Autor: da Redação

  • O general que gostava de bailes e parelheiros

    O general que gostava de bailes e parelheiros

    O enigma do arroio Seival

    As razões que levaram Antônio de Souza Netto a declarar o Rio Grande do Sul uma república independente do Brasil ainda provocam muita discussão.

    Henrique Wiederspahn diz que “levantar a bandeira da República foi o único meio que os farroupilhas encontraram para dar alento à Revolução, depois de uma seqüência de insucessos”.

    Outros autores consideram o gesto de Netto uma reação à “falta de garantias aos farroupilhas”, depois do episódio de Fanfa, quando não foi cumprido o acordo para rendição e Bento foi mandado para a Fortaleza de Santa Cruz. “Não notaram – diz Moacyr Flores – que a proclamação da República foi antes do combate do Fanfa.”

    A proclamação foi em 11 de setembro de 1836.

    A revolução ia completar um ano. Bento Gonçalves “assediava Porto Alegre com 900 homens”, tentando recuperar a capital que havia sido retomada pelo Império. Desistiu e iniciou a retirada na noite de 18 de setembro.

    Quando tentava atravessar o rio Jacui, ficou cercado na ilha do Fanfa e teve que se entregar, foi preso no dia 4 de outubro.

    “Netto, portanto, proclamou a separação da província no momento em que as armas revolucionárias eram vitoriosas e Bento Gonçalves teve sete dias, tempo mais do que suficiente, para receber um mensageiro.”

    Flores conclui que Bento se deslocou de Porto Alegre para o interior exatamente para unir suas forças com as de Antônio de Souza Netto, “por causa da proclamação da República, longe de seus olhos e ordens”.

    A derrota em Fanfa, neste caso, seria conseqüência e não causa da proclamação. Com isso, fica no ar a pergunta: “por que, então, Netto, amigo íntimo e leal a Bento Gonçalves, deu o golpe republicano, sem consultá‑lo?”

    1409-arroio2Na versão mais aceita, Netto teria relutado, alegando que era Bento quem comandava, mas foi convencido por Joaquim Pedro Soares e Lucas de Oliveira, emissários dos exaltados. “Na correspondência de Antônio de Souza Netto, não encontramos nenhuma referência sobre ideologia ou justificativa de seu ato. Seus ofícios e cartas relatam combates, solicitam armas e munições, pedem armamento, numa impressionante rotina militar”, constata Moacyr Flores.

    Terras e parelheiros

    Antonio de Souza Neto é um produto típico da cultura pastoril rio-grandense. Sua família tem origem no cruzamento de duas correntes da colonização do Rio Grande do Sul, ao tempo em que “a terra indivisa era retaliada em propriedades de léguas de extensão”.

    Da Colônia do Sacramento veio a familia do pai. O coronel Francisco de Souza Soares, seu bisavô, estava entre os que se mudaram para Rio Grande quando Portugal entregou a Colônia aos espanhóis, em troca das Missões, em 1777.

    16-general-netoA família da mãe veio de São Paulo. Descendia de Amador Bueno, “o paulista que não quis ser rei”. Estabeleceram-se em Vacaria, inicialmente. Consta que de lá saíram porque a estância foi atacada por índios. O historiador Paulo Xavier garante que foi apenas questão de negócio: cada hectare vendido em Vacaria permitia comprar dez hectares nas novas fronteiras do extremo sul.

    Certo é que Salvador Bueno da Fonseca transferiu-se com os seus para os novos territórios que se abriam à ocupação portuguesa na região de Piratini. Teve dissabores no início, suas terras foram desapropriadas. Mudou-se, então, para Rio Grande.

    Teotônia, uma de suas filhas seria a mãe do general Neto. Ela casou com José, neto do coronel Francisco de Souza Soares e que, por isso, desde mocinho nas carreiras de cancha reta, era chamado “Neto”. O casal teve onze filhos. Antonio, o último, nascido em maio de 1803, viria a ser o general Antonio de Souza Neto.

    Cresceu numa estância. Morava na “várzea, à margem direita do São Gonçalo. Ia a cavalo até o Passo dos Negros, atravessava o rio numa canoa para ir à escola na Freguesia de São Francisco de Paula, povoação que deu origem à cidade de Pelotas. O historiador Paulo Xavier registra que “Neto viveu na estância paterna até os 25 anos de idade”.

    José Neto, o pai, lutou nas primeiras guerras da Cisplatina. Pediu terras ao imperador como compensação pelos 25 anos de serviços. Seu comandante abonou o pedido. Pouco depois a família transferiu-se a para os campos do Piraí, hoje município de Bagé.

    Desde moço, Antonio Neto, comprava e vendia gado em toda a região, “entrava constantemente em território uruguaio, levando e trazendo tropas”. Figura romântica, cavaleiro habilíssimo, tinha predileção por corridas de cavalo (tinha o melhor plantel de parelheiros da província) e um gosto especial por bailes. “Era boa pinta e um grande partido, disputado pelas moças”, registra Moreira Bento.

    netto-olho1Em duas cartas, que a família ainda guarda, ele fala em bailes e de umas “bordonas” para a guitarra. As cartas são de 1859 , quando ele já tinha 56 anos.

    “Bento Gonçalves e Antonio Neto tiveram renome como dançarinos exímios. Neto galanteador de estirpe não perdia festas. E de Bento Gonçalves murmuram as críticas que ele banalizava as funções de presidente enquanto bailarico ou arrasta-pé se apresentasse”, diz Lindolfo Collor.

    Neto, ao que consta, superava Bento num quesito decisivo para um lidador pampeano – o cavalo. “Bento Gonçalves…perfeito centauro, manejando o cavalo como só o vi fazer o general Neto, modelo consumado de cavaleiro”, diz Garibaldi em suas memórias.

    Sarmiento sustentou que o pastoreio no pampa garantia as mesmas condições dos cidadãos livres de Esparta ou Roma. O gado fazia o papel do escravo, sustentando a vida material, deixando tempo aos proprietários se dedicarem à política ou à guerra, o que frequentemente era a mesma coisa.

    A campanha dividia-se em comandâncias militares, de que faziam parte todos os habitantes. As milícias eram tropas ocasionais, “surgindo ou dispersando-se com a mobilidade indispensável à guerra no pampa”.

    Ter propriedade rural, charqueada ou comércio e se dispor a fardar e armar uma milícia – eram as condições para ser um oficial da Guarda Nacional.

    Aos 25 anos, Neto era capitão de milícias, no comando de uma guarda da fronteira na região de Bagé. Quando o Brasil ocupou o Uruguai, na Guerra Cisplatina, ele foi chefe militar em Melo.

    Era coronel, como Bento Gonçalves, quando iniciou a revolução. Assumiu o comando da 1ª.Divisão, com o posto de general. Meses depois, assumiu o comando geral do “Exército Farroupilha”, quando adoeceu o titular, João Manoel de Lima e Silva.

    Não era “muito estratégico”, conforme Manoel Caldeira, cronista da revolução. Era homem de cavalaria, “senhor da espada, muito alto e apessoado, muito reservado, sério e reflexivo”.

    A maioria dos autores diz que Neto fez a pregação revolucionaria na região da campanha. Um ano antes do 20 de setembro ele já era visto “ao lado do irmão José, engajando gente no movimento”.

    “Aliciando elementos entre a tropa e civis, preparou uma marcha sobre a vila, desde o arroio Piraí”, diz o historiador bageense Tarcísio Taborda. Tomou Bagé praticamente sem resistência.

    No início do século passado, quando enaltecer o caráter republicano e federalista da Revolução Farroupilha tornou-se necessidade política, a figura de Neto foi ressaltada, como “síntese do tipo rio-grandense”.

    Era preciso abrandar a imagem que os brasileiros ainda tinham dos habitantes do Rio Grande do Sul. Silvio Romero, influente intelectual e crítico, dizia que os rio-grandenses eram “almas semi-bárbaras, egressas do regime pastoril”.

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    Casa onde viveu Neto

    Neto provavelmente concentrava as melhores qualidades do “pastor guerreiro e livre” do Rio Grande do Sul. Lindolfo Collor, intelectual e político, avô de Fernando Collor, que participou ativamente desta construção política, o descreve como o “tipo integral de gaúcho, irradiante de simpatia e franqueza, verdadeiro gentil homem rural, que tanto estava à vontade nas refregas das batalhas como nos galanteios dos salões, dançando com o mesmo desempenho dos moços e sabendo como ninguém fazer-se agradável às senhoras”. E completa: “…homem de irradiante simpatia, admirado e estimado”. “Sua presença causava entusiasmo entre os combatentes”, diz Walter Spalding.

    “Vede o vulto de Neto, onde a estesia espontânea de um povo modela atitudes de desempenho e garbo”, exclama Rubens de Barcellos. E prossegue: “Quem mais rio-grandense do que esse Antonio de Souza Neto – grão-senhor campesino, galante e batalhador? Nem Bento, o generalíssimo, guerreiro gentil, se lhe avantaja no liberalismo, na bravura e no fascinante prestígio”. E mais: “Chefe espontâneo, general de nascença, é o homem resumo, representativo dum povo e expoente de uma época”.

    “A gauchada segue Bento Gonçalves, segue Neto porque eles são as únicas energias de comando que conhecem e acatam, contemplando- se neles como resumos”, diz Barcellos.

    Nos últimos anos quando a guerra estava perdida e só se buscava uma saída honrosa, Neto conseguiu se manter acima das intrigas e das disputas internas que dividiram os líderes do movimento.

    Bento Gonçalves matou Onofre Pires num duelo pela honra. Mas ficaram as palavras de Onofre: “Ladrão da fortuna, ladrão da vida, ladrão da honra e ladrão da liberdade”. Ficou também sua fama de general azarado e seu autoritarismo.

