Neste domingo, 21/6, às 11 horas, no Parque da Redenção, o MOVER se apresenta à cidade. Trata-se do Movimento da Velharada Rebelde, um coletivo que se formou a partir de rodas de conversa na Casa Alice (Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação).
A origem do MOVER é uma turma que resolveu conversar sobre seu envelhecimento e quer contribuir para que sua geração viva bem. Não por acaso, é em Porto Alegre, a capital mais envelhecida do país, no estado mais envelhecido, com projeções preocupantes.

Na noite do lançamento do MOVER, foi alinhavado o Manifesto Mutante da Velharada Rebelde, a ser divulgado no domingo. É mutante, já prevendo a adesão de mais gente trazendo mais demandas e sugestões. “Os princípios do movimento são cultura, políticas públicas e contestação”, explica a jornalista Rosina Duarte, encarregada da redação final do manifesto. São os jovens rebeldes das décadas de 1960 a 80, que consideram envelhecer um privilégio e se mantêm em atividade.

A divulgação do lançamento do MOVER nas redes sociais despertou interesse em vários estados do país, alguns com grupos organizando-se em moldes semelhantes, pelos mesmos objetivos: há bastante a exigir do poder público, e muito a fazer por conta própria.
Uma preocupação comum é formar redes de apoio para construir políticas públicas e requalificar as já existentes, e divulgar como ter acesso a elas. Não apenas cuidados para a parcela em idade mais avançada e com problemas de saúde que levam à dependência. A população idosa carece de espaços de convívio, lazer, divertimento, atividades físicas, discussões e reflexões – enfim, coletivos e participação política na contramão do isolamento comum na velhice, que só agrava a saúde física e mental.

Os temas são variados: acesso à tecnologia, moradias coletivas, combate aos estereótipos, tratamento digno nas instituições públicas, direito ao trabalho, a sexualidade, o testamento vital, poder decidir o que quer para si. A finitude entra no debate: o luto pelo que a própria pessoa foi, a rede de cuidado que nem sempre é de familiares, quem cuida do cuidador familiar, e até como desmontar uma casa – a sua própria ou de alguém próximo, como honrar o que foi deixado e cuidar da memória de quem morreu. Sem tabus.

Para encontrar essa turma no parque, procure por grisalhos com chapéus e bonés, algumas bengalas, lindos xales, e pode chamar de velha, se for com respeito. O papo começou com mulheres, os homens ainda são minoria e já tem gente mais moça chegando também. Todos rechaçam estereótipos caricatos, a infantilização de idosos e toda forma de preconceito.
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O QUE: Manifesto Mutante da Velharada Rebelde
QUANDO: Domingo, 21/6, 11hs
ONDE: Gazebo junto ao Monumento ao Expedicionário
Parque da Redenção, rua José Bonifácio

