O canto coral em projeto de inclusão social e cultural 

Para encerrar o projeto “O canto como revigoramento coletivo, inclusão social e cultural” que foi aprovado na Lei Aldir Blanc e realizou oficinas em abril e maio de 2021, serão feitas dezenas de apresentações de Canto a Capella, neste mês de julho, em entidades vinculadas ao Conselho Municipal do Idoso de Porto Alegre. As transmissões acontecem de forma virtual entre os dias 15 a 30 de julho através do YouTube do projeto, com direção geral e regência de Bernardo Grings.

São três vídeos preparados para essas transmissões e os locais já agendados são o Asilo Padre Cacique, Associação de Cegos Louis Braille (ACELB), Sociedade Porto Alegrense de Auxílio aos Necessitados (SPAAN), Lar Maria de Nazaré, Nosso Lar – Casa de Repouso, Ipanema Lar do Idoso, Associação Cultural Amigos para Sempre (ACAPS), Casa dos Amigos de Santo Antônio, Pequena Casa da Criança, entre outros.

O primeiro vídeo é resultado do Coro Virtual da FPE RS com a música Acredite, vai passar, que traz uma importante mensagem de esperança e otimismo perante este complexo período que vivenciamos. O segundo é uma apresentação do Vocal Live – um quarteto vocal a capella do estilo barbershop, com nove músicas e aproximadamente 30 minutos. O terceiro vídeo é a apresentação do Vocal5 grupo campeão do quadro A Capella do Domingão do Faustão, com oito músicas.

Canto a capella é quando as músicas são cantadas sem o acompanhamento de instrumentos musicais, sendo o foco do trabalho desenvolvido no projeto O canto como revigoramento coletivo, inclusão social e cultural”. As ações do projeto foram desenvolvidas em parceira com a Fundação de Proteção do Estado do RS (FPE RS) e o Conselho Municipal do Idoso (COMUI).

Técnica vocal 

Nos meses de abril e maio foram realizadas diariamente oficinas de técnica vocal e ensaios de canto para a comunidade da FPE RS, preparando um arranjo vocal da música Acredite, vai passar de Rick Sollo para a produção do Coro Virtual da FPE RS. O vídeo foi lançado no dia 28 de maio nas comemorações de 19 anos desta entidade, que tem como missão acolher e proteger crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, e contou com a participação do compositor que fez um depoimento destacando a qualidade da versão vocal a capella de sua música.

O projeto “O canto como revigoramento coletivo, inclusão social e cultural”é realizado com recursos da Lei nº 14.017/2020 – Lei Aldir Blanc, contemplado no Edital Sedac nº 09/2020 – Produções Culturais e Artísticas. Devido ao agravamento da pandemia de COVID-19 as atividades foram adaptadas para a versão virtual, através de oficinas e ensaios por videoconferências e gravações.

O Vocal Live foi criado em 2018 e, desde então, tem atuado majoritariamente em eventos privados. Executa um repertório de música popular nacional e internacional, sendo uma grande parte dos arranjos composta exclusivamente para o grupo. Integram o Vocal Live os cantores Bruno Mezzomo (baixo), Guilherme Roman Marangon (Barítono), Aramis Malinski Argenta (Lead) e Lucas Alves (Tenor).

O Vocal5 teve seu início em 1999 e desenvolve um repertório que vai da MPB ao pop internacional. Em 2005 gravou seu primeiro CD e realizou shows no Brasil, na Alemanha (2009), no Paraguai (2010, 2012) e Uruguai (2019). Representou a cultura do canto coral gaúcho no quadro competitivo A Capella 2016 do Domingão do Faustão, sendo o grupo campeão desta edição. É formado por Cintia de los Santos (Soprano), Karine Rodrigues (Mezzo Soprano), Bruno Cardoso (Tenor), Eduardo Alves (Tenor / Beatbox) e Guilherme Roman Marangon (Baixo).

O Maestro Bernardo Grings é Doutor e Mestre em Música, Bacharel em Regência e Licenciado em Canto pela UFRGS, onde obteve a Láurea Acadêmica – “pelo excelente desempenho acadêmico no Curso de Música”. Participou e ministrou dezenas de cursos, festivais e congressos na área de música no Brasil, Escócia, Estados Unidos, Alemanha, Grécia, Inglaterra, México, Argentina e Uruguai. Foi docente em cursos de Graduação, Extensão e Pós-Graduação em Música, além de atuar como parecerista de artigos científicos para congressos como ANPPOM e ABEM. Desde 2011 atua como diretor-presidente da BG MAESTRO, quando passou a reger a Orquestra Sinfônica de Gramado (OSG) e Coral da Maçonaria Unida do RS (MURGS).

 

Links dos Vídeos:

 

Acredite, vai passar – Coro Virtual da FPE RS

https://www.youtube.com/watch?v=dPkWmgSQirc

 

Apresentação Vocal Live

https://www.youtube.com/watch?v=iwViOjmozVM

 

Apresentação Vocal5

https://www.youtube.com/watch?v=OjovtQXhQic

Realização:

BG MAESTRO – Cultura

Parcerias: Vocal Live, Vocal5, Fundação de Proteção Especial (FPE RS) e Conselho Municipal do Idoso (COMUI)

Financiamento: Edital Sedac nº 09/2020 – Produções Culturais e Artísticas – Lei Aldir Blanc nº 14.017/2020, Ministério do Turismo, Secretaria Especial da Cultura e Sedac.

