
Autor: Higino Barros

Sopaporiki e Girafa da Cerquinha, um projeto de Richard Serraria, estará na capital e região metropolitana
O Palcos Amefricanos RS – Circulação Sopaporiki e Girafa da Cerquinha promove a circulação dos espetáculos cênico-musicais Sopaporiki e Girafa da Cerquinha, com perfomance do poeta e músico Richard Serraria e direção do diretor teatral Leandro Silva. O projeto esteve em diversos municípios do RS, como Cachoeira do Sul, Pelotas, Santa Maria, Caxias do Sul, organizado em circuitos que contemplam locais atingidos pela tragédia climática de maio de 2024.Além dos espetáculos, cada cidade recebe as oficinas de tamboralituras para crianças e adultos. Aqui na capital e na região metropolitana, acontece entre 1 e 4 de julho, nas cidades de São Leopoldo, Canoas, Guaíba e Porto Alegre, em escolas públicas.O Sopapo, tambor tradicional negro-gaúcho, está na centralidade das obras em circulação, contribuindo para a valorização do patrimônio cultural e a contribuição do povo negro para a construção da identidade cultural do Rio Grande do Sul. Palcos Amefricanos RS – Circulação Sopaporiki e Girafa da Cerquinha está sendo realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, através do Edital SEDAC nº 26/2024 – ARTES CÊNICAS, o que reforça a importância das políticas públicas para artistas, realizadores e para as comunidades onde os projetos circulam. Um videodocumentário e um blog de processo complementam a experiência do projeto, com o registro sistemático do conjunto da experiência em suas passagens por cada lugar. As atividades e estratégias de divulgação contam com medidas de acessibilidade.Sopaporiki é um espetáculo musical tambor centrado, criado e performado por Richard Serraria com direção cênica de Leandro Silva, em que a presença do Sopapo, instrumento musical e também artefato político ligado ao povo negro do Rio Grande do Sul, costura a narrativa, exigindo adequação do performer e poeta às diferentes linguagens artísticas mobilizadas para a materialização do espetáculo. Com seu conteúdo amefricano, afirma a potência das epistemologias negras no Brasil atual, num acúmulo de pesquisas e atuações em torno do tambor de sopapo e a contribuição negra na literatura e na música, ou ainda junto ao encontro com a poesia dos orikis da matriz iorubá da África. Em 2020 nasceu o livro Sopaporiki, em que o eu lírico é o tambor sopapo que conta e canta a trajetória dos 12 orixás do Batuque de Nação Oyó Idjexá e o surgimento da cosmogonia iorubá no Rio Grande do Sul e Bacia do Prata, base do espetáculo musical homônimo criado e estreado em 2022. A obra integrou, desde então, importantes eventos, como a FILIGRAM 2022 (Gramado, RS), o Sarau do Solar 2022 (Porto Alegre, RS) e o 29º Festival Porto Alegre em Cena, em 2023 (Porto Alegre).Girafa da Cerquinha é um reconto de uma história entoada originalmente pela mestra griô Sirley Amaro. Conta a fábula da girafa, animal que teria vindo da África num navio e que escolhe ir para Pelotas no bairro da Cerquinha, cidade em que havia um carnaval burlesco com nomes de bichos. Uma recontação de história infantil com o tambor sopapo sendo tocado de maneira continuada envolvendo a criançada numa vivência lúdica com as batidas características do grande tambor negro gaúcho (Ijexá, Adarun, Aré do Bará, Congadas RS, Samba Cabobu, Candombe uruguaio gaúcho e Milongón). Cada batida negra sonoriza um nome de bicho, personagens da narrativa. O projeto contempla ainda a apresentação de um Caderno de Situações Didáticas disponibilizado na internet através do Link.tree para livre acesso docente, visando a implementação da Lei 11.645/2008, que trata da abordagem de conteúdos afro-brasileiros e originários.Rodas de Tamboralitura são atividades formativas (oficinas) no formato de vivências lúdicas relacionadas a cada um dos espetáculos (SOPAPORIKI e Girafa da Cerquinha) e seus respectivos públicos, e promovem um espaço de contato com o tambor no qual os participantes são convidados a passar a textualidade poética dos espetáculos para o plano da oralidade e do corpo.
Girafa da Cerquinha-Serraria – Jeff Granja /Divulgação Richard Serraria, graduado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestre e doutor desde 2017 em Literatura Brasileira pela mesma universidade, ex-professor universitário e agitador cultural na cena de Porto Alegre, é fundador e diretor da empresa cultural Tarrafa. Com a banda Bataclã FC, ganhou quatro Prêmios Açorianos de Música, o prêmio mais importante da música gaúcha: Melhor grupo pop rock em 2001 e 2002 e Melhor Compositor pop rock em 2002 e 2006. Em 2005 e 2006, ganhou o prêmio de melhor letrista no Festival de Música de Porto Alegre. Em 2009, dividiu o prêmio de melhor letrista do Prêmio Uirapuru de Música Brasileira com Tom Zé. Em 2011, ganhou o Prêmio Açorianos de Música como Melhor Arranjador MPB em virtude do disco Pampa Esquema Novo. Em 2018 ganhou o Prêmio Açorianos de Música como Melhor Arranjador MPB, Melhor Compositor MPB e Melhor Projeto Gráfico pelo disco Mais Tambor Menos Motor. Autor do premiado livro Sopaporiki (2020) e do espetáculo homônimo, integrante da Programação do 29ª Edição do Festival Internacional Porto Alegre em Cena, em 2023. Vencedor do Kikito em Gramado 2021 pela trilha sonora do filme Cavalo de Santo. Criador da contação de histórias Girafa da Cerquinha – Cênico Musical, baseada em obra autoral de Mestra Griô Sirley Amaro.Sobre o Tambor SopapoFicha técnicaPerformer, contador de histórias e coordenador geral: Richard SerrariaDireção cênica e assistente administrativo: Leandro SilvaOperação de som e apoio logístico: Tuti RodriguesAssessoria de comunicação: Náthaly Weber/ Saia Rodada ComunicaçãoIdentidade visual: Tielle Bossoni/ Studio VistoProdução local: Náthaly Weber (Cachoeira do Sul e Rio Pardo), Renata Pinhatti (Pelotas, Rio Grande e São José do Norte), Fernando Gomes (Caxias, Canela e Gramado), Lu Bitello (São Leopoldo, Canoas, Guaíba e Porto Alegre)Assessoria de Imprensa nos circuitos: Náthaly Weber (Cachoeira do Sul e Rio Pardo), Patrícia Viale (Gramado e Canela), Carlinhos Santos (Caxias do Sul), Joana Bendjouya (Pelotas) e Bebê Baumgarten (Porto Alegre)Entrada francaSERVIÇO1 de julho, terça-feira / São LeopoldoGirafa da Cerquinha – às 10h30minInstituto Estadual Professor Pedro Schneider / R. São Caetano, 616 – Centro, São LeopoldoSopaporiki – às 19h30minEscola Estadual de Ensino Médio Polisinos / R. Dom Pedro I, 462 – Bairro Rio Branco – São Leopoldo2 de julho, quarta-feira/ CanoasGirafa da Cerquinha, às 15h30minInstituto Estadual de Educação Dr. Carlos Chagas / Rua Santa Cruz, s/n, Bairro Niterói – CanoasSopaporiki, às 19h30minInstituto Estadual de Educação Dr. Carlos Chagas / Rua Santa Cruz, s/n, Bairro Niterói – Canoas3 de julho, quinta-feira / GuaíbaGirafa da Cerquinha, às 15hColégio Estadual Augusto Meyer / Rua Pantaleão Telles, 431 – GuaíbaSopaporiki, às 19h30minColégio Estadual Augusto Meyer / Rua Pantaleão Telles, 431 – Guaíba4 de julho, sexta-feira / Porto AlegreGirafa da Cerquinha, às 10hEMEF José Loureiro da Silva – Av. Capivari 1999 – Porto AlegreSopaporiki, às 19hBiblioteca do Instituto de Psicologia, Serviço Social, Saúde e Comunicação Humana – IPSSCH/UFRGSR. Ramiro Barcelos, 2600 – Porto AlegreNas redes:Acesse os canais relacionados ao Palcos Amefricanos – Circulação RS:No Instagram: @richardserraria @girafadacerquinha_No Linktr.ee: https://linktr.ee/girafadacerquinhaBlog de Processo: https://projetopalcosamefricanos.wordpress.comO projeto “Palcos Amefricanos RS – Circulação Sopaporiki e Girafa da Cerquinha” está sendo realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, através do Edital SEDAC nº 26/2024 – ARTES CÊNICAS
As belezas, as cores da arquitetura e natureza de Porto Alegre são celebradas na pintura de Erico Santos
As belezas e as cores da arquitetura e da natureza da cidade são celebradas pela exposição “Paisagens de Porto Alegre”. Erico Santos revela seus traços e cores característicos em 16 obras que estarão em exposição na Galeria Bublitz a partir do próximo sábado, 28 de junho. O vernissage será das 11h às 13h e a mostra fica no espaço até o dia 26 de julho, com entrada franca.

