Pandemia é tema de canção nos dez anos de parceria entre Raul Elwangger e Daniel Wolff

Higino Barros

Há 40 anos, Raul Elwangger faz parte da geração de músicos que vem compondo a trilha sonora urbana e rural gaúcha. Desde “Pealo de Sangue” gravada por interpretes do quilate de Mercedes Sosa, Raul disse a que veio. Já Daniel Wolff, mais novo, integra o que há de melhor na tradição do violão brasileiro, que mistura popular com considerável conhecimento erudito,  Pois os dois se juntaram agora, em tempos de pandemia, e lançam o álbum “Na Rua da Margem”  que celebra dez anos de parceria da dupla.

O trabalho intercala canções inéditas com releituras de sucessos anteriores em arranjos focados principalmente no instrumento de ambos: o violão e tem participação especial de Fernanda Krüger. O álbum conta também com diversos convidados , como Ayres Potthoff, Nelson Coelho de Castro, Giovanni Berti, Cristina Capparelli, Rodrigo Alquati, Veco Marques, Elieser Fernandes e Viktoria Tatour. As músicas são todas de autoria de Daniel e/ou Raul, incluindo parcerias com Ferreira Gullar, Pery Souza e Fernanda Krüger.

Nas entrevistas abaixo, com perguntas em comum, os dois músicos falam de “Na Rua da Margem” e de outros temas.

Foto Elenice Zaltron/ Divulgação

ENTREVISTA COM RAUL ELWANGGER

Pergunta: Como se deu o encontro musical de vocês? Em que ano e
circunstâncias?
RE: Foi um caso de interesse reciproco espontâneo. Assisti a alguns
concertos do Daniel, em especial um que teve repertório muito
apreciado por mim (Joaquin Rodrigo com a OSPA) e fomos
travando amizade, até que Daniel me convidou a compor e
cantar em seus discos que tiveram um estilo ligado à musica
popular. A partir disso, confiamos em que poderíamos ter um
álbum realizado a 4 mãos, e criamos Na Rua da Margem, ao qual
somamos Fernanda Kruger.

Pergunta: O que há em comum (e diferente) no trabalho de vocês?
RE: A música erudita, sua criação, execução e docência, é a praia
artística do Daniel. No meu caso, é a música popular, com a
esperança de criar uma MPB com personalidade própria aqui do
sul. Sendo as praias diferentes, cremos que podem se inter-
estimular, alimentando com riquezas de uma praia as potencialidades da outra, como aliás fizeram Dvorak ou Gnatalli.
Nessa aventura nos jogamos, estamos nesse percurso, para mim
bastante prazenteiro pois fui estudante do Instituto de Belas
Artes quando criança e do Conservat[orio Manuel de Falla em
Buenos Aires quando adulto.

Pergunta: Música em tempos de pandemia. Como tem sido?
RE: Como atividade pública, social, de desfrute, de convívio, tem sido
péssimo, ou nem sequer “tem sido”. Como profissão e fonte de
renda, tem sido um desastre, aumentado pela irresponsabilidade
da maioria dos governantes e uma parcela da população que os
segue. Como compositor, já tenho o hábito do trabalho solitário
e individual, onde a ouriversaria atenta em cada nova criação-
arranjo-poesia, é fonte de riqueza interior e ajuda o decorrer
destes tempos sinistros.

Pergunta: Qual maior prejuízo? A ausência de público, a perda econômica,
e outras?
RE: Vivemos uma grande perda, em todos os sentidos; uma perda
cultural que afeta cada escaninho da vida. Perdemos: VIDA!

Pergunta: Algo mais ?
RE: Tem sido um privilegio trabalhar com a Fernanda e o Daniel.
Espero ter contribuído. Falamos de Porto Alegre, das pestes que
nos assolam, prestamos homenagens, resgatamos e relemos
canções (com Pery Souza e Ferreira Gullar), mesclamos técnicas
eruditas e populares, Daniel com seus solos outorgou um status
qualificado às canções, convocamos músicos populares e
eruditos para tocar. Para mim, que desde os tempos da Frente
Gaúcha da MPB ando em busca de uma música “nossa”, é um
importante novo passo.

Foto; Tiago Becker/ Divulgação

ENTREVISTA COM DANIEL WOLFF

Pergunta: Como se deu o encontro musical de vocês? Em que ano e circunstâncias?
DW: Eu, desde adolescente, já era admirador do trabalho musical do Raul. Em 2008,participei de um arranjo de um show dele com a Orquestra de Câmara da ULBRA. A partir daí, fomos nos aproximando e, em 2010, fizemos uma turnê juntos no Rio Grande do Sul, tocando músicas nossas em arranjos para dois violões (estes arranjos foram agora gravados no
disco Na Rua da Margem). A seguir, fizemos duas canções juntos, uma gravada no meu disco Canção do Porto (2014), outra no álbum Iberoamericano (2018), e o Raul participou dos shows de divulgação de ambos os discos. Eu toquei também em uma canção num disco dele.
Em 2020, decidimos compor novas canções juntos e gravá-las junto com as músicas que já tocávamos antes. O resultado é o disco Na Rua da Margem.

