Autor: Elmar Bones

  • Fundadora da Feira do Livro de Porto Alegre, Livraria Aurora liquida estoque de 60 mil livros

    Fundadora da Feira do Livro de Porto Alegre, Livraria Aurora liquida estoque de 60 mil livros

    “Uma tradicional livraria de calçada de Porto Alegre fechou as portas”.

    Assim, friamente,  foi noticiado  o fechamento da Livraria Aurora, uma das mais antigas de Porto Alegre, com quase 70 anos e um acervo de mais de 60 mil livros.

    Eduardo Luizelli, filho do fundador, morreu de covid em 2021. A  neta que assumiu enfrentou uma realidade adversa.

    À falta de uma política cultural que desse suporte para uma atualização do negócio, sucumbiu.

    Sétimo Luizelli,  o fundador começou como empregado na mitológica Livraria do Globo, na rua da Praia. Lá, conheceu Ondina, compradora de livros, com quem casou. Tornaram-se representantes de três editoras nacionais e foram fundadores da Feira do Livro de Porto Alegre, em 1955.

    No ano seguinte abriram a Livraria Aurora, na Rua Marechal Floriano Peixoto. Chegaram a  ter duas filiais que não prosperaram. O fim da Livraria Aurora não é apenas a falência de um negócio familiar, como se dá a entender. É algo que está intimamente ligado ao descaso com a cultura.

  • Com leilão suspenso, privatização da Corsan é incerta

    Com leilão suspenso, privatização da Corsan é incerta

    Marcado para esta terça-feira, 20/12, o leilão de privatização da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), é incerto.

    Uma decisão judicial suspendeu o leilão na quinta-feira, 15, mas  o governo recorre para manter a data.

    O impasse, porém, já afasta investidores estrangeiros, segundo o noticiário.

    Se não conseguir concluir a privatização da Corsan até o fim do ano o governador Eduardo Leite pode começar seu segundo mandato com uma derrota importante.

    O novo presidente do BNDES, Aloísio Mercadante já deixou claro que vai rever o programa de privatizações financiado pelo banco.

    No caso do saneamento, a prioridade será financiar a empresa pública e não a privatização, ainda mais no caso de uma empresa lucrativa como é a Corsan.

    Outra privatização que não encontrará respaldo na nova política do BNDES é a do DMAE, planejada pelo prefeito Sebastião Melo. ´

     

  • Projeto de Melo prevê concessão de 138 hectares de parques públicos

    Projeto de Melo prevê concessão de 138 hectares de parques públicos

    A drenagem, que é o problema mais sério da Redenção, não é contemplada no projeto. O parque tinha um eficiente sistema de drenagem implantado há mais de 40 anos, mas ele se deteriorou completamente. Na vistoria feita pela equipe da FGV que trabalhou no projeto de viabilidade da concessão, constatou “algumas áreas alagadiças… no gramado e nos caminhos de saibro. Foram encontrados ralos, mas estes estavam já com altura incapaz de captação de água, pois estavam muito acima do piso”. Um projeto para recuperação do sistema de drenagem, feito há mais de dez anos, estimou em R$ 10 milhões o custo.

    A pesquisa ideal, se baseia nos conceitos de Observação Urbana de Jan Gehl e Active Design Guidelines e foram observados sete critérios de análise nos espaços urbanos do Parque Farroupilha:
    Segurança: Nos sentimos seguros no local, mas não foram avistados policiais;
    Proteção: Nos sentimos protegidos no local, mas não encontramos locais onde nos proteger da chuva ou do sol, por exemplo;
    Acessibilidade: O Parque é bem no centro histórico, muito acessível;
    Diversidade/Versatilidade: O espaço é diverso, é versátil, recebe feiras nos finais de semana;
    Atratividade: O local é atrativo, recebe eventos em datas específicas;
    Conectividade: O parque é eixo de conexão da cidade antiga histórica para a parte nova;
    Resiliência/Sustentabilidade: O parque não tem capacidade de resiliência ou cuidados com a sustentabilidade.
    Os levantamentos sensoriais também foram realizados em dois períodos: dia útil e finais de semana.

