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  • Incubadora MEME e Mosaico Territórios da Cultura formam redes entre os espaços de cultura do RS
    Espetáculo Violeta Parra. Fotos: Keter Velho/ Divulgação

    Incubadora MEME e Mosaico Territórios da Cultura formam redes entre os espaços de cultura do RS

    Os atravessamentos nos projetos do MEME Incubadora Cultural estão proporcionando beleza, entrega e muita emoção. Dois deles, o Incubadora MEME, um projeto de inclusão que consiste em encontros/oficinas com professores do MEME e convidados, e o Mosaico Territórios da Cultura, no qual diversos espaços de resistência cultural, independentes e autogeridos por seus integrantes, atuam em rede buscando o fortalecimento da cultura local, trabalhando nas criações de performances e parcerias, espalhando arte aos quatro ventos e apostando no potencial da arte como agente transformador social.

    A primeira incursão do Mosaico Territórios da Cultura foi no Amó – Lugar de bem viver, em Maquiné. Neste espaço tudo está sendo construindo com as mãos de Pascal Berten, Mirella Rabaioli, e apoiadores/amigos que literalmente botaram a mão na massa, levantando paredes, plantando, criando um ambiente sustentável em meio à natureza exuberante de Maquiné. Nos meses seguintes, respeitando os protocolos da COVID 19, outras incursões foram realizadas nos espaços que integram a rede: o Afro-Sul Odomode, a Terreira da Tribo, o Clube de Cultura e o Tablado Andaluz. Em comum, esses espaços tem a longevidade, alguns com mais de 70 anos, outros com mais de 40, 30 ou 20.

    As duas próximas atividades serão no próprio MEME, dia 06 de maio, onde Tânia Farias cantará as músicas de Violeta Parra, com a participação de Mário Falcão (apresentação fechada para público, transmitida pelo YouTube do MEME), e dia 18 de maio, celebrando o encontro na Comunidade Kilombola Morada da Paz, em Triunfo, que encerra o projeto em grande estilo. Todos os espaços foram sede de oficinas e/ou apresentações, e os encontros foram gravados, e, posteriormente, transmitido pelas plataformas do MEME.

    Já o Incubadora MEME, atua como agente de inclusão social e está realizando oficinas com cinco profissionais, oferecidas a um grupo de dez jovens em situação de vulnerabilidade social vindos da Escola E.M.E.F José Loureiro da Silva, na Cruzeiro do Sul, de Porto Alegre, além de outras dez vagas preenchidas por jovens de outras comunidades parceiras do Meme: a Escola Estadual Julio Brunelli, do bairro Rubem Berta, a E.M.E.F Senador Alberto Pasqualini, na Restinga, o espaço Afro-Sul Odomode e jovens da Comunidade Kilombola Morada da Paz, de Triunfo. As aulas de dança, expressão vocal, teatro, iluminação cênica, figurino, projeto/produção cultural, são ministradas por Paulo Guimarães, Ana Medeiros e Rui Moreira, com a coordenação de Iara Deodoro (Afro-Sul Odomode). A ideia é que com essas trocas, se formem agentes socio-políticos-culturais dentro das comunidades, instrumentalizados para atuar na arte-educação. Desse projeto resultará um documentário que será apresentado ao final do projeto (em data a definir).

    Espetáculo Mosaico_Amó. Foto: Mirella_Rabaioli/ Divulgação

    A criação dessa rede entre os espaços culturais e os atravessamentos entre os projetos que integram o guarda-chuva de atividades do MEME surgiram da identificação de características comuns a esses espaços, que tanto têm contribuído para o desenvolvimento de sujeitos críticos, por meio de ações coletivas e transformadoras. Em cada um deles a celebração da vida é pulsante em busca de laços capazes de transformar pela arte.

    SERVIÇO:

    MEME: Incubadora Cultural e Mosaicos Territórios da Cultura

    Dia06 de maio no MEME Estação Cultural, às 20h

    Show Violeta Parra, com Tânia Farias (com participação de Mário Falcão)

    *apresentação fechada para público transmitida pelo YouTube do MEME

    Dia 18 de maio, às 20h

    Encontro na Comunidade Kilombola Morada da Paz, em Triunfo

    *transmissão pelo YouTube do MEME

    Acompanhe nas redes:

    Facebook – @memeestacao

    Instagram – @memeestacao

    You Tube –  https://www.youtube.com/memeestacaocultural

    MEME Incubadora Cultural é realizado com recursos da Lei Aldir Blanc / Lei n. 14.017/2020 – edital 09/2020 – SEDAC RS.

  • Exposição de obras em P&B, nos 30 anos do Instituto Estadual de Artes Visuais
    Obra de Wischral, grafite sobre tela, 100 x 100 cm. Foto: Rosirene Mayer/ Divulgação

    Exposição de obras em P&B, nos 30 anos do Instituto Estadual de Artes Visuais

    Montada nos primeiros dias de abril mas impedida de receber visita presencial do público por causa da pandemia, a exposição Fora da Cor – Exercício 4 poderá ser vista a partir desta terça-feira, sob agendamento, na Galeria Augusto Meyer e no Espaço Maurício Rosenblatt, na Casa de Cultura Mario Quintana, graças às mudanças nos critérios sanitários pelo governo do estado. A mostra integra as comemorações dos 30 anos do IEAVi (Instituto Estadual de Artes Visuais) – com o apoio do MACRS.

    Secretária da Cultura (de frente) fez visita a mostra Fora da Cor – Exercício e a elogia à curadora Ana Zavadil (de camisa amarela). Foto: Divulgação

    A  exposição foi distinguida por uma única visita – ilustre – na última quinta-feira. A secretária da Cultura do Estado, Beatriz Araujo, que cumpriu agenda no prédio da CCMQ, acompanhada do presidente do Conselho Estadual de Cultura, Airton Ortiz, foi convidada a apreciar as obras pelo diretor do MAC, André Venzon.

    Ela foi, viu e gostou, diz a curadora da mostra, Ana Zavadil, que estava no local e ficou feliz com os elogios da secretária a muitas das obras e ao projeto, lançado em 2018 e que envolveu três exposições (ou exercícios) anteriores. Os visitantes receberam o catálogo da Fora da Cor, que fica em exibição até 4 de julho.

