Carol e Amanda Senna lançam “Luzeirim Poético”, com versos de brincar e encantar

O projeto ‘Luzeirim Poético: versos de brincar e encantar’ chega na hora certa, um tempo de valorizar a educação, a arte e as crianças. Elaborado com muito carinho pelas irmãs Carol e Amanda Senna, financiado pela Lei Aldir Blanc, pelo edital Marco Polo, contempla o lançamento de dois livros ilustrados voltados ao público infantil, que falam sobre a natureza e a diversidade cultural e ambiental em linguagens da cultura popular brasileira.

Nas quadrinhas ilustradas “Muitos mundos em um só”, de Carol Senna, o personagem viaja observando a diversidade e contempla a sabedoria da empatia. “Adivinha quem é – pássaros em cordel”, de Amanda Senna, apresenta pássaros do Brasil e vem na forma da literatura de cordel, com adivinhas. As multiartistas, escritoras e educadoras, nascidas em Pernambuco e radicadas no RS há nove anos, tem uma ampla trajetória ligada à cultura popular e a educação. Os livros serão lançados dia 04 de setembro, às 19h, nos canais de YouTube e Instagram do projeto, em live com as autoras. No dia 07 de setembro serão lançados vídeos sobre cada um dos livros, com Amanda e Carol, respectivamente às 16h e 17h.

Carol e Amanda tem em sua linha do tempo familiar o afeto da cultura popular. Nascidas e criadas no nordeste pernambucano do Brasil, suas referências são repletas dessa cultura tão brasileira e tão representativa. A ideia é ampliar o repertório estético, poético e imaginativo para as famílias do RS, colocando foco na cultura popular, nas minorias, na diversidade do mundo lúdico das crianças, trazendo uma linguagem popular e viva aos livros.  “A poesia popular traz a possibilidade do brincar com a palavra, tão cara ao universo infantil. As crianças bem pequenas são especialmente sensíveis e requerem conteúdo de qualidade que contemple suas necessidades. Percebemos a escassez na oferta nesse segmento e assim criamos nossas obras para contemplar este público”, afirmam as autoras. O estabelecimento de iniciativas culturais voltadas a crianças, mas que também têm o potencial de tocar e envolver os adultos cuidadores favorece as relações e vínculos, reverberando de forma positiva para a vida daquele indivíduo e do meio social onde ele está inserido. “Os livros ilustrados são um potente instrumento de conexão com as crianças. A infância é alimentada por histórias, pelo brincar e pelas imagens significativas. No contexto atual de tamanho desafio para crianças e famílias, oportunizar arte, poesia, história e brincadeira de forma integrada, com conteúdo ligado à diversidade e aos elementos da natureza, sem dúvidas contribui para a promoção da vida de crianças e famílias” complementam Carol e Amanda.

Além dos lançamentos dos livros, o projeto ‘Luzeirim Poético: versos de brincar e encantar’, prevê a realização de dois vídeos de mediação de leitura pelas autoras, um para cada obra, incluindo a proposição de brincadeiras e canções associadas aos conteúdos poéticos. O resultado será postado nas redes sociais do grupo Luzeirim e lá ficará à disposição do público a partir do dia 07 de setembro.

Amanda é pesquisadora, professora de artes, contadora de histórias, bonequeira, cordelista, arte educadora premiada e brincante. Carol é educadora, compositora, poeta, pesquisadora, brincante e tutora da Escola Caminho do Meio do Centro de Estudos Budistas. Fazem parte da Cia. Luzeirim, um coletivo familiar composto pelas irmãs e parceiros, que surgiu da vontade de brincar e espalhar a alegria e valores humanos presentes na cultura popular brasileira, como cooperação, diversidade e integração com a natureza. Ensinam o público a brincar na rua, no quintal, em escolas ou em praças, com música, dança, palhaçaria e brincadeiras inspiradas em manifestações brasileiras como a ciranda, o xote, o cacuriá, e brincadeiras de roda de norte a sul do país.

         

Sobre os livros:

“Muitos mundos em um só”, de Carol Senna, é um poema em quadrinha que aborda a diversidade de perspectivas e a necessidade de respeito e cuidado ao universo comum. Voltado ao público infantil, em especial às crianças da educação infantil ou anos iniciais do ensino fundamental, utiliza o formato de quadrinhas a fim de ser recitado, trazendo a métrica mais popular dentre a tradição da poesia oral do Brasil, e que se conecta diretamente com a oralidade e a cultura da infância. O enredo aborda de forma lúdica o tema da empatia, remetendo à importância de perceber os diferentes “mundos” que surgem a partir dos diferentes pontos de vista e experiências de uma diversidade de seres, não apenas diferentes seres humanos, mas também outros seres que compartilham conosco a biosfera. A empatia surge de forma metafórica e diz sobre o conjunto de referências da autora, que, também sendo educadora, pesquisa a interface entre as diferentes linguagens artísticas, como a música e a poesia, e o cultivo de habilidades socioemocionais e valores humanos na convivência com as crianças. As ilustrações são inspiradas no repertório afetivo da autora, trazendo de forma singela referências a diferentes biomas brasileiros.

“Adivinha quem é – pássaros em cordel” é uma série de adivinhas em cordel com pássaros da região (ilustrações inspiradas na xilogravura), de Amanda Senna. Indicado para o público infanto-juvenil, mas a brincadeira que ele traz certamente vai cativar pessoas de todas as idades. O texto em cordel é composto por adivinhas em sextilhas, e cada adivinha aborda um pássaro diferente. O livro é um convite ao brincar e desperta a curiosidade e interesse sobre esses animais ainda tão presentes e atraentes em nosso cotidiano, apesar da crescente urbanização. As ilustrações são inspiradas na xilogravura, promovendo a diversidade por meio dessa estética tão ligada à cultura popular brasileira. Este livro inclui dez pássaros presentes na fauna do Rio Grande do Sul, e se propõe como um primeiro volume de uma série a ser continuada, pois a autora possui adivinhas em cordel para mais vinte animais. O projeto gráfico convida a um brincar com o livro, favorecendo o mistério proporcionado pela adivinha.