    David Canabarro “era taciturno, às vezes ríspido, quase sempre desconfiado – faltava-lhe sem dúvida aquela poderosa irradiação de simpatia tão viva e irresistível em Bento Gonçalves e Neto. Canabarro era um “soldado animoso e rude”, Neto “uma galarda figura de homem, na definição de Othelo Rosa.

    Neto também sofreu uma derrota humilhante. Atacado de surpresa, teve que aproveitar a escuridão para fugir, diz a lenda que nem o poncho conseguiu levar. Mas sobre Canabarro pesa até hoje a suspeita do acordo com Caxias em Porongos, no ataque ultrajante.

    Uma febre maligna

    O general Neto mandou erguer seu próprio mausoléu no cemitério de Bagé, onde queria ser enterrado. Foi construído na Itália e transportado em blocos. Tem duas virgens esculpidas em mármore carrara e uma figura alada ao alto. Seus ossos levaram cem anos para chegar ali.

    Neto morreu no hospital de Corrientes, Argentina. “Vitima de impaludismo contraído na região insalubre do Passo da Pátria”, registra o professor Antonio Rocha Almeida nas “Efemérides”.

    Não é certeza absoluta que tenha sido febre. Há testemunhos de que ele foi ferido em combate. Podem ter sido as duas causas conjugadas. “Há referências a ferimentos, mas dentro da família sempre se falou numa febre”, conforme descendentes da família em Bagé.

    Detalhe da tela "A batalha de Tuythy"
    Detalhe da tela “A batalha de Tuyti”

    “Ele foi ferido em Tuyuti”, segundo testemunho do psicanalista uruguaio Carlos Mendilaharsu, bisneto do general, neto de Maria Antonia, a filha mais velha dele.

    O atestado de óbito não foi encontrado pela família. “Minha avó não sabia mas havia informação que sofreu um ferimento à lança, que infeccionou”, contou Mendilaharsu.

    Tuyuti foi o maior confronte militar já ocorrido na América do Sul – 21.500 homens das forças conjuntas do Brasil, Argentina e Uruguai contra 24 mil das forças paraguaias. Quase mil homens marchavam sob o comando de Neto.

    A Brigada Ligeira, de Neto, era a vanguarda das tropas brasileiras. Mas naquele terreno de banhados e pântanos em território paraguaio, as condições eram ruins para a cavalaria. Os cavalos estavam estropiados e sem alimento. Neto e seus homens ficaram na retaguarda.

    As linhas de frente já davam combate. A cavalaria procurou um pasto para os animais combalidos, num escasso pedaço de campo, junto ao mato. De dentro do mato surgiram os paraguaios de Solano Lopez, de emboscada.

    Neto e seus homens combateram, em retirada, até que chegaram reforços para repelir o ataque. “Acodem vários corpos para conter o inimigos que emergem do mato e os que avançam pelos boqueirões”.

    Em seu minucioso livro sobre a Guerra do Paraguai, o general Tasso Fragoso descreve o ataque. Sessenta e dois oficiais e 657 soldados brasileiros morreram em Tuyuti. Foram feridos 179 oficiais e 2.113 soldados. Mas não menciona Neto entre os feridos.

    No dia seguinte, 25 de maio de 1866, ele completaria 63 anos.

    Os trinta e oito dias, entre Tuyuti e sua morte no hospital de Corrientes, no dia 1 de julho, não tem registro. A mulher e duas filhas que viviam em Montevidéo não puderam ir a Corrientes para o enterro.

    Ele era casado com a uruguaia Maria Medina Escayola. Quando casaram ele já tinha 57 anos, ela andava pelos 40. Filha de uma família de políticos de Paysandu, no Uruguai, era instruída, gostava de literatura e teatro. Tiveram um noivado prolongado e cheio de “rusgas” como atestam as poucas cartas que a família ainda guarda.

    Quando ele morreu, Maria Escayaola e as duas filhas – Maria Antônia, com cinco anos e Teotônia, com um ano incompleto – foram viver em Montevidéo. Teotônia casoau com o coronel Guillaume Gaillard, do Exército francês e foi viver em Nice, onde morreu em 1954.

    Maria Antônia tinha olhos claros, que dizia serem iguais aos do pai. Além dos olhos, herdou dele o gosto por pratos comuns no Rio Grande do Sul –frango ao molho pardo e canja de galinha, por exemplo. Casou-se aos 16 anos com Domingos Mendilaharsu, advogado, bem mais velho.

    Os Mendilaharsu tinham na sala um retrato furado a bala no famoso cerco de Paisandu. Era colorados. Neto lutara ao lado deles em 1865, defendendo Venâncio Flores, contra o ditador uruguaio Aguirre.

    A maioria dos pesquisadores não se interessou muito pelas posses do general. Não eram pequenas, sem dúvida. Ao fim da guerra, quando emigrou para o Uruguai, ele deixou duas estâncias com os irmãos em Bagé. O agrônomo José Otávio Gonçalves, bisneto de um de seus irmãos, não sabe quanta terra eles tinham. Não era pouca. Duas gerações depois ainda era o suficiente para deixar os herdeiros ricos: “Meu avô tinha sete filhos, quando morreu cada um herdou 38 quadras de sesmaria*, diz ele.

    No Uruguai chegou a ter 800 quadras espanholas (mais de 60 mil hectares) em Piedra Sola, Paisandu, Durazno e Florida, segundo Carlos Mendilaharsu. Metade o próprio Neto perdeu em demanda com arrendatários. O restante foi dilapidado pelo genro.

    Apaixonado pela política, o dr. Mendilaharsu consumiu quase todas as terras herdadas por Antônia e a irmã, financiando jornais partidários. Chegou a senador do Uruguai, o que não impediu que a mulher recorresse à Justiça para salvar o que restava de seus bens. “Foi a primeira ação judicial de separação de bens no Uruguai”, diz seu neto Carlos . Quando ela morreu em 1949, o inventário revelou que , das terras do general, restavam menos de 20 mil hectares da estância La Glória, em Piedra Sola, departamento de Tacuarembó.

    Único herdeiro, Carlos Mendilaharsu tratou de vender 17 mil hectares (“por motivos obscuros o governo queria desapropriar”) e dividiu o restante entre os filhos.

    Com a bandeira do Império

    Em novembro de 1865, o Exército brasileiro invadiu o Uruguai mais uma vez.

    Na vanguarda das tropas brasileiras ia Brigada de Voluntários Rio-grandenses, com 1.200 homens sob o comando do general Neto.

    Em março do ano seguinte, menos de um mês depois de assinada a paz com a República Oriental do Uruguai”, Neto já estava engajado na Guerra do Paraguai.

    Em ofício ao ministro da Guerra, o general Osório dá conta das tropas que reunia para marchar contra o Paraguai: “No dia 6 de março, com o acréscimo recebido esse número subiu para 9.957, não incluindo mais ou menos 1.300 praças comandadas pelo general Antonio de Souza Neto, que se achavam na campanha oriental”.

    “A 29 de julho de 1865, ordenou Osório que o general Neto passasse o Rio Uruguai e se lhe junta-se com sua brigada de voluntários riograndenses, com 993 homens grupados em três corpos”, registra Tasso Fragoso.

    O bisneto Carlos Mendilaharsu contou que foi o proprio D. Pedro II quem lhe mandou o estandarte imperial que seu exército de voluntários levava ao lado da bandeira tricolor dos farrapos.

    Em 1930, sua filha Antonia tentou transferir os ossos do general que estava enterrado no cemitério de corrientes, para montevidéo. Fez um pedido ao governo argentino, mas não obteve autorização,

    Adotou, então, uma solução drástica: mandou roubar os restos do cemitério de Corrientes e enterrou-os no jazigo da família no cemitério central de Montevidéo.

    Em 1966, o governo gaúcho obteve autorização da família para transferi-los para Bagé, onde o túmulo vazio aguardava há 100 anos. Duas inscrições no mausoléu anulam o seu passado de dissidente farroupilha. Gravado no mármore, se lê:

    Ele foi um dos quatro comandantes dos Farrapos que assinaram o acordo de paz em Cerros Verdes* (*José Gomes Jardim, presidente da República, David Canabarro, comandante em chefe, Antonio de Souza Neto, chefe do Estado Maior e João Antônio da Silveira, comandante da 2ª.Divisão. A paz foi assinada em 28.02.1845). Mas no último encontro quando os chefes farrapos tomaram a decisão de depor as armas, foi o único que votou pela continuação da guerra. Depois, à frente de um pequeno exército particular (“mais de 300 homens, a maioria escravos libertos), atravessou a fronteira e foi viver no Uruguai, onde tinha grandes extensões de terra.

    Dos chefes farroupilhas é, talvez, o menos conhecido e o mais mitificado. As informações sobre ele estão dispersas em vários livros e são truncadas. Há um manuscrito de Carlos Rheingantz sobre sua família em Bagé, que se extraviou no Museu D. Diogo de Souza. Também o professor Paulo Xavier ampliou a pesquisa sobre a genealogia do general. Está com o trabalho pronto à espera do editor.

    Há divergências sobre a data do seu nascimento, não há certeza sobre a causa da morte e seu gesto mais importante – a proclamação da República Riograndense – ainda não foi devidamente compreendido. Ele era um revolucionário republicano, radical até o separatismo. Ou era apenas um caudilho platino?

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    No local onde Netto fundou a República Rio-grandense, no “Campo dos Menezes”, no atual município de Bagé, foi colocado um marco de concepção positivista: “Neste local, em 11 de setembro de 1836, travou‑se a batalha do Seival e foi proclama-da a república de Piratini.”

    Na verdade, a batalha travou‑se a 200 metros do local e a proclamação foi no dia seguinte e noutro lugar a cinco quilômetros dali. Fora uma batalha sangrenta com mais de 100 mortos de cada lado. Neto colocou a tropa em forma e leu a proclamação.

    A denominação República de Piratini denota a manipulação ideológica.

