Fraudes no INSS: a bomba que Carlos Lupi jogou no colo de Lula

Nota do Editor:  As últimas revelações sobre as fraudes no INSS tornam atual esta matéria, aqui publicada no dia 2/5/2025.  

Em seu pronunciamento aos trabalhadores, neste primeiro de maio de 2025, o presidente Lula mencionou as fraudes que teriam lesado  milhões de aposentados e pensionistas, através de descontos indevidos na folha de pagamentos do INSS, desde 2019.

Lula deu a entender que a crise está controlada: ele mandou investigar, a CGU e a polícia federal já identificaram os responsáveis . As associações e sindicatos envolvidos na fraude “vão devolver o dinheiro roubado das contas dos aposentados”.

Mas as manchetes a cada dia mostram que as verdadeiras dimensões desse escândalo monumental recém estão emergindo e seu desdobramento poderá ter para o governo Lula um custo político que ainda não se pode avaliar.

Em janeiro de 2023, quando Carlos Lupi tomou posse como ministro da Previdência,  chegaram ao INSS mais de 22 mil pedidos de exclusão de descontos indevidos, feitos na folha de pagamentos de aposentados e pensionistas.

Somados aos pedidos que se acumulavam nos registros do INSS desde o ano anterior, já eram mais de 40 mil pedidos de exclusão,  90% deles relativos a descontos não autorizados.

Em fevereiro, a advogada Tonia Galleti, que integrava o Conselho Nacional da Previdência, pessoalmente alertou  Lupi sobre a gravidade do problema. Em julho, a advertência dela foi registrada em ata, mas não entrou na pauta da reunião do Conselho.

Gráfico mostra o crescimento dos pedidos de exclusão dos descontos a partir de 2022 e que chegaram a mais de 190 mil até as primeiras medidas em 2024. Fonte Relatório CGU

O INSS só foi tomar as primeiras providências para conter a fraude em março de 2024,  exigindo assinatura eletrônica e biometria, conforme constatou a auditoria da Controladoria Geral da União que, de abril a julho do mesmo ano, investigou onze das 33 entidades associativas cadastradas junto à Previdência para fazer descontos diretamente na folha de pagamentos de aposentados e pensionistas.

A suspensão dos descontos, medida cautelar recomendada desde o início e reiterada no relatório da CGU, só foi decidida em 24 de abril de 2025, um dia depois da “Operação Sem Desconto”, em que  política federal prendeu cinco pessoas suspeitas de envolvimento nas fraudes. No dia seguinte, o INSS suspendeu cautelarmente todos os descontos.

Nos  dois anos decorridos entre a posse de Lupi no Ministério da Previdência e a efetiva suspensão dos descontos,  os aposentados e pensionistas do INSS tiveram descontados de seus benefícios quase R$ 4 bilhões (gráfico), dois terços do total da fraude estimado em R$ 6,3 bilhões.

Em pesquisa por amostragem, com 1.273 entrevistados, os auditores da CGU constataram que 97% deles não haviam autorizado os descontos.

Com sua leniência, para dizer o mínimo, Lupi perdeu uma oportunidade única de denunciar nos primeiros dias do governo um monumental esquema de corrupção que foi montado no governo anterior. Teria prestado um relevante serviço ao país e  ao governo do qual é ministro.

Ao deixar que a Polícia Federal revelasse a fraude sob suas barbas, em vez de um trunfo,  Lupi  jogou no colo de Lula uma bomba-relógio cujos efeitos poderão se desdobrar até a eleição de 2026.

Carlos Lupi, com sua verve, que conquistou Leonel Brizola, se mantém no cargo,  transferindo responsabilidades e chantageando Lula com os votos do PDT,  do qual foi presidente e é uma espécie de patrono.

De olho no tabuleiro político, Lula mantém Lupi para não perder o apoio dos pedetistas, 17 deputados federais e três senadores. O preço desses votos no parlamento pode se tornar caro nas urnas de 2026.

Quando a fraude veio a público, na semana passada,  com as prisões e as apreensões feitas pela Polícia Federal na “Operação Sem Desconto”, já a grande imprensa, sempre pré-disposta a desgastar Lula, embaralhou os fatos e colou no governo “mais um escândalo de corrupção”.