 

Trio Porto Alegre faz apresentação única no Rio de Janeiro com transmissão online

 O Trio Porto Alegre, um dos grupos mais tradicionais e importantes da música clássica no Brasil, vai fazer uma apresentação na temporada oficial da  Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, um templo consagrado da música no país. O concerto, marcado para às 19h do dia 09 de julho, faz parte da programação Série Música de Câmara e será transmitido, gratuitamente, pela internet no www.salaceciliameireles.rj.gov.br.

O Trio Porto Alegre tem como uma de suas missões divulgar a canção brasileira ao lado de compositores consagrados do repertório camerístico. No concerto dessa noite ocorrerá a estreia de uma obra dedicada ao grupo pelo compositor Ernst Mahle, além de uma rara audição do Trio de Alberto Nepomuceno, encerrando com o magistral Trio de Maurice Ravel.

Com 63 anos de atividades, o Trio Porto Alegre é atualmente integrado pelo violinista Cármelo de los Santos, o violoncelista Hugo Pilger e o pianista Ney Fialkow tendo, com essa formação, iniciado suas apresentações em Berlim, na Alemanha, em 2006. Na agenda de 2022, está prevista uma apresentação em Porto Alegre, com uma homenagem à pianista fundadora do grupo, Zuleika Rosa Guedes.

Confira o Programa:

Alberto Nepomuceno (1864-1920)
Trio em Fá sustenido menor
I – Molto lento – Allegro enérgico e marcato
II – Lentamente
III – Scherzo – Com spirito
IV – Largo assai e molto espressivo – Allegro

Ernst Mahle (1929)
Trio Romântico (Estreia mundial e dedicado ao Trio Porto Alegre)
I – Allegro moderato
II – Valsa
III – Allegro

Ravel, Maurice (1875-1937)
Trio em lá menor
I – Modéré
II – Pantoum
III – Passacaille
IV – Final

AGENDA

O que: Concerto Trio Porto Alegre

Quando: 09 de julho

Horário: 19h

Onde: Sala Cecília Meireles (RJ) e online (www.salaceciliameireles.rj.gov.br)

Quanto: gratuito (pela internet)

 

Projeto Arte Contemporânea apresenta o Catálogo do Acervo do MACRS

Está pronto e com lançamento confirmado o catálogo geral das obras do acervo do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul – MACRS, equipamento cultural público vinculado à Secretaria de Estado da Cultura. O evento, respeitando as normas de controle sanitário e distanciamento social, será dia 26 de junho, das 16h às 18h, nas galerias do Museu, no 6º andar da Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736).

O projeto Arte Contemporânea RS, responsável por esta ação fundamental no campo das artes visuais, direcionou seu olhar para a catalogação do acervo do MACRS, resultando em uma publicação inédita em formato impresso e digital. O cuidadoso trabalho desenvolvido pela equipe de pesquisa, coordenado pela gestora e produtora cultural Vera Pellin, e orientado pela pesquisadora e curadora do projeto Maria Amélia Bulhões, catalogou 1813 obras de 921 artistas. Em edição trilíngue (português, espanhol e inglês), o catálogo também é apresentado em versão online gratuita para download no site www.acervomacrs.com.  A versão impressa é composta de 304 páginas e tem tiragem de 1.200 exemplares, a distribuição será administrada pela Associação de Amigos do MACRS – AAMACRS, conforme previsto pelo projeto, através do site: www.amigosdomacrs.com.br .

O processo de trabalho, realizado pelo conjunto de profissionais e colaboradores, incluiu as etapas de pesquisa, documentação, digitalização, edição e impressão, demandando intensa dedicação, atenção e aprendizado. Entre os possíveis desdobramentos do projeto está a difusão e divulgação em diferentes mídias deste acervo de arte contemporânea que vem se constituindo ao longo de quase três décadas. Diferentes visões de mundo e expressões a respeito do nosso tempo estarão disponíveis a partir de agora em condição permanente. A partir do olhar desta geração de artistas se manifesta a história da arte contemporânea no Rio Grande do Sul, sendo o MACRS o principal Museu do estado focado nas atividades de preservação e conservação desta memória para as gerações futuras.

   “A edição do Catálogo do Acervo do MACRS, com 1813 obras de 921 artistas, tem caráter inédito e viabilizará à comunidade artística a promoção, difusão, preservação e acesso à informação deste valioso patrimônio cultural, além de fonte de pesquisa ao público especializado e interessado. Sua edição impressa e digital possibilitará a emersão de novos processos de leitura e significação da arte ao conhecer, de forma ampliada, todas as obras que compõem este valioso acervo, suas linguagens, diversidade de técnicas e práticas artísticas”, afirma Vera Pellin.

Para o diretor do MACRS, André Venzon, a publicação é um forte indício da consistência desse caminho do Museu, de resgate da biografia desses artistas, doadores, gestores, servidores, estagiários e colaboradores que apontaram essa história, do seu início até hoje, para as novas gerações. Trata-se de uma publicação indispensável para todos que desejam conhecer mais sobre arte contemporânea, com toda a força e pluralidade que a sua produção representa.