Pergunta: O que há em comum (e diferente) no trabalho de vocês?
DW: Eu tive uma formação formal mais completa (faculdade de música, mestrado, doutorado, pós-doutorado) enquanto o Raul teve um aprendizado mais instintivo. Isto aparece em nossos estilos, que se complementam lindamente. Ambos temos uma preocupação em lapidar bem o trabalho, revisar cada letra, cada nota, cada harmonia, várias vezes.

Pergunta: O que define o trabalho atual. Ele se caracteriza como?
DW: Diferente dos meus discos anteriores, nos quais algumas canções tinham acompanhamento de grupos maiores (banda, orquestra de cordas, big band), este é um disco mais intimista, com arranjos camerísticos, com poucos instrumentos.

Pergunta: Música em tempos de pandemia. Como tem sido?
DW: Em 2020, pela primeira vez em mais de 25 anos, não viajei ao exterior para tocar e dar cursos de música. Foi um ano bem diferente. Mas consegui participar em eventos internacionais por video conferência, o que me permitiu algumas coisas que antes eram impossíveis. Por exemplo, em um dia de julho, dei aula em Nova Iorque pela manhã, participei de uma mesa redonda na Argentina à tarde e toquei um concerto em Nova Iorque à noite.

Pergunta: Qual maior prejuízo? A ausência de público, a perda econômica, e outras?
DW: Certamente, a perda econômica e a ausência de público são os maiores prejuízos. Mas também sinto muita falta do contato pessoal, fazer música junto a outras pessoas. A tecnologia de videoconferência ainda não permite um ensaio de qualidade, em tempo real, feito à distância.

Foto: Elenice Zaltron/ Divulgação

FICHA TÉCNICA

Técnico de som: Tiago Becker

Mixagem: Daniel Wolff e Marcos Abreu

Masterização: Marcos Abreu

Capa: Luiz Jakka

Gravado em outubro e novembro de 2020 no estúdio Soma (Seiva do Peito e Cabana de Santa-fé utilizam material gravado no estúdio Ted áudio em 2013 e 2018, respectivamente).

LINKS PARA OUVIR O DISCO

YOUTUBE

https://www.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_kc22oguRuWTHq68DWxlQD3NLFmhlLNfzM

SPOTIFY:

https://open.spotify.com/album/5tS1DbMPDmvjD59Lchy7HE?si=lYB1oSFbTSWTBI10pd0Nbw

APPLE MUSIC:

https://music.apple.com/br/album/na-rua-da-margem/1553527852

TRATORE

https://www.tratore.com.br/um_cd.php?id=28947

Escadaria da Borges ganha galeria de fotografia a céu aberto, permanente

Higino Barros

Num final de tarde ensolarada do início de 2018, o produtor cultural e fotógrafo Marcos Monteiro, 65 anos, estava sentado no bar Armazém, na parte alta da Escadaria da avenida Borges de Medeiros, quando lhe ocorreu a ideia: fazer na extensa parede do prédio à sua frente, do outro lado da avenida, uma exposição de fotografia à céu aberto. Assim nasceu e foi realizada naquele ano a primeira Street Expo Photo.  O evento deu certo, já ocorreu em três ocasiões e agora a partir de março, o local terá exposições durante todo o primeiro semestre de 2021 e que deve prosseguir no segundo semestre. A primeira será do fotógrafo Gilberto Perin e outras três estão agendadas. Todos os protocolos de segurança contra a Covid 19 são obedecidos.

Marcos Monteiro. Foto; Gilberto Perin/ Divulgação

Abaixo, o produtor Marcos Monteiro fala sobre o assunto.

Pergunta: Como surgiu a ideia da galeria a céu aberto na Escadaria da Borges?

Resposta: Desde a primeira da Street Expo Photo em 2018 pensei na possibilidade de tornar a escadaria numa galeria a céu aberto. Nesse meio tempo a ideia foi tomando forma e veio acontecer agora. A inspiração vem do grafite, que foi uma das primeiras expressões de Arte na Rua (Street Art) em Nova York. Essa cultura começou de forma subversiva e hoje ganhou relevância pelo significado e pelo questionamento a ambientes sociopolíticos. Hoje no Brasil existem poucas galerias de rua.

Pergunta:  Qual a programação para o primeiro semestre de 2021.

Resposta:  Em março na inauguração apresentaremos a exposição Gilberto Perin e em abril uma exposição com fotos minhas . Em junho teremos a exposição Pantanal com Douglas Fischer e Daisson Flach e em julho a exposição da fotógrafa portuguesa Fernanda Carvalho.  As datas posteriores estão em tratativas.

