A mídia tem sido cautelosa, mas alguns fatos que parecem isolados podem ser o sinal de que algo muito inusitado está fermentando nos Estados Unidos nestes tempos de pandemia.
Uma sucessão de eventos intrigantes vem se acumulando desde que um policial branco matou o negro George Floyd entrelaçando a questão racial e a agitação social com a tensão e as incertezas trazidas pela Covid-19.
Na tarde desta segunda-feira, 10 de agosto, o presidente Donald Trump foi retirado às pressas de uma entrevista coletiva. “Temos tiros disparados do lado de fora”, disse a Trump, em voz baixa, o agente do serviço secreto que o retirou local.
“Foi interrompido no meio da frase”, segundo a correspondente do NYT.
Trump voltou em seguida e disse que “um suspeito estava armado nas imediações”. “Pode não ter nada a ver comigo”, explicou ao retomar seu briefing diário sobre o coronavírus.
O Serviço Secreto confirmou “um tiroteio envolvendo um oficial” perto da Casa Branca, sem dar maiores detalhes. Os jornais foram discretos.
Horas antes, a mil quilômetros da Casa Branca, centenas de pessoas mobilizadas pelas redes sociais marcharam para o Magnificent Mile, o bairro comercial mais famoso de Chicago, “o coração reluzente da cidade”.
Quebraram vitrines, saquearam lojas e entraram em confronto com a polícia. Mais de 100 pessoas foram presas, duas foram baleadas e 13 policiais ficaram feridos.
Aparentemente não há relação causal entre estes dois eventos, mas é inegável que por trás deles está uma crise que se aprofunda na esteira da Covid e cujo desfecho ainda não é previsível – a não ser por aqueles que acreditam que passada a pandemia tudo voltará ao normal.
A queda de 32% no PIB americano no segundo trimestre deste ano, os 40 milhões de desempregados, o crescimento da pobreza absoluta, o poder nas mãos de um presidente errático – completam o cenário de instabilidade que mina os alicerces do Império do Norte.
As eleições de novembro podem ser cruciais para a maior potência do planeta.


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