Autor: da Redação

  • Edson Fachin, exclusivo: “Os riscos de colapso se tornam reais”

    Edson Fachin, exclusivo: “Os riscos de colapso se tornam reais”

    IVANIR BORTOT, especial para o JÁ

    O ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, fez uma robusta defesa da democracia e das conquistas civilizatórias e humanitárias da Constituição de 1988 ao comemorar seus 6 anos à frente do Supremo.

    “Fora da Constituição, acima da Constituição, contra a Constituição há somente desertores da democracia”, disse Fachin, em evento feito pela internet que teve a presença da ministra Rosa Weber, juristas, acadêmicos e de palestrante gaúcha, professora Judith Martins Costa, e do jurista alemão Jan Peter Schmidt.

    Para Fachin “agora, mais que antes, as instituições democráticas e a sociedade legitimamente cobram, com cada vez mais vigor, melhores serviços públicos e mais eficiência das instituições.”

    O ministro fez referência às consequências da pandemia na vida das pessoas no Brasil, mundo afora, e seus desafios à frente do STF.

    “Seis anos emolduram presentemente uma evocação de memórias tanto recentes quanto mediatas. Há mais de um lustro atravessamos esse Rubicão. Olhávamos antes uma aparente planície de conflitos jurídicos suscetíveis de pequenas descargas elétricas; nada obstante, foram erupções vulcânicas no direito contemporâneo destes últimos anos, nas Cortes constitucionais deste tempo, nas próprias relações sociais e, até mesmo, na compreensão da individualidade”.

    Fachin também enfatizou que, a partir de 2020, a topografia tradicional do “ordenamento jurídico foi erodida pela crise das crises, e assim a superfície material e procedimental da normatividade jurídica mostra sulcos interrogantes que a força dos fatos pandêmicos cavou”.

    “Nesse chiaroscuro, o nosso Direito Civil, essa catedral de significados, também foi abalroado, quer nos direitos da personalidade, quer no direito dos contratos, quer nas titularidades, bem como nas empresas, nas famílias e nas sucessões. Nada, a rigor, que assombre as mentes e corações destinados a arrostar tempestades. Assim se deu nas famílias jurídicas romano-germânicas ocidentais, uma travessia de tradição e movimento”.

    A constitucionalização dos direitos no século pretérito, segundo Fachin, equivale ao que, na astronomia, corresponde à teoria heliocêntrica e superação do antigo sistema ptolomaico.

    “Sem embargo, essa travessia não tem um porto seguro para ancoragem. Admitamos, de uma parte, que as Constituições contemporâneas se tornaram livros do desassossego. De outro lado, a contemporaneidade se vê diante de um universo jurídico infinito. Os regimes jurídicos emergenciais na pandemia traduzem a perplexidade, à perfeição, na tragédia e no luto, explodindo todas as perspectivas.

    Enfim, metaforicamente, também no universo jurídico, descobriu-se que o sol, a rigor, é apenas uma das inúmeras estrelas, não ocupa o centro que, aliás, parece sequer existir. Orbitamos, pois, entre inquietações e múltiplos desafios, agora próximos à inteligência artificial e à superação do antropocentrismo”.

    “Como,  então, manter a unidade do sistema na pluralidade sistemática, como dar coerência a um universo de múltiplos sóis e planetas normativos espalhados sem rígida hierarquia por um mundo jurídico infinito?”

    “Eis apenas uma das interrogações que faz a mutação constante de fenômenos sociais, econômicos, políticos e culturais. Ambiente desafiador, mutável e imprevisível sonha por estabilidade, segurança e fidelidade, e toma como corrimão a metodologia do pensamento e da interpretação. O hardware do cognominado mundo jurídico compõe uma base da estabilidade e permanência possíveis, mas o software se altera aceleradamente. A catraca cultural, muito referenciada nas obras do professor Sidarta Ribeiro, nos empurrou com força aos computadores e à internet”.

    “Antes lento, viscoso e travado, o fluxo das informações tornou-se a nova caverna de Platão, capturada pelos usos febris de Facebook, Instagram, Twitter, blogs, vlogs e uma “fábrica desgovernada de narrativas. Se não olharmos juntos para o abismo à frente, os riscos de colapsos se tornam reais”, disse Fachin.

     

  • Comissão lista 200 nomes para ouvir sobre a Reforma Administrativa

    Comissão lista 200 nomes para ouvir sobre a Reforma Administrativa

    A reforma administrativa que tramita no Congresso vai passar por 12 audiências públicas, segundo decidiu a Comissão Especial instalada  na quarta-feira, 16,  para analisar a PEC 32/20, que promove profundas transformações no serviço público federal.

