O Acendimento da Chama Crioula, que marca a abertura dos Festejos Farroupilhas a cada ano, foi transferido para 2021, devido à pandemia da covid-19 e respectivos protocolos de saúde pública estabelecidos pelas autoridades sanitárias e que suspenderam todas as atividades que gerem aglomeração.
Foto Divulgação Assessoria de Imprensa MTG
A definição aconteceu em reunião online realizada no dia 9 de junho pela presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul, Gilda Galeazzi, com os coordenadores das 30 Regiões Tradicionalistas. Para referendá-la, nos próximos dias, haverá reunião do Conselho Diretor da entidade.
Para 2021, fica mantida a cidade de Canguçu, na 21ª Região Tradicionalista, como local do evento e a portaria 39/2014, que define os locais de acendimento da Chama Crioula para os próximos 30 anos, fica estendido para 2045.
Segundo Gilda, o local, o acendimento e a distribuição da Chama Crioula em 2020 ficam a critério de cada uma das 30 Regiões Tradicionalistas, dentro de suas áreas de atuação, e em conformidade com os decretos de saúde pública estaduais e municipais.
O Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho participa da 4ª Semana Nacional de Arquivos, que será realizada de 8 a 14 de junho. Em atendimento às orientações das autoridades de saúde para adoção de medidas de prevenção ao novo Coronavírus (Covid-19), a programação será virtual e poderá ser conferida no blog do Arquivo (ahpoa.blogspot.com) e na página no Facebook (@aqruivohistoricopoa).
A atividade denominada Uma semana no Arquivo – 4ª edição oferecerá, virtualmente, passeio pela instituição, entrevistas e exposições. Adequando-se à realidade, a instituição buscou alternativas para oferecer conteúdo de qualidade e entretenimento, sem precisar sair de casa.
Programação Exposições virtuais
Mulheres Negras fazendo história
Espaços Ameríndios em Porto Alegre
Caminhos dos Arquivos: nossas histórias nossas heranças
Vídeos
Por de trás daquele muro tem um arquivo
Visita virtual ao Arquivo histórico Porto Alegre Moysés Vellinho
Arquivo histórico: entrevista Sérgio da Costa Franco, historiador, pesquisador, escritor sobre a história de Porto Alegre
Semana Nacional de Arquivos – A Semana é uma temporada de eventos em arquivos e outras instituições de memórias de todo o país. Seu objetivo é aproximar essas instituições da sociedade e divulgar os valiosos trabalhos nelas desenvolvidos.
Dia Internacional dos Arquivos – A data se refere à semana em que se comemora o Dia Internacional dos Arquivos, 9 de junho, estabelecida pelo Conselho Internacional de Arquivos (ICA). É uma homenagem aos arquivos, fazendo parte de um calendário internacional. A cada ano, o ICA lança um tema diferente para inspirar os eventos. O deste ano é “Empoderando a sociedade do conhecimento”. No período de 8 a 14 de junho, o ICA promove também a mobilização de arquivos em âmbito internacional. Saiba mais neste site.
Na manhã do dia cinco de junho de 1820 o botânico e naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire cruzou o rio Mampituba (“o pai do frio”) e entrou na capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul.
Viajando numa carroça pelo litoral atravessou a fronteira e chegou a Montevidéu, de onde retornou completando um ano de viagem durante o qual escreveu o melhor relato sobre a situação do Rio Grande do Sul naquele período.
Sob forma de diário, mas sem o tom intimista que caracteriza o gênero, Saint-Hilaire recolheu material que ultrapassava sua expertise como botânico.
Escreveu sobre usos e costumes, gentes, clima, acidentes geográficos, situação política e econômica, num momento em que a ocupação do território era incipiente, a população não ia além de 80 mil habitantes, dispersa em pequenos povoados.
Também teve um olhar crítico sobre a administração da capitania sob o império portugues.
Castelo de La Turpiniére, onde nasceu Saint Hilaire
Auguste François César Prouvençal de Saint-Hilaire nasceu em 1779, em Orleães, França. Nobre, cresceu no Chateau de la Turpiniere, ao qual voltou para morrer em 1853.
Teve uma infância no Ancien Regime. Era adolescente na época do Terror (1793-1794), quando rolaram as cabeças dos antigos monarcas e, na sequência, dos principais líderes da Revolução Francesa, Danton e Robespierre.
Presenciou a ascensão e a queda de Napoleão I, e a restauração dos Bourbons em 1815. Em meio a tudo isso estudou história natural, tornando-se botanista. Algo vertiginoso.
Já era um homem maduro, próximo dos 40, quando chegou, em 1816, no Rio de Janeiro, na companhia do Duque de Luxemburgo, designado como embaixador na corte de D. João VI.
As relações entre França e Portugal caminhavam para a normalização, mas, por longo tempo, cairia sobre qualquer francês a desconfiança de ser um espião.
O que não impediu a Saint-Hilaire de obter as cartas de recomendação necessárias a peregrinar pelo Brasil como visitante oficial, recebendo por onde passasse a ajuda – transporte, comida, hospedagem – que precisasse.
Saint Hilaire fazia parte da nova leva de exploradores, os naturalistas, cujas observações, de cunho científico, passavam a concorrer com os relatos, muitas vezes de tom picarescos, dos primeiros aventureiros que, como Hans Staden, escreveram sobre o Brasil.
Saint- Hilaire, como Carl Friedrich Von Martius (naturalista, que percorreu o parte do Brasil no mesmo período que ele), ou John Mawe (minerador, viajou pelo Brasil entre 1807 e 1811), ou, posteriormente, Georg Heinrich von Langsdorff, são, prioritariamente, cientistas.