A comunicação do governo foi falha e o próprio relatório da CGU, concluído em julho de 2024, mas divulgado só agora, depois da Operação Sem Desconto, contribuíu para a confusão.

O gráfico sobre a disparada dos descontos indevidos, por exemplo, mostra que o grande salto nos valores descontados se deu a partir de 2023, duplicando em 2024,  ou seja, no governo Lula.

O INSS disse em nota oficial que apenas uma entidade foi credenciada depois de 2023  e que o crescimento dos descontos deve-se a entidades credenciadas no governo anterior. Mas o gráfico contido no relatório da CGU mostra um acréscimo de onze entidades em 2023 e 2024. Quem está certo?

O INSS diz que apenas uma entidade foi credenciada a partir de 2023. Mas o gráfico do relatório da CGU mostra a evolução dos descontos e das entidades a partir de informações da folha de pagamentos do INSS  e aponta que em 2023 e 2024 onze empresas se credenciaram junto ao INSS. Quem está certo?

Fica no rodapé o esclarecimento de que, das onze empresas investigadas, dez foram credenciadas entre 2019 e 2022, sendo metade neste último ano, ou seja, no governo Bolsonaro.

Nos últimos dias, vazamentos seletivos de informações tem colocado nas manchetes aliados do governo – a Contag, o Sindinapi, entidades que divulgaram notas dizendo que  há tempo denunciam junto ao INSS a “farra dos descontos”. É um sinal do que vem por aí.  (Leia mais)

Atualização: Na sexta-feira, 2 de maio, depois de reunião com o presidente Lula, Carlos Lupi pediu demissão do Ministério da Previdência.  

https://www.jornalja.com.br/geral/fraudes-no-inss-…stro-carlos-lupi/

 

 

Ministro pede abertura de processo contra concessionária de energia em São Paulo

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pediu nesta quarta-feira (17) à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a abertura do processo administrativo que pode levar à cassação (caducidade) da concessão da Enel em São Paulo. A informação é do G1.

A caducidade ( extinção do contrato) pode ocorrer se o processo comprovar que a concessionária descumpre obrigações contratuais e não tem condições de manter a prestação de serviços à população.

Em seu ofício, o ministro citou oito alertas enviados à Aneel desde novembro de 2023 e menciona os “reiterados desligamentos de grandes proporções”.

A decisão indica que é para valer a determinação do presidente Lula de “maximo rigor na fiscalização das concessionárias”.

No Rio Grande do Sul, a concessionária foi alvo de uma CPI, que encerrou na semana passada.

O presidente da CPI da Energia, deputado Miguel Rossetto, pediu ao Ministério Público Federal, a instauração imediata do processo de caducidade (perda) da concessão da CEEE Equatorial.


No encerramento dos trabalhos da CPI, Rossetto apresentou uma declaração de voto defendendo a cassação da concessão da CEEE Equatorial por má gestão e descumprimento contratual.

Segundo o deputado, “as evidências reunidas pela CPI ao longo de quatro meses revelam um padrão sistemático de deficiência estrutural na governança corporativa da CEEE Equatorial, comprometendo a própria viabilidade da concessão”.

Em julho, uma CPI na Câmara de Vereadores já havia apontado deficiências. O relatório teve como principais conclusões que não havia manejo arbóreo dos vegetais em contato ou próximos a rede elétrica por parte da CEEE Equatorial antes de 16 de janeiro de 2024, em que pese houvesse licenciamento por parte da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). Que existem cobranças duvidosas e, em tese, abusivas em relação aos consumidores por parte da concessionária. Que há demora excessiva no restabelecimento de energia elétrica quando há interrupção do fornecimento. Que há deficiência de canais efetivos de comunicação dos consumidores com a CEEE Equatorial.

O texto aponta que houve deficiência na transição operacional entre a CEEE pública e a CEEE Equatorial, na medida em que houve um enxugamento de 46% do quadro funcional, com a adesão de 998 empregados ao Plano de Demissão Voluntária (PDV), sem a devida contraprestação de mão de obra com o conhecimento técnico de campo. Em relação ao evento climático de 16 de janeiro, não houve planejamento adequado para a resposta ao mesmo, e o número de equipes de trabalho era insuficiente, pelo menos nas primeiras 72 horas. Também que os serviços de energia somente foram restabelecidos na totalidade em 28 de janeiro, portanto, 12 dias após o incidente.