 ‘É uma emoção finalizar o projeto Arte Contemporânea RS, destinado à catalogação do acervo do MACRS; foi um grande desafio e uma realização pessoal. O trabalho, desenvolvido no tempo recorde de quatro meses, incluiu a elaboração do Catálogo impresso de obras, a curadoria de uma exposição, a criação de um site, onde a versão online do catálogo está disponível, e a realização de um vídeo da exposição. Coordenar e acompanhar todas estas atividades demandou muita dedicação, e um enorme entusiasmo. Fico feliz na expectativa de que o resultado obtido concorra para o fortalecimento da credibilidade e respeitabilidade que esta instituição merece’, complementa a curadora Maria Amélia Bulhões.

O projeto ainda contempla uma significativa exposição do acervo no MACRS, em cartaz até 22 de agosto, com curadoria de Maria Amélia Bulhões, nas galerias Sotero Cosme e Xico Stockinger, além do espaço Vasco Prado, no 6º andar da CCMQ. De forma presencial e também virtual, o público pode conferir mais de setenta obras em diferentes suportes, marcando a multiplicidade e representatividade desse acervo.

 O Arte Contemporânea RS é um projeto realizado com recursos da Lei Aldir Blanc nº 14.017/2020, com o financiamento da Secretaria de Estado da Cultura do RS, Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo do Governo Federal.

EQUIPE PROJETO ARTE CONTEMPORÂNEA RS

Produção/ Digrapho Produções Culturais – Carla Pellin D’ávila

Organização e Coordenação Geral – Vera Pellin

Pesquisa, catalogação e curadoria – Maria Amélia Bulhões

Auxiliares de pesquisa e catalogação – Caroline Ferreira, Luiz Felipe Schulte Quevedo, Nina Sanmatin, Malena Mendes, Mirele Pacheco, Kailã Isaias

Fotografia – Viva Foto – Fabio Del Re / Carlos Stein

Web Site – Laura Sander Klein

Design Catálogo – Janice Alves / Ângela Fayet

SERVIÇO:

Lançamento do Catálogo do Acervo do MACRS / Projeto Arte Contemporânea RS

Dia 26 de junho, das 16 às 18h no MACRS, 6º andar da Casa de Cultura Mario Quintana – Rua dos Andradas, 736, Centro Histórico, Porto Alegre/RS.

Exposição coletiva do acervo MACRS / Arte Contemporânea RS

Visitação até 22 de agosto de 2021, de segunda a sexta, das 10h às 18h, sábado das 13h às 18h, galerias Sotero Cosme e Xico Stockinger e Espaço Vasco Prado, 6º andar da Casa de Cultura Mario Quintana – Rua dos Andradas, 736, Centro Histórico, Porto Alegre/RS.

Artista Roberto Freitas faz homenagem às vítimas da Covid 19, com instalação de 100 barquinhos iluminados

Higino Barros

O artista Roberto Freitas fez uma instalação artística no laguinho da Ponte dos Açorianos, no Centro Histórico de Porto Alegre, no dia 12 de junho, em homenagem às vitimas da Covid 19 no Brasil e seus familiares, de grande impacto visual e beleza plástica.

Fotos de Alexandre Freitas/ Divulgação

Segundo Freitas, foi uma releitura de evento semelhante realizado em 2019, quando colocou no local, um barco maior, também de papel,  durante uma semana, na Semana da Água, em outubro:

“A ideia agora foi fazer um evento que remetesse à situação da saúde no Brasil, lembrar e homenagear através da arte as pessoas que morreram. Assim, optamos por 100 barquinhos de papel, iluminados, com pontos de led”, explicou.

Roberto Freitas é ligado ao Instituto de Artes, que esse ano completa 60 anos de fundação e contou com a participação de colegas da instituição no projeto atual.  A instalação no Largo dos Açorianos começou às 17 horas e foi concluída às 20 horas. Teve o apoio da Prefeitura de Porto Alegre que desligou o chafariz localizado dentro da água.

Como havia vento forte no inicio da instalação alguns barcos viraram, o que não atrapalhou a beleza do evento. Pessoas que passavam pelo local comentavam a originalidade do projeto, se aproximavam para falar com o artista enquanto crianças, encantadas, interagiam com a instalação, pegando e empurrando os barquinhos.

“Serviu como metáfora da vida, alguns barcos viram, outros não. É uma instalação efêmera, um pouco como a vida é. É a questão da temporalidade das coisas, elas têm seu tempo. Importante é que os artistas tragam suas criações para a rua, as pessoas apreciam e precisam disso, ainda mais em um momento como esse”, concluiu Freitas.

 

As “Deusas do Mundo” da artista visual Susane Kochhann, em Santa Maria

Higino Barros

No período de sete a 30 de junho, o Museu de Arte de Santa Maria apresentará no espaço Iberê Camargo a exposição “Deusas do Mundo” da artista visual Susane Kochhann.

Ao JÁ Porto Alegre ela explicou: “Essa exposição surgiu da minha busca de trabalhar com esse arquétipo feminino de mulher selvagem que tenho e toda mulher possui também. Em geral, as deusas conhecidas são as gregas. Pesquisei sobre deusas celtas, chinesas e etnias diferentes, inclusive uma índia brasileira. Na mostra cada uma terá um texto explicativo. Todas têm uma lado selvagem,  que a gente se identifica, que está sendo confrontado agora por essa pandemia”.