E, como seus pares, Saint-Hilaire não se contentará em apenas coletar material para análises e futuras coleções de plantas e animais destinados aos museus naturais da Europa.
Do castelo ao pampa
Quando Saint-Hilaire cruzou o Mampituba, trazia consigo a experiência de quase quatro anos de viagens pelo interior do Brasil – Rio, Minas, Goiás, São Paulo, etc –, viajando a pé, de barco, de carroça ou no lombo de um cavalo.
Fez um trabalho científico minucioso, principalmente no que tange a herborização. Ao término de sua viagem obteve uma estupenda coleção e catalogação de sete mil espécies de plantas. Acervo que seria entregue ao Museu de História Natural de Paris.
Quando chegou ao Rio Grande do Sul, Saint-Hilaire também trazia as fadigas acumuladas pelas penosas viagens e o descontentamento com aqueles que o serviam: José Mariano, um tropeiro mestiço alugado em Ubá; Manoel, um negro-forro alugado em São Paulo, encarregado do trato, carga e descarga dos animais; e Firmiano, um índio botocudo, encarregado do transporte e do preparo das provisões.
Enfim, ao cruzar o Mampituba, Sain-Hilaire, como sugere, explicitamente, as anotações do seu diário, não está no seu melhor astral. Escreve:
“Esta viagem vai se tornando cada vez mais penosa, contribuindo para o esgotamento de minhas forças e de meu ânimo. A imagem de minha mãe apresenta-se sem cessar em meu espírito, e, sempre me encontro sem ter com que me distrair vejo-me cercado de pessoas descontentes”. (SAINT-HILAIRE, Auguste de. Viagem ao Rio Grande do Sul.Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 1974).
Estes períodos de chagrin (desgosto), como ele diria, volta e meia aparecem em seus relatos. Mas nada que o impeça de trabalhar, herborizar, como gosta de salientar. Assim, ao passear pelos montes, Torres, admira cactáceas, um grande Eryngium, e entre bromelácias e arbustos, constata pela primeira vez na costa sul a mirtácea chamada pitanga.
Mas, se prevalece sempre o lado botânico, naturalista, Saint-Hilaire também registra que em meio a magnífica e, então, desolada paisagem do litoral Norte – mar a leste, lagoas, serra geral, cordilheira, a oeste – vivem camponeses muito pobres, que moram em míseras cabanas, choupanas e palhoças.
Habitações onde o frio, a chuva e o vento entravam por todos os lados. Algumas beiravam a tal indigência que ele recusa a hospitalidade, seja para pernoitar (“mandar fazer o seu leito”), seja para partilhar a sopa que uma família consome sob uma esteira estendida no chão de terra.
Mas, por outro lado, constata que não falta comida. Há culturas de milho, trigo, feijão, algum algodão, e alguma cana-de-açúcar para fabricar aguardente. Não eram de ferro.
Também analisa que, devido à falta de recursos dos camponeses do litoral, o rebanho é em número inferior ao tamanho das pastagens.
Apesar dessas primeiras impressões, Saint-Hilaire logo constatará que a Capitania do Rio Grande do Sul é uma das mais ricas do Brasil. E seu astral melhora ao atingir os Campos de Viamão e, logo depois, chegar a Porto Alegre, que já era capital, mais ainda não tinha ganho o foro de cidade, que só viria a ocorrer em 1822.
Saint-Hilaire permaneceu mais de um mês em Porto Alegre e, se por um lado, a considera mais suja que o Rio de Janeiro, por outro, não deixa de ressaltar as suas belezas. Escreve:
“Os terrenos planos e cultivados que vi, logo ao chegar a Porto Alegre, ficam apertados entre o caminho novo (atual Voluntários da Pátria) e a colina na extremidade da qual se acha a cidade. Raros são os passeios tão encantadores como o do Caminho Novo, o qual lembra tudo quanto existe de mais agradável na Europa”. (SAINT-HILAIRE, 1974).
Foi o primeiro, dada confluência dos rios – Caí, Gravataí, Jacuí, Sinos – a denominar o Guaíba como lago.
Percebe também que acidade está cheia de construções novas, que tem um porto e um comércio efervescentes. Também nota que, apesar do frio, as casas não possuem aquecimento, lareiras.
Isso faz com que as pessoas, dentro de casa, mesmo vestindo pesados capotes, que tolhem seus movimentos, continuem a tremer de frio.
Como curiosidade, no seu diário, em quatro de julho de 1820, escreve que: […]”Há geada quase todas as noites e o Conde (Conde da Figueira, governador, na época) mandou juntar muito gelo para fazer sorvete”. (SAINT-HILAIRE, 1974).
Também é a partir de Porto Alegre que Saint-Hilaire começará a entender realmente a complexidade dos interesses políticos, econômicos e militares que envolvem a capitania.
Mapeia regiões e recolhe dados sobre a flora, a fauna, exportações e importações, contingentes militares. Primeiro, em sua jornada rumo a Montevidéu. Depois, em seu retorno, já em 1821, ao Rio Grande do Sul, percorrendo as Missões, voltando a Porto Alegre.
Neste percurso, próximo ao arroio Guaratapuitã (cercanias de Uruguaiana), em primeiro de fevereiro de 1821, ocorreu a incrível experiência de Saint-Hilaire ao consumir o mel da lechiguana.