Câmara começa a votar o novo Plano Diretor de Porto Alegre: “Vai destruir os nossos bairros”

A Câmara de Vereadores vota nesta quarta-feira, 10/12 o relatório da Comissão Especial que analisou o projeto de revisão do Plano Diretor de Porto Alegre.

É o primeiro passo para a validação do plano, que o prefeito Sebastião Melo quer ver aprovado  ainda este ano.

Na verdade, não é uma revisão.

O que a Câmara começa a votar é um novo plano diretor, que rompe radicalmente com os princípios que norteiam até aqui o desenvolvimento da cidade, pioneira em planejamento urbano no Brasil e referência para cidades que se tornaram modelo no país, Curitiba, por exemplo.

A prefeitura diz que houve grande participação da comunidade na elaboração do plano, em oficinas, reuniões setoriais e audiências públicas, que foram mais de dez.

O fato é que o  projeto apresentado à Câmara pelo Executivo Municipal em agosto contempla integralmente uma pauta defendida há pelo menos 20 anos pela indústria da construção civil: adensamento (prédios mais altos, inclusive no interior dos bairros), maior taxa de ocupação dos terrenos, com eliminação de recuos, e espaços laterais entre os prédios), redução de áreas verdes e simplificação do licenciamento, entre outras facilidades.

Um documento feito pelo Instituto dos Arquitetos, com muitas restrições ao projeto, foi solenemente ignorado.

Um urbanista, que participou do início das discussões na Secretaria do Planejamento e depois se afastou, disse ao JÁ que o projeto representa “uma distorção absoluta do conceito de interesse coletivo”.

Um grupo independente de professores da Universidade Federal (que pela primeira vez não participou da formatação do projeto) prevê a descaracterização dos bairros tradicionais da cidade, com a formação de ilhas de calor, sombreamento e desvalorização dos imóveis.

“A questão ambiental é totalmente negligenciada nesse projeto”,  diz a bióloga Simone Azambuja,  diretora técnica da Agapan.

Hoje o limite é 18 andares nas avenidas e 12 andares no interior dos bairros. Esse plano libera para até 45 andares. O impacto disso  será enorme. “Esse plano não leva em conta as mudanças climáticas, nem considera que Porto Alegre em função de eventos extremos já perdeu 18% da sua área vegetada”, diz a bióloga. O impacto maior, na sua avaliação, será nos bairros tradicionais, como Bom Fim, Cidade Baixa, Petrópolis. “Vai destruir os nossos bairros”, diz.

Segundo ela, o argumento da prefeitura de que o adensamento do centro vai reduzir o deslocamento de trabalhadores que moram na periferia e trabalham no centro a áreas próximas “é falacioso”. “As pessoas da periferia não vão ter como comprar, nem alugar esses imóveis”.

A oposição vai apresentar um “relatório paralelo” com emendas ao projeto na votação de hoje na Cãmara. Tende a ser apenas um gesto.

Com maioria folgada, a bancada que apoia o prefeito Melo – inclusive o presidente da Comissão, Idenir Cechin (MDB) e o relator,  Jessé Sangali (PL) – deverá aprovar o projeto, que conta também com o apoio dos principais veículos de imprensa da capital.

 

Caso Master: ministro Dias Toffoli terá que explicar viagem a Lima em jatinho particular

O ministro Dias Toffoli foi a Lima ver a final da Libertadores de carona num jatinho particular em que estava o advogado Augusto Arruda Botelho, que atua no processo do Banco Master.

O  processo apura desvios bilionários no Master e levou seu dono, Daniel Vorcaro, a passar 12 dias preso.

Toffoli é o relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele decretou sigilo sobre o caso, além de dar liberdade ao dono  do Master, preso preventivamente, pela Polícia Federal.

A viagem de Toffoli no jatinho do empresário foi revelada neste domingo pelo jornalista Lauro Jardim,  de O Globo.

