Autor: da Redação

  • Foram três tornados com velocidade de até 330 km/hora que causaram destruição no Paraná

    Foram três tornados com velocidade de até 330 km/hora que causaram destruição no Paraná

    O Sistema de Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) atualizou seus dados nesta segunda-feira (10), e confirmou: três tornados atingiram cidades da região central do estado na sexta (7).
    Rio Bonito do Iguaçu, que teve 90% dos imóveis destruídos, foi o município mais atingido,  mas também em Guarapuava (a 130 quilometros) e Turvo (a 166 km), registraram os fenômenos, com muitos estragos.

    A princípio, a medição tinha apontado que os ventos chegaram a até 250 km/h, mas, nesta segunda, a velocidade foi atualizada para até 330 km/h.

    As novas informações foram divulgadas após técnicos do órgão irem até as cidades e juntarem as informações coletadas in loco com as geradas por sistemas de análise.

    “As análises foram feitas, além do trabalho em cima dos radares, com vídeos, sobrevoos e vistorias em solo. A equipe técnica segue realizando estudos e análises de outras ocorrências suspeitas”, esclareceu o Simepar.

    Veja a explicação do órgão:
    – Por volta das 18h, uma tempestade supercelular atingiu Rio Bonito do Iguaçu, provocando danos significativos na área urbana. Foi um tornado de categoria F3 na escala Fujita, com ventos estimados entre 300 km/h e 330 km/h.
    – Na sequência, outras duas tempestades severas também geraram tornados. Uma foi em Guarapuava, especialmente na região do distrito de Entre Rios, classificada como F2, com ventos próximos de 250 km/h.
    -A outra foi em Turvo, ao sul da área urbana central, também classificada como F2, com ventos ao redor de 200 km/h.

    Registro do radar em Rio Bonito. Foto: Semapar/reprodução

     

    Imagem do tornado em Guarapuava. Foto: Simepar/Reprodução
    O tornado nas imagens do Radar em Turvo. Foto Simepar/Reproduçao
  • Enem 2025: Primeira prova no domingo teve 27% de abstenção

    Enem 2025: Primeira prova no domingo teve 27% de abstenção

    O primeiro dia de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 registrou 27% de abstenção, percentual semelhante à do ano passado (26,6%).

    Mais de 4,8 milhões de candidatos estavam habilitados a participar do Enem. Segundo o ministério, houve 3.240 participantes eliminados por diferentes irregularidades.

    Foram eliminados candidatos que não atenderam as orientações dos fiscais, utilizaram materiais impressos, ausentaram-se dos assentos fora do horário permitido, portaram equipamentos eletrônicos ou deixaram o local da prova portando o caderno de questões antes de 30 minutos do final da aplicação

    Gabarito

    O gabarito oficial do primeiro dia de prova deve ser divulgado na próxima quinta-feira (13). O exame foi aplicado em 1.805 municípios e envolveu mais de 300 mil pessoas de apoio.

    Neste domingo, o exame cobrou questões de múltipla escolha das seguintes áreas do conhecimento: língua portuguesa; literatura; língua estrangeira (inglês ou espanhol); história; geografia; filosofia e sociologia, artes, educação física e tecnologias da informação e comunicação. Foram 90 questões além da redação.

    Segundo professores ouvidos pela Agência Brasil, o tema da redação do Enem (o envelhecimento da população brasileira) foi adequado e permite discutir questões como violações de direitos e etarismo, o preconceito contra uma pessoa por causa de sua idade.

    “Prova linda”

    O ministro da Educação destacou que os  casos de reaplicação do exame têm data marcada: os dias 16 e 17 dezembro. Entre os alunos que terão essa oportunidade, estão os estudantes das cidades paranaense vítimas do tornado.

    Segundo dia

    O segundo dia de prova será no próximo domingo (16), quando serão cobrados conteúdos de ciências da natureza e matemática.

    Além de avaliar o ensino nas escolas, o Enem é a principal porta de entrada em universidades, principalmente nas públicas.