    As obras, de 56 artistas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, são em preto e branco e nos tons de cinzas possíveis entre uma cor e outra. Os trabalhos, em diferentes linguagens e suportes, revelam a poética de cada artista, enriquecendo a investigação no campo do conhecimento e da experimentação. “O que dá unidade à exposição é justamente a pouca cor e o diálogo entre as obras, esse é forte e chama a atenção para nichos dentro do espaço expositivo” explica a curadora, que também é professora e mestre em História, Teoria e Crítica de Arte pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

    Os artistas da mostra:

    Alexandra Eckert, Andréa Bracher, Angela Plass, Beatriz Dagnese, Carmela Slavutzky, Clara Koppe, Cristie Boff, Cristina Luviza Battiston, Dani Remião, Dartanhan Baldez Figueiredo, Denise Giacomoni, Denise Wichmann, Edson Possamai, Esther Bianco, Felipe Ferla da Costa, Gelson Soares, Graça Craidy, Helena D’Avila, Heloísa Biasuz, Juliana Feyh, Kika Costa, Leonardo Loureiro, Leonice Araldi, Lisi Wendel, Lorena Steiner, Lucy Copstein, Mara Galvani, Maria Cristina, Maria Paula Giocomini, Maril Rodrigues, Marina Ramos, Maristel Nascimento, Marlon Viana, Mery Bavia, Milene Gensas, Mônica Furtado, Myra Gonçalves, Nadiamara Paim, Natalia Bianchi, Neca Sparta, Odilza Michelon, Priscila Sabka Thomassen, Rachel Fontoura, Ricardo Aguiar, Rosirene Mayer, Sandra Gonçalves, Sandra Kravetz, Sandra Lages, Selir Staliotto, Silvia Rodrigues, Sonia Loren, Sonia Rombaldi, Susan Mendes, Susane Kochhann, Vera Reichert e Wischral.

    -Agendamento de visita pelo email:

    visitaccmq@gmail.com

    -Local:

    IEAVi/MACRS (Casa de Cultura Mario Quintana, Rua dos Andradas, 736, 3º andar). Na Galeria Augusto Meyer e no Espaço Maurício Rosenblatt.

    De segunda a sexta-feira, das 10h às 18h

     

     

     

     

     

     

     

  • Volta “Naves Poéticas”, esculturas tridimensionais iluminadas, de Fabio Rheinheimer.
    Fotos: Divulgação

    Volta “Naves Poéticas”, esculturas tridimensionais iluminadas, de Fabio Rheinheimer.

    A exposição Naves Poéticas, do arquiteto, artista visual e curador Fábio André Rheinheimer, está de portas abertas para receber o público no Espaço Cultural Correios, em Porto Alegre. O local havia sido fechado, em função do agravamento da pandemia, logo após a inauguração da exposição. Agora, os visitantes têm até o dia 21 de maio para conferir as esculturas tridimensionais iluminadas de Rheinheimer.

    Fábio André Rheinheimer,.

    A exposição é formada por 20 obras feitas com materiais como lâminas de acrílico rígido e LED. O artista compõe sua obra de formas e luzes, produzindo um grande efeito cenográfico. Pelas características de transparência e luminosidade, as obras podem ser expostas como elementos de decoração ou paisagismo.

    No ano passado, Rheinheimer completou 33 anos de carreira artística com a exposição “A Tempestade”, em cartaz em Porto Alegre e em São Paulo. Também foi o curador da exposição “Múltiplos Olhares”, que apresentou diferentes visões de 28 fotógrafos. Também desenvolveu sua primeira galeria virtual, utilizando seus conhecimentos como arquiteto.

    Exposição:

    Projeto Naves Poéticas (2014|2020), objetos de Fábio André Rheinheimer

    Visitação: até 21 de maio

    Horários: de segunda a sexta das 10 às 17h.

    Local: Espaço Cultural Correios, Av. Sete de Setembro, Nº 1020, Praça da Alfândega – Centro Histórico, Porto Alegre

    Visitas podem ser agendadas pelo email espacocultural-rs@correios.com.br. Novo protocolo permite até seis pessoas por vez no Espaço Cultural Correios.

  • “A Noite do Brasil” projetará obras de arte nos edifícios em São Paulo
    Pintura do gaúcho Enio Squeff será uma das obras projetadas em edifícios.

    “A Noite do Brasil” projetará obras de arte nos edifícios em São Paulo

    Na noite de 4 de maio, diversas projeções acontecerão em São Paulo em pontos de grande visibilidade como no Vale do Anhangabaú e na Consolação.

    A data assinala o primeiro ano da morte do cronista, compositor e letrista Aldir Blanc, e teem como homenageado especial o sociólogo Betinho (Hebert  José de Souza).

    As empenas (paredes cegas) de alguns edifícios da cidade de São Paulo servirão de suporte para a primeira exposição virtual de artistas plásticos, chargistas e grafiteiros do Brasil.

    O projeto, denominado “A Noite do Brasil”, resulta de uma associação entre o grupo “Projetemos” com vários artistas,  que farão  uma gigantesca mostra de artes visuais, cujo tema será um comentário  crítico sobre o atual momento brasileiro.

    O sociólogo Betinho é um dos homenageados. Pìntura de Elifas Andreatto

    Cerca de cem pessoas entre artistas visuais, e profissionais que trabalham com projetores de longo alcance, a mostra “A Noite do Brasil” que alude ao conhecido samba, “O Bêbado e a Equilibrista” de Aldir Blanc, será simultaneamente estendido à internet e poderá contar com a participação de projecionistas de várias cidades brasileiras.

    Exposição virtual marca um ano da morte de Aldir Blanc

    Segundo os organizadores, as mostras virtuais terão, no máximo, uma hora de duração. Os artistas convidados e selecionados para o lançamento da “A Noite do Brasil”, além de Elifas Andreato e Enio Squeff, o escultor Israel Kislansky, os chargistas Aroeira, Laerte, Cau Gomez,  Brum, Carol Cospe Fogo, Gilmar e o grafiteiro Bonga pretendem inaugurar um movimento, e também, uma espécie de procedimento estético que tenha continuidade, consolide uma relação longa entre artistas e projecionistas, e resulte em novos desdobramentos.

    Charge de Cau Gomez é uma das obras projetadas

    A lista de participantes de “A Noite do Brasil” não está encerrada. Os próximos artistas e projecionistas, contudo, – inclusive de outros países – que quiserem participar, numa segunda fase, deverão preencher o formulário e enviar suas obras neste link: bit.ly/a-noite-do-Brasil-FORMS A partir disso, os trabalhos passarão por uma nova curadoria que marcará a data da próxima versão da mostra.

    Para o grupo “Projetemos”, as projeções poderão ser feitas de 15 em 15 dias.

     

     

     

     

  • “Como um músico de jazz”. Marcos Monteiro e sua exposição na Galeria da Escadaria.

    “Como um músico de jazz”. Marcos Monteiro e sua exposição na Galeria da Escadaria.

     

    Higino Barros

    Dia 1º de Maio, a Galeria Escadaria , no viaduto da Borges de Medeiros, abriga sua segunda exposição, desde que foi aberta em abril de 2021, em plena pandemia do Corona Virus. Agora será a vez de Marcos Monteiro, 65 anos, natural de Bagé, fotógrafo, produtor cultural e idealizador da galeria em espaço aberto, justamente quando as artes visuais receberam um duro golpe com a interrupção de atividades presenciais. Atualmente algumas galerias em espaço fechado de Porto Alegre recebem presencialmente, com rígidos protocolos de saúde.

    Monteiro pegou sua câmera fotográfica nesse período e foi para as ruas. O resultado pode ser visto na exposição “Ir/real”. A fotógrafa Dani Remião que o ajudou a selecionar as fotos, define o trabalho “como um músico de jazz, Marcos mantém um equilíbrio entre o planejado e o improviso, que requer domínio da técnica fotográfica e criatividade para os ajustes em tempo real.”

    Todas as fotos trazem os locais onde foram fotografadas e a técnica utilizada.