    Foi usada depreciativamente por um funcionário do Império Araripe, para dar conotação de republiqueta. Mas foi, depois, adotada pelos positivistas gaúchos, por estar de acordo com sua concepção de “pequenas pátrias”.

  • Euclides Torres: “Herói ou vilão, ninguém queria Bento Manoel como inimigo”

    Euclides Torres: “Herói ou vilão, ninguém queria Bento Manoel como inimigo”

    Neste setembro, quando se completam 180 anos da “República Riograndense”, um livro vai trazer à cena um dos personagens mais controvertidos deste período histórico: Bento Manoel Ribeiro.

    Ilustração de Enio Squeff na capa da edição da Martins Livreiro, desenhada por Ronie Prado
    Ilustração de Enio Squeff na capa da edição da Martins Livreiro, desenhada por Ronie Prado

    Nas 320 páginas de O Caudilho Maldito (Martins Livreiro/Editora Edigal), o jornalista Euclides Torres mergulha nas conturbadas águas da história platina para entender o enigma do general, de feitos inegáveis, que o imaginário popular rotulou como trânsfuga, traidor e ladrão.

    Decisivo no início da Revolução, Bento Manoel logo abandonou os farrapos e se tornou no seu mais temível inimigo, autor da prisão de Bento Gonçalves.

    Depois voltou às fileiras farroupilhas para, em seguida, voltar a traí-los.

    Em entrevista a Cleber Dioni Tentardini, Euclides Torres falou sobre o trabalho.

    Por que o Bento Manoel?

    Comecei por curiosidade pessoal e, depois, para saber de suas intervenções na história de Caçapava do Sul, minha cidade. Depois, por desconfiança de que nem tudo do que falavam mal dele seria verdadeiro.

    Ficou com fama de traidor…

    E velhaco, ladrão. E isso me chamou a atenção porque todos os milicianos da época ‘tomavam’ e ganhavam terras e gado. Muitos não perdiam a oportunidade de negociar com o Império, tornavam-se fornecedores das forças armadas, era um comércio garantido pra eles. Defendiam as fronteiras do Sul contra os platinos porque recebiam benesses em terras, onde fixavam gente. Então, em determinados momentos cada um desses estancieiros significava uma coluna com 800 milicianos na fronteira dispostos a lutar. (NE: Ele talvez tenha sido apenas o mais voraz?)

    Mas era bom estrategista…

    Veja a batalha da Ilha do Fanfa, em que ele prende o Bento Gonçalves. Meses depois ele prende o próprio presidente da Província a serviço do Império, o marechal Antero José Ferreira de Brito. Ninguém queria ter Bento Manoel como inimigo.

    Um personagem desconhecido

    Um personagem fascinante. Fala-se muito na conduta dele no Decênio Farroupilha, mas desde 1801 ele participa das guerras. Antes dos 40 anos, já era coronel, comandante de forças do império. Ele ficou conhecido na Corte como o general que vencia sem combater. Em 1822, com 90 soldados, ganhou dos uruguaios, que tinham 300 homens. Blefou. Simulou uma situação fazendo os inimigos crerem que ele estava em número bem maior. Cinco oficiais uruguaios foram enviados presos ao Rio de Janeiro. Ele poupou a vida e libertou os soldados da Banda Oriental com a promessa de que não pegariam mais em armas.

    Ele era paulista, não é?

    Nasceu em Sorocaba, em 1783. É descendente dos povoadores portugueses no Brasil, os Ribeiro de Almeida. Veio para o Rio Grande do Sul com cinco anos, acompanhando seu pai e um irmão mais velho, que eram tropeiros. O destino era Viamão. Viajou em um cesto, em cima de uma mula. Um ano de viagem, uma odisseia. Depois seu pai foi morar em Cachoeira do Sul, onde teve outros filhos. Ele foi morar em uma fazenda em São Sepé, de propriedade do alemão Adolfo Charão.

    Aos 17 anos, alistou-se como soldado no regimento de milícias de Rio Pardo, em Caçapava do Sul. Já como alferes, casou com a filha do estancieiro mais rico do município. Em 1823, chegou a coronel. Como recompensa de suas vitórias sobre os uruguaios, recebeu grandes extensões de terra na região de Alegrete.

    Elegeu-se deputado para a Assembleia Provincial, em 1835, junto com Bento Gonçalves, cinco anos mais moço que ele.

    Era corpulento…

    Era gordo, grande. Tinha fama de dormir em cima do cavalo. Provavelmente deixou uma descendência no Rio Grande do Sul bem maior do que seus sete filhos.

    Era quase analfabeto, mas foi melhorando seu texto ao longo do tempo. Foi dono até de jornal em Porto Alegre, “O Justiceiro”, redigido pelo filho Sebastião Ribeiro, que estudou em São Paulo e praticamente ensinou o pai a escrever.

    Onde ele estava quando os farroupilhas tomaram Porto Alegre, o 20 de setembro?

    Ele não estava aqui, ou melhor, ninguém sabia onde andava, sempre arrumava um pretexto para não participar, mas avisava que estava sempre por chegar. Ou mandava avisar que estava doente.

    Politicamente como ele seria definido?

    Ele declarava apoio aos farroupilhas, mas era um entusiasta do Império. Dirigia-se “a meu amado imperador”. Em 1831, uma carta escrita em Montevidéu ao Império, denunciava que no Uruguai não se falava em outra coisa a não ser na ideia de separar a Província do Rio Grande e que ele, o coronel comandante do regimento de milícias Bento Manoel Ribeiro, era contra essa posição separatista.

    No entanto, aderiu ao movimento… em que momento ele virou a casaca?

    Em 1836 Porto Alegre está sitiada. É bombardeada. Bento Manoel muda de lado e passa a apoiar os imperiais. O presidente da Província, José de Araújo Ribeiro, o nomeia comandante da armas. Vai ficar até março de 1837.

    Ele justificava suas mudanças de lado?

    Foi apelidado de “cangalheiro de Curitiba”. Cangalha é onde vinham atrelado os cestos no lombo da mula, onde ele viajou ainda criança com pai. Na realidade, havia uma enciclopédia de insultos: “Duas caras”, “Traidor, “Vira-casacas”, “Cangalheiro”, “Curitibano”. Curitiba era um engano das pessoas porque havia nascido em Sorocaba e nunca negou isso.

    Era um homem do campo…

    Cresceu em uma estância, aprendeu toda lida do campo, conhecia a campanha gaúcha como ninguém.

    (NE: ele se dizia “gaúcho de Sorocaba”, mas o Apolynário diz que o termo gaúcho ainda não era usado naquela época…)

    Havia um corpo de lanceiros negros sob suas ordens?

    Ao contrário de outros comandantes, ele preferia índios guarani em sua coluna aos soldados negros. Ele gostava dos índios, inclusive criava alguns ‘bugrinhos’, como ele se referia às crianças indígenas. Tinha uma bronca do Rosas, que mandava matar os índios só por crueldade, mas ele não era assim. Matava, mas não era cruel. E seus soldados eram muito fiéis a ele.

    Mas tem a famosa batalha do Sarandi, onde ele foi culpado pela maior derrota do exército brasileiro…

    Na guerra pela independência do Uruguai, na Batalha de Sarandi, em 12 de outubro de 1825, ele comandou a maior derrota do Exército brasileiro, perdeu 470 homens e 600 foram aprisionados. Bento Gonçalves e Osório foram os que garantiram a fuga do Bento Manoel,com a gentileza do Rivera. Essa batalha de Sarandi, foi muito comemorada pelos uruguaios, inclusive com grandes bailes em Durazno, Foi nessa grande vitória onde os orientais ganharam ânimo para lutar por sua independência, que iriam conquistar somente três anos depois, em 1828.

    O general uruguaio Rivera ajudou Bento Manoel?

    Sim, Lavalleja mandou Rivera perseguir Bento Manoel mas só fingiu. Eles se perseguiam e se protegiam. Eram amigos, mas também mui amigos. Não dá para entender direito. Os oficiais dos inimigos eram respeitados, inclusive os mais graduados oficias do Império brasileiro presos no Sarandi participaram do famoso baile em Durazno, em homenagem a Lavalleja.

    E a vitória?

    Teve a tomada de Caçapava, em 1837, durante a Guerra dos Farrapos, que foi histórica. Os imperiais com 1.200 homens, inclusive os soldados sob seu comando. E, de repente, ele passa para o lado dos Farrapos. Porque o novo presidente da província, marechal Antero manda Bento Manoel passar o comando das Armas para seu oficial imediato. Aí ele intercepta uma carta enviada pelo marechal Antero com a ordem de prendê-lo. O que ele fez? Preparou uma tocaia para prender o marechal antes. Essa passagem é fantástica, em 1837. Ao mesmo tempo em que manda cartas aos superiores em Porto Alegre afirmando que está tudo bem, diz para o general Netto invadir Caçapava. Depois de prender o marechal Antero, Bento Manoel manda carta às forças imperiais em Porto Alegre avisando que o presidente da província estava preso sob ordens do Bento Gonçalves, que também estava preso. Portanto, o que acontecer com o Bento Gonçalves, acontece com o marechal Antero. Mandou que soltassem o general uruguaio Rivera, que estava em prisão domiciliar em Porto Alegre. E, mais tarde, depois que o Bento Gonçalves fugiu da Bahia, trocou a liberdade do marechal Antero por um oficial farrapo.

    Bento Manuel Ribeiro
    Bento Manuel Ribeiro

    Há poucas referências na literatura sobre Bento Manoel?