    Entre as ocorrências, foram registradas 170 espécies de aves, considerando todos os oito parques
    estudados. Somente no Parque Farroupilha foram registradas 63 espécies, entre elas, biguá,
    garças, pombos, beija-flores, gaviões, suiriri, savacu, sabiá, sanhaçus e muitas outras.

    Vale lembrar que, ainda que tenha sido vetado, o Art. 10º da Lei 12.559/2019, que autoriza o Executivo
    Municipal a conceder Praças e Parques Urbanos do Município de Porto Alegre, citava que: “Fica
    obrigatória a reserva de espaço para área de lazer entre tutores e suas mascotes (cachorródromos), bem como a manutenção daqueles já existentes, em locais com espaço físico suficiente, sem cobrança”. Não na forma de obrigação legal, tal aspecto merece atenção e planejamento especial ao futuro Concessionário dos Parques, visto sua importância aos usuários dos parques, tutores de seus Pets, e a frequência com que os cachorródromos são utilizados nos diferentes parques. Considerando a ocorrência de diversos exemplares da fauna silvestre, torna-se necessário que o Concessionário desenvolva um plano voltado ao estabelecimento de procedimentos ligados a esses
    animais, alinhado ao modus operandi da Equipe de Fauna da SMAMUS (setor de atendimento de
    fauna silvestre), de modo a padronizar as formas de ocasionais atendimentos, resgate, manejo e
    orientações às possíveis ocorrências, sem ferir a legislação, ou gerar riscos aos usuários, colaboradores e ao bem-estar animal.

    Toda a vegetação hoje existente no Parque Farroupilha tem origem nos projetos de paisagismo em que o parque foi contemplado, não havendo fragmentos de matas nativas na área. A vegetação do
    Parque Farroupilha conta com mais de 8.500 árvores de várias dezenas de espécies, entre nativas e exóticas, como ipês, louro, acácia, angico, várias frutíferas, casuarina, cedro, cinamomo, cipreste, corticeira do banhado, espatódia, eucalipto, jacarandá, figueira,gGuapuruvu, hibisco, palmeiras, pau-brasil, pau-ferro, sibipiruna e dezenas de outras.
    Além do paisagismo que compõe o Parque Farroupilha, que normalmente é feito com base em
    espécies exóticas ornamentais, o parque ainda conta com inúmeras espécies nativas como o camboatá (Cupania oblongifolia), chal-chal (Allophylus edulis), paineira (Chorisia speciosa), entre outras espécies nativas dos biomas Pampa e Mata Atlântica.
    O parque ainda conta com uma espécie muito usada em medicina tradicional, a melaleuca
    (Melaleuca leucadendra), espécie pertencente à família dos eucaliptos, originária da Austrália, que possui muitas propriedades medicinais.
    Existem exemplares arbóreos que necessitam de alguma atenção quanto ao estado fitossanitário,
    pois apresentam risco de queda devido a enfermidades, porém a grande maioria das árvores
    apresenta-se saudável.
    Foram observadas algumas árvores mortas no parque. Algumas já retiradas, outras secas e ainda
    de pé. Cabe avaliar o motivo da morte desses indivíduos e atuar para a correção de solo, da drenagem, nutrientes ou pragas, se esses forem os casos, além de ser providenciada sua reposição. Da mesma forma, apesar de muitas tipuanas, guapuruvus e eucaliptos grandes ainda se encontrarem saudáveis, deve-se planejar o plantio de novos indivíduos, para que quando estes
    caírem, e isso pode até ser em série, não fiquem grandes clareiras, percebidas pelos usuários, ou
    mesmo, que galhos propensos à queda sejam identificados e avaliados quanto ao risco aos usuários.