Erico Santos- Foto: Wanderlei Oliveira/ Divulgação Erico Santos revela-se um apaixonado pelas paisagens porto-alegrenses. Nascido em Cacequi, ele se radicou em Santa Maria. Depois, foi para São Paulo trabalhar como restaurador no atelier do italiano Renzo Gori e, em 1981, passou a residir na capital gaúcha. “Desde 2013, eu venho me dedicando a pintar Porto Alegre. É uma cidade muito bonita, arborizada, com prédios históricos lindos. Preciso de mais 20 anos para pintar tantas belezas”, reconhece.

Basílica Nossa Senhora das Dores-Erico-Santos/ Divulgação A exposição, que já esteve no Paço Municipal, com curadoria de José Francisco Alves, destaca algumas dessas preciosidades da capital gaúcha sob o olhar de Erico Santos. Estão lá o a Praça da Alfândega, a Praça dos Açorianos, o Parque Marinha do Brasil, o Museu Iberê Camargo, a Fonte Talavera, o Mercado Público, o Viaduto Otávio Rocha e tantas outras paisagens que marcam a identidade de Porto Alegre.

Por do Sol em POA- Erico Santos/ Divulgação “Erico Santos faz parte da história da Galeria Bublitz. Aqui ele já realizou nove exposições individuais e participou de oito coletivas. Recebê-lo nesta exposição icônica é como abrir nossa casa para também homenagear Porto Alegre e esse artista que tão bem nos representa. Também é uma forma de proporcionar que sua arte esteja na casa de mais pessoas”, destaca o marchand Nicholas Bublitz.

O Guaiba e Porto Alegre- Erico Santos/ Divulgação Além das 16 obras que compõem a mostra, a Bublitz Galeria de Arte, com a Arte Prints de São Paulo, produziu serigrafias em papel 100% algodão assinadas pelo artista e numeradas que estarão em exposição e disponíveis para comercialização, assim como as próprias obras.
Exposição “Paisagens de Porto Alegre”
Artista: Erico Santos
Local: Bublitz Galeria de Arte
Endereço: Av. Neusa Goulart Brizola, 143
Vernissage: sábado, 28 de junho, das 11h às 13h.
Visitação da exposição: segundas às sextas, das 10h às 18h, e sábados, das 10h às 13h
Período da exposição: até 26 de julho.
Entrada Franca
“Os amigos artistas” no olhar de Fernando Zago em exposição, no Museu de Arte do Paço
Profissional fotografou alguns dos mais importantes nomes das artes do RS ao longo de mais de 20 anos
Fotógrafo especializado na reprodução de obras de arte para catálogos e livros, Fernando Zago já trabalhou, ao longo de anos, para um grande número de artistas gaúchos, dos quais tornou-se próximo. O sentimento de amizade estimulou-o a fotografá-los em seus ateliês ou no StudioZ, de sua propriedade. O resultado poderá ser visto na exposição “Amigos Artistas”, que será inaugurada dia 25 no Museu de Arte do Paço, em Porto Alegre.

Zoravia Bettiol/ Divulgação “Não se pode fazer retrato sem tomar em consideração o caráter e o aspecto do motivo. O retrato bem-sucedido exige uma combinação de conhecimentos técnicos, interesse pelas pessoas e compreensão das inibições criadas pela câmera”, diz Zago.

Carlos Wladimirsky/ Divulgação As 34 fotos da mostra são em preto e branco, no estilo clássico, com fundos neutros, luz dura e alto contraste para ganhar mais expressividade.
O curador da exposição, professor José Francisco Alves, lembra que esse tipo de retrato, produzido por artistas, tem longa tradição na História da Arte. “Podemos referir os exemplos icônicos de Man Ray, Andy Warhol e Robert Mapplethorpe, que também imortalizaram colegas artistas. Por serem capturas feitas por um fotógrafo-artista, os registros transcendem a mera semelhança superficial, buscando momentos que vão além da instantaneidade”, declara Alves.