Ficha técnica

Projeto

Coordenação de projeto: Carolina Senna

Coordenação de produção: Produção: Cristiane Cubas

Mídias sociais: Rossana Benevenutte

Livro “Muitos Mundos em um Só”

Autoria e Ilustração: Carol Senna

Diagramação e projeto visual: Didi Jucá

Livro “Adivinha quem é – pássaros em cordel”

Autoria e Ilustração: Amanda Senna

Diagramação e projeto visual: Murilo Silva

Serviço

Projeto Luzeirim poético: versos de brincar e encantar

Lançamento dia 04 de setembro, às 19h

em live com as autoras nos canais YouTube e Instagram do projeto

Dia 07 de setembro – Lançamento dos vídeos no YouTube e Instagram do projeto

16h – Luzeirim poético: versos de brincar e encantar – Amanda Senna

17h – Luzeirim poético: versos de brincar e encantar – Carolina Senna

*O projeto prevê a distribuição gratuita dos livros para pontos de leitura (bibliotecas comunitárias – ONG Cirandar) e Secretarias de Educação de Viamão, Porto Alegre, Gravataí, Alvorada, Cachoeirinha e Guaíba.

Projeto realizado através do Edital Criação e Formação Diversidade das Culturas realizado com recursos da Lei nº 14.017/20 / Ministério do Turismo, Secretaria Especial de Cultura, Secretaria de Estado da Cultura e Fundação Marcopolo

#editalfundacaomarcopolo #leialdirblanc #sedacrs #fundacaomarcopolo

Clara Pechansky e Liana Timm expõem em Gramado mostra que percorrerá o Interior 

As artistas visuais Clara Pechansky e Liana Timm comemoram 65 e 52 anos de carreira, respectivamente, com uma exposição conjunta: “Duas mulheres de fino traço”. A abertura será no sábado (4/9), às 11h, no Centro Municipal de Cultura de Gramado, onde ficará até 10 de outubro. Depois, a exposição percorrerá cidades do Interior do Estado.

OS TONS DA LIBERDADE, de Liana Timm. Fotos: Divulgação

Clara e Liana vão apresentar 30 desenhos a traço de nanquim, acrílica, pastel, lápis de cor e colagem de tecido. As carreiras das duas se entrelaçam nos últimos 40 anos. A paixão pelo desenho manteve-se sempre acesa. Juntas, elas produziram eventos significativos e conduziram suas trajetórias sem fazer concessões.

CLARA PECHANSKY. DELÍRIOS DO GENERAL. NANQUIM E ACRÍLICA. 32x41cm. XVIII.2020

O estilo de ambas se reafirma com o passar dos anos, mas elas permanecem correndo o risco: onde o traço de cada uma predomina, a emoção persiste, as ideias se mantêm perenes. Através do traço se expressam, e a posição de cada uma fica muito nítida, como são nítidos e precisos os recursos gráficos que utilizam.

AS INTERROGAÇOES, de Liana Timm.

Os trabalhos são acompanhados por textos do jornalista e escritor Flávio Tavares, amigo de Clara desde a militância estudantil de ambos na década de 1950, e pelo crítico de arte Jacob Klintowitz, além de murais com escritos referentes à obra e ao estilo das duas artistas e depoimentos delas próprias.

CLARA PECHANSKY. CASAL BRINCANDO NA CAMA. NANQUIM, TECIDO E ACRÍLICA. 25x35cm. II.1997

Trajetórias

Clara Pechansky é natural de Pelotas, onde nasceu em 1936. Moradora de Porto Alegre há 65 anos, é desenhista, pintora e gravadora. Com 70 exposições individuais realizadas no Brasil e no exterior, e mais de 200 coletivas, mantém-se atuante também como gestora cultural, com projetos como Miniarte e Fiesta de Paz Brasil. Suas obras já foram expostas na Alemanha, Bélgica, Chile, Cuba, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, Holanda, México, Suíça e Portugal. Entre 2020 e 2021 foi Artista Homenageada em três mostras da Universidade Autônoma de Sinaloa, México, pelo seu trabalho em prol da difusão cultural entre os povos.

A GRAVIDADE, de Liana Timm.

Liana Timm nasceu em Serafina Corrêa em 1947. É artista multimídia, arquiteta, poeta e designer. Vive em Porto Alegre com atelier em permanente ebulição. Sua produção mescla manualidade e tecnologia, conceito e materialidade, história e contemporaneidade. Transita pelas artes visuais, pela literatura, pelas artes cênicas e pela música. Realizou 74 exposições individuais, 32 shows musicais, publicou 61 livros, sendo 18 individuais de poesia. Recebeu 15 prêmios e desenvolve suas produções culturais e projetos editorias através da Território das Artes.

CLARA PECHANSKY. CASAL TOCANDO MOZART.. NANQUIM E ACRÍLICA METÁLICA. 29x39cm. XIV.2021

*As obras da exposição estarão à venda pelo website da Território das Artes. 

SERVIÇO:

 O quê: Exposição Duas mulheres de fino traço

Abertura: 4 de setembro 2021

Horário: 11h

Local: Centro Municipal de Cultura de Gramado

Endereço: Rua Leopoldo Rosenfeld, 818

Entrada gratuita

OBS: Acesso conforme as determinações sanitárias das autoridades

 

A figura do gaúcho no olhar crítico de Ricardo Giuliani, no Museu de Arte de SM  

O artista visual Ricardo Giuliani inaugura no próximo dia 9 de setembro, no Museu de Arte de Santa Maria (MASM), a mostra individual “Um Gaúcho”, exibida originalmente em 2018, no Museu de Arte do Rio Grande Sul (MARGS), em Porto Alegre. Com curadoria de José Francisco Alves, reúne 70 obras, entre pinturas, desenhos e aquarelas, que sintetizam uma crítica social sobre o personagem máximo de nossa história e cultura – o Gaúcho.