Eis como é que ele conta a “viagem”: […] “avalio não ter tomado quantidade a duas colheradas. Senti logo uma dor no estômago, mais incômoda que forte e deitei-me em baixo da carruagem, com a cabeça apoiada sobre uma pasta do herbário, caindo em uma espécie de sonolência, durante a qual senti-me transportado aos espaços celestiais, ouvindo uma voz que gritava: “Ele não se perderá, há um anjo que o protege.” Nesse instante minha irmã veio buscar-me pela mão. Achava-se vestida de branco, com uma faixa ao redor do corpo e sua fisionomia trazia aparência de inexpressável calma e serenidade. Tomou-me pela mão, sem me olhar e sem proferir uma só palavra, e conduziu-me perante o tribunal de Deus. Lembrei-me das últimas palavras da parábola do Bom Pastor e acordei”. (SAINT-HILAIRE, 1974).
Seguiram-se vômitos, sustos, e chás para cortar o efeito.. Conforme informa, entre o consumo do mel, 10 da manhã, e a volta da “sobriedade”, ao pôr do sol, Saint-Hilaire viveu, avant la lettre, aquilo que se chamaria de bad trip.
Ou seja, não dá pra configurar um Saint-Hilaire “viajandão” pelo pampa, pois, no fundo, levou a experiência como uma espécie de envenenamento, com sequelas, e da qual custaria a se restabelecer.
De resto, muitas anotações interessantes nesses percursos da volta ao Rio Grande do Sul.
A fertilidade dos solos, capazes de produzir cereais em abundância, e frutas de clima temperado. E as pastagens que, mesmo inferiores às uruguaias, garantem uma carne de excelente qualidade e um “magnífico leite”.
Sua curiosidade em relação à economia da capitania faz com que, em Rio Grande, obtenha informações e liste as importações e as exportações dos anos logo anteriores aos de sua chegada, de 1816 a 1819.
Elas dão um bom quadro do movimento comercial da época. A capitania exportou: carne seca, sebo, graxa, crinas, barris de carne salgada, couros de bois, couros de égua, trigo.
E importou: sal, farinha de mandioca, arroz, açúcar, marmelada, doces e chocolates, café, chá, vinhos, aguardente, presunto, bacalhau, manteiga, queijos, fumo, tecidos, móveis e, claro, escravos.
Mas, se por um lado, e para a época, trata-se de uma economia pujante, por outro, sofre, segundo Saint-Hilaire, as mazelas de um governo incapaz de defender os interesses da capitania no que tange a cobrança de impostos, considerados excessivos, e os abusos de requisições, como animais, para as tropas.
Também ouve e registra queixas sobre a falta de infra-estrutura, estradas intransitáveis, e, principalmente, pontes: “Venho de terminar uma viagem de quase 600 léguas, em região sulcada de rios e é notável não ter encontrado uma só ponte. Em toda parte só encontro pirogas, e essas quase sempre em péssimo estado.” ( SAINT-HILAIRE, 1974).
O governo era incapaz, inclusive, de oferecer segurança e, daí, conforme testemunhos dados a Saint-Hilaire, o abandono de muitas estâncias pela desistência de alguns proprietários em reconstruir, pela terceira vez, benfeitorias destruídas por tropas regulares, espanhóis ou portuguesas, milícias, mercenários, índios, ou bando de gaúchos.
Todos, invariavelmente, nestas ações, “requisicionavam” o gado, cavalos e tudo que pudessem levar.
Enfim, as anotações de Saint Hilaire sobre todas as mazelas que envolvem a administração da capitania. E a relação da mesma com o poder central – mesmo depois de efetuada a independência do Brasil, em 1822, dão elementos para vislumbrar a gênese do descontentamento que fará eclodir, em 1835, a Revolução Farroupilha.
Entre a civilização e a barbárie
O Rio Grande do Sul que Saint-Hilaire conheceu era um espaço geográfico sujeito a guerra de fronteiras ainda não definidas.
Uma disputa por terras que desde o século XVII conduzia ao engalfinhamento portugueses e espanhóis. E o conflito aumentou quando, depois de uma intervenção contra Artigas, comandada pelo general Lecor, em 1817, o governo português anexou a Banda Oriental, sob o nome de província Cisplatina, ao Brasil.
Assim, o Rio Grande do Sul no qual chegou Saint-Hilaire era uma praça de guerra, um grande acampamento militar em meio ao qual tentavam sobreviver – cada um de acordo com a condição a que estava sujeito – brancos, índios, negros e mestiços.
O que não era fácil apesar da abundância de carne e montaria. O Rio Grande do Sul também já era habitado por “bárbaros” gaúchos, termo que na época designava seres marginais, associados a crimes, pilhagens. Muito longe da aura aventureira que lhes daria José Hernandez com o seu Martin Fierro.
O gaúcho de Saint-Hilaire não é um monarca das coxilhas, mas um bandido, ou, o mais simpático que consegue chegar, “um bandoleiro de melodrama”.
Preconceito que poderia ser estendido a maioria dos rio-grandenses e platinos que, numa escala social, colocavam o gaúcho abaixo do escravo que, pelo menos, tinha cotação de mercado, era um “bem”.
Já o gaudério tinha serventia, ocasionalmente, como peão, principalmente em épocas de rodeio, ou soldado provisório nas guerras de fronteira. Mais comumente, era tido como ladrão, conforme exemplifica este testemunho colhido por Saint-Hilaire: […] “Os animais de Itaruquem (estância) desapareceram quando os gaúchos entraram em São Nicolau”. (SAINT-HILAIRE, 1974).
Entretanto, a prática de roubo de gado ou, eufemisticamente, “requisições”, era comum entre tropas (invasoras, rebeldes, ou legalistas), ou milícias que em troca, ofereciam vales que dificilmente eram pagos.