Pergunta: Como é a primeira exposição?

Resposta : A exposição de abertura da temporada é de Gilberto Perin, chama-se, Retratos. São fotos de conhecidos, amigos, atrizes, atores, artistas visuais, escritores . O artista afirma que “reeencontrar rostos sem máscaras foi um pequeno oásis nesses tempos difíceis.”

Pergunta: Como tem sido fazer e produzir cultura em tempos pandêmicos?

Resposta: Meus principais projetos em sua maioria sempre foram ao ar livre e com a chegada da pandemia ganharam maior relevância.

Pergunta: O projeto de interiorizar as exposições de rua. Em que pé está?

Resposta:  Ano passado fizemos uma parceria com a prefeitura de Canela/RS para realizar uma exposição de rua na cidade, porém com a pandemia reagendamos para o primeiro semestre deste ano.

Pergunta: Como reage o público diante das obras expostas na rua? Qual foi a experiência nos eventos que você promoveu?

Resposta: Nossos museus e galerias recebem menos de 1% da população da cidade, a arte sempre foi elitizada e eu quis quebrar esse paradigma. Em 2016 criei juntamente com o Gilberto Perin, a Mosaicografia no Largo Glênio Peres em frente ao Mercado Público, onde circulam cerca de 200 mil pessoas diariamente. Houve previsão de que os painéis não iriam durar dois dias e no final da exposição não houve um único incidente, nada foi danificado. A Street 2020/2021 não teve vigilância e durante os 30 dias também não ocorreram incidentes. Isso prova que o povo sabe admirar  e respeitar arte.

Pergunta: E qual a expectativa para a galeria a céu aberto na Escadaria?Resposta: A Galeria veio para ocupar nosso tão machucado viaduto Otávio Rocha, onde acontecem outros eventos culturais que, aos poucos, vão dando vida ao nosso viaduto. Ele completou 88 anos de existência em dezembro de 2020. Merece ser mais valorizado.

 

Júlio Zanotta,dramaturgo e escritor. Foto Gilberto Perin/ Divulgação

O pequeno oásis do fotógrafo Gilberto Perin:

“Conhecidos, amigos, atrizes, atores, artistas visuais, músicos, escritores, desconhecidos, gente. Os retratados nos convidam, ternamente, a viajar nos sentimentos que podem despertar em nós. Para mim, essas imagens soam como um ato de libertação e resistência em novos tempos de convivência, esperança e saúde, reencontrar rostos sem máscaras foi um pequeno oásis nesses tempos difíceis.”

Morgana Kretmann, atriz e escritora. Foto: Gilberto Perin/ Divulgação

-Foi Uma grande alegria receber o convite de Marcos Monteiro para inaugurar o espaço no viaduto como uma galeria com programação constante e renovada. Uma galeria aberta para que o público possa ver os mais diferentes olhares artísticos”.

Vaneza Oliveira, atriz . Foto Gilberto Perin/ Divulgação

Quem é Gilberto Perin:

Fotógrafo, diretor de cena, roteirista. Exposições individuais recentes no MARGS (Porto Alegre), Lisboa (Portugal) e Genebra (Suíça). Tem dois livros de fotografia: “Camisa Brasileira” e “Fotografias para Imaginar. Possui obras em museus, entidades culturais e coleções particulares, no Brasil e Exterior; além de fotos publicadas em jornais e revistas brasileiras e estrangeiras; e também fotografias que ilustram capas de livros. Formado em Comunicação Social pela PUC-RS.

FICHA TÉCNICA:

RETRATOS – fotografias de Gilberto Perin

-De 1º a 31 de março de 2021 – aberta 24 hora por dia.

-Galeria da Escadaria, no Viaduto Otávio Rocha, centro histórico

de Porto Alegre, RS. São 32 dois retratados em 14 painéis de 2x1m.

Alguns dos retratados: Julio Zanotta Vieira, Xadalu, Mario Vargas Llosa, Edu K., Otto Guerra, Vagner Cunha, Fernando Baril, Leandro Machado, Vaneza Oliveira, Yang Liu e Morgana Kretzmann.

 

 

Júlio César, de Shakespeare: a atualidade de um texto escrito há quatro séculos

 

A coleção de 20 volumes com obras de William Shakespeare apresentada pelo psicanalista, escritor e intelectual Luiz-Olyntho Telles da Silva. Hoje, o 14º volume.

JÚLIO CÉSAR

p/William Shakespeare

Tradução interlinear, introdução e notas de Elvio Funk

Porto Alegre, Editora Movimento, 2017, 192p.

Em coedição com a UDINISC, Santa Cruz do Sul, RS.

Júlio César, peça que Shakespeare escreveu há 417 anos, pode ser lida à luz da realidade política contemporânea.

