Um ano depois da assinatura do primeiro contrato que marca a retomada do Polo Naval, em Rio Grande, o presidente Lula volta à cidade neste 7 de janeiro, dando partida à construção de quatro navios encomendados pela Transpetro.
Da primeira vez, em fevereiro de 2025, ele trouxe o vice-presidente Geraldo Alkmin em sua comitiva. Agora a convidada especial é a ex-presidente Dilma Roussef, em cujo governo iniciou o projeto do Polo Naval, em 2010.
Saudado como a redenção da Região Sul gaúcha, o polo em Rio Grande tinha mais de 20 mil trabalhadores diretos e indiretos e sete plataformas em construção, quando foi abalroado pelos processos da Lava Jato e pelo impeachment de Dilma, em 2015.
As empresas faliram, os empregos sumiram. Estima-se que, dez anos depois, ainda existem cerca de cinco mil desempregados, remanescentes das obras inacabadas..
A Ecovix, que montava as plataformas e fundou com a interrupção do projeto, passou por um longo processo de recuperação, até habilitar-se ao novo contrato, assinado em Rio Grande, com a presença de Lula, em fevereiro de 2025.

O contrato atual no valor de R$ 1,5 bilhão prevê a construção de quatro navios tipo handymax* em quatro anos. Os cascos serão feitos no estaleiro da Ecovix em Rio Grande e terminados pela MacLaren, do Rio de Janeiro, que faz parte do consórcio. O grupo norueguês Kongsberg, especializado em soluções tecnológicas fez os projetos.
Os quatro navios tipo handymax * somam cerca de 20 mil toneladas de capacidade, metade do que era um único casco na fase anterior. Também os empregos previstos não passam de 1,6 miil.
O resgate do Polo Naval de Rio Grande, em dimensões mais modestas, se insere num programa maior de retomada de toda a indústria naval brasileira, duramente atingida pelos sucessos da Operação Lava Jato, que levaram a Petrobrás suspender contratos e investimentos.
O setor naval chegou a empregar 83 mil trabalhadores em 2010. Atualmente, em recuperação já registra cerca de 50 mil empregos e deve ultrapassar 80 mil em 2026, pelas estimativas do governo.
O programa prevê 25 embarcações e tomou cuidados para garantir a retomada da construção naval de forma sustentável. Começa por navios pequenos para que os estaleiros voltem a operar, preparem a mão de obra e entrem em regime normal de operação. A expectativa é de que no próximo ano venham encomendas maiores.

Navios Handymax são graneleiros versáteis de médio porte (geralmente 35.000 a 50.000 TPM), com tamanho ideal (150-200m) para acessar portos menores, pois são equipados com guindastes próprios, permitindo carregar e descarregar cargas a granel (como cimento, madeira, grãos) mesmo sem infraestrutura portuária robusta.
Características Principais:
- Capacidade: Cerca de 35.000 a 50.000 TPM (Toneladas de Porte Bruto).
- Dimensões: Comprimento entre 150 e 200 metros; largura em torno de 30-32 metros.
- Equipamento: Possuem guindastes (gruas) próprios, facilitando a operação em portos com pouca infraestrutura.
- Flexibilidade: Podem atracar em diversos portos ao redor do mundo, sendo ideais para cargas secas a granel.
