Autor: da Redação

  • Sindicatos de sete países denunciam assédio sexual na rede McDonald´s

    Sindicatos de Brasil, Austrália, Chile, Colômbia, França, Reino Unido e Estados Unidos se uniram para apresentar nesta segunda-feira (18) à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) denúncias de assédio sexual sistêmico contra a rede americana de fast food McDonald’s.

    No Brasil, o documento encaminhado ao Dutch National Contact Point (NCP) – órgão responsável por observar as diretrizes da OCDE para multinacionais – mostra que o Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 23 queixas com sérias indicações de assédio moral, sexual e discriminação racial nas lanchonetes da rede.

    As denúncias incluem toques indesejados, provocações verbais e outras más condutas dos supervisores.

    Assinam a denúncia a central brasileira UGT, a União Internacional de Trabalhadores da Alimentação (International Union of Foodworkers), a Federação Europeia de Sindicatos da Alimentação, Agricultura e Turismo (European Federation of Food, Agriculture and Tourism Trade Unions) e o Sindicato Internacional de Trabalhadores em Serviços (SEIU, dos Estados Unidos e Canadá).

    Também são alvos da representação os bancos de investimento APG Asset Management (Holanda) e Norges Bank (Noruega), que, juntos, detêm participação de US$ 1,7 bilhão no McDonald’s e teriam fracassado em constatar os crescentes casos de abusos em seus sistemas monitoramento interno e externo. “Trata-se de um alarmante e inaceitável padrão de assédio sexual e racial nos restaurantes McDonald’s no Brasil, que agora sabemos que ocorre também em várias outras partes do mundo”, afirmou o presidente da UGT, Ricardo Patah.

    Mundo afora

    Nos Estados Unidos, segundo as organizações, trabalhadores de 16 anos acusaram supervisores de conduta imprópria, incluindo tentativa de estupro, exposição indecente, toques indesejados e ofertas sexuais.

    As mulheres disseram ter sido ignoradas, ridicularizadas ou punidas quando denunciaram os casos à empresa.

    Na França, um gerente do McDonald’s teria instalado uma câmera de celular no vestiário feminino, para filmar secretamente jovens trocando de roupa.

    Segundo a denúncia, a rede de lanchonetes ignorou as diretrizes da OCDE ao se recusar a envolver os trabalhadores e seus representantes para abordar o assédio sexual e o assédio de gênero em suas lojas. A empresa Arcos Dourados, que controla o McDonald’s no Brasil, não se manifestou sobre as acusações.

    (Com informações da RBA )

  • Covid-19 tem evolução mais grave e maior letalidade entre fumantes
    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Covid-19 tem evolução mais grave e maior letalidade entre fumantes

    “Combinação catastrófica”.

    Assim o diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, define a relação entre o tabagismo e coronavirus.

    Fator de risco para infecções respiratórias, doenças vasculares, cardiovasculares e pulmonares, o tabagismo é uma “porta de entrada principal” para o coronavirus, segundo o especialista.

    Análise publicada na China, dos primeiros casos de covid-19, comparando grupos de fumantes e não fumantes, mostrou que a doença teve evolução mais grave e maior índice de letalidade no grupo de fumantes. “Alguns artigos mostraram 1,5 vez mais, outros 2,4 vezes mais. Ou seja, você mais do que duplica a chance de a doença se agravar e duplica os óbitos em relação ao grupo que não fuma”.

    Disseminação

    Maltoni chamou a atenção para o fato de o vírus se disseminar com facilidade, principalmente por contaminação pelo perdigoto (gotículas contaminadas de saliva). Outro agravante em relação ao tabagismo é o uso de narguilé (espécie de cachimbo de água de origem oriental, utilizado para fumar tabaco aromatizado e, ocasionalmente, maconha ou ópio) no mundo.

    “É um mecanismo de disseminação do vírus muito alto, a ponto de países como o Irã proibirem seu uso em bares e ruas pela possibilidade de propagação, porque passa de boca em boca.

    Também é uma associação muito perigosa”. Segundo Maltoni, há uma relação muito forte do tabagismo com o agravamento das condições dos pacientes que se infectam pelo novo coronavírus, com aumento maior da letalidade.

