Pata de Elefante abre o projeto Jazz no Jardim na CCMQ

O rock instrumental com pegadas de blues, fusion jazz e psicodelismo da Pata de Elefante é a atração de abertura do projeto Jazz no Jardim, que acontece às 19h deste sábado, 16 de outubro, no Jardim Lutzenberger, 5º andar da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ – Andradas, 736 – Centro Histórico de Porto Alegre), instituição da Secretaria de Estado da Cultura (Sedac). O show tem entrada gratuita, com ingressos limitados, cumprindo todos os protocolos de saúde. O Jazz no Jardim também será exibido ao vivo no canal do YouTube e na página da CCMQ no Facebook.

A programação faz parte do Plano Anual de Atividades, que tem planejamento e gestão de Cida Cultural, patrocínio do Banrisul e Lojas Renner. O Plano Anual, realização CCMQ, Associação dos Amigos da Casa de Cultura Mario Quintana (AACCMQ), da Sedac, Ministério do Turismo e Secretaria Especial da Cultura do Governo Federal, prossegue até dezembro, com atrações musicais e espetáculos cênicos, de teatro, dança e circo pelos espaços do complexo cultural.

A Pata de Elefante surgiu em 2002, em Porto Alegre, e se tornou referência entre as bandas instrumentais, tanto brasileiras quanto internacionais. Já são quatro álbuns, um deles (Na Cidade, 2010) masterizado por Steve Rooke, mesmo engenheiro de áudio que trabalhou com os Beatles no Abbey Road Studios, em Londres. Em 2019, a Pata de Elefante passou a fazer parte da gravadora internacional Worldhaus Music. Com essa parceria, a banda se prepara para lançar em breve o quinto álbum.

A curadoria musical do Plano Anual de Atividades da CCMQ é do Distrito Jazz. Nesta fase, além do show da Pata de Elefante no Jardim Lutzenberger, também acontece a retomada do Projeto Música na Travessa. A Travessa dos Cataventos tem atração internacional no dia 30 de outubro, às 20h, com Ianaê Régia, Diego Ferreira & Nana Sakamoto Quarteto.

A agenda completa do Plano Anual contempla nove atrações musicais e outras dez de artes cênicas. As apresentações de teatro, dança e circo têm curadoria da Lucida Desenvolvimento Cultural. Todas as atrações da terceira edição do Plano Anual CCMQ 2021 (a iniciativa começou em 2018, mas não pode ocorrer em 2020 em razão da pandemia) contam com recursos de acessibilidade, como tradução em libras ou audiodescrição.

Jazz no Jardim – Pata de Elefante
Onde: Jardim Lutzenberger – 5º andar da CCMQ – transmissão ao vivo no YouTube e Facebook da CCMQ
Quando: 16 de outubro | sábado
Horário: 19 h

 

Com “Ave, Tekohá”, o lançamento de livro, de exposição de fotografia e de arte Guarani

A escritora Cleonice Bourscheid, o fotógrafo Aristóteles Bourscheid e o editor Alfredo Aquino são parceiros no projeto AVE, TEKOHÁ. No dia 5 de outubro, às 16h, no Theatro São Pedro, acontece o lançamento do livro Ave, Tekohá (Edições Ardotempo, 96 páginas, ISBN nº 978-65-00-10371-7, R$60) e a abertura da exposição de fotografias, poemas e arte Guarani.

O projeto AVE, TEKOHÁ, uma jornada poética inspirada na Cosmologia Guarani consiste na edição do livro de Arte e Poesia AVE, TEKOHÁ, exposição Itinerante de Fotografia e Artesanato Guarani e visitação gratuita e aberta para escolas. A exposição ficará aberta à visitação durante o mês de outubro na Sala de Exposições do TSP e prosseguirá até o final da 67ª Feira do Livro de Porto Alegre.

Cleonice explica que a ideia deste livro nasceu por sugestão do editor Alfredo Aquino, quando o apresentou ao Grupo Amar Genuíno, criado pela pesquisadora e educadora das infâncias, Ana Felícia Guedes Trindade. “O propósito do grupo é apoiar e dar visibilidade à Tekoa dos Mbya Guarani da Pindó Poty do Lami, por meio de ações amorosas e comprometidas socialmente, como a divulgação e escoamento da produção do artesanato, fonte de seu sustento e difícil de circular em tempos de pandemia. Comecei, então, a pesquisar a cosmologia Guarani, sua arte, sua música, sua língua, com a qual me identifiquei plenamente. Meus projetos anteriores também foram inspirados no respeito e amor à natureza”, observa.

A escritora Cleonice Bourscheid. Foto: Acervo pessoal/ Divulgação

A escritora, peta e cronista Mariana Ianelli observa no texto de apresentação que “o livro nos chama ao redespertar para as nossas origens, como se nos fosse dando de novo à luz, agora num possível mundo reconciliado, reencantado, de olhos e ouvidos abertos para os saberes da nossa casa, língua e memória. O sagrado respira ensolarado nessas páginas, na cosmovisão dos sábios originários da nossa terra e em seus amorosos artefatos de encantar.”

Parte da renda da comercialização do livro será revertida para a Tekoá dos Mbyá – Guarani da Pindó Poty do Lami. Informações pelo e-mail [email protected] e whatsapp (51) 99361-8742.

 

Cleonice é poeta, professora, tradutora e produtora cultural. É autora dos livros de poemas Passa, Passa, Passarinho/ Ave, Pássaro/ Comadre, Corujinha e Compadre Gavião/ Ave, flor/Piquenique no jardim/ Vovô, Vicente e o Vento. É proponente e coordenadora dos projetos Ave, Pássaro, Ave, flor e Piquenique no Jardim, projetos interdisciplinares que aliam poesia, música, literatura, artes plásticas e teatro. É curadora e produtora do recital “Salve fiori, d’augelli amori”, integrado por canções para voz e piano sobre poemas dos livros Ave, Flor e Ave, Pássaro, com composições de Fernando Mattos, que circulou no Brasil e na Itália. Tem contos e poemas publicados no Brasil, Uruguai, Itália, Portugal e Suíça. Durante a pandemia iniciou uma pesquisa sobre o povo Guarani, que resultou no Projeto Guarani, livro de poemas e fotos inspirado na Cosmologia Guarani (Ave, Tekohá! A criação do mundo segundo o povo Guarani).