Foto: Nilton Santolin/ Divulgação

A produção de Giuliani, que tem se dedicado às artes visuais desde 2012, parte das questões sociais e políticas para o seu posicionamento no mundo, materializado sob a forma de sua arte. Um artista cronista, ou um observador inquieto, que, por meio das artes visuais, propõe uma resposta crítica às mazelas do povo a partir do nosso tipo regional. O gaúcho, conforme a ótica de Giuliani, “é o gaúcho a pé e não o centauro da pampa”.

Foto: Nilton Santolin/ Divulgação

No MARGS, em 2018, o artista lançou mão dos grandes formatos, com duas grandes pinturas épicas, especiais para a exposição: “Boa Ventura I”, com 10 metros de comprimento, e “Boa Ventura II”, de 8,9 metros de comprimento. As duas obras poderão ser prestigiadas em Santa Maria em versões reproduzidas digitalmente, como uma nova forma de veiculação das obras.

Selecionada por edital público, a mostra ficará disponível para visitação até o dia 8 de outubro e será composta por uma seção extra de obras oriundas de fases distintas de Giuliani, um apanhado da produção de séries que integraram outras mostras, individuais e coletivas do artista. Trata-se de um pequeno recorrido biográfico de sua produção com o objetivo de incluir outros temas tratados pelo artista ao longo do tempo.

Foto: Nilton Santolin/ Divulgação

Bate-papo virtual 

Como forma de ampliar o debate sobre a temática durante os “festejos” farroupilhas, o @abertoespacocultural – galeria localizada em São Francisco de Paula, onde se encontram hoje os principais trabalhos do artista – irá promover, concomitantemente, uma série de lives em seu perfil no Instagram, com leitura e bate-papo sobre textos do livro homônimo à exposição. O impresso apresenta uma série de imagens das obras que estarão expostas no museu e têm pequenos contos e croniquetas intercaladas redigidas por Giuliani.

Entre os convidados das lives, que ocorrem todas as segundas-feiras, às 19h, grandes nomes da arte e da cultura, como o escritor e poeta Dilan Camargo, responsável pela apresentação do livro, o jornalista, músico, historiador e ex-secretário de Estado Victor Hugo, o músico e compositor Ernesto Fagundes, além do chef de cozinha Marcos Livi.

“Desde 2018 o Ricardo não produzia nenhuma mostra individual e agora, encerra o ciclo da ‘Um Gaúcho’ em um dos espaços institucionais mais importantes do Estado”., explica Marla Trevisan, Gestora Cultural do ABERTO. Trata-se, também, de um “fechamento” simbólico desta fase do artista junto à Mostra “Um Gaúcho”. A boa notícia é que Giuliani já se prepara para uma nova empreitada. A série intitulada “Cría cuervos y te sacarán los ojos” começa a ser desenhada.

Foto: Nilton Santolin/ Divulgação

Sobre o Artista 

Natural de Quaraí/RS, o advogado, especialista em direito privado pela PUC/RS, mestre e doutor em direito pela UNISINOS/RS tem se dedicado às artes visuais desde 2012, quando descobriu a linguagem pictórica e começou a produzir intensamente, apaixonado por essa nova possibilidade estética. A arte, para ele, é definidora das possibilidades de estar no mundo para dividi-lo com o outro. Como músico, participou de festivais nativistas na década de 1980, sem nunca abandonar a MPB e o rock; como escritor, além de contribuir com crônicas em vários jornais e revistas, publicou seis livros, sendo finalista do Prêmio Açorianos de Literatura, na categoria Crônica, em 2012. Também coleciona obras em acervos, em especial do MARGS; MACRS – Museu de Arte Contemporânea do RS; MARCO – Museu de Arte Contemporânea do Mato Grosso do Sul; Centro Cultural Dr. Henrique Ordovás Filho e Universidade de Caxias do Sul, ambos em Caxias do Sul, RS; e na URI em Erechim, RS.

Para a exposição, a visitação é gratuita, no período de 9 de setembro a 8 de outubro. Visitas mediadas podem ser agendadas no e-mail masmdigital@gmail.com.

Foto: Nilton Santolin/ Divulgação

SERVIÇO 

Um Gaúcho no Museu de Arte de Santa Maria 

Período: De 09 de setembro a 08 de outubro

Horários: De segunda a sexta – das 8h às 16h (sem fechar ao meio-dia)

Endereço: Avenida Presidente Vargas, 1400 – Bairro Fátima

Telefone: (55) 3921-7090

Agende a sua visita pelo e-mail: masmdigital@gmail.com

Instagram: @masmmuseudearte

Informações Imprensa: Tati Feldens

Fone: (51) 998368652

 

 

TEXTO DO CURADOR

“Um Gaúcho” 

por Ricardo Giuliani 

“Apresentamos “Um Gaúcho”, individual de Ricardo Giuliani (Quaraí, 1963) originalmente exibida em 2018, no Museu de Arte do Rio Grande Sul (MARGS), em Porto Alegre. Nesta produção, o artista busca uma crítica social sobre o personagem máximo de nossa história e cultura – o Gaúcho –, temática tão cara à nossa arte, enfoque de artistas como Pedro Weingärtner, Antônio Caringi ou dos militantes dos Clube de Gravura de Porto Alegre e Bagé.

A produção de Giuliani, predominantemente a pintura e o desenho, parte das questões sociais e políticas para o seu posicionamento no mundo, materializado sob a forma de sua arte. Trata-se do artista como uma espécie de cronista, um observador inquieto que por meio das artes visuais propõe uma resposta crítica às mazelas do povo brasileiro. No caso, “Um Gaúcho” é uma forma de abordar tais questões universais, a partir do nosso tipo regional.