    Abaixo, a entrevista que o fotógrafo concedeu ao JÁ Porto Alegre:

    PERGUNTA:  Quem é Marcos Monteiro?

    RESPOSTA:  Marcos Monteiro, publicitário, designer gráfico, produtor cultural e fotógrafo autoral. Produtor e idealizador do projeto musical Chapéu Acústico, Produtor e idealizador da exposição coletiva anual a céu aberto Street Expo Photo, Idealizador e curador da Galeria Escadaria.

    PERGUNTA:  De onde veio a ideia da atual exposição?

    Estou fechando um ciclo de sete anos de trabalho autoral na fotografia e como meta busco a cena ideal para compor o inesperado, seja na rua ou outros lugares, saio sem roteiros em busca de cenas bem compostas e iluminadas, uma espécie de planejamento com improviso, a partir daí a sensibilidade e a intuição me conduzem. A exposição Ir/real é uma síntese desse processo traduzida em 33 imagens onde busco transpor minha alma pelas lentes de uma câmera.

    PERGUNTA:  Qual a participação da Dani Remião na curadoria?

    RESPOSTA: A Dani é docente em artes e com sua grande experiência me ajudou a entender melhor esse meu processo artístico o que facilitou muito a elaboração e concepção da exposição.

    PERGUNTA: O que há de programação para a galeria Escadaria?

    RESPOSTA: Em maio teremos a minha exposição, em junho e julho a exposição “Pantanal, beleza ameaçada” de Daisson Flack e Douglas Fischer, em agosto a exposição da fotógrafa portuguesa Fernanda Carvalho. Os meses de setembro, outubro e novembro estão quase fechados.

    PERGUNTA:  E projeto do Chapéu Acústico,  parceria com a Biblioteca Pública Estadual??

    RESPOSTA: O projeto musical Chapéu Acústico está nas mãos da pandemia, assim que pudermos voltar a preencher espaços fechados com segurança, retornaremos.

    PERGUNTA: Como está sendo produzir  arte em tempo de pandemia?

    RESPOSTA: A Street Expo Photo 2020/21 nos mostrou que apesar da pandemia podemos com responsabilidade construir exposições de arte a céu aberto com segurança. A escadaria da Borges se mostrou um lugar fantástico para esse tipo de exposição e foi durante a pandemia que criamos essa que é a única galeria a céu aberto do Estado com a aceitação da população de Porto Alegre.

    PERGUNTA: O que vale destacar no período?

    RESPOSTA: A Galeria Escadaria veio para preencher um lugar importante na cidade e apesar de não termos vigilância os porto-alegrenses tem dado um exemplo inigualável de cidadania e respeito a arte, isso não tem preço.

    A apresentação da mostra, por Dani Remião:

    “Ir | real

    Ir, a ação em busca da imagem; real, a cena fotografada; irreal, a sensação ilusória criada pelo artista. Morador do Centro Histórico de Porto Alegre, Marcos Monteiro faz de suas caminhadas pelo bairro seu momento de criação artística.As ruas, seu ateliê a céu aberto. E é este mesmo local que o artista elege como galeria para expor sua obra.

    As fotografias surgem de um olhar atento, espera pacienciosa, disparo preciso e sensibilidade inquestionável. Guardam em si o tempo de espera do artista pelo momento da sobreposição natural de camadas de imagens em superfícies refletoras, do surgimento de sombras na paisagem, da inscrição de rastros de movimento no quadro fotográfico; o tempo de espera pela cena imaginada se fazer visível.

    Em uma época de passos rápidos e corrida contra o tempo, especialmente no centro de toda grande cidade, o artista não tem pressa. Marcos imagina, se posiciona e espera. Aguardar é parte fundamental de seu processo criativo.

    A obra dialoga com a estética de Cartier-Bresson e o momento da essência da cena que se busca extrair do fluxo temporal. Para o artista francês, a fidelidade do fotógrafo em relação aos fatos se faz no ato da não interferência na cena. Da mesma forma, a essência do momento para Marcos Monteiro está no que lhe é dado “à la sauvette” no momento do ato fotográfico. Suas imagens resultam de refino composicional e instantes sublimes do acaso.

    Como um músico de jazz, Marcos mantém um equilíbrio entre o planejado e o improviso, que requer domínio da técnica fotográfica e criatividade para os ajustes em tempo real.

    O artista capta um instante, mas conta uma aventura, que se abre para a narração e para a ilusão. Cada imagem carrega consigo uma história que se mantém nas lembranças de Marcos e em suas longas conversas quando conta sobre suas caminhadas fotográficas pela cidade. Ou na imaginação de quem observa suas fotografias e se deixa conduzir pela poesia dos ambientes que se fundem em um espaço de entressonho.

    E nesse espelho do real e do irreal da fotografia, as imagens de Marcos Monteiro são reflexos da cidade, de seus moradores e de si mesmo.”

    Dani Remião

  • Raízes: as trajetórias de  cinco artistas do RS em webdocumentários

    Raízes: as trajetórias de cinco artistas do RS em webdocumentários

    O Arte como Ciência: Raízes é um projeto especial do Arte Como Ciência que objetiva reverenciar e refletir sobre a relevância da trajetória profissional de importantes nomes da cultura gaúcha: Vera Lopes, Mestre Pernambuco, Irene Santos, Zé da Terreira e Seli Maurício. A realização conta com a produção de um web-documentário sobre o trabalho de cada artista, cujo lançamento será  acompanhado de uma mesa redonda virtual dedicada a refletir sobre o tema central da trajetória abordada. As mesas serão compostas por profissionais especialistas em cada temática central, em uma programação que acontecerá na última semana de abril e durante todo o mês de maio, sempre nas terças-feiras, às 14:30 no canal do Arte Como Ciência no Youtube e na página do Facebook.
    Irene Santos. Foto_Rogerio do Amaral Ribeiro / Divulgação

    Os web documentários que serão apresentados e debatidos são: “Vera Lopes: arteativista das lutas negras”, uma trajetória que engloba a arte negra no teatro, poesia, cinema e música; “Zé da Terreira: na cadência do tambor”, destacando seu trabalho no teatro de rua, performance política e música; “Seli Maurício: o exercício da sensibilidade”, artista plástica e bonequeira da cidade de Pelotas; “Mestre Pernambuco: quilombismo, a utopia viável”, com enfoque na promoção do carnaval de rua e sua relação filosófica e política com o quilombismo; “Irene Santos: memória fotográfica de negros de alma preta”, com ênfase na promoção do papel essencial da negritude na formação da cultura gaúcha.