Na verdade, nenhum grupo social ou étnico fica imune ao julgamento e preconceitos de Saint Hilaire, embora, muitas vezes, se contradiga.
Os primeiros, logo na chegada, a colocar sob sua mira são índios, em Torres, num agrupamento de índios, prisioneiros, tomados a Artigas, e que seriam empregados na construção de um forte.
Eles eram:[…] “todos baixos, têm o peito de largura exagerada, os cabelos negros e lisos, o pescoço curto e uma fisionomia verdadeiramente ignóbil” (SAINT-HILAIRE, 1974).
Entretanto, logo em seguida, escreve que o alferes encarregado deles fez um “elogio de sua docilidade” (SAINT-HILAIRE, 1974). Meses depois, diante de um índio guaicuru percebe: […] “algo de nobre em sua fisionomia” (SAINT-HILAIRE, 1974).
Este desprezo em relação aos índios será recorrente em todo o livro. Mas, nada se compara ao julgamento que faz das índias. Para ele, são “feias, sem pudor, sem brio”, oferecendo-se aos homens que o acompanhavam.
Também, acrescenta, transmitem doenças venéreas. E, sobretudo, ociosas; […] “Não as vi fazer nada além de andar a toa e dormir” (SAINT-HILAIRE, 1974). E ele registra um dos dizeres da época: “As índias diziam que se entregavam aos homens de sua raça por dever, aos brancos por interesse e aos pretos por prazer” (SAINT-HILAIRE, 1974).
Saint Hilaire atribui a degeneração moral e material dos índios guaranis a destruição das missões: […]”Depois da saída dos Jesuítas os índios das Missões ficaram entregues aos soldados e homens corrompidos, vivendo atualmente de pilhagem, no meio das desordens da guerra, não sendo de admirar se suas mulheres não mais conheçam o pudor” (SAINT-HILAIRE, 1974)
Saint-Hilaire também se apega a ideia de que o principal problema dos índios, e nisso, segundo ele, inferiores aos negros, é sua falta de “noção de futuro”, apegando-se unicamente ao presente.
Vê-os como crianças, seduzidos por doces, como a garapa da cana fornecida pelos padres. Assim como a música, agora também utilizadas pelo militares para engajá-los nas tropas. E nisso, chama a atenção, no período, o enorme contingente de soldados índios envolvidos em combates nos dois lados da fronteira.
Contudo, em relação às índias, não se trata propriamente de misoginia. Ele é mais simpático em relação ao mulherio local, portuguesas, ou de origem, que, se não chegam a ter o charme das francesas, não se escondem, como em outras províncias do interior do Brasil, diante dos homens.
É interessante a descrição que faz de um grupo de senhoras num baile, em Rio Grande:[…] “Têm os olhos e os cabelos negros, e em geral belo porte e boa cor, porém, destituídas de graça, de atrativos dados pela educação, que as mulheres deste País não recebem”. (SAINT-HILAIRE, 1974).
Vale ressaltar o acento que dá sobre a falta de educação para meninas.
Tem um trato diferenciado em relação aos negros. Primeiro, como seres de segunda ordem. São comuns as expressões como: casa para negros, roupas para negros, um negro me trouxe isto ou aquilo.
Depois, valoriza-os em relação aos negros de outras províncias: […] “não há, creio, em todo o Brasil, lugar onde os escravos sejam mais felizes que nesta capitania […] os senhores tratam-nos com menos desprezo […] o escravo come carne a vontade, não é mal vestido, não anda a pé e sua principal ocupação consiste em galopar pelos campos, cousa mais sadia que fatigante” (SAINT-HILAIRE, 1974).
Também valoriza os negros como grupo étnico: […] “quase todos os escravos do Barão (José Egídio, barão de Santo Ângelo) são negros-minas, tribo bem superior a todas as outras, por sua inteligência, fidelidade e amor ao trabalho”. (SAINT-HILAIRE, 1974).
Mas percebe a verdadeira relação, simples mercadoria, noutra situação, trágica, testemunha, ao ser içado do rio o corpo, cadáver, de um negro que se afogara, e ver o patrão gritor: [..] “Ah, meu dinheiro! Meu dinheiro! Que me custa tanto a ganhar”. (SAINT-HILAIRE, 1974).
Contudo, foi numa estância nas charqueadas que Saint-Hilaire testemunhou uma das cenas mais tristes da escravidão no Brasil:
“Há sempre na sala um pequeno negro de 10 a 12 anos, cuja função é ir chamar os outros escravos, servir água e prestar pequenos serviços caseiros. Não conheço criatura mais infeliz que esta criança. Nunca se assenta, jamais sorri, em tempo algum brinca! Passa a vida tristemente encostado à parede e é frequentemente maltratado pelos filhos do dono. A noite chega-lhe o sono, e, quando não há ninguém na sala, cai de joelhos para poder dormir. Não é esta a casa a única que usa esse impiedoso sistema: ele é frequente em outras” (SAINT-HILAIRE, 1974).
Se tem compaixão por um escravo e, também, apesar do desprezo, da sorte dos índios, Saint-Hilaire não deixa de ter um senso de meritocracia.
Assim, se louva o português, ou de origem lusa, ou europeu em geral, que, mesmo de baixa extração, enriquece pela iniciativa e senso de economia, faz o mesmo com índios, negros e mulatos que, apesar de todas as adversidades, souberam, através de esforço próprio, alçar-se muito além de sua condição humilde, seja ocupando cargos de oficiais militares, seja na aquisição de propriedades.