Aristóteles é engenheiro civil formado pela UFRGS e Diretor Presidente da Bourscheid Engenharia e Meio Ambiente S.A. Em 2014 recebeu a láurea Engenheiro do Ano outorgada pela Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul por sua destacada atuação na área privada. Apaixonado pelas artes em geral e pela música em particular, é membro do Conselho da OSPA, desde 2012. Fotógrafo por opção, coleciona preciosidades em seus registros de grandes obras de engenharia brasileira, como o içamento da ponte Rio-Niterói, fundações do viaduto, entre outras. Velejador, desde a juventude, acredita na força (e direção) das águas e dos ventos, como forma de aprender a lutar contra as adversidades para perseguir o rumo. Para o fotógrafo, estas mesmas pedras, terras, areias e águas viram matéria de poesia, enlaçando-se por afinidade e afeto com os poemas que celebram a criação do mundo e da beleza.
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CCMQ abre exposição “Nômades/Bikost”, com os uruguaios Gabriela Kostesky e Gino Bidart.

A Exposição Nômades/Bikost pode ser visitada, até 17 de outubro, de segundas a sábados, das 10h às 18h, na Fotogaleria Virgílio Calegari, 7º andar da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ – Andradas, 736 – Centro Histórico de Porto Alegre), instituição da Secretaria de Estado da Cultura (Sedac). A mostra internacional reúne obras dos consagrados artistas visuais uruguaios Gabriela Kostesky e Gino Bidart.

As obras selecionadas oferecem um panorama da trajetória individual de cada artista, detalha o produtor da exposição, Germano Scheller, graduando em História da Arte e integrante da equipe curatorial da CCMQ. “Bidart, possuidor de formação clássica em desenho e em arte têxtil, cruza, em telas de grandes proporções, a figuração realista e um forte abstracionismo cromático. Em suas obras, sobressaltam figuras de cães de rua, casas e representações espaciais geométricas, como índices de uma perspectiva atenta à paisagem urbana e social das metrópoles e cidades fronteiriças da América Latina. Kostesky, por sua vez, trabalha predominantemente com a técnica da colagem, chegando a transbordar os limites do bidimensional e experimentando, ocasionalmente, a linguagem escultórica. Seu trabalho costura referências da música, do cinema e da cultura popular, o que cria um universo pictórico próprio e transversal, a partir de amálgamas de imagens e signos, em diálogo íntimo com a História da Arte”, comenta Scheller.

Obras de Gabriela Kostesky. Foto: Ludwig Larré/ Divulgação

O texto curatorial de Germano Scheller destaca ainda que a semântica da palavra nômade reserva certa carga pejorativa, ao indicar aquele que não se fixa ou se estabelece em nenhum lugar. “Nos interstícios da palavra, todavia, há um sentido cosmopolita que também pode definir aquele que busca habitar novos territórios. Este, em sua última acepção, parece estar no conceito proposto por Gino Bidart e Gabriela Kostesky para intitular sua primeira exposição conjunta em Porto Alegre. Colecionadores de residências, passagens e prêmios internacionais, os artistas uruguaios estabeleceram morada durante este ano na capital gaúcha, e, na bagagem, portavam as obras que integram a mostra”.

O produtor observa também que a exposição Nômades/Bikost agrupa uma miríade de questões pertinentes à arte contemporânea, sobretudo no que diz respeito às práticas, linguagens e técnicas. “Abstracionismo, figuração e colagem – assim como um encontro de regimes poéticos determinados por distintas geografias – apresentam-se nesta exposição de forma indissolúvel às questões humanas relacionadas aos deslocamentos territoriais, tornando o ambiente propício para trocas fortuitas em uma encruzilhada de caminhos humanos”, conclui Scheller.

Laços internacionais

A exposição Nômades/Bikost foi viabilizada em colaboração com o Consulado Geral do Uruguai. A abertura da mostra contou com a presença do Embaixador do Uruguai no Brasil, Guillermo Valles Galmés, e da consulesa do Uruguai em Porto Alegre, Liliana Buonomo, ao lado dos artistas Gino Bidart, natural de Rivera, e Gabriela Kostesky, nascida em Montevidéu. Recepcionados em nome da secretária de Cultura do Estado, Beatriz Araujo, pelo diretor da CCMQ, Diego Groisman, e pelo diretor do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), André Venzon, os representantes diplomáticos e os artistas do país vizinho manifestaram a emoção proporcionada pelo momento e pelo fortalecimento dos laços culturais entre Uruguai e Brasil.

Foto:  Germano Scheller/ Divulgação

A consulesa Liliana Buonomo enumerou ações culturais que, nos últimos anos, têm aproximado artistas e instituições dos dois países, em especial, com o Estado do Rio Grande do Sul e com Porto Alegre. Liliana mencionou ainda a proximidade de duas datas de extrema significância para rio-grandenses e uruguaios: as comemorações da Semana Farroupilha, movimento de fortes vínculos com o contexto uruguaio da época, e o 23 de setembro, data de falecimento do herói nacional uruguaio José Gervasio Artigas (1764-1850).

O embaixador do Uruguai no Brasil, Guillermo Valles Galmés, em manifestação bastante emotiva, falou sobre a importância da arte em momentos de tanta apreensão quanto ao futuro da humanidade, seja frente aos desafios impostos por questões políticas, ambientais e humanitárias, seja diante das transformações nas relações humanas determinadas pela tecnologia. Conforme o embaixador, a arte tem a capacidade de fazer com que preservemos valores e sentimentos humanos.

Foto: Andrei Moura/ Divulgação

A emoção também esteve marcada nas palavras de Gino Bidart. O artista relatou o sentimento de acolhimento experimentado, segundo ele, por um nômade que se estabeleceu há poucos meses em Porto Alegre, com todas as limitações, riscos e sofrimentos determinados pela pandemia. Gabriela Kostesky, também radicada recentemente na cidade, ressaltou esse sentimento com o fato da acolhida culminar com a exposição no complexo cultural mais visitado pelo público da capital. Sinalizando a ampliação da interação da CCMQ com a produção artística dos países vizinhos, o diretor da instituição, Diego Groisman destacou a realização, no mês de dezembro, o 1º Circuito Latino-americano de Arte Contemporânea, cujas inscrições permanecem abertas até 15 de outubro (edital e ficha de inscrição neste link).

A secretária de Estado da Cultura, Beatriz Araujo, assinala a relevância simbólica da exposição Nômades/Biskot. “Além da qualidade das obras e das trajetórias artísticas de Gino Bidart e Gabriela Kostesky, a exposição solidifica e amplia os laços institucionais entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai, estabelecendo novas perspectivas de intercâmbio cultural com o país vizinho”, comemora a secretária.

Exposição Nômades/Biskot
Onde: Fotogaleria Virgílio Calegari, 7º andar da CCMQ
Quando: até 17 de outubro
Horário de visitação: segundas a sábados, das 10h às 18h

Exposição ao ar livre junta artes visuais e literatura, na Escadaria da Borges

 

Higino Barros

A exposição coletiva “Autorias” é uma homenagem das artes visuais à literatura produzida no Rio Grande do Sul. Nela, um grupo de 18 artistas, entre os quais alguns dos nomes mais reconhecidos, exibe retratos inéditos de 26 importantes autores gaúchos. A mostra abre dia  1º (sexta-feira próxima) e fica até 31 de outubro na Galeria Escadaria, ao ar livre no Viaduto Otávio Rocha, na Av. Borges de Medeiros, Centro Histórico da Capital – local adequado a estes tempos pandêmicos. Seduzida pelo projeto, a Feira do Livro o incluiu como evento prévio à sua realização.