    Pernambuco. Foto: Caco Argemi/SindBancários/ Divulgação

    Desenvolvimento cultural

    O Arte como Ciência: Raízes foi criado em meio à pandemia do COVID-19, um momento em que o mundo está sofrendo o luto de perder tantas trajetórias repletas de maturidade, experiência e sabedoria. As pessoas enfocadas nesta realização possuem mais de sessenta anos. Elas fizeram parte de momentos históricos essenciais às transformações dos modos de emocionar e refletir que as realizações artísticas promovem. Elas integram o momento presente, de forma contundente, pois nada substitui a relevância de suas experiências. Essas pessoas foram, são e continuarão sendo essenciais ao desenvolvimento cultural do Rio Grande do Sul. O Arte como Ciência: Raízes é um ato político de conscientização e reverência a pessoas que constituem ancestralidades férteis, repletas de realizações passadas e possibilidades presentes e futuras. Segundo Viviane Juguero, coordenadora pedagógica do projeto a proposta está embasada no entendimento de que “os discursos artísticos são fundamentais na configuração das estruturas sociais pois compõem as coordenações emocionais que embasam valores e desejos, e resultam nas escolhas de cada pessoa em relação às possibilidades dos contextos em que estão inseridas. Já Daniela Israel, coordenadora técnica, pontua que este “é um projeto colaborativo, feito com muitas mãos, de diferentes lugares, envolvendo muita paixão, arte e ciência. Focamos em como um conteúdo pesado e difícil de ser entendido por vezes, possa ser leve, interessante, agregando e transformando a sociedade.”

    Seli Mauricio. Foto_video: Huli Balasz – Patricia Custodio / Divulgação
    Ao mesmo tempo, o projeto englobou profissionais com trajetórias e experiências distintas, em uma equipe diversa em todos os sentidos. Junto a profissionais com ampla experiência e formação, aprendizes e iniciantes também tiveram a oportunidade de aprimorar seus conhecimentos, por meio de distintos estágios. A iniciativa também reúne, além de sua equipe diretiva e de produção, profissionais da arte de diversos estados, ampliando nacionalmente a repercussão do trabalho, além de equipes de acessibilidade, divulgação e tradução, pois, seguindo o propósito original do projeto de estabelecer conexões internacionais, todos os vídeos e encontros contam com tradução para o inglês e o espanhol.

    O Arte Como Ciência: Raízes está sendo realizado com recursos da Lei nº 14.017/2020, através do Edital SEDAC nº 09/2020 – Concurso Produções Culturais. Os vídeos, mesas redondas e demais conteúdos do projeto podem ser acompanhados nos canais do Arte Como Ciência no Youtube, Facebook, Instagram e também no site do projeto.

    Zé da Terreira. Foto de Kin Viana/ Divulgação

    Serviço: 

    Arte como Ciência: Raízes

    Data: nas terças-feiras,  sempre às 14:30 (BRT)

    27 de abril – Mestre Pernambuco: quilombismo, a utopia viável

    04 de maio – Vera Lopes: arteativista das lutas negras

    11 de maio – Seli Maurício: o exercício da sensibilidade

    18 de maio – Zé da Terreira: na cadência do tambor

    25 de maio – Irene Santos: memória fotográfica de negros de alma preta

    Como assistir: As mesas redondas e web-documentários serão transmitidos em nosso canal no Youtube e em nossa página no Facebook.
    Canal do Youtube: youtube.com/artecomociencia

    Página do Facebook: fb.com/artecomociência

    Nossos canais de comunicação:

    Site oficial: https://www.artecomociencia.com/

    Instagram: @artecomociencia | https://www.instagram.com/artecomociencia/

    Vera Lopes. Foto: Camila de Morais / Divulgação
    QUEM SÃO:

    Waldemar Moura Lima (Pernambuco), o Professor Pernambuco, é uma importante referência da cultura popular em nosso Estado. Ele se destaca como compositor, cantor, ator e diretor de teatro. Carnavalesco, é fundador e coordenador da Rua do Perdão e da Banda DK, produzindo eventos que atraem grande público no carnaval de rua da cidade. É idealizador e diretor artístico do Grupo Temático Pedagógico Ponto Z (Z de Zumbi), criado com o objetivo de proporcionar uma releitura na história do Brasil, apresentando em diferentes palcos o espetáculo educativo “Contando a verdade, cantando a história”. É também um dos coordenadores do Movimento Quilombista Contemporâneo, dando continuidade à ideia implantada por Abdias do Nascimento, com inspiração na “República de Palmares”, de colocar negros e negras em espaço de poder, que propõe uma governança afrocentrada.

    Vera Lopes é atriz gaúcha, com atuação em teatro, cinema, recital poético-musicais, com mais de 30 anos de experiência. Vive em Salvador/BA e tem como foco atuar com expressões artísticas baseadas na cultura negra. No cinema gaúcho teve sua estreia no premiado curta ‘O Dia em que Dorival encarou a Guarda’, em 1986, dirigido por Jorge Furtado e José Pedro Goulart. Participou dos longas, igualmente premiados, ‘Neto Perde sua Alma’, de Beto Souza e Tabajara Ruas/1998, e ‘Neto e o Domador de Cavalos’, de Tabajara Ruas/2005. Foi protagonista no curta ‘Antes que Chova’, direção de Daniel Marvel/2009, e participou ainda de ‘Tolerância’, de Carlos Gerbase/2000; ‘Da Colônia Africana a Cidade Negra’, de Paulo Ricardo de Moraes; ‘Brasil um Eterno Quilombo’, de Julio Ferreira/2006. No teatro, atuou nos espetáculos ‘Hamlet Sincrético’ e ‘Transegun’, do Grupo Caixa-Preta, ambos dirigidos por Jessé Oliveira, entre outros.

    Seli Maurício – Artista plástica e bonequeira, nascida em Morro Redondo, vive em Pelotas há mais de cinquenta anos. Uma de suas maiores e mais reconhecidas obras é a Via Sacra da Igreja da Luz feita em 1977, na técnica entalhe em madeira. Pioneira no teatro de bonecos profissional em Pelotas. Fundadora do grupo Trio Pilha de teatro de bonecos, o primeiro a participar do Festival Internacional de Teatro de Bonecos de Canela. Em 1991, criou o espaço Praça da Paz, que conta com o trabalho paisagístico da artista na praia do Laranjal e recentemente deu luz a uma nova série de desenhos, com o tema Mulheres Guerreiras / Luzes da África. Atua entre o erudito e o popular e entre o sagrado e o profano.

    José Carlos Peixoto, Zézão ou Zé da Terreira, nasceu em Rio Grande, em 1945. É cantor, ator e personalidade do meio cultural de Porto Alegre. Em 1969, estudou no Departamento de Arte Dramática da UFRGS. Foi para o Rio de Janeiro em 1970, conviveu com o grupo Tá na Rua. Participou como cantor no Festival Universitário de Música Brasileira. Em 1984, de volta a Porto Alegre, trabalhou no Ói Nóis Aqui Traveiz e no grupo teatral Oficina Perna de Pau.

    A fotógrafa e historiadora Irene Santos se dedica à preservação da memória da comunidade negra em Porto Alegre. É autora dos livros “Negro em Preto e Branco: história fotográfica da população negra de Porto Alegre (Fumproarte, 2005/ Prêmio Açorianos de Literatura – categoria Especial) ” e “Colonos e Quilombolas: memória fotográfica das colônias africanas de Porto Alegre” (Fumproarte, 2010). Como fotógrafa de artistas da cidade, tornou-se conhecida no meio artístico, o que a levou à realização de várias exposições individuais de fotografia em lugares prestigiados como o MARGS, a Galeria do Theatro São Pedro e a Casa de Cultura Mario Quintana.