Na verdade, é uma peça tão atual, que alguns diretores, desde 1930, a tem representado com as características de personagens de nossa época, como Hitler, Mussolini, De Gaulle, Fidel Castro, e mesmo Margareth Thatcher.

Toca, também, na sensível e sempre abordada questão da educação: Júlio César se queixa que Cássio é um homem perigoso, pois lê muito, pensa demais e vê com muita clareza as verdadeiras intenções por trás das ações dos homens.

Para César, o que o povo precisa para ser boa massa de manobra é estar bem gordo, ter circo e ler pouco ou nada.

Ato I, cena 2 – César:

[…] Se eu estivesse sujeito a ter medo,

não sei se o primeiro homem que eu evitaria

não seria aquele magrela, Cassio. Ele lê muito,

é um grande observador, e vê com muita clareza

as verdadeiras intenções por trás das ações dos homens.

Cabíria Festival – Mulheres & Audiovisual abre inscrições para a programação ‘Encontros’

A segunda edição do Cabíria Festival – Mulheres e Audiovisual, que acontece entre 18 e 29 de novembro, em formato online e gratuito, está com inscrições abertas até o dia 10 de novembro  para sua programação Encontros. As atividades, especialmente desenhadas para promover reflexões e intercâmbio de experiências, incluem, entre outras, oficinas, materclasses, painéis e debate. As inscrições podem ser feitas no site do festival www.cabiria.com.br

Roteirista Ana Abreu fala sobre narrativas cinematográficas. Foto; Divulgação
Realizadora Maristela Mattos. Foto; Divulgação

Crítica cinematográfica é o tema da oficina ministrada pela jornalista e documentarista Flavia Guerra. Já a roteirista Ana Abreu vai falar sobre Narrativas não ficcionais. A diretora e roteirista francófona Mounia Meddour, do longa Papicha, dará uma masterclass sobre o filme, indicado na categoria de melhor direção na Mostra Un certain regard (Cannes, 2019), e vencedor do Cesar 2020 nas categorias de melhor primeiro filme e atriz revelação para Lyna Khoudri. Em seu estudo de caso, a realizadora Maristela Mattos (Born to fashion) aborda como os realities shows podem ser disruptivos e contribuir com o pensamento social e uma visão de mundo. A produtora Raquel Leiko (Conspiração) dará uma materclass sobre Desafios criativos e de produção. Os painéis, com participação de nomes nacionais e internacionais, terão temas como Políticas & Iniciativas de ruptura e Porum audiovisual possível. E ainda está programado um debate especial em homenagem a cineasta Patrícia Ferreira Pará Yxapy sobre sua mostra. As inscrições devem ser feitas no site do festival www.cabiria.com.br até 10 de novembro e algumas atividades estão sujeitas à lotação.Em breve o site do Cabíria Festival – Mulheres e Audiovisual irá disponibilizar a programação completa.

Diretora e roteirista francófona Mounia Meddour/Divulgação
Produtora Raquel Leiko/ Divulgação
Cineasta Patricia Pará Yxapy/ Divulgação

O Cabíria Festival – Mulheres & Audiovisual

Em razão da pandemia de Covid-19, o Cabíria Festival – Mulheres & Audiovisual terá a sua segunda edição em ambiente online, de 18 a 29 de novembro. Com isso, o evento amplia seu alcance e estará disponível em todo o país. No mesmo formato virtual, acontece em seguida o Cabíria LAB de 30 de novembro a 5 de dezembro, ação voltada para as finalistas do Cabíria Prêmio de Roteiro, que reúne quatro categorias: Piloto de série documental; Longa-metragem de ficção; Argumento infantojuvenil de longa ficção; Piloto de série de ficção. Toda a programação será gratuita.

O evento é uma expansão do Cabíria Prêmio de Roteiro, que desde 2015 incentiva a valorização de roteiristas mulheres e protagonistas inspiradoras. Criado para somar ao debate e ações em prol à igualdade de gênero e diversidade na cadeia produtiva do audiovisual, em consonância com diversas iniciativas ao redor do mundo, sua primeira edição foi realizada em 2019, no Rio de Janeiro, com financiamento coletivo, parcerias e voluntariado. Desafiadora, a edição resultou em cinco dias de atividades gratuitas, com uma rede de 70 cineastas, 35 filmes, seminário com painéis, oficinas e masterclass, envolvendo 16 instituições/empresas do setor.

A linha curatorial do festival se orienta pela ampliação da representatividade em termos de gênero, cor, sexualidade e território, do ponto de vista do conjunto de obras e atividades, e da sua audiência, no intuito de estimular imaginários possíveis. Ao público será oferecida uma ampla programação de obras de cineastas com sessões de longas e curtas-metragens, debates com xs realizadorxs, além de painéis, oficinas e masterclasses, voltados ao estímulo da rede de cineastas, impulsionamento profissional e à provação de reflexões.