    O mesmo ocorre em relação aos cigarros eletrônicos (também chamados de vape, são dispositivos eletrônicos para fumar alimentados por bateria de lítio). “São outra forma de você dispersar nicotina e outros produtos para o organismo humano”.

    Embora a indústria do tabaco defenda que é instrumento para a pessoa parar de fumar, o diretor executivo da Fundação do Câncer afirmou que esse tipo de cigarro tem em sua constituição substâncias tóxicas, incluindo a nicotina que é oferecida no formato líquido e forma um aerossol.

    “Essa inalação do volume de nicotina atinge a corrente sanguínea até mais rápido do que o cigarro convencional”. Maltoni destacou que a nicotina é o principal causador da dependência, com todos os efeitos  de agressão ao organismo, como a alteração da imunidade celular em nível pulmonar, alteração do DNA da célula pulmonar, predispondo à transformação das células em câncer, em tumores. Isso também está presente no cigarro eletrônico.

    Alerta da OMS

    No último dia 11, a Organização Mundial da Saúde (OMS) fez uma declaração pública alertando que o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas em todo o mundo, a cada ano.

    Mais de 7 milhões dessas mortes são decorrentes do uso direto do tabaco e cerca de 1,2 milhão se deve ao fato de os não fumantes serem expostos ao fumo passivo.

    Um grupo de especialistas em saúde pública, convidados pela OMS, analisou estudos já publicados em relação à covid-19 e sua relação com o tabagismo.

    Constatou que os fumantes tinham maior probabilidade de desenvolver as doenças graves e as complicações da infecção de maneira mais grave em comparação com os não fumantes, “inclusive em proporção maior de óbitos do que o grupo de não fumantes”, observou Maltoni.

    Nicotina e covid-19

    A OMS também se posicionou contrária a estudos favoráveis à adoção de substâncias como a nicotina no tratamento de pacientes com covid-19.

    Embora sem se referir especificamente a um trabalho francês que defende a nicotina como proteção à covid-19, a organização alerta que é preciso ter cuidado ao adotar esse tipo de recomendação, antes que sejam feitos testes e confirmados seus resultados por instituições de credibilidade internacional.

    Luiz Henrique Maltoni destacou que no caso do trabalho francês, ele foi publicado na internet e não em uma revista científica conceituada, como é tradicionalmente feito, onde um comitê editorial analisa cientificamente se o método do trabalho foi bem conduzido, para então autorizar sua publicação.

    O estudo não foi revisado e não faz referência à aprovação por nenhum comitê de ética em pesquisa, afirmou Maltoni.

    O diretor executivo da Fundação do Câncer qualificou o estudo como “um equívoco imenso”. Um dos autores do trabalho é um pesquisador que, durante muito tempo, foi financiado pela indústria do tabaco, disse. Do ponto de vista científico, o trabalho não merece crédito nem citação, acrescentou Maltoni.

    Nota conjunta

    Em razão da pesquisa francesa, sete entidades médicas, entre as quais a Fundação do Câncer, a Associação Médica Brasileira, a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas e a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia divulgaram nota na qual entendem que “é muito precoce e arriscado” afirmar que haja qualquer potencial fator protetor da nicotina para a covid-19.

    “Uma vez contaminados pelo novo coronavírus, os fumantes tendem a ter pior evolução do quadro, com mais gravidade e mortes”, diz a nota.

    As entidades de saúde reforçam a importância do combate ao fumo. Estudo do Instituto Nacional do Câncer mostrou que o país gasta cerca de R$ 57 bilhões por ano com despesas médicas e perda de produtividade relacionadas a doenças provocadas pelo fumo.

    O estudo mostra ainda que o país arrecada R$ 13 bilhões de tributos por ano com a indústria do tabaco, o que significa que há um rombo de pelo menos R$ 44 bilhões para o sistema de saúde brasileiro. Todos os dias, 428 pessoas morrem devido ao tabagismo no Brasil.
    (Com informações da Agência Brasil )

     

  • Polícia Militar confirma que empresário pediu proteção antes de denúncia
    Foto: G1

    Polícia Militar confirma que empresário pediu proteção antes de denúncia

    O G1 publicou nesta segunda a foto de uma viatura policial na frente da residência do empresário  Paulo Marinho, que denunciou vazamento da Polícia Federal para alertar Flávio Bolsonaro sobre investigações.