    Para o atendimento à Lei Complementar nº 757/2015, em seu Art. 2º – “A supressão, o transplante
    ou a poda de vegetais deverão ser precedidos de autorização emitida pela Smam, observadas as
    exceções previstas nesta Lei Complementar, devendo ser considerada a nidificação habitada”, fica clara a prática de solicitação de autorização para atividades dessa natureza. Assim, para os casos
    de plantios de árvores, o concessionário deverá submeter seu plano (laudo técnico, com
    localidades, espécie, características principais, manejo etc.) à SMAMUS para análise da viabilidade de plantio de árvores em praças e parques, atendendo ao procedimento estabelecido entre ambos,
    salvo as exceções previstas na Lei.
    Conforme a Lei Complementar nº 757/2015, em seu Art. 9º – “A supressão de vegetal, nativo ou exótico, dependerá da autorização da Smam [SMAMUS], por meio da expedição de documento denominado Autorização Especial de Remoção Vegetal – AERV, sendo obrigatória a realização de compensação vegetal, por meio do CCTSA [Certificado de Compensação por Transferência de Serviços Ambientais] ou pela firmatura de TCV [Termo de Compensação Vegetal], conforme o caso e de acordo com as quantidades previstas no Anexo I desta Lei Complementar”.

    Há relatos de que a rede de drenagem do Parque Farroupilha necessita de adequação e
    manutenção, visto ser esta subdimensionada, estar comprometida, com erosão e acúmulo de água, dificultando a manutenção das áreas preservação das edificações e favorecendo a reprodução de insetos. Considerando que tais informações datam de 2003, deve ser verificado se foram realizados serviços na drenagem nos últimos 18 anos, ou, em caso contrário, atribuir tal encargo ao futuro Concessionário.
    Considerando que o Parque Farroupilha se localiza em área central do município, é de se esperar
    que as ligações de água e esgotos dos banheiros, restaurantes e bares existentes estejam adequadamente ligadas às respectivas redes. Todavia, vale considerar que, caso algum banheiro não esteja ligado à rede de esgotos do DMAE (podem existir antigas fossas, apesar de improvável),
    a solução dada deve atender as normas e padrões de saneamento, qualquer que seja o sistema
    adotado, não sendo aceitos nenhum tipo de vazamentos que possam colocar os usuários em risco
    sanitário.
    O Parque Farroupilha conta com  dezenas de ambulantes e vários permissionários fixos de serviços, como de bebidas, sorvetes, trenzinho, pedalinho, parque de diversões, lojas de artesanato e restaurantes. Caberá a avaliação de cada um dos contratos, reposicionamentos e
    reavaliações para que tais atividades possam se tornar unidades geradoras de caixa a valor de mercado.
    A cancha de bocha carece de alguma requalificação, entendida como uma atividade tradicional e importante para os munícipes, devendo, todavia, passar avaliação de uso pelos frequentadores do parque, estabelecimento de contrato de permissão ou cessão do espaço público, entre outros pontos.
    Os eventos realizados no Parque Farroupilha geraram pouco mais de R$ 78.000,00 em 2018, tendo sido os maiores valores originados em shows, ações publicitárias, educacionais e de saúde, respectivamente, representando mais de 95% da arrecadação.
    Novas atividades alternativas, como as de “aventura”, podem ser pensadas para geração de caixa, como arvorismo, trilhas suspensas e tirolesa, promovendo a atração de um público formado por famílias com filhos jovens, para um uso diferente do Parque, daquele que se tem hoje. Há locais que, em princípio, apresentam bom suporte a tais atividades, devendo ser melhor avaliado posteriormente.