    Sobre o projeto:

    O projeto ARTE COMO CIÊNCIA apresenta entrevistas com artistas que desenvolvem um olhar reflexivo e científico sobre a relação entre seu fazer artístico e a sociedade. A intenção é dialogar sobre o papel crucial e específico que as distintas criações artísticas desempenham na permanente formação pessoal e social, em cooperação, mas não em subordinação, com outros campos do saber.
    Em 2020, foram realizados quatro episódios – a apresentação do projeto, contando com profissionais de distintos países, além das entrevistas inéditas com os brasileiros Jessé Oliveira e Richard Serraria, e a estadunidense Kathy Perkins. Já em 2021, o projeto realizou, em conjunto com CBTIJ/ASSITEJ Brasil, o debate virtual “Arte para Crianças e Jovens”, com a presença de Clarissa Malheiros (México), Idris Goodwin (Estados Unidos), Jerry Adesewo (Nigéria), María Inés Falconi (Argentina), Imran Khan (Índia) e Yuck Miranda (Moçambique), e mediação de Viviane Juguero (Brasil/Noruega). Em fevereiro, foi realizada entrevista com o pesquisador cubano Luval Garcia Leyva.

    Detalhamentos da proposta podem ser conferidos no site artecomociencia.com.

    Equipe do Arte Como Ciência:

    Idealização, coordenação pedagógica e mediação dos encontros: Viviane Juguero (University of Stavanger)

    Idealização e coordenação técnica: Daniela Israel (FEEVALE)

    Coordenação de tradução solidária e assuntos da infância: Cleiton Echeveste

    Tradução para o espanhol: Paula Cabrera (UFSM)

    Tradução para o inglês: Celso Júnior (UFRB)

    Produção: Bando de Brincantes

    Produção audiovisual: Bactéria Filmes

    Ficha técnica do Arte como Ciência: Raízes

    Idealização do projeto e coordenação pedagógica: Viviane Juguero

    Coordenação técnica: Daniela Israel

    Produção institucional: Éder Rosa
    Direção: Daniela Israel e Viviane Juguero

    Artistas em foco: Vera Lopes, Waldemar Pernambuco, Seli Maurício, Zé da Terreira, e Irene Santos

    Roteiros: Viviane Juguero, Jorge Rein e Juh Balhego

    Arte conceitual: Éder Rosa

    Supervisão de Pós-produção: Pedro L. Marques

    Edição: Filipe Barros

    Finalização: Forno FX

    Direção de Arte Gráfica: Ana Moura

    Assistência de Produção: Litiely Tavares e Gian Coelho

    Direção de produção: Freddy Paz

    Comunicação e Redes Sociais: Ana Luísa Moura

  • Fogo, Cerrado – o eterno redevir do Brasil

    Fogo, Cerrado – o eterno redevir do Brasil

    Ana Cristina Braga Martes

    Fogo, Cerrado, de Marcos Wilson Spyer Rezende, ilustrado por Bruno Liberati e editado pela Geração Editorial, foi publicado silenciosamente no final do ano passado, 2020.

    O livro marca a estreia do autor, mas começou a ser escrito em 1962.

    O mais importante a ser dito sobre ele, é que Fogo, Cerrado inova sem a pretensão de inovar, e inova justamente naquilo que há de mais crucial na literatura: a linguagem.

    Com o propósito de construir uma linguagem regionalmente enraizada, Rezende não segue os cânones da língua portuguesa e transgride com muita coragem. O autor deu a si mesmo a liberdade de inventar uma linguagem própria, do Cerrado, que mescla vários sotaques do Brasil.

    A princípio, levando-se em conta o cenário rural e os personagens, é possível supor que o livro traz de volta um tom regionalista, ou uma temática regional. É certo que os personagens de Fogo, Cerrado são bem conhecidos na história do Brasil: o coronel e seus capangas, a curandeira que desafia a medicina e o doutor da cidade, o abusador de meninas que repete as tristes e revoltantes cenas com mulheres negras escravizadas.

    Tudo isso é quase lá, já vi essa história, mas não é.

    O contexto é dos anos sessenta, época da construção da estrada Rio-Brasília, que irá retalhar a geografia, a história do país e a vida dos moradores do Cerrado.

    Mas, ainda predomina o coronelismo na região e o Cerrado começa a ser ocupado por militares obcecados pela infiltração comunista no país. Isso é importante porque, tanto o Cerrado quanto as transformações que ele começa a sofrer a partir dessa década, raramente aparecem na literatura brasileira, e nunca com uma linguagem regionalmente enraizada.

    Tomando um dos livros clássicos de interpretação do Brasil, Coronelismo, enxada e voto, de Vitor Nunes Leal, “o coronelismo é, sobretudo um compromisso, uma troca de proveitos entre o poder público, progressivamente fortalecido, e a decadente influência social dos chefes locais, notadamente dos senhores de terra.

    Desse fenômeno, enraizado no passado colonial, resultam: o mandonismo (perseguição aos adversários), a fraude eleitoral e a desorganização dos serviços públicos locais entre outros (pág. 20).

    Contexto

    A região do Cerrado se vê ameaçada com a construção da nova capital do país, o movimento da marcha para o oeste, e a construção da estrada Rio-Brasília, ligando o velho ao novo distrito federal, que desestabiliza o domínio já decadente do Coronel:  Coronel, João Candido, filhos dele, povo da roça, sertanejo e meeiro, posseiro, vaqueiro, e jagunço, tinham que morrer se preciso fosse para cortar o caminho dos povos que vinham do Norte, do Sul, e do Mar-Litoral que nem gafanhotos.

    Comendo a comida deles. Ocupando suas terras. Fincar pé era ordem que corria de boca em boca. Opção de futuro seria a de comer lavagem. Comida de porco com resto de tudo pra ser jogado fora. Era o que ia sobrar para gentes do Cerrado. Se sobrasse. (pág. 41)

    Apesar da instabilidade e da decadência serem decorrentes da estrutura de produção da latifundiária, o coronel e seu clã entendem que as ameaças são pessoais.

    O lugar central ocupado pela pessoa –  enquanto uma categoria relacional –  contrasta com o indivíduo, e também com qualquer sentido de coletividade e associativismo.

    Contra  as “pessoas de fora”, invasores acampados em terra que já tem dono, o coronel incitará seus empregados a matar.

    A atmosfera do livro é marcada pela violência e pelo extermínio dos comunistas: “Coronel sabia por saber é que suas terras estavam ocupadas. Cada dia mais. Comunistas” num universo simbólico e politico imutável e autorreferente: O acampamento começava depois da cerca da rodovia, dentro mesmo da fazenda Santo Antônio. Dele!

    Como é que pode? Sem Companhia para pagar certinho, todo final de mês, iam de querer ser coronéis. Têm de ser expulsos. E vão ser. Amanhã de manhã começa a guerra (pág. 51) é nesse contexto, onde o Coronel é quem manda, paga, sustenta, e tem poder de polícia, que os jagunços, tão ameaçados quanto o Coronel, vão à caça aos comunistas.