Toffoli viajou num jatinho do empresário e ex-senador Luiz Oswaldo Pastore, no qual estavam também o advogado Augusto Arruda Botelho, que atua no processo do Banco Master defendendo o diretor de compliance do Banco, Luiz Antônio Bull.

A final da Libertadores, entre Palmeiras e Flamengo, foi no dia 29 de novembro, com vitória do Flamengo. 

Um dia antes, uma sexta-feira, Toffoli foi sorteado para ser relator do caso Master a partir de um recurso impetrado no STF pelos advogados do dono do banco, Daniel Vorcaro.

A interlocutores, Toffoli confirmou o voo no jatinho do empresário Pastore, de quem diz ser amigo. Disse que, no avião, também estava o advogado Augusto Arruda Botelho, que foi secretário Nacional de Justiça do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Toffoli garante que durante o vôo não conversaram sobre o processo do banco liquidado pelo BC. A expectativa é que nesta segunda-feira ele se declare impedido de seguir no processo.

Festa literária encerra ano da Biblioteca Pública

Dia 6 de dezembro, sábado, das 16 às 18 horas, a Biblioteca Pública do promove uma festa literária para encerrar as atividades de 2025.

A entrada é gratuita e a programação reúne artistas, escritores, leitores e famílias “para uma tarde vibrante em torno da cultura”, segundo a nota da assessoria.

O Plano Anual de Atividades da BPE tem o financiamento  do Programa Emergencial Lei Rouanet, do Ministério da Cultura.

Programação

Atividades culturais
12h – Abertura, com o jornalista Ernani Campelo e DJ Jimmy 7
12h30 às 17h30 – Sessão de Autógrafos
Beta Simon – “Tortinha – a pata que não anda, não voa, mas rebola” – Editora Independente
Associação Gaúcha de Escritores (AGES) – “Literatura Grande do Sul” – Editora AGES
Leonardo Romero de Lima – “O Garoto de Ouro – A história de Bráulio, o craque que dividiu o Rio Grande e inspirou uma geração” – Editora Metamorfose
Michele C. Buss – “Rohayhu” – Editora Caos & Letras
Felipy Camargo e Cattulo de Camargo e Campos – “A história rima” – Rima Edições Literomusicais
Cris Forte, Lúcia Camargo e Clarissa Bhiel – “De bem com a vida” – Editora Carolina
Regina Freitas Silveira – “Outros carnavais – Escritas da maturidade” – Editora Independente
Simone Dal Molin – “Calma na alma: Inspirações para uma vida mais leve” – Editora Independente

Atividades artísticas
12h30 às 13h – Contação de história infantil com Beta Simon, a partir de “Tortinha – a pata que não anda, não voa, mas rebola”
13h10 às 13h50 – Show musical com Lucas Maboni (pop rock, MPB, samba e músicas autorais)
14h às 14h50 – Apresentação musical com Camila Lemos
14h30 às 16h30 – Oficina de pintura “Bobbye Goods de Natal”
Atividade exclusiva para o público infantil. Não é necessária inscrição prévia.
15h às 15h30 – Show de pré-lançamento do álbum “Porto Além”, do grupo Cordas e Rimas
15h40 às 16h20 – Apresentação “Meio ambiente e sustentabilidade”, com o Coral da UFCSPA. Regência de Marcelo Rabello dos Santos
16h30 às 16h50 – Atividade de dança coletiva “Ritmos”, com a professora Michele Peixoto e participação do Programa de Incentivo à Atividade Física para Idosos (PIAFI)
17h às 17h50 – Show “Os versos por dentro”, com Zé Caradípia
18h – Encerramento

Serviço
BPE + Cultura – última edição de 2025
Quando: 6 de dezembro (sábado), das 12h às 18h
Onde: Em frente à Biblioteca Pública do Estado – Rua Riachuelo, 1190, Centro Histórico de Porto Alegre
Entrada gratuita

Marcha das Mulheres Negras: caravanas de todo o país chegam para manifestação em Brasilia

Caravanas de diversas partes do país vão ocupar, nesta terça-feira (25),  a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para a 2ª Marcha das Mulheres Negras, com o tema “por Reparação e Bem Viver.” A expectativa é reunir 1 milhão de pessoas.