    Conforme o documento “Diagnóstico e Proposições do Parque Farroupilha”, elaborado pela Coordenação de Áreas Verdes da SMAMUS.
    Em especial, o portão de acesso e equipamentos “Parque” do Ramiro Souto, em uma das
    extremidades do Parque Farroupilha, necessitam de manutenção e recuperação, de modo que, por
    suas características, pode-se viabilizar atividades geradoras de caixa no espaço, sem, porém, conflitar com as atividades gratuitas ali realizadas hoje.

    Os dois estacionamentos existentes dentro dos limites do Parque deverão ser explorados para geração de caixa, apesar de serem áreas de pequenas dimensões.
    O “redário” (suportes metálicos para fixação de redes) existente parece não ser muito utilizado, ao menos durante os dias úteis, mas com interessante potencial de utilização.

    Áreas com pouco uso representam oportunidades de geração de caixa, ou mesmo de requalificação da estrutura para uma melhor experiência do usuário. Nesses ambientes podem ser desenvolvidas
    atividades de educação ambiental, permissão para café, entre outras alternativas potencialmente viáveis. O próximo relatório deverá analisar essa questão, em especial, referente ao Postinho, Minizoo, Orquidário, Embarcadouro, Ilha e outras áreas.

    A inexistência de Planos Diretores aprovados para cada um dos parques urbanos pode se tornar um fator crítico, ou até mesmo um empecilho às concessões, a exemplo do ocorrido no Parque Ibirapuera, em São Paulo, onde uma Ação Civil Pública do Ministério Público e outra Ação
    Popular foram impetradas exigindo que a elaboração do Plano Diretor do Parque Ibirapuera antecedesse sua Concessão, condicionando a assinatura do contrato de Concessão à conclusão do Plano. Nesse sentido, há de se estabelecer estratégias de mitigação desse risco, quer seja dando-se início à elaboração dos Planos, ou mesmo desenvolvendo acordos para eliminação dessa eventual insegurança jurídica.
    As aves são, sem dúvida, os representantes da fauna com maior diversidade e riqueza nos Parques Urbanos de Porto Alegre. Mesmo que com ocorrências moderadas, de modo geral, não há grandes diferenças funcionais e estruturais entre a avifauna de parques urbanos e naturais da região, como por exemplo, quando comparado com a Reserva Biológica do Lami, onde os
    agrupamentos onívoros e insetívoros também se apresentam predominantes. Assim, pode ser
    interessante avaliar o desenvolvimento de programas ligados à avifauna nos parques.

    Problemas de drenagem impedem a população de transitar depois de chuvas; falta de iluminação à noite;
    falta de segurança; falta de lixeiras; mais eventos culturais; gestão de eventos: maior controle, fiscalização e desenvolvimento de um zoneamento;
    gestão de estacionamentos: falta fiscalização (lavagem de carros pelos flanelinhas e quebras dos bebedouros).
    Gestão do Parque Ramiro Souto: ações conjuntas com o departamento de esportes para a
    recuperação da estrutura física do espaço (grande necessidade);
    Sugere ainda a criação de logomarca do parque; criação de site oficial e redes sociais do parque; resgates histórico dos recantos; e criação de projeto de sinalização.

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    #ParqueFarroupilha #Redenção #Lami #SebastiãoMelo #FGV

  • Projeto prevê corte de 400 árvores na Redenção. “É um erro”, diz a secretária

    Projeto prevê corte de 400 árvores na Redenção. “É um erro”, diz a secretária

    A tensão chegou ao máximo na audiência pública sobre a concessão da Redenção quando o professor Heitor Campanha trouxe a informação de que o projeto prevê o corte de 400 árvores no parque, ao custo estimado de R$ 1.372 por árvore, num total de R$ 548.800.

    As vaias explodiram, em vão a secretária Ana Pellini tentou explicar: “É um erro no projeto!”, dizia ela ao microfone, o que aumentava as vaias.

    Os dados que Campanha apresentou foram retirados do Estudo de Viabilidade do projeto de concessão dos parques, feito pela Fundação Getúlio Vargas. Está prevista também a supressão de vegetação numa área total de 19.672 metros.  A secretária disse que essas informações “são erros do projeto” e serão corrigidas. “Nem teria como cortar 400 árvores na Redenção”, disse a secretária.