    A PM confirmou ao portal que “reforçou o policiamento nas proximidades da residência de Marinho”, no Rio de Janeiro.

     Marinho vai depor na Polícia Federal e garante ter provas do que disse

    O pedido foi feito por Marinho ao governador Wilson Witzel, após  entrevista  em que revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PSL) foi avisado com antecedência sobre a deflagração da Operação Furna da Onça.

    A operação, desdobramento da Lava Jato, culminou na prisão de parlamentares do estado em novembro de 2018.

    Nessa investigação a PF havia chegado ao nome de Fabrício Queiroz, suspeito de administrar um esquema de”rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro.

    O vazamento da operação, segundo Marinho, foi  feito por um delegado da PF.

    Marinho foi um dos principais apoiadores da campanha de Jair Bolsonaro e é suplente do senador Flávio Bolsonaro. Várias reuniões do grupo político ocorreram na casa de Marinho, no Rio.

    O senador nega as acusações e atribui a denúncia ao suposto interesse de Paulo Marinho em obter a vaga no Senado.

  • Presidente leva 11 ministros à rampa do Planalto para saudar apoiadores

    Para Bolsonaro foi uma “manifestação espontânea, pacífica, sem agressão a quem quer que seja”.

    Na verdade foi a repetição de um movimento organizado que nos fins de semana reúne duas ou três centenas de apoiadores do presidente na frente do Palácio do Planalto.

    A novidade deste domingo, 17, foram as faixas e cartazes a favor da cloroquina, medicamento polêmico que o presidente recomenda para tratamento da Covid 19.

    E os onze ministros que acompanharam Bolsonaro até a rampa do palácio para saudar os manifestantes.

    A presença do presidente da República foi transmitida ao vivo nas redes sociais a partir das 12h20.

    As faixas e cartazes contra o congresso e o judiciário e pedindo intervenção militar foram retirados da frente do palácio pouco antes por recomendação da segurança.

    O presidente discursou: “É muito gratificante, honroso da minha parte, do meu ministério, receber uma manifestação de apoio nesse sentido”. Desta vez, ele mencionou o poder Legislativo, mas evitou falar no Judiciário, onde um inquérito apura acusações contra ele.

    “Não existe preço para nós, políticos, ter uma manifestação espontânea dessa maneira, vinda do coração, da alma do povo brasileiro que, repito, quer acima de tudo liberdade, quer democracia, quer o respeito”.

    “Nós vamos conseguir mudar o destino do Brasil, apesar dessa crise que tem afetado o mundo todo”.

    Naquele momento, o tema dominante na mídia era a repercussão da entrevista do empresário e suplente de senador Paulo Marinho, ex-aliado do presidente, com novas denúncias de interferência na Polícia Federal.

  • Mais um ex-aliado engrossa campanha pelo impeachment de Bolsonaro
    Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

    Mais um ex-aliado engrossa campanha pelo impeachment de Bolsonaro

    Paulo Marinho, empresário e suplente do senador Flávio Bolsonaro,  é o novo ex-aliado a alinhar-se ao movimento pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

    Em entrevista, publicada na Folha de São Paulo deste domingo, Marinho diz que a Polícia Federal em outubro de 2018 adiou uma operação que poderia prejudicar a eleição de Bolsonaro.

    A “Operação Furna da Onça”, sobre a prática de  “rachadinha” na Assembléia Legislativa do Rio, tinha entre os alvos o ex-policial Fabrício Queiroz, assessor parlamentar do filho do presidente, que era um dos operadores do esquema criminoso.

    Além de segurar a operação, que seria deflagrada entre o primeiro e o segundo turno da eleição, um delegado bolsonarista avisou Flávio.

    Segundo Marinho, foi o próprio Jair  Bolsonaro, informado pelo filho, que  mandou demitir Queiroz imediatamente e fez o mesmo com uma filha do ex-policiai, lotada como assessora no gabinete do candidato à presidência, na Câmara Federal.