    Entre os temas de destaque está a ampliação dos cargos de comissão, os chamados CCs.

    Na primeira reunião, os parlamentares aprovaram 59 requerimentos para convidar mais de 200 nomes para debater a reforma administrativa, na maior parte representantes de sindicatos e associações profissionais de servidores públicos.

    Os convidados mais aguardados são os ministros da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, e da Economia, Paulo Guedes.

    Presença
    A comissão especial pode ouvir Guedes já na semana que vem.

    O presidente da comissão, deputado Fernando Monteiro (PP-PE), afirmou que vai levar o convite pessoalmente ao ministro e propor que ele compareça no plenário da comissão, na Câmara dos Deputados. Deputados da oposição reclamaram que, durante o debate da PEC 32/20 na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, Paulo Guedes teria deixado de responder perguntas e saíra antes do esperado.

    O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) insistiu que o ministro não falasse remotamente de seu escritório. “Estamos aqui presentes e acredito que ele deveria estar aqui presente para debater a reforma administrativa. Ele já tomou vacina”, argumentou. “Quero ver se Paulo Guedes vai ter coragem de debater olho no olho”, desafiou o deputado Gervásio Maia (PSB-PB). “Quando o ministro foi à CCJ, o que menos falou foi sobre a PEC 32. Se a PEC 32 fosse boa, o debate estaria acontecendo.”

    Ivan Valente (Psol-SP) ponderou que a proposta deve ser discutida com mais vigor do que na CCJ, por se tratar de uma comissão de mérito. “Temos que ter tempo para falar. Na CCJ, o ministro foi proselitista. Até hoje não respondeu que ganhos vai se ter com esta reforma. Ele joga números, não responde e não mandou para CCJ os estudos que basearam esta proposta.” O deputado Rogério Correia (PT-MG) afirmou que, além de falar, o ministro precisa escutar os deputados. “Tomara que o ministro venha e escute. Porque ele fala e depois vai embora”, reclamou.

    O líder do governo, deputado Ricardo Barros (PP-PR), prometeu que o Paulo Guedes virá à comissão na semana que vem ou na próxima. “O ministro virá com prazer, porque vem defender uma proposta elaborada por sua equipe”, observou. No entanto, Ricardo Barros alertou para que o debate não seja transformado em um “espetáculo”. “O ministro responderá as perguntas pertinentes, não responderá as perguntas não pertinentes”, avisou.

    Ricardo Barros defendeu que a reforma administrativa tem como princípio a meritocracia. “Aqueles servidores que se esforçam, que carregam o piano, que se dedicam, terão reconhecimento. E aquele que lê jornal o dia inteiro não receberá o mesmo prêmio do que se esforçou, na isonomia”, explicou.

    De acordo com o líder do governo, as carreiras típicas de Estado manterão a estabilidade, mas deverão produzir resultados. “O nome servidor é próprio da sua função. É para servir, não para se servir da comunidade.”

    Plano
    Entre as audiências públicas propostas, o relator diz que o tema que gera maior cobrança é sobre as categorias não incluídas na reforma administrativa: juízes, membros do Ministério Público, membros dos tribunais de Contas, titulares de mandatos eletivos e militares. “As pessoas que estão na PEC se sentem prejudicadas por essas categorias não estarem incluídas”, notou. “Este é um tema que teremos de enfrentar aqui, porque é recorrente na imprensa.”

    Arthur Oliveira Maia também considera sensível a audiência pública sobre contratação temporária, cargos em comissão e funções de confiança. “Parece que há uma tentativa de fazer uma grande ampliação dos cargos em comissão. Posso até antecipar minha posição, isso me parece um equívoco muito grave. Temos que coibir”, sustentou. “Hoje as funções de confiança, os cargos de chefia, são todos com indicações próprias de servidores do Estado. Agora estão querendo que todos sejam.”

    As audiências propostas pelo relator são:
    – dispositivo sobre intervenção do Estado no domínio econômico;
    – propostas de inovação na administração pública;
    – categorias excluídas da reforma administrativa;
    – concurso público e o vínculo de experiência;
    – condições para aquisição da estabilidade no serviço público;
    – carreiras típicas de Estado e servidores contratados por tempo indeterminado;
    – contratação temporária, cargos em comissão e funções de confiança;
    – avaliação de desempenho e de servidores públicos;
    – avaliação do Regime Próprio de Previdência Social;
    – trabalhadores de empresas púbicas;
    – efeitos da reforma administrativa sobre os atuais servidores;
    – regulamentação da reforma.