No texto de divulgação da mostra Susane escreve:

  “A exposição Deusas do Mundo é uma instalação artística múltipla e inquieta. O processo criativo possibilitou experimentos nas mais diversas formas de expressão – pintura, desenho, bordado, modelagem, corte e costura, cerâmica e escultura – e pouco a pouco gerou e ocupou espaços plurais, mentais, físicos, afetivos, entre outros.

Susane Kochhann. Foto: Divulgação

A instalação de arte têxtil possui 20 peças vestíveis criadas a partir de representações de arquétipos femininos. A instalação como modo de apresentação dos trabalhos permite a contemplação da obra de arte, não como objeto, mas como uma situação, tornando o espaço expositivo possível para ser percorrido e sentido, valendo-se da experiência, onde o espectador poderá encontrar a sua própria vivência introspectiva.

O ofício artístico feito à mão é uma parte importante do trabalho e a história contada propõem uma reflexão sobre a nossa própria identidade, muitas vezes calada e abafada e por vezes, prejudicada por séculos de patriarcado e machismo, somadas a absorção das mais diversas problemáticas experiências do mundo e da vida contemporânea.

Cada peça representa uma leitura interpretativa e intuitiva a partir de uma ampla pesquisa bibliográfica de algumas deusas, – Baba Yaga, Lillith, Deméter, Perséfone, Iemanjá, Freya, e outras – materializadas no tecido, nas linhas e em diversos materiais encontrados na natureza.

E assim, convido o público a apreciar as obras com a mente livre de preconceitos e a se permitir um reencontro com o Self, com o Eu interior, pois o conjunto da obra permite que a observação seja múltipla, individual e sensível”.

https://www.facebook.com/susanne.kochhann/

https://www.facebook.com/museudeartesm

Instagram: susanekochhann

Susane Kochhann, na montagem da exposição. Foto: Divulgação
`Por email, a artista visual concedeu essa entrevista: 
PERGUNTA:  Quem é Susane Kochhann?

RESPOSTA:  Susane Kochhann, nascida na cidade de Boa Vista do Buricá-RS em 1974 (47 anos). Formação acadêmica: Ciências Contábeis (2007), Artes Visuais (2016), Mestre em Engenharia de Produção na área de Qualidade e Produtividade (2011), realizou inúmeras exposições individuais e coletivas nacionais e internacionais. Atua profissionalmente como artista, gestora cultural e curadora.

PERGUNTA: – O que caracteriza essa exposição? e seu trabalho?
RESPOSTA:  Ela representa uma expressividade a partir de materiais diferentes – tecido, cerâmica e outros materiais –  e a temática relacionada a arquétipos femininos no formato de uma instalação de arte textil, com peças vestiveis.
PERGUNTA:  Os suportes usados na exposição: pintura, desenho, bordado, etc. Como chegou a essa solução, a essa opção artística?
RESPOSTA: Sou uma artista multifacetada. Não me percebo utilizando uma única linguagem para a criação. Acredito que na produção artística a liberdade é fundamental. Em meu processo criativo não vejo como me limitar unicamente num determinado tipo de material ou linguagem.
PERGUNTA: Há uma pegada feminina e feminista no trabalho. O que as deusas representam e significam na exposição?
RESPOSTA: Porque deusas? A partir de uma pesquisa sobre arquétipos femininos. Encontrei nas histórias contadas um significado interessante sobre luta, resistência e determinação das mulheres em sua pluralidade étnica. A criação das peças aconteceu através da pesquisa, técnicas (corte e costura, modelagem e outras), materiais diferentes e uma interpretação poética, sensível e íntima.
PERGUNTA: Como é fazer arte fora do circuito de porto Alegre?
RESPOSTA: significa ir ao encontro de um público diferente que anseia pelo conhecimento teórico, técnico, sensível e poético que a arte proporciona.
PERGUNTA: Como tem sido trabalhar com arte em tempos pandêmicos?
RESPOSTA: Trabalhar com arte em tempos pandêmicos tem sido uma imersão no fazer e na pesquisa. O isolamento social proporcionou essa imersão que em outros tempos talvez não fosse possível.

O Pantanal ameaçado, em seu máximo esplendor, nova exposição na Galeria Escadaria

Higino Barros

A terceira exposição a ocupar a Galeria Escadaria, no alto do viaduto Otávio Rocha, Centro Histórico de Porto Alegre, traz um tema que está na ordem do dia no Brasil e no mundo todo A proteção ao meio ambiente. Chama-se “Pantanal, a beleza ameaçada”. E não traz imagens da devastação realizada na região, ao longo dos tempos. E sim fotos da natureza, os animais e a paisagem exuberante que caracteriza o Pantanal.

Foto Daisson Flach/ Divulgação

É um olhar duplo, dos fotógrafos Daisson Flach e Douglas Fischer. No texto de apresentação da exposição, eles explicam a motivação do trabalho, cujo valores das vendas de fotos serão integralmente repassados a instituição Banco de Alimentos.

Foto Daisson Flach/ Divulgação

O curador da mostra, fotógrafo Marcos Monteiro e responsável pela Galeria da Escadaria, respondeu às perguntas enviadas por email pelo JÁ Porto Alegre.