PARCERIAS

O festival conta com diversas parcerias, entre elas: Embaixada da França no Brasil, Goethe Institut, Spcine, Instituto Alana, Videocamp, Projeto Paradiso, Tertúlia Narrativa, Telecine, ETC Filmes, Selo ELAS, Hysteria, Cardume Curtas, Mubi, LATC,  Imprensa Mahon, Canal Curta!, Canal Brasil, entre outras.

Acesse o site e siga nas redes www.cabiria.com.br

“Múltiplo Olhares” de volta em exposição presencial, no Espaço Cultural Correios Poa

Depois de quase oito meses fechado, o Espaço Cultural Correios Porto Alegre reabre para visitação do público, nessa terça-feira, dia 3 de novembro, com a exposição Múltiplos Olhares. Com a abertura autorizada, o local foi preparado para receber os visitantes com segurança, cumprindo todos os protocolos: limpeza contínua dos espaços, disponibilização de álcool em gel, limitação do número de visitantes e obrigatoriedade do uso de máscaras. Com entrada franca, a mostra pode ser conferida de terça a sexta- feira, das 10h às 17h e sábado de 10h às 16h, e fica em exibição até 12 de dezembro.

Cristina Molenda Carvalho, supervisora do Espaço Cultural Correios. Foto: Juliana Baratojo/ Divulgação

“Seguindo os protocolos de segurança, desejamos que a reabertura dos espaços culturais possa levar a arte, a emoção e a reflexão para o público nesses tempos difíceis que vivenciamos na pandemia”, observa Cristina Molenda Carvalho, supervisora do Espaço Cultural Correios.

Fotógrafa Iara Tonidandel. Foto; Juliana Baratojo/ Divulgação
Fotógrafo Aníbal Elias Carneiro. Foto: Juliana Baratojo/ Divulgação

A exposição Múltiplos Olhares, que havia sido recém inaugurada no início da pandemia, apresenta visões e fragmentos sobre Porto Alegre, sobre a natureza, sobre o concreto, sobre o mundo. Concebida pelo curador, arquiteto e artista visual Fábio André Rheinheimer, a exposição contempla 56 obras de 28 fotógrafos que possibilitam essa diversidade de interpretações e olhares. “Na pandemia, fomos conduzidos a tempos de incertezas e reflexões. A exposição Múltiplos Olhares retoma sua trajetória e amplia seu caráter de celebração, não mais restrito à arte da fotografia, conforme proposta conceitual a orientar a curadoria. Porém, neste novo momento, e de modo mais abrangente, esta mostra também celebra o reencontro da comunidade com a arte”, destaca Rheinheimer.

Fotógrafa Andréa Seligman. Foto; Juliana Baratojo/ Divulgação
Fotógrafo Natan Carvalho. Foto: Juliana Baratojo/ Divulgação

O curador explica que a exposição foi concebida tendo como base interação entre elementos aparentemente desconexos do portfólio de 28 profissionais. “A partir dessas parcelas – imagens extraídas do contexto – organizam-se outras possibilidades do ver, novas ressignificações. Neste percurso, eis o espectador a delinear, segundo apropriação particular), a elaboração hipotética de outros (ou novos) relatos, tendo por objeto a livre inter-relação entre produções distintas”, descreve o curador.

Obra: Abstratos da natureza. Divulgação
Obra de Douglas Fischer./ Divulgação

Na mostra, estão registros de Ana Fernanda Tarrago, Andréa Barros, Andréa Seligman, Alexandre Eckert, Aníbal Elias Carneiro, Bia Donelli, Clara Koury, Douglas Fischer, Eduardo Grazia, Fábio Petry, Flávia Ferme, Flávio Wild, Helena Stainer, Iara Tonidandel, Ivana Werner, Laércio de Menezes, Leandro Facchini, Leonardo Kerkhoven, Manoel Petry, Marcelo Filimberti, Marcelo Leal, Nattan Carvalho, Paulo Mello, Rafael Karam,  Rogério Soares, Sílvia Dornelles, Tiago Jaques e Victor Ghiorzi.

 

Múltiplos Olhares: 28 fotógrafos

Curadoria Fábio André Rheinheimer

Visitação: de 3 de novembro a 12 de dezembro de 2020

De terça a sexta 10h às 17h
Sábado 10h às 16h

Espaço Cultural Correios Porto Alegre – prédio histórico dos Correios na Praça da Alfândega, com entrada pela lateral, na Av. Sepúlveda (Centro Histórico).

Obra de Flávia Ferme/ Divulgação
Obra de Fábio Petry/ Divulgação

O clássico Romeu e Julieta, um arquétipo do amor entre adolescentes

 

A coleção de 20 volumes com obras de William Shakespeare apresentada pelo psicanalista, escritor e intelectual Luiz-Olyntho Telles da Silva. Hoje, o nono volume.