Clara_Pechansky/ Divulgação Os homenageados
A galeria de mulheres artistas homenageadas é composta por Adriane Hernandez, Ana Norogrando, Clara Pechansky, Helena Kanaan, Lenir de Miranda, Maria Tomaselli, Marília Fayh, Marilice Corona, Maristela Salvatori e Zoravia Bettiol.

Marilice Corona/ Divulgação Foram retratados em vida e já faleceram Ena Lautert, Danúbio Gonçalves, Gelson Radaelli, Henrique Fuhro, João Luiz Roth, Lou Borghetti, Mário Röhnelt, Nelson Jungblut, Paulo Peres e Plinio Bernhartd.

Plínio Bernhardt/ Divulgação Zago conta que anos atrás Bernhart procurou-o para saber se o projeto estava ativo, porque gostaria de ser fotografado – e o foi, em seu ateliê, já com a saúde debilitada. Meses depois o artista morreu. “Ele sabia da importância de participar do projeto, de ser retratado. Daí ficou mais forte o pensamento de que se existe uma imagem que transmita um sentimento essa imagem é o retrato”, afirma Zago.

Artista Gelson Radaelli fotografado em seu ateliê por Fernando Zago/ Divulgação Patrimônio cultural
Depois de encerrada a exposição, as fotografias produzidas por Zago passarão a integrar o acervo da FUNDACRED, que patrocina o o projeto do fotógrafo.

Nakle/ Divulgação A FUNDACRED detém um grande acervo de obras de autores gaúchos, “um patrimônio cultural de valor inestimável para o Rio Grande do Sul”, avalia o presidente da Fundação, Nivio Lewis Delgado.

Lenir de Miranda/ Divulgação O acervo é composto por mais de 700 obras de artistas consagrados, como Aldo Locatelli, Eugênio Latour, João Fahrion, Leopoldo Gotuzzo, Oscar Boeira, Pedro Weingartner e Augusto Luiz de Freitas, entre outros.
O conjunto é representativo da arte gaúcha, abrange produções dos séculos XIX e XX e contempla os principais movimentos da arte acadêmica do estado, informa Delgado.

Hô Monteiro / Divulgação A FUNDACRED, fundação sem fins lucrativos, promove o acesso à educação, trabalhando há mais de 51 anos com créditos educacionais.

Fotógrafo Fernando Zago, autorretrato/ Divulgação Exposição: “Amigos Artistas”, do fotógrafo Fernando Zago
Abertura: 25/06 (quarta-feira), às 18h
Visitação: de 26/06 a 19/09, de segunda a sexta, das 9h às 17h
Local: Museu de Arte do Paço, Praça Montevidéu, 10, Centro Histórico de Porto Alegre
Entrada gratuita
* Fotografias de Fernando Zago—
ResponderEncaminhar

Voz, violão e poesia: Ian Ramil é atração no Mistura Fina em Porto Alegre
Show em formato voz e violão percorre diferentes fases da carreira do artista, com composições autorais e releituras afetivas
O cantor e compositor Ian Ramil apresenta, no dia 26 de junho, às 19h, um show em formato voz e violão no Teatro Oficina Olga Reverbel – Multipalco Eva Sopher. A apresentação integra a programação da 5ª edição do Mistura Fina e propõe uma escuta sensível e potente, com arranjos minimalistas que realçam a expressividade da voz de Ian e a força poética de suas composições. A entrada é franca.
No repertório, o artista interpreta faixas autorais marcantes como “Tetein”, inspirada na paternidade; “Lego Efeito Manada”, em parceria com Poty; “Macho-Rey”, com Juliana Cortes; e “O Mundo é Meu País”, com Luiz Gabriel Lopes. Traz ainda canções como “Mil Pares”, “O Bichinho”, “Teletransporte”, “Nescafé”, “Artigo 5”, além da releitura de clássicos como “Felicidade” (Lupicínio Rodrigues), “Pra Viajar no Cosmos Não Precisa Gasolina” (Nei Lisboa) e “Chapeuzinho Vermelho“ (Braguinha).
Ian Ramil é cantor, compositor, ator e diretor porto-alegrense. Estudou Artes Cênicas na UFRGS e no TEPA, atuando em espetáculos, filmes e séries entre 2005 e 2011. Em 2014, lançou o primeiro álbum, Ian, reconhecido com o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) de Artista Revelação. No ano seguinte, lançou Derivacivilização, premiado com o Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa. Em 2023, lançou Tetein, terceiro álbum de estúdio, com parcerias e releituras que dialogam com sua experiência como pai e artista. Participou também do projeto familiar Casa Ramil, ao lado de Kleiton, Kledir, Vitor e outros integrantes da família.
Com produção da Primeira Fila Produções, em correalização com o Multipalco Eva Sopher, o projeto conta com audiodescrição garantida em todas as datas pela OVNI Acessibilidade Universal. A iniciativa conta com patrocínio da Bistek e da CEEE Equatorial e financiamento do Pró-Cultura RS.

FICHA TÉCNICA
Letícia Vieira – direção geral
Nina Picoli – produção
Arthur de Faria – curadoria
Mimi Aragon – audiodescritora
Silvia Abreu – assessoria de imprensa
Dani Hil – redes sociais
Letícia Vieira – direção geral
Nina Picoli – produção
Arthur de Faria – curadoria
Mimi Aragon – audiodescritora
Silvia Abreu – assessoria de imprensa
Dani Hil – redes sociais

O escritor José Alberto Silva desafia o silêncio sobre a história negra de Porto Alegr

O autor José Roberto Silva / Divulgação Almanaque de Flores, Beijos e Mentiras, que será lançado no dia 26 de maio, às 19h, no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, marca a estreia do escritor José Alberto Silva, aos 78 anos. Reunindo poesias, crônicas, cartas e homenagens, a obra atravessa o tempo e o espaço para tecer memórias afetivas e coletivas, sobre a Cidade de Porto Alegre — especialmente a partir de vivências nos territórios negros apagados da história oficial, como o Areal da Baronesa e a Colônia Africana.
A iniciativa é financiada com recursos da Lei Paulo Gustavo (Lei Complementar nº 195/2022), por meio do Ministério da Cultura e da Secretaria de Estado da Cultura do RS. A realização é da Frente Negra Gaúcha, por meio do selo FNG Editorial, com idealização e coordenação editorial da produtora cultural, Silvia Abreu, curadoria de Camila Botelho e projeto gráfico assinado por Maria Helena dos Santos.