    Não, há muita. Mas também informações muito obscuras. Não se sabe o dia nem o mês em que nasceu, só o ano. Mais obscuros que os negócios dele com Rivera então, que financiou Bento Manoel para comprar o Cerro do Jarau. Ele passou da criança pobre que chegou só com as roupas do corpo para o chefe de umas das famílias mais ricas do Rio Grande do Sul. Quando morreu aos 73 anos, tinha gado que não dava para contar em mais de 60 mil hectares de campo, em cinco estâncias no entorno do Cerro do Jarau.

    torres-olho3Ele foi decisivo também na tomada de Rio Pardo, outro momento importante da revolução…

    Naquele momento Rio Pardo era a principal praça de guerra. Essa cidade esteve nas mãos dos Farrapos até abril de 1838, quando os imperiais tomaram o controle. Em abril de 1838, os farroupilhas investem novamente. E nessa investida, que ficou conhecida como o combate do Barro Vermelho, o Bento Manoel participa decisivamente. Foi uma grande vitória farroupilha. Na entrada de Rio Pardo os imperiais mandaram tirar as pontes de madeira para ninguém chegar. O resto era mato e água. O Bento mandou fazer uma picada de 800 metros, durante três ou quatro noites, e carregando terra e couros fizeram uma ponte em outro ponto do rio, e um aterro feito pelos corpos de cavalos magros, que mataram por serem fracos. O Netto e os outros oficiais com 1.200 homens tomaram Rio Pardo. Ali foi feita refém a banda imperial, do maestro Medanha, que depois tocou em Caçapava, em alguns bailes comemorativos dos Farrapos, e compôs o hino da República Rio-grandense. Só mais tarde é que o Moringue vai retomar Rio Pardo para os imperiais e libertar a banda sequestrada do Medanha.

    Quem era o maior opositor do Bento Manoel entre os farroupilhas?

    Ninguém confiava nele. Mas todos preferiam estar a seu lado nas batalhas.

    Tem algum duelo histórico envolvendo esse personagem, como ocorreu entre Bento Gonçalves e o seu primo Onofre Pires?

    Não, ele ganhava no grito. E quem foi prendê-lo, ele prendeu antes. E quem foi contratado para matá-lo, ele comprou. O “Dente Seco”, famoso capanga matador de Quaraí, foi contratado por 15 onças de ouro pelos Batistas, de quem Bento Manoel roubou campo e gado. Ao encontrar “Dente Seco” na sua fazenda, ele ofereceu 30 onças para o matador e salvou a vida.

    Em que momento ele virou a casaca de novo?

    Em 1839, ele começa a negociar a sua anistia com o Império. Não cumpre mais ordens dos Farrapos, está sempre ausente ou finge estar doente. Escreve para o Império pedindo anistia para parar de lutar e cuidar unicamente de seus negócios. A anistia chega mas no momento em que estão juntos o Bento Gonçalves, o Netto e outros oficiais. Ele lê e rasga o documento. Mas depois pede uma segunda via e assina. Era um artista. A frase emblemática da vida de Bento Manoel foi proferida pelo seu filho, Sebastião Ribeiro, ao amigo Sá Brito, nas ruas de Alegrete: “Lamento muito a atitude de meu pai passado a segunda vez para os farroupilhas e nem a água do rio Ibirapuitã vai lavar a honra da nossa família.”

    E quando o Caxias chega ao Rio Grande, em 1843, onde está Bento Manoel?

    Tentando ficar com a Presidência da Província e cancelar com a nomeação de Caxias, inclusive espalhando fofocas no Rio de Janeiro. Chegou a dizer que Caxias, com a metade de sua idade, era mais velhaco que ele. Mas não conseguiu. Caxias, sabendo de tudo, ganha a confiança de Bento Manoel só com vaidades, dizendo que não conseguiriam terminar a guerra sem a participação dele e essas coisas. Oferece bondades aos Farrapos, insiste que o inimigo era o Rosas, o que veio a se confirmam anos depois. Teve a ajuda do Bento Manoel para conseguir o acordo de paz que, na realidade, não foi assinado por ambas as partes porque o Império não reconhecia a República Rio-grandense como nação.

    Bento Manoel chegou a lutar contra Rosas

    Foi a última guerra dele. Já velho e doente, em 1851. Caxias chamou para comandar uma divisão das forças imperiais contra os argentinos de Rosas. Quando Caxias precisou se afastar para negociar com Urquiza, nomeia Bento Manuel comandante do Exército brasileiro. Aí, logo depois disso, ele morre.

  • O dia em que o Rio Grande do Sul se separou do Brasil

    O dia em que o Rio Grande do Sul se separou do Brasil

    No dia 11 de setembro, há 180 anos, o general Antonio de Souza Neto declarou o Rio Grande do Sul uma república independente  do Brasil.
    Foi a mais duradoura de todas as tentativas, desde Zumbi dos Palmares, de romper os laços com o império e estabelecer um regime republicano.

    A República Rio-grandense durou oito anos e dois meses (11/09/1836 – 28 fevereiro 1845), mas nunca chegou a ter um poder estável que dominasse todo o território da, então, província.

    Ao contrário, foi um regime itinerante,  assediado, que mudou três vezes a capital em menos de nove anos. Teve bandeira, hino, moeda, mas não conseguiu votar uma constituição.

    Nos últimos anos, batida militarmente, a República Rio-grandense se estiolou numa rede de intrigas a que não faltou sequer um duelo em que o presidente  Bento Gonçalves matou um de seus generais.

    O ato do general Neto, naquele 11 de setembro, radicalizou um movimento iniciado um ano antes com a deposição do governador Fernandes Braga, que contrariava os interesses da economia pastoril – os grandes proprietários de terra e gado e os charqueadores.

    Tristão de Alencar Araripe, funcionário do Império que escreveu a primeira história completa da revolução, em 1881 chamou de República de Piratini, com um sentido pejorativo, de republiqueta.

    Ele afirma que houve apenas uma mudança de nome, império por república, e do imperador pelo presidente, já que as leis e a estrutura administrativa seguiam sendo basicamente as mesmas do Império.

    Disse ainda que foi “um regime militar”, pois o presidente Bento Gonçalves tinha poderes discricionários, nunca houve consultas para eleger seus magistrados, e a constituinte, que daria novas leis ao país, não chegou a ser votada.

    Moacyr Flores | Foto: Cleber Dioni
    Moacyr Flores | Foto: Cleber Dioni

    Moacyr Flores, historiador que fez as mais extensas e recentes pesquisas sobre o tema, é mais enfático: “Os farroupilhas criaram de fato um Estado separado e independente do Brasil, pois tinham bandeira, dinheiro, projeto de constituição, leis e governo próprios. Em seus jornais, as notícias sobre o Brasil apareciam na coluna denominada Exterior e os brasileiros eram considerados como estrangeiros”.

    Este país, porém, não conseguiu ser reconhecido por nenhuma outra nação estrangeira – embora houvesse recebido apoios dos governos uruguaio e argentino, interessados em atrair os rio-grandenses para uma federação platina.

    Quando a guerra terminou, um silêncio de mais de meio século caiu sobre a Republica Rio-grandense e seus personagens. O próprio líder do movimento, Bento Gonçalves morreu esquecido.

    Só quando o movimento republicano ressurgiu em todo o Brasil, a partir de 1880, ela e seus líderes foram reabilitados, agora como heróis para servir à propaganda contra o regime imperial.

    Quando a república foi proclamada em 1889, os rio-grandenses, aí já batizados de farroupilhas ou farrapos, ressurgiram como o exemplo pioneiro de rebeldia.

    Os aspectos polêmicos dessa construção histórica, que os 180 anos não conseguiram apagar, estarão numa série de textos que publicaremos sobre o tema até o dia 20 de setembro, data que em 1835, que foi deflagrada a rebelião, com a tomada de Porto Alegre.

  • Prefeitura restringe informações sobre projeto Cais Mauá

    Prefeitura restringe informações sobre projeto Cais Mauá

    Naira Hofmeister
    Uma notinha sem fonte, na coluna de Tulio Milman, na ZH desta terça, 23, informa que a qualquer momento a prefeitura de Porto Alegre pode dar sinal verde para o início das obras do Cais Mauá.
    A tramitação do Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU), último passo antes da emissão das licenças, está na fase final.
    Há mais de um mês o Jornal JÁ está em contato diário com as pastas responsáveis pelo licenciamento: a Secretaria Municipal de Urbanismo (Smurb) e o Gabinete de Desenvolvimento e Assuntos Especiais (Gades) para atualizar o processo. Não tem obtido sucesso.
    A Smurb argumenta que, embora tenha concluído a sua parte na análise do EVU, não pode se manifestar porque faltam os pareceres de outras áreas do Executivo municipal, como a Secretaria de Meio Ambiente (Smam), o Departamento Municipal de Águas e Esgotos (Dmae) e Empresa Pública de Transportes e Circulação (EPTC).
    Ao Gades, o JÁ solicitou uma entrevista com o secretário Edemar Tutikian, que apenas hoje pediu que fossem enviadas perguntas por e-mail.
    A reportagem tampouco obteve retorno aos sucessivos pedidos para acessar um parecer da Procuradoria Geral do Município (PGM) validando os índices construtivos que caducariam, segundo a legislação, em dezembro de 2012.
    Projeto entra na pauta da Cauge
    Uma reunião nesta tarde, na sede do EdificaPOA, pode acelerar o processo. É o encontro semanal da Comissão de Análise Urbanística e Gerenciamento (Cauge), que poderá colocar o projeto em pauta.
    Desde que entregou o Estudo de Impacto Ambiental, nos últimos dias letivos de 2015, o consórcio Cais Mauá do Brasil aguarda a autorização para o início das obras. Na ocasião, o grupo acreditava poder iniciar os trabalhos na área histórica em março deste ano.
    Mas já na primeira análise do projeto na Smurb, os técnicos apontaram a necessidade de alterações importantes para adequá-lo à ideia original, ampliando o espaço para o transporte coletivo e os pedestres e qualificando a relação das novas construções com o entorno do Centro Histórico e do Quarto Distrito.
    Os arquitetos do empreendimento trabalharam nessas sugestões e já devolveram o projeto à Prefeitura, que agora avalia se pode ou não conceder as licenças ao consórcio. Como o projeto já passou no Conselho do Plano Diretor, essa deve ser a última etapa a ser vencida.
    Empreendedores preveem nova alteração societária
    Ao Governo do Estado, o consórcio Cais Mauá solicitou recentemente informações sobre como proceder para registrar uma nova alteração no controle acionário. Segundo o diretor geral da Secretaria Estadual de Transportes, Vanderlan Frank Carvalho, trata-se apenas de uma consulta preventiva: “Eles não chegaram a pedir a alteração societária, mas sim qual procedimento deve ser adotado quando essa alteração ocorrer”.
    A atual formação do consórcio está sem recursos em caixa – os empreendedores não tem dinheiro sequer para pagar fornecedores, que estão cobrando as dívidas na Justiça. Porém, com a licença para obras em mãos, são aguardados novos investidores e o controle do grupo pode ser modificado novamente.
    Um dos problemas mais graves da descapitalização do consórcio foi a suspensão do pagamento da vigilância da área, que é tombada pelo patrimônio público, o que levou as empresas a interromperem o serviço. O Estado precisou assumir essa responsabilidade, mas segundo Frank essa situação durou menos de um mês. “Notificamos o empreendedor e eles retomaram o controle da área”, assegura.