    O texto do estudo de viabilidade que está no site da Prefeitura diz que a Redenção tem 8 mil árvores.

  • Defensores da Redenção pública desafiam o prefeito Melo: “Não, não, não, Redenção sem concessão”

    Defensores da Redenção pública desafiam o prefeito Melo: “Não, não, não, Redenção sem concessão”

    A secretária Ana Pellini não conseguiu encerrar os trabalhos na audiência pública extraordinária sobre a concessão da Redenção, na noite desta quarta-feira, 23, na Câmara Municipal de Porto Alegre.

    Foi reservado para a audiência o auditório Ana Terra,  que é menor, com cerca de 100 lugares, e estava  superlotado.

    Por mais de duas horas os oradores  se sucederam, com três minutos para cada um  (políticos com mandato dispuseram de cinco minutos).

    Foi unânime a reprovação ao projeto do prefeito Sebastião Melo. Entre uma fala e outra o auditório erguia faixas e cartazes e gritava em coro: “Não, não,  não, Redenção sem concessão”.

    Ou: “Retira, retira, retira, retira”.

    Um momento de bom humor ocorreu quando, depois que o coro cessou, uma criança gritou: “Retira, retira”.  Até a circunspecta secretária Ana Pellini riu.

    As falas foram geralmente emocionadas e veementes, mas houve críticas consistentes de professores e profissionais que analisaram tecnicamente o projeto e o desqualificaram cabalmente.

    Ao final, quando a secretária Pellini reivindicou para si cinco minutos para as considerações finais, as manifestações se exacerbaram.

    Quando ela começou a dizer que a Prefeitura poderia adequar o projeto, os ânimos se exaltaram e ela não conseguiu mais falar.

    Foi abafada pelo coro: “Não, não, não, Redenção sem concessão”.

  • Nardes, o homem das pedaladas, está de volta

    Nardes, o homem das pedaladas, está de volta

    Augusto Nardes, ministro do Tribunal de Contas da União foi o relator do processo que acusou a presidente Dilma Rousseff pelas “pedaladas” no orçamento.

    Seu relatório, na mão de Eduardo Cunha, deu base ao impeachment de Dilma, em 2016.

    Nardes voltou à cena há poucos dias, quando mensagens suas referindo-se a um golpe militar em andamento “vazaram” nas redes sociais.

    Logo surgiram informações de que a NPC Mineradora e Incorporadora Ltda, ligada à família de João Augusto Ribeiro Nardes, conseguiu quatro autorizações para pesquisar diamantes em uma área de 1.260 hectares na região de Monte Alegre do Piauí (PI), no sul do Estado.

    As duas últimas foram concedidas em 2019, já na gestão de Jair Bolsonaro (PL), de quem o ministro e ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) é próximo.

    Nardes voltou aos holofotes no domingo (20), após a divulgação, pela Folha, de um áudio de teor golpista contra o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no qual dizia a interlocutores do agronegócio haver “movimento forte nas casernas” e que o “desenlace” ocorreria em breve.

    No dia seguinte ao vazamento, ele primeiro tentou se retratar e depois protocolou um pedido de licença médica de suas funções.

    Os sócios da NPC são Adriane Beatriz Freder, esposa do ministro, e Igor Alexandre Copetti, réu na Operação Zelotes, que investigou um esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Carlos Juliano Nardes, sobrinho do magistrado, também foi denunciado, acusado de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.

    (Com informações do 247)
  • Selic, o sistema que garante o pagameto da dívida, não tem teto

    O Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) é uma infraestrutura do mercado financeiro brasileiro (IMF), administrada pelo Banco Central do Brasil (BCB), que se destina à custódia de títulos escriturais de emissão do Tesouro Nacional (TN), bem como ao registro e à liquidação de operações com esses títulos.