Sinal que, apesar de membro da aristocracia do Ancien Regime, não ficou imune a revolução burguesa que se operava.
Mas, talvez devido a falta de noção de pompa e circunstância, não poupa a elite local: […] “Os habitantes desta Capitania são ricos e não ambicionam senão o aumento dessa riqueza. Tal fortuna, entretanto, pouco contribui para o conforto de suas existências; nutrem-se mal e não conhecem diversões. Os momentos de lazer são dedicados ao jogo ou as intriguinhas de aldeia. Na maior parte são ignorantes e sem educação; como não recebem nenhuma instrução moral e honra agem sempre de má fé em seus negócios”. (SAINT-HILAIRE, 1974).
Como pode reparar, a pompa, elite ou não, dos rio-grandenses, estava na prataria que adornavam peças de montaria, arreios, esporas, etc.
Legado
Aristocrata, Saint-Hilaire era seguidor de uma ideologia que preconizava uma hierarquia de raças, que seria utilizada ao longo do século XIX na política colonial européia, legitimando, em nome de uma “missão civilizatória”, a ocupação de terras na África, na Ásia, em detrimento das populações autóctones, assim como ocorreu na América.
Seu livro, hoje, devido as considerações preconceituosas – sobre índios, negros, mestiços, americanos em geral – pode ser considerado como racista.
Também seria taxado de machista pelas considerações que faz sobre as mulheres e até misógino, caso das índias. Enfim, um diário cheio de declarações politicamente incorretas, destinado ao índex dos bem pensantes, e o autor no rol dos não frequentáveis.
Também se deve considerar que o diário sobre a viagem ao Rio Grande do Sul foi publicado postumamente. Ou seja, ele teve mais de 30 anos para rever, acrescentar, cortar, ou alterar seus escritos. Parece que não fez nada disso. Ou seja, não abdicou de nenhum dos seus preconceitos.
Porém, restringido aos valores e preconceitos do seu tempo, e na forma como descreveu a sua viagem, misturando observações de cunho científico a confissões de ordem pessoal, Viagem ao Rio Grande do Sul, fora os diversos aportes históricos de dados sociais, culturais e econômicos já citados, mostra um universo em transição, de fronteiras não delineadas, de conflitos de interesses, onde se digladiam brancos, portugueses, ou de origem, espanhóis, ou de origem, índios, negros, e mestiços, representados pelos “bárbaros” gaúchos, lutando por espaços ou liberdade.
Um farto material para pesquisas de caráter histórico e científico, e também para ficcionistas diante de um contexto onde, se havia muita miséria, também havia muita aventura, e homens que se nutriam somente de carne, muitas vezes sem sal. Saint-Hilaire, como previra, talvez tenha sentido muita saudade (nostalgie) desses “desertos”, como eram denominadas as regiões onde não havia cristãos.
“É revoltante que estejamos sujeitos a lideranças tão negligentes em relação ao nosso povo”, diz Augusto Britto, instrumentista e autor de “Líder Corrompido”.
A música foi gravada no estúdio Pedra Redonda e será lançada nesta sexta-feira, 5 de junho, pela Loop Discos, em todas as plataformas digitais.
Com as participações especiais do duo Samba e Amor e Nei Lisboa – Nei estava há cinco anos sem entrar em estúdio –, o samba carrega uma forte crítica ao atual governo. A capa é uma adaptação da arte “Bozolândia”, do artista Druza. O clipe assinado por Eduardo Rukat ilustra diversos momentos e problemas reais do Brasil.
Augusto Britto, 28 anos, é cofundador da banda Samba e Amor. Além de compositor, lançou um livro e co-criou o projeto “Naquele Tempo”, com o intuito de disseminar o chorinho pelas ruas de Porto Alegre. Atualmente, Augusto vive em Portugal, onde estuda Línguas e Literaturas na Universidade NOVA de Lisboa.
Sobre a Loop Disco Loop Discos é o selo musical da agência de música Loop Reclame. Seu casting tem mais de 50 artistas e cuida de todas as etapas de lançamento de uma música ou álbum – da burocracia ao planejamento artístico. Com sua house em Porto Alegre, também atende em São Paulo, Los Angeles e Lisboa, e já produziu mais de 300 lançamentos (singles, EPS, discos e clipes).
A apresentação em ambiente virtual de Pablo Lanzoni dá continuidade à programação do projeto Mistura Fina – Música para Fugir do Trânsito, no próximo dia 04 de junho, quinta-feira. A transmissão é feita pelas redes sociais do Mistura Fina, pelo link: www.facebook.com/misturafinamusica/, a partir das 18h30min. Para este projeto, o cantor e compositor apresenta um repertório que mescla canções de seu trabalho de estreia, POA_MVD, e temas que compõe o novo álbum, que está em fase de finalização, além de uma releitura de Vitor Ramil.
A iniciativa leva a assinatura da Fundação Theatro São Pedro, por meio da Associação dos Amigos do Theatro São Pedro, produção da Primeira Fila Produções, financiamento do Pró-Cultura RS e patrocínio da Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul – SULGÁS.
Suspensas desde o dia 19 de março, em acordo com as medidas temporárias de prevenção ao contágio pela COVID-19 (novo Coronavírus), a programação Mistura Fina – Música para Fugir do Trânsito foi retomada no dia 16 de abril, a fim de garantir a continuidade do projeto e o trabalho dos artistas participantes, bem como minimizar os efeitos do isolamento provocado pela crise sanitária no Brasil.