    A nota pode ser usada pelos estudantes no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), voltado às públicas, e no Programa Universidade para Todos (Prouni) e no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), os dois direcionados a instituições particulares.

  • COP30 começa com muita expectativa mas ainda longe da meta para conter aquecimento global

    COP30 começa com muita expectativa mas ainda longe da meta para conter aquecimento global

    Até agora, pouco mais de 100 países enviaram suas novas metas para 2035. Mas a maioria ainda está longe do necessário para conter o aquecimento global. Apenas dois – China e Nova Zelândia – têm planos compatíveis com o limite de 1,5°C, e quase 90 países sequer apresentaram novos compromissos.

    No domingo, véspera do início oficial da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), embaixador André Corrêa do Lago, divulgou sua décima e última carta à comunidade internacional, chamando os países para “um ciclo de ação” no enfrentamento da crise climática global. “Estamos concluindo um ciclo de palavras, para que o mundo abra um ciclo de ação”, disse o embaixador, que é o “presidente designado” da conferência.

    Na carta, ele relembrou a trajetória de discussões sobre a crise climática, iniciadas com a ECO-92, no Rio de Janeiro. “Em Belém, honraremos essa continuidade: a capacidade de nossa espécie de cooperar, renovar-se e agir em conjunto diante da incerteza”, escreveu

    Corrêa do Lago fez um resumo das cartas anteriores, nas quais foram delineadas as prioridades centrais para a COP30: reforçar o multilateralismo e o regime climático; conectar o regime climático à vida real das pessoas e à economia real; e acelerar a implementação do Acordo de Paris.

    Na carta, o embaixador conclamou as nações e os diversos atores a estarem “conscientes do privilégio e da oportunidade de transformar as negociações de um fórum de debate adversarial em um laboratório de soluções” — um mutirão global pelo progresso compartilhado”, acrescentou.

    Nesta segunda-feira (10), tem início as negociações da COP 30, que girarão em torno das definições das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês). As NDCs são metas de mitigação, ou seja, compromissos adotados pelos países para redução de emissões de gases de efeito estufa.

    O Brasil se comprometeu a reduzir entre 59% e 67% suas emissões até 2035, abrangendo todos os gases de efeito estufa e todos os setores da economia.

    Até o momento 79 países já divulgaram suas NDCs. Eles são responsáveis por 64% das emissões. Os 118 restantes, são responsáveis por 36%. A expectativa é que a agenda de mitigação da crise climática avance com ações mais concretas de financiamento dos países em desenvolvimento.

  • Prioridade nas favelas: Saúde (42%), Educação (31%) e Segurança (21%)

    Prioridade nas favelas: Saúde (42%), Educação (31%) e Segurança (21%)

    Uma pesquisa para o jornal Extra, do Rio, mostra que a maior prioridade dos moradores das favelas não é a segurança, mas a saúde e, em seguida, a Educação.

    Foram ouvidas 482 pessoas entre os dias 24 de setembro e 29 de outubro, moradoras de diferentes regiões.

    Saúde é a área em que os entrevistados mais querem ver melhorias na comunidade onde vivem: foi apontada por 42% deles.

    Educação vem em seguida, com 31%. Segurança, com 21% fica em terceiro. A percepção de que a segurança seria a demanda mais urgente, depois das 121 mortes na operação contra o Comando Vermelho, há uma semana não se confirma.

    “O que se confirma é que ouvir as favelas deveria uma ação fundamental de qualquer gestor e formulador de políticas públicas”, disse o historiador Edson Diniz, fundador e ex-diretor da ONG Redes da Maré.

    A mobilidade também precisa melhorar muito, segundo os moradores. Mais de 80% dos entrevistados levam até duas horas por dia em seus deslocamentos para o trabalho ou estudo.

    A pesquisa quis saber o índice de satisfação dos moradores com o Rio de Janeiro: 44% declararam estar insatisfeitos por viver na “cidade maravilhosa”.