A coleção Shakespeare da Editora Movimento – 9

ROMEU E JULIETA

p/William Shakespeare

Tradução interlinear, introdução e notas de Elvio Funck

Porto Alegre, Editora Movimento, 2013, 256p.

Em coedição com a UDINISC, Santa Cruz do Sul, RS.

Telefone da editora: (51) 3232-0071

“Romeu e Julieta, que já era uma das mais famosas peças de teatro na época de Shakespeare, ao lado de Hamlet, continua sendo encenada nos palcos do mundo inteiro. Hoje, a relação amorosa dos dois jovens é considerada um arquétipo do amor entre adolescentes.”

Ato I, Cena 1 – Romeu:

O amor é uma nuvem feita com o hálito dos suspiros:

correspondido, é uma luz que cintila nos olhos dos amantes;

contrariado, é um mar alimentado por lágrimas apaixonadas.

O que mais é ele? Uma loucura muito sábia,

um fel que engasga e uma doçura que preserva.

“Medida por medida”, uma das peças mais densas e estranhas de Shakespeare.

 

 

A coleção Shakespeare da Editora Movimento – 7

MEDIDA POR MEDIDA

p/William Shakespeare

Tradução interlinear, introdução e notas de Elvio Funck

Porto Alegre, Editora Movimento, 2015, 224p.

Em coedição com EDUNISC, Santa Cruz do Sul.

Telefone da editora: (51) 3232-0071

“Considerada uma das peças mais densas e estranhas de Shakespeare, ‘Medida por medida’ tem o poder de levar-nos a uma leitura não apenas do século XVI, mas também dos já conturbados séculos XX e XXI.”

Ato II, Cena 4 – Ângelo:        […] Ó cargo, ó formalidade   

quantas vezes, com tua aparência e vestimentas,

deixas os tolos deslumbrados e prendes até os mais sábios

a tua falsa aparência!  Sangue, não passas de sangue!

Mesmo que escrevamos Anjo Bom nos chifres do demônio, 

esta inscrição não deixa o demônio menos demônio.

Grupo de empresários de entretenimento projeta retomada gradual

Grupo de empresários do ramo do entretenimento se une a fim de apresentar plano de retomada gradual do setor. Iniciativa conta com a participação de Grupo TE2 (Business For Fun e Provocateur), Grupo Austral, Opinião, Combo Agência, representantes de casas como Coolture, Complex, Club 688, NY72, Bar1Bar2 e URB Stage e visa trazer alternativas à área que movimentou em 2019 mais de R$ 1 bilhão em eventos realizados no Rio Grande do Sul.

O contexto criado pelas medidas de distanciamento social tiveram impacto em todas as camadas econômicas. Entre elas, uma das que mais sentiu foi o setor de entretenimento. Responsável por movimentar mais de R$ 1 bilhão no ano de 2019 com eventos realizados no Rio Grande do Sul, um grupo de empresários gaúchos se reuniu para pensar os caminhos que podem ser trilhados para a retomada da área. A ideia é levar à Prefeitura de Porto Alegre e ao Governo do Estado na próxima semana um estudo com possibilidades e sugestões de reabertura gradual dos locais de entretenimento, tanto na capital gaúcha, quanto na Serra e no Litoral Norte, já de olho no verão.

Fizeram parte do encontro nomes ligados ao Grupo TE2 (Business For Fun e Provocateur), Grupo Austral, Opinião, Combo Agência, Coolture, Complex, Club 688, NY72, Bar1Bar2 e URB Stage. Segundo Tiago Escher, um dos nomes à frente do Grupo TE2, a importância da área para a economia gaúcha é um dos pilares dessa movimentação. “Geramos mais de 50 mil empregos diretos e indiretos anualmente e o faturamento do setor no estado chega à casa dos R$ 20 bilhões, cerca de 5% do PIB do Rio Grande do Sul. Compreendemos o cenário, mas ressaltamos que precisamos caminhar para uma volta ao normal”, avalia.

Eduardo Corte, responsável pelo Grupo Austral, destaca a necessidade de protocolos e um honesto diálogo com o setor. Afinal, o público já parece estar no limite do comportamento e começa a dar sinais mais claros de desobediência civil. “No feriado de 7 de setembro observamos o alto número de eventos clandestinos aqui no Sul. Estimamos que mais de 35 mil pessoas foram às ruas nestes ambientes de lazer noturno e as forças de segurança não conseguiram impedir as aglomerações. Por que, então, não iniciar a retomada gradual do setor? Num ambiente controlado, com credibilidade e responsabilidade, seria muito mais fácil adotar medidas de segurança”, explica.