    As liquidações no âmbito do Selic ocorrem por meio do mecanismo de entrega contra pagamento (Delivery versus Payment – DVP), que opera no conceito de Liquidação Bruta em Tempo Real (LBTR), sendo as operações liquidadas uma a uma por seus valores brutos em tempo real. Como depositário, o Selic enquadra-se nos conceitos de CSD (Central Securities Depository) e SSS (Securities Settlement System).

    Além do sistema de custódia de títulos e de registro e liquidação de operações, integram o Selic os seguintes módulos complementares —-

    -Oferta Pública (Ofpub),

    -Oferta a Dealers (Ofdealers),

    -Lastro de Operações Compromissadas (Lastro)  –Negociação Eletrônica de Títulos (Negociação).

    O Sistema de Controle de Acesso (Logon) controla o acesso ao Selic e a seus módulos complementares no portal do Selic na RTM.

    A nova versão do sistema apresenta características que o tornam mais flexível, ao mesmo tempo em que garantem a segurança da informação.

    O Selic possui ainda uma funcionalidade que permite acatar o registro de gravames e ônus sobre títulos públicos federais nele depositados, inclusive para fins de publicidade e eficácia perante terceiros.

    A administração do Selic e de seus módulos complementares é de competência exclusiva do Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab) do BCB e o sistema é operado em parceria com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

    BASE REGULAMENTAR
    A implantação do Selic ocorreu em 14 de novembro de 1979, sob a égide da Circular nº 466, de 11 de outubro de 1979, do BCB, que aprovou o Regulamento do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia de Letras do Tesouro Nacional.

    As regras e os procedimentos do Selic estão consolidados no Regulamento do Selic, anexo à Circular nº 3.587, de 26 de março de 2012, e em normativos complementares.

    A Circular 3.610, de 26/9/2012 trouxe alterações à Circular 3587, como, por exemplo, a inclusão da hipótese de transmissão automática de comandos no Selic oriundos do módulo Negociação.

    No Regulamento do Selic, estão previstos os aspectos legais relevantes de suas atividades, como os critérios de participação, os deveres e direitos dos participantes, os tipos de operações e o custo de utilização do sistema.

    A regulamentação relacionada ao Selic está disponível para consulta no portal do Selic, na opção Documentação > Selic > Regulamentação, e também no sítio do BCB na internet, no seguinte link: https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/sistemaselic

    DOCUMENTAÇÃO
    <O Manual do Usuário do Selic (MUS) é parte integrante da documentação do Selic e tem como objetivo complementar e detalhar as regras e os procedimentos do Selic, de forma clara e compreensível. O MUS, assim como outros documentos complementares, estão disponíveis no portal do Selic, na opção Documentação > Manuais e no sítio do BCB na internet, no seguinte link: https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/selicmanuais

    ESTATÍSTICAS
    <As estatísticas relacionadas ao Selic constam do Relatório de Administração do Selic, disponível para consulta no sítio do BCB na internet, no seguinte link:https://www3.bcb.gov.br/rasselic/

    (Fonte: Banco Central)

  • “Equilíbrio fiscal é uma invenção um tanto tosca dos economistas”

    “Equilíbrio fiscal é uma invenção um tanto tosca dos economistas”

    Luiz Gonzaga Belluzzo, 80 anos, autor de mais de uma dezena de ensaios sobre a economia capitalista, se manifestou sobre o sobressalto do  “mercado” por causa das declarações do presidente eleito, que prioriza o social ante o teto de gastos.

