Autor: Elmar Bones

  • Eleições 2022:  É preciso lembrar a lição de Leonel Brizola

    Eleições 2022: É preciso lembrar a lição de Leonel Brizola

    O Partido dos Trabalhadores liberou seus filiados no segundo turno da eleição para o governo do RS, desde que não votem em Onix.

    Significa que há uma tendência no eleitorado petista de anular o voto para não apoiar Eduardo Leite, que com sua agenda neo-liberal impõs pesadas derrotas ao partido.

    A decisão do ex-governador de ficar neutro na disputa nacional entre Lula e Bolsonaro reforçou a rejeição.

    Pesadas, porém, as consequências de um governo bolsonarisa no RS, é pouco provável que vingue a tese do voto nulo.

    A esquerda terá que reconhecer que Eduardo Leite alcançou uma posição estratégica: é o que pode vencer o bolsonarismo no Rio  Grande do Sul.

    Se conseguir, será o primeiro governador reeleito, num Estado que não dá segunda chance a seus governantes.

    Será um candidato natural à Presidência em 2026, quando terá 40 anos e será talvez um nome para uma chapa de coalisão que pode até envolver PSDB/ PT/PMDB, quem sabe.

    Mas isso é conjetura. O concreto agora é que só ele pode barrar a possibilidade de um governo de Onyx Lorenzoni, que Bolsonaro define como “uma espécie de Coringa meu”.

    É preciso lembrar a lição de Leonel Brizola em 1989, quando ficou fora do segundo turno por um percentual ínfimo e, imediatamente, declarou apoio a Lula, engolindo o “sapo barbudo”.

     

  • O PT no Rio Grande do Sul precisa reconhecer que ficou sem saída

    Não temos um noticiário suficientemente arguto que permita entender como o PT do Rio Grande do Sul chegou ao brete em que se encontra no segundo turno das eleições de 2022,  entre Eduardo Leite e Onyx Lorenzoni.

    Todo o processo de construção da chapa, todas as tentativas de ampliação, todos os impasses e, ao final, as propostas vencedoras,  tudo isso se passou num âmbito restrito que não chegou ao público que se informa pelos meios de comunicação social.

    Em grande parte pelo pouco interesse dos meios, em parte pela incapacidade (ou o desinteresse ) de levar a um público mais amplo a discussão.

    O que importa é que houve uma derrota clamorosa. Pela segunda vez a esquerda fica fora do segundo turno no Rio Grande do Sul.

    E o PT do Rio Grande do Sul, baluarte das lutas democráticas, está num brete. Um falso brete,  porque uma vez reconhecida a derrota, a opção fica clara.

     

     

     

  • Eleições 2022: por que o PT perdeu em Porto Alegre?

    Eleições 2022: por que o PT perdeu em Porto Alegre?

    O PT perdeu a eleição para governador em Porto Alegre.

    A diferença entre o candidato petista Edegar Pretto e o ex-governador Eduardo Leite na disputa pela vaga do segundo turno foi de pouco mais de dois mil votos no cômputo estadual.

    Na capital, Leite ganhou por mais de seis mil votos, que lhe garantiram a vitória final.

    Esse resultado é um caso para estudo.

    Eduardo Leite fez sua carreira em Pelotas, se tornou governador sem percorrer Porto Alegre, tem presença escassa na capital, distante das crises que a população enfrenta na segurança (fora das estatísticas), no transporte público, na habitação popular…

    Edegar Pretto, com uma carreira política ligada aos movimentos sociais e pequenos agricultores do interior do Estado, não é certamente uma figura popular em Porto Alegre. Mas Olívio Dutra é mais do que popular e o PT nos 16 anos que governou a cidade deixou um legado reconhecido até pelos adversários que o sucederam. Pedro Ruas, o vice de Pretto, sempre foi um dos vereadores mais votado em Porto Alegre.

    O que explica essa derrota clamorosa em Porto Alegre? Cartas para a redação.

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  • “Efeito Lula/Olívio” pode dar novo rumo à  eleição no Rio Grande do Sul

    “Efeito Lula/Olívio” pode dar novo rumo à eleição no Rio Grande do Sul

    Os cinco pontos que Edegar Pretto ganhou na última pesquisa sinalizam que a eleição para o governo do Estado no Rio Grande do Sul pode, mais uma vez, surpreender na reta final.

    Segundo o Ipec, em pesquisa para a RBS,  o candidato do PT  alcançou 15% das intenções de voto, mostrando crescimento surpreendente desde a última visita do ex-presidente Lula, que reuniu uma multidão no Largo Glênio Peres, no centro de Porto Alegre, há dez dias.