    Inicialmente o coronel pede a Antônio Candido que mate Zeferino comunista, mas a execução anunciada desde o início, será realizada apenas no final do livro por um menino, adolescente, filho biológico do coronel, que nasceu para ser jagunço e para isso treinou desde criança com os bichos.

    O enredo segue a trilha da caça aos comunistas do início ao fim. É isso que justifica a não linearidade temporal da narrativa, assim como a submissão da cronologia dos acontecimentos ao tempo da guerra, da guerrilha.

    Por isso os fatos vão e voltam, por meio de personagens que antecipam o futuro obcessivamente, pois o tempo tem a urgência de quem vai matar ou morrer. O tempo que conta não é cronológico mas sim o tempo subjetivo dos personagens, em permanente estado de urgência, de guerra.

    Inovação na linguagem

    Cerrado não é sertão, e a dicção do narrador remete diretamente à linguagem do Cerrado.

    Chama atenção as frases muito curtas, às vezes de uma só palavra, ou duas, como se as frases fossem pronunciadas em soquinhos, um modo de falar típico de quem mora nas roças da região. Rezende faz emergir os roceiros com sua voz própria, suas expressões e lógica semântica.

    Mas, se por um lado, a pontuação e as frases curtas reproduzem uma melodia em soquinhos, por outro lado, as elipses e os saltos da narrativa parecem seguir o fluxo de um rio, certamente o São Francisco.

    Se o leitor embarcar, é levado pela correnteza: “Fechou porteira. Fechou colchete. Tirou leite. Vacinou boi no tronco. Marcou garrote bravo. Tingiu berne de azul. Apartou vaca parida (…) tudo no muque. Muque de carregar sete baldes de sal grosso para encher os cochos. Eram três. Dos grandes (…) Cheiro bom de bosta seca de vaca. Cama verde. Macia. Convidadeira. Sábado nos Gerais. Véspera de morte (pág. 25)

    O texto é polifônico, não há um protagonista único, mas vários personagens centrais e traz uma escrita evocativa que embaralha propositalmente o enredo e que no final chega muito próxima do delírio, deixando clara a preponderância da linguagem sobre a trama.

    A voz do narrador é a mesma dos personagens: uma pessoa da região, bem enraizada, com uma dicção que remete ao nordeste e ao estado de Minas Gerais, e que tem ecos da fala de Brasília, cidade de gente vinda de todos cantos do Brasil.

    E o autor, muito à vontade com o discurso indireto livre, faz com que o fluxo narrativo suba em labaredas, como o fogo no Cerrado. Digno de nota são os diálogos, imbricados na voz do narrador.

    A história corre e os personagens centrais vão se alternando. É com o foco em João Cândido que o livro se inicia.

    Vaqueiro, 47 anos, casado para procriar, mas não para amar com o corpo a mulher com quem se casou. Ele (assim como outros personagens no decorrer do livro) filosofa a partir da natureza e da vida dura no Cerrado, a luta diária pelo domínio da natureza, dos animais e dos homens.

    A linguagem abarca reflexões partindo de um território bem demarcado para então avançar e adquirir uma abrangência universal, um discurso sobre a natureza humana, com os animais e a terra servindo de justificativa e reflexão: “Bicho homem, vez que outra sempre, treta. Finge não saber. Bicho é fabricado de pura esperteza.

    Na hora de ataque de gavião, bando maior de passarinhos deixava um de guarda. Para dar aviso. E ser comido. Cantava, levantava voo, meio metro se tanto, e gavião dava bote certeiro. Já saia despenando. Problema era quando ninguém mais queria dar aviso. E um qualquer podia ser o prato de gavião. Bando decidia então escolher um outro.

    Como ensinam no catecismo. Cristo morreu para salvar todos nós. Igual pássaro-preto. Bichos, homem e animal, perdem tempo não… Conhece seu lugar, na certeza. Obedece quando é para obedecer. E parte para a luta sem fim”(pág. 19)

    A violência introjetada

    O livro mostra a violência brutal que marca o país de cima a baixo. Tema mais do que relevante, atual e urgente. O pertencimento primordial à família, nas modalidades do compadrio e dos clãs, típica do Brasil colonial, não elimina a violência nem nas relações familiares. A violência fria, que exige o extermínio do inimigo, é também a violência sexual contra mulheres, empregados e filhos: “castigo de pai era por coisa nenhuma. Chicote. Bainha de facão. Colher de madeira… Filho que nasceu no Cerrado, onde deve de ficar para morrer-viver com o Coronel. Pelo Coronel, apanhando para aprender. Melhor forma de (pág. 117)

    Tonho e Zinho, filhos de jagunço, seguindo a tradição, aprenderam cedo a matar e chegaram à adolescência bem treinados: “estavam acostumados com as mortes à morte mandada. Filhos de jagunço já nasciam jagunços. Os dois mais do que nasceram. Aprenderam com muito treinar. Ordem maior e certeira é servir e matar. Oito ou oitenta”(pág. 87). Os dois, Tonho e Zinho, aprenderam tudo o que sabem com os animais, seja lutando com um lagarto para aprender como se deve matar ou para encontrar uma cabrita para ter iniciação da sexual.

    Relações entre homes e mulheres, e especialmente o sexo, estão alicerçadas na interpretação que fazem da natureza com suas leis imutáveis. Sexo é domínio, força, o gozo na vitória de um corpo sobre o outro. A virilidade do homem, do macho, a masculinidade, a valentia são contrabalanceados por códigos de honra estritos e lealdade que não admitem ,por exemplo, que adultos molestem crianças: “Mariinha, moça, 13 anos. Com 11, padrasto que não era padrasto, fez dela mulher. Fié-das-unhas!”(pág. 137)

    Eterno redevir

    “Mãe tirava filosofia de natureza: veja a mata, parece sempre a mesma; é não; todo dia morre  e nasce planta nova. Eterno redevir. Sabia que Coronel estava com a cabeça quente com a história do povo do acampamento (…) variava antes de ir para a fogueira, dar ordem final: matem Severino!” (pág. 143)

    No final do livro, as mortes que acontecem sucessivas e repetidas vezes, ou seja, nos momentos em que são antecipadas por quem mata e por quem morre, dão a sensação de que o narrador foi tomado pelos personagens, pela lógica brutal do extermínio ao antagonista e por uma paranoia enlouquecedora.

    O “redevir” de Fogo, Cerrado não está apenas nos temas, mas também, de novo, na linguagem. Pode ser encontrado, por exemplo, nas referências obras literárias, e aparecem de modo menos sutil nos nomes dos personagens: Madalena (prostituta), Nagib (restaurante do turco), Severino (comunista retirante) que “nem ia ter sete palmos de terra por cima de seu cadáver defunto” (referência direta a João Cabral de Melo Neto).

    Vários temas abordados e que marcaram a década de 1960 estão hoje na ordem do dia no Brasil. Além da violência, a velha obsessão pela ameaça comunista, que começou na década de 1920, se intensificou nos anos sessenta e que agora retorna, não mais pelas mão do coronel, mas do capitão, mostrando a complexidade do país e da intolerância ao oponente.