Dos 26 retratos, de 100X100 cm, 22 foram pintados em óleo ou acrílica em telas e quatro, impressos em placas de PVA. As obras, recém-produzidas, ocupam os 45 metros de extensão da Escadaria, espaço inaugurado em março deste ano e que tem a direção do produtor cultural e fotógrafo Marcos Monteiro.

 

A presença de telas na galeria é inédita, pois até então o local só abrigou exposição de fotos. Os dias finais da temporada da mostra transcorrerão simultaneamente aos iniciais da 67ª edição da Feira do Livro, que irá de 29 de outubro a 15 de novembro, na Praça da Alfândega, também no Centro Histórico.

Critérios

A seleção de nomes dos homenageados contou com a assessoria informal dos professores de literatura Sergius Gonzaga e Luís Augusto Fischer. A escolha buscou equalizar o número de escritores homens e mulheres em igual medida – 13 homens e 13 mulheres -, de modo a atender a uma demanda contemporânea mundial de reconhecimento do valor e da presença feminina nas artes, explica a curadora artística da mostra Graça Craidy.

Entre os homens, privilegiou os escritores já falecidos e, entre os vivos, distinguiu os mais velhos e os mais premiados. Já entre as escritoras, foram escolhidas, primeiro, as decanas, e depois as premiadas em Açorianos, Jabuti e Emmy, entre outras distinções, as jovens escritoras promissoras, e, ainda, as que se destacam por sua ação de incentivo à prática de literatura entre minorias, ou por sua ação de conscientização em defesa de causas cidadãs.

Beatriz Balen Susin (Luiz Antonio de Assis Brasil e Maria Carpi), Bernardete Conte (Simões Lopes Neto), Emanuele de Quadros (Luisa Geisler) , Erico Santos (Lya Luft e Moacyr Scliar), Gilmar Fraga (Carol Bensimon e Erico Verissimo) ,Graça Craidy (Dyonélio Machado e Marô Barbieri) , Gustavo Burkhart (Luis Fernando Verissimo), Gustavo Schossler (Fernanda Bastos), Gustavot Diaz e Ise Feijó (Caio Fernando Abreu), Helena Stainer (Cíntia Moscovich e Cyro Martins) , Liana d’Abreu (Lélia Almeida), Liana Timm (Eliane Brum e Mario Quintana), Mariza Carpes (Leticia Wierzchowski), Nara Fogaça (Martha Medeiros e Josué Guimarães), Pena Cabreira (Claudia Tajes e João Gilberto Noll) , Thiago Quadros (Sergio Faraco), Ubiratan Fernandes (Jane Tutikian e Oliveira Silveira)

O que disseram alguns dos retratados:

Eliane Brum: “Uma honra e uma alegria fazer parte desta exposição”.

Fernanda Bastos: “É com muita alegria e honra que recebi esta notícia. Obrigada por me incluir nesse projeto tão bonito e relevante”.

Jane Tutikian: “Agradeço imenso por teu e-mail, que traz tanta alegria nesses tempos sombrios. Estou muito feliz e honradíssima de estar entre os escritores homenageados”.

Leticia Wierzchowski: “Obrigada, é uma honra!”

Maria Carpi: “Muito grata pela minha participação”.

Maria Helena Martins (filha de Cyro Martins): “Fico supercontente. Muitíssimo obrigada pela escolha do Cyro Martins”.

Naiara Rodrigues Silveira Lacerda (filha de Oliveira Silveira): “Que ótima iniciativa! Ainda mais em um dos lugares que ele admirava”.

Assis Brasil: “Parabéns pela iniciativa que vem reunir duas áreas artísticas tão próximas e dialogantes. É uma grande honra participar, contando com seu traço persuasivo e raro.

Cíntia Moscovich: “Quando a arte encontra a arte, a gente só celebra”.

 A artista visual Graça Craidy, organizadora da mostra, conversou com o JÁ Porto Alegre, por gmail.
Graça Craidy, artista visual e organizadora da mostra. Foto: Arquivo pessoal/ Divulgação
 Pergunta: o que caracteriza essa exposição?
Resposta: Esta exposição é única em vários aspectos. É uma homenagem de uma arte a outra arte, da arte visual à arte literária. Uma homenagem local, amorosa, de valorização dos nossos. Além disso,que eu saiba, é a primeira exposição com telas pintadas que estará exposta ao ar livre, sujeita às intempéries, chuva, sol, depredações, isso requer valentia dos artistas e atrevimento, desprendimento. É a primeira exposição com telas pintadas ao ar livre que estará sujeita também aos olhos encantados de todos que passarem na rua. É a democratização da arte, do encantamento, do encontro ancestral entre o homem e a sua manifestação como criador, entre a nossa gente, muitos provavelmente que nunca viram uma tela pintada de perto, nunca entrou num museu, numa galeria, serão tocados pela narrativa visual da sua história, representada pelos seus escritores. Outra coisa é a equidade proposta entre autores homens e mulheres, uma reivindicação mundial por parte das mulheres em todas as artes, que por séculos foram alijadas desse espaço de manifestação artística, reservada a elas apenas a área domestica de cuidados com marido, casa e filhos, e agora desejam justiça e valoração da sua presença. Mais outra: a ampla diversidade dos artistas do projeto, que abrange desde decanos consagrados como Beatriz Balen Susin, Liana Timm, Erico Santos, Mariza Carpes, até jovens artistas como Thiago Quadros, Ise Feijó, Emanuele Quadros, abrindo espaço também para supertalentosos artistas de discreta projeção como Gustavo Schossler, Gustavot Diaz, Bira Fernandes, entre outros.