O autor entrega ao público mais do que literatura: oferece testemunho e, sobretudo, reparação. Em um País que segue negligenciando a produção intelectual negra, o livro surge como um ato político e poético tardio — porém urgente.
“Lançar este livro é um ato de amor à comunidade negra, um resgate de vivências, dores e ideias que, embora muitas vezes não valorizadas, são compartilhadas por muitas pessoas. A obra reforça que não estamos sós e convida à união, ao respeito e ao trabalho coletivo”, afirma o autor, que escreveu por décadas sem publicar, colecionando textos que hoje encontram o mundo e ganham vida.
Uma voz que atravessa gerações
José Alberto cresceu entre rodas de conversa na casa da família, localizada na esquina da Lopo Gonçalves com a José Alfredo (antiga rua da Margem) — um verdadeiro ponto de encontro da comunidade negra. A residência, animada pela irmã Neura Regina (1946-2012), pianista concertista, era palco de festas, casamentos e debates políticos.
Em meio à história que via acontecer diante de si — como a articulação para a celebração do Dia da Consciência Negra, 20 de novembro — ele começou a registrar cenas da vida, ainda na infância, escrevendo bilhetes, poemas e reflexões sempre que encontrava espaço, inclusive no banheiro, nas madrugadas, já que a casa cheia, com oito irmãos, não lhe permitia silêncio.
“Desde os sete, oito anos, escrevia como uma forma de organizar as ideias. Era meu jeito de existir.”
Ao longo dos anos, acompanhou a transformação da cidade e o enfraquecimento da memória negra. Viu de perto a expulsão das famílias negras da Ilhota, território negro que vive, desde 1900, apagamentos e transformações da cidade, em nome da “modernização urbana”, o racismo travestido de cordialidade e a ausência quase total de pessoas negras nos espaços de poder.
“Aquele lugar era feito de encontros, de música e de reconciliações. Hoje, o nome mudou, a história sumiu — mas está aqui, nas minhas palavras.”
Literatura como testemunho e resistência
Com textos que mesclam lirismo, crítica social e oralidade, Almanaque de Flores, Beijos e Mentiras apresenta uma prosa visceral que transita entre o erótico e o espiritual, entre o cotidiano e o simbólico — surpreendendo pela liberdade estilística e pela densidade emocional. No prefácio do livro, Lucas Roxo, filósofo e professor, destaca que a poesia é para o autor a linguagem do encontro consigo mesmo, como expressa no poema “amiga secreta e perfumência … Assinarei a confissão de que te amei a duras penas. Percebi, afinal, que a diferença entre o silêncio e a mensagem, ou entre a realidade e o sonho, é ela, perfumente, a Poesia!”
Ao revisitar memórias, José Alberto homenageia familiares, amigos e lideranças negras que marcaram sua trajetória. Nestes momentos, a poesia se reveste de crítica social.
Em “novos capacetes … despertam, à força, de um pesadelo lembrados de ancestrais. … Com capacetes de ferro e pólvora rasgam suas fantasias de igualdade para jogar fogo aos racistas!”, e de memórias das dores do passado sentidas ainda hoje: “Quero vivo esse meu grito! … Subi morros e desci sentindo dores que não vivi. … Sinto dores ancestrais que não vivi.”
A religiosidade é um fio condutor que atravessa a obra de José Alberto, revelando sua profunda conexão com o sagrado afro-brasileiro e a ancestralidade. Seus poemas dialogam com os orixás, buscam respostas no Orum e encontram luz mesmo nas encruzilhadas.
Em Omolu, o poeta escreve: “Perguntei a Omolu (meu professor): que fazer do que me resta de Luz?”, e a resposta o conduz à humildade e ao serviço. Já em Hino à melodia, ele afirma com firmeza: “Com meu coração feito de aço, aos orixás ainda me igualo …. Já que o Orum é logo ali”. Essa espiritualidade não é recurso estilístico — ela pulsa como fundamento de existência, abrindo caminhos, protegendo memórias e iluminando sua escrita com axé.
A obra também convida à reflexão e à empatia. Em tom confessional e intimista, o autor se revela diante do leitor:
“Voltam à superfície da terra, desenterram-se com as próprias mãos os meus irmãos, parentes e amigos sepultados com raiva numa chuvosa mina de cominações.” — crônica “Café com Chuva”
“Não há alternativas fora da ideia de acreditar, que podemos iluminar o espírito do mundo a partir da chave de um ou de vários amores.” — poema “Acreditar”
O livro será utilizado em práticas de biblioterapia, rodas de conversa e projetos voltados ao público 60+, como forma de inspirar outras narrativas que permanecem invisibilizadas. “Quantas histórias daríamos conta de narrar se tivéssemos espaço para isso?”, provoca Camila Botelho, curadora da obra.
O material estará disponível em formato acessível, com versão em audiolivro em www.frentenegragaucha.com.br. As sessões de biblioterapia contam com recursos de interpretação em Libras, ampliando o acesso ao conteúdo a pessoas surdas (mais informações no “Serviço”). As datas e os locais estão sendo divulgados no site www.frentenegragaucha.com.br.
Um almanaque que reflete a cidade
A estrutura de Almanaque de Flores, Beijos e Mentiras, com múltiplos gêneros — poesia, crônica, memória e homenagem — foi pensada como um verdadeiro “almanaque anárquico”, como define o autor. É um livro de resistência, lirismo e crítica social.
Inspirado por nomes como Oliveira Silveira (1941–2009), Paulo Ricardo Moraes, Jaime Silva, Cuti, Jorge Froes, Ronald Augusto, José Alberto tem como sua mais remota inspiração a mãe. O autor busca inspirar novas gerações a reconhecerem sua própria história e identidade.
“Minha mãe viveu 100 anos. Escrever é, também, fazer justiça a ela, à minha história, à nossa gente.”
Sobre o autor
José Alberto Silva nasceu em 12 de novembro de 1947, em Porto Alegre (RS). Carrega em sua trajetória os saberes herdados da oralitura familiar e da tradição negra gaúcha — elementos que alimentam sua escrita e sua atuação política.
Sua formação em negritude não veio das universidades, mas das vivências marcadas pelos bairros históricos do Areal da Baronesa e da Colônia Africana, dos terreiros, dos salões comunitários e da luta diante do olhar atento às ausências e apagamentos da história oficial.
É membro fundador da Frente Negra Gaúcha (FNG), entidade dedicada à promoção do negro gaúcho. É sócio remido da Sociedade Floresta Aurora, tradicional entidade negra da Capital, onde exerceu diferentes funções ao longo das décadas. Foi, também, membro fundador do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (Codene) e, atualmente, colabora como colunista do portal Litoralmania, do Correio Braziliense e é articulista da FNG.
FICHA TÉCNICA:
Título: Almanaque de Flores, Beijos e Mentiras (FNG Editorial)
Autoria: José Alberto Silva
Prefácio: Lucas C. Roxo
Pósfacio: Maria Cristina Ferreira dos Santos
Orelha: João Carlos Almeida dos Santos
Obra de capa: Fernando Baril
Projeto gráfico, diagramação e capa: Maria Helena dos Santos
Revisão: Jésura Lopes Chaves
Produção editorial: Ideograf Gráfica e Editora Gaúcha
Planejamento cultural, coordenação editorial e gestão financeira: Silvia Mara Abreu
Pesquisa: José Alberto Santos da Silva
Curadoria/Bibliotecária: Camila Botelho Schuck
Audiodescrição: Mil Palavras
Intérprete de Libras: Vânia Rosa da Silva
Assessoria de Imprensa e Gestão de Redes Sociais: Paula Martins
Gestão Contábil: Marieri Gazen Braga
Fotografia: Marcos Pereira “Feijão”
Realização: Frente Negra Gaúcha
Presidente: Vanessa Mulet
Ano de publicação: 2025
Número de páginas: 180
ISBN: 978-65-01-39761-0
FINANCIAMENTO:
Esta obra foi realizada com recursos da Lei Complementar nº 195/2022, Lei Paulo Gustavo, por meio do Ministério da Cultura e da Secretaria da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul.
Um painel sonoro gaúcho contemporâneo na CCMQ, neste sábado dia 26
Depois de grandes shows em Encantado e Osório, sábado, dia 26 de abril, é a vez de Porto Alegre receber o 1º Festival Sul Universal. O evento reflete toda a diversidade musical produzida no Rio Grande do Sul, com influências das sonoridades brasileira e latino-americana.As apresentações na capital gaúcha acontecem a partir das 18h30, na Travessa dos Cataventos, na Casa de Cultura Mario Quintana, com entrada franca. Dunia Elias, Quinteto Canjerana e Rapajador compõem um painel sonoro gaúcho contemporâneo: choro, MPB, Música Gaúcha Contemporânea, rap e pajada, num diálogo harmônico entre a raiz regional, a brasilidade e o modernismo musical.E, no mês de maio, o Festival vai levar Lucio Yanel e Thiago Colombo, Instrumental Picumã e Shana Müller a Lajeado (11) e Carlos Badia e Grupo e Paulinho Cardoso Quarteto a Pelotas (17). Confira a programação completa no site https://suluniversal.com.br e nas redes (@suluniversal no instagram e facebook).Selecionado no Edital SEDAC nº 32/2024 PNAB RS – MÚSICA, o 1º Festival Sul Universal tem financiamento da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), programa do Ministério da Cultura do Governo Federal. Com planejamento cultural da Gaita Produtora Cultural e Experimentais Cria Cultura, a iniciativa tem apoio do Movimento Sul Universal, IEM – Instituto Estadual da Música e CUBO PLAY.O evento integra as primeiras ações do Movimento Sul Universal, dentre as quais se destacam o Podcast Sul Universal – cuja a primeira temporada está disponível nos canais no YouTube do MSU (https://www.youtube.com/@suluniversal) e da CuboPlay (https://www.youtube.com/@CuboPlay) e a futura Escola Sul Universal.
Atrações:
Dunia Elias é conhecida pelo público gaúcho como uma artista original, que se expressa como pianista, compositora e atriz-pianista, tendo sido várias vezes premiada em festivais, no Rio Grande do Sul e fora dele. Sua música retrata a identidade sonora do sul do Brasil, no pedaço de mundo contido entre Brasil, Argentina e Uruguai – a vasta região do Pampa, onde as fronteiras geográficas se confundem e se diluem. Música com tempero jazzístico.
Suas composições refletem essas influências que permeiam seu universo sonoro: “Choro Pampeano” (Prêmio Plauto Cruz no Festival de Choro de Porto Alegre 2005), “Antonio Abdallah” (milonga e dança árabe), “Candombe no Bomfim” (2º lugar no 13º Festival de Música de Porto Alegre), “O Choro do Bugio” (Melhor Música Instrumental no XI Musicanto).
Neste show, dois dos instrumentistas mais versáteis do RS a acompanham, formando uma parceria de longa data: Artur Elias na flauta e Giovani Berti na percussão.