    Em 1975, Victor Nunes Leal dizia não ser possível compreender o fenômeno do coronelismo no Brasil sem referência à estrutura agrária, que dá sustentação  à interferência do poder privado na esfera pública, poder este ainda visível no interior do Brasil à época. Quase cinquenta anos se passaram e a mesma frase pode ser repetida: ainda hoje tão visível no Brasil. Mas, tal como sublinha Barbosa Lima Sobrinho, no prefácio deste mesmo livro clássico de Nunes Leal o coronelismo, como fenômeno social, se transforma constantemente, e cita os meios de comunicação e a urbanização como fatores que impactaram o na década de setenta.

    Atualmente, pode-se acrescentar a tecnologia e os meios de comunicação. Mas o fato é que, segundo Lima Sobrinho, o coronelismo persiste, amparado na desigualdade da distribuição de renda e na ausência de garantias legais que mantém o coronel como intermediador de “diretos”. Isso também não mudou e parece que não apenas os personagens de Fogo, Cerrado, mas o país inteiro continua girando em círculos, num  constante redevir.

    Ana Cristina Braga Martes, mineira de Varginha,  é socióloga, foi professor da Fundação Getúlio Vargas, graduada em Ciência Sociais pela UNESP, mestrado e doutorado pela Universidade de São Carlos (SP), pós-graduação no Massachusetts Institute of Technology (MIT), pesquisado da Universidade de Boston (EEUU) e pós-doutorado no King’s College, Londres.

  • Mil peças de coleção particular enriquecem acervo do Museu Farroupilha
    Álbum de figurinhas do Centenário da Revolução Farroupilha, lançado em 1945 – Foto: Solange Brum/Ascom Sedac

    Mil peças de coleção particular enriquecem acervo do Museu Farroupilha

    O acervo do Museu Histórico Farroupilha, em Piratini, será enriquecido com um conjunto de quase mil peças  reunidas  por Volnir  Junior dos Santos, colecionador conhecido como TcheVoni.

    Gaúcho residente em Natal, capital do Rio Grande do Norte, TcheVoni dedicou 20 anos  reunindo material referente à Revolução Farroupilha –  livros, documentos, moedas e armas, como espadas e balas de canhão.

    Em 2019,  ele procurou o MHF para manifestar o desejo de doar as peças à instituição. Em outubro daquele ano, a secretária da Cultura, Beatriz Araujo, e a diretora do museu, Francieli Domingues, viajaram a Natal para tornar esse desejo uma realidade.

    A coleção, acondicionada em 30 caixas,  será transportada com uma escolta da Brigada Militar, de Porto Alegre até a cidade de Piratini, onde fica o museu a 350  km  da captal.

    O acervo está em posse da Sedac desde dezembro de 2019, quando foi transportado de Natal para o Rio Grande do Sul.

    Na capital gaúcha, as peças foram recebidas por técnicos do Departamento de Memória e Patrimônio da Sedac, que trabalharam na catalogação.

    “Numeramos e criamos fichas de cadastro com fotos para cada uma das peças. Depois, fizemos o devido acondicionamento para o novo transporte”, explica o assessor especial de Memória e Patrimônio da Secretaria da Cultura, Eduardo Hahn.

    “Temos certeza que o acervo está no lugar certo, e o Museu Farroupilha vai poder contar, com detalhes e profundidade, a história da Revolução Farroupilha”, analisa Beatriz Araujo.

    Melhorias no museu

    Enquanto o processo de catalogação acontecia, o Museu Histórico Farroupilha preparava sua estrutura para receber a coleção.

    As melhorias contemplaram o mobiliário, a parte elétrica, o sistema de iluminação e a reserva técnica do museu, que agora conta com mais duas salas para acondicionar o acervo.

    “A chegada da coleção permitirá que a direção e a equipe técnica aprofundem a pesquisa histórica das peças, bem como a construção da nova exposição, que está prevista para inaugurar em setembro”, anuncia a diretora do Museu Histórico Farroupilha, Francieli Domingues.

     

  • Projeto Arte Contemporânea. RS lança catálogos com 1.843 obras de  928 artistas
    Nuno Ramos-_Sem titulo. Foto: Divulgação

    Projeto Arte Contemporânea. RS lança catálogos com 1.843 obras de 928 artistas

    Um projeto fundamental e de grande importância histórica desponta no horizonte da cultura do RS. Nesses tempos tão obscuros para o segmento cultural do país, o Arte Contemporânea.RSilumina o acervo do MACRS – Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul com o lançamento de um catálogo virtual e imprenso de suas obras. O lançamento do catálogo e a exposição serão simultâneos, dia 29 de abril, de forma presencial e/ou virtual, conforme o protocolo de restrições estabelecido pelas autoridades locais mediante o cenário de pandemia vigente.

    O trabalho minucioso de uma equipe coordenada pela gestora cultural Vera Pellin e orientada pela pesquisadora e curadora do projeto Maria Amélia Bulhões, catalogou 1.843 obras de 928 artistas. Em edição trilíngue (português, espanhol e inglês), o catálogo terá versão digital hospedada em site específico do projeto (www.acervomacrs.com), e será disponibilizado em todas as redes sociais do MACRS e da SEDAC.

    Pasquetti. Foto: Divulgação

    Já a versão impressa, composta por 304 páginas, terá tiragem 1.200 exemplares e será distribuída entre instituições de artes visuais e a Associação dos Amigos do MACRS – AAMACRS. O projeto prevê ainda uma grande exposição com curadoria de Maria Amélia Bulhões no MACRS: galerias Xico Stockinger Sotero Cosme, e espaço Vasco Prado, no 6º andar da CCMQ. Serão apresentadas na mostra mais de sessenta obras em diferentes suportes, marcando a diversidade e representatividade desse acervo.

    Papel Social

    “A sociedade se organiza em torno da arte e da cultura, este bem material e imaterial a que todo cidadão tem o direito e necessita usufruir. A arte torna a sociedade mais humana e viva. Os artistas, através de suas vivências sensíveis e estéticas, cumprem o seu papel social. Esta foi a principal motivação para organizarmos o projeto ‘Arte Contemporânea.RS’, através da Digrapho Produções Culturais em conjunto com uma equipe de excelência, por intermédio do Edital de Concurso – Produções Culturais e Artísticas, promovido pela SEDAC, por intermédio da Lei Aldir Blanc. Neste momento de tantas restrições, é muito gratificante editar o primeiro Catálogo Geral do Acervo do MACRS, impresso e digital, e disponibilizar para a sociedade este importante documento da história da arte contemporânea”, afirma Vera Pellin, organizadora e coordenadora do projeto.

    Sandro Ka- Venus. Foto : Divulgação

    Muito além de entregar ao público este patrimônio das artes visuais que habitam o MACRS, esta iniciativa proporcionará o crescimento e o desenvolvimento do setor, agregando legitimidade e valor às obras dos artistas em relação ao campo da arte e possibilitando que sejam conhecidos com profundidade, tanto pela sociedade, como por pesquisadores, galeristas e colecionadores “Considero este projeto muito importante para as artes visuais no RS e no Brasil e me sinto super feliz por fazer parte dele. Foi um grande desafio realizá-lo no prazo exíguo que tivemos, mas tenho certeza que o resultado compensará. Nossa equipe de trabalho foi muito dedicada e eficiente, foi bonito ver como mergulharam e se envolveram no projeto. Dar visibilidade a sua coleção é uma das mais importantes tarefas de um museu de arte. Poder me debruçar sobre este acervo para compreendê-lo e valorizá-lo é uma travessia plena de emoção”, afirma Maria Amélia Bulhões, pesquisadora e curador responsável pela catalogação.