Pergunta: Muitos escritores ficaram de fora, assim como muitos artistas visuais. Como foi essa digamos, “escolha de Sofia?”?
Resposta: Os artistas visuais foi menos traumático porque, pela própria concepção do projeto, precisava ser artista figurativo, que soubesse fazer retrato, isso já deixava de fora um grande número de artistas que praticam arte abstrata, videoarte ou conceitual. Quanto aos autores,  foi uma verdadeira escolha de Sofia, mesmo, um sofrimento, doía no coração tirar esse pra colocar aquele, tirar aquele pra substituir por essa, uma tortura! Como se pode imaginar, havia muito mais homens escritores que mulheres escritoras, ainda que muitas. Ou seja, havia que cortar muito mais homens que mulheres. Quem nos ajudou foram os professores de literatura mais cabeças da cidade, Sergius Gonzaga e Luis Augusto Fischer, que gentilmente nos assessoraram. Eles ja avisaram, de cara: vai ser terrível, vocês vão sofrer, vão ter que tirar nomes que vocês adoram, porque não cabem todos. ( Só tinha lugar nas placas da galeria para 26 telas). Escolha um critério e vai fundo, sem olhar para os lados. Foi o que fizemos. Entre os homens, o critério foi homenagear os já falecidos, depois, entre os vivos, os mais velhos, e entre esses, os mais premiados. Já entre as mulheres, adotamos outros critérios: primeiro as mais velhas, nossas decanas, depois as mais premiadas, as jovens promissoras e, ainda, as singulares, que se destacam por seus projetos, como a Fernanda Bastos, por exemplo, que fundou uma editora para publicar autores negros, e a Eliane Brum, que é uma contundente crítica de grandes questões cidadãs não atendidas. Mas os queridos e queridas que ficaram de fora não devem ficar tristes, porque talvez continuemos nesse projeto nos próximos anos, continuando as homenagens.

Pergunta: Arte na rua é um sonho de consumo de quem faz arte. Em tempos pandêmicos se torna ainda mais necessária. Mas o que mais? Levar o público que não frequenta galeria e museus a esses lugares também não é tão importante quanto fazer o movimento inverso?
Resposta: Certamente. Tão importante quanto levar arte para a rua, é trazer as pessoas para dentro dos museus. As duas coisas são importantes. Mas, sinceramente, acho bem importante esse nosso movimento em ir para a rua, porque demonstra uma vocação necessária e desejável de todo artista, como bem disse o Milton, de ir onde o povo está. A pandemia nos pede paciência e que não nos aglomeremos, então, nesse momento, ainda mais, é lindo que a arte vá para a rua e se democratize entre todos, do gari ao vigia, da moradora de rua à feirante. Do contador ao empresário. Do jovem estudante ao velho professor. A rua e a arte, de todos, é um verdadeiro sonho de consumo.
Pergunta:  Vai haver encontros durante o período de exposição com os artistas e escritores, além da abertura? Bate papo, visita guiada, coisa assim?
Resposta: Estamos pensando em organizar encontros com os artistas e escritores, ainda não está definido, mas acho superimportante essa interação, sim. Minha experiência com escolas, em outras exposições, foi riquíssima e de mutuo encantamento. Pensamos ainda em fazer lives com bate-papos entre artistas e seus autores.

Pergunta:  Sobre a ponte entre artes plásticas,  literatura . Uma sempre influenciou a outra. Como isso se dá?
Resposta: Todas as artes conversam entre si, nessa língua sem tradução outra que não a própria arte, costuradas pelas tragédias, comedias e epopeias humanas, grandiosas, prosaicas, urbanas, rurais, cotidianas ou sazonais. Desde os primórdios, nas esculturas que enaltecem os seus heróis, muitos foram tirados de epopeias da literatura, deuses imaginários, personagens que concentram em si a complexidade do humano e suas paixões. A literatura cria mundos com palavras, a arte visual recria o mundo da literatura com cores, gestos, enquadramentos. Eu mesma estou mergulhada em uma longa série de pinturas sobre a Clarice Lispector e suas obras, onde misturo a autora com seus personagens, tudo é a história de nós todos, em pequenos capítulos.

 Pergunta: Essa exposição pode entrar no calendário permanente da feira?
Resposta: O presidente da Câmara do Livro, Isatir Bottin Filho, gostou muito do nosso projeto e sugeriu que nossa mostra fosse incorporada à programação da Feira do Livro como um evento prévio vinculado à feira por parceria nossa. Ano que vem, já estamos em tratativas para levar essa mesma exposição ao Espaço Cultural Correios no período da Feira de 2022. É maravilhoso nos alinharmos com esse evento que já está no sangue da cidade.

 Pergunta? Algo mais ?
Resposta: Eu brinco chamando o nosso grupo de 18 artistas valentes que ousaram aceitar o desafio do projeto “Autorias” de “Os 18 da Borges”. Já estão surgindo convites e propostas para novas exposições e projetos. Acho que essa turma tem tudo para criar um novo movimento na cidade e nas artes gaúchas.

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Feira do Livro volta com público, controlado, à praça e anuncia patrono hoje

 

Higino Barros
O maior acontecimento literário gaúcho, a 67ª Feira do Livro de Porto Alegre,  acontece no período de 29 de outubro a 15 de novembro de forma híbrida, com atividades virtuais e presenciais , com o retorno de público, controlado, à Praça da Alfândega.
Nesta segunda-feira, 27, às 10 horas, serão dados todos os detalhes da edição, incluindo o anúncio do patrono.
O evento será transmitido pela internet e basta acompanhar a coletiva de imprensa no canal da Feira do Livro no Youtube, no endereço https://www.youtube.com/feiradolivro

 

A curadora da programação geral da Feira do Livro de Porto Alegre, a jornalista Lu Thomé conversou por email com o JÁ Porto Alegre.

Pergunta:  Quem é Lu Thomé?  E qual sua convivência anterior com a Feira do Livro e Câmara Riograndense do Livro.

Resposta: Eu sou jornalista formada pela PUCRS e com especialização em Jornalismo literário. Atualmente trabalho como leitora crítica e editora e como Gerente Editorial da Vienense.
Trabalhei pela primeira vez, na Feira do Livro, fazendo a cobertura jornalística do evento em 1998. Em 2002, trabalhei na equipe de produção da programação geral. E, desde então, atuei em diferentes áreas e demandas no evento. Como assessora de imprensa da CCMQ, coordenadora do site da Feira (2005, 2006 e 2007), assessora de imprensa do mercado editoral, autora, palestrante, mediadora e – até mesmo – livreira. Em 3 edições, trabalhei na banca da editora Dublinense.

Pergunta: Qual o papel e função da Curadora da Programação Geral da Feira do Livro?

Resposta: A Câmara Rio-Grandense do Livro sempre teve o anseio de um viés ou guarda-chuva temático que unisse toda a programação. E que especialmente as atividades voltadas para o público geral privilegiassem mais a qualidade do que a quantidade. Então o papel da curadora da Programação Geral é imprimir relações diretas ou indiretas em todos os eventos, além de planejar cada um dos debates e orientar os convidados – especialmente os mediadores. Esta necessidade ficou ainda mais evidente – e dinamizou cada um dos eventos – quando tivemos a edição exclusivamente on-line em 2020.

Pergunta:  O que caracteriza a feira dessa edição, do ponto de vista literário?

Resposta: No ano passado, concretizamos a meta de promover alguns debates sobre temas essenciais, e que posicionaram a Feira do Livro dentro do contexto cultural e social. Partindo dos aprendizados de 2020, apresentaremos uma programação mais propositiva dentro da temática Para ler um novo mundo. Que siga trazendo as questões importantes, mas também ressalte a leveza, a informalidade, o riso.

