpurina. Cantada por Lucinha Lins, a composição classificou-se
    naturalmente entre as finalistas mas foi recebida por uma vaia
    interminável após o anúncio dos vencedores (a canção preferida do
    público era Planeta Água de Guilherme Arantes).

    Jerônimo Jardim ganhou US$ 300 mil, remeteu a maior parte para a
    família e ficou na Cidade Maravilhosa, agora num apartamento, tentando
    virar estrela. Gravou um disco produzido por Ivan Lins e concorreu
    novamente ao Festival Shell de 1982, mas desta vez, neca. Quando as
    reservas acabaram, ele não teve outra saída senão voltar para o antigo
    ninho. Bem nessa época os irmãos K&K emplacaram “Deu Pra Ti/Baixo
    Astral/Vou pra Porto Alegre/Tchau”. Era o fim de uma época.

    Insistindo em viajar na contramão do convencional, montou com Ivaldo
    Roque e outros parceiros a Pentagrama, um produtora de música com que se
    lançou a novos desafios. Foi marcante mas durou apenas três anos.

    Com a garra de sempre, JJ compôs solito a canção Astro Haragano, cuja
    letra recordava a passagem do cometa de Halley — uma decepção para a
    maioria das pessoas. Na noite de 7 de dezembro de 1985, o cometa
    aparecia no céu como um pequenino chumaço de algodão no céu; no palco ao
    ar livre da XV Califórnia da Canção Nativa em Uruguaiana, Jerônimo
    Jardim soltou o vozeirão ao cantar uma de suas melhores obras musicais.

    Astro Haragano
    (Jerônimo Jardim)

    É fogo, é gelo, verdade, ilusão
    Vento de prata/escarcéu
    Varando a noite campeira
    repontando estrelas
    na estância do céu
    Chispa de sonho,
    galope de luz,
    mistério na imensidão
    pingo tordilho cigano
    qual boitatá na escuridão
    Astro haragano
    esperança fugaz
    passando em meu coração
    de encontrar meu menino
    tropa de osso
    roda pião
    roda pião

    Com acordes dissonantes e um arranjo sofisticado, Astro Haragano foi
    recebido em silêncio pelas 15 mil pessoas presentes na Cidade de Lona, a
    seis quilômetros do centro de Uruguaiana. Quando se proclamou o
    resultado final e JJ ficou com o primeiro lugar, o público vaiou e
    começou um bochincho que se estendeu até de madrugada. A maioria foi
    embora, mas um grupo de pessoas cercou o palco, exigindo que o
    compositor devolvesse o troféu, representado pela calhandra, ave
    galhofeira quiçá lembrada por Atahualpa Yupanqui nos versos “yo soy
    pajaro corsario que no conoce el alpiste”.

    JJ não entregou a Calhandra de Ouro. Houve um momento em que,
    estimulado por um fotógrafo ávido de sangue, esboçou sair no braço com
    os revoltosos,  mas foi contido por outros músicos. “Fica quieto, esses
    caras te matam”, disse-lhe o escritor Dilan Camargo. De madrugada, os
    ânimos mais serenos, ele saiu da Cidade de Lona abraçado por duas
    prendas e escoltado por dois brigadianos. No caminho para a cidade, teve
    de ouvir do representante da sua gravadora: “Estou aqui porque me
    mandaram, mas tua música é uma merda”. Acabou indo dormir na casa de
    amigos, pois também mo hotel os revoltosos haviam armado um piquete
    contra o autor do Astro Haragano.

    Contado assim, 26 anos depois, parece tranquilo, mas foi um baita
    trauma. Dias depois, em Porto Alegre, o herói da XV Califórnia teve uma
    tremedeira antes de subir a um palco, seu habitat predileto ao longo da
    vida. Por pouco não fugiu da raia. Cumpriu o compromisso, mas resolveu
    dar um tempo. Depois daquele show do final de 1985 na capital, ficou
    oito anos sem tocar violão, sem compor e sem se apresentar publicamente.
    Voltou a dedicar-se ao lado B — de bacharel em direito, atividade que
    combinaria com bicos em vendas e publicidade. Só reassumiu o lado A – de
    artista — em 1993, quando a milonga Portal, composta em 1984 durante
    uma viagem a Bagé e apresentada pela cantora Muni, ganhou um festival
    regional patrocinado pelo Carrefour.

    Na década de 1990, o lado B se impôs. Em busca de estabilidade, ele
    passou num concurso para servidor da Justiça do Trabalho, onde trabalhou
    dez anos nos bastidores das disputas trabalhistas, assessorando juizes,
    procuradores e desembargadores. Foi nesse ofício espinhoso que ele legou
    à Justiça do Trabalho um manual de procedimentos que zerou a pilha de
    recursos não julgados em tribunais regionais. Com esse trabalho
    desenvolvido em Porto Alegre nos primeiros anos do século XXI, Jerônimo
    Jardim ganhou o respeito dos pares e a gratidão da desembargadora Rosa
    Maria Weber, recentemente elevada ao cargo de ministra do TST.