    “Essas regras que pretendem impor à economia (de equilíbrio fiscal),  acarretam disfunções e desagregações sociais. A situação é muito parecida com outras que ocorreram na história desse sistema em que a economia se afasta completamente da vida das pessoas. Você vê que essa insistência no risco fiscal é uma forma de obstar as políticas que podem atender a população”,

    O equilíbrio fiscal é “na verdade uma invenção um tanto quanto tosca dos economistas, porque, no capitalismo, você só pode ter equilíbrio fiscal, uma situação fiscal favorável, se você está gerando renda. É dessa renda que você apropria os impostos. (…) Se você não gera renda, qual vai ser o resultado da cobrança do imposto de renda?”, provoca.

    A resistência do mercado em cima de um suposto risco fiscal é “uma ignorância interessada”.

    “O mercado financeiro, além de ser uma forma econômica de ‘controle da locação e distribuição de recursos’, ele também é uma forma de poder”
    “Está todo mundo agora falando que o dólar foi a R$ 5,40. Isso aí não tem propósito nenhum a não ser o de valorizar a sua riqueza no âmbito financeiro. E isso significa dano para as pessoas que estão vivendo nesse país. Porque todo mundo vai dizer ‘veja só a promessa de Lula para combater a pobreza vai envolver R$ 175 bilhões’, todo esse trololó, quando esses economistas têm uma ignorância de como funciona a dívida pública. Eles ficam apavorando as pessoas sobre a dívida pública, como se ela fosse igual à dívida privada, de uma família. E não é.”

    A dívida pública é amortizada pela capacidade do Estado de emitir moeda numa articulação entre o Banco Central com os bancos privados. Belluzzo diz que “o Estado brasileiro precisa ser capaz de superar as contradições entre a economia real e a financeira, em que os interesses da financeirização, de acumulação, acabam prevalecendo sobre a economia real”.

    O Brasil, segundo Belluzzo, deixou de ter uma classe de empresários, que buscavam um projeto de desenvolvimento até para obter um mercado interno consumidor, para ter rentistas. “Estamos vendo aqui no Brasil um exemplo em que a política, através da eleição do presidente Lula, está apontando na direção de desfazer esse constrangimento que as economias e as pessoas, os povos, a sociedade está sofrendo”.

    (Entrevista à Rede Brasil Atual)

    * Luiz Gonzaga Belluzzo é professor titular do Instituto de Economia (IE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foi secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (1985-1987) e de Ciência e Tecnologia de São Paulo (1988-1990).

    É formado em Direito e Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), pós-graduado em Desenvolvimento Econômico pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) e doutor em economia pela Unicamp.

    *Fundador da Facamp e conselheiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), é autor dos livros “Os Antecedentes da Tormenta”, “Ensaios sobre o Capitalismo no Século XX”, e coautor de “Depois da Queda, Luta Pela Sobrevivência da Moeda Nacional”, entre outros.

    *Em 2001, foi incluído entre os 100 maiores economistas heterodoxos do século XX no Biographical Dictionary of Dissenting Economists. Em 2005, recebeu o Prêmio Intelectual do Ano (Prêmio Juca Pato).

  • Compra de votos: por que a reportagem de Caco Barcellos foi ao ar depois da eleição?

    Compra de votos: por que a reportagem de Caco Barcellos foi ao ar depois da eleição?

    Na sexta-feira, 4, o repórter Caco Barcellos foi ao programa da Ana Maria Braga, uma das maiores audiências da Globo.

    Há três dias ele viralizava nas redes com a reportagem que, 48 horas antes da eleição, flagrou um esquema explícito de assédio eleitoral, com claros indícios de compra de votos em Coronel Sapucaia, no Mato Grosso do Sul.

    Mas o assunto não entrou na pauta do Mais Voce.

    A apresentadora levou para o terreno pessoal e acabou obtendo uma confissão do jornalista, que se separou recentemente. “Por um erro meu”, disse ele, declarando-se espera de uma decisão da ex-companheira, a promotora Carla Tilley… e o tempo acabou.

    A reportagem que Caco Barcellos gravou em Coronel Sapucaia,  dois dias antes do segundo tirno, é o mais importante registro de toda a cobertura das eleições de 2022. E sobre ela ainda restam algumas interrogações.