Pergunta:  O público estará de volta à Praça da Alfândega. Qual o valor disso? E como se contrapõe e soma à programação virtual?

Resposta: A programação on-line sobre uma grande escola para a Feira. Trabalhou a imagem institucional do evento de uma maneira que ainda sequer conseguimos dimensionar. Então, será natural a continuidade das transmissões dos eventos. A volta das bancas e da venda presencial dos livros é motivo de celebração e festa. E também a área que concentrará nossa atenção e cuidados com a segurança e a saúde de todos. Assim, acreditamos que era o momento dos livreiros e editores voltarem à Praça, a céu aberto. Mas que os eventos ainda não deveriam ocorrer em espaços fechados, possibilitando que muitas pessoas ainda possam acompanhar pela Web a nossa programação.

Pergunta:  Qual a expectativa da organização sobre essa edição da Feira/ Um ensaio para o novo normal?
Esperamos que seja uma celebração desta volta à Praça. Com o resgate do caráter popular do evento e também contando com a colaboração de todos.

Pergunta: Algo mais que queira acrescentar.
Resposta: A Programação Geral da Feira será composta por 36 eventos (no período de 29 de outubro a 15 de novembro), todos os dias às 18h e às 19h30min, e de uma live de aquecimento antes da abertura oficial. Nosso estúdio estará no Memorial do Rio Grande do Sul. Teremos a participação de autores estrangeiros, nacionais e locais.

Um livro à altura dos molhes riograndinos

 

Geraldo Hasse

O jornalista Klécio Santos avisa que o livro “Sonhos de Pedra”, que conta a história da construção dos molhes que há um século viabilizam o porto de Rio Grande, vai ter uma segunda edição. A primeira, lançada há três meses e colocada à venda por R$ 85 na Livraria Vanguarda, de Pelotas, está no fim. Trata-se de um livrão de capa dura em formato A4 com 240 páginas contendo ilustrações e textos em português e inglês.

Antes de Sonhos de Pedra, a saga da construção dos molhes havia sido contada num dos 16 capítulos do livro Navegando pelo Rio Grande (Já Editores, 2008), que conta a história das hidrovias gaúchas. Klécio Santos nasceu em Porto Alegre, se criou em Rio Grande e trabalhou vários anos como jornalista em Pelotas, de onde migrou há 21 anos para Brasília. É autor de outros livros patrocinados sobre o Theatro Sete de Abril e o Mercado Público de Pelotas.

Além de fazer sua parte como repórter (com mestrado em patrimônio cultural), Klécio valeu-se de pesquisas feitas em jornais por Adão Monquelat, historiador-livreiro em Pelotas. Dos textos e das fotos emergem diversos personagens que se tornaram nomes de logradouros públicos. Entre os brasileiros, o maior dele foi o engenheiro Honório Bicalho.

O melhor do livro são as minúcias em torno da construção das duas barreiras de pedra que domaram as águas do Atlântico na barra da Laguna dos Patos — obra que envolveu brasileiros, franceses e norte-americanos, sendo considerada uma das maiores epopéias técnica do início do século XX. Sem os molhes, erguidos com pedras extraídas do interior do município de Pelotas, a cidade de Rio Grande não teria se tornado uma das maiores do Estado.

Nas Comemorações Farroupilhas, e na cultura estadual, a presença destacada da transexual Gabriella Meindrad,

Higino Barros

O sotaque, fortemente acentuado, dá uma pista de sua origem do interior gaúcho.  “O tê demonstra de onde vem”, comenta brincando. Às vezes fala na terceira pessoa, se referindo a si mesma como a Gabriela. Tem noção de seu valor e o que representa sua escolha, pelo governador Eduardo Leite, a um cargo ambicionado no universo cultural gaúcho, principalmente no meio do tradicionalismo. Acentua com naturalidade “sou uma transexual em cargo público no governo estadual”. Na sua conversa há o uso frequente da palavra movimentação. Muitas da coisas que fala de sua vida explica como “movimentação.”

Nascida em São Vicente do Sul, em 1986, Gabriella Meindraid cresceu numa região intensamente influenciada pela cultura do campo e o cultivo das tradições gaúchas. Teve infância e adolescência convivendo com esse universo até 2015, quando em 2019 foi convidada a trabalhar na Secretaria Estadual da Cultura. A partir teve uma trajetória rápida e bem sucedida.

Para conhecidos, dá a impressão que depois dessa experiência executiva, estará pronta para ambições políticas eleitorais, se candidatando à vereadora, prefeita ou deputada. Por enquanto Gabriela Mendraid está mergulhada na sua função de Secretária –Adjunta da Cultura, ainda mais nos festejos farroupilhas , onde tem causa e vivência.

Foto: Arquivo Pessoal/ Facebook.

Está tendo experiência executiva ímpar, trabalhando ao lado da secretária titular Beatriz Araújo e de Ana Fagundes, a terceira pessoa na hierarquia da SEDAC. As três formam um trio de grande capacidade administrativa elogiada por admiradores e respeitadas por opositores.

Na entrevista abaixo, Gabriela Mendraid fala sua trajetória e trabalho com cultura gaúcha: 

Pergunta: Quem é Gabriela Mendraid

Resposta: Minha trajetória sempre teve a presença da cultura. Pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho. Desde os seis anos já participava, essa foi a primeira aproximação cultural que tive. Seja dançando, seja em declamação, em concursos, sempre fui muito próxima desse universo tradicionalista, na infância e adolescência. Culminou com uma experiência muito rica, em 2015, quando em Santa Maria, quando fui Rainha do Carnaval. Foi outra aproximação importante na minha vida. Foram essas duas aproximações que fizeram a construção da Gabriela, próxima ao cenário cultural. Que me deram experiência e inclusive uma formação muito humana.

Eu morei em São Vicente do Sul até os 17 anos. Depois me aproximei do carnaval em Santa Maria até que em 2015, com 29 anos fui Rainha do Carnaval. A partir de 2019 vim para a Secretaria da Cultura do Estado. Assumi uma assessoria específica de Diversidade. Isso ampliou meu conhecimento com outras áreas, uma experiência mais rica e um trabalho mais consolidado.

Contato com outras áreas também, principalmente em uma aproximação para que a cultura chegue em todos os segmentos e que as pessoas possam conhecer mais, aproximar mais, ter mais contato com as instituições. Sempre coloco que uma das maiores dificuldades para quem é do interior é um maior vivência cultural, ter essa efervescência que se tem aqui em Porto Alegre.