PERGUNTA: Como defines a próxima exposição da Escadaria?

RESPOSTA: A Exposição Pantanal vem sendo planejada desde janeiro juntamente com o Douglas e o Daisson. As imagens retratam de forma brilhante esse mundo pouco conhecido que é o pantanal brasileiro .

PERGUNTA: Como tu conheceu o trabalho dos fotógrafos.RESPOSTA:

RESPOSTA: O Douglas Fischer é um amigo que conheço e admiro  há alguns anos e o Daisson Flack me foi apresentado em janeiro e seu trabalho me impactou pela excelente qualidade artística.

PERGUNTA: Qual foi critério na escolha das fotos?
RESPOSTA: Os dois fotógrafos me apresentaram dezenas de fotos resultantes das duas expedições que realizaram de 2018 para cá. Nossa ambição foi mostrar um Pantanal em seu esplendor máximo, a partir daí fiz uma seleção rigorosa combinando o trabalho dos dois artistas, o resultado estarão na exposição em breve.
Foto Douglas Fischer  / Divulgação
PERGUNTA: Dessa vez fica dois meses. Porque?
RESPOSTA: Pela relevância do trabalho e seu apelo ecológico num momento de devastação de nossas matas em detrimento de um falso progresso. A exposição  mostra o que pode não mais existir daqui alguns anos.
PERGUNTA:  Depois dessa exposição, qual a próxima?
RESPOSTA: Em agosto vamos exibir o trabalho da artista portuguesa Fernanda Carvalho, um trabalho impactante e totalmente original, tenho certeza do seu sucesso.
 
Foto Douglas Fischer/ Divulgação

A exposição, nas palavras dos seus autores:

Pantanal, a beleza ameaçada

“A exposição “Pantanal, a beleza ameaçada” nasce de uma grande e
longa e amizade, construída a partir de muitas afinidades, entre elas a
fotografia. Em 2018, decidimos que era o momento de realizar uma viagem com o objetivo específico de fotografar vida natural. O destino escolhido foi o Pantanal mato-grossense, maior planície alagável do mundo, com uma biodiversidade riquíssima, que se espalha pelos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, adentrando também território paraguaio e boliviano.

A primeira expedição, em 2018, levou-nos ao Parque Estadual do
Encontro das Águas, em Porto Jofre, ponto final da Transpantaneira, estrada- parque que inicia em Poconé, no Mato Grosso. Logo ao cruzar o portal da Transpantaneira, um grande e preguiçoso jacaré e um sobrevoo de araras azuis anunciou a força e a diversidade daquele maravilhoso, raro e frágil bioma brasileiro

Em uma curta expedição de quatro dias, fizemos cerca de doze
avistamentos de onças em ambiente natural. Deslizando de voadeira pelas
águas do rio Piquiri e seus corixos, encontramos vida, vida e mais vida, com
seus contrastes, seus tantos cantos e sons. Tudo ali, simplesmente existindo diante de fotógrafos extasiados. Não há como falar do Pantanal sem hipérboles, sem os clichês que acompanham o vislumbre de uma beleza que parece tão irreal, onírica.

Foto: Douglas Fischer/ Divulgação

Voltando para casa, com milhares de imagens feitas e outras milhares
na memória, tínhamos a certeza de que fora apenas a primeira visita nossa. E foi. No setembro seguinte, partimos para a nossa segunda incursão pelo pantanal. Entramos pelo Mato Grasso do Sul, explorando a região do Pantanal de Corumbá, mais especificamente as regiões do Passo do Lontra e Nhecolândia, andando pela Estrada-parque do Pantanal, na área banhada por águas do Rio Miranda.

Dessa vez, fomos recebidos na entrada da estrada por um sobrevoo de
colhereiros, com seus inconfundíveis bicos e plumagem rósea.
Toda a beleza e a potência da natureza pantaneira estava novamente lá,
mas havia um outro componente, tangível, perigoso, desolador: a fumaça
nublava o céu pantaneiro, o azul se diluía em cinzas. Na estrada, podíamos ver as queimadas nas fazendas, gaviões e aves de rapina em grande atividade, um estranho halo em torno do sol. Mais de uma vez a fumaça envolveu toda a paisagem. À noite, o noticiário trazia tristes notícias do fogo que vinha queimando extensas áreas, inclusive no parque que visitáramos um ano antes.
O fogo quando chega, queima tudo: a onça, o cervo, o gavião, a garça-moura, o macaco, o lobito, o tuiuiú, o cardeal, a capivara, a sucuri, o pato, a
biguatinhga, o tamanduá. A beleza tenta fugir e, aprisionada, sucumbe. Os que escapam, começam de novo, esperançosos na chuva que há de encher o Pantanal novamente e trazer esperança para tudo o que vem. Como milagre, a beleza rebrota, resiliente, o ar vai ganhando cores, mas as cicatrizes ficam. Essa exposição, realiza o sonho de soltar os bichos na urbe, ocupar a cidade com a beleza ameaçada, trazer aos olhos o que lá existe e precisa de cuidado. É o vislumbre de um Brasil de antes do Brasil, uma conexão íntima com a natureza pujante que persiste e grita.

