Mais de 100 mil crianças e adolescentes morreram vítimas de agressão, em dez anos

O caso de menino Henry, de 4 anos,  cuja morte por maus tratos  é investigada no Rio, trouxe à tona o problema da violência doméstica contra crianças e adolescentes.

Um levantamento divulgado na quarta-feira (14), pela Sociedade Brasileira de Pediatria, registra que,  nos últimos dez anos, 103.149 crianças e adolescentes com idades de até 19 anos morreram no Brasil, vítimas de agressão.

Do total, cerca de 2 mil vítimas tinham menos de 4 anos.

O dados relativos a 2020 ainda são preliminares,  mas a SBP conclui que,  o isolamento social, medida “essencial para conter a pandemia do novo coronavírus”, resultou em aumento da exposição das crianças a uma “maior incidência de violência doméstica”, o que, consequentemente, elevou também os casos letais.

Segundo o presidente do Departamento Científico de Segurança da SBP, Marco Gama, o estresse causado pela pandemia aumentou a probabilidade de as crianças serem vítimas de violência, além de causar prejuízos do ponto de vista da saúde física e mental.

No entanto, disse ele, independentemente da pandemia, os casos de violência contra crianças e adolescentes sempre existiram, principalmente em ambiente doméstico ou intrafamiliar.

A SBP acrescenta que, só em março de 2020, foi registrado, no Brasil, um aumento de 17% no número de ligações notificando a violência contra a mulher.

Morte de Henry deve ser apurada

“O caso do menino Henry (Henry Borel, cuja morte, no Rio de Janeiro, é investigada tendo como suspeitos o padrasto e a mãe) não pode ser ignorado e deve ser apurado com todo o rigor. Tal barbárie deve alertar, ainda, para a existência de outras crianças e famílias que vivem dramas semelhantes”, alertou, por meio de nota, a presidente da SBP, Luciana Rodrigues Silva.

A entidade acrescentou que estudos científicos e a prática dos profissionais que lidam com a infância e a adolescência indicam que tratamento humilhante, castigos físicos e qualquer conduta que ameace ou ridicularize a criança ou o adolescente, quando não letais, podem ser extremamente danosos à sua formação de personalidade e como indivíduos para a sociedade, bem como interferem negativamente na construção da sua potencialidade de lutar pela vida e no seu equilíbrio psicossocial.

“Nascer e crescer em um ambiente sem violência é imprescindível para que uma criança tenha a garantia de uma vida saudável, tanto física quanto emocional”, conclui a presidente da entidade.

(Com informações da Agência Brasil)

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