    (Com informações do Extra)

  • Empresário condenado a indenizar Lula por danos morais

    Empresário condenado a indenizar Lula por danos morais

    Luciano Hang, o “véio da Havan”, foi condenado a pagar  33 mil reais ao presidente Lula, por danos morais. No verão de 2020, o empresário fez aviões sobrevoarem as praias de Santa Catarina com faixas ofensivas:

    “Lula cachaceiro, devolva meu dinheiro”.

    “Lula na cadeia, eu com o pé na areia”,

    “Melhor que verão é o Lula na prisão”,

    “Lula enjaulado é o Brasil acordado”.

    Lula recém havia recuperado a liberdade depois de mais de 500 dias de prisão.

    O juiz na primeira instância, concluiu que se tratava de “liberdade de expressão”. Pessoa pública, Lula estava “sujeito a críticas” e não acolheu a denúncia. Em recurso, o Tribunal de Justiça do Estado, reconheceu a denúncia e  condenou Hang, dono da rede de lojas Havan, por danos morais a Lula.

    O desembargador Flávio André Brum considerou que, embora dirigidas a uma pessoa pública, as mensagens “são censuráveis e não tinham interesse público”.

    Hang já tem uma condenação pelo Tribunal Superior Eleitoral e está inelegível até 2028, por abuso de poder econômico na eleição de 2020.

  • Banco presidido por Dilma vai financiar rede de hospitais inteligentes no Brasil

    Banco presidido por Dilma vai financiar rede de hospitais inteligentes no Brasil

    Uma rede de hospitais inteligentes será o primeiro grande projeto financiado pelo Banco do BRICS, no Brasil.

    A informação foi confirmada pelo ministro Alexandre Padilha, da Saúde.

    Serão dez unidades regionais, além de um hospital-modelo, vinculado à Universidade de São Paulo (USP), que servirá como centro de pesquisa e inovação em saúde pública.

    Segundo Padilha, o plano já foi apresentado ao banco e deve ser aprovado até o fim de 2025, para que as obras comecem no próximo ano.

    Os novos hospitais terão equipamentos conectados, monitoramento remoto de pacientes e uso de inteligência artificial para agilizar diagnósticos e melhorar a gestão médica e administrativa.

    Padilha disse que o modelo foi inspirado em experiências de países como China e Índia, onde a tecnologia já é usada de forma integrada à saúde pública. “O objetivo é trazer esse conceito para o Brasil e fortalecer o SUS com inovação e eficiência”, afirmou.

    O banco BRICS, oficialmente chamado Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), é uma instituição financeira multilateral criada em 2014 para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável. É presidido pela ex-presidente Dilma Rousseff.

    Com sede em Xangai, China, o banco se posiciona como  uma alternativa às instituições financeiras tradicionais, com o objetivo de impulsionar o crescimento econômico dos países membros e outras nações em desenvolvimento.
    No Brasil, o projeto deve priorizar o Nordeste e a Amazônia, regiões que enfrentam mais carência de infraestrutura hospitalar. Cada unidade será ligada a universidades locais, permitindo o compartilhamento seguro de dados e pesquisas entre médicos e pesquisadores.

    O BRICS é formado por 11 países-membros: África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Índia, Irã e Rússia. Essas nações representam 39% da economia mundial e 48,5% da população do planeta.

    O grupo busca mais cooperação entre si e tratamento mais equânime em organismos internacionais.

  • Em retaliação ao governo, oposição derruba vetos de Lula e restabelece o “PL da Devastação”.

    Em retaliação ao governo, oposição derruba vetos de Lula e restabelece o “PL da Devastação”.

    Em votação conjunta no Congresso Nacional, na quinta-feira (27), foram derrubados  os vetos do presidente Lula à Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei nº 15.190/2025),  o chamado  “PL da Devastação”.