    Ambos,  Queiroz e sua filha Nathalia,  foram demitidos no mesmo dia, 15 de outubro de 2018.

    A operação foi deflagrada dia 8 de novembro,  quando Bolsonaro já estava eleito.

    “Todas as notícias de eventual desvio de conduta devem ser apuradas e, nesse sentido, foi determinada, na data de hoje, a instauração de novo procedimento específico para a apuração dos fatos apontados” disse em nota a Polícia Federal.

    A PF justifica que a operação foi deflagrada no Rio de Janeiro no dia 8 de novembro porque os mandados judiciais foram expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2° Região, no dia 31 de outubro do mesmo ano, “portanto, poucos dias úteis antes da sua deflagração”.

    Flavio Bolsonaro, em nota, diz que “Paulo Marinho, tem interesse em me prejudicar, já que seria meu substituto no Senado. Ele sabe que jamais teria condições de ganhar nas urnas e tenta no tapetão”.

    “Por que somente agora inventa isso, às vésperas das eleições municipais em que ele se coloca como pré-candidato do PSDB à prefeitura do Rio, e não à época em que ele diz terem acontecido os fatos, dois anos atrás?”, diz o senador.

    Paulo Marinho se aproximou de Bolsonaro através de seu amigo Gustavo Bebianno, outro ex-aliado falecido recentemente e que deixou o governo com sérias críticas ao presidente, dizendo que ele “nunca se preocupou realmente em combater a corrupção”.

    A entrevista deve ser levada para o inquérito que tramita no Supremo sob a relatoria do ministro Celso de Mello,  a partir das denúncias do ex-ministro Sérgio Moro.

    Morou deixou o governo há duas semanas denunciando pressões do presidente para interferir nas investigações da Polícia Federal.

    “O suplente do senador é um homem vivido, experiente e não falaria algo de tal gravidade de maneira leviana. E a morte abrupta do grande amigo dele, Bebianno, certamente está compondo este jogo de xadrez”, escreveu o criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, em artigo sobre o assunto.

    Segundo ele, “para  uma denúncia junto ao Supremo Tribunal, não precisa da prova cabal do crime, bastam indícios fortes o suficiente para a justa causa na abertura da ação penal”.

    A abertura da ação penal, que se dá pelo recebimento da denúncia por parte do Pleno do Supremo Tribunal, já afastaria Bolsonaro  da Presidência por 180 dias.

    Para isso, no entanto, a denúncia tem que ser apresentada pelo Procurador Geral da República, Augusto Aras.

     

     

  • Queda de Nelson Teich fragiliza ainda mais o governo Bolsonaro
    Nelson Teich não chegou a completar um mes no cargo de ministro da Saúde de Bolsonaro.

    Queda de Nelson Teich fragiliza ainda mais o governo Bolsonaro

    O ministro da Saúde, Nelson Teich, não aguentou um mês no cargo.

    Um dia depois de os dados oficiais registrarem que o país passou dos 200 mil casos confirmados de coronavírus e registrado quase 14.000 mortes, ele pediu demissão.

    As informações iniciais indicam que ele não aguentou as pressões do presidente Bolsonaro por flexibilizar as medidas de contenção da pandemia e insistir no uso da cloroquina, medicamento cuja ineficácia e riscos no tratamento da Covid-19 já estão amplamente comprovados.

    A  demissão de Teich, oncologista e consultor na área médica, foi anunciada em uma breve mensagem do WhatsApp do Ministério da Saúde na manhã desta sexta-feira,15.

    Teich assumiu o cargo depois de Bolsonaro demitir seu antecessor, Luiz Mandetta, em 16 de abril, após divergências sobre medidas de isolamento social.

    Inicialmente, Teich parecia seguir a linha de Bolsonaro, mas nas últimas semanas ele vinha discordando cada vez mais do presidente sobre isolamento social e uso de cloroquina, que ele descreveu como uma “incerteza”.

    Bolsonaro disse na quinta-feira que queria mudar o protocolo que regulamentava o uso do medicamento, estabelecido por Mandetta.