Quinteto Canjerana_foto Cláudio Zagonel Neto/Divulgação Quinteto Canjerana
Criado em 2012, o Quinteto Canjerana apresenta temas autorais que propõem uma sonoridade gaúcha contemporânea. São composições que trazem o universal para a música gaúcha.
Com dois álbuns lançados, o grupo busca inserir elementos da música do mundo em suas composições, o que resulta em uma sonoridade ímpar e um diálogo harmônico entre a raiz regional e modernismo musical.
O Quinteto é formado por Alex Zanotelli no contrabaixo, Fernando Graciola no violão, Maurício Horn no acordeon, Maurício Malaggi na bateria e percussão e Zoca Jungs na guitarra, violão e viola caipira.

O trio Rapajador crédito divulgação/ RAPajador
Resultado de uma mistura entre o rap e a pajada (Payador em castelhano, quer dizer repentista ou poeta do improviso), RAPajador nasce com o objetivo de representar a tradição do Sul por meio de sua essência musical e da rima.
O Rapajador vem da união entre duas manifestações artísticas presentes na cultura brasileira, mas com “sotaques” diferenciados, vez que, tanto o rap quanto a Pajada (Payada), tem como principal fundamento o verso – tanto escrito quanto improvisado. O projeto surge em 2018 com a parceria do rapper Chiquinho Divilas, do acordeonista Rafa De Boni e do DJ Hood.
Nomes como Jayme Caetano Braun e Mano Brown inspiram letras e arranjos que contam com a participação do DJ Hood, mixando temas e batidas típicas da região Sul com a batida do rap.

Plataforma digital revela legado do fotógrafo Jacob Prudêncio Herrmann com cenas históricas do RS
Um olhar que atravessa o tempo: as cidades, seus habitantes e seus silêncios registrados por uma lente sensível e apaixonada. É isso que o público poderá descobrir com o lançamento do projeto “Jacob Prudêncio Herrmann – O Olhar Revisitado”, que traz à luz mais de 1.000 fotografias inéditas feitas entre as décadas de 1930 e 1940 por um fotógrafo amador que, com sua câmera Zeiss-Ikon, eternizou cenas da vida urbana e do cotidiano em Porto Alegre, Litoral Gaúcho e Catarinense, além de outras cidades do Rio Grande do Sul
A iniciativa culmina na criação de uma plataforma digital pública e gratuita, onde as imagens serão acompanhadas de contextos históricos e interpretativos. Mais do que um resgate visual, o projeto propõe uma releitura de uma Porto Alegre distante, revelada pelo olhar atento e artístico de Jacob Prudêncio Herrmann.
O lançamento oficial acontece no dia 24 de abril, quinta-feira, às 18h30min, no Museu da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre. O evento marcará a primeira exibição pública da plataforma, permitindo ao público explorar virtualmente o extenso acervo fotográfico de Herrmann, cuidadosamente recuperado e organizado ao longo dos últimos meses.