Organizada pelo Comitê Nacional da Marcha das Mulheres Negras, a mobilização nacional busca colocar em pauta os direitos básicos desse segmento da população – como moradia, emprego, segurança -, mas também por uma vida digna, livre de violência e por ações de reparação.

A jornada faz parte da programação da Semana por Reparação e Bem-Viver, de 20 a 26 de novembro, na capital federal, marcada por debates, atividades e apresentações culturais para exaltar o protagonismo das mulheres negras em todo o país.

Segunda edição
A nova edição da Marcha das Mulheres Negras é realizada no mês em que é celebrado o Dia Nacional da Consciência Negra, em 20 de novembro.

O evento ocorre dez anos depois da primeira marcha, em 18 de novembro de 2015, quando mais de 100 mil mulheres negras do Brasil marcharam em Brasília contra o racismo, a violência contra a juventude negra, a violência doméstica e o feminicídio, que vitimam essas mulheres, e pelo bem viver, rejeitando a mera sobrevivência.

Neste ano, as mulheres negras vão marchar pela promoção de mobilidade social, considerando os danos deixados pela escravidão através de séculos, que se tornaram obstáculos ao desenvolvimento econômico dessa população.

Programação 
A programação oficial da 2ª Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, nesta terça-feira (25), tem início às 9h, com concentração no Museu da República, próximo à Rodoviária do Plano Piloto. No mesmo local, haverá uma roda de capoeira e cortejo de berimbaus.

Às 9h também, o Congresso Nacional realizará sessão solene em comemoração à Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem-Viver, no plenário da Câmara.

Por volta das 11h, está agendada a saída da marcha pela Esplanada dos Ministérios.

O jingle oficial da marcha, que promete embalar as mulheres na caminhada rumo ao gramado do Congresso Nacional, já está no ar. com a frase “Mete marcha negona rumo ao infinito. Bote a base, solte o grito! Bem-viver é a nossa potência, é a nossa busca, é reparação!”

Às 16h, o público poderá conferir os shows de artistas que representam a diversidade da produção cultural negra no Brasil. As cantoras são engajadas com as pautas da temática da negritude, do antirracismo e do feminismo. São elas: Larissa Luz, Luanna Hansen, Ebony, Prethaís, Célia Sampaio e Núbia.

Espaço de articulação
A marcha de 2025 ultrapassa as fronteiras do Brasil. Para fortalecer a articulação global, a manifestação reunirá mulheres negras em diáspora (imigração forçada de africanos), e do continente africano, comprometidas com a construção de um futuro livre das violências impostas pelo racismo, pelo colonialismo e pelo patriarcado.

Afrocaribenhas
Lideranças negras do Equador estão em Brasília para participar da Marcha de 2025. O objetivo é, de acordo com o grupo equatoriano, aprofundar e visibilizar as lutas das mulheres afrolatinas, afrocaribenhas e da diáspora.

Elas estão focadas no fortalecimento da articulação regional e global das mulheres negras, na recuperação da memória e visibilidade das mulheres afrolatinas em todos os níveis e no  fortalecimento político, por meio do posicionamento coletivo dos direitos das mulheres.

A ativista de San Lorenzo (Equador) e membro da Confederação Comarca Afro-equatoriana do Norte de Esmeraldas (Cane), Ines Morales Lastra, explica que elas defendem os direitos coletivos e dos territórios ancestrais do povo afro-equatoriano e que viajaram a Brasília para somar na luta feminina. “Marcharemos para ecoar a firmeza de nossa voz e nossas demandas, porque são nossas as vozes de nossas avós.”

Lélia Gonzalez
Quem também participará da 2ª Marcha das Mulheres Negras é Melina de Lima, neta da antropóloga Lélia Gonzalez, falecida em 1994, aos 59 anos.

No último dia 10, Melina esteve em Brasília para receber, em nome de Lélia Gonzalez, o título de Doutora Honoris Causa concedido pela Universidade de Brasília.

Lélia foi uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado. A ativista é referência nos estudos e debates de gênero, raça e classe no Brasil, na América Latina e no mundo.

Ela é considerada uma das principais autoras do feminismo negro no país e foi a criadora de conceitos como “amefricanidade” e “pretuguês”.