  • Novo presidente ainda não assumiu a Fundação Zoobotânica

    Novo presidente ainda não assumiu a Fundação Zoobotânica

    Cleber Dioni Tentardini
    Desde que sua nomeação foi publicada no Diário Oficial do Estado, na última sexta-feira, 29, o presidente da Fundação Zoobotânica, Luiz Fernando Branco, ainda não assumiu o cargo. Ou, pelo menos, não se apresentou oficialmente aos funcionários do Jardim Botânico, Parque Zoológico e Museu de Ciências Naturais, as três instituições responsáveis pela promoção e conservação da biodiversidade no Rio Grande do Sul.
    Ele tem circulado desde segunda de forma anônima pelo Jardim Botânico, que abriga a sede administrativa da Fundação. Nesta terça, Branco participou timidamente da abertura da XII Jornada de Iniciação Científica – Meio Ambiente, organizada pela FZB e pela Fepam  – Fundação Estadual de Proteção Ambiental.
    O novo presidente chegou acompanhado da chefe de gabinete da Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Lilian Zenker, que representava a titular da pasta, Ana Pellini. Saudou as cerca de 50 pessoas presentes, entre funcionários da FZB, professores e estudantes universitários, comentou que é de família de produtores rurais, com formação técnica agrícola e engenheiro agrônomo.
    Sem falar diretamente no ambiente pouco animador que pode ter encontrado na Fundação, depois da saída repentina de José Alberto Wenzel, que pegou todos os funcionários de surpresa, inclusive o próprio presidente afastado, Branco disse que deve ter havido um ruído na comunicação porque até então o presidente era interino. “O governo está nomeando agora um presidente efetivo, saindo desta interinidade”, declarou, informando que a porta da presidência estaria sempre aberta para os servidores.
    Wenzel, que é ligado ao PSDB e chegou a ocupar a Casa Civil no governo Yeda, ficou oito meses à frente da Fundação Zoobotânica. Branco é do PMDB, partido do governador Sartori, e já ocupou cargos na Assembleia Legislativa.
    O temor que ronda os servidores da FZB é o Projeto de Lei nº 300, que determina a extinção da Fundação, e segue em tramitação na na Assembleia Legislativa. O PL está há vários meses aguardando parecer do deputado Jorge Pozzobom (PSDB).
    Em nota, servidores elogiaram gestão de Wenzel
    Ainda na sexta-feira, pegos de surpresa com a exoneração de Wenzel, a Associação dos Funcionários da Fundação Zoobotânica publicou uma nota em que lamentou a demissão do presidente e elogiou sua gestão. Confira a íntegra:
    JOSÉ ALBERTO WENZEL, UM PRESIDENTE LOUVÁVEL!
    Em 29 de julho de 2016, o Presidente da Fundação Zoobotânica (FZB), José Alberto Wenzel, foi surpreendido pela sua exoneração noticiada no Diário Oficial. Ao invés de uma nota de repúdio, tecemos aqui uma de louvor àquele que, durante sua curta permanência de oito meses, foi um grande presidente para esta instituição. Coordenou a elaboração e apresentação de um Projeto de Lei de fortalecimento da FZB, alternativo àquele que propõe a sua extinção. Na sua gestão foram reduzidos os gastos e a meta orçamentária do governo foi superada. Promoveu discussões internas relativas ao sistema ambiental integrado, destacando o papel da FZB como instituição de pesquisa e apoio técnico. Firmou convênios com diversas instituições, incluindo a proposta de um curso de pós-graduação com a UERGS. Construiu uma solução conjunta com o corpo técnico de funcionários para o grave problema da Reserva Florestal, junto ao zoológico, propondo uma Unidade de Conservação. Formou um grupo de trabalho para a elaboração de um estudo visando à restauração da floresta ciliar do rio Jacuí. Concedeu o apoio necessário à conclusão de grandes projetos, como o RS Biodiversidade. Sua gestão foi marcada pela verdade, transparência e pelo profundo respeito aos funcionários. Tratava a todos da mesma forma, de jardineiros a diretores. Através da valorização do conhecimento técnico e do trabalho em grupo, devolveu o sentimento de dignidade aos funcionários desta fundação. Poucos fizeram tanto em tão pouco tempo, um presidente louvável. Por fim, continua sendo um grande defensor da FZB e, sobretudo, do meio ambiente. Nossa profunda gratidão pela sua dedicação e exemplo.

  • Wenzel é exonerado após discurso em defesa da Fundação Zoobotânica

    Wenzel é exonerado após discurso em defesa da Fundação Zoobotânica

    Cleber Dioni Tentardini
    O presidente da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, José Alberto Wenzel, deixou o cargo nesta sexta-feira. A exoneração está publicada no Diário Oficial.  Em seu lugar assume Luiz Fernando de Oliveira Branco, ligado ao PMDB.
    Geólogo concursado, Wenzel diz que segunda-feira se reapresenta à Fepam  – Fundação Estadual de Proteção Ambiental. Ele permaneceu à frente da FZB por oito meses e diz que estava contente com os resultados que vinha obtendo até agora à frente da Fundação. Por isso, se diz surpreso com a decisão de substituí-lo.
    “Fui pego de surpresa mesmo, fiquei sabendo da exoneração pelo Diário Oficial. Ainda não sei as razões, mas desconfio que foi por conta do meu discurso na semana passada”, declarou Wenzel, e logo se retirou cabisbaixo.
    Em discurso, presidente criticou projeto de extinção da FZB

    Wenzel estava à frente da fundação há oito meses / Divulgação
    Wenzel estava à frente da fundação há oito meses / Divulgação

    Na última sexta-feira, dia 22 de julho, o secretário discursou no Palácio Piratini na presença do governador José Ivo Sartori, da secretária Ana Pellini, de outros titulares do governo, e de representantes da FZB.
    Wenzel elogiou o plano de ajuste fiscal implementado por Sartori, disse que a Fundação Zoobotânica cortou despesas, redefiniu contratos de terceirizados e estava estudando planos para geração de receita.
    “Em relação a 2014, diminuímos em 62,9% as diárias, estamos usando outro conceito, da suficiência critica. Então, o servidor sai a campo, onde está sendo feita a certificação da carne, por exemplo, e ao invés de cobrar por cinco diárias, utiliza duas, os outros dias fica nas dependências da Fepagro, em escolas. A fundação colabora com este projeto com sustentação científica e ambiental. Outro ponto é que reduzimos entre 20% e 25% as despesas com o cancelamento dos motoristas contratados. Além disso, estamos buscando receita com a adoção de espaços por empresas, a aderência de marcas, que é permitido por lei. Tudo para complementar a nossa receita hoje de R$ 5,6 milhões, que vêm principalmente da bilheteria do Zoológico, do Jardim Botânico e do Museu”, discursou.
    Wenzel ressaltou a importância dos 500 mil registros catalogados, que vão compor o Sistema Integrado de Gestão Ambiental, para facilitar a sustentação científica dos técnicos responsáveis pelos licenciamentos ambientais, e destacou que a Fundação Zoobotânica está presente em todo o estado, ou com seus técnicos ou através de um convênio com o meio acadêmico.
    Ele finalizou com um apelo emocionado ao governador, “uma pessoa correta, verdadeira e do bem”, para que desistisse da ideia de extinção da FZB. “O PL 300 cumpriu com a sua missão, ao permitir que nós pudéssemos nos reorganizar, mas agora, perto de completar um ano da apresentação do projeto, a angústia está evidente, o trabalho está dobrado, e por isso chegamos a um ponto em que precisamos de outro patamar, então eu peço em nome dos servidores da Fundação e principalmente da biodiversidade gaúcha, que seja repensada a questão. Ou pensamos na biodiversidade com seriedade ou nossos netos terão uma resposta que não será boa”.
    Funcionários da FZB se solidarizam com Wenzel
    Na manhã desta segunda-feira, visivelmente emocionado, Wenzel convocou uma reunião com os funcionários do Jardim Botânico e do Museu de Ciências Naturais para comunicar a sua saída. Por telefone, informou à direção do Zoológico, em Sapucaia.
    Após a rápida reunião, o clima era de desânimo entre os funcionários que passavam pelo hall de entrada no prédio da FZB. Alguns elogiavam o presidente demitido, outros criticavam a decisão da secretária do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Ana Pellini, alegando saber os reais motivos. Os comentários foram rápidos e ninguém quis se identificar.
    Suspeita-se que o afastamento de Wenzel possa estar ligado a alguns atritos que teve ao longo dos últimos oito meses com a secretária Ana Pellini. Entre os motivos estariam a elaboração de um projeto de Lei alternativo ao PL 300 – de extinção da FZB -, visando o fortalecimento da instituição. Esse PL foi entregue à secretária no início do ano e não teve novos encaminhamentos.
    Também é levantada a questão do espaço maior dado aos técnicos da Fundação para resolverem o problema da pesca das espécies ameaçadas, cujo assunto passou a ser discutido tecnicamente, e não politicamente. Outro ponto que teria desagradado a secretária Ana Pellini refere-se a uma série de propostas enviadas à SEMA para combater o problema do Horto Florestal, ao lado do Zoológico de Sapucaia, incluindo a criação de uma unidade de conservação e a regularização de áreas ocupadas por moradias.
    Proposta de extinção da FZB completa um ano
    No dia 6 de agosto, sábado da próxima semana, completa um ano que o Projeto de Lei 300 foi protocolado pelo Executivo em regime de urgência na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
    Funcionários da Fundação Zoobotânica devem repetir as mobilizações feitas em 2015, em repúdio às alegações apresentadas pela secretária do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Ana Pellini, para que o PL fosse rapidamente votado pelos parlamentares, sem que houvesse uma ampla discussão com a sociedade.
    Várias ações foram realizadas ao longo do segundo semestre do ano passado para pressionar o governo Sartori. No dia 20 de agosto, foi realizada uma audiência pública que lotou as galerias do Auditório Dante Barone, da Assembleia Legislativa. Ao final da audiência, foi entregue aos membros da comissão um calhamaço com dois abaixo-assinados contendo 39 mil assinaturas e correspondências com demonstrações de apoio à Fundação Zoobotânica de 800 instituições, sendo 18 de outros países.
    Logo depois, um grupo formado por 20 pessoas, entre representes da entidade ambiental, deputados, professores de universidades públicas e privadas, e pesquisadores da Embrapa, Fepagro e Emater, entregou ao secretário adjunto da Casa Civil, José Kliemann, e à secretária adjunta do Meio Ambiente, Maria Patrícia Mollmann, um documento em que pediam a imediata retirada do PL 300/15. Isso ocorreu dias depois, mas o PL permanece na Assembleia Legislativa.
    A Fundação Zoobotânica é vinculada à Secretaria Estadual do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, sendo o órgão responsável pela promoção e conservação da biodiversidade no Rio Grande do Sul. Através do Jardim Botânico, do Parque Zoológico e do Museu de Ciências Naturais, atua nas áreas de pesquisa, educação ambiental, conservação e lazer. A instituição é detentora de coleções científicas de plantas e animais, atuais e fósseis, que subsidiam pesquisas realizadas por especialistas do Brasil e do exterior.
    O Jardim Botânico é uma das unidades administradas pela FZB / Cléber Dioni Tentardini
    O Jardim Botânico é uma das unidades administradas pela FZB / Cléber Dioni Tentardini