Sobre o Mistura Fina
A programação Mistura Fina – Música para Fugir do Trânsito encontrava-se em plena execução, desde agosto de 2019, cumprindo-se as 40 sessões previstas, com apresentações no Foyer Nobre do Theatro São Pedro, com muito sucesso. O recomeço das sessões foi no dia 05 de março, quando da reabertura do TSP. Neste mesmo mês, ocorreram os dois primeiros shows, restando ainda 20 a serem realizados. Entretanto, com o agravamento da situação de controle da proliferação do COVID-19, todas as atividades do TSP foram suspensas, ainda por tempo indeterminado, aguardando-se a evolução da crise sanitária e seus desdobramentos.
Pablo Lanzoni é graduado em Música, mestre e doutor em Comunicação e Informação e professor do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), onde atua no Curso Técnico em Instrumento Musical e no Projeto Prelúdio. Em sua trajetória estão festivais e projetos cancionistas. Apresentou-se em Cuba, Uruguai, Itália e Portugal. Tem temas registrados por intérpretes parceiros e participou de álbuns de outros artistas.
Em suas canções, as diversas faces do cotidiano, em roupagens bucólicas e urbanas, são exploradas por meio da força de sua voz e pelas diferentes instrumentações que a acompanha. Seus últimos projetos incluem o formato solo violão/voz, o duo vocal/instrumental com Paola Kirst, além de sua inserção no trio A Ponte, do qual se torna o quarto elemento.
Vencedor do Melhor Álbum de MPB do Prêmio Açorianos de Música 16/17, Pablo Lanzoni tem circulado em espaços e projetos dedicados à canção e à cena autoral com diferentes formações.
Sua discografia apresenta o álbum POA_MVD e os singles digitais Barabá (Daniel Anselmi Remix) e Pretextos (Yuri Veiga Remix). Está finalizando o seu segundo CD, “valentia tempo voz”, com previsão para 2020/1, sob a direção musical de Dany López.
Em sinal de reconhecimento a um dos nomes mais expressivos da arte contemporânea, a Galeria de Arte Paulo Capelari (Cel. Bordini, 665), inaugura exposição virtual no próximo dia 04 de junho, quinta-feira, às 10h, em homenagem a Milton Kurtz (in memoriam). A mostra pode ser visitada no endereço: galeriavirtualpaulocapelari.com, e também presencialmente. Arquiteto e artista, Milton Kurtz desenvolveu sua técnica voltada para o desenho, essencialmente, com fortes referências oriundas da mídia de massa. Teve ativa participação em movimentos que promoveram um debate e uma efervescência cultural no Rio Grande do Sul, no final da década de 70 e início dos anos 80.
Fortemente influenciada pela indústria cinematográfica, pela publicidade, quadrinhos, cinema e televisão, Milton Kurtz compôs uma narrativa pessoal e imagética calcada no cotidiano, fato que o aproxima do espírito característico da Pop Art, com sua carga provocadora, irônica e contestadora. Sua obra apresenta forte viés erótico, explorando questões do corpo e apresentando ambiguidades e dualidades ligadas tanto à bidimensionalidade quanto às questões de gênero
A exposição tem curadoria do leiloeiro Daniel Chaieb e do galerista Paulo Capelari e reúne 31 obras, entre desenhos e pinturas de Milton Kurtz produzidas entre 1978 e 1989. Devido às medidas de prevenção ao Covid-19 (novo Coronavírus) e para evitar aglomeração, será permitida a entrada de quatro pessoas por vez. A exposição permanece aberta até o dia 20 de junho. A visitação pode ser feita de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 13h. A entrada é franca.
Sobre Milton Kurtz
Milton Kurtz (Santa Maria/1951 – Porto Alegre/1996) foi pintor, desenhista e artista intermídia. Graduou-se em Arquitetura pela Ufrgs, em 1977. Realizou sua primeira exposição na Galeria Tina Presser, em Porto Alegre, em 1983. Fez parte do Grupo KVHR, entre 1978 e 1980, e do Espaço No – Centro Alternativo de Cultura, de 79 a 82. Faz sua primeira exposição individual em 1983, na Galeria Tina Presser, em Porto Alegre. Sua obra versátil e plural percorreu o Brasil, além de Cuba, Estados Unidos e Uruguai. Entre 1978 e 1993, participou de cerca de 40 exposições no Brasil. Postumamente, foi homenageado com as seguintes exposições: A Arte Contemporânea da Gravura (1997), no Museu Metropolitano de Arte de Curitiba, em Curitiba-PR; Figura na Pintura: Acervo Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, no Museu de Arte Contemporânea (2000), em Porto Alegre-RS, e O Corpo na Arte Contemporânea Brasileira, no Itaú Cultural (2005), em São Paulo-SP.
Segundo José Francisco Alves, Doutor em História da Arte, “Milton Kurtz foi um dos principais expoentes de uma brilhante geração de artistas que surgiu no cenário gaúcho na década de 1970”, afirma. “Infelizmente, Milton faleceu precocemente, aos 45 anos, em 1996. Sua obra prevalente foi em desenho e pintura, com a característica marcante do que mais lhe interessou, a linguagem Pop. Surgida nos EUA e Inglaterra na segunda metade dos anos 1950, a Pop art [Arte Popular], a partir de influências de vanguardas anteriores como o movimento Dada, voltou-se principalmente à confrontação com a realidade cotidiana e seus objetos banais de consumo, a indústria recreativa e a propaganda, elevando-os à condição de obra de arte. Desde então, assume-se não mais como um “movimento”, mas incorporou-se nos procedimentos de artistas de todo o mundo como uma verdadeira linguagem, tal qual as vanguardas dos 1950-60’s trouxeram para sempre para a arte outras características, tais como minimalistas e conceituais, a somarem-se como condições intrínsecas da arte contemporânea”, analisa.