    Segundo o G1, o repórter e o cinegrafista Chico Bahia, do programa Profissão Repórter,  foram a coronel Sapucaia, cidade de 15 mil habitantes, do Mato Grosso do Sul,  porque foi onde Lula e Bolsonaro empataram no primeiro turno:  cada  teve exatos 4.254 votos.

    A reportagem pretendia mostrar, depois da eleição, como se decidira o segundo turno na cidade, “um retrato da polarização do país”.

    Logo na chegada, os repórteres deram num centro eventos, com muita gente reunida. As imagens e as entrevistas não deixam dúvida: um assédio eleitoral explícito, com indícios claros de compra de votos.

    A reunião se dispersou assim que a equipe de reportagem começou a fazer perguntas. Uma vizinha disse que as reuniões começaram na semana do segundo turno.

    Segundo ela, Rudi Paetzold, prefeito da cidade, daria R$ 50 para cada um dos presentes.

    Uma outra moradora da cidade relatou que durante a reunião os integrantes da prefeitura pediam aos participantes para dar o nome, documentos e telefone celular.

    “Eu fui na reunião, chegamos lá e eles, sinceramente, falaram sobre o Auxilio Brasil, mas a outra parte foi só sobre política, que teria que votar no 22 porque senão não teria mais verba para vir para cá, porque parariam com tudo, com o asfalto, as escolas. Você chega lá e precisa do auxílio e o vale-renda para sobreviver, você muda o voto na hora para não perder o benefício. Isso é uma pressão sobre as pessoas”, disse a mulher.

    Após a realização das entrevistas, o jornalista da TV Globo recebeu uma ligação de um homem, que relatou, em tom de ameaça, suposta preocupação com a equipe de reportagem, dizendo que, caso eles continuassem, seria por “conta e risco”, e sugeriu que eles deixassem a cidade por ser “perigoso”.

    No primeiro turno, Lula e Bolsonaro tiveram o mesmo número de votos no município: 4.254.

    No segundo turno, Bolsonaro ficou à frente, com 4.530 votos, e Lula teve 4.090.

    Ou seja, enquanto Bolsonaro obteve 276 votos a mais,  Lula perdeu 144 votos.

    Quanto disso resultou do assédio eleitoral ou da possível compra de votos? O senador Randolfe Rodrigues pediu uma investigação sobre o caso de Sapucaia do Sul.

    Bolsonaro teve 7 milhões e tanto de votos a mais no segundo turno.  Quantos foram obtidos em esquemas como o flagrado em Coronel Sapucaia? 

    Outra pergunta: por que a Globo só publicou a reportagem depois da eleição? Ela foi produzida para um programa da semana seguinte, mas o fato relevante se impõe.

    Privar o público de uma informação de relevante interesse  não fere o Código de Ética do jornalismo?

  • Eleições 2022: a tripla derrota do prefeito Sebastião Melo em Porto Alegre

    Eleições 2022: a tripla derrota do prefeito Sebastião Melo em Porto Alegre

    O prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, foi o grande derrotado no pleito de 30 de outubro.

    Divergindo de seu partido, que forneceu o vice Gabriel de Souza na chapa vencedora de Eduardo Leite, Melo abraçou o bolsonarismo, apoiando  Onyx Lorenzoni ao governo do Estado e Bolsonaro para a presidência.

    Dupla derrota em Porto Alegre, no Estado e no Brasil.

    Some-se a isso a derrota no partido, com o fortalecimento de Gabriel de Souza, agora vice-governador e candidato natural à sucessão de Eduardo Leite, em 2026.

    É uma pedra nas pretensões de Melo, de reeleger-se em 2024 e disputar o governo do Estado em 2026.

    Sem contar que a eleição de Lula levou a massa petista às ruas. numa retomada como  não se via desde o Forum Social Mundial, nos idos de 2002.