    Aconteceu o que as organizações de defesa ambiental temiam: a reabilitação dos dispositivos que autorizam autolicenciamento amplo, emissão automática de licenças e execução de grandes obras sem estudos ambientais.

    Também ficaram em risco direitos de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Eles podem ser ignorados nos processos de licenciamento caso seus territórios ainda não estejam demarcados ou titulados.

    A restauração do texto original, segundo os ambientalistas, permite que estados e municípios definam sozinhos os empreendimentos que podem ser licenciados automaticamente, sem análise prévia de impactos.

    Obras em áreas sensíveis da Amazônia, como estradas e hidrovias, podem avançar sem salvaguardas, ampliar emissões de gases do efeito estufa, contrariando os compromissos defendidos pelo Brasil na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).

    “A derrubada dos vetos é um ataque aos fundamentos da nossa política ambiental, conflitando com tudo o que o país defendeu na COP30. Colegiados como o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e o próprio papel regulamentar da União ficam esvaziados”, afirmou Suely Araújo, do Observatório do Clima.
    As entidades classificam a votação como o maior retrocesso ambiental em 40 anos.

    “A  derrubada dos vetos pode nos levar ao precipício ambiental e climático, com mais desastres como os de Mariana e de Brumadinho”, disse Mauricio Guetta, da Avaaz.
    “Derrubar os vetos significa ignorar a ciência, ampliar a insegurança jurídica e fragilizar a governança ambiental do país”, segundo Clarissa Presotti, do WWF-Brasil.

    Para as organizações, manter os vetos era essencial para evitar insegurança jurídica, conflitos socioambientais e impactos climáticos irreversíveis, além de garantir coerência com a agenda internacional apresentada pelo Brasil em Belém.

    Segundo Natalia Figueiredo, da Proteção Animal Mundial, “as incontáveis perdas à nossa biodiversidade promovidas por essa derrubada serão responsabilidade dos legisladores”.

    PL da Devastação

    A lei com novas regras de licenciamento ambiental foi aprovada na Câmara dos Deputados em julho deste ano, incorporando 29 emendas do Senado ao Projeto de Lei nº 15.190, e contava com apoio do agronegócio e de setores empresariais.

    No dia 8 de agosto, o presidente Lula sancionou o projeto de lei com 63 vetos, convencido de que as medidas garantiriam “proteção ambiental e segurança jurídica”.

    No mesmo dia, também foi assinada a Medida Provisória  1.308, para permitir licenciamento simplificado de projetos e obras consideradas “estratégicas” pelo governo. Ambientalistas criticam a MP por entender que ela cria atalhos para empreendimentos como a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, a pavimentação de estradas e a liberação de outros projetos que passariam a ser aprovados por decisão meramente política.

    No dia 18 de setembro, o Observatório do Clima publicou um levantamento que identificou 833 emendas do Congresso à MP. Cerca de 75% das propostas retomam dispositivos rejeitados pelo presidente Lula e 80% representam retrocessos ambientais.

    Para a instituição, a estratégia permite usar a MP como atalho para reconstruir integralmente o “PL da Devastação” e incluir novos dispositivos sem debate público ou controle social.

     

  • Moradores protestam: “150 mortes por uma guerra política”

    Moradores protestam: “150 mortes por uma guerra política”

    Mereceu pouco espaço no noticiário sobre a matança no Rio o protesto dos moradores que tomaram a frente do Palácio Guanabara, sede do governo do Estado, na quarta-feira.

    Eles acusaram o governador Claudio Castro de ter liderado “uma carnificina na operação policial” que deixou mais de 100 mortos. (O número divulgado pelas autoridades policiais até agora é de 121 mortos, sendo 4 policiais)

    O grupo foi escoltado do Complexo da Penha até o Palácio Guanabara por policiais do Batalhão Tático Móvel da Polícia Militar.

    Os manifestantes exibiram cartazes com frases como “estado genocida”, “todas as vidas importam”, “150 mortes por uma guerra política” e “Castro assassino”. Também havia dezenas de bandeiras do Brasil com manchas vermelhas.