  • Nova licitação para o Cais Mauá é defendida por 14 deputados

    Nova licitação para o Cais Mauá é defendida por 14 deputados

    A maior parte da Assembleia Legislativa ignorou o pedido. Era só responder se é contra ou a favor de uma nova licitação para a revitalização do Cais Mauá.
    Quem solicitou o posicionamento dos parlamentares foi a Rede Minha Porto Alegre, iniciativa local de uma rede nacional que tenta, via internet, conectar demandas urbanas com o poder público.
    O cais está fechado há dois anos. O simples passeio até a beira do Guaíba, para ver o pôr-do-sol do cartão-postal, tornou-se impossível. O investidor está descapitalizado e, mesmo que o projeto não fosse polêmico, o negócio parou.
    A Rede Minha Porto Alegre acolheu a pauta do coletivo Cais Mauá de Todos, que defende um projeto para o cais sem arranha-céus, e criou, numa  plataforma chamada Panela de Pressão, um canal para cobrar do Parlamento uma posição.
    Foram 690 e-mails pedindo uma nova licitação. Depois, telefonemas para todos os 55 parlamentares, e abordagens pessoais, pedindo que se posicionassem até a sexta-feira, 15/7, último dia de expediente antes do recesso parlamentar de inverno.
    Apenas quatorze deputados responderam, justamente os que são favoráveis: Pedro Ruas, do PSol, Manuela d’Ávila e Juliano Roso, do PCdoB, e os petistas Adão Villaverde, Edegar Pretto, Jeferson Fernandes, Stela Farias, Luiz Fernando Mainardi, Valdeci Oliveira, Tarcisio Zimmermann, Zé Nunes, Nelsinho Metalúrgico, Miriam Marroni e Altemir Tortelli.

  • Minha Porto Alegre pressiona deputados por nova licitação para o Cais do Porto

    Logo antes das férias de inverno dos deputados estaduais, na quinta-feira, 14, haverá uma intervenção da Rede Minha Porto Alegre em frente à Assembleia Legislativa, às 11 horas, para pressionar cada parlamentar a assumir sua posição quanto a fazer nova licitação para o Cais Mauá.
    A Rede, um movimento sem fins lucrativos, abriu um canal de discussão pública entre cidadãos e tomadores de decisão para que pudessem passar a receber por e-mail as demandas dos cidadãos para uma cidade mais inclusiva e sustentável.  Esta ferramenta se chama Panela de Pressão.
    Há três meses, o Coletivo Cais Mauá de Todos adotou esta ferramenta para reivindicar uma nova licitação para o Cais Mauá. Desde então, os deputados estaduais receberam em seus e-mails mais de 600 mensagens com esse mesmo pedido, enviadas por diversos moradores da cidade.
    Poucos responderam às centenas de mensagens (que vem com um e-mail para responder a todos automaticamente). Diante da indiferença da maioria, a Minha Porto Alegre telefonou para vários gabinetes. Ainda assim, não obteve retornos.
    Por isso, a Rede planeja entregar, de gabinete em gabinete, uma carta pedindo que eles assumam seu posicionamento: se são a favor de uma nova licitação, se são contra ou se não sabem opinar. Eles também serão convidados a enviar um parágrafo justificando a sua decisão. Os parlamentares terão até as 10 horas da manhã de sexta-feira (15) para se posicionar. Em seguida, a lista de quem é a favor, contra ou se omitiu será publicada na Fanpage da Rede.
    No e-mail disponível para assinaturas na Panela de Pressão, recebido pelos deputados, o Coletivo Cais Mauá de Todos ressalta que o projeto atual provoca a desconfiguração do mais importante patrimônio histórico de Porto Alegre, e que o empreendimento planejado agravará ainda mais a mobilidade no centro da cidade.
    O texto também chama a atenção para as irregularidades no processo, na licitação e no contrato: “Pouco foi feito até agora para tornar transparente o projeto do cais, por isso nesta Audiência Pública do dia 16 de março na Assembleia Legislativa a sociedade pediu o teu apoio e intervenção! Queremos pedir a ti,  representante do povo, a rescisão do contrato de concessão do Cais Mauá, e o início de um novo processo de licitação mais democrático, que dê garantia de isonomia à participação de empresas interessadas e que aglutine ampla participação popular para realmente chegar ao projeto que a cidade quer para o seu Cais”.
    A mensagem padrão, que pode ser editada por quem assina, menciona o relatório do TCE que apontou irregularidades no projeto para o Cais Mauá – bit.ly/InspecaoEspecial
     
    Melhorar a cidade com mobilizações online e offline
    A Minha Porto Alegre é uma rede de pessoas conectadas na construção de um processo mais participativo das tomadas de decisão de interesse público da cidade. Por meio de mobilizações e fomento a comunidades de ação, utilizando tecnologias sociais e digitais de maneira estratégica, criativa e humana.
    A Rede Nossas Cidades é feita de cidades mobilizadas que atuam desde 2011 no Rio de Janeiro e desde 2014 em São Paulo. Usando novas tecnologias e novas linguagens, conectam cidadãos que queiram participar mais das decisões sobre o futuro das suas cidades, com mobilizações que utilizam a internet, mas não se restringem a ela.
    A replicação do modelo da Nossas Cidades, que começou em 2011 com o Meu Rio, só foi possível após a conquista do Desafio de Impacto Social da Google Brasil, que premiou organizações brasileiras comprometidas com a geração de impacto social de forma transparente e efetiva. Com o prêmio de R$ 1 milhão, a Rede iniciou a adaptação da tecnologia e começou a buscar pessoas interessadas em fundar redes como essa em outras cidades.
    Além do Google, o modelo já foi destaque no TED Global, evento internacional de empreendedorismo e tecnologia que acontece todos os anos e teve a sua primeira edição no Rio de Janeiro no ano passado. No palco, Alessandra Orofino, cofundadora do Meu Rio, fez o convite: “As cidades são nossas, vamos transformá-las!” (assista o vídeo aqui).
     
    Serviço
    Pressão por uma nova licitação para o Cais
    Quando: quinta-feira (14), às 11h
    Onde: Praça da Matriz, em frente à Assembleia Legislativa
    A ação ocorre mesmo em caso de chuva
     

  • Onze vereadores assinam projeto de tombamento do armazém A7 do Cais

    Um projeto de autoria da vereadora Sofia Cavedon (PT) quer tombar o armazén A7 do Cais Mauá. O projeto de lei nº134/16, que está em tramitação na Câmara, é assinado por outros dez vereadores, como apoiadores. O texto prevê que o armazém se torne parte do Patrimônio Histórico-Cultural, Natural e Paisagístico do Município de Porto Alegre, evitando, assim, que possa der demolido para o processo de revitalização do cais.
    Para o local do armazem A7, está prevista a construção de um shopping. Ao contrário da maioria das construções da área, o A7 não é bem público tombado, apenas inventariado com compatibilização. A advogada Jacqueline Custódio, integrante do movimento Cais Mauá de Todos, explica que a atual condição permite que ele seja demolido, mas no local não pode ser construída edificação maior. Os armazéns têm cerca de 10 metros de altura, enquanto o shopping tem altura prevista de 18 metros. “Não tem como passar despercebido, vai influenciar no entorno de forma gritante”, afirma Jacqueline.
    A vereadora Sofia Cavedon justificou o tombamento, defendendo que o conjunto das construções do cais é, possivelmente o maior referencial histórico e identitário de Porto Alegre. “Isso porque a Cidade, vista de longe, tem seu perfil desenhado justamente pelas construções do Cais Mauá até o edifício da Usina do Gasômetro. O porto representa um marco da origem da Cidade e foi peça fundamental do desenvolvimento urbano, social e econômico de Porto Alegre.”
    Além de Sofia, assinam o projeto os vereadores Adeli Sell (PT), Cláudio Janta (SDD), Engenheiro Comassetto (PT), Fernanda Melchionna (PSOL), Jussara Cony (PCdoB), Marcelo Sgarbossa (PT), Mario Manfro (PTB), Prof. Alex Fraga (PSOL), Rodrigo Maroni (PR) e Tarciso Flecha Negra (PSD).