As pessoas do interior, em geral, têm muito mais contato com o tradicionalismo e o universo do CTG. Que é uma raiz forte da nossa cultura e não tem aproximação com outras áreas culturais. Nesse sentido é que temos feito um trabalho muito forte aqui na SEDAC para descentralizar mais a cultura. Teatro, fotografia, valorização dos músicos de cada localidade, artes visuais e artesanato, são algumas das áreas. E tem sido efetivo porque cada vez que se vai ao interior a gente consegue ter um olhar mais atento de cada realidade.

A Secretária da Cultura Beatriz Araújo e a Secretária -Adjunta, Gabriella Maindrad. Foto: Arquivo pessoal.

Pergunta: Como veio parar na Sedac?

Resposta: Eu sou servidora pública na área administrativa do município de São Vicente de Sul. Em 2019 em razão da homenagem que recebi do Movimento Tradicionalista Gaúcho na Ciranda Cultural de Prendas da região, por ter sido a primeira mulher trans homenageada, pela trajetória cultural que eu tenho dentro do CTG, acabei sendo muito conhecida. Viralizou nas redes a informação dessa homenagem. Por ser uma mulher trans dentro de um ambiente tão machista, receber esse reconhecimento.

Isso chegou ao conhecimento da secretária Beatriz que na época, em 2019, ligou para a escola onde eu trabalhava, em São Vicente, e fez o convite para vir integrar a equipe da secretaria. Foi proposto para que eu assumisse uma nova diretoria, a da Diversidade que trabalhasse questões de gênero, racial, de Direitos Humanos, de respeito à diversidade. Propondo dentro da cultura reflexões para mudanças e quebras desses preconceitos, de dificuldades que ainda existem na nossa sociedade.

Foi nesse sentido que acabei assumindo essa assessoria.  Minha trajetória no meio tradicionalista já tinha sido um desafio. Em julho do ano passado, fui novamente desafiada ao vir para cá, e assumir como diretora geral e secretária- adjunta da Cultura. Com todas as dificuldades da pandemia, em um processo de execução da Lei Aldir Blanc, com uma conferência estadual de cultura que acabei coordenando.

 

Pergunta: Sua convivência com o meio tradicionalista, conhecido de seu conservadorismo, como é?

Resposta: Noto que nós temos muito mais pontos positivos do que negativos, muito mais avanços nesse período do que qualquer época anterior. Acabou existindo preconceitos, mas a partir do momento que as pessoas foram conhecendo minha história e ela foi divulgada se iniciou um processo quer não tem como sofrer recuos. De avanço, de giro, de respeito às pessoas, de uma construção para diminuir esse machismo, essas dificuldades que existem no MTG, porque elas são de algumas pessoas. Mas não representam todo o movimento.

Quando existe uma série de ações de gestão de peões e prendas buscando um diálogo, mostra que o setor começou a se movimentar e tem visto avanços. Assim como minha presença na Secretaria da Cultura representa esse avanço. Por força das ações que propusemos e temos adesão das prefeituras.

Como o Janeiro Lilás, que é o mês da visibilidade trans; o mês do Orgulho LGBT, da Quebra contra o Racismo, onde temos uma comemoração específica ao Cinquentenário do 20 de Novembro, Mês da Mulher e várias outras ações, sempre buscando a quebra de preconceitos e dificuldades que temos na sociedade gaúcha dessas desconstruções que ainda são necessárias para que se consiga fazer com a cultura uma movimentação e mudança cultura para que se possa viver mais justa, mais igualitária e que pense nas pessoas e suas particularidades.

 

A importância que tem uma mulher trans em um cargo público de relevância dentro de um Estado tem enorme importância para o universo LGBT. É a primeira vez que isso acontece. São dois desafios. Um conseguir mostrar nossa capacidade de trabalho e abrir espaço para outras pessoas que são tratadas pela sociedade ainda diferentes do padrão que é imposto e consiga ocupar mais espaços.

No Movimento de Tradições Gaúchas. Foto: Arquivo pessoal

Pergunta: alguma área oferece mais resistência ao seu trabalho?

Resposta: O cenário cultural tem a característica das pessoas possuírem mais diversidade e serem mais respeitosos nesse campo. É um meio que as pessoas conseguem ser mais o que são. O universo tradicionalismo é o que ainda tem mais preconceito. Vem da formação enquanto sociedade, de ser gaúcho, em ser homem ou ser mulher. Nos últimos anos as mulheres foram ocupando mais esse espaço masculino, como exemplo na área da Segurança, na Polícia Civil na Brigada Militar, então existe uma movimentação bem importante.

E mudança nesse comportamento conservador acontece também por iniciativa do governador Eduardo Leite, em entrevista que ele deu ao jornalista Pedro Bial, na TV Globo, ele comentou com naturalidade a minha escolha, uma mulher trans como Secretária-Ajunta da Cultura. Pelo que se saiba é um caso único no Brasil. Para mim é muito orgulho.

Presença na imprensa de Santa Maria em 2019. Foto: Divulgação

Pergunta: A relação da Secretaria da Estadual da Cultura com o interior, de municípios menores, como se dá?

Resposta: Desde o início do governo trabalhamos nos editais ter cotas específicas para os municípios de acordo com as regiões funcionais do estado. Isso aconteceu na aplicação da Lei Aldir Blanc, onde a maioria do dinheiro pelo sistema das cotas chegou no interior. Agora recentemente, em edital lançado para a área de Patrimônio isso também ocorreu. Um valor definido para cada uma das regiões funcionais. Para cada um seja contemplado.

Pergunta: Esse valor ultrapassou os 60% da verba destinada ao setor?

Resposta: Ele se aproxima bastante e nossa meta é que chegue à 70%. Esse número tem a dificuldade de chegar a esse resultado porque a maior parte da população está nos grandes centros urbanos, isso acaba refletindo nos projetos. No resultado da Aldir Blanc ocorreu que produtores contemplados aqui na capital contrataram pessoas de localidades do interior. Ou seja, isso chegou na ponta.

No início do governo iniciamos com um a Lei de Incentivo à Culrtura investindo R$ 36 milhões anual. Esse ano, no valor global, são investidos de R$ 56milhões e Com previsão de entrega o ano que vem em R$ 70 milhões.  Isso proporciona que em todos os lugares e todos os cantos, os incentivos possam ser contemplados e possam fazer arte e cultura.

 Pergunta: a Lei de Aldir Blanc provou muita reclamação por quem não foi contemplado. Nomes consagrados, inclusive. Como a Sedac lidou com isso:

Resposta: Eu vejo que, acima das reclamações, houve e há uma grande revelação e valorização de pessoas, já que trajetória cultural não se mede apenas pelo tempo, mas também pela relevância de seu trabalho.  Pode ter 50 anos de carreira e não ter relevância nenhuma. Pode ter cinco e ter relevância. Isso foi revelado na Lei Aldir Blanc. De fazedores de cultura que nunca tinham chegado a receber um recurso de fomento do Estado. Aconteceu porque foram feitos editais específicos, para periferias por exemplo. Para bairros e municípios vítimas de mais violência, de mais racismo, mais vulnerabilidade das pessoas. Chegaram às pessoas fora desses cenários conhecidos, mas têm relevância e atuação social e contribuição cultural importante nas comunidades em que estão inseridas.