O grupo de empresários que desenvolve esse projeto — que, por sinal, está aberto e disposto a receber novos participantes — tem o auxílio de médicos infectologistas que tem atuado diretamente no contexto de crise vivido neste período. Todos compreendem que a reabertura é algo possível de ser feito, desde que respeitadas as medidas de segurança previamente apontadas por um corpo técnico do poder público. Por isso, proposições que buscam indicar um modelo interessante de reabertura gradual e quais medidas as casas precisam estar atentas são centrais neste plano que será apresentado.

Já Roberto Huwwari, do Club 688, ressalta que neste contexto de eventos ilegais e saturação das medidas de restrição, é fundamental o envolvimento e engajamento da iniciativa privada para encontrar soluções que atendam todas as necessidades dos diversos personagens da sociedade. “No último final de semana presenciamos novamente cenas de aglomeração na Rua Padre Chagas. Estamos no limite quanto sociedade. É inegável a atmosfera de transgressão civil que parece ganhar força entre parte significativa da população. Por isso, temos que abraçar esse compromisso e encontrar soluções”, pondera o empresário, que vai além:

“A manutenção da paralisação do setor significa desemprego e famílias com menos recursos, impostos que deixam de ser arrecadados e alternativas mais seguras para a saúde emocional e psicológica das pessoas. Afinal, caminhamos para um limite quanto dinâmica de distanciamento. Com tantos anos de atuação na área, confiamos que a participação da iniciativa privada ao lado do poder público pode, sim, promover essa reabertura gradual de forma segura”, conclui Huwwari.

Eliane Tonello lança “Layla e a uva”, em formato impresso e virtual, e quatro idiomas.

 

A escritora Eliane Tonello lançou no início de setembro o livro “Layla e a uva”, dirigida ao público infanto juvenil. Aqui ela responde sobre a obra e como tem sido fazer literatura em tempos de pandemia.

Higino Barros

Pergunta: Pelos anos 1980 decretaram a morte do livro impresso. Em 2020, você faz parte da geração que ainda acredita no livro impresso. Livro tem textura, cheiro e outros atrativos que o virtual não tem. Fale dessa opção pelo livro impresso, que já foi visto como um anacronismo.

Resposta: Sobre a ideia da morte anunciada do livro impresso em 1980, acredito que se perdeu no caminho. Percebo uma grande mudança no cenário atual, visto que há um respeito pela particularidade de cada leitor. Em 2020, a pandemia chegou e nos desafiou. Foi então que passei a fazer parte da geração que acredita no livro impresso e no livro virtual e publiquei nos dois formatos, a obra quadrilingue em um só livro
“Layla e a Uva”. O livro em formato e-book possibilitou um alcance maior, o leitor poderá acessar a loja da Amazon em diferentes partes do mundo, enquanto o impresso pode ser adquirido com a autora que o envia através da tele-entrega e pelo correio para todo o Brasil. Também aceita pedidos de empresas e instituições.

Pergunta: Voltada para o público infantil/juvenil, a obra pega todas as idades. Intenção era essa?

Resposta: A publicação da obra quadrilíngue em um só livro “Layla e a Uva” está encantando leitores do Brasil e exterior de todas as idades. Como a publicação ocorreu durante a pandemia, a intenção foi aproximar e reaproximar os membros da família de uma forma amorosa. Sem o contato com o mundo externo a personagem Layla nos encanta, utiliza a sua criatividade e apresenta o seu sonho em quatro idiomas. E você
leitor, tens algum sonho? Qual é? A personagem vive em diferentes cenários e cria uma espécie de ponte que possibilita aguçar memórias olfativas, sensoriais, auditivas e gustativas no leitor. Um resgate cultural e afetivo com experiências e percepções significativas que envolvem vínculos afetivos. Mais uma vez, a arte e a criatividade se apresentam como grandes aliados frente à saúde mental. A literatura nos prepara para
a vida e nos salva.

Pergunta:  A opção pelos quatros idiomas e o italiano empregado, da serra gaúcha. Como chegou a esse solução?

Resposta: Sou filha da cidade de Rondinha, norte da Serra Gaúcha. Tataraneta de descendentes Italianos vindos da Região de Vêneto – Província de Belluno e Trentino Alto Ágide- Província de Trento. Cresci no campo embaixo dos parreirais escutando o dialeto regional. E publicar a obra “Layla e a Uva” foi uma forma de dar continuidade às
gerações futuras e de mostrar ao mundo a cultura da Serra Gaúcha regada de afeto, sonhos e esperanças. Sem deixar de mencionar o bom suco e o excelente vinho.

 

Pergunta:  O papel da ilustração na concepção da obra. Como foi a escolha do artista e por quê ele?