    Nesses anos hard na JT, faltou tempo para as atividades light, até que
    venceu o tempo da aposentadoria. A partir de 2005, JJ acabou organizando
    suas memórias, abertas ao público no site www.jeronimojardim.com. Já sua
    vida cotidiana está exposta no blog http://jeronimojardim.zip.net. Aqui
    e ali ele vem brigando pelo pagamento de direitos autorais sobre obras
    veiculadas na Internet. Não pensa só na sua centena de canções, mas nos
    seus cinco livros infantis e dois livros de ficção para adultos, o
    último deles – Serafim de Serafim (Editora Alcance) – lançado na Feira
    do Livro de Porto Alegre em novembro de 2011.

    No final do ano passado, participou de um seminário em Porto Alegre
    sobre o assunto, mas acabou se retirando antes do final, revoltado com
    os que defendem a liberdade de apropriação das obras artísticas. “Eu
    também quero chegar na farmácia e no supermercado e levar as coisas sem
    pagar”, diz ele, ironizando os “comunistas ávidos pelo alheio”. Nessa
    briga pessoal/coletiva, um dos seus parceiros é o músico Raul Ellwanger.

    Na primeira semana de 2012, ele vibrou ao saber que a Espanha preparou
    o caminho para que se respeitem os direitos dos criadores de músicas e
    obras literárias. Se é viável lá, por que não fazê-lo aqui? Há pouco ele
    encaminhou ao Escritório de Cobrança de Direitos Autorais (ECAD) um
    anteprojeto de lei impondo o pagamento de direitos autorais veiculados
    na internet. Duvida que algum parlamentar tenha coragem de colocar o
    guizo na cauda dos leões da mídia digital, mas não desiste. “Acho que o
    projeto vai ter de ser apresentado pelo Executivo ou pelo Judiciário”,
    diz ele.

    Nessa sua última luta, Jerônimo Jardim une finalmente os lados A e B: o
    bacharel em ciências jurídicas assume a defesa do(s) artista(s). Uma
    bela síntese existencial para alguém que levou a vida acolherando duas
    atividades fundamentais: a arte que gratifica e a lei que garante os
    direitos humanos.

  • Musical “Aladdin” faz temporada em agosto no Teatro do Museu do Trabalho.

    Musical “Aladdin” faz temporada em agosto no Teatro do Museu do Trabalho.

    O musical infantil que agrada crianças, adolescentes e adultos faz temporada em agosto na capital. Com números musicais, danças, figurinos deslumbrantes e muita magia, o espetáculo Aladdin, da Cia. Ronald Radde,  estará em cartaz nos dias 6, 13, 20 e 27 de agosto, às 17h, no Teatro do Museu do Trabalho (Rua dos Andradas, 230, Centro Histórico). Os ingressos custam R$ 60,00 e podem ser adquiridos na plataforma Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/espetaculo-teatral-aladdin-agosto-de-2023/2096222)  ou uma hora antes na bilheteria do teatro.

    Foto: Adriano Cescani/ Divulgação

    Apresentada pela primeira vez ao público em 2022, a história de Aladdin, dirigida por Karen Radde, foi adaptada em um musical de uma hora de duração com canções autorais, compostas por Jennifer Franco e Thomas Picinini, coreografias pensadas pelo bailarino e coreógrafo Mauricio Miranda, figurinos coloridos, assinados pelo renomado estilista e figurinista Daniel Lion, cenários criados por Diane Sbardelotto e efeitos especiais, que fazem personagens voar em cena.  No elenco, Vinicius Mello (Aladdin), Jennifer Franco (Princesa Jasmin), Evandro Soldatelli (Gênio), Daiane Oliveira (Abu), Adriano Cescani (Jafar), Vinicius Petry (Sultão) e Yuri Niederaurer (Guarda Rachid e Tapete).

    Fptp: C2 Comunica/Divulgação

    No clássico, um jovem pobre descobre uma lâmpada mágica com um gênio que pode lhe conceder desejos. Agora o rapaz quer conquistar a moça por quem se apaixonou, mas o que ele não sabe é que a jovem é uma princesa. Agora, com a ajuda do gênio, ele tenta se passar por um príncipe para conquistar o amor da moça e a confiança de seu pai.

    Foto: Adriano Cescani/Divulgação

    FICHA TÉCNICA

    Direção – Karen Radde

    Figurinos – Daniel Lion

    Composições e Trilha Sonora – Thomas Picinini e Jennifer Franco

    Coreografias – Mauricio Miranda

    Cenografia –  Diane Sbardelotto e Vinicius Mello

    Artista Gráfico – Daniel Anillo

    Produção – Cia Ronald Radde

    Produção Executiva – Vinicius Mello

    Maquiagem: Renata Bregagnol

    Fotografia: Rogério Fernandes

    Assessoria de Imprensa: Adriano Cescani

    SERVIÇO

    O QUE: ALADDIN

    DATA:  6, 13, 20 e 27 de agosto

    HORÁRIO:  17h

    LOCAL:  Teatro do Museu do Trabalho (Rua dos Andradas, 230, Centro Histórico)

    Informações: 51.9107-2473/51.93288796

    Foto: C2 Comunica/ Divulgação

    INGRESSOS:

    Valor: R$ 60,00

    – SYMPLA: https://www.sympla.com.br/evento/espetaculo-teatral-aladdin-agosto-de-2023/2096222

    – No teatro, ponto de venda física: apenas 1h antes do evento