Viaduto da Borges . Crédito Jacob Prudêncio/ Divulgação Com curadoria e coordenação de pesquisa de Jorge Herrmann, artista visual e neto do fotógrafo, o projeto representa um marco para a preservação da memória urbana e da arte fotográfica gaúcha. Financiado com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio do Ministério da Cultura e da Secretaria de Estado da Cultura do RS, “Jacob Prudêncio Herrmann – O Olhar Revisitado” é uma oportunidade única de revisitar um passado quase esquecido — e, ao mesmo tempo, redescobrir a força documental e estética da fotografia.
Jacob Prudêncio Herrmann ficou conhecido por sua capacidade de capturar, com sensibilidade e rigor, aspectos do cotidiano e da transformação urbana. Embora tenha sido um fotógrafo de fins de semana, devido à sua rotina profissional, isso jamais limitou seu olhar. “Jacob era um fotógrafo de fins de semana, pois o seu trabalho impunha esta condição. Porém, isso em nada pareceu tê-lo limitado, pois tinha o dom do memorialista, que sabe estar fotografando uma realidade que precisa ser documentada”, destaca Jorge Herrmann.

Homens empoleirados acompanhando algum evento (talvez próximo ao Lago Guaíba)/Divulgação E completa: “Foi registrando tipos humanos, costumes, eventos históricos, paisagens e fatos do dia a dia com uma sensibilidade surpreendente para um homem cujo cotidiano durante os dias de semana era bem outro. Talvez Jacob não tivesse exatamente essa ideia a seu próprio respeito, mas ao analisar suas fotografias, não consigo deixar de pensar que se tratava, mesmo, de um sensível artista.”

Lago Guaíba – Margem e cais ao fundo/Divulgação Agora, esse legado se torna acessível a todos, abrindo janelas para uma Porto Alegre de outros tempos — uma cidade que pulsa nas imagens de Jacob, entre bondes, ruas de pedra e céus cruzados pelo Zepellin. Uma cidade viva, que volta a respirar pela força da memória e da arte.
A fala de especialistas
O acervo fotográfico de Jacob Prudêncio Herrmann é uma rica fonte para refletir sobre a evolução da cidade. O arquiteto Analino Zorzi, que integra a equipe de pesquisadores, destaca os aspectos arquitetônicos e urbanísticos mais marcantes que percebeu nas imagens analisadas e que ajudam a compreender o crescimento de Porto Alegre no final do Século XIX e início do XX: – Na variedade de imagens clicadas por Jacob Prudêncio Herrmann percebemos claramente os diversos momentos, com características distintas, da paisagem urbana e dos estilos arquitetônicos. Conseguimos acompanhar o que foi se desenvolvendo na cidade de Porto Alegre. O registro e a divulgação destas imagens colaboram com a conscientização do valor cultural que deve ser conferido às ações humanas. Esta produção cultural contribui indelevelmente para reforçar a compreensão de que somente pelo conhecimento e entendimento do passado, construiremos o futuro desta produção cultural, reforça.

Centro – Andradas / Divulgação Jacob Prudêncio Herrmann foi um dos membros mais assíduos do Photo-Club Helios. A pesquisadora Luzia Rodeghiero, analisa o envolvimento dele com a fotografia na época e o seu papel dentro desse ambiente fotoclubista. – Jacob era contador de profissão e sua presença foi constante nas reuniões do Photo-Club Helios, no período analisado. Acredito que sua qualificação e habilidade técnica em realizar os serviços contábeis para seus clientes contribuíam para seu perfil metódico e extremamente organizado como fotógrafo amador. Em cada um dos envelopes em que armazenou os negativos de vidro de sua produção, ele registrou os dados técnicos das fotografias, como o tempo de exposição, a abertura do diafragma da câmera, o horário em que fotografou, local e data, revela Rodeghiero.
Segundo a pesquisadora, essas características se uniam à grande sensibilidade de Herrmann para pensar e estudar as formas e os recursos técnicos necessários para capturar o instante que percebeu nas cenas que eternizou em fotografias. – Seu talento artístico, aliado ao conhecimento que era compartilhado e obtido nas reuniões do Helios, além de garantir a criação de imagens memoráveis, foi uma força persistente que contribuiu para a sobrevida do fotoclube até o limite imposto pelas circunstâncias que levaram à sua extinção, destaca Rodeghiero.

Morro Ricaldone – Delta do Jacuí/Divulgação Kátia Becker Lorentz, responsável pela pesquisa histórica sobre processos fotográficos, ressalta “a qualidade, a escolha, a composição das imagens e a sensibilidade extrema em tudo que fotografou. Tem imagens que parecem pura poesia”, ressalta. Segundo ela, as imagens do acervo do Jacob Prudêncio Herrmann mostram uma Porto Alegre que já não existe mais, mas que pode ser conhecida através dos registros que ele deixou. – As cidades são desde muito o centro da vida econômica, política e social de uma comunidade. As fotografias de Jacob e suas relações com a cidade ajudam a compreender a história e a evolução urbana nas suas mais diversas funções, morfologia e tipologias. Possibilitam a visualização do espaço urbano, seus habitantes e seus costumes ao longo do tempo em que Jacob registrou suas imagens, afirma.

Meninos negros – Autoria duvidosa/ Divulgação As museólogas Eroni Rodrigues e Isabel Ferrugem realizam o trabalho de indexação, catalogação e pesquisa do acervo fotográfico e documental de Jacob Prudêncio Herrmann. Para Eroni Rodrigues, os registros fotográficos de Jacob Prudêncio Herrmann se constituem em testemunhos das transformações ocorridas em diversos setores da sociedade, principalmente, da cidade de Porto Alegre. – Suas fotografias nos revelam uma cidade com as suas mais variadas nuances – costumes locais, crescimento da malha urbana, catástrofe climática, etc. E, dessa maneira, por suscitarem memórias de um passado, o acervo fotográfico representa uma valiosa fonte primária de informações, opina Eroni.
Agora, com o lançamento da plataforma digital, o olhar de Jacob Prudêncio Herrmann encontra novos olhos. Suas imagens, antes guardadas em negativos e álbuns familiares, ganham o mundo — oferecendo não apenas um registro visual do passado, mas uma ponte sensível entre gerações.