Resposta: O encantamento com o trabalho do artista Emerson Falkenberg, após conhecer as ilustrações da obra de uma amiga, foi imprescindível para contatá-lo para este projeto. Emerson decifrou meus rabiscos e conseguiu condensar de forma precisa através das ilustrações o cenário que a personagem vivencia com tanta alegria junto com
familiares. A obra é um convite ao leitor para experienciar momentos repletos de afetos, sensações e cheiros. A impressão é que Emerson, ao mesmo tempo em que criava, vivia intensamente cada cena da obra.

Pergunta: Literatura em tempo de pandemia. Como tem sido a experiência para a obra chegar ao leitor.

Resposta: A literatura em tempos de pandemia conquistou um espaço significativo em minha vida. Houve uma aproximação calorosa e significativa com o leitor. Essa vivência eu não tive como leitora infanto-juvenil, quando a figura do escritor era de alguém distante.
A experiência de fazer a obra chegar ao leitor teve algumas particularidades, visto que o contato ocorre exclusivamente através das redes sociais. Isso permite um alcance maior e um contato mais íntimo. Houve reaproximações de amigos da infância e da juventude que permitiram relembrar de forma carinhosa e engraçada de situações
vividas, além de possibilitar novas amizades, sempre com uma boa conversa e infinitas trocas. Enfim, uma experiência afetuosa indescritível com o leitor que jamais teríamos se os livros fossem vendidos nas livrarias, salvo, o momento mágico que ocorre nas sessões de autógrafos. Essa experiencia virtual é nova na minha vida e acho interessante, pois tem
possibilidade de atingir um público maior. Seguimos nessa aposta!

Seleção de obras de arte da Pinacoteca Ruben Berta à disposição, nas redes sociais

A Secretaria Municipal da Cultura (SMC) irá disponibilizar, a partir desta terça-feira, 30, uma seleção de obras de arte da Pinacoteca Ruben Berta nas redes sociais.

Pinturas, gravuras e desenhos produzidos por artistas brasileiros e estrangeiros entre 1943 e 1966 integram a ação denominada Acervo Dialogado, que pode ser conferida na página da Coordenação de Artes Plásticas no Facebook (@artesplasticaspoa), no perfil do Instagram @artesplasticaspoa) e pelo site www.pinacotecaspoa.com.

CARYBÉ
“Os caciques” – 1965
óleo sobre tela – 73,0 x 100,0 cm
acervo Pinacoteca Ruben Berta /  foto F.Zago-StudioZ

Desafio artístico – Os trabalhos serão acompanhados por provocações poéticas e audiodescrições, visando a estimular releituras. A ideia de promover uma conversa criativa surgiu durante o fechamento temporário do museu em função do isolamento social para conter a disseminação do novo coronavírus.

A partir deste projeto, os espectadores virtuais serão desafiados a criar novos trabalhos inspirados nas obras pertencentes ao acervo.

DI CAVALCANTI
“Mãe” – sem data
guache sobre papel – 58,5 x 49,5 cm
acervo Pinacoteca Ruben Berta /  foto F.Zago-StudioZ

Todos os tipos de técnicas ou linguagens para criar novas obras são aceitas. Fotografia, colagem, gravura, pintura, poesia, vídeo, áudio, linguagem brasileira de sinais ou qualquer outro meio expressivo, por exemplo. A intenção é expandir as possibilidades de releituras do acervo e fomentar a manifestação das subjetividades no contexto da pandemia.

As obras produzidas pelo público podem ser enviadas pelo e-mail [email protected] ou postadas nas publicações nos perfis do Instagram e do Facebook da CAP.

Todas estas criações serão imediatamente divulgadas nas redes sociais, com a finalidade de criar um meio comunicativo entre a comunidade e o acervo, aproximando a população com a equipe de ação educativa da Pinacoteca através de atividades lúdicas e artísticas.

ANGELO GUIDO
“Ribeirinha” – 1948
óleo sobre tela – 40,0 x 50,0 cm
acervo Pinacoteca Ruben Berta /  foto F.Zago-StudioZ

Artistas Participantes

Alice Soares (Uruguaiana, 1917 – Porto Alegre, 2005)

Angelo Guido (Itália, 1893 – Pelotas, 1969)

Carlos Bastos (Salvador, 1925 – 2004)

Carybé (Argentina, 1911 – Salvador, 1997)

RUBENS MARTINS ALBUQUERQUE
“Floresta pré-histórica” – sem data
óleo sobre papel – 98,5 x 198,0
acervo Pinacoteca Ruben Berta / foto F.Zago-StudioZ

Di Cavalcanti (Rio De Janeiro, 1897 – 1976)

Lasar Segall (Lituânia, 1889 – São Paulo, 1957)

Mário Gruber (São Paulo, 1927 – Cotia/Sp, 2011)

Rubens Martins Albuquerque (Fortaleza, 1951)

MÁRIO GRUBER
“Ouro Preto” – 1966
óleo sobre tela – 46,5 x 55,0 cm
acervo Pinacoteca Ruben Berta / 
foto F.Zago-StudioZ