Com a sensível curadoria de Marcos Monteiro, a exposição é aberta,
gratuita, democrática, livre e solidária. No coração de Porto Alegre, em um dos mais icônicos espaços públicos, o viaduto da Otávio Rocha, um convite ao olhar à sensibilidade e à urgente reflexão sobre o futuro dos biomas brasileiros e sobre a responsabilidade que temos em sua preservação.
“Pantanal, beleza ameaçada” é uma declaração de amor e um
manifesto.”

Daisson Flach e Douglas Fischer

Foto Daisson. Flach/ Divulgação

Quem são:

Daisson Flach: Advogado, professor universitário, tem como temas
fotográficos prediletos natureza e música. Realiza sua exposição de estreia

Fotógrafo Daisson Flack. Foto: Divulgação

Douglas Fischer, procurador regional da República, professor e fotógrafo, com ênfase em natureza e urbano.

Fotógrafo Douglas Fischer. Foto : Divulgação
SERVIÇO:
A exposição Pantanal, beleza ameaçada, fica em exibição durante os meses de junho e julho deste ano, 24 hrs por dia, na Galeria Escadaria no viaduto Otávio Rocha, escadaria Verão,
Foto de Douglas Fischer. Foto: Divulgação

Inauguração do Projeto Memória ArqUrbRS e lançamento de livro no IAB/RS

 

O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB RS) promove no dia 18 de maio (terça-feira) o evento virtual de Inauguração dos Espaços do Projeto Memória ArqUrbRS e lançamento do livro “E se as cidades fossem pensadas por mulheres”, da editora Zouk. A transmissão será realizada a partir das 19 horas pelo Facebook do IAB RS.

A inauguração terá apresentação de Rafael Passos, presidente do IAB RS e de Letícia de Cássia, gestora do projeto Memória ArqUrb RS – Edição LAB, tendo como convidadas Beatriz Araujo, secretária da Cultura do RS e Márcia Bertotto, diretora do Centro de Memória IAB.

Já o lançamento do livro terá mediação da arquiteta Paula Motta, vice-presidente do IAB RS e a participação das autoras Laura Sito, Mariana Félix e Misiara Oliveira.

SAIBA MAIS:

A memória do IAB RS, materializada em seu acervo e a base para estruturação de novos caminhos traça novos começos, preservando objetos de arte, acervos bibliográficos e documentais. Com esse intuito e que em 2019, o IAB RS realizou uma parceria com o curso de Museologia da Fabico/UFRGS, para realização de uma série de atividades, visando a organização do seu arquivo, organização e implementação de uma nova biblioteca a fim de ampliar seu público.

A proposta foi elaborada e encaminhada pela Pangea Cultural, escritório de gestão cultural e social para o Edital SEDAC no10/2020, Edital de Concurso Aquisição de Bens e Materiais e recebeu recursos da Lei no 14.017/2020, Lei Aldir Blanc. Assim, o projeto possibilita o debate interdisciplinar, a partir da estruturação física da Biblioteca Comunitária Arquiteta Enilda Ribeiro (BiCAER) e do Arquivo Histórico Demetrio Ribeiro (AHDR), equipamentos projetados para a educação para o patrimônio.

Os espaços são integrados dentro do prédio Solar do IAB RS, localizado no Centro Histórico de Porto Alegre e têm como objetivo desenvolver práticas socioeducativas acerca da arquitetura e do urbanismo, por meio da pesquisa, educação para o patrimônio, direitos humanos, preservação da memória e convivência comunitária, em prol da cidadania de crianças, jovens e adultos.

SERVIÇO:
O que: Evento virtual de Inauguração dos Espaços do Projeto Memória ArqUrbRS e lançamento do livro “E se as cidades fossem pensadas por mulheres”
Quando: Dia 18 de maio (terça-feira) às 19 horas
Onde: Facebook do IAB RS (https://www.facebook.com/IABRS )

Fotógrafo Jorge Aguiar põe o projeto Click da Kombi para rodar

 

Higino Barros

O fotógrafo Jorge Aguiar, natural de Porto Alegre, 65 Anos, coloca para funcionar no final de maio um sonho profissional que começou há 20 anos, fruto de sua experiência de 45 anos como fotógrafo. O projeto Click da Kombi, em que realiza oficina gratuita para moradores de comunidades carentes. Aguiar leva o Click da Kombi à Viamão, Cachoeirinha e Guaíba. Os detalhes e datas dos cursos estão no card de divulgação.

O JÁ Porto Alegre enviou perguntas ao fotógrafo , que respondeu por email.

PERGUNTA: Quem é Jorge Aguiar?