    O relator afirmou que vai reformular o plano para acolher sugestões dos deputados para debates sobre o impacto social da reforma na saúde, educação, serviço social e meio ambiente; o impacto nos serviços públicos municipal e estadual; o impacto nas Forças Armadas e na Segurança Pública. Outro tema é o impacto da reforma sobre direitos trabalhistas e a representação sindical de servidores públicos.

    A comissão especial também deve promover seminários regionais nos estados para discutir a reforma administrativa e seus efeitos no serviços públicos estaduais e municipais.

    Extrateto
    Fernando Monteiro convidou os deputados a manter o diálogo nos trabalhos da comissão especial, e restringir o debate à PEC 32. Mesmo com a aprovação dos requerimentos, não há garantia de que todas as pessoas serão ouvidas. No entanto, em cada audiência pública, haverá um equilíbrio entre os nomes sugeridos pelo governo e pela oposição.

    O presidente da comissão também defendeu a aprovação do Projeto de Lei 6726/16, que busca acabar com supersalários no funcionalismo público, antes da reforma administrativa. “O extrateto pode ser votado antes da reforma administrativa. Está muito mais adiantado e tem a vantagem de ser por lei, o que exige quórum menor.”

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

     

  • Privatização da Eletrobrás: Senado acrescenta seus “jabutis” e aprova projeto de Bolsonaro

    Privatização da Eletrobrás: Senado acrescenta seus “jabutis” e aprova projeto de Bolsonaro

    O Plenário do Senado aprovou nesta quinta-feira (17) a medida provisória que permite a desestatização da Eletrobras — MP 1.031/2021, que, devido às alterações feitas pelos parlamentares, está tramitando no Congresso sob a forma de um projeto de lei de conversão: o PLV 7/2021.

    Essa medida provisória já havia sido aprovada (e modificada) pelos deputados federais. Mas como os senadores alteraram o texto que veio da Câmara, ele terá de voltar à Câmara dos Deputados para nova votação.

    A MP precisa da aprovação final do Congresso até o dia 22, quando perde a validade.

    Os senadores retomaram pela manhã a discussão sobre a proposta, que havia sido iniciada na quarta-feira (16). Foram cerca de nove horas de debates, no total, com a apresentação de três pareceres diferentes pelo relator, senador Marcos Rogério (DEM-RO).

    A disputa se refletiu no resultado final da votação: a MP recebeu 42 votos favoráveis, um a mais do que o mínimo necessário para a aprovação, e 37 contrários.

    O modelo de desestatização prevê a emissão de novas ações da Eletrobras, que serão vendidas no mercado sem a participação da União, resultando na perda do controle acionário de voto mantido atualmente por ela. Cada acionista, individualmente, não poderá deter mais de 10% do capital votante da empresa. A União terá uma ação de classe especial (golden share) que lhe garante poder de veto em decisões da assembleia de acionistas.

    A MP foi aprovada com dispositivos introduzidos pela Câmara dos Deputados que preveem que o governo federal patrocine, pelos próximos 15 anos, a contratação de usinas termelétricas a gás natural em regiões do interior do país onde hoje não existe esse fornecimento. O senador Marcos Rogério, porém, removeu a regra que tornava esse processo uma condição para o processo de desestatização.

    Para o relator, a aprovação dessa medida provisória fortalecerá a Eletrobras e ao mesmo tempo manterá a União como um ator importante na gestão do setor elétrico. Ele afirmou que o modelo atual de controle estatal deixou estagnada a geração de energia, o que poderá ser revertido com a MP.

    — A capitalização da Eletrobras devolve a ela o protagonismo no setor elétrico e a capacidade real de investimento para modernização do parque de geração e de transmissão, com foco, sobretudo, na redução do preço da energia.

    A previsão de contratação das termelétricas foi criticada pelos parlamentares ao longo da semana, sendo considerada um “jabuti” (um trecho inserido no texto que não tem relação com o propósito original da MP). Marcos Rogério argumentou que a incorporação dessas usinas terá um papel importante na estabilização e no barateamento do fornecimento de energia para o interior.

    — O Brasil hoje tem que despachar térmicas a diesel, muito mais poluentes e caras, além de importar energia. Ela tem um custo médio de R$ 1 mil por megawatt/hora. Manter o modelo atual, sem o incremento dessa infraestrutura, da energia termelétrica movida a gás, significa ficar como estamos. Nós precisamos de energia firme. Os parques termelétricos garantem isso.