FICHA TÉCNICA:
Tommaso Mottironi: digitalização do acervo. geração do website. diagramação e design gráfico de impressos. acondicionamento do acervo. produção executiva.
Jorge Herrmann: digitalização do acervo. coordenação interdisciplinar. curadoria. pesquisa estética do acervo. palestrante no evento de lançamento.
Eroni Rodrigues e Isabel Ferrugem: pesquisa museológica. indexação, reorganização e catalogação do acervo.
Luzia Costa Rodeghiero: pesquisa histórica sobre o fotoclubismo.
Analino Zorzi: pesquisa arquitetônica sobre evolução urbana.
Kátia Becker Lorentz: pesquisa histórica sobre processos fotográficos.
José Nilton Teixeira: roteiro e locução de audiodescrição.
Silvia Mara Abreu: assessoria de imprensa . plano de divulgação . entrevistas. clipping .
Carolina Marzulo e Ana Vieira: gestão de divulgação em redes sociais.
Claudia Herrmann e Jeff Minchef: organização e apresentação do projeto em escolas públicas de Porto Alegre.

Documentário sobre mulheres indígenas, na Cinemateca Paulo Amorim
O protagonismo feminino indígena na atuação coletiva em defesa dos direitos dos povos originários é o tema central do documentário Kunha Karaí e as Narrativas da Terra, que chega às telas da Cinemateca Paulo Amorim nesta quinta-feira (17). As sessões acontecem diariamente (exceto na segunda-feira), sempre às 19h, até o dia 23 de abril, na Sala Norberto Lubisco (Rua dos Andradas, 736 – térreo da Casa de Cultura Mario Quintana). Os ingressos custam R$ 8,00 (meia-entrada) e R$ 16,00 (inteira) na terça, na quarta e na quinta-feira. Já na sexta-feira (feriado), no sábado e no domingo, o valor das entradas é R$ 10,00 (meia-entrada) e R$ 20,00 (inteira).
Longa-metragem dirigido pela cineasta e pesquisadora Paola Mallmann, o filme conta a história de vida de mulheres indígenas brasileiras de diferentes povos e biomas, em que os caminhos de luta política e espiritualidade vinculada ao resgate da ancestralidade se entrecruzam no processo de se tornarem lideranças.
Entre memórias afetivas, sonhos, elementos da cosmovisão ameríndia e gestos de resistência, Kunha Karaí e as Narrativas da Terra nos leva a reconhecer de forma intimista e sensível a autenticidade das relações das entrevistadas com os territórios visitados e com a ancestralidade brasileira.

Foto: Divulgação O elenco do filme é formado por Elis Alberta Santos (Elis Mura), Shirley Djukurnã Krenak, Alice Martins – Kerexu Takuá, Iracema Gãh Té Nascimento, Celita Xavier, Jera Guarani, Juliana Kerexu, Francisca Arara, Edina Shanenawa, Nedina Yawanawa, Talcira Gomes, Júlia Gimenez, Eryia Yawanawa, Rosa Peixoto, Ermelinda – Yepário, Kedasere, Laurinda Borges e Raquel Kubeo (esta última também colaborou com o processo de pesquisa e produção das filmagens).
O documentário aborda, através das mulheres, o debate sobre mudanças climáticas e proteção dos biomas – elementos que apontam caminhos de fortalecimento da história indígena contemporânea brasileira como vozes da Terra. Rodado entre 2019 e 2022, em diferentes regiões e cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Brasília e Acre, o filme foi lançado em abril de 2024, sendo exibido nos cinemas de Brasília (DF), Palmas (TO), Manaus (AM), Salvador (BA), Ribeirão Preto (SP) e Teresópolis (RJ).
Por conta das enchentes de maio, a estreia do filme em Porto Alegre precisou ser adiada, ainda que, em outubro, o documentário tenha sido exibido em uma sessão especial na Sala Redenção e, no mês seguinte, na Sala Paulo Amorim da Cinemateca Sala Paulo Amorim, dentro do evento Mostra Virada Sustentável. Agora, Kunha Karaí e as Narrativas da Terra estreia oficialmente nos cinemas gaúchos, com a temporada na Sala Norberto Lubisco.

Foto: Divulgação “É bem significativo que as pessoas possam assistir ao filme e conhecer a história dessas mulheres e, quem sabe, através delas refletir um pouco sobre sua própria história e sobre os laços com sua ancestralidade e sua responsabilidade na construção do nosso futuro comum como cidadãos”, ressalta a diretora, destacando a importância do lançamento desse documentário em salas de cinema, em especial para novos realizadores. Contando com distribuição independente da Panda Filmes (RS) e da Opará Cultural (RS), Kunha Karaí e as Narrativas da Terra teve produção executiva de Beto Rodrigues, da Linha de Produção Cinema e TV, em produção associada com Opará Cultural, com diversos apoios de articulações locais.
“Vivemos um momento histórico de grande relevância central da pauta dos povos originários, com a recente criação do Ministério dos Povos Indígenas, em articulação com questões globais de grande impacto e esperamos contribuir com essa causa, a partir do nosso ofício, resultando neste registro feito de forma imersiva para os povos indígenas e para todos os brasileiros e brasileiras”, afirma a diretora do filme. Ela destaca a relevância da pauta, citando a ação policial violenta contra os indígenas em marcha pacífica realizada em Brasília no início deste mês, que atingiu também a deputada federal Célia Xakriabá. “Esse incidente mostra o quanto ainda é preciso lutar pelo respeito aos direitos dos povos indígenas”, destaca Paola.
Kunha Karaí e as Narrativas da Terra contou com recursos do edital Programa #Audiovisual Gera Futuro, do Ministério da Cultura (MinC) e também marca a estreia de Paola no formato longa-metragem. A diretora já havia dirigido três curtas-metragens documentais, um deles com vários prêmios e participações em festivais de cinema importantes, como Gramado e Brasília.

Foto: Divulgação “Conseguir lançar o documentário em salas de cinema é realmente bem importante, por viabilizar a difusão da informação ao público que não acessa obras com essa temática e compromisso social e pelo desafio que é colocar filmes documentários brasileiros dirigido por mulheres no circuito comercial”, comemora a diretora, que também assina o argumento do filme.
“Esse documentário é fruto da imersão no caminho que nos leva ao encontro dos povos originários, revelando as diversidades e o universo plural das mulheres indígenas do Brasil contemporâneo. Torcemos para que o maior número de pessoas possa assistir, compartilhar com amigos, e que o filme se some, às ações do movimento de luta abril indígena, como o ATL que ocupa Brasília todos os anos para reivindicar os direitos garantidos às comunidades indígenas”, observa Paola. Nesta temporada do filme na Sala Norberto Lubisco, a diretora do documentário estará presente na sessão do dia 22 (terça-feira).