SERVIÇO:
O Quê: Abertura da exposição de desenhos e pinturas de Milton Kurtz
Onde: galeriavirtualpaulocapelari.com, e também presencialmente na Rua Cel. Bordini, 665) bairro Auxiliadora, em Porto Alegre-RS.
Quando: Abertura dia 04 de maio. Visitação de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h e sábado das 10h às 13h.
O show “Chanson & Blues”, com Luana Pacheco e Luciano Leães, dá continuidade à série de show virtuais que integram a programação do projeto Mistura Fina – Música para Fugir do Trânsito, no próximo dia 28 de maio, quinta-feira.
O casal propõe uma viagem no tempo e no universo da música, passando por um repertório variado, porém homogêneo, de Louis Armstrong a Edith Piaf, com chanson, blues, R&B e jazz.
A iniciativa leva a assinatura da Fundação Theatro São Pedro, por meio da Associação dos Amigos do Theatro São Pedro, produção da Primeira Fila Produções, financiamento do Pró-Cultura RS e patrocínio da Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul – SULGÁS.
Luana Pacheco e Luciano Leães se conheceram por meio da música. Nada mais natural que desenvolvessem um projeto onde pudessem reunir as duas paixões: a chanson e o blues e todas suas vertentes. Mais do que a simples soma dos dois estilos, o show é a multiplicação de diversas influências musicais e também de vivências de ambos nos palcos e na vida.
Suspensas desde o dia 19 de março, em acordo com as medidas temporárias de prevenção ao contágio pela COVID-19 (novo Coronavírus), a programação Mistura Fina – Música para Fugir do Trânsito foi retomada no dia 16 de abril, a fim de garantir a continuidade do projeto e o trabalho dos artistas participantes, bem como minimizar os efeitos do isolamento provocado pela crise sanitária no Brasil.
A programação Mistura Fina – Música para Fugir do Trânsito encontrava-se em plena execução, desde agosto de 2019, cumprindo-se as 40 sessões previstas, com apresentações no Foyer Nobre do Theatro São Pedro, com muito sucesso.
O recomeço das sessões foi no dia 05 de março, quando da reabertura do TSP. Neste mesmo mês, ocorreram os dois primeiros shows, restando ainda 20 a serem realizados. Entretanto, com o agravamento da situação de controle da proliferação do COVID-19, todas as atividades do TSP foram suspensas, ainda por tempo indeterminado, aguardando-se a evolução da crise sanitária e seus desdobramentos.
Cantora profissional há doze anos, carrega a paixão pela música desde a infância. É uma das principais referências da cultura francesa no Sul do País, desde que venceu, aos 21 anos, o III Festival da Canção Francesa da Aliança Francesa. Em março de 2018, Luana foi convidada para abrir o show da cantora francesa ZAZ em Porto Alegre, no Auditório Araújo Vianna. Em 2015, lançou seu primeiro EP. “Gris” apresenta três canções inéditas da cantora e compositora e uma versão da chanson Habanera – da Ópera Carmen (1875) de Georges Bizet – em arranjo no estilo de New Orleans, com produção musical e arranjos de seu parceiro na vida e na música, Luciano Leães.
Luciano Leães
Considerado um dos principais pianistas do Brasil, Luciano Leães foi vencedor por duas vezes do Prêmio Açorianos de Música na categoria de melhor instrumentista pop. Com mais de 20 anos de carreira, Leães solidificou seu reconhecimento nacional e internacional com o lançamento do seu disco “The Power of Love” (2015). Foi convidado para turnês nos EUA, Argentina e tocou em alguns dos principais festivais de jazz e blues do País e do Exterior. Abriu o show de Elton John em Porto Alegre, tendo sido selecionado pela produção do músico inglês. Carey Bell, Magic Slim, Earl Thomas, Hubert Summlin, Larry McCray e John Primer são alguns dos grandes nomes do blues com quem Luciano Leães já dividiu o palco.
O uso de máscara facial como forma de proteção ao contágio pelo novo coronavírus é, entre os cuidados recomendados pela área da saúde, o que mais afeta a vida das pessoas. Necessária e em muitas situações sociais até obrigatória na nova realidade imposta pela pandemia, a máscara esconde parte do rosto de quem a usa e interfere na identificação física de cada um. Seu uso gera uma coletividade de iguais, transformando as ruas das cidades num típico grande salão de baile dos mascarados.
Inconformada com o aspecto estético e, sobretudo, além do físico, com os efeitos existenciais da questão, a artista visual Graça Craidy, crítica de qualquer forma de homogeinização e, como toda artista, antena do seu tempo, teve a ideia de “devolver a identidade das pessoas nestes tempos de pandemia em que todo mundo fica com a mesma cara, a cara da máscara”, diz ela. “É fundamental que as pessoas mantenham suas identidades claras, nítidas”, acrescenta.
Para isso, a artista pegou retratos já pintados ou desenhados por ela e – utilizando-se de recursos da arte digital – recortou no computador em forma de máscara a parte do rosto que a peça encobre, do nariz até o queixo. Feito isso, colou digitalmente o recorte sobre uma foto do retratado, que passou a ter uma máscara à sua semelhança. “Esse trabalho pretende não apenas revelar, como desvendar o que está por trás da máscara. Desvendar aquilo que vem sempre num retrato que é pintado ou desenhado, que é a alma da pessoa”, diz ela.