Todos merecem ser reconhecidos e valorizados, mas o recurso é finito. Assim parte deles foram priorizados.

Estado teve nesse período todo uma permanente Conferência Estadual da Cultura, foi o único estado brasileiro que fez isso nesse período, trazendo as pessoas de todas regiões e áreas, trazendo suas realidades e os editais se aproximaram mais dessas localidades. E número atingiu um grande número de projetos e de pessoas, trazendo assim a descentralização de forma efetiva, uma das metas da Lei Aldir Blanc.

Foi um ano de conferência. Os recursos chegaram a mais de 99,98% de aplicação, mais de CR 47 milhões, em todos os segmentos dos 12 colégios setoriais, com aumento no cadastro de produtores culturais, mais de 18 mil projetos inscritos nos editais. Em período que o setor atravessou enormes dificuldades, ocasionadas pela pandemia.

Temos agora pela frente o Programa do governador Eduardo Leite, avançar na Cultura. Historicamente estamos quebrando os recordes e iremos em busca de novas quebras de paradigmas. Para isso vão ser investidos R$ 74 milhões. Ou seja, temos muito o que fazer pela frente

Foto Arquivo pessoal/ Divulgação

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OS NÚMEROS PARA A CULTURA do RS

Com a sanção da Lei Aldir Blanc, a Sedac conseguiu distribuir os recursos emergenciais em pontos diversos, de forma a promover o sustento e a continuidade de ações culturais de todo o estado em um momento repleto de incertezas. Os editais da Lei Aldir Blanc têm como missão alcançar uma grande capilaridade territorial, passando adistribuir proporcionalmente os recursos nas nove Regiões Funcionais dos Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes).

Edital Produções Culturais e Artísticas: disponibilizou recursos para 100 projetos de fomento a produções culturais e artísticas nos mais variados segmentos, com investimento total de R$ 19,1 milhões.

Edital Aquisição de Bens e Materiais: disponibilizou R$ 7,3 milhões para 92 projetos de compra de bens culturais, equipamentos e materiais.

A Sedac também realizou processos de Chamadas Públicas, em que selecionou instituições parceiras para a colaboração no repasse dos recursos restantes da Lei Aldir Blanc. Por meio dessas parcerias, em 2021 foram publicados mais três editais. Esses contam com cotas sociais, assegurando vagas para autodeclarados pretos, pardos, indígenas, quilombolas, ciganos, mulheres trans/travestis, homens trans e pessoas com deficiência (PCDs).

Edital Criação e Formação – Diversidade das Culturas: selecionou 592 projetos de pesquisa, criação, formação ou qualificação na área da Cultura, com investimento de R$ 20 milhões e parceria com a Fundação Marcopolo.

Edital Ações Culturais das Comunidades: parceria com a Associação de Desenvolvimento Social do Norte do RS (ADESNRS) –

Central Única das Favelas de Frederico Westphalen e Cufa RS, distribuiu R$ 14 milhões em recursos para promover a estruturação e a qualificação de 4736 iniciativas realizadas por coletivos culturais de base comunitária,

Edital Prêmio Trajetórias Culturais – Mestra Sirley Amaro: o último utilizando recursos da Lei Aldir Blanc a ser concluído, premiou 1500 trabalhadores e trabalhadoras por suas trajetórias dentro do setor cultural. Ao todo, foram R$ 12 milhões distribuídos em prêmios.

Auxílio emergencial: R$ 1,5 milhão no pagamento da renda emergencial a 526 trabalhadores e trabalhadoras da Cultura, com o repasse de cinco parcelas de R$ 600,00 (pagas em cota única). Os pagamentos foram liberados em novembro de 2020.

Avançar na Cultura

O projeto Avançar na Cultura investirá R$ 76,1 milhões no setor até 2022, entre obras, fomento, editais e qualificações. É um investimento superior ao total realizado nos últimos oito anos no Estado.

Serão R$ 30 milhões aportados no Fundo de Apoio à Cultura (FAC) para o lançamento de editais. O primeiro, FAC Patrimônio, foi lançado em 31 de agosto, e selecionará projetos que desenvolvam atividades de preservação e promoção do Patrimônio Cultural do Estado e de qualificação das Instituições Museológicas do RS, somando R$ 3 milhões em investimentos.

Outros seis editais estão previstos até 2022:

▪ FAC Expressões Culturais (R$ 2 milhões): Culturas Populares e

Artesanato

▪ FAC Visual (R$ 1,5 milhão): Artes Visuais

▪ FAC das Artes de Espetáculo (R$ 8 milhões): Circo, Dança,

Música e Teatro

▪ FAC Publicações (R$ 1,5 milhão): Livro, Leitura e Literatura

▪ FAC Filma RS (R$ 12 milhões): Audiovisual

▪ FAC Territórios Criativos (R$ 2 milhões): Criações funcionais

(design, serviços e novas mídias)

Dados fornecidos pela Assessoria de Comunicação da Sedac

 

