Governo oferece 200 reais aos informais e sugere corte nos salários

O mundo está em estado de guerra contra um inimigo invisível, a economia praticamente parada, cada vez mais países com as fronteiras fechadas e pessoas confinadas em suas casas.  A pandemia do novo coronavírus poderá resultar em até 25 milhões de novos desempregados no mundo, prejuízos incalculáveis, consumo mínimo, conforme estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT).  A renda dos trabalhadores deve reduzir entre US$ 860 bilhões e US$ 3,4 trilhões até o fim deste ano.

Enquanto isso, no Brasil do liberalismo anacrônico do século passado, da precarização do trabalho, crise econômica instalada há cinco anos, desemprego avassalador e informais deixados à própria sorte, medidas tímidas adotadas pelo Governo Bolsonaro podem resultar num impacto devastador no curto prazo. Já existe o cálculo que em menos de um mês comece a faltar comida nas casas das famílias que vivem da mão para boca.

Neste cenário, o presidente da República Jair Bolsonaro falou em histeria por parte da mídia brasileira, durante a coletiva de imprensa na tarde de quarta-feira, 18.  O ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou na mesma coletiva que para fazer frente aos impactos do coronavírus, os trabalhadores informais receberão uma ajuda do governo de R$ 200 por mês. “São duas cestas básicas”, completou.

A medida é correta, mas o valor reflete muito bem como a desigualdade é vista de forma natural pela elite brasileira. O ministro recebe dos cofres públicos R$ 7.733 por mês só de auxílio-moradia e passagens para ir de Brasília ao Rio, onde mora, além do salário de R$ 30,9 mil, conforme informação da Folha de São Paulo. Ele está tranquilo.

Coletivamente, os países membros da zona do euro ofereceram, até agora, um trilhão de euros em garantias nacionais para estimular a atividade econômica e proteger a renda das famílias. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, anunciou a proposta de pacote emergencial para injetar US$ 1 trilhão na economia. O presidente Donald Trump propõe o envio de um cheque de mil dólares para todos os americanos. Os analistas acham que é pouco.

No lugar de injetar mais dinheiro na economia para beneficiar empresas e trabalhadores, o Governo Bolsonaro anuncia corte nos salários. A área econômica divulgou uma série de medidas “antidesemprego”, contemplando entre as possibilidades a redução proporcional de salários e jornada de trabalho.

A Câmara dos Deputados aprovou o reconhecimento de estado de calamidade pública, que autoriza a União a elevar gastos públicos e não cumprir meta fiscal prevista para este ano. Também uma medida correta, mas não mexe no Teto dos Gastos Públicos, que limita o crescimento das despesas do governo brasileiro durante 20 anos, e na chamada “regra de ouro”, que estabelece que o governo só pode emitir títulos da dívida pública para refinanciá-la, favorecendo os bancos.

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