    Pretto, que vinha estacionado na casa dos 7%, passou para 10% e agora chega a 15% das intenções de voto.

    Isolado na liderança, o ex-governador Eduardo Leite (PSDB), candidato à reeleição, manteve os 38% das pesquisas anteriores, assim como o segundo colocado, ministro Onyx Lorenzoni, que oscilou dentro da margem de erro, 26% para 25%.

    Faltam apenas cinco dias para a votação em primeiro turno, Pretto teria que ganhar no mínimo 2 pontos por dia para chegar ao segundo turno, isso contando que Onyx se mantenha em queda.

    Os cálculos do comando da campanha de Pretto para chegar ao segundo turno dão grande peso ao “efeito Lula”, cuja candidatura à Presidência vem crescendo no Rio Grande do Sul.

    No início do ano, Lula estava 13 pontos atrás de Jair Bolsonaro entre os gaúchos (40 a 27%) nas pesquisas iniciais e agora está com 41% a 37%, de acordo com o Ipec. Por isso a ênfase em Pretto, Pedro Ruas, seu vice, e Olívio Dutra, como a “equipe de Lula no Rio Grande”.

    O desempenho de Olívio Dutra, candidato ao Senado, é outro dado que justifica as expectativas otimistas na frente de esquerda. O ex-governador Olívio Dutra se isolou na liderança com 30%, seguido de Ana Amélia com 24% e de Mourão com 21%, os mais votados entre os candidatos que concorrem ao Senado.

    Por fim há o fato de que 41% dos votantes ainda estão indecisos quanto o candidato a governador e outros 30% indicam que podem mudar seu voto.

    Num quadro assim, a cinco dias do pleito, quase tudo é possível.  Principalmente, num Estado em que os eleitores costumam promover viradas surpreendentes na reta final das eleições e, até agora, não reconhecem o estatuto da reeleição para o governo do Estado.

     

     

  • Lula e Alkmin se reúnem com artistas e intelectuais em São Paulo

    Lula a seu vice Geraldo Alckmin, se reúnem com artistas, intelectuais, representantes dos partidos políticos e movimentos sociais e integrantes de organizações da sociedade civil, nesta segunda-feira,  26 de setembro, às 17h, no auditório Celso Furtado, no Anhembi, em São Paulo (SP).

    O evento será transmitido pelas redes sociais e terá cobertura presencial de repórteres credenciados.

     

  • Pesquisa: a precarização do trabalho em regimes autoritários

    Foi o momento mais difícil da minha vida”, diz a cientista brasileira Rosana Pinheiro Machado, de 43 anos, a respeito da cena cinematográfica (de suspense ou drama, você decide) que protagonizou nesta quinta-feira (17).
    Locação: um ponto de ônibus da Universidade de Bath, na Inglaterra, onde ela dá aulas.
    Situação meteorológica: chuva, muita chuva.
    Objetivo: consultar o resultado de um processo seletivo que havia lhe custado 18 meses de dedicação e que renderia um financiamento de 2 milhões de euros (R$ 11 milhões) para sua pesquisa na área de ciências sociais.
    Conflito: com os dedos molhados e a roupa encharcada, era impossível desbloquear a tela do celular para fazer a consulta. E aí?

    Foram 10 minutos tentando.
    Quando finalmente conseguiu ler a carta-resultado, Machado estava tão nervosa, que apelou para uma leitura dinâmica em busca de palavras como “aprovada” ou “aceita”.
    E encontrou o que queria: “I’m pleased to” (traduzindo: “é com prazer que…”). Era a confirmação da verba milionária que bancará seu estudo sobre a relação entre precarização do trabalho e governos autoritários no Brasil, na Índia e nas Filipinas.
    Os R$ 11 milhões serão concedidos por um órgão da União Europeia (Conselho Europeu de Investigação – ERC, na sigla em inglês), após rigorosa análise de currículos e sabatinas com nomes importantes da academia.
    A seguinte informação comprova a relevância desse financiamento: de 2007 a 2021,  nove pesquisadores apoiados pelo ERC ganharam o prêmio Nobel.
    Considerando todos os segmentos (ciências sociais, ciências da natureza e física/engenharia), submeteram-se a esta edição do processo seletivo: 2.652 projetos, principalmente da Alemanha, do Reino Unido e da França. Só 12% (313) foram aprovados e agora dividirão a verba total de 632 milhões de euros.