    O senador Eduardo Braga (MDB-AM), que foi ministro de Minas e Energia, também defendeu a proposta do uso das termelétricas, argumentando que o país é excessivamente dependente de hidrelétricas que vivem dificuldades para manter seus reservatórios, o que levaria a um cenário de desabastecimento ou de tarifas altas. Ele disse que a diferença entre a garantia física das hidrelétricas e a energia que efetivamente geram — o chamado risco hidrológico — hoje é custeada pelo consumidor.

    — A carteira de investimento da Eletrobras hoje só tem um projeto: a usina nuclear de Angra dos Reis. Enquanto isso, nós estamos comprando e despachando energia. Os nossos reservatórios estão em crise não é de hoje. A Eletrobras voltou a dar lucro porque o povo brasileiro a indenizou para manter o pagamento do risco hidrológico — afirmou Braga.

    As termelétricas deverão atender a estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No relatório final, Marcos Rogério acrescentou também as áreas da região Sudeste hoje atendidas pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e os estados sudestinos que são produtores de gás natural. Em suas últimas mudanças no texto, na manhã desta quinta, o relator também fez várias alterações nas cotas mínimas de energia das termelétricas destinadas a cada região, procurando acomodar os pedidos dos colegas.

    Jean Paul Prates (PT-RN), líder da minoria no Senado, criticou essas negociações para construção do texto, que ele chamou de “barganhas” sem embasamento técnico.

    — Nós estamos tratando disso como se fosse uma xepa energética. São megawatts subsidiados, que vão para a conta de luz do cidadão. Não é possível fazer isso sem estudo de impacto tarifário, sem estudo de viabilidade técnica e ambiental. Estamos falando de distorcer o planejamento energético, que é feito de forma decenal; as fontes competem pela tarifa mais baixa. Não podemos fazer a irresponsabilidade de fazer essa quermesse.

    Durante o dia, os senadores contrários à MP reiteraram que ela compromete a soberania nacional, ao tirar do controle do Estado a empresa que é a maior produtora e distribuidora de energia do país. Eles também argumentam que os termos do projeto criam “oligopólios setoriais” que vão reduzir a concorrência e encarecer as tarifas de luz. Para os parlamentares que se posicionaram a favor da desestatização, a proposta deve abrir caminho para mais investimentos em infraestrutura energética e para melhor atendimento a regiões remotas do país.

    Fonte: Agência Senado

  • Energia pode subir mais de 20% com entrada das usinas térmicas para evitar apagão

    O diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), André Pepitone, afirmou nesta 3ª feira (15.jun.2021) que o reajuste da bandeira vermelha 2 deve elevar em mais de 20%, a conta de luz.

    Pepitone participou de um debate sobre a crise hídrica na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.

    Disse que o valor cobrado pode chegar a R$ 7,57 a cada 100 kWh.

    O valor da bandeira vermelha em junho de 2021 é de R$ 6,24 a cada 100 kWh.

    O aumento do preço ainda é discutido pela Aneel. Deve ser comunicado ainda em junho.

    O aumento do preço é justificado pela “crise hídrica que atinge o país”.

    Com os reservatórios das hidrelétricas quase vazios, principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, o governo precisa acionar as usinas térmicas, que custam mais para a produção de energia.

    Segundo Pepitone, o uso das usinas térmicas deve resultar em um custo de R$ 9 bilhões até novembro de 2021.

    O reajuste da bandeira vermelha faz parte de uma série de ações da Aneel para diminuir os efeitos da crise hídrica e evitar o racionamento energético.

    No mesmo evento, Pepitone afirmou que pretende firmar uma parceria com o governo federal para deslocar para fora do horário de pico o consumo das indústrias.

    O objetivo é possibilitar que o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) tenha mais recursos para operar o SIN (Sistema Interligado Nacional) durante a crise hídrica.

    O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou nesta terça (15) que o Brasil corre risco de sofrer racionamento igual ao ocorrido em 2001, no governo Fernando Henrique Cardoso.

    O deputado discutiu o assunto hoje com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. “Não se falou em apagão, falou-se em racionamento, na economia [de energia]… Mas não acredito que tenha apagão, pode ter energia mais cara por causa do uso das térmicas”, disse.

    O governo prepara uma medida provisória para instituir um comitê que poderá prever “programa de racionalização compulsória do consumo de energia elétrica”.

    Entre as medidas anunciadas está o acionamento de usinas termelétricas disponíveis e o aumento da importação de energia da Argentina e do Uruguai.