“Amefricanidade” é um conceito que se refere à condição dos povos negros nas Américas, unindo ancestralidades africanas e ameríndias para descrever uma identidade política e cultural específica. O termo questiona a dominação colonial e o racismo que persistem após a escravidão,

O “Pretuguês” é o termo para descrever as influências das línguas africanas na língua portuguesa falada no Brasil.

Atualmente, Melina de Lima é diretora de educação e cultura do Instituto Memorial Lélia Gonzalez e cofundadora do projeto Lélia Gonzalez Vive.

Meninas e mulheres negras
As meninas e mulheres negras são o maior grupo populacional do país.

De acordo com o Ministério da Igualdade Racial (MIR), elas somam 60,6 milhões de pessoas, divididas entre pretas (11,30 milhões) e pardas (49,30 milhões).

O total corresponde a cerca de 28% da população geral do país.

 

Evento na Redenção marca os 30 anos do SAMU em Porto Alegre

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Porto Alegre é pioneiro no país e referência nacional há 30 anos.

O aniversário foi marcado esta semana por um Simpósio sobre Atendimento Pré-Hospitalar, com mesas-redondas, palestras e painéis, no anfiteatro do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Participaram profissionais de todo o Estado, do Paraná e de Santa Catarina.

A programação encerra no sábado, 22, com um evento gratuito de capacitação em primeiros socorros, voltado à população. Será no Parque Farroupilha (Redenção), em frente ao Monumento ao Expedicionário, das 9h às 17h.

“O nosso Samu se consolida como uma das estruturas mais completas e modernas do país no atendimento móvel de urgência. Essa evolução só é possível graças ao compromisso diário das equipes e ao investimento contínuo na qualidade da assistência e nas condições de trabalho”, destaca o coordenador do serviço, Fabiano Barrionuevo.

Geolocalização

O Samu também é o primeiro do Brasil a utilizar a tecnologia de geolocalização automática em chamadas de emergência. A novidade foi desenvolvida em parceria com a empresa True, que integrou ao sistema de regulação médica da Capital o Serviço de Localização de Emergência (ELS – Emergency Location Service), recurso lançado no país pela Anatel ainda no ano passado em conjunto com o Google.

Samu Cidadão

Criado com o objetivo de aproximar o serviço da população e difundir noções básicas de primeiros socorros, o Projeto Samu Cidadão está de volta após período de pausa. A iniciativa integra as ações comemorativas pelos 30 anos do Samu Porto Alegre, ampliando o compromisso do serviço com a educação em saúde e a prevenção de acidentes.

Atendimentos

Em 2025, o Samu Porto Alegre recebeu até setembro 118.204 ligações. Destas, 54.822 foram triadas e orientadas pela regulação médica, enquanto 43.857 resultaram no envio de equipes para atendimento presencial.

Quase dois mil trotes

No mesmo período, foram registrados 1.880 trotes (chamadas falsas) que comprometem a agilidade do socorro a quem realmente precisa.

São 28 ambulâncias em operação e 18 equipes trabalhando para um tempo de resposta médio de 15 minutos a casos graves.

Estrutura e inovação

Aos 30 anos, o Samu resulta de um permanente processo de modernização e qualificação do serviço. Conta, hoje, com equipamentos de ponta embarcados nas viaturas, como monitores multiparâmetros, compressores mecânicos de reanimação cardiopulmonar (RCP), ultrassom portátil, videolaringoscópios e ventiladores para todas as faixas etárias.

O prontuário 100% digital eliminou o uso de papel e trouxe mais agilidade e segurança à assistência. Há ainda amplo fornecimento de EPIs e uma frota com manutenção rigorosa, garantindo maior disponibilidade operacional e segurança no transporte.

Pioneirismo

A criação do Samu Porto Alegre nasceu da crescente demanda por atendimento de urgência em domicílios e vias públicas da Capital.

Em 1994, Porto Alegre firmou um acordo de cooperação técnica com a França para adaptar o modelo francês de assistência pré-hospitalar ao contexto brasileiro.

O primeiro Samu do Brasil começou a operar em novembro de 1995, com uma pequena central no HPS.