    Na segunda-feira, Teich já havia passado  um vexame  ao descobrir,  durante uma entrevista coletiva, que o presidente havia emitido um decreto que classificava academias, salões de beleza e barbeiros como serviços essenciais. “Esta não foi a nossa atribuição, foi a decisão do presidente”, disse ele , parecendo confuso.

    O Brasil registrou 844 novas mortes em 24 horas na noite de quinta-feira, elevando o total para 13.993 e agora possui 202.918 casos, tornando-se o sexto país mais impactado do mundo, segundo dados da Universidade John Hopkins .

    Interinamente, deve ocupar o cargo de Teich o general Eduardo Pazuello, que já está na secretaria-executiva da pasta, indicado por Bolsonaro.

    No Planalto, segundo o G1, uma ala defende que Pazuello fique interino e o governo escolha “com calma” um substituto. Outro grupo quer efetivar o general.

    O ex-ministro Osmar Terra é o principal candidato à sucessão  e, nos últimos dias, estava numa ofensiva para mostrar-se alinhado ao presidente.

    NR: Foi corrigida a informação inicial de que o general Pazuello tem formação médica. O general era comandante da 12ª Região Militar da Amazônia e ficou conhecido nacionalmente por ter coordenado a Operação Acolhida, que cuidava da entrada de refugiados venezuelanos em Roraima. 

  • Airton, Rafael, 05, os condinomes de Bolsonaro nos exames de coronavirus

    O presidente Jair Bolsonaro usou codinomes nos cadastros dos laboratórios onde ele fez os exames para o novo coronavírus.

    Como foi possível um paciente se submeter a uma análise laboratorial com o nome falso, ainda terá que ser esclarecido.

    Os laudos recebidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e tornados públicos nesta quarta-feira (13) atestam que Bolsonaro teve resultado negativo, por três vezes, nas análises.

    Segundo ofícios anexados pela AGU no Supremo, dois dos três laudos têm nomes falsos, para preservação da imagem e privacidade do presidente da República e por questões de segurança.

    O CPF e a data de nascimento nos papéis, contudo, são de fato de Bolsonaro.

    Para a realização dos exames foram utilizados no cadastro junto ao laboratório conveniado Sabin os nomes fictícios Airton Guedes e Rafael Augusto Alves da Costa Ferraz, sendo preservados todos dados pessoais de registro civil junto aos órgãos oficiais”, diz o ofício do Comandante Logístico do Hospital das Forças Armadas, Rui Yutaka Matsuda.

    Já no terceiro e último exame, analisado em um laboratório público da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o “dono” da amostra é identificado apenas como Paciente 05. No documento entregue ao STF, não há qualquer dado relacionado ao presidente Jair Bolsonaro.

    Os exames de Bolsonaro só foram divulgados após o jornal “O Estado de S. Paulo” entrar na Justiça pedindo acesso.

    Antes, o presidente já havia anunciado os resultados negativos em redes sociais, mas se recusava a mostrar os laudos em si.

    O processo chegou ao Supremo Tribunal Federal e, na noite desta terça-feira (12), a Advocacia-Geral da União (AGU) forneceu os laudos ao ministro relator, Ricardo Lewandowski.

    Os papéis foram mantidos em envelope lacrado e, no início da tarde desta quarta, Lewandowski determinou a inclusão nos autos, sem sigilo.

    “Determino a juntada aos autos eletrônicos de todos os laudos e documentos entregues pela União em meu gabinete, aos quais se dará ampla publicidade”, afirmou o ministro na decisão.

    A ação movida pelo “Estadão” foi marcada por idas e vindas.

    O jornal chegou a receber decisões favoráveis, com a determinação de que o exame fosse entregue em 48 horas, mas o governo conseguiu reverter a ordem no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).

    O jornal recorreu, então, ao Supremo. Nesta terça, a AGU decidiu entregar os laudos antes mesmo de uma decisão do ministro Lewandowski.

    O laudo mais antigo entregue ao STF indica que a primeira amostra foi coletada em 12 de março por uma equipe do Hospital das Forças Armadas.

    O resultado foi liberado às 13h47 do dia seguinte.