Eduardo Vieira da Cunha/DivulgaçãoEleone Prestes/ DivulgaçãoErico Santos/ DivulgaçãoFrancisco Marshall/Divulgação
Na primeira etapa do seu projeto, intitulado Minha Cara Máscara, imbuída do espírito do tempo que move a arte a registrar a história, Graça produziu 45 colagens, quase a totalidade delas envolvendo artistas visuais e figuras expressivas da cultura gaúcha, entre os quais Clara Pechansky, Fernando Baril, Zoravia Bettiol, Britto Velho, Regina Galbinski Teitelbaum, Maria Tomaselli, Erico Santos, Eduardo Vieira da Cunha, Patrícia Langlois, Paulo Amaral, Zé Adão Barbosa, Juremir Machado da Silva, Francisco Marshall, Moisés Mendes, Eleone Prestes e Alfredo Fedrizzi.
Fernando Baril/DivulgaçãoJuremir Machado/ DivulgaçãoMaria Tomaselli/ DivulgaçãoMoisés Mendes/ Divulgação
A artista também incluiu nessa primeira etapa do projeto a curadora italiana Adelinda Allegretti, que assinou a exposição Guardami, Italia, montada ano passado por Graça na região da Perugia, sobre seus ancestrais italianos, e mais o publicitário e professor norte-americano Ron Travisano (Ronald Donato Travisano), ex-sócio de Jerry Della Femina, que inspirou a famosa série televisiva Mad Man. Ron acolheu Graça como aluna de Criatividade em Nova York, na School of Visual Arts, em 1983, quando ela ainda era publicitária, bem antes de se tornar artista visual.
Na segunda etapa do projeto, Graça Craidy vai atuar sobre trabalhos que fez retratando ícones internacionais das artes visuais, da música, da literatura, que inclusive já foram objeto de exposições realizadas por ela.
“A ideia, além de documentar a pandemia com arte, é dedicar aos amigos nesse trabalho todo o meu amor e todo o meu humor”, declara a artista.
Músicos da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) revivem a trajetória de três dos principais nomes da música de concerto neste sábado (23), às 17h. A quarta edição do projeto OSPA Live destaca um repertório barroco e clássico, com obras de Johann Sebastian Bach (1685-1750), Ludwig van Beethoven (1770-1827) e Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). Transmitido ao vivo pelo canal do YouTube da OSPA, o recital é apresentado pelos instrumentistas da orquestra Diego Shuck Biasibetti (violoncelo), Leonardo Bock (violino) e Márcio Cecconello (violino). A direção artística é do maestro Evandro Matté.
Sobre o OSPA Live
Projeto da OSPA, busca conciliar isolamento social com cultura durante a pandemia do novo coronavírus. Aos sábados, às 17h, são realizados recitais, com número reduzido de músicos, diretamente da Sala Sinfônica, na Casa da OSPA. As exibições são transmitidas ao vivo, através do canal do YouTube da orquestra, sem a presença física do público. Com direção artística de Evandro Matté, os eventos seguem criteriosamente todas as medidas de prevenção contra a Covid-19 adotadas pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul.
A OSPA é uma das fundações vinculadas à Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Rio Grande do Sul (Sedac/RS). Os concertos da Temporada 2020 são patrocinados, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, por Banrisul, Alibem e Porto Alegre Airport. Apoiador da Temporada Artística: Sulgás. A realização é da Fundação OSPA e Fundação Cultural Pablo Komlós.
Abriram nesta quarta-feira, 20, as inscrições para a terceira edição do Prêmio Minuano de Literatura. O prazo encerra em 30 de junho e o patrono desta edição é o escritor alegretense Sérgio Faraco.
A realização é do Instituto Estadual do Livro (IEL), em parceria com o Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Nesta edição, o regulamento estabelece 11 categorias.
Podem participar autores nascidos ou residentes no Rio Grande do Sul, assim como editoras com sede no Estado.
O ano de publicação das obras deve ser 2019. A comissão organizadora é composta por titulares do IEL e do Instituto de Letras da UFRGS.
As comissões de seleção contarão com três membros para cada categoria, escolhidos entre profissionais que atuam na área da literatura e/ou membros da comunidade cultural literária, os quais escolherão as três obras finalistas.
As comissões finais também contarão com três membros cada, entre professores, alunos de pós-graduação em Letras e bibliotecários, os quais indicarão o livro vencedor nas respectivas categorias. Os vencedores serão conhecidos na cerimônia de premiação e receberão o Troféu Minuano de Literatura, em local e data a serem definidos.
Categorias
• Infantil
• Juvenil
• Poesia
• Conto
• Crônica
• Ficção: Romance/Novela
• Ilustração
• História em quadrinhos
• Texto dramático
• Tradução
• Especial (memórias, biografias, efemérides, turismo, guias e manuais, entre outros).
Inscrições
Podem ser enviadas pelo correio ou entregues na sede do IEL (rua André Puente, 318, Porto Alegre). Caso entregues diretamente, podem ser deixadas na portaria, em horário comercial (das 8h30 às 12h e das 13h30 às 18h), mesmo durante o período de isolamento social.
Patrono
Nesta edição, o Prêmio Minuano de Literatura terá como patrono o escritor Sérgio Faraco. Nascido em Alegrete, em 1940, Faraco é um dos mais destacados autores gaúchos contemporâneos, com obras de contos, crônicas e não-ficção histórica.
Conquistou prêmios como o da Academia Brasileira de Letras, da União Brasileira de Escritores, da Associação Gaúcha de Escritores e Açorianos.