    “Não é possível que esse governador não seja responsabilizado por tantas vidas. Ou nós já temos pena de morte no país? O que aconteceu dentro da comunidade foi um genocídio. Toda véspera de eleição, tem uma estratégia de entrar nas nossas comunidades, matar o nosso povo e causar o terror”, disse Rute Sales, moradora da região e ativista negra.
    “Os corpos estão sendo usados politicamente. E os corpos que tombam são os nossos, do povo preto e do povo pobre. Não aguentamos mais”, complementou.

    O ato ocorreu pouco antes da reunião entre Castro e o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. Eles anunciaram a criação de um escritório emergencial para enfrentar o crime organizado no estado, e melhorar a integração entre as esferas federal e estadual.

    A coordenação será compartilhada entre o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, e o secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Santos.

    Lewandowski disse que o governo federal vai aumentar do efetivo da Polícia Rodoviária Federal em 50 agentes nas estradas e o efetivo de agentes de inteligência no estado. Também foram colocados à disposição peritos e vagas nos presídios federais, caso o governo estadual requisite.

    Mesmo com o número de mortos, o caos que tomou conta da cidade e a denúncia feita por moradores da Penha e do Alemão de que ocorreram execuções e torturas nas comunidades, o governador do Rio, Claudio Castro, disse que a operação foi um sucesso e as “únicas vítimas foram os quatro policiais mortos”.

    Ele disse ter dado um “duro golpe na criminalidade” e que não houve precipitação das forças de segurança.

    (Com informações da Agência Brasil)

  • Guerra no Rio: moradores expõem corpos em praça para facilitar reconhecimentos; mortos são mais de 100

    Guerra no Rio: moradores expõem corpos em praça para facilitar reconhecimentos; mortos são mais de 100

    O corpos, recolhidos durante a noite, estavam na área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde se concentraram os confrontos entre as forças de segurança e traficantes. No total, já foram contados 128 mortos.
    “Em 36 anos de favela, passando por várias operações e chacinas, eu nunca vi nada parecido com o que estou vendo hoje. É algo novo. Brutal e violento num nível desconhecido”, disse o ativista Raull Santiago, um dos que ajudaram a retirar os corpos da mata, em entrevista ao G1.
    O traslado dos corpos até a praça, segundo moradores, foi para facilitar o reconhecimento por parentes. Moradores os deixaram sem camisa para deixar à mostra tatuagens, cicatrizes e marcas de nascença, que podem facilitar o reconhecimento
    Muitos dos mortos tinham feridas a bala – alguns estavam com o rosto desfigurado.
    Depois, a Polícia Civil informou que o atendimento às famílias para o reconhecimento oficial ocorrerá no prédio do Detran localizado ao lado do Instituto Médico-Legal (IML) do Centro do Rio.
    Nesse período, o acesso ao IML será restrito à Polícia Civil e ao Ministério Público, que realizam os exames necessários. As demais necropsias, sem relação com a operação, serão feitas no IML de Niterói.

    (Com informações do G1, Extra e Agencia Brasil)

  • Guerra do Rio: 64 mortos, 81 presos, 93 fuzis apreendidos

    Guerra do Rio: 64 mortos, 81 presos, 93 fuzis apreendidos

    Barricadas, fogo nas ruas, vias bloqueadas, impactos nos transportes, escolas, universidades e unidades de saúde. O Rio de Janeiro viveu um dia de terror nesta terça-feira, 28/10.

    Dois mil e quinhentos policiais civis e militares participaram da Operação Contenção contra a facção criminosa Comando Vermelho, nos complexos do Alemão e da Penha.

    Até o início da noite, o registro era de 64 pessoas mortas, inclusive quatro policiais, 81 presos e 93 fuzis apreendidos,  na operação policial mais violenta já realizada no Estado, cuja história recente é marcado por intervenções contra o crime organizado com muitas mortes, inclusive de inocentes.