     

  • Privatização da Eletrobras: Senado começa a votar a MP dos “jabutis”

    Privatização da Eletrobras: Senado começa a votar a MP dos “jabutis”

    O Senado começa a analisar nesta quarta-feira (16) a medida provisória que trata da desestatização da Eletrobras (MP 1.031/2021), tema que está cercado de incertezas.

    Os senadores têm manifestado desconfiança com as possíveis consequências da medida, insatisfação com as mudanças no texto promovidas pela Câmara dos Deputados e dúvidas sobre a manutenção das suas próprias intervenções no texto final.

    Em meio a esses obstáculos, a MP já está perto do fim de seu prazo de validade: se ela não for aprovada pelo Congresso Nacional até a próxima terça-feira (22), perderá seus efeitos.

    Se o Senado alterar o texto, a medida provisória terá de passar por uma nova votação na Câmara para ser definitivamente aprovada no Congresso. Se o prazo expirar sem que haja a aprovação, o governo federal não poderá enviar outra MP sobre o mesmo tema neste ano.

    A MP ainda não tem relatório, que deverá ser apresentado no dia da votação pelo senador Marcos Rogério (DEM-RO).

    “Jabutis”

    Vários senadores já se insurgiram contra adições da Câmara ao texto da MP que são consideradas “jabutis”: dispositivos sem relação com o assunto central, que apenas “pegam carona” na proposta.

    Quando isso acontece, a Presidência do Senado pode declarar a impugnação do trecho contestado.

    A bancada do Podemos encaminhou ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, um pedido para remover quatro artigos do texto que veio da Câmara.

    Um deles insere a obrigação de que o governo federal contrate, por um período de 15 anos, usinas termelétricas movidas a gás natural nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste (mesmo em estados que ainda não tenham gasodutos instalados). As termelétricas são mais poluentes do que outras formas de geração de energia.

    Outros dispositivos questionados regulam leilões de energia e dispõem sobre obrigações das empresas estatais que precisarão ser criadas para a administração da usina de Itaipu e da energia nuclear — que, por determinação constitucional, devem ficar sob controle da União.

    Na sessão deliberativa desta terça-feira (15), o senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) chamou os trechos de “penduricalhos” e afirmou que eles são “uma afronta” ao povo brasileiro. Oriovisto criticou especialmente o deputado federal Elmar Nascimento (DEM-BA), relator da MP na Câmara, que chegou a garantir que os deputados restaurariam os trechos que o Senado viesse a retirar.

    — Eu me senti ofendido. A sensação que temos é que poderíamos fechar o Senado — ironizou Oriovisto.

    Em entrevista coletiva concedida nesta terça, o senador Marcos Rogério minimizou a polêmica e disse que está colhendo todas as sugestões dos senadores para produzir um relatório final de “convergência” entre a Câmara e o Senado. O objetivo, segundo ele, é evitar disputas. Para Marcos Rogério, todos os termos da proposta devem ser considerados.

    — Não posso, de maneira antecipada, tratar as emendas [da Câmara] como “jabutis”. É um termo pejorativo. Muitas vezes isso é retórica para afastar o mérito da mudança legislativa. Não é o momento de fazer esse julgamento.

    O deputado Elmar Nascimento, que também participou da coletiva, voltou atrás nas suas declarações anteriores e disse que vai trabalhar para confirmar as mudanças que o Senado produzir.

    — Todas as modificações que estão sendo sugeridas no Senado vão ao encontro das premissas que discutimos na Câmara, e nossa tendência é ratificar todas elas — disse Elmar, acrescentando que, caso o Senado aprove a MP na quarta-feira, os deputados federais estarão prontos para votá-la na quinta-feira (17).

    Também nesta terça, o presidente Rodrigo Pacheco relatou que está reunindo todos os pedidos de remoção de “jabutis” dessa MP, e que essas questões serão resolvidas no momento da discussão da matéria no Plenário do Senado.

    Conteúdo
    Mesmo sem os trechos considerados impertinentes, a MP é alvo de críticas entre os senadores que consideram a desestatização da Eletrobras prejudicial à produção de energia nacional e ao bolso dos consumidores.

    O modelo de desestatização prevê a emissão de novas ações da empresa, a serem vendidas no mercado sem a sua participação, resultando na perda do controle acionário de voto mantido atualmente pela União. Apesar de perder o controle, a União terá, de acordo com o texto, uma ação de classe especial (golden share) que lhe garante poder de veto em decisões da assembleia de acionistas, a fim de evitar que algum deles ou um grupo de vários detenha mais de 10% do capital votante da Eletrobras.