RESPOSTA: Eu me realizo nas periferias, documento as minhas guerras urbanas, eu sou de alto risco… sem lenço, sem documento, somente uma câmera nas mãos.” Esse é Jorge Aguiar por ele mesmo. Seria muita pretensão defini-lo, mas eu arriscaria afirmar que esse é um daqueles fotógrafos que capturam a riqueza onde ninguém a vê. É nas coisas simples e cotidianas, nas culturas e tradições que se extinguem, nos sofrimentos anônimos, na poeira da estrada, nas lutas silenciosas e na
explosão das batalhas que ele encontra sua expressão máxima. Ladrão de instantes, congela para sempre o presente na sua caixa de Pandora, para depois abri-la e nos surpreender com a sua dor. A velocidade perfeita, a abertura exata, a composição sensível, a emoção lapidada no latejar das veias, com o peito aos saltos, e eis que o presente, esse prisioneiro do nunca antes e do nunca mais, se faz eterno. Emoção e domínio. Esse é o Jorge Aguiar”. Texto Lidia Fabrício

Foto: Lidiane Heins/ Divulgação

Trabalho há 45 anos com Fotojornalismo. Há 25 anos desenvolvo o Projeto Luz Reveladora Photo da Lata em periferias ministrando oficinas pinhole para jovens e adultos em áreas de vulnerabilidades sociais. Ganhador do Prêmio Direitos Humanos UNESCO em 2003-Projeto Photo da Lata e autor do Projeto Click da Kombi Escola de Fotografia Itinerante.

PERGUNTA:  Conte um pouco da suas andanças pelo mundo.
RESPOSTA: É muito difícil falar em primeira pessoa, mas tenho uma caminhada de um flaner pelo mundo observando o comportamento humano, sem pressa de chegar.

PERGUNTA: É conhecida sua admiração pelo fotógrafo Sebastião Salgado. O que gosta no trabalho dele?

RESPOSTA: O trabalho Trabalhadores
E mais alguém? Cartier-Bresson

PERGUNTA: O que é o Projeto Click da Kombi? Apresente para quem não conhece.

RESPOSTA: Idealizado há mais de 20 anos quando fiz uma vaquinha virtual e com a ajuda de milhares de amigos consegui adquirir a kombi, surgindo assim, o Click da Kombi – Escola de Fotografia Itinerante, que é um laboratório itinerante e levo educação e cultura das artes da fotografia para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

PERGUNTA: Qual tua motivação?

RESPOSTA: É o resgate da alto-estima e a capacitação profissional dando
acesso à cultura e a arte de fotografar, promovendo solidariedade e expressão com base em valores humanos.
PERGUNTA: Qual público alvo?

RESPOSTA: Não tem limites de idade

PERGUNTA: Qual é a percepção dos alunos sobre fotografia?

RESPOSTA: Os alunos se encantam com a arte de fotografar, abrindo um novo olhar e muitos deles seguem a carreira de fotógrafos comunitários.

PERGUNTA: Tiveste recusas de financiamento cultural para esse projeto da Kombi. O que aconteceu? O que tens a dizer sobre júri, critério de julgamento e os projetos de financiamento cultural em si?

RESPOSTA: Não falarei sobre isso.
PERGUNTA: Como tem sido fazer fotografia de rua, presencial como a tua, em tempos de pandemia?.
RESPOSTA: Muito difícil porque não tem como para ir nas periferias. Todo o meu trabalho é presencial, caminhar nas vilas, falar com as pessoas É nesse momento humanamente impossível.

Da série Manaslisas da Periferia. Jorge aguiar/ Divulgação

Volta “Naves Poéticas”, esculturas tridimensionais iluminadas, de Fabio Rheinheimer.

A exposição Naves Poéticas, do arquiteto, artista visual e curador Fábio André Rheinheimer, está de portas abertas para receber o público no Espaço Cultural Correios, em Porto Alegre. O local havia sido fechado, em função do agravamento da pandemia, logo após a inauguração da exposição. Agora, os visitantes têm até o dia 21 de maio para conferir as esculturas tridimensionais iluminadas de Rheinheimer.

Fábio André Rheinheimer,.

A exposição é formada por 20 obras feitas com materiais como lâminas de acrílico rígido e LED. O artista compõe sua obra de formas e luzes, produzindo um grande efeito cenográfico. Pelas características de transparência e luminosidade, as obras podem ser expostas como elementos de decoração ou paisagismo.

No ano passado, Rheinheimer completou 33 anos de carreira artística com a exposição “A Tempestade”, em cartaz em Porto Alegre e em São Paulo. Também foi o curador da exposição “Múltiplos Olhares”, que apresentou diferentes visões de 28 fotógrafos. Também desenvolveu sua primeira galeria virtual, utilizando seus conhecimentos como arquiteto.

Exposição:

Projeto Naves Poéticas (2014|2020), objetos de Fábio André Rheinheimer

Visitação: até 21 de maio

Horários: de segunda a sexta das 10 às 17h.

Local: Espaço Cultural Correios, Av. Sete de Setembro, Nº 1020, Praça da Alfândega – Centro Histórico, Porto Alegre

Visitas podem ser agendadas pelo email [email protected]. Novo protocolo permite até seis pessoas por vez no Espaço Cultural Correios.

“Como um músico de jazz”. Marcos Monteiro e sua exposição na Galeria da Escadaria.

 

Higino Barros

Dia 1º de Maio, a Galeria Escadaria , no viaduto da Borges de Medeiros, abriga sua segunda exposição, desde que foi aberta em abril de 2021, em plena pandemia do Corona Virus. Agora será a vez de Marcos Monteiro, 65 anos, natural de Bagé, fotógrafo, produtor cultural e idealizador da galeria em espaço aberto, justamente quando as artes visuais receberam um duro golpe com a interrupção de atividades presenciais. Atualmente algumas galerias em espaço fechado de Porto Alegre recebem presencialmente, com rígidos protocolos de saúde.