Foto: Divulgação Ficha técnica
Produção: Linha de Produção Cinema e TV
Produção associada: Opará Cultural
Pesquisa, argumento e direção: Paola Mallmann
Direção de Fotografia e Câmera: Pedro Clezar
Direção de som: Guilherme Cássio
Direção de Produção: Flávia Seligman
Montagem e Edição: Vanessa Leal dos Santos
Distribuição: Panda Filmes
Produção executiva: Beto Rodrigues e Gabriel Sager Rodrigues
Duração: 1h45min
Perfil no Instagram: @kunhakarai.ofilme
Livro se debruça sobre a vida e a obra de Trindade Leal (1927-2013)
Dia 5 de abril, sábado, às 10h, na Casa da Memória Unimed Federação RS, Rua Santa Terezinha, 263, em Porto Alegre, faremos o lançamento do livro Trindade Leal – moderno fronteiriço, no mesmo local da retrospectiva do artista, homônima ao livro, com cercas de 100 peças.
O autor do livro e curador da retrospectiva é José Francisco Alves. Entre outros livros seus, as monografias de artistas: curadoria e livro sobre vida e obra de Amilcar de Castro, “Amilcar de Castro – Uma Retrospectiva” (2005, Bienal do Mercosul) e “Stockinger – Vida e Obra” (2012, Multiarte).
Quem foi
Geraldo Trindade Leal, nascido em Sant’Ana do Livramento (1927), cidade gaúcha limítrofe do Brasil com o Uruguai, foi um dos precursores do modernismo no Rio Grande do Sul. Criança, foi educado em Porto Alegre e São Paulo (Colégio Dante Alighieri). Sua formação artística em Porto Alegre foi autodidata, eis que foi recusado de ingressar no Instituto de Belas Artes do RS, pelos acadêmicos. Voltou a São Paulo e foi onde sua carreira profissional começou, no 1.º Salão Paulista de Arte Moderna, em 1951. A partir de 1952, começou suas andanças, do litoral fluminense à Salvador. Na Bahia, trabalhou com Mário Cravo Júnior (1923-2018). Lá, observou que os temas regionais estavam representados na arte moderna baiana. Quando voltou ao Rio Grande do Sul, mergulhou na cultura gaúcha, a partir da vivência na Fazenda Olaria, de parentes no interior de Livramento, pautando seus temas gauchescos na pintura e no desenho.
Além dos temas regionais gauchescos, foram diversas as suas fases. Entre elas, o erotismo, as temáticas fantásticas – como a famosa série “Lobisome” – e o lirismo de suas memórias de infância; esta última, sua maior produção em tempo e número de obras, entre princípios da década de 1970 até o seu falecimento, em 2013, na cidade de Cruz Alta, quando estava aos cuidados da filha.
Suas mais importantes participações e atividades foram em São Paulo, entre 1951 e cerca de 1970, estando ligado a exposições, eventos e atividades com instituições a exemplo da Bienal de São Paulo, Prêmio Leirner de Arte Contemporânea, Museu de Arte Moderna de São Paulo, FAAP e TV Tupi. Nessa emissora, por exemplo, durante 1960, trabalhou diariamente na confecção dos cenários dos programas musicais, que eram transmitidos ao vivo. O acervo fotográfico sobre esta atividade de Trindade Leal, incluído no livro, é um raríssimo registro da história da TV brasileira.
Trindade Leal realizou individuais na Oxumaré (Salvador), no IBEU (RJ), Museu de Arte Moderna de Florianópolis, MARGS e MASP, entre outros locais.
O local do lançamento do livro é a Casa da Memória Unimed Federação/RS. Trata-se de um espaço criado em 2019 para atividades artísticas e culturais. As exposições mais recentes têm focado na história da arte do Rio Grande do Sul, sob curadoria de José Francisco Alves, com retrospectivas de nomes históricos, como Pedro Weingärtner* (1853-1929), José Lutzenberger (1882-1951) e Nelson Boeira Faedrich* (1912-1994). E agora, com Trindade Leal. A exposição seguinte será do italiano, inicialmente radicado em São Paulo, Angelo Guido* (1893-1969). *Curadas conjuntamente com Marco Aurélio Biermann Pinto.
O livro, realizado sem recursos públicos, tem tiragem reduzida e poderá ser encontrado também on-line, a R$ 150,00:
Amazon
https://www.amazon.com.br/dp/6599726240
Estante Virtual
https://www.estantevirtual.com.br/sebos-e-livreiros/ponto-arte?sellerId=1006016
vida Amostra do Livro TRINDADE LEALvida Amostra do Livro TRINDADE LEALA mostra Trindade Leal – Moderno Fronteiriço estará em exibição nos horários da Casa da Memória, em Porto Alegre-RS, até dia 3 de maio, de segundas a sextas, das 13h às 18h. Em sábados, abrirá para o lançamento (5 de abril) e no dia do encerramento da exposição, 3 de maio.


Adeli Sell lança “Memórias do PT gaúcho-vol. 2”, no Chalé da Praça XV
Adeli Sell, militante histórico do Partido dos Trabalhadores RS , dirigente, ex-vereador, ex- secretário municipal em administrações petistas, há anos vem resgatando o que ele chama de “as memórias” vivenciadas do PT gaúcho”
Na próxima quinta-feira, dia 20, às 17h30min às 20h ele promove o lançamento do livro “Memórias do PT gaúcho, vol. 2” no Chalé da Praça XV.
Segundo Adeli “em 202, foi lançado o seu primeiro volume, cujos lançamentos e debates foram prejudicados pela pandemia, agora em 2025 acontece o volume II.”
Adeli salienta que o primeiro “foi um trabalho de
rememorizações das suas andanças e de elementos fundantes em tempos áridos.”
No volume II, Adeli Sell traz alguns textos de militantes
históricos, como Selvino Heck e David Stival, que presidiram o partido no Estado. Notas sobre a vida de militantes do PDT, PSB e PCB que vieram ao PT.
Começa a resgatar a memória de seus núcleos de base, dos debates das tendências, a necessidade de atualizar as concepções do Modo Petista de Governar e Legislar. Não deixa de listar uma série de tópicos nos quais considera ter lacunas no partido.
Lembra também a memória de militantes históricos como Clóvis Ilgenfritz da Silva, Lorim, “Mulita”, Pedro Carleti, entre outros.
O livro está à venda por 50 reais. Pedidos podem ser feitos ao autor – 51.999335309 – com envio pelos correios, sem custos adicionais.







