    Na sessão desta terça-feira, a senadora Leila Barros (PSB-DF) elencou os problemas que enxerga na iniciativa:

    — A Eletrobras está longe de ser deficitária, tem capacidade de investimento. [A MP vai causar] concentração do mercado de geração nas mãos de uma única empresa privada. E assegura, de forma inexplicável, cotas de contratação de fontes de energia questionáveis [as termelétricas], e as menos poluentes deixarão de gerar ou de ser construídas.

    Por meio de notas e de suas redes sociais, outros senadores também se posicionaram. Jean Paul Prates (PT-RN) questionou a conveniência do processo de desestatização para a segurança energética brasileira. Ele também argumentou que a Eletrobras vende energia a preço de custo, o que deixaria de acontecer no novo modelo. “A venda do controle acionário da Eletrobras é mais uma ameaça à soberania do nosso país. Uma medida que vai gerar insegurança sobre o abastecimento e aumento das tarifas de energia”, afirmou.

    O senador Plínio Valério (PSDB-AM) citou países que, segundo ele, mantêm a geração de energia preferencialmente nas mãos do setor público.

    Para ele, o Brasil irá “na contramão do mundo” se aprovar a MP: “Nos Estados Unidos, 75% da geração de energia pertence ao Estado. Na Índia, 90%. E nós vamos abrir mão disso para valorizar o lucro dos cotistas  e prejudicar o povo?”.

    Mesmo parlamentares favoráveis à medida apresentaram ressalvas. É o caso do senador Carlos Fávaro (PSD-MT), que pediu mais embasamento antes que o assunto seja decidido. “A capitalização da Eletrobras é uma ferramenta importante para o desenvolvimento do Brasil, mas precisamos ainda de ajustes na proposta. Estudamos, ouvimos especialistas e vamos continuar nos debruçando em busca da melhor solução para o país”, defendeu ele.

    O Senado promoveu duas audiências sobre essa medida provisória nas últimas semanas. Na primeira delas, uma sessão de debates no Plenário, os convidados criticaram o tratamento do tema por meio de medida provisória — um instrumento para situações urgentes. Já nesta terça (15), convidados ouvidos pela Comissão de Meio Ambiente do Senado (CMA) destacaram os riscos de impacto nas contas de luz.

    Fonte: Agência Senado

  • Duas operadoras de saúde notificadas por forçar uso da cloroquina

    Duas operadoras de saúde notificadas por forçar uso da cloroquina

    O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) notificou extrajudicialmente duas das maiores operadoras de planos de saúde do Brasil, a Hapvida e a Prevent Senior, pelo uso de cloroquina e outros medicamentos comprovadamente ineficazes contra a Covid-19.

    Segundo o IDEC as operadoras contrariam as recomendações de órgãos nacionais e internacionais e pressionam médicos a aplicarem o chamado “tratamento precoce”, colocando em risco a saúde e a segurança dos consumidores.

    A entidade apresenta indícios de que a Hapvida estaria pressionando os médicos a prescreverem esses produtos em pelo menos quatro estados – Goiás, Pernambuco, Pará e Ceará.

    Neste último, a empresa recebeu uma multa de R$ 468 mil por parte do Ministério Público por impor a prescrição de cloroquina e hidroxicloroquina.

    No caso da Prevent Senior, o Idec reiterou uma notificação enviada à empresa em 2020 em que pedia esclarecimentos sobre a indicação de medicamentos sem eficácia comprovada para o tratamento da doença.

    Em resposta enviada em abril, a empresa afirmou respeitar o princípio da autonomia médica e colher consentimento dos usuários, mas denúncias que emergiram desde então mostram que “kits Covid” foram enviados aos consumidores antes mesmo do diagnóstico positivo para o novo coronavírus.

    Um inquérito civil aberto pelo Ministério Público do Estado de São Paulo investiga estas e outras práticas da operadora.

    Nos documentos, o Instituto recorda que a SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), a AMB (Associação Médica Brasileira) e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), além de órgãos internacionais como a IDSA (Sociedade de Doenças Infecciosas dos Estados Unidos), a ESCMID (Sociedade Europeia de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas) e a OMS (Organização Mundial da Saúde), não recomendam o uso de medicamentos como hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina contra a Covid-19.

    De acordo com a entidade, a saúde suplementar é um mercado de relevância pública dada a importância do serviço para a vida e a saúde do consumidor final. Por isso, defende o Idec, as empresas estão submetidas aos mesmos requisitos que recaem sobre a administração pública no que se refere ao respeito aos critérios científicos e técnicos, por um lado, e aos princípios constitucionais da precaução e prevenção, por outro.