    “Em alguns momentos, passei de 12 a 15 horas do meu dia me preparando para essas entrevistas. Eu precisava convencer [a banca] de que uma antropóloga é capaz de liderar uma pesquisa sobre ciência de dados”, conta a professora.

    Nascida em Porto Alegre, Machado sempre estudou na rede pública. Aprendeu inglês, segundo ela, “tardiamente, só aos 26 anos”, o que a faz até hoje suar frio em apresentações no idioma (mesmo depois de já ter lecionado nas universidades de Harvard (nos EUA), como visitante, e de Oxford (na Inglaterra).
    “A insegurança nunca acaba. Mas nem essa dificuldade me impediu de ser aprovada.”
    Sobre o que é a pesquisa?

    O estudo da brasileira busca analisar como governos populistas e autoritários conseguem recrutar apoiadores por meio de mensagens sobre empreendedorismo e individualismo.
    Segundo Machado, o foco serão os trabalhadores “plataformizados” e informais da economia digital, como motoristas de aplicativo e vendedores de produtos por redes sociais.
    “São grupos que passam 15 horas por dia empreendendo on-line e que estão mais expostos a uma esfera na qual a extrema direita tem mais hegemonia: a digital”, diz a pesquisadora.

    “Vamos analisar por que essas novas camadas médias da população são (ou não) alinhadas a esses políticos [conservadores].”
    Não é a primeira experiência da brasileira neste assunto da precarização do mercado: desde a iniciação científica na graduação (ciências sociais) até o mestrado e o doutorado (antropologia), ela explora temas como camelôs de Porto Alegre, consumo popular em favelas do país e venda de “muambas” na China (onde, inclusive, chegou a morar durante a pesquisa).
    Como usar os R$ 11 milhões do financiamento?

    Machado conta que os R$ 11 milhões serão distribuídos da seguinte forma:
    75% para a contratação de pesquisadores (doutorandos ou pós-doutorandos, que farão estudos etnográficos por 4 anos no Brasil, na Índia e nas Filipinas);
    25% para cobrir custos do trabalho de campo e da divulgação científica (em sites, vídeos e publicações abertas para o público).

    A ideia é que, ao longo dos próximos 5 anos, a pesquisa renda publicações de várias teses e artigos científicos.
    “Estou até agora me recuperando da notícia [da aprovação do financiamento]”, diz Machado. “Minha conquista mostra que pesquisadores de ciências humanas também podem liderar estudos internacionais. É possível e importante que isso aconteça.”

  • Edegar Pretto faz caminhada com mulheres na Lomba do Pinheiro

    Edegar Pretto faz caminhada com mulheres na Lomba do Pinheiro

    Uma caminhada na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, com mulheres que apoiam Edegar Pretto marcou o domingo (4) de campanha do candidato ao governo do Estado pela Frente da Esperança (PT, PCdoB, PV, PSOL e Rede).

    Esta foi a primeira edição da caravana com mulheres, organizada pela Secretaria de Mulheres do PT, com o objetivo de apresentar o legado de Edegar para as comunidades, especilamente o combate à violência contra as mulheres, bandeira que defende no seu mandato enquanto deputado e também como membro do Comitê Nacional Eles Por Elas, da ONU Mulheres. Ao mesmo tempo, é uma oportunidade do candidato ouvir os anseios da população.

    A caravana passou pelas Vilas Panorama, São Pedro, Bom Sucesso, Vale Verde e Santa Helena. Edegar e o seu vice, Pedro Ruas, se juntaram a centenas de mulheres, militantes, apoiadores e lideranças comunitárias. Na ocasião, eles entregaram materiais de campanha que destacam algumas propostas de trabalho. Conversaram com pessoas e receberam demandas relativas aos temas da saúde, acesso à cultura, qualificação do atendimento do serviço público nas comunidades e também sobre a proteção às mulheres vítimas de violência.

    Edegar fez um chamamento para que a comunidade, as mulheres, os homens e os jovens da Lomba se integrem à campanha. Ele destacou que nos governos atuais os índices de violência contra as mulheres aumentaram muito. Só no Rio Grande do Sul, a alta de feminicídios foi de 25% no período da pandemia. “Meu mandato de deputado se mobilizou, junto com o Comitê Gaúcho Eles Por Elas, para executar ações preventivas e que apoiam as vítimas no momento da denúncia. Criamos a campanha ‘Máscara Roxa’ e cadastramos 1,5 mil farmácias como ponto de apoio às mulheres. Ao chegar no estabelecimento, elas pediam uma máscara roxa como forma discreta de denúncia. Desta forma, o atendente, já orientado, coletava informações básicas da mulher e encaminhava a denúncia aos órgãos responsáveis. No meu governo, vamos intensificar esses modelos de campanha, bem como teremos novamente a Secretaria de Políticas para as Mulheres.”