    Walmor Correa. Foto: Divulgação

    A importância dessa publicação para as artes visuais é imensa. Por meio dela será possível ampliar estudos sobre a produção artística contemporânea no RS, mediante o fomento de novas pesquisas acadêmicas e escolares, dissertações e teses, curadorias e exposições, bem como estimular a política de empréstimo de obras para outras instituições no RS, no país e no exterior. “O catálogo geral de obras é resultado de um projeto cultural tão corajoso quanto responsável, que lançou um olhar de lupa sobre o Museu, colocando em evidência a totalidade das obras do seu acervo e tornando esse patrimônio artístico acessível, de modo permanente, em toda sua amplitude, por meio impresso e digital”, afirma André Venzon, diretor do MACRS. “As publicações desse trabalho de catalogação e pesquisa, além de essenciais para todos que desejam conhecer mais sobre a arte contemporânea brasileira, também são um forte testemunho da consistência do caminho do MACRS, de resgate da importância da trajetória desses artistas, gestores, servidores, estagiários e colaboradores, que construíram a história da instituição, ao longo de três décadas, para as futuras gerações”, complementa.

    Alfredo Nicolaiewsky. Histórias Hércules. Foto: Divulgação

    Próxima etapa

    O processo, realizado em etapas pela equipe – pesquisar, documentar, digitalizar, editar e imprimir – demandou grande dedicação e aprendizado. A próxima etapa envolve expor e apresentar em diferentes mídias este acervo de arte contemporânea que vem se constituindo ao longo dos anos e que expressa diferentes visões poéticas, sentimentos e opiniões a respeito do nosso tempo. A partir do olhar desta geração de artistas se manifesta a história da arte contemporânea no Rio Grande do Sul, sendo o MACRS o principal Museu do RS focado nas atividades de preservação e conservação desta memória para as gerações futuras. Todo esse processo de produção e catalogação das obras será apresentado em duas lives com a participação de toda a equipe envolvida. As lives serão divulgadas nas redes do projeto oportunamente.

    O ARTE CONTEMPORÂNEA.RS celebra essa conquista, possível por meio da Lei Aldir Blanc, e antecede as comemorações dos 30 anos do MACRS e os novos tempos que virão na nova sede do Museu no 4ª Distrito.

    Itaú Cultural – Instalação: Ocupação de Regina Silveira
    Foto: Rubens Chiri/Perspectiva

    Projeto Arte Contemporânea.RS – equipe

    Produção/ Digrapho: Carla Pellin D’ávila. Organização e Coordenação Geral: Vera Pellin. Pesquisa e Curadoria da Exposição :Maria Amélia Bulhões

    Bolsistas – Auxiliares de Pesquisa e Catalogação

    Caroline Ferreira, Luiz Felipe Schulte Quevedo, Nina Sanmatin, Malena Mendes, Mirele Pacheco, Kailã Isaias

    Com o apoio da equipe de estagiárias de museologia do MACRS: Bárbara Hoch, Catarina Petter e Gabriela Mattia

    Fotografia: Viva Foto – Fabio Del Re / Carlos Stein

    Web Site: Laura Sander Klein

    Design Catalogo
    Janice Alves E Ângela Fayet

    Expografia da Exposição

    Carla Pellin D’ávila

    ARTE CONTEMPORÂNEA.RS

    Abertura dia 29 de abril de 2021

    Lançamento do catálogo impresso e digital e exposição presencial nas galerias do MACRS: Xico Stockinger, Sotero Cosme e Espaços Vasco Prado

    No 6º andar da Casa de Cultura Mario Quintana – Rua dos Andradas, 736, Centro Histórico, Porto Alegre/RS

    Visitação até 04 de julho de 2021, de segunda a sexta, das 10h às 18h, mediante agendamento por e-mail: visitaccmq@gmail.com

    Este projeto tem o financiamento da Secretaria de Estado da Cultura do RS, Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo do Governo Federal # LEI ALDIR BLANC – edital 09/2020 da SEDAC RS para ser realizado com recursos da Lei n. 14.017/2020

  • A vez de Marietti Fialho no Mistura Fina, cantando clássicos e composições autorais
    Com 30 anos de carreira, artista já recebeu um Açorianos de Música como melhor intérprete pop rock. Foto: Bruno Gomes/ d Divulgação

    A vez de Marietti Fialho no Mistura Fina, cantando clássicos e composições autorais

    Com 30 anos de carreira e um Prêmio Açorianos de Música como melhor intérprete pop rock em 2000, Marietti Fialho chega ao palco do Projeto Mistura Fina em nova fase. Na apresentação programada para o dia 22 de abril, a artista mostra o seu lado compositora, além do já conhecido talento na forma como interpreta as canções.

    Na companhia luxuosa de Cláudio Costa (violão e voz) e Marcio Bandeira (bateria), o show traz releituras de clássicos da MPB, passando pelo samba, pop, groovereggae e bossa nova. Bananeira, de Gilberto Gil e João Donato, Oceano, de Djavan, e Sampa, de Caetano Veloso, são algumas das canções que integram o repertório. O trio apresenta também a música Vem cá, composição de Marietti em parceria com Cláudio Costa, e Guria e Adupé, ambas escritas pela artista.

    Marietti já transitou por vários palcos, da capital Porto Alegre ao interior do Estado. Também mostrou todo o seu talento no Rio de Janeiro, São Paulo, França, Uruguai e Argentina, levando sempre na bagagem suas vivências e influências, aliadas à sua forma única de interpretação. Coleciona participações especiais em álbuns de diversos artistas, como Da Guedes, Partido de Primeira, Baladas do Bom Fim, entre outros.

    Sobre o Mistura Fina

    Com realização do Theatro São Pedro, correalização e produção da Primeira Fila Produções, assessoria de imprensa de Silvia Abreu, apoio da Ovni Acessibilidade Universal, financiamento do Pró-Cultura RS e patrocínio da Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás), o Mistura Fina chega a sua terceira edição, exibindo a pluralidade da produção musical que se destaca no cenário nacional. Iniciado em 2018, o projeto abrigou grandes expressões da música, em shows temperados com arte e alta performance artística que se exibiram no Foyer Nobre do Theatro São Pedro.

    Desde abril de 2020, a iniciativa se reinventa e segue em formato virtual pelas redes sociais do projeto. O Mistura Fina conta, desde a primeira edição, com serviço de mediação audiodescrita realizada pela Ovni Acessibilidade Universal.

    Serviço:

    Marietti Fialho, com Cláudio Costa e Marcio Bandeira, no MISTURA FINA

    Dia 22 de abril de 2021, quinta-feira, a partir das 18h30min

    Facebook: https://www.facebook.com/misturafinamusica

    Gênero: Livre | Classificação etária: Livre