    O documento mostra o nome Airton Guedes – um codinome, segundo o governo. O CPF e a data de nascimento conferem com os dados de Jair Bolsonaro.

    O teste foi feito pelo método PCR, considerado mais preciso porque detecta o material genético do coronavírus. O ideal é realizar esse exame de três a sete dias após o primeiro sintoma ou após o contato com alguém contaminado.

    A coleta do material foi feita dias após Jair Bolsonaro retornar de uma viagem oficial aos Estados Unidos, em março. Naquele momento, uma TV americana chegou a afirmar que o presidente tinha sido contaminado, sem apresentar documentos.

    Ao longo daquele mês, pelo menos 23 pessoas que participaram da viagem oficial testaram positivo para a Covid-19.

    O primeiro diagnóstico foi do secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, que já voltou ao Brasil isolado no avião e fez o teste após o desembarque.

     

  • Canela confirma os primeiros três exames positivos para coronavírus
    Município da Serra não tem casos de transmissão comunitária

    Canela confirma os primeiros três exames positivos para coronavírus

    A Secretaria Municipal de Saúde confirmou que três trabalhadores testaram positivo para Covid-19 – doença transmitida pelo novo coronavírus. Eles vieram com outros seis colegas do estado de São Paulo e chegaram segunda-feira (11) transportados por um micro-ônibus.

    São os primeiros casos confirmados no município da Serra gaúcha. Havia suspeita que a morte de um senhor de 70 anos pudesse ter sido provocada pelo novo coronavírus, mas o exame deu negativo.

    Os homens foram contratados para atuar na construção civil da região. Por precaução, os responsáveis por um dos locais onde eles atuariam encaminharam os nove trabalhadores para testagem pela rede privada em Gramado, antes mesmo de iniciarem a empreitada.

    Recém-comunicada sobre os resultados positivos, a Secretaria Municipal de Saúde de Canela tomou as devidas providências. “Ao saber que eles não vieram com exames feitos, foram encaminhados pelos contratantes para a testagem. Por sorte, recém-haviam chegado e não circularam pela cidade”, comenta a chefe da Vigilância Epidemiológica de Canela, enfermeira Magali Dell Valle Cavinato.

    Além dos três trabalhadores, os seis colegas deles também ficarão isolados em Canela durante 14 dias.

     

     

    Portal da Prefeitura está desatualizado em quase um mês, mas até ontem (12) não havia infectados 

    “É o chamado caso importado, e não tivemos nenhum oriundo de morador de Canela. Vamos torcer para que eles não desenvolvam sintomas graves e possam se recuperar”, diz o secretário municipal de Saúde Vilmar Santos. Já o prefeito Constantino Orsolin pede que a comunidade reforce a adoção de medidas de prevenção.

  • Após disputa judicial, jornal publica exames de Bolsonaro para Covid-19

    Após disputa judicial, jornal publica exames de Bolsonaro para Covid-19

    Após o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF),  determinar nesta quarta-feira (13) que todos os exames feitos pelo presidente Jair Bolsonaro para o Covid-19 entregues em seu gabinete fossem tornados públicos, o jornal O Estado de S. Paulo (Estadão) estampou na manchete em seu portal de notícias que os laudos deram negativo para a doença.

    Os testes foram feitos com os codinomes Airton Guedes e Rafael Augusto, mas CPF, RG e documentos informados nos papéis são do presidente, revelou o jornal.

    Desde 13/3, o jornal tentava ter acesso aos resultados dos testes laboratoriais de Bolsonaro. Em ação ajuizada contra a União, obteve o pedido de tutela de urgência, mantido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), mas suspenso pelo STJ.

    Na RCL 40574, ajuizada ontem (12), o Estadão sustentava que a decisão do STJ representava censura prévia e ofendia a autoridade do entendimento do STF na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 130, em que se garantiu a liberdade de manifestação do pensamento. Por isso, pedia o restabelecimento da obrigação da União para apresentar os laudos de todos os exames no prazo de 48 horas.