  • Professores da Ufrgs criam comitê para “dissecar” projeto do Cais Mauá

    Professores da Ufrgs criam comitê para “dissecar” projeto do Cais Mauá

    Os docentes se opõem ao modelo licitado pelo Governo do Estado e endossado pela prefeitura da Capital, que relaciona a restauração dos armazéns tombados pelo patrimônio público à viabilidade financeira de um empreendimento, composto por um shopping center, torres de escritórios e estacionamento com mais de cinco mil vagas.
    “A defesa do Cais Mauá público e a necessidade de se opor ao plano de mercantilização da área em curso é uma causa altamente meritória.O conhecimento produzido na universidade precisa estar conectado com a realidade social e com a defesa do interesse público, por isso, estamos programados para oferecer estudos que dissecam o conjunto de erros constantes do projeto licitado”, revela um dos idealizadores do comitê, o sociólogo e pesquisador do Observatório das Metrópole, Luciano Fedozzi.
    Os professores vem se reunindo desde outubro de 2015. Em janeiro deste ano, promoveram um painel durante o Fórum Social Temático (FST) e em maio, lançaram um manifesto no qual condenam “a ocupação fomentadora de segregação e de elitização” do atual projeto, fato que “contraria o princípio da função social da cidade inscrito no Estatuto da Cidade” sem uma justificativa razoável do poder público para tal decisão.
    “Não encontrando explicação tecnopolítica, entendemos que tal empreendimento retrógrado só pode ser explicado pelos interesses escusos de mercantilização de um espaço público de alto valor imobiliário”, conclui o manifesto.
    Os professores também somaram esforços junto da Frente Parlamentar e Social em Defesa do Cais Mauá e estão integrados nas atividades do coletivo A Cidade que Queremos – “inclusive participando da discussão sobre ações judiciais”, revela Fedozzi.
    A intenção é, de agora em diante, agenda debates sobre pontos do projeto atual como meio ambiente e sustentabilidade, modelo econômico, mobilidade urbana e até a saúde pública. “O que temos não é um projeto para o Cais, mas sim um plano de negócios que tenta reproduzir o que já aconteceu com a mercantilização e a financeirização de outras áreas portuárias e outros espaços públicos degradados ou em desuso em várias cidades do mundo”, lamenta Fedozzi, cujos estudos no Observatório das Metrópoles se debruçam sobre este tema.
    O sociólogo salienta que o caso do Cais Mauá não é único no Brasil. “Nesse momento, está ocorrendo o mesmo processo no Cais José Estelita, em Recife, e no Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. É uma concepção atrasada que tenta se fazer passar como “modernização” do espaço urbano. No caso de Recife já houve uma decisão liminar da justiça suspendendo o processo. Lá ocorreu grande mobilização da população e com participação de professores”, observa.
    Alunos serão bem-vindos
    Por enquanto, o grupo é composto apenas por professores e pesquisadores da Ufrgs. “Até pela urgência dos fatos, já que nosso ingresso coletivo foi um pouco tardio, reunimos primeiro o corpo docente”, avalia Luciano Fedozzi.
    Entretanto, o sociólogo acredita que há interesse não apenas de alunos da instituição, mas também de servidores de carreira em participar do debate. “Há pessoas que já participam a mais tempo das atividades e de movimentos como o Ocupa Cais Mauá e do Movimento em Defesa Pública da Alegria. Então é provável que esse comitê da Ufrgs venha a ser ampliado”, espera.
    Ele esclarece que o grupo não representa a universidade “como instituição”: “Não haveria condições para essa tomada de posição da Reitoria porque isso exigiria consenso total entre a comunidade de docentes”.
    “O que temos é um grupo que já soma, hoje, 115 professores, que está contribuindo, por um lado, para fortalecer o campo de setores sociais que vem lutando para exigir a rescisão do contrato e a abertura de diálogo com a cidade sobre o destino a ser dado para o Cais Mauá”, conclui.
     

    Manifesto de Professores da UFRGS em defesa do Cais Mauá

    Nós, grupo de professores e pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, cumprindo a função obrigatória de colaboração com a sociedade e as políticas públicas do país, vimos a público manifestar nossa posição contrária ao empreendimento previsto para a reocupação do Cais Mauá, berço da cidade de Porto Alegre e patrimônio histórico, cultural e paisagístico da capital do Rio Grande do Sul. Somos totalmente favoráveis a que seja viabilizado um novo uso a esse espaço público de crucial importância para a história da cidade, mas não nos moldes preconizados pela administração municipal.
    O empreendimento previsto para a área pública do Cais Mauá expressa uma concepção anacrônica em termos urbanísticos, sociais, ambientais e políticos. Fundamenta-se em um paradigma urbanístico já superado há pelo menos duas décadas, como demonstra a literatura e os casos exitosos de reformas que vêm sendo implementadas países centrais e da América Latina. Tomando como referência o princípio técnico consagrado de que um bom lugar é aquele com animação e o que a gera é a diversidade, entendemos que áreas especializadas devem ser evitadas ou enfrentadas por meio de políticas públicas visando à diversidade. Construir prédios monofuncionais, como são os shopping-centers ou edifícios-garagem, prédios comerciais por excelência, não tornará o Cais Mauá um bom lugar para a convivência dos porto-alegrenses.
    Da mesma forma, é um contrassenso que a Prefeitura de Porto Alegre realize um empreendimento que prevê a atração de milhares de veículos privados em uma área já congestionada. O transporte público de qualidade associado a outros modais não poluentes, como as bicicletas, são meios que expressam não somente a democratização do espaço – limitando o “carrocentrismo” – mas, também, o enfrentamento dos problemas ambientais. Porto Alegre é a metrópole do país com o segundo pior índice de poluição do ar.
    Ainda, a preservação da paisagem urbana e do patrimônio histórico e cultural é um ativo fundamental para a atração de pessoas e afirmação da identidade dos lugares. Nossa cidade tem o privilégio de ter uma imagem clara e estabelecida, mas no lugar de aperfeiçoá-la permitindo usos públicos para recreação, lazer e turismo, propõe-se sua descaracterização. O desenho do empreendimento desvaloriza o caráter singular, natural e histórico do lugar.
    Por princípio, espaços públicos qualificados atraem pessoas, gerando recursos, polarizando atividades econômicas complementares e compatíveis com atividades culturais, recreativas e de lazer, valorizando o entorno e diminuindo a insegurança. O empreendimento previsto trará uma ocupação fomentadora de segregação e de elitização. Contraria, portanto, o princípio da função social da cidade inscrito no Estatuto da Cidade.
    Não encontrando explicação tecnopolítica, entendemos que tal empreendimento retrógrado só pode ser explicado pelos interesses escusos de mercantilização de um espaço público de alto valor imobiliário. A esse respeito, o argumento da necessidade imperiosa de parceria público-privada para a reocupação do Cais Mauá é descabido e soa falacioso. O custo previsto para a recuperação dos armazéns do Cais é de cerca de R$ 43 milhões. Ora, a obra que está sendo realizada na orla do Guaíba com recursos oriundos de financiamento obtidos pela Prefeitura (entre a Usina do Gasômetro e a rótula das Cuias) está estimada em R$ 62 milhões. Um simples cálculo demonstra que os armazéns do Cais Mauá poderiam ser restaurados realisticamente com recursos mobilizados pelo município.
    Justamente a capital que se destacou no mundo pela prática da democracia participativa, é lamentável que uma decisão de tamanha importância, para a identidade da cidade, não tenha tido qualquer abertura para o debate com a sociedade. Em vez de chamada pública para o concurso de projetos urbanísticos, prática que permite a pluralidade de ideias e concepções, o que se viu foi uma prática de cima para baixo e o rechaço aos apelos para uma verdadeira abertura do debate público sobre a reocupação do Cais Mauá.
    Pelas razões expostas, nos somamos aos movimentos sociais e instituições profissionais, apelando para que a atual gestão da Administração Municipal rescinda o contrato com o consórcio Cais Mauá S.A., e abra ampla discussão com a sociedade porto-alegrense sobre o destino a ser dado para o importantíssimo espaço público do Cais Mauá.