A partir de 1997, foram criadas bases descentralizadas em regiões estratégicas da cidade. O serviço rapidamente se tornou modelo para outras cidades brasileiras, influenciando a Política Nacional de Atenção às Urgências, instituída em 2006.

Antes mesmo de existirem normas nacionais de regulação médica para urgência pré-hospitalar, Porto Alegre já estruturava seu serviço com central de regulação médica, seguindo o modelo francês.

Governo federal financia compra de 100 ônibus elétricos para Porto Alegre

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico vai financiar a compra de 100 ônibus elétricos para o transporte coletivo de Porto Alegre.

A Câmara Municipal autorizou nesta segunda-feira o prefeito Sebastião Melo a contratar o financiamento no valor de R$ 447 milhões com o banco estatal.

O financiamento integra o programa de Renovação de Frota, cadastrado no Novo PAC Seleções, do governo Federal. Além dos veículos o valor do financiamento inclu a implantação de recarga para os veículos.

Pagos pelo município, os ônibus serão propriedade da prefeitura, que cederá os veículos para uso das concessionárias. Como contrapartida, as empresas se incumbem da manutenção e conservação dos veículos e deixam de incluir a depreciação de seus ônibus no cálculo da tarifa.
O secretário de Mobilidade, Adão de Castro Júnior, diz que esse modelo,  de “subvenção econômica,  já é adotado por outras prefeituras, como São Paulo, por exemplo..

Segundo ele, após o período de vida útil dos ônibus, estimado em 16 anos, o veículo retorna ao patrimônio da prefeitura e pode ser vendido para que os recursos sejam investidos no abatimento da tarifa.
A prefeitura ainda não estimou o impacto da aquisição dos novos ônibus na tarifa do transporte coletivo.

Investigação sobre contrabando de armas chega às conexões do crime organizado com a política no Rio

Vai completar cinco anos neste 23 de novembro um inquérito da PF sobre o contrabando de armas que alimenta as facções do crime organizado no Brasil.

Uma operação de rotina deu origem às investigações, em 2020.

Um ônibus de turismo procedente de São Paulo, com destino a Poções no interior da Bahia, foi parado por agentes da Polícia Rodoviária, na BR 116, já em território baiano.

Em duas mochilas, os policiais encontraram 23 pistolas calibre 9 mm, fabricadas na Croácia. As investigações desde então revelaram um esquema criminoso que introduziu mais de 40 mil armas clandestinas no Brasil.

O fio puxado pela Polícia Federal a partir das pistolas apreendidas já levou para a cadeia dois generais paraguaios, além de chefes do tráfico, contrabandistas de armas e até um delegado da PF, envolvido com a quadrilha.

Só em setembro passado, porém, a PF tocou nas conexões do crime organizado com o mundo político no Rio de Janeiro,  quando foram presos o, então deputado estadual pelo MDB, Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, e o ex-secretário estadual de Esporte e Lazer do Rio, Alessandro Carracena.

O deputado, segundo a PF, era um “braço político da facção, defendendo os interesses dos criminosos junto aos órgãos do estado”.

Em longa reportagem neste domingo, o jornal  Extra, do Rio, conclui que “as investigações ainda parecem longe do fim” e que os investigadores “tentam avançar sobre a conexão entre o CV e seus contatos no poder público”.

Tornado deixou seis mortos no Paraná; 32 pessoas seguem internadas

Ainda não há um balanço dos prejuízos causados em Rio Bonito do Iguaçu (PR), a mais afetada entre as 11 cidades de região centro-sul paranaense, atingidas por um tornado na madrugada da última sexta-feira, 7/11.

De acordo com a Defesa Civil, 90% da área urbana de Rio Bonito do Iguaçu foi atingida.

O tornado deixou seis mortos, cinco em Rio Bonito do Iguaçu e uma em Guarapuava, na mesma região..

Urgências

Embora ainda não tenha a extensão total do desastre, o ministro Valder Góez, do Desenvolvimento, defendeu a alocação de recursos emergenciais  para retomada dos serviços essenciais.   

Segundo Góes,  as prefeituras devem solicitar recursos de emergência antes mesmo de ter o balanço total da destruição. “Se há uma informação de uma escola que foi destruída e já existe um orçamento da área construída que precisa ser feita, já é possível empenhar esse recurso”.