     

  • É precipitado flexibilizar o isolamento no RS, diz médico Armando de Negri
    Médico Armando de Negri falou aos deputados. Foto: Reprodução das redes sociais

    É precipitado flexibilizar o isolamento no RS, diz médico Armando de Negri

    Para o médico Armando de Negri Filho, coordenador-geral da Rede Brasileira de Cooperação em Emergências (RBCE), a flexibilização do distanciamento social, proposta pelo governo estadual, no atual estágio da pandemia, é precipitada e poderá pôr a perder toda a vantagem obtida até o momento. “Frente a um ambiente de alta incerteza, o primeiro mandamento é a precaução”, defendeu De Negri.

    A preocupação foi manifestada nesta quarta (13), em videoconferência da Comissão de Saúde e Meio Ambiente, da Assembleia Legislativa do RS, presidida pela deputada Zilá Breitenbach (PSDB), que teve como pauta a situação da saúde no estado e a atualização de dados sobre a pandemia do coronavírus, a Covid-19. Além do médico, participaram do debate a coordenadora do Departamento de Fiscalização do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) do Rio Grande do Sul, Cláudia Regina Mastrascusa Espíndola, e deputados membros da comissão.

    Segundo Armando De Negri Filho, o que se observa hoje no estado é um avanço da doença, tanto geograficamente como no número de infectados, e as medidas a serem tomadas devem ser pensadas a longo prazo, dada a possibilidade de novas ondas da doença e a inexistência de uma vacina ou medicamento efetivo.

    A seu ver, são cinco as condições necessárias para se iniciar a saída do isolamento: 1) a observação de um período de 14 dias em que se verificasse uma redução contínua dos casos de hospitalizações e óbitos; 2) a garantia por parte do sistema de saúde e de todos os outros aparatos de suporte social de que estaríamos preparados para eventuais flutuações de casos durante as retomadas das atividades; 3) a existência de uma estrutura de testagem adequada para o monitoramento constante dos casos suspeitos e dos trabalhadores em seu retorno às atividades; 4) a capacidade de se realizarem as quarentenas protetoras de forma adequada; e 5) a existência de um sistema de proteção econômica e social às famílias e microempresas em maior risco.

    De acordo com o médico, o estado não atende a essas cinco condições, por isso deveria manter o isolamento até que houvesse mais segurança para a retomada gradual das atividades. Ele sustenta que, embora o Rio Grande do Sul não apresente “números dramáticos, talvez”, a saturação do sistema pode ser muito rápida, sem que se tenha tempo para uma reversão. Segundo ele, em São Leopoldo, por exemplo, havia dez leitos, dos quais dois ocupados, o que significava 80% de desocupação, ou seja, na realidade, apenas oito leitos desocupados.

    O médico ainda observou que a oferta hospitalar no Rio Grande do Sul é historicamente deficiente, com em torno de um leito a cada mil habitantes, quando o ideal seria de três a quatro leitos, e lembrou que, nos próximos meses, devem se intensificar os quadros de infecções respiratórias com a chegada do inverno.

    A coordenadora do Departamento de Fiscalização do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) do Rio Grande do Sul, Cláudia Regina Mastrascusa Espíndola, também manifestou preocupação com a flexibilização das medidas de isolamento social, especialmente com a aproximação dos dias mais frios, e com a situação dos profissionais da saúde. Disse que no Rio Grande do Sul foram registrados 517 infectados e uma morte no setor, enquanto que no país o número era de 108 óbitos. Explicou que foram todos pegos de surpresa e não estavam preparados para uma atuação de forma segura, o que fez com que muitos profissionais se contaminassem, e defendeu que a única forma de conter a disseminação do vírus era reduzindo a circulação das pessoas.

    Proposta para a bancada federal e medidas na AL

    Ao término das manifestações, o deputado Pepe Vargas (PT), autor do convite para que o médico Armando De Negri participasse do encontro, propôs que a comissão entrasse em contato com a bancada federal gaúcha para uma discussão com o Ministério da Saúde quanto à abertura de leitos, entre outros assuntos. Já a presidente da comissão, deputada Zilá Breitenbach (PSDB), comunicou ter sido assinado ontem (12) um protocolo na Casa prevendo a criação de um grupo de trabalho para a tomada de ações relacionadas ao enfrentamento ao coronavírus.

    (Marinella Peruzzo – Agência de Notícias ALRS)