    A operação desta terça foi a repetição de uma política de segurança ineficaz, que consome enormes recursos, produz violência e medo para a população e apresenta resultados pífios quanto o combate efetivo ao crime.

    Neste 2025, o orçamento do Estado prevê R$ 19,4bilhões, sendo R$ 9 bilhões para a Polícia Militar e R$ 1,7 bilhão, para o sistema prisional. Houve um aumento de R$ 1,4 bilhão em relação a 2024.

    “Esses recursos servem a uma política de produção de morte. Não para pensar uma polícia de inteligência, de menos confrontos. Qual o custo dessa operação policial para os cofres públicos, diretos e indiretos? Quais os custos de uma cidade parada, do caos que foi gerado?”, questiona o  militante do movimento de favelas, Fransérgio Goulart.

    Uma nota conjunta de 27 organizações da sociedade civil critica a operação que é considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro. Antes dela, a operação de 2021 no Jacarezinho deixou 27 civis mortos.

    Segundo as organizações, “segurança pública não se faz com sangue” e os resultados da operação desta terça-feira expõem “o fracasso e a violência estrutural da política de segurança no estado”.

    O texto diz ainda que, ao longo dos quase 40 anos de vigência da Constituição Federal, as favelas fluminenses têm visto a consolidação de uma política de segurança baseada no uso da força e da morte, travestida de “guerra” ou “resistência à criminalidade”. As ações seriam atuação seletiva, dirigida contra populações negras e empobrecidas.

    Além de não haver sinais de que as ações reduzam o poder das facções criminosas, geram insegurança e medo na população e interrompem o cotidianos de milhares de famílias. A morte não pode ser tratada como política pública, dizem as entidades.

    “O que se testemunha hoje é o colapso de qualquer compromisso com a legalidade e os direitos humanos: o Estado substitui a segurança pública baseada em direitos por ações militares de grande escala. Sob o pretexto da ‘guerra às drogas’, instala-se um estado de insegurança permanente, voltado contra a população negra e pobre das favelas. Não há justificativa para que uma política estatal, supostamente voltada à proteção da sociedade, continue a ser conduzida a partir do derramamento de sangue”, diz trecho do comunicado.

    Assinam o texto, as entidades Anistia Internacional Brasil, Justiça Global, Centro de Estudos de Segurança e Cidadania — CESeC, Conectas Direitos Humanos, Centro pela Justiça e o Direito Internacional — CEJIL, Instituto Papo Reto do Complexo do Alemão, Redes da Maré, Instituto de Estudos da Religião — ISER, Observatório de Favelas, Núcleo de Assessoria Jurídica Universitária Popular (NAJUP), Movimento Unidos dos Camelôs, Grupo Tortura Nunca Mais — RJ, Fórum Popular de Segurança Pública do Rio de Janeiro, CIDADES – Núcleo de Pesquisa Urbana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Instituto de Defensores de Direitos Humanos — DDH, Iniciativa Direito Memória e Justiça Racial, Frente Estadual pelo Desencarceramento — RJ, Instituto Terra Trabalho e Cidadania — ITTC, Associação de Amigos/as e Familiares de Pessoas Presas e Internos/as da Fundação Casa — Amparar, Gabinete Assessoria Jurídica Organizações Populares — GAJOP, Instituto Sou da Paz, Rede Justiça Criminal, Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional — FASE RJ, Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares — RENAP RJ, Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, Casa Fluminense e Plataforma Justa.

    O governador do Rio de Janeiro defendeu a operação afirmando que se for necessário vai exceder os limites e as competências do governo estadual para manter “a nossa missão de servir e proteger nosso povo”. Ao justificar a operação, o governador cobrou mais apoio federal no enfrentamento às organizações criminosas que atuam no estado e em outras partes do território brasileiro. Segundo Castro, o estado está atuando “sozinho nesta guerra”.

    (Com informações da Agência Brasil)