Com o Escadaria Jazz, a música ao vivo volta ao viaduto Otávio Rocha

Higino Barros
Aos poucos as atividades culturais da capital voltam a ser realizadas. Um dos locais ícones de Porto Alegre, o viaduto Otávio Rocha, na avenida da Borges de Medeiros, considerado o maior monumento arquitetônico da cidade, que antes da pandemia tinha intenso movimento e foi atingido como todo o setor, abriga na próxima sexta-feira, dia 27, a primeira apresentação do Escadaria Jazz, iniciativa do produtor Marcos Monteiro.
As atrações são Dionara Fuentes e Jorginho do Trompete, nomes consagrados na cena da música instrumental gaúcha. A sonorização é do DJ Mister Z, encarregado também da música eletrônica do local.
A área do show fica ao lado do bar Tutti Giorni, templo dos cartunistas e artistas gráficos de Porto Alegre, além de público em geral, onde antes da pandemia aconteciam toda terça-feira rodas de samba e na sexta-feira, apresentações de músicos de rock, mpb, samba, jazz e outros gêneros.
A pianista Dionara Fuentes. Fotos: Marcos Monteiro/ Divulgação
O produtor do Escadaria Jazz, Marcos Monteiro, fala sobre a nova atração musical no Centro Histórico:
PERGUNTA: o que é o Escadaria Jazz?.
RESPOSTA: . Em tempos de pandemia a música ao vivo foi deixada de lado em função de todos os cuidados necessários ao combate dessa doença tão grave. Passado dois anos disso tudo, sentimos a necessidade de voltar a apresentar show num lugar aberto e arejado e que propicie maior segurança para as pessoas.  A Escadaria do viaduto da Borges por sua localização proporciona essa segurança.
PERGUNTA: Quem produz?
RESPOSTA: A produção artística é minha e a produção executiva é do competente Luciano Riquez.
O instrumentista Jorginho do Trompete
PERGUNTA: Como vai funcionar o local? quais medidas para evitar aglomerações?
RESPOSTA: Antes e depois do show, vamos ter o DJ Mister Z, vai apresentar uma seleção musical feita especialmente para  a ocasião. Vamos colocar 20 mesas para três pessoas, cada mesa com distanciamento de dois metros entre cada uma.   Também vamos evitar que as pessoas fiquem em pé,  para não provocar aglomerações.
PERGUNTA: Quem é a primeira atração?
RESPOOSTA: Teremos a honra de receber dois artistas de enorme talento: Dionara Fuentes, teclados e o conhecidíssimo Jorginho do Trompete. O show terá dois blocos de 45min cada, totalizando 90 minutos.
PERGUNTA: O que está programado para mais adiante?
RESPOSTA: Nossa intenção é realizar esse primeiro evento como laboratório para preparar os demais para adiante. Acreditamos que acontecerá quinzenalmente.
PERGUNTA: Algo mais?
RESPOSTA: Importante lembrar que oferecer música ao ar livre, na rua, além de uma iniciativa cultural democrática e segura é uma forma de ajudar os artistas nesse momento de tão pouco trabalho. Como pagamento aos músicos será passado o chapéu e toda a arrecadação será destinada a eles.

Governo Leite lança projeto de R$ 76,1 milhões para impulsionar setor cultural

Fotos Secom/RS/ Divulgação

Higino Barros

O governador Eduardo Leite anunciou nesta terça-feira, 17, um programa de R$ 76,1 milhões, para financiar projetos culturais  no Rio Grande do Sul, até o final de 2022..

O valor destinado ao projeto “Avançar Cultura”,  representa um investimento superior ao total realizado nos últimos oito anos no Estado.

O lançamento do projeto, no Palácio Piratini,  teve presença de produtores culturais, prefeitos, vereadores e pessoas ligadas ao setor. A transmissão virtual da cerimônia teve uma média de 100 expectadores.

Durante 37 minutos, explicando os números, obras, fomento, editais e qualificações a cargo da Secretaria Estadual da Cultura para os próximos meses, Eduardo Leite demonstrou sua proximidade e interesse com temas da Cultura, citando tudo de cor, como salientou a Secretaria da Cultura Beatriz Araújo, que se juntou ao governador na explanação.

Eduardo Leite aproveitou a ocasião para criticar o governo Jair Bolsonaro três vezes, lembrando que “além da pandemia e da crise econômica, a cultura no Brasil ainda sofre com a forma com que o governo federal trata o setor”.

Segundo ele, o Avançar Cultura é um incentivo “a uma área que movimenta a economia e a vida das pessoas, que constitui identidades e ajuda a construir o Rio Grande de Sul”.

A secretária Beatriz Araújo e o governador Eduardo Leite. Foto: Secom RS/ Divulgação

Números do projeto

Pelos números apresentados o “Avançar na Cultura” prevê aplicação de R$ 35,1 milhões no âmbito do patrimônio cultural, focando na qualificação, preservação e recuperação.

Serão obras e ações em 23 instituições vinculadas à Sedac, além de ações de valorização de forma geral, como projetos de restauração de bens tombados e um edital para instalação de Museus de Memória ou de História.

Pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC), serão lançados sete editais. Totalizando R$ 30 milhões em investimentos, os novos projetos envolvem todos os setores da indústria criativa.

O Avançar na Cultura também prevê recursos para as fundações. A Fundação Theatro São Pedro contará com aporte de R$ 7,5 milhões, e a Fundação Orquestra Sinfônica de Porto Alegre receberá R$ 3,1 milhões.

Para o RS Criativo, programa estratégico que promove o desenvolvimento e fortalecimento da Economia Criativa, serão destinados R$ 400 mil. Com isso, o programa vai proporcionar capacitações para até 15 mil empreendedores até 2022.

Balanço na Cultura

Juntamente com o lançamento do Avançar na Cultura, o governo apresentou um balanço da gestão.

Em 2019, o governador Eduardo Leite recriou a pasta exclusiva – anteriormente atrelada ao Turismo, Esporte e Lazer –, garantindo atenção especial ao setor cultural.

Em 2020, o Sistema Estadual Unificado de Apoio e Fomento às Atividades Culturais (Pró-cultura) teve recorde na aplicação de recursos. Foram R$ 40 milhões pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC) e R$ 10,5 milhões pelo FAC.

Na prática, o crescente índice de investimentos na pasta significa mais projetos contemplados, mais trabalhadores do setor com capacidade de atuação e enriquecimento da economia.

Em 2020 e 2021, os esforços foram concentrados em socorrer os trabalhadores desse setor, um dos mais penalizados pela pandemia da Covid-19. Com o edital FAC Digital, foram disponibilizados R$ 3 milhões para a produção de conteúdos culturais digitais.

Com a Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, foram R$ 1,5 milhão em renda emergencial e R$ 72,9 milhões em editais.

Atualmente, a Sedac executa, em coinvestimento com os municípios, R$ 10 milhões em recursos do FAC para o pagamento de um novo auxílio emergencial. São mais de 75 municípios habilitados.

 

 

Monumento urbano, Viaduto Otávio Rocha tem iluminação recuperada

Higino Barros

Quem passou a noite pelo Viaduto Otávio Rocha, nessa quinta- feira, dia 12, na avenida Borges de Medeiros, Centro Histórico da capital, teve uma bela surpresa. A iluminação do local, o principal “monumento urbano” de Porto Alegre está funcionando em sua totalidade já que foram substituídas lâmpadas que estavam queimadas e/ou depredadas.

O trabalho de iluminação a cargo da IP Sul, contratada pela prefeitura, repôs 20 lâmpadas que estava danificadas, das cerca de 70 que existem no local. Segundo um funcionário da empresa, em 2020 houve duas reposições como essa. Ele comentou: “Vamos ver quanto tempo dura”.

Mas a declaração sobre as reposições regulares é contestada por quem frequenta o local. Como o produtor cultural Marcos Monteiro que promove exposições fotográficas na Escadaria da Borges desde 2018 e garante que a partir de  2019 a iluminação foi ficando cada vez mais precária.

De qualquer maneira, o viaduto e a escadaria estão iluminados e a intenção dos gestores da Prefeitura Municipal é que os locais sejam recuperados em todos os seus aspectos, inclusive com policiamento mais ostensivo e com câmeras para aumentar a segurança da população e evitar atos de vandalismo, entre outros.