    “A adoção de protocolos de saúde que não foram baseados em normas e critérios científicos e técnicos aplicáveis à matéria, tal como estabelecidos por organizações e entidades internacional e nacionalmente reconhecidas, trazem graves impactos à vida, saúde e segurança dos consumidores brasileiros, de maneira que a prática abusiva deve ser cessada de imediato, por ofender a dignidade da pessoa humana, o seu direito à saúde e as normas de proteção e defesa do consumidor”, diz trecho das notificações.

    Idec pede que a Hapvida e a Prevent Senior revejam imediatamente seus protocolos internos, interrompam o envio de medicamentos sem eficácia comprovada aos usuários, cessem a pressão sobre médicos e prestem esclarecimentos aos consumidores sobre os riscos do chamado “tratamento precoce” por todos os meios disponíveis, inclusive jornais de grande circulação do país. As empresas têm 15 dias corridos para responder à notificação.

    (Com informações da Assessoria de Imprensa)

  • Prefeitura da capital investirá R$ 12 mi na revitalização de calçamento no Centro Histórico

    A Prefeitura de Porto Alegre, através da Secretaria de Obras e Infraestrutura lançou no diário oficial de 8 de junho, uma licitação para contratar a obra de revitalização do calçadão da rua dos Andradas e Uruguai, além da urbanização do Quadrilátero Central.

    O custo da empreitada gira em torno de R$ 12, 7 milhões e as obras envolvem nova pavimentação, implantação de mobiliário, acessibilidade, iluminação e câmeras de vídeo-monitoramento. O prazo para conclusão dos serviços é de 12 meses após a data de início das obras.

    Veja o local das obras

    O valor da obra será financiado pela Corporação Andina de Fomento (CAF) – Banco de Desenvolvimento da América Latina. O lançamento da licitação para execução das obras estava previsto para primeiro trimestre de 2020, porém, a pandemia atrasou o processo em mais de um ano.

    A sessão pública da licitação – onde serão recebidos e abertos os envelopes das empresas interessadas – ocorrerá no dia 13 de julho, às 14h , na sala de licitações , na situada rua Siqueira Campos, 1.300, 3º andar, sala 301.

    Não há menção ou indicação no projeto se haverá reforço na estrutura do calçamento para suportar a circulação de carros fortes, que constantemente danificam o passeio, pois trafegam sem restrições pelo calçadão.

    As imagens atuais e de projeção foram feitas pela Encop Engenharia Ltda., autora do projeto.

  • As preocupações dos mais ricos: vacinas, aquecimento e imposto global

    As preocupações dos mais ricos: vacinas, aquecimento e imposto global

    Os líderes do G7, grupo de países que reúne sete das maiores economias do planeta, oficializaram neste domingo (13) a promessa de doar um total de 2 bilhões de doses de vacina contra a covid-19 para países pobres e em desenvolvimento, sendo 1 bilhão distribuídas até o final de 2022.

    O compromisso consta na declaração final do encontro de cúpula, ocorrido na Baía de Carbis, na Cornualha, sudoeste do Reino Unido.

    O G7 é formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. A reunião do G7 começou na última sexta-feira (11) e terminou hoje.

    Esse volume de vacinas a serem doadas pelo G7 já incluem as 500 milhões de doses anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Joe Biden, a serem distribuídas para mais de 90 países.

    Além do esforço da doação de vacinas, o documento final do G7 aponta metas para fortalecer ações coletivas de defesa global na área da saúde, incluindo aumento da capacidade de fabricação de vacinas em todos os continentes, melhora dos sistemas de alerta precoce e suporte à ciência na tarefa de encurtar para até 100 dias o ciclo de desenvolvimento de vacinas seguras e eficazes, tratamentos e testes.

    Meio ambiente
    Tema central do encontro, ao lado da pandemia, a questão ambiental também foi abordada no documento final do G7.

    Pelo texto, os países falam em apoiar uma “revolução verde que crie empregos, reduza as emissões com vistas a limitar o aumento das temperaturas globais em 1,5 graus [Celsius]”.

    Entre os compromissos, está o de zerar as emissões até 2050, reduzindo pela metade as emissões coletivas até 2030. O documento menciona a necessidade de melhorar o financiamento do clima até 2025 para conservar e proteger pelos menos 30% das terras e oceanos até o final da década.

    Comércio
    Em relação à economia, o G7 aponta a necessidade de uma reforma do sistema global de comércio, que torne a economia “mais resiliente”, incluindo um novo sistema tributário mundial.