O ministro ainda pediu união das três esferas de governo (União, Estado e municípios) para agilizar o atendimento das necessidades das pessoas.

Outra ação imediata do governo foi a mobilização de uma equipe da Força Nacional do SUS  composta por médico sanitarista, enfermeiro, analista de recursos logísticos, analista de incidentes e reconstrução assistencial e especialista em saúde mental em desastres.

Em relação à energia elétrica, a empresa responsável pela distribuição de energia no Paraná (Copel), informou que restabeleceu 49% da rede elétrica de distribuição de energia de Rio Bonito do Iguaçu.

O governador do Paraná, Ratinho Junior, decretou estado de calamidade em Rio Bonito do Iguaçu. A decisão permite ao governo local executar gastos emergenciais sem as restrições normais do orçamento, além de facilitar acesso a verbas federais

Trinta e duas pessoas seguem internadas em hospitais do Paraná, vítimas da passagem de um tornado pelo estado, na última sexta-feira (7).

De acordo com boletim da Secretaria estadual de Saúde, divulgado no fim da manhã de domingo (9), quatro pacientes estão em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), “mas nenhum caso grave”.

Ventos de mais de 250 quilômetros por hora atingiram a cidade de 14 mil habitantes, que fica no Centro-Sul paranaense, 400 km ao leste da capital, Curitiba.

De acordo com a Defesa Civil, 90% da área urbana de Rio Bonito do Iguaçu sofreram algum estrago na infraestrutura.

A Secretaria de Saúde atualizou para 835 o número de atendimentos médicos. O socorro aos feridos ficou concentrado na cidade vizinha de Laranjeiras do Sul.

O Corpo de Bombeiros informou que não há registro de desaparecidos, e as buscas foram encerradas.

O trabalho das equipes agora é direcionado à reorganização de serviços essenciais, como abastecimento de água e luz, além de distribuição de alimentos e água potável.

Metade sem luz
A Copel, empresa responsável pela distribuição de energia no Paraná, informou que restabeleceu 49% da rede elétrica de distribuição de energia de Rio Bonito do Iguaçu. No sábado (8), a companhia tinha informado que 3.790 endereços estavam sem luz em Rio Bonito do Iguaçu, o que representava cerca de 75% do total de clientes na cidade.

Quase 2 mil casas e estabelecimentos estão sem energia. A Copel detalhou que já foram religadas estruturas prioritárias de urgência, como o Centro de Comando da Defesa Civil, o posto de saúde e o Centro do Idoso.

O número de postes destruídos passa de 300. “As redes elétricas vão ter que ser construídas do zero em boa parte da cidade”, afirma comunicado da empresa.

Mais de 200 eletricistas, técnicos e projetistas atuam no esforço de emergência.

Em todo o estado, a Copel informa que restabeleceu a rede elétrica em 90% dos endereços que tiveram interrupção. Cerca de 14,9 mil clientes ainda precisam de reparos, sendo a grande maioria no norte paranaense (12,7 mil).

Municípios atingidos
De acordo com a última atualização da Defesa Civil do Paraná, no começo da manhã deste domingo, 12 municípios foram atingidos pela passagem do tornado: Candói, Cantagalo, Cruzeiro do Iguaçu, Foz do Iguaçu, Guaraniaçu, Guarapuava, Londrina, Matinhos, Porto Barreiro, Rio Bonito do Iguaçu, Turvo e Umuarama.

Foram afetadas 14.751 pessoas – por exemplo, ficaram sem energia elétrica, água ou comunicações, sendo 11.785 em Rio Bonito do Iguaçu.

O número de desalojados (foram para casa de parentes ou amigos) chega a 1.060, e 28 estão desabrigadas (pessoas em abrigos públicos).

O boletim aponta que 704 casas foram danificadas, sendo 620 em Porto Barreiro. Quinze domicílios foram destruídos, todos em Guarapuava.

O Ministério da Saúde enviou no sábado uma equipe da Força Nacional do SUS para Rio Bonito do Iguaçu. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou as redes sociais para prestar solidariedade aos atingidos.