    • Adriana Dorfman. Doutora em Geografia. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Geografia. Instituto de Geociências
    • Adriana Schmidt Dias. Doutora em Arqueologia. Departamento de História.
    • Alessander Kerber. Doutor em História. Departamento de História e Programa de Pós-Graduação em História
    • Alexandre Virgínio. Doutor em Sociologia. Departamento de Sociologia.
    • Álvaro Krüger Ramos. Doutor em Matemática. Instituto de Matemática e Estatística
    • Anderson Zalewski Vargas. Doutor em História. Departamento e Programa de Pós-Graduação em História
    • Aragon Erico Dasso Junior. Doutor em Direito. Departamento de Ciências Administrativas
    • Álvaro Luiz Heidrich – Doutor em Geografia. Departamento de Geografia e Programa de Pós Graduação em Geografia.
    • Alzira Maria Baptista Lewgoy. Doutora em Serviço Social. Departamento de Serviço Social
    • Antonio David Cattani. Professor Titular do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Arlei Sander Damo – Doutor em Antropologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social
    • Bernardo Lewgoy. Doutor em Antropologia. Departamento e Programa de Pós Graduação em Antropologia Social
    • Caleb Faria Alves. Doutor em Antropologia. Departamento de Antropologia Social.
    • Carla Brandalise. Doutora em História. Departamento de História
    • Carlos Alberto Saraiva Gonçalves. Doutor em Bioquímica. Departamento de Bioquímica
    • Carlos Schmidt. Doutor em Socioeconomia do Desenvolvimento. Docente aposentado do Departamento de Economia.
    • Cássio da Silva Calvete. Doutor em Economia Aplicada. Faculdade de Ciências Econômicas
    • Cláudia Zanatta. Doutora em Arte Público y Poéticas Visuais. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais. Instituto Artes
    • Cinara Rosenfield. Doutora em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia.
    • Cornelia Eckert. Doutora em Antropologia. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social
    • Darci Campani – Mestre em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental. Departamento de Engenharia Mecânica
    • Débora da Silva Soares. Departamento de Matemática Pura e Aplicada
    • Demetrio Luis Guadagnin. Departamento de Ecologia.
    • Denise Zancan. Departamento de Fisiologia. ICBS
    • Domingos Sávio Dresch da Silveira. Mestre em Direito. Faculdade de Direito.
    • Eber Marzulo. Doutor em Planejamento Urbano e Regional. Departamento de Urbanismo e do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional.
    • Eglê Kohlrausch. Doutora em Enfermagem. Departamento de Assistência e Orientação Profissional. Escola de Enfermagem.
    • Eduardo Filipi. Doutor em Economia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Economia
    • Elisabete Zardo Búrigo  – Instituto de Matemática e Estatística..
    • Emerson Giumbelli. Doutor em Antropologia. Departamento e Programa de Pós Graduação em Antropologia
    • Enio Passiani. Doutor em Sociologia. Departamento de Sociologia
    • Eunice Kindel. Doutora em Educação. Ensino de Ciências da Faculdade de Educação
    • Fabio Meira – Doutor em Administração. Escola de Administração e do Programa de Pós-Graduação em Administração.
    • Felipe Gonçalves Silva. Doutor em Filosofia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia
    • Fernando Coutinho Cotanda. Doutor em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Fransciso Marshall. Doutor em História. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em História
    • Francisco Egger Moellwald. Doutor em Educação. Departamento de Ensino e Currículo da Faculdade de Educação da UFRGS.
    • Gisele Secco. Doutora em Filosofia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia
    • Gislei Domingas Romanzini Lazzarotto. Doutora em Psicologia. Instituto de Psicologia.
    • Glaucia Campregher. Doutorado em Ciências Econômicas. Faculdade de Ciências Econômicas
    • Glenda Pereira da Gruz. Doutora em História Ibero-Americana. Professora aponsentada do Departamento de Arquitetura. Faculdade de Arquitetura
    • Guilherme Dornelas Camara. Doutor em Administração. Escola de Administração
    • Gustavo Grohmann. Doutor em Ciência Política. Departamento de Ciência Política.
    • Helen Osório. Doutora em História. Departamento de História.
    • Helena Maria Cabeda Petrucci. Faculdade de Arquitetura
    • Heleniza Ávila Campos. Doutora em Geografia. Departamento de Urbanismo e do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional.
    • Hélio Custódio Fervenza. Doutor em Artes Plásticas. Departamento de Artes Visuais e do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes.
    • Icleia Borsa Cattani – Doutora em história da arte. Professora aposentada do Instituto de Artes
    • Jalcione Almeida. Doutor em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Joacir T N Medeiros. Instituto de Física
    • João André Jarenkow. Departamento de Botânica – UFRGS
    • João Farias Rovati. Doutor em Arquitetura e Urbanismo. Departamento de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional
    • João Werner Falk. Doutor em Medicina. Departamento de Medicina Social. Faculdade de Medicina
    • Jônadas Techio. Doutor em Filosofia. Departamento de Filosofia
    • José Carlos Baracat Junior. Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas. Instituto de Letras
    • Júlio Celso Borello Vargas. Doutor em Sistemas de Transporte. Faculdade de Arquitetura
    • Karl Monsma. Doutor em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Lorena Fleury. Doutora em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Lorena Holzmann. Doutora em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Dociologia
    • Luciana Lima. Doutora em Ciencias Sociais. Curso de Políticas Públicas e Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas
    • Luciana Neves Nunes. Doutora em Matemática. Instituto de Matemática e Estatística
    • Luciano Fedozzi. Doutor em Sociologia. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Luiz Augusto E. Faria. Doutor em Economia. Departamento de Economia e Relações Internacionais e Programa de Pós-Graduação em Estudos Estratégicos Internacionais
    • Luis Artur Costa. Doutor em Informática na Educação. Departamento de Psicologia Social e Institucional e do Programa de Pós-graduação em Psicologia Social e Institucional
    • Luis Felipe Nascimento. Doutor em Economia e Meio Ambiente. Escola de Administração
    • Maíra Baumgarten. Doutora em Sociologia. Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Maíra Rossato. Doutora em geografia. Colégio Aplicação
    • Marcelo Kunrath da Silva. Doutor em Sociologia. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Marco Paulo Stigger. Doutor em Educação Física. Escola Superior de Educação Física e do Programa de Pós-Graduação em Educação Física
    • Marcelo Milan. Doutorado em Economia. Departamento de Economia e Relações Internacionais
    • Mariana Baldi. Doutora em Administração e Departamento e Programa de Pós-Graduação em Administração
    • Maria Ceci Araujo Misoczky. Doutora em Administração. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Administração
    • Maria Eunice Maciel. Doutora em Antropologia. Departamento e Programa de Pós Graduação em Antropologia
    • Maria Ines Azambuja. Doutora em Medicina. Faculdade de Medicina Saúde Urbana.
    • Maria Ivone dos Santos. Doutora em Artes. Departamento de Artes Visuais e Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes.
    • Maria Tereza Flores Pereira. Doutora em Administração. Escola de Administração
    • Marilis Lemos Almeida Doutor em Sociologia. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Mathias Seibel Luce. Doutor em História. Departamento de História e Programa de Pós-Graduação em História.
    • Melissa Pimenta. Doutora em Sociologia. Departamento de Sociologia.
    • Miriam Telichevesky. Doutora em Matemática. Instituto de Matemática e Estatística
    • Mônica Torres Bonatto. Doutora em Educação. Colégio de Aplicação/UFRGS
    • Nelson Luiz Sambaqui Gruber. Doutor em Geociências. Departamento de Geografia
    • Nina Simone Vilaverde Moura.  Doutora em Geografia. Departamento Geografia e Programa de Pós Graduação em Geografia
    • Paulo Abdala. Doutor em Administração. Escola de Administração.
    • Paulo Francisco Slomp. Doutor em Educação. Faculdade de Educação.
    • Paulo Roberto Rodrigues Soares. Doutor em Geografia. Departamento Geografia e do Programa de Pós Graduação em Geografia
    • Pedrinho Arcides Guareschi. Doutor em Psicologia Social. Departamento de Psicologia Social e Institucional
    • Pedro Costa. Doutor em Administração. Escola de Administração
    • Rafael Kruter Flores. Doutor em Administração. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Administração
    • Raphael Zillig. Doutor em Filosofia. Departamento de Filosofia
    • Raquel Weiss. Doutora em Sociologia. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Sociologia
    • Regina Celia Lima Xavier. Doutora em História. Departamento e Pós-Graduação em Historia
    • Regina Weber. Doutora em Historia. Departamento de História.
    • Renato Paulo Saul. Doutor em Sociologia. Professor Titular aposentado Departamento de Sociologia
    • Rita Sobreira Lopes – Doutora em Psicologia. Instituto de Psicologia.
    • Robert Ponge. Doutor em Letras. Professor Titular aposentado do Instituto de Letras e docente convidado permanente do PPG em Letras.
    • Roberto Verdum. Doutor em Geografia. Departamento Geografia e Programa de Pós Graduação em Geografia
    • Robinson Achutti. Doutor em Antropologia Visual. Departamento e Programa de Pós-Graduação do Instituto de Artes
    • Ronaldo Herrlein Jr. Departamento de Economia e Relações Internacionais. Faculdade de Ciências Econômicas.
    • Rosa Angela Chieza- Departamento de Economia e Relações Internacionais. Faculdade de Ciências Econômicas.
    • Rosimeri Carvalho da Silva. Doutora em Administração. Escola de Administração e Programa de Pós-Gradução em Administração
    • Rúbia Vogt. Mestre em Filosofia. Colégio de Aplicação.
    • Sheila Borba. Doutora em Sociologia. Departamento de Sociologia
    • Simone Mainieri Paulon. Doutora em Psicologia. Instituto de Psicologia
    • Sílvia Altmann. Doutora em Filosofia. Departamento e Programa de Pós-Graduação de Filosofia da UFRGS
    • Silvia Regina Ferraz Petersen. Doutora em História. Departamento de História
    • Suzi Camey. Doutora em Epidemiologia. Departamento de Estatística. Diretora do Instituto de Matemática e Estatística.
    • Sueli Goulart. Doutora em Administração. Escola de Administração
    • Taís C. E. Frizzo. Colégio de Aplicação
    • Takeyoshi Imasato. Doutor em Administração. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Administração
    • Vanessa Marx. Doutora em Ciência Política. Departamento de Sociologia
    • Vera Lima. Doutora em Química Farmacêutica Medicinal. Faculdade de Farmácia e Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas
    • Virgínia Maria Rodrigues. Doutora em Matemática. Instituto de Matemática. Departamento de Matemática Pura e Aplicada.
    • Zita Possamai. Doutora em História. Coordenadora da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação. Programa de Pós-Graduação em Educação.
    • Walter Nique. Doutor em Marketing. Departamento e Programa de Pós-Graduação em Administração