Monteiro pegou sua câmera fotográfica nesse período e foi para as ruas. O resultado pode ser visto na exposição “Ir/real”. A fotógrafa Dani Remião que o ajudou a selecionar as fotos, define o trabalho “como um músico de jazz, Marcos mantém um equilíbrio entre o planejado e o improviso, que requer domínio da técnica fotográfica e criatividade para os ajustes em tempo real.”

Todas as fotos trazem os locais onde foram fotografadas e a técnica utilizada.

Abaixo, a entrevista que o fotógrafo concedeu ao JÁ Porto Alegre:

PERGUNTA:  Quem é Marcos Monteiro?

RESPOSTA:  Marcos Monteiro, publicitário, designer gráfico, produtor cultural e fotógrafo autoral. Produtor e idealizador do projeto musical Chapéu Acústico, Produtor e idealizador da exposição coletiva anual a céu aberto Street Expo Photo, Idealizador e curador da Galeria Escadaria.

PERGUNTA:  De onde veio a ideia da atual exposição?

Estou fechando um ciclo de sete anos de trabalho autoral na fotografia e como meta busco a cena ideal para compor o inesperado, seja na rua ou outros lugares, saio sem roteiros em busca de cenas bem compostas e iluminadas, uma espécie de planejamento com improviso, a partir daí a sensibilidade e a intuição me conduzem. A exposição Ir/real é uma síntese desse processo traduzida em 33 imagens onde busco transpor minha alma pelas lentes de uma câmera.

PERGUNTA:  Qual a participação da Dani Remião na curadoria?

RESPOSTA: A Dani é docente em artes e com sua grande experiência me ajudou a entender melhor esse meu processo artístico o que facilitou muito a elaboração e concepção da exposição.

PERGUNTA: O que há de programação para a galeria Escadaria?

RESPOSTA: Em maio teremos a minha exposição, em junho e julho a exposição “Pantanal, beleza ameaçada” de Daisson Flack e Douglas Fischer, em agosto a exposição da fotógrafa portuguesa Fernanda Carvalho. Os meses de setembro, outubro e novembro estão quase fechados.

PERGUNTA:  E projeto do Chapéu Acústico,  parceria com a Biblioteca Pública Estadual??

RESPOSTA: O projeto musical Chapéu Acústico está nas mãos da pandemia, assim que pudermos voltar a preencher espaços fechados com segurança, retornaremos.

PERGUNTA: Como está sendo produzir  arte em tempo de pandemia?

RESPOSTA: A Street Expo Photo 2020/21 nos mostrou que apesar da pandemia podemos com responsabilidade construir exposições de arte a céu aberto com segurança. A escadaria da Borges se mostrou um lugar fantástico para esse tipo de exposição e foi durante a pandemia que criamos essa que é a única galeria a céu aberto do Estado com a aceitação da população de Porto Alegre.

PERGUNTA: O que vale destacar no período?

RESPOSTA: A Galeria Escadaria veio para preencher um lugar importante na cidade e apesar de não termos vigilância os porto-alegrenses tem dado um exemplo inigualável de cidadania e respeito a arte, isso não tem preço.

A apresentação da mostra, por Dani Remião:

“Ir | real

Ir, a ação em busca da imagem; real, a cena fotografada; irreal, a sensação ilusória criada pelo artista. Morador do Centro Histórico de Porto Alegre, Marcos Monteiro faz de suas caminhadas pelo bairro seu momento de criação artística.As ruas, seu ateliê a céu aberto. E é este mesmo local que o artista elege como galeria para expor sua obra.

As fotografias surgem de um olhar atento, espera pacienciosa, disparo preciso e sensibilidade inquestionável. Guardam em si o tempo de espera do artista pelo momento da sobreposição natural de camadas de imagens em superfícies refletoras, do surgimento de sombras na paisagem, da inscrição de rastros de movimento no quadro fotográfico; o tempo de espera pela cena imaginada se fazer visível.

Em uma época de passos rápidos e corrida contra o tempo, especialmente no centro de toda grande cidade, o artista não tem pressa. Marcos imagina, se posiciona e espera. Aguardar é parte fundamental de seu processo criativo.

A obra dialoga com a estética de Cartier-Bresson e o momento da essência da cena que se busca extrair do fluxo temporal. Para o artista francês, a fidelidade do fotógrafo em relação aos fatos se faz no ato da não interferência na cena. Da mesma forma, a essência do momento para Marcos Monteiro está no que lhe é dado “à la sauvette” no momento do ato fotográfico. Suas imagens resultam de refino composicional e instantes sublimes do acaso.

Como um músico de jazz, Marcos mantém um equilíbrio entre o planejado e o improviso, que requer domínio da técnica fotográfica e criatividade para os ajustes em tempo real.

O artista capta um instante, mas conta uma aventura, que se abre para a narração e para a ilusão. Cada imagem carrega consigo uma história que se mantém nas lembranças de Marcos e em suas longas conversas quando conta sobre suas caminhadas fotográficas pela cidade. Ou na imaginação de quem observa suas fotografias e se deixa conduzir pela poesia dos ambientes que se fundem em um espaço de entressonho.

E nesse espelho do real e do irreal da fotografia, as imagens de Marcos Monteiro são reflexos da cidade, de seus moradores e de si mesmo.”

Dani Remião