Fato novo numa campanha programada para as redes sociais e os meios de comunicação, as manifestações de rua deram gás à campanha de Lula, depois da derrota no primeiro turno.
Na primeira semana de outubro, no embalo da vitória no primeiro turno, Flávio Bolsonaro chegou a ampliar para seis pontos a vantagem sobre Lula.
No dia 8 de outubro, por exemplo, a pesquisa da PoderData dava 53% a 47%. O Datafolha na mesma semana registrou 52% a 48% e o Gerp chegou a dar 10 pontos de vantagem para Flávio.
Já no dia 16 de outubro, a pesquisa da PoderData mostra os dois candidatos empatados, e o DataFolha em pesquisa realizada entre 13 e 15 de outubro registra 51% a 49%, dois pontos apenas de vantagem de Flávio.
Outra pesquisa, do Ipespe, em 17 de outubro de 2026, dá Flávio com 51,2% e Lula com 48,8% dos votos válidos, 2,4 pontos apenas de diferença. Sete dias antes, a mesma pesquisa havia registrado 5,4 pontos de vantagem para Flávio.

Os coordenadores da campanha dizem que a recuperação de Lula na reta final decorre de uma mudança estratégica e das medidas de forte apelo popular, tomadas pelo presidente.
A aprovação do fim da escala 6×1, por exemplo, tornou-se uma das principais bandeiras da campanha de reeleição. O próprio Flávio Bolsonaro mudou sua posição e votou a favor da medida no Congresso para mitigar o desgaste.
Mas verdade é que a percepção da mudança, que deu tração ao movimento de virada nas pesquisas, veio das grandes manifestações pró-Lula por todo o país na última semana.
As multidões nas capitais e outras cidades por todo o país, coincidentes com os ganhos nas pesquisas, criaram um clima de virada. Neste domingo, houve mobilizações em 18 capitais.
Foi o fato novo desta campanha. Um movimento que começou espontâneo, entre a juventude e o movimento estudantil, e culminou com as maiores multidões já reunidas em atos públicos, no país. Lembrou e até superou em alguns lugares a campanha das Diretas Já, em 1985, como foi o caso do comício na paulista, no domingo passado.
Tanto que os adversários estão, agora, chamando seus eleitores para a rua, para tentar conter a virada que vem das ruas.