    Essa proposta, encabeçada principalmente pelos Estados Unidos, tem o objetivo de criar uma alíquota global mínima que as maiores multinacionais, com atuação global, deverão pagar.

    O objetivo é romper com a lógica de concessões tributárias que essas empresas gozam ao longo de décadas para atuar em determinados países.

    (Com Agência Brasil)

  • Pesquisa sobre trabalho infantil: dois terços são meninos negros

    Pesquisa sobre trabalho infantil: dois terços são meninos negros

    O Brasil tem 1,8 milhão de crianças em situação exploratória de trabalho infantil, segundo o IBGE..

    Se fosse possível reuní-las, daria uma cidade maior do que Porto Alegre.

    Dois terços do total ( 65% ) são meninos negros abaixo de 14 anos, segundo  o secretário Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Mauricio Cunha, que divulgou a pesquisa.

    No Brasil, o trabalho no Brasil é regulamentado a partir de 16 anos. Porem, crianças acima de 14 anos podem exercer atividades como aprendizes, mas com restrições.

    “Historicamente, o trabalho infantil vem diminuindo no mundo todo. No Brasil, a gente tem fortalecido o sistema de garantia de direitos para que essa diminuição seja permanente”.

    O secretário chama atenção para a diferença entre trabalho doméstico e afazeres domésticos – o primeiro é caracterizado por atividades fora do domicílio e sem contato com membros da família, onde a criança é submetida a uma situação de exploração. “Neste cenário, muda um pouco. Mais de 90% [nesta situação] são meninas”, informou Mauricio Cunha.

    O dia 12 de junho marca o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil – data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar o mundo sobre a exploração de crianças e adolescente.

    (Com informações da Agência Brasil)

  • Governo gaúcho recebeu R$ 3 bilhões de repasses federais em 2020

    Governo gaúcho recebeu R$ 3 bilhões de repasses federais em 2020

    Essa investida de Bolsonaro para provar que as Secretarias Estaduais de Saúde inflaram o número de mortes por Covid tem um alvo preferencial: o governador do Rio Grande do Sul,  Eduardo Leite,  pré-candidato à presidência.

    No relatório que o governo gaúcho divulgou recentemente consta que a ajuda federal ao Estado chega a mais de R$ 3 bilhões, sendo R$ 826 milhões destinados exclusivamente ao combate da pandemia.  O Rio Grande do Sul registrou 8 mil mortes por Covid 19 em 2020.

    Foram três tipos de repasse da União, segundo o relatório:

    -reposição de perdas de arrecadação,

    -suspensões de dívida

    -repasses vinculados a áreas específicas, em especial a Saúde.

    Como reposição de receitas, o governo gaúcho recebeu R$ 126 milhões do Fundo de Participação Estadual (FPE), de abril a dezembro.

    A segunda forma de cobertura federal de receitas aplicou-se às perdas de arrecadação de tributos estaduais e municipais (em especial, ICMS e ISS), foram pagas quatro parcelas fixas, pagas de junho a setembro.

    O total foi R$ 1,95 bilhão pelas perdas de ICMS e ISS, menos do que as perdas reais estimadas em R$ 2,39 bilhões (dos quais, R$ 1,8 bilhão ficariam no Estado, o restante para os municípios).

    Outra forma de apoio aos Estados foi a suspensão das dívidas com a União e bancos públicos.

    No RS, esse item representou a apenas economia de R$ 78,4 milhões junto ao BNDES.

    A grande dívida que o Estado tem, com a própria União que lhe custa (R$ 3,5 bilhões anuais) está suspensa por liminar do STF desde 2017 e, assim, em nada se relacionam com a pandemia.

    A terceira forma de apoio foram os repasses federais vinculados ao combate da pandemia. O governo do Rio Grande do Sul recebeu R$ 826 milhões. “Foram rigorosamente aplicados no combate ao coronavírus”, diz o relatório.

    O valor repassado pelo governo federal representou mais de dois terços do R$ 1,1 bilhão aplicado pelo Estado no setor saúde em 2020, conforme os dados do relatório.

    Na área cultural, os repasses da Lei Aldir Blanc injetaram R$ 71 milhões. Esse valor e os R$ 826 milhões para o combate à Covid vieram carimbado.

    O restante, segundo o relatório, foi empregado em despesas com pessoal, educação, segurança pública, investimentos, entre outras, cuja execução estava prevista na Lei Orçamentária Anual de 2020.

    “Por terem sido constituídos para compor o fluxo de caixa geral do Estado, de natureza não vinculada, não há empenhos específicos” associados a tais recursos.