    Edegar ressaltou também que, ao lado de Lula presidente, trabalhará para que o salário mínimo seja mais valorizado e para que o valor da cesta básica no RS diminua. “Nossa cesta básica ultrapassa os R$ 750,00 e nosso churrasco passou a ser artigo de luxo. As pessoas querem e precisam de oportunidades. Não vamos mais admitir que uma mãe vá dormir sem saber se terá o que dar de comer aos filhos no outro dia. Nosso estado produz muitos alimentos e eles precisam chegar na mesa das famílias. Quanto mais incentivarmos a produção, mais os preços vão diminuir nas gôndolas. Os próximos dias de eleição são decisivos. Quero contar com vocês para compartilharem nossos projetos.”

    Edegar intensifica agendas no interior do RS

    Edegar teve uma intensa agenda de campanha, nas ruas, no final de semana. No sábado (3), participou de caminhadas com apoiadores em Gravataí, na região Metropolitana de Porto Alegre; em Portão, Montenegro e São Sebastião do Caí, no Vale do Caí; e em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, onde também estava acompanhado do ex-governador Olívio Dutra, candidato a senador. O líder petista apresentou suas propostas na disputa ao Piratini e dialogou com a população. Nesta segunda e terça-feira, Edegar retorna ao interior do estado, para atividades de campanha nos vales do Rio dos Sinos, do Rio Pardo, do Taquari e na região Centro.

    Foto: Rafael Stedile

     

  • Simone Tebet no JN:  a entrevista de uma estreante

    Simone Tebet no JN: a entrevista de uma estreante

    Simone Tebet, a candidata do MDB à presidência, vem da base: professora, prefeita, vice governadora, senadora.

    Foi a quarta entrevistada e, embora estreante,  foi quem melhor aproveitou o minuto “para as considerações finais do candidato” na série de entrevistas do Jornal Nacional.

    Levantou as bandeiras que domina: das mulheres, da educação, da segurança e mostrou que conhece o chão duro da realidade do povo. Não resistiu à tentação de um populismo: “Não pode faltar dinheiro para acabar com a miséria”.

    Até agora ela não decolou nas pesquisas e sequer conseguiu unir o partido (MDB) em torno de sua candidatura.

    Foi segura e incisiva na entrevista e deverá ganhar pontos. Não o suficiente, talvez, para alterar o quadro polarizado.

  • Lula no JN: a entrevista de um estadista

    Lula no JN: a entrevista de um estadista

    Lula mostrou na entrevista do Jornal Nacional porque é líder nas pesquisas para a Presidência da República, mantendo-se desde o início acima dos 40% das intenções de voto.

    As perguntas foram óbvias e viciadas, o candidato, que busca o terceiro mandato presidencial, tirou de letra. Da Lava Jato ao Mensalão. “O que é o orçamento secreto?”

    Quando o entrevistador questionou a aliança com Alckmin, “ainda não aceita por parte do PT”, rebateu: “Não estamos vivendo no mesmo mundo, Bonner”.  Quando Renata Vasconcelos  referiu-se às invasões de terras, recomendou que visitasse “uma das cooperativas  do MST”.

    O discurso de Lula contém também uma boa dose de messianismo, como o de Ciro Gomes, com a diferença do arco de alianças que sustenta e dá viabilidade às propostas da chapa Lula-Alckmin.

    Pode perder a eleição? A política é cruel. Mas se o país precisa de um estadista, ele está pronto.

     

  • Viaduto Otávio Rocha: orçamento é o ponto polêmico da revitalização

    Viaduto Otávio Rocha: orçamento é o ponto polêmico da revitalização

    A Concrejato, empresa paulista que ganhou a licitação para executar o projeto de revitalização do Viaduto Otávio Rocha, orçou em 13,7 milhões  a reforma.

    Ela vai executar um projeto feito em 2015 e, na época,  orçado em R$ 12 milhões.

    O aumento de apenas 15% no custo de uma obra orçada há sete anos, suscita muitas dúvidas, inclusive dos autores do projeto, como se viu no debate promovido pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil, nesta quarta, 24. Leia Mais.