Ricardo Giuliani aqui lança mão de todo um universo disponível de materiais e técnicas para comunicar os seus posicionamentos, e o faz a partir da experimentação, sem medo da imensa gama de potencialidades oferecidas. O seu caráter autodidata, assim, é o motor de sua liberdade, a qual busca um resultado sem modelos pré-estabelecidos.

No MARGS, em 2018, o artista também lançou mão dos grandes formatos, com duas grandes pinturas épicas, especiais para a exposição: “Boa Ventura I”, com 10 metros de comprimento, e “Boa Ventura II”, de 8,9 metros de comprimento. Aqui para o MASM, expomos as versões reproduzidas digitalmente das mesmas, como uma nova forma de veiculação das obras. Também com o objetivo de exemplificar outros temas tratados por Ricardo Giuliani, nesta exposição também figura uma seção de obras de outras fases, em um pequeno recorrido biográfico de sua produção.

“Um Gaúcho” é, a um só tempo, histórico, folclórico e existencial. O próprio artista, abrigado pelas circunstâncias do viver, vem produzindo e entregando-se à sua própria narrativa frente aos paradoxos, nem tão aparentes, da sua construção histórico-social. Ricardo Giuliani tem-se dedicado às artes visuais desde 2012, quando descobriu a linguagem pictórica e começou a produzir intensamente, apaixonado por esta nova possibilidade estética.

A arte, para Giuliani, é definidora das possibilidades de estar no mundo para dividi-lo com o Outro”.

José Francisco Alves 

Curador 

 

 

Três mulheres e a homenagem da Ospa a Stravinsky

 

No Brasil e no Exterior, as mulheres conquistam cada vez mais posições de destaque na música de concerto. Priscila Bomfim está na ponta desse movimento: foi a primeira mulher e diretora musical a reger óperas da temporada oficial do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. No próximo sábado, ela é a regente convidada da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA), instituição da Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), no concerto Stravinsky 50. Ao seu lado no palco, estarão as solistas do dia: a violinista Brigitta Calloni e a oboísta Viktoria Tatour.

A apresentação começa às 17h, com público presencial limitado na Casa da OSPA e transmissão ao vivo pelo YouTube. O ingresso pode ser trocado por 1kg de alimento não perecível (mais detalhes abaixo).

A regente Priscila Bomfim. Foto: OSPA/ Divulgação

Priscila nasceu e iniciou seus estudos musicais em Portugal, onde venceu seu primeiro concurso, de piano, aos nove anos de idade. Hoje, com 46 anos, concilia a carreira de pianista com a regência. Também trabalha para que outras mulheres possam ter oportunidades no universo da música de concerto: é uma das fundadoras da Orquestra Sinfônica de Mulheres do Rio de Janeiro e regente convidada da Orquestra Sinfônica Juvenil Carioca Chiquinha Gonzaga, formada por alunas da rede municipal de escolas do Rio de Janeiro, no programa Orquestra nas Escolas.

Priscila é a primeira mulher a conduzir a OSPA nesta temporada, mas não será a única. Já no próximo sábado, a Casa da OSPA recebe a renomada maestra Ligia Amadio, que foi, inclusive, uma das referências de Priscila. “É importante, principalmente para o público jovem, ter a referência de uma mulher na regência. Eu tive a Ligia Amadio, que é uma grande líder e tem feito esse trabalho de valorização”, conta Priscila, que regerá a OSPA pela primeira vez. “Passamos por um período com poucas mulheres na regência orquestral. Agora sinto que há grandes movimentos internacionais dando destaque para maestras. Aqui no Brasil há uma geração de mulheres que têm buscado a regência e inevitavelmente vão assumir cargos de titular, assistente ou diretora artística e musical”, completa a regente. 

Priscila reforça a importância de ter ao seu lado duas mulheres como solistas: a violinista brasileira Brigitta Calloni e a oboísta russa Viktoria Tatour, ambas integrantes da OSPA. Elas interpretam “Concerto Duplo para Oboé e Violino”, de Johann Sebastian Bach. Brigitta assinala um traço interessante da peça: “O oboé e o violino têm um registro em comum, então eles são intercambiáveis em muitas situações… Este concerto que vamos tocar, por exemplo, também pode ser tocado com dois violinos. No segundo movimento, isso fica evidente porque os dois instrumentos tocam em diálogo, no mesmo registro, e as vozes ficam entrelaçadas”. 

O carro-chefe do concerto é “Pulcinella”, balé de Igor Stravinsky que será executado em versão suíte para orquestra (sem bailarinos), com oito movimentos e passagens instrumentais substituindo trechos cantados da obra original. Esta versão estreou em dezembro de 1922, com a Boston Symphony Orchestra regida por Pierre Monteux. Priscila observa que em 2021, ano em que se completam 50 anos da morte do gênio russo, esta obra não poderia faltar: “Sempre ouvia desde antes de sonhar em ser maestra e fazê-la agora é um sonho e um desafio”. “Pulcinella” é uma obra do período neoclássico do compositor e incorpora características rítmicas do classicismo.

“Árias e Danças Antigas, Suite nº 1”, de Ottorino Respighi, completa o programa. Assim como o balé de Stravinsky, esta obra do século XX remete à sonoridade de danças antigas. Respighi nutria grande interesse por peças italianas e francesas populares nos séculos XVI e XVII, que inspiram esse trabalho.

Agosto Laranja

O concerto “Stravinsky 50” é alusivo ao Agosto Laranja, mês comemorativo da superdotação. Segundo a AGAAHSD (Associação Gaúcha de Apoio às Altas Habilidades/Superdotação), a incidência de pessoas AH/SD pode chegar a mais de seis milhões no Brasil. A ONG criada em outubro de 1981 luta pelos direitos das Pessoas com Altas Habilidades/Superdotação, principalmente para que recebam a educação adequada às suas necessidades.

Priscila Bomfim (regente – Brasil)

Priscila Bomfim foi a primeira mulher e diretora musical a reger óperas da temporada oficial do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde atualmente é maestra assistente. Vem realizando concertos com diversas orquestras no Brasil e tem um trabalho voltado para a inclusão da mulher no mercado da música de concerto: participou da fundação da Orquestra Sinfônica de Mulheres do Rio de Janeiro e é regente convidada da Orquestra Sinfônica Juvenil Carioca “Chiquinha Gonzaga”, formada por alunas da rede municipal de escolas do Rio de Janeiro, no programa “Orquestra nas Escolas”.Foi uma das seis maestras escolhidas para a 4ª Residência do “Linda and Mitch Hart Institute” para Mulheres Regentes, do The Dallas Opera (Texas/EUA). Graduou-se na UFRJ em Piano e Regência Orquestral e é Mestra em Performance em Piano, com um relevante trabalho sobre Leitura à Primeira Vista.

Brigitta Calloni. Foto: Cícero Rodrigues- OSPA/ Divulgação

Brigitta Calloni (violino – Brasil)

Brigitta Calloni graduou-se na Universidade Mozarteum/Salzburg e é mestre pela Michigan State University. Foi membro da Salzburg Chamber Soloists, com a qual realizou diversas turnês internacionais e integrou as orquestras sinfônicas de Flint, West Michigan e Lansing, além do grupo International Chamber Soloists. De volta ao Brasil, foi violinista da Orquestra Sinfônica Brasileira e atualmente é segundo violino solista da OSPA. Apresentou-se como solista em frente à OSPA, Orquestra Unisinos-Anchieta e Sphaera Mundi. Mantém intensa atividade camerística, com destaque a diversas participações nos concertos da série de música de câmara da OSPA.

Viktoria Tatour- OSPA/ Divulgação.

Viktoria Tatour (oboé – Rússia)

Mestre pela Academia de Música da Bielorrússia, especializou-se em desempenho instrumental na fundação Musique Espérance da Unesco com Pierre Pierlot. Atuou como professora da cátedra de instrumentos de sopro de madeira da Academia de Música da Bielorrússia. Chegou ao Brasil em 1997, estabelecendo-se primeiramente em Manaus, onde foi o oboé principal da Orquestra Amazonas Filarmônica. Em 2004 mudou-se para Porto Alegre, onde trabalha como o primeiro oboé, leciona no Conservatório Pablo Komlós e tem atuado como convidada em outras orquestras.

Visita segura

Em acordo com as orientações do Governo do Estado do RS referentes à pandemia da Covid-19, o concerto seguirá os seguintes protocolos de segurança: ocupação reduzida da Casa da OSPA (menos de 30%), disponibilização de álcool gel aos visitantes, uso obrigatório da máscara, medição de temperatura na entrada, distanciamento social nos espaços de passagem e na ocupação das poltronas da Sala de Concerto. Também é possível acompanhar os concertos da OSPA gratuitamente e ao vivo pelo canal da orquestra no YouTube e pela plataforma #CulturaEmCasa.
Assista ao concerto!

Plataforma Sons do Sul e a biblioteca sonora com sete línguas faladas no RS

De quantas línguas diferentes se faz o Rio Grande do Sul? A partir do dia 6 de setembro, o projeto Sons do Sul – uma cartografia linguística apresenta um mapeamento sonoro de sete línguas faladas no Rio Grande do Sul:  Língua Pomerana, Talian, Japonês, Polonês, Guarani, Kaingang e Iorubá. A iniciativa será lançada em um bate-papo online no site oficial (http://sonsdosul.com.br/), às 19h, com a participação da professora de Talian Maria Inês Chilanti e do agente cultural nigeriano e falante de Iorubá Kayzee Fashola, ambos integrantes do Colegiado Setorial de Diversidade Linguística do RS.

 Representante do idioma Japonês. Ivoti/RS. R

Através de uma biblioteca interativa de sons, a plataforma permite que os visitantes tenham contato com falantes de diferentes idiomas. Já a área de vídeos do site traz entrevistas bilíngues ou em português, de modo a contextualizar a presença das línguas nas respectivas comunidades. O projeto é uma iniciativa da Riobaldo Conteúdo Cultural e foi realizado através do Edital Criação e Formação Diversidade das Culturas, com recursos da Lei nº 14.017/20 (Lei Aldir Blanc).

Viviana Patrícia, Guarani. Porto Alegre

Pesquisa realizada

A plataforma é o resultado de uma pesquisa jornalística-cultural realizada com falantes dos idiomas em diversas cidades do Rio Grande do Sul, como Casca, São Lourenço do Sul e Ivoti. A narrativa foca nos modos de vida e na centralidade de cada língua na cultura que envolve os entrevistados. Desta forma, entram em cena falantes como a professora da colônia japonesa de Ivoti, Iaioi Tao, a agricultora familiar Odília, que fala Talian desde criança em Antonio Prado, e a artesã Mbyá-Guarani Viviana Patrícia, moradora da aldeia do Cantagalo, em Viamão.

Kaingang. Passo Fundo/RS. 

A diversidade linguística do Brasil é um elemento essencial no mosaico de manifestações populares e do patrimônio cultural imaterial do país. O último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, revelou que há 274 línguas indígenas faladas em território brasileiro, isso sem contar as línguas crioulas, de imigração e afro-brasileiras também presentes no Brasil.

Kayzee Fashola, Yorùbá. Porto Alegre/RS.

No entanto, essa diversidade corre perigo, como mostra um relatório da Unesco publicado em 2016. Segundo o estudo, das cerca de 6.700 línguas faladas no mundo, 50% estão ameaçadas de desaparecer até o final deste século. Instrumentos de políticas públicas de cultura são essenciais não apenas para salvaguardar e manter essas línguas como também para proteger em especial as culturas dos grupos sociais minoritários, na medida em que, segundo o Guia de Pesquisa e Documentação do Inventário Nacional de Diversidade Linguística (Iphan, 2016), “se encontram em posição de maior vulnerabilidade linguística.”

Denise Bartz, pomerana-

Sons do Sul parte da iniciativa de pesquisadores e trabalhadores da cultura residentes no Rio Grande do Sul, motivados pela diversidade e pela riqueza do patrimônio cultural do Brasil. O projeto tem o objetivo de contribuir para a visibilidade dessas línguas, de modo a inspirar que cada vez mais falantes e agentes culturais  se voltem para a valorização do plurilinguismo.

O Escaler em livro, nas memórias e trajetória de seu dono, Toninho.

O texto abaixo é do jornalista Paulo César Teixeira:

“Poucos lugares simbolizaram tão bem a efervescência dos anos 1980 em
Porto Alegre quanto o bairro Bom Fim, principal reduto boêmio e cultural
da capital gaúcha nas últimas décadas do século 20. E, no Bom Fim, havia
um ponto de convergência – o Escaler, bar fundado em 1982 por um
marujo às margens do Parque da Redenção, em meio a jacarandás e sob
o brilho da lua.

Inscrito na memória afetiva de duas ou três gerações como espaço
privilegiado de diversão e arte, o Escaler acumulou milhares de histórias
na lembrança e na imaginação dos que por lá aportaram. Já estava na
hora de contá-las e revivê-las. É o que faz neste livro o dono do bar,
Antônio Carlos Ramos Calheiros, o Toninho do Escaler – antes de tudo, um agitador cultural, que soube direcionar energias plurais sem retirar-
lhes a fluidez e a espontaneidade –, em depoimento ao jornalista Paulo César Teixeira, autor de Esquina maldita, Nega Lu – Uma dama de barba
malfeita e Rua da Margem – Histórias de Porto Alegre.

Toninho do Escaler/ Foto: Divulgação

A live de lançamento do livro Escaler: quando o Bom Fim era nosso,
Senhor! acontece na 3a feira, dia 31/8, a partir das 20h, na página do
evento no Facebook (bit.ly/3kkExRr), com participação de convidados
especiais.

No Bom Fim, o Escaler reunia uma plêiade de tribos tão díspares quanto
punks, góticos e metaleiros, que se juntavam aos remanescentes da onda
hippie e aos primeiros rappers da praça.
– Tinha tudo a ver com a concentração de pessoas ligadas à arte e à
cultura – anota o saxofonista King Jim, um dos fundadores da banda
Garotas da Rua.
– Era o gueto underground da cidade – diz Marco Aurélio Lacerda, o Coié,
líder das bandas de blues Neon e Rabo de Galo.
– O Escaler foi o local mais libertário e revolucionário do Bom Fim. Em
parte, pela sensação de liberdade de se estar ao ar livre, junto à Redenção, mas também – e principalmente – pela proposta do bar, que
se somava à onda da contracultura – analisa o jornalista Emílio Chagas.
O Território Livre do Bom Fim consagrado no fumódromo durante o verão
da lata. O show do Bebeto Alves assistido por uma multidão que lotou a
avenida José Bonifácio, cancelando a missa dominical na Igreja Santa
Terezinha.

As campanhas Vote para Presidente (deu Brizola na cabeça!), Cometa
Amor no Escaler (Toninho instalou um telescópio para ver o cometa
Halley na porta do bar); Escaler e os Discos Voadores (lançando bandas
independentes) e tantas outras.
O circo Escaler Voador, que trouxe a Porto Alegre Rita Lee, Tetê Espíndola,
Titãs, Lobão, Ultraje a Rigor e muitos outros para apresentações sob a
lona junto ao Gigantinho. As reuniões dançantes aos domingos, que
deram origem ao Baile da Cidade.
O candidato Toninho do Escaler, o Verde Maduro. A Lei Seca no Bom Fim.
A repressão policial nas madrugadas da Osvaldo Aranha. O fim do sonho.
O exílio nas Bandas Orientais.
O Toninho conta todas essas histórias no livro mais esperado do ano!
Desfrutemo-las como se navegássemos num bote salva-vidas (significado
original do nome do bar) em meio a tempos caretas e sombrios.”

SERVIÇO
Obra: Escaler: quando o Bom Fim era nosso, Senhor!
Autor: Antônio Calheiros, em depoimento a Paulo César Teixeira
Editora: Ballejo Cultura & Comunicação
Formato: 16×23
Páginas: 196
R$: 71,00
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“A Nuvem Rosa”, filme de Iuli Gerbase, terá pré-estreia no Cine Farol Santander

 Numa mescla de clássicos e novidades, o Cine Farol Santander traz de volta uma personalidade para o cinema, através das parcerias com consulados e embaixadas, além das mostras temáticas, como a que está em cartaz atualmente, das diretoras francesas, em parceria com a embaixada da cinemateca da França, e parcerias com cineastas gaúchos, como é o caso do filme A Nuvem Rosa, da diretora Iuli Gerbase, que terá uma semana em pré-estreia a partir do dia 26 de agosto. No dia 28, às 17h30min, a diretora irá comentar o filme na sessão das 17h30.

Sua história é sobre uma nuvem rosa tóxica que surge pelo mundo, forçando todos a ficarem confinados. Giovana fica presa em um apartamento com Yago, um homem que havia recém conhecido em uma festa. Enquanto esperam a nuvem passar, eles precisam aprender a viver juntos como um casal. Ao longo dos anos, Yago vive sua própria utopia, enquanto Giovana sente-se cada vez mais aprisionada. A Nuvem Rosa teve sua estreia mundial no 2021 Sundance Film Festival – World Dramatic Competition

A equipe

Iuli Gerbase, realizadora brasileira, estudou Cinema e Escrita Criativa. Aos 20 anos começou a trabalhar como assistente de direção e dirigir seus curtas, alguns deles selecionados para diversos festivais internacionais como TIFF e Havana Film Festival. A Nuvem Rosa, drama com toques de surrealismo e sci-fi, é seu primeiro longa-metragem. O filme teve estreia no festival de Sundance em janeiro de 2021 e está circulando pelo mundo, tendo recebido o prêmio de Melhor Filme no Sofia International Film Festival, na Bulgária. Iuli está atualmente desenvolvendo seu segundo longa-metragem.

Atriz, bailarina e diretora, Renata de Lélis é graduada em teatro (Brasil) e mestre em Dança (Lisboa). É atriz de teatro e audiovisual desde 2005, tendo recebido cinco prêmios de melhor atriz. É membro-fundadora do Coletivo Habitantes e dirige o Coletivo Criação Kamikaze. É diretora e roteirista dos curtas NAU (pré-produção) e TERATOMA (em circuito de festivais), em que também é atriz. É codiretora e atriz do clipe-vídeo dança “Apatia”, música de Rita Zart. Seus últimos trabalhos em longa-metragem são ‘O Avental Rosa’, 2019, de Jayme Monjardim; ‘A Colmeia’, 2020, de Gilson Vargas; e ‘A Nuvem Rosa’, de Iuli Gerbase.

Eduardo Mendonça é ator, roteirista e locutor de rádio. No cinema, atuou nos longas-metragens ‘Menos que Nada’, de Carlos Gerbase; ‘Legalidade’, de Zeca Brito; ‘Os Bravos Nunca Se Calam’, de Márcio Schoenardie e ‘A Nuvem Rosa’, de Iuli Gerbase. Pelo curta ‘Folha em Branco’, de Iuli Gerbase, recebeu o prêmio Histórias Curtas RBSTV (2011) de melhor ator coadjuvante. No teatro recebeu o Prêmio Açorianos de Melhor Ator Coadjuvante de 2010 pelo espetáculo ‘Milkshakespeare’. É um dos protagonistas das séries ‘Fora de Quadro’ e ‘Necrópolis’, disponível no Netflix.

Fundada em 2011, a Prana Filmes e produziu cinco longas-metragens, três curtas-metragens e duas séries de televisão. Atualmente está pré-produzindo o longa-metragem ‘Jepotá’ e a série de televisão ‘Centro Liberdade’ e pós-produzindo e desenvolvendo sete projetos. Seus principais destaques são os longas-metragens: ‘A Nuvem Rosa’ (2021), selecionado para Sundance,Yonlu (2018), vencedor do Prêmio Abraccine – Melhor primeiro longa-metragem brasileiro na 41a Mostra Internacional de São Paulo, ‘Bio – construindo uma vida’, vencedor de três prêmios no 45° Festival de Cinema de Gramado e ‘Legalidade’ (2019), com estreia no 35o Chicago Latin Film Festival.

FICHA TÉCNICA

Escrito e Dirigido por Iuli Gerbase

Elenco: Renata De Lélis, Eduardo Mendonça, Girley Brasil Paes, Kaya Rodrigues, Helena Becker

Produção Executiva: Patricia Barbieri

Direção de Fotografia: Bruno Polidoro

Direção de Arte: Bernardo Zortea

Montagem: Vicente Moreno

Supervisão de Pós-Produção: Daniel Dode e Gustavo Zuchowski

Efeitos Visuais: Dot

Desenho de Som Kiko Ferraz e Chrístian Vaisz

Mixagem: Ricardo Costa

Trilha Sonora Original: Caio Amon

A NUVEM ROSA

105min / 2k / Color / 2021

Pré-estreia dia 26 de agosto

Até dia 01 de setembro com sessões às 15h e 17h30min

CINE FAROL SANTANDER

Rua Sete de Setembro, 1028, Centro, Porto Alegre

Telefone: 51 – 3013.3698

Ingressos: R$ 12,00 (inteira); R$ 6,00 (meia)

Na bilheteria do Farol Santander ou no site da Sympla

85 lugares – no momento com lotação máxima de 50%

Mais informações no site da Prana Filmes: www.pranafilmes.com.br

O “Diário Poético”, de Luana Leites, poeta com paralisia cerebral motora

Moradora da Restinga Velha, em Porto Alegre, a jovem Luana Leites, está ajudando a quebrar paradigmas que envolvem pessoas com deficiências (PcD).  Aos 21 anos e com paralisia cerebral motora, ela está lançando o livro Diário Poético, nos formatos digital (e-book) e audiolivro. A distribuição será gratuita para escolas da rede pública, municipal e estadual, e também para as privadas que tenham interesse no material.

De acordo com o último censo do IBGE, em 2010, 46 milhões de brasileiros possuíam alguma limitação capaz de comprometer a mobilidade. Projeto executado através do Edital Criação e Formação Diversidade das Culturas realizado com recursos da Lei Aldir Blanc nº 14.017/20.

Chegar aonde cheguei, não foi fácil. Sofri preconceito por parte de muitos colegas, enquanto cursava o Ensino Fundamental regular na rede pública de ensino. Muitas pessoas subestimam a capacidade de pessoas portadoras de necessidades especiais, por acreditarem que não podemos participar de forma ativa e, tampouco, estarmos inseridos na sociedade”, relembra Luana, que começou a escrever aos 11 anos. Para ela, a leitura e a escrita de poesias funcionam como válvula de escape na luta contra o preconceito. “A literatura sempre me ajudou a enfrentar as dificuldades de aceitação, já que escrevendo eu me sentia – e sinto – livre”, conta.

O livro tem mais de 35 poesias escritas durante a pandemia.  “Esse projeto mostrará a importância da poesia, para refletir sobre a vida, se sentir compreendido enquanto ser social e humano, incentivando com que as pessoas em toda sua diversidade expressem, e não reprimam os seus sentimentos. Também se constrói com o livro uma oportunidade de quebrar com paradigmas do capacitismo, que ainda estão presentes no modo de pensar as deficiências”, diz Luana

Os atores Vinicius Mello e Lucila Clemente interpretarão as poesias no audiolivro. “Quero ser um exemplo, transmitir coragem para pessoas parecidas ou iguais a mim, para que realizem e nunca desistam de seus sonhos, por mais dificuldades que encontrem. Seja qual for o sonho, seja qual for a dificuldade, somos capazes”, conclui.

As escolas públicas e privadas, interessadas em adquirir gratuitamente o material, poderão entrar em contato através do telefone: (51) 93614865 ou pelo instagram (@diariopoeticodiario).

 

“Vida de Cadeirante”, um drama do cotidiano nas fotos de Jorge Aguiar

“Meio Fio – Vida de Cadeirante” é o título da exposição do fotojornalista Jorge Aguiar, que está até o dia 27 de agosto,  na Câmara Municipal de Alvorada (RS).
Trata-se de uma “imersão fotográfica e social”, segundo  o autor.
A exposição  registra o dia a dia de moradores de Alvorada e região, todos com problemas de mobilidade, cadeirantes, que apesar de inúmeros problemas, fazem da falta de oportunidade e intolerância, sua força para lutar e resistir.
Fotojornalista há 45 anos, Jorge Aguiar participou de exposições internacionais na Espanha, França, Portugal, Japão e Iraque. É fundador do Instituto Luz Reveladora Photo da Lata, instituição sem fins lucrativos que ministra oficinas de pinhole a jovens e adultos em áreas de vulnerabilidade social, e idealizador do Projeto Click da Kombi – Escola de Fotografia Itinerante.

“Vídeoperformance”, experimentação de linguagem, une dança, circo e performance

 

A experimentação de corpos que reconhecem a si mesmos como corpos falantes e que questionam o corpo socialmente construído é o ponto de partida da vídeoperformance Epiceno. Produzida e dirigida pela artista Carol Martins, a pesquisa de intersecção de linguagem (que une dança, circo e performance) estreia dia 26 de agosto nas redes sociais (IGTV do @projetoepiceno no Instagram) e irá integrar a programação do 28ª Porto Alegre em Cena, que este ano ocorre de 19 a 31 de outubro, em formato híbrido.

Contemplado pelo Edital Criação e Formação Diversidades das Culturas – realizado pela Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul (Sedac), em parceria com a Fundação Marcopolo – o trabalho foi executado com recursos da Lei Aldir Blanc n°14.017/20. A equipe de mais de 20 profissionais contou com R$ 30 mil para a realização do projeto, que envolveu, além das gravações em set de filmagem, duas oficinas de preparação corporal.

Consuelo Vallandro,_performer.Foto: Aline_More / Divulgação

Epiceno é um substantivo utilizado para designar animais com apenas um gênero (onça ou jacaré, por exemplo). A partir disso, oito performers (Bruno Fernandes, Consuelo Vallandro, Gabi Faryas, Guilherme Gonçalves, João Om, Jordan Maia, Marcelo Reis e Rita Spier) atravessam significados predeterminados de negociação entre feminino/masculino, criando uma ficção de si mesmos. Alterando o equilíbrio e o desequilíbrio possível em pernas de paus, eles apresentam ao expectador corpos que podem ser humanos, animais, plásticos, artificiais, que alteram também sua estatura normal.

Roteirizado pelo artista Hiperlinque,o experimento inédito foi construído ainda com a colaboração de artistas que ministraram duas oficinas complementares ao trabalho de criação do elenco: Luciano Fernandes (Equilibrar-se em perna de pau) e Carlota Albuquerque (Poéticas Corporais). “O projeto aconteceu, em sua maior parte, em formato virtual – exceto as aulas de perna de pau, que foram realizadas em espaço aberto”, destaca a diretora da vídeoperformance.

Guilherme Gonçalves., performer. Foto: Roger Santos/ Divulgação

A etapa de gravação aconteceu no Estúdio Amplo, considerando todos os protocolos de segurança para evitar a propagação da Covid-19. Além do uso de máscaras e álcool gel, a equipe manteve o distanciamento recomendado pelas autoridades de Saúde. “O cronograma de filmagens foi executado com rotatividade de participantes, para evitar aglomerações”, observa Carol. Segundo a idealizadora do projeto, durante o 28ª Porto Alegre em Cena, a vídeoperformance passará por uma releitura: nos dias 20 e 21 de outubro o elenco irá ocupar a Escadaria da Borges de Medeiros, em nichos, compondo uma instalação performática, enquanto o trabalho audiovisual já realizado será projetado nas paredes de prédios do entorno.

Epiceno

Apoio: Estúdio Amplo e Festival de Circo Contemporâneo (FECICO)

Estreia: 26 de agosto no IGTV do @projetoepiceno no Instagram

Ficha técnica:

Produção e Direção: Carol Martins

Assistente de produção: Jordan Maia

Roteiro: Hiperlinque

Elenco: Bruno Fernandes, Consuelo Vallandro, Gabi Faryas, Guilherme Gonçalves, João Om, Jordan Maia, Marcelo Reis e Rita Spier

Figurino: Guilherme Gonçalves

Maquiagem: Juliane Senna

Trilha Sonora: Eduardo Xavier

Atividades de preparação de elenco: Poéticas Corporais, com Carlota Albuquerque; e Equilibrar-se em Perna de Pau, com Luciano Fernandes

Arte Gráfica: Marcelo Reis

Captação, edição e montagem: E-frame – Estúdio de Criação